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Full text of "NOVA REVELACAO de JESUS CRISTO atraves Jacob Lorber e Gottfried Mayerhofer"

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RECEBIDO PELA VOZ INTERNA PORJAKOB LORBER 

TRADUZIDO PORYOLANDA LINAU 
REVISADO POR PAULO G. J U ERG EN SEN 





Volume IV 




Edigao eletronica 



DIREITOSDETRADUCAO RESERVADOS 

Copyright by 
Yolanda Linau 

Jakob Loiter- GRANDE EVANGELHO DEJOAO - 11 volumes 

Traduzido por Yolanda Linau 
Revisado por Paulo G. Juergensen 

Edicao eletronica 




UNIAO NEO-TEOSOFICA 
2003 

www.neoteosofia.com.br 



In dice 

1. A Verdadeira Sabedoria e a Veneragao Viva de Deus 13 

2. Futuro dosArrabaldesda Palestina 15 

3. Senhor e osAfogados 17 

4. Determinagoes do Senhor em Relagao aos Afogados 18 

5. Duvidasde Cornelius 19 

6. Persase Fariseus Discutem o Milagre 21 

7. Servo Infiel de Helena 22 

8. A Agao da Assembleia 24 

9. Os Espioes de Herodes 25 

10. Zinka Se Defende e Relata o Fim de Joao Baptista 27 

11. Boa Resposta de Cirenius 28 

12. Prisao de Joao Baptista. As Relagoes Entre Herodes e Herodiades 29 

13. Assassinio de Joao Baptista 31 

14. A Prisao dejoao Baptista 33 

15. Suposto Privilegio de Herodes 33 

16. Autorizagao Falsificada 34 

17. Politica dosTemplarios 35 

18. A Doutrina do Profeta Galileu 36 

19. Opiniao de Zinka Sobre a Doutrina 38 

20. Zinka seAdmira do Milagre 39 

21. A Sede do Saber. A Verdadeira Arte do Canto 40 

22. Raphael, Cantor 42 

23. Convivio Com Deus Pela Voz Interna do Coragao 43 

24. Como se Deve Cuidar do Campo Emotivo 44 

25. Indagagoes de Zinka 45 

26. Jesus Ressuscita os Dois Cadaveres. Zinka Reconhece Como Senhor 46 

27. Historia das Duas Mogas 48 

28. Cirenius Reconhece Suas Filhas 49 

29. Modestiade Zinka 50 

30. Agao e Verbosidade 51 

31. Conjeturas de Hebram e Risa 53 

32. Urn Acontecimento Durante a Adolescencia de Jesus 55 

33. Cirenius Promete Divulgare Defender a Doutrina 57 



Jakob Lorber 

4 

34. A Lei Imperativa e a Lei Facultativa 58 

35. Diversidade das Almas Deste Orbe 59 

36. Tratamento de Molestias Psiquicas 61 

37. Sanatoriose Medicos Psiquiatras 62 

38. A Verdadeirajustiga 64 

39. A Eterna Lei de Amor ao Proximo 66 

40. Sonambulismo 67 

41. Pureza Fisica e Psiquica. Cura a Distancia 69 

42. Uma Prova de Sonambulismo 70 

43. Cidadao Zorel 71 

44. Zorel Externa Suas Ideias Sobre a Propriedade Particular 72 

45. Zorel Ouve a Verdade 73 

46. Zorel Pede Livre Retirada 74 

47. Preparativos Para o Tratamento Sonambulico 75 

48. Confissao de Zorel 76 

49. Purificagao da Alma de Zorel 77 

50. A Alma Purificada Recebe Vestimenta 79 

51. Corpo Psiquico 80 

52. A Alma deZorel a Caminho da Renuncia 82 

53. Zorel no Paraiso 83 

54. Relagao Entre Corpo, Alma e Espirito 85 

55. Zorel Vislumbra a Criagao 87 

56. A Natureza do Homem e Seu Destino Criador 89 

57. Os Processos Evolutivos em a Natureza 91 

58. Naojulgueis! 93 

59. FeMaterialistade Zorel 95 

60. Zorel Critica Moral e Ed ucagao 97 

61. Enganos Materialistas 99 

62. J ustificavel Protegao da Propriedade 101 

63. Descendencia de Zorel 103 

64. O Passado de Zorel Como Traficante de Escravos 105 

65. Zorel Tenta J ustificar-se 105 

66. OsAtosde Defloragao Praticados por Zorel 107 

67. Revolta de Cirenius Pelos Crimes de Zorel 108 

68. I ustificativas de Zorel 110 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

5 



69. Zorel, o Matricida 111 

70. Zorel J ustifica SuasTendencias 112 

71. Cireniusse Admira da Astucia de Zorel 112 

72. Joao, Bom Conselheiro 113 

73. A Dupla Vontade do Homem 115 

74. A Natureza de Deuse Sua Encamagao 117 

75. Cirenius Cuida de Zorel 118 

76. Segredo da Vida Espiritual 119 

77. Zorel Decide a Regenerar-se 121 

78. Caminho Para a Vida Eterna 123 

79. A Pobreza e o Amor ao Proximo 124 

80. A Volupia 126 

81. A Caridadejusta 129 

82. Orgulho e Humildade 132 

83. Educagao Para a Humildade 134 

84. Bom Proposito de Zorel 135 

85. Zorel E Entregue aosCuidadosde Cornelius 138 

86. Humildadejusta e Humildade Exagerada 139 

87. Cornelius e Zorel Palestram Sobre M ilagres 141 

88. Opinioes Diversas Sobre a Natureza do Senhor 142 

89. A Pedra Luminosa da Fonte do Nilo 145 

90. AlmaeCorpo 148 

91. Desenvolvimento de Almas Fracas no Alem 150 

92. Conduta das Almas no Alem 151 

93. Progresso da Alma na Terra e no Alem 154 

94. Desenvolvimento Psiquico 156 

95. A Finalidade do Servir 158 

96. Pesquisando osSegredosda Criagao 159 

97. A Verdadeira Aplicagao do Amor ao Proximo 161 

98. Auxilio Monetario 163 

99. Auxilio J usto e o Auxilio Errado 164 

100. A Doutrina de M oyses e a Doutrina do Senhor 166 

101. OJoio EntreoTrigo 167 

102. Os Pensamentose Suas Realizagoes 169 

103. O Surqir da Materia 171 



Jakob Lorber 

6 

104. Egoismo Como Origem da Materia 173 

105. Como Surgiram os Sistemas Solares 175 

106. Formagao e Importancia da Terra 179 

107. Aparecimento da Lua 180 

108. O Pecado Original 182 

109. Salvagao, Renascimento e Revelagao 184 

110. O Batismo. A Trindade em Deus e no Homem 186 

111. Ordem Dietetica de Moyses 189 

112. Predigao Sobre as Atuais Revelagoes 190 

113. Convocagao para a Voz Interna 192 

114. Os Espiritos da Natureza 193 

115. Yarah e os Espiritos da Natureza 195 

116. indole eAgao dos Espiritos da Natureza 197 

117. Urn Novelo de Substancias Psiquicas 199 

118. O Oxigenio 201 

119. Raphael Demonstra a Criagao dos Seres 202 

120. A Fecundagao 206 

121. M otivos das Revelagoes do Senhor 209 

122. O Senhor Revela o intimo de Judas 211 

123. Corretivo de Judas 215 

124. A Educagao de Criangas 217 

125. A Vida dejudas Iscariotes 219 

126. Efeitosduma Educagao Erronea 220 

127. O PavordaMorte 222 

128. Separagao da Alma do Corpo, Durante a Morte 223 

129. Ocorrencias no Momento da Morte 226 

130. Mathael, o Vidente 227 

131. Criterio Saduceu Quanto aos Castigos Romanos 230 

132. Fim dosSalteadoresCrucificados 231 

133. A Formagao Psiquica dos Salteadores 233 

134. M athael Visita o Pai de Lazaro, M oribundo 235 

135. Tentativa de Ressurreigao 237 

136. O Espirito de Lazaro Testemunha do M essias 239 

137. Covardia do Rabino 240 

138. A Vida do Velho Lazaro 241 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

7 

139. Explicagao das Aparigoes Durante a M orte de Lizaro 243 

140. Indagagoes Tolas 245 

141. A "Ira" Divina 246 

142. Primeiro Casal 248 

143. Diluvio 250 

144. M otivo das Catastrofes 251 

145. A Influencia do Mai 253 

146. A Maravilhosa Plantinha Curadora 254 

147. Causas de Frio e Calor 255 

148. Queda Desastrada dum Garoto 257 

149. Fenomenos Espirituais Durante o Acidente. 
Suicidio do Essenio Amaldigoado Pelo Templo 258 

150. As Almas dosAcidentados, no Alem 260 

151. Explicagoesdo SenhorQuanto as SituagoesPsiquicas dosAcidentados 263 

152. Situagoes Diversasde Suicidas no Alem 266 

153. A Pedra Filosofal 269 

154. A Irradiagao Venenosa da Viuva 270 

155. Veneno de Cobra Como Remedio 272 

156. Ocorrencias Espirituais Durante a M orte da Viuva e Sua Filha 274 

157. Evolugao das Formas Psiquicas das Duas M ulheres 275 

158. O Veneno em M inerais, Plantas, Animais e Homens 277 

159. A Natureza Venenosa das Duas M ulheres 278 

160. Reflexoesde CireniusQuanto a Ordem Evolutiva da Alma 280 

161. Cirenius Critica a Genesis 281 

162. A Criagao de Adam e Eva 283 

163. Os Quatro Sentidos da Genesis 285 

164. Chave Para o Entendimento das Escrituras 287 

165. Os Verdadeiros Doutrinadoresdo Evangelho 289 

166. A Aurora Maravilhosa 291 

167. Jejum e Alegria 293 

168. Reprimedas Feitas Por Amor-Proprio 295 

169. Simon Critica o Cantico de Salomon 297 

170. Chave Para a Compreensao do Cantico Salomonico 300 

171. Simon Elucida Alguns Versos do Cantico 302 

172. Gabi Confessa SuaTolicee Vaidade 305 



Jakob Lorber 



173. Antiqos Principios de Gabi 307 

174. Parecer de Simon a Respeito do Senhor 309 

175. Ideias de Simon Sobre o Senhor, Como Homem 311 

176. A Uniao da Criatura Com Deus 313 

177. Natureza e Fim da Sensualidade 315 

178. A Natureza dosAnjos. Coragao e Memoria 316 

179. Povo da Abissinia e Nubia 319 

180. Senhor Envia urn Mensageiro a Caravana 322 

181. Senhor Palestra Com o Guia dos Nubios 324 

182. Guia Relata Sua Viagem a Metritis 326 

183. M aldigao da Excessiva Cultura dos Egipcios 328 

184. Beneficio da Cultura Primitiva do Homem Simples 330 

185. A Estada dos Nubios no Eqito 332 

186. Negro Pede Confirmagao da Presenga do Senhor 334 

187. Os Nubios Reconhecem o Senhor 336 

188. A Excessiva Humildade 337 

189. Oubratouvishar Fala de Sua Patria 339 

190. O Tesouro do Nubio 341 

191. O Outro Grupo de Negros 342 

192. Natureza de Isise Osiris 343 

193. O Grande Templo na Rocha Chamado Jabusimbil 345 

194. O Nubio Demonstra aos Conterraneos a Divindade Personificada 
em Jesus 347 

195. Duvidasjustificaveis dos Negros 348 

196. Oubratouvishar Procura Convencer SeusAmigos Sobre a Divindade 
de Jesus 350 

197. Proveitos e Desvantagens Espirituais dos Negros 351 

198. Diversidade Climatica e Racial na Terra 353 

199. A Assimilagao da Doutrina da Verdade 355 

200. Raphael Convence os Negros da Divindade de Jesus 358 

201. O Nubio e Oubratouvishar Entregam SeusTesouros a Cirenius 360 

202. A Origem do Templo Jabusimbil, da Esfinge e das Colunas de 
M emnon, Representadas Pelas Duas Primeiras Perolas 362 

203. Segredo da Terceira Perola. Os sete gigantes e os Sarcofagos 364 

204. Raphael Explica as Constelagoes na Quarta Perola 366 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

9 

205. A Divisao do Tempo, na Quinta Perola 368 

206. Segredo da Sexta Perola: A Representacao das Piramides, dos 
Obeliscose da Esfinge 370 

207. As Constelagoes da Setima Perola. Decadencia da Cultura Egipcia. 
Historia das Sete Perolas 372 

208. Habitosdos Nubiose Habitosdos Brancos 374 

209. Formagao do Intelecto e Formagao do Sentimento 376 

210. Motivo da Encarnagao do Senhor 378 

211. Os Negros Dominam os Elementosd'Agua 381 

212. Como os Negros Dominam os Animais 381 

213. AM aneira Pela Qual os Negros Dominam Plantas e Elementos 383 

214. O Conhecimento Proprio 386 

215. Irradiagao da Alma Humana e Irradiacao Solar 387 

216. Influencia do Carater Humano Sobre os Animais Caseiros 390 

217. As Vantagens da Justa Formagao Psiquica 391 

218. O Poder de uma Alma Perfeita 394 

219. Efeito da Luz Solar. Fungao do Olho Humano. A Visao da Alma 395 

220. O Renascimento e a Justa Educagao 397 

221. A Justa Compreensao e a Faculdade de Ler Pensamentos 399 

222. A Importancia da Irradiagao Psiquica 401 

223. O Poder do Homem Perfeito Pelo Amor 403 

224. A Fome Pelo Alimento Espiritual 404 

225. O Poder Milagroso do Renascido em Espirito 406 

226. Relagao Entre Alma e Espirito 407 

227. Cerebro eAlma 409 

228. A Formacao Justa do Cerebro 410 

229. Cirenius Pede Maior Elucidagao Quanta ao Estudo do Cerebro 412 

230. Efeitosda Impudicicia 414 

231. Bengao duma Fecundagao Ordenada 415 

232. Estrutura do Cerebro Humano 418 

233. Ligagao Entre o Cerebro Anterior e o Posterior 419 

234. Ligagao dos Sentidos ao Cerebro 422 

235. O Cerebro Perfeito e o Cerebro Atrofiado 423 

236. Catater dos Intelectuais e Sua Desdita no Alem 425 

237. Consequencia dum Cerebro Espiritualmente Cego 427 



238. Dificuldade Evolutiva duma Alma M aterialista, no Alem 429 

239. Efeito duma Educagao Falha Sobre o Cerebro 431 

240. Cerebro dum Intectual 433 

241. A Origem do Pecado 434 

242. Injustigas Aparentes Quanta a Conduta das Almas, Aqui e no Alem 43_6 

243. A Natureza Divina. Peso Necessario das Provagoes 43_8 

244. "Eu" Individual Como Causador de Seu Destino 43_9 

245. Desenvolvimento Independente das Almas Destinadas a 
Filiagao Divina 441 

246. Porque Motivo Deus Determina a Perfeigao Independente 
duma Alma 442 

247. A Possessao. A Demorada Divulgagao do Evangelho 444 

248. Milagres Efetuados em Tempo Oportuno 446 

249. A Atitude Milagrosa na Divulgagao da Doutrina do Senhor 448 

250. Dificuldades na Propagagao da Pura Doutrina 449 

251. A Espada Como M eio de Corregao Entre Povos Descrentes 451 

252. PaieFilho em Jesus 45J_ 

253. Aparigoes Ocorridas Durante o Batismo do Senhor 456 

254. A Grandiosidade da Criagao 457 

255. A Encamagao do Senhor no Atual Periodo da Criagao 460 

256. A Esfera Vital da Alma e a do Espirito 463_ 

257. A Onisciencia Divina 464_ 

258. A Linguagem dosAnimais 466 

259. Exemplos da Inteligencia Animal 468 

260. Nubio Palestra com o Burro de M arcus 470 

261. O Crescimento da Irradiagao Psiquica do Homem 4_71 

262. A Projegao Luminosa de Moyses e dos Patriarcas 4_72 

263. M otivo das Explicagoes do Senhor 4_74 



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eria ilogico admitirmos que a Biblia fosse a cristalizacao de 
todas as Revelacoes. So os que se apegam a letra e desco- 
^—^ nhecem as Suas Promessas alimentam tal compreensao. 
Nao e Ele sempre o Mesmo? "E a Palavra do Senhor veio a mim", 
dizia o profeta. Hoje, o Senhor diz: "Quern quiserfalarComigo, que 
venha a M im, e Eu Ihe darei, no seu coracao, a resposta." 

Qual traco luminoso, projeta-se o conhecimento da Voz Interna, e a 
revelacao mais importantefoi transmitida no idioma alemao duran- 
te o ano de 1864, a um homem simples chamado Jakob Lorber. A 
Obra Principal, a coroacao de todas as demais e " Grande Evange- 
Iho dejoao" em 11 volumes. Sao narrativas profundasde todas as 
Palavrasde Jesus, ossegredosdeSua Pessoa, sua Doutrina de Amor 
edeFe! A Criacao surge diantedosnossosolhoscomo umaconte- 
cimento relevante e metas de Evolucao. Perguntas com relacao a 
vida sao esclarecidas neste Verbo Divino, de maneira clara e compre- 
ensfvel. Ao lado da Biblia o mundo jamais conheceu Obra Seme- 
Ihante, sendo na Alemanha considerada "Obra Cultural". 



CJiui^cuZ' /, (ova/ vxeoelcigdcr 

Grande Evangelho deJoAo 

A Infancia de Jesus 

M enino JesusnoTemplo 

A CriacAo de Deus 

AMosca 

Bispo Martin 

Roberto Blum 

OsDez Mandamentos 

m ensagensdo pai 

Correspondence Entre Jesuse Abgarus 

Predicasdo Senhor 

Sexta-Feirada PaixAo e a Caminho de Emaus 

AsSete Palavrasde Jesus na Cruz 

ATerrae a Lua 

preparagao parao d ia da ascensao do senhor 

Palavrasdo Verbo 

Explicacao deTextosda EscrituraSagrada 

OsSete Sacramentose Predicasde Advertencia 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

13 

JESUS NA ZONA DE CESAREA PHILIPPI 

1. A Verdadeira Sabedoria e a Veneracao Viva 

DE DEUS 
Ev. Mat. 16. (cont.) 

1. Aposerguer-M ecom osquehaviam cochilado Comigo, chamo 
ostresamigoselhesindago a razao por quenao seguiram nosso exemplo. 

2. RespondeM athael: "Senhor, quern poderiadormir, aposter rece- 
bido conforto tao poderoso atravesdeTua Palavra?! Assim aproveitamos 
o tempo na investigacao decoisasjamaissonhadaspelosmortais! Por isto 
Te rendemostoda nossa gratidao!" 

3. D igo Eu: "M uito bem; sei devossaspalestrasedetudo quevosfoi 
dado conhecer antesdo tempo. G uardai-o, pois, evitando deste modo, o 
uso inoportunodetaisconhecimentos OsfilhosdaTerranaoosassimi- 
lam, porquanto nao tern vossa procedencia; enquanto que a vos, sera 
dado conhecer coisasmuito maiselevadas, aposavinda do Espiri to San- 
to, ori undo dosC eus, quevosconduzira a Verdade plena! Espiritode 
Amor, o Pai M esmo, vosguiara eensinara, trazendo-vosa M im. 

4. Em verdade vosdigo: N inguem chegaraaM im senaoforcondu- 
zido pelo Pai; pois todos vos deveis ser ensinados por Ele, isto e, pelo 
Eterno Amor em D eus, caso quiserdes estar C omigo! D eveis ser tao per- 
feitos comoo Pai no Ceu! Isto jamaisalcancareisatravesdo saber profun- 
do ou por experienciasvariadas, mas, unicamente, pelo vivo amor a D eus 
e ao proximo. N isto se baseia o grande misterio do renasdmento do 
vosso espirito, por D eus e em D eus 

5. Antes disto, cada urn tera detranspor C omigo a porta estreita da 
completa renuncia do seu "eu", deixando de ser vos mesmos para serdes 
tudoem Mim. 

6. Amar a Deusacimadetodasascoisas, significa dedicar-se-Lhe 
inteiramente; amar ao proximo, requer tarn bem a maxima dedicacao, do 
contrario, nao sera possivel faze-lo com sinceridade; pois urn amor sob 



Jakob Lorber 

14 

medida, nao beneficiaaquelequeama, tao pouco ao seramado. 

7. Se pretendeis vislumbrar o panorama do cume du'a montanha, 
tereis de galgar o sai pico; de qualquer outro ponto, avistareis apenas 
uma parte. Eisporquetambem, noamor,deveserpostaem praticatoda 
dedicacao para que frutifique. 

8. Vosso coracao e um campo de semeadura, e o amor ativo repre- 
senta a semente viva; os pobres sao o adubo para o campo. Aquele que 
semear em solo bem adubado, colhera safra abundante N a medida que 
fordes aumentando o numero de pobresa adubar o campo, mais vicoso 
este se tornara; e quanta melhores sementes nele lancardes, tanto mais 
ricaseraacolheita. Q uem semear abundantemente, colhera com fartura; 
quern o fizer com usura, lucrara escassamente 

9. Deveis tornar-vos sabios pelo amor ativo; nisto consiste a mais 
elevada sabedoria, pois que todo saber sem amor de nada vale! Tratai, 
pois, deaumentar vosso amor que vos proporcionarao queciencia algu- 
ma vos podera dar. Aproveitastes bem astres horas, enriquecendo vossas 
nocoeseexperienciasTudo isto pouca uti I idade trara para vossas almas; 
ao passo que, ocupando futuramente vosso tempo amando ao proximo, 
num dia, vossas almas I ucrarao mesesdebeneficios! 

10. Dequevosadiantariaextasiar-vosdiantedeM eu Poder, M agni- 
tudeeGloriajamaispenetrados, seavossa porta os pobres chorassem de 
fome, sedeefrio?Quaomiseravel einutil serialouvaraDeusem honras 
e glorias, degnteressando-seda miseriado proximo! Deque servem to- 
dasasoferendassuntuosasnoTempIo, sediantedeseusportaisum pobre 
morredeinanigao?! 

11. Inteirai-vos, pois, da miseriados pobres esocorrei-os! Mais de- 
pressa col herds ben efici os assi m procedendo, do que se pesqu isassei s to- 
dos os astros e entoasseis loas a M i m ! 

12. Emverdadevosdigo:Todososanjos,Ceusemundoscomtoda 
sua sabedoria nao vos proporcionarao, em eternidades, oquealcangareis 
pelo amor ao proximo usando de todas vossas energias e meios! N ada 
mais sublime do que o amor verdadeiro e ativo, estabelecendo a uniao 
entreDeuseacriatura! 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

15 

13. Se durante tua prece a D eus, nao percebes a voz aflita de teu 
semelhante a procura de auxilio, tuas palavras serao amaldicoadas por 
M im! M inha H onraconsisteno amor e nao nafutil tagarelice 

14. N ao deveis ser como afirmava I saias: Esse povo M e honra com 
os labios; seu coracao, porem, esta longe de M im! M as adorai-M e em 
espi rito e verdade, pois D eus e Espi rito! 

15.AunicaprecedeMeuAgradoeadaaplicagaodoamorenunca 
amovimentagaomaquinal dos labios. Que adiantariaornamentardesde 
ouro o sepulcro dum profeta, senao ouvirdesavozdo vosso irmao sofre- 
dor?!Acaso pensaisqueisto Meagrada?Tolos!Olhar-vos-iacom ira, se 
por causa dum morto, menosprezasseiso apelo dum vivo!" 



2.0 Futuro dosArrabaldesda Palestina 

1.(0 Senhor):"Eisporquedetermineiqueoslugarejos,oraporn6s 
percorridos, daqui acem anos, nao sejam maisreconhecidosevitando se 
Ihesdediqueveneragao excesava. 

2. Nazareth, ondenasci, nao maisexistira, esim umaoutracidade 
deigual nome, alem dosmontes, em diregao ao Poente mesmo desti- 
ne jaatingiu Cesarea Philippi; perdurara, porem, uma semelhante acima 
do Lago Meron, origem do Jordao, e outra perto deTyro e Sidon. 
Genezarethjafoi extinta, restandoapenasacidadedeTiberias DaSama- 
ria subsistira, somente, o trajeto daqui ao M ar M editerraneo, enquanto 
queacidadedeSichar eo M onteH oreb serao arrasados; osdescendentes 
desseshabitantesseempenharao porencontra-los, achando, no entanto, 
apenasu'amontanhaingreme, assim denominada, masquenaocontem 
o Espirito da Verdade. Esse destino terao Jerusalem e outros locais da 
Terra Prometida, reduzida, na sua maior parte, a urn deserto. 

3. Lembrai-vosdisto; tal sedaraparaqueascriaturasoucam oscla- 
mores reprovadores dos pobres, pela veneracao excessiva dessas cidades 
Serao confundidas em virtudedessezelo; procuraraoM inha Cabana na 



Jakob Lorber 

16 

falsa Nazareth, poisa legitima desaparecera da Terra, logo apos M inha 
Ascensao ao M eu Reino. 

4. Quern procurarfutilidades, encontra-las-a, morrendo com esta 
tendencia; quern procuraraverdadeiraN azareth nocoracao, descobri-la- 
a em cada pobre e uma genuina Bethlehem em cada semelhante! 

5. Tempos virao em que, delonge, criaturasaqui chegarao a procura 
destas localidades das quais apenas perdurarao os nomes! Ate os povos 
europeusguerrearao pelasua posse, acreditando prestar-M ebom servico, 
enquanto deixarao perecer, napatria, demiseriae privacies, seusfamili- 
areseamigos! 

6. uando no Alem M e pedirem o esperado premio pelo esforco e 
sacrificio despendidos, demonstrar-lhes-ei sua grandetoliceea miseria 
queinfligiram, nao so aosseuspropriosparentes, como aosdependentes 
de seu auxilio. Saberao que, nao Ihes sera posslvel achegar-se a Luz da 
M inha Graga enquanto nao repararem, completamente, o dano pratica- 
do, o quesera mui dificil, por possuirem meiosescassos, na luz crepuscu- 
lar no reino dosespiritos, sobreedebaixo daTerra. 

7. Afirmo-vos A vista da grandetolice humana, farei cair esta zona 
nas maos dum povo pagao, que castigara os falsos pregadores da M i nha 
Doutrina, nosquatro pontoscardeais. 

8. Atentai, pois, contra a infiltracao detoliceesuperstigao na M inha 
Doutrina deVidae do VerdadeiroConhecimentodeDeus So ha urn 
caminho: o amor ativo, facultando atodosa verdadeira Luzeacompre- 
ensaojustaeilimitadadasnogoesnaturaiseespirituaislEeseraounicoe 
verdadeiro caminho quevoslevara a M imeaoMeu Reino. 

9. Eu, o Amor Eterno, sou a Luz, o Caminho, a Porta e a Vida 
Eternal Q uem tentar penetrar no M eu Reino da Luz por outrosmeios, e 
qual ladrao eassaltante; sera, por isso, relegado asprofundezasdastrevas 
aqui eno Alem. Sabeisagora, como procedereo queconsiderojusto. Agi 
deacordoeestareistrilhandoaveredacerta!- Agora, passemosaosnove 
afogados, etu, M arcus, mandatrazer vinho que dele precisaremos!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

17 

3. Senhor e osAfogados 

1. Rapido acercamo-nos dos perecidos que mando virar de cabega 
paracima. Em seguidadigoaM arcusquelhesfagacairalgumasgotasde 
vinho nas bocas abertas Isto feito, digo a todos: "Certificai-vos se nao 
estao mortos!" 

2. Encontrava-se, entreostrintafariseusconvertidos, um medico que 
disse: "N ao que duvide da morte dessas pessoas, mas quero apenas, dar 
meu testemunho como perito!" A seguireleexaminaosolhosvidrados, o 
nariz hipocratico, provas certas da extincao de todos os elementos vitais 
Q uando termina, diz: "N ao so hoje, mas desde ontem, uma hora apos 
terem caidon'aguajaestavam mortos A julgarpdo odor, iniciou-seade- 
composicao enao hacienciaeforca humanasqueosfagam ressuscitar! Isto 
so podeAqudequeno Diadojuizo Final fararessurgiros mortos!" 

3. Digo Eu: "Comprovando o testemunho do medico epara que 
possais reconhecer a Gloria do Pai, manifesta no Filho, exclamo: Pai, 
glorificaoTeu N ome!" N isto, muitosouvem uma voz num forte trovao: 
"JaO glorifiquei porTi, Meu Filho Amado, poises Tu em Quern Me 
aprazo! As criaturas devem prestar-Te ouvidos!" 

4. Algunshaque, com oCeu limpido, ouvem o trovao eadmiram- 
sedessefato; quandosao informadosdaquiloqueosoutrosperceberam, 
dizem: "Estranho; entretanto, acreditamosnasvossaspalavraslContudo, 
deduzimossero M estre apenas o Filho, enao o Santo ePoderoso Pai que 
habita no Ceu, invisivel para todos, somente se Lhe podendo falar em 
momentossantificados M oyses, portanto, tambem foi filho do Altissimo, 
bem como os outros profetas; e este N azareno poderia ser o M aior de 
todos, poisfaz os mais deslumbrantes milagres!" 

5. Intervem M urd: "Em absolute; estaiscometendoumgrandeerro! 
Quern teria anunciado M oyses, Eliasou Samud, pdo Espirito do Se- 
nhor? Foram todos repentinamente iluminados por Ele, a fim de que 
profetizassem! A voz que ora ouvimos, foi tanto Sua Propria, quanta 
aquda que nos dirigiu Pessoalmente! A diferenca consiste no seguinte: 



Jakob Lorber 

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Verbalmente Ele fala como H omem, e atraves do trovao Se fez ouvir 
como Aquele que foi, e e sera eternamente o M esmo C riador de tudo 
queexisteedasLeisdadas no Sinai, sob raiosetrovoes. Eispor que tudo 
Lheeposslvel, inclusiveSuaEncarnagaoporAmoraSeusfilhos; poisdo 
contrario, jamais poderia ser por eles amado e reconhecido!" 



4. determinagoesdo senhor em relagao 
aosAfogados 

1. N isto Me aproximo de M urel, dizendo: "Penetraste funda- 
mente na verdade, esclarecendo os mais ignorantes; por isto, seras 
aindaum instrumento uti I contra judeus e pagaos, eteu premiono 
Ceu nao sera pequeno! 

2. Agora, maos a obra, como vos determine, a fim de que todos 
vejam quesou o Verdadeiro ePrometido Messias, anunciado pelospro- 
fetasatepor Simeon, Anna, Zachariasejoao, esteexecutado por H ero- 
des! Esses nove ressuscitarao e quando mais tarde tiverem deixado esta 
zona, saberao o quelhessucedeu!" 

3. Em seguida, mando que M arcus faca verter mais algumasgotas 
devinhonasbocasdosnove, enquantoCireniuseComeliusindagamo 
motivodestamedida. 

4. Respondo: "Isto, em absolute faz parte da ressurreicao; como, 
porem, encaminhar-se-ao paracasa, necessario equesefortifiquem. 
vinho e absorvido pelos nervos da abobada palatal e da lingua. Deste 
modo, aalmareintegradaaocorpo, encontraraum instrumento fortale- 
cido que podera empregar em qualquer atividade Seesteestimulo nao 
Ihes fosse ministrado, os ressuscitados teriam de permanecer aqui para 
uma readaptagao f i si ca. Alem disto, o vinho proporciona bom paladar, 
muito necessario, poisaaguaingerida Ihesproduziria nauseas, dificeisde 
serem acalmadas. Estais, portanto, orientados a respeito; acaso ainda 
alimentaisoutra duvida?" 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

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5. RespondeComelius: "Naoebem isto, SenhoreMestre;apenas 
me veio a ideia como podes, sendo o Onipotente, servir-Te de meios 
naturais para al can gar um fim qualquer." 

6. D igo Eu: "Por que nao? Acaso nao eo meio natural tambem obra 
de M inha Vontade, mormente o vinho de M arcus, cujos odres e demais 
vasilhasenchi demodomilagroso?!Pdofatodeempregar meio natural ou 
espiritual, nao deixodeusarM inha Onipotencia. Compreendeste?" 

7. RespondemCireniuseComelius:"lnteiramente,eansiamospela 
vivificagao dos afogados. Sera feita agora?" 

8. Digo Eu: "Maisum pouco de paciencia, poistomarao, pelater- 
ceira vez, um pouco devinho." Satisfeitos, todosobservam como M arcus 
cumpreMinhaOrdem. 

9. Em seguida digo a todos: "J a esta feita a obra! Afastemo-nos e 
sentemo-nos as mesas onde nos espera o desjejum. Se aqui ficassemos, 
confundiriamososrecem-acordados, quejulgariam ter-lhessucedidoalgo 
deextraordinario. Destemodo, teraoaimpressaodequeforam atirados 
a esta praia pelo temporal, acordando apos profunda exaustao. Levantar- 
se-ao, calmamente, voltando a seus lares, onde naturalmente serao rece- 
bidoscom imensaalegria." 



5. Duvidasde Cornelius 

1. Todos obedecem a M inha rdem, alguns contrafeitos, pois 
com prazer teriam observado o milagre de perto. Todavia, ninguem 
se atreve a fazer objecao. Sentamo-nos, pois, as mesas a fim de sabo- 
rear os peixes preparados. 

2. Yarah esta de especial bom humor ediz:"- Naopossoexplicara 
razao de minha alegria, o que a meu ver nao se da com todos! Sendo 
mulher deveriaserviti ma da curiosidade, todavia, da- seo contrario! Sao, 
predsamente, oshomensquenao secontem eolham paratras, verifican- 
do seos noveja ressuscitaram. Embora eu nao tivesse seguido o mesmo 



Jakob Lorber 

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exemplo, ja osvi seafastarem, um por um, nao faz bem meia hora. M al 
tinhamosalcancado asmesas, comegaram asemexer, levantando-separa 
depoisirem embora, inclusive aqueles que o Senhorontem ressuscitou, 
apos o temporal. Como sou pequena, foi-me possivel percebe-lo por 
entre os galhos das arvores" 

3. M anifesta-seCornelius: "Com tuaboavisao observastudo! Para 
nos, basta o exito da rdem do Senhor, poisdo contrario, muitosseri- 
am vitimas da duvida. M as..., terias realmente visto como se levanta- 
rameafastaram?" 

4. RespondeYarah, um tanto irritada: "Acaso metomaspor menti- 
rosa?! Desdequemeconheco, jamaisproferi u'amentira, eagora, ao lado 
demeu Senhor, DeuseMestre, haveriadefaze-lo paraatendertuacuri- 
osidade?! N obre senhor, estaslongedemeconhecerlVe, amaisesclarecida 
inteligencia e capaz de acolher a mentira, pois podes elucidar alguem 
dentro detuacompreensao; todavia, baseia-senum falso conceito, o qual 
te leva a externar uma inverdade amor verdadeiro e puro, porem, 
jamais podera mentir, por considerar o proximo - como filho deD eus- 
maisqueasi proprio, eo Pai, acimadetudo! Alimentando eu esse amor 
de forma integral, como poderia dar-te um testemunho falso? Nobre 
Cornelius, estasuposicao naotehonra!" 

5. Defende-seele:"M inhaYarah, tal nuncafoi minhaintencao! Po- 
des indagar do Senhor que conhecemeu intimo, setiveesseproposito! 
Ainda estas zangada comigo?' 

6. RespondeYarah: "Em absolute; futuramente porem, medita antes 
deperguntar!" 

7. Intervenho:"- Muitobem;vamosagoraauxiliarMarcusnapesca. 
A tardehaveraoutro assunto a resolver." uvindo M inhasPalavras, M arcus 
ordenaaosfilhosquepreparem os botes; pois, os peixes guardadosno gran- 
detanquea beira-mar, haviam sofrido com o ultimo temporal. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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6. Persase FariseusDiscutem o M ilagre 

1. Enquantoabordamosdiversostemasamesa, irrompeumadis- 
cussaoentreostrintajovensfariseuseosvintepersas Estesconsideram a 
ressurreicao obra milagrosa, enquanto os fariseus externam duvidas, 
mormente Risa que ha tempos converteu H ebram. 

2. H ebram, pois, afirma: "- Risa, morta a criatura, podes deita-la 
comoquiseresedar-lheestemesmovinho, que ela jamais revivera! Isto 
foi obra da nipotencia D ivina ea posicao dada aoscadaveresteve, ape- 
nas, o objetivo deexpeli r a agua deestomago e pulmao. vinho somen- 
te animaria os nervos abalados e melhoraria o paladar. Tudo isto, nada 
tinha a ver com a vivifi cacao. Senhor assim agiu com o fito dedoar as 
almas, urn fisico mais resistente N ao o reconheces?' 

3. btemperaooutro: "- Sim, masdever-se-iafazerumaprovade 
queaquelesmeiosaplicados, nao restituem avidaaum cadaver qual- 
quer. So depois desta comprovacao, saber-se-ia tratar-se, neste caso, 
duma ressurreigao." 

4. DizH ebram: "- Seo Senhor aceitartuasugestaoe caso aindase 
encontrealgum morto durantea pesca, poderasfazer umatentativa, que 
a meu ver sera infrutifera." Aduzem os persas: "- Somosda mesma opi- 
niao. Agora, tomemos nossasembarcagoes, poisvemosquetodosseen- 
caminharam paraapraia." 

5. Em lachegando, M eusdiscipulosassistem, com excegaodejudas, 
osfilhosdeM arcusnolangamentodasgrandes redes Entrementes, Judas 
seencaminhaparaacidadeinteiramentedestruida, poisouviradizerque 
os ricos gregos tencionavam calgar algumas ruas com ouro e prata. Seu 
intuito, porem, trouxe-lheapenasuma boa surra, aplicada pelosguardas. 
Deixou, asam, asrumasaindafumegantesdacidade, queoutrorasecha- 
mava "Vilipia"; osgregosadenominavam "Philippi" esob o regimen de 
Romafoi-lheacrescentado o nomede"Cesarea". 

6. Voltando a cabana de M arcus, Judas ali encontra somente sua 
mulherefilhasComoaatitudedestediscipulosempreeraalgoatrevida 



Jakob Lorber 

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e impertinente, nao Ihefoi dada a atencao quedesejava, por parte das 
mulheres Assim vai elea praia, afim delanosencontrar. H aviamo-nos 
feito ao alto mar; enfadado, Judas seencaminha para astendasdeO uran, 
na expectativa de la encontrar alguma moeda perdida! M as tambem ali, 
nada feito! uran haviadeixadotresvigiasem cadatenda! 

7. Aborrecido, J udas deita-se a sombra duma arvore, onde adorme- 
ceTodavia, nem isto o destino Ihepermite: asmoscaso molestam cons- 
tantemente Q uase desesperado levanta-se e avista, finalmente, nossos 
barcos, arrependendo-sede nao noster acompanhado. 



7. Servo Infiel de Helena 

1. N esse interim, haviamos feito magnificapescadosmelhorespei- 
xes, e encontramos em alto mardoiscadaveresfemininos, inteiramente 
nus; haviam caido nas maos de piratas, que Ihes roubaram os bens, ati- 
rando-osem seguidan'agua. Essasmocas, dedezenoveavinteeum anos, 
eram de Capernaum e de familia abastada; dirigiam-se a Gadara, por 
mar. Seu barco etripulacao eram escolhidos M as, quando ja longeda 
praia, piratasgregosabateram osquatro marujos; aspobresmocasforam 
vilipendiadas, despidaseatiradasao mar. Osmalfeitoresja haviam sido 
capturadospelajustigaenao escapariam ao castigo merecido. 

2. Oscorposachavam-seatadospeloscabeloseflutuavam. Eisque, 
a M eu exemplo, Risa predispoe-seafazer as mesmastentativasdesalva- 
mento. Paratanto, oscadaveressao envolvidosem panosedeitadosnum 
barco. Imediatamente Risa os faz deitar como M e vira fazer, enquanto 
ordeno a Rafael queajudea M arcus, para quetudo corra bem. 

3. Enquanto isso,ThomazcumprimentaJudaslscarioteselheinda- 
ga, ironicamente, sobre o sucesso de sua pescaria! Ele resmunga, sem 
todavia se atrever a discutir com T homaz; pois se lembra do outro te-lo 
aconselhado a nao procurar ouro na cidadeem cinzas. 

4. Acontece, ter urn servo deO uran a ideia deexplorar a tendencia 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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dej udas para o roubo, surrupiando trinta moedas de prata da sacola de 
H elena, alegando ter um discipulo do "grande profeta" seaproveitado da 
ausencia detodos, para realizar sai intento inescrupuloso. 

5. Diz de: "- Apos breve afastamento da tenda, deparei com ele 
como se estivesse a procura de algo no solo. Essa atitude suspeita levou- 
mea perguntar-lhebruscamenteo queestavafazendo ali, eele, assusta- 
do, deixou a tenda. Passando revista, observe que a sacola da princesa 
nao seachava no lugar costume ro;qual naofoi minhasurpresaquando 
verifiquei faltarem trinta moedas, pois, comovigia, sabiadoconteudo. E 
aqui venho para relatar o fato, afim denao ser tornado pelo ladrao." 

6. Diz Helena:"- Porquetedesculpasantesquealguem lancesuspd- 
taatuapessoa?!" Defende-seovigia: "- Nobre princesa, naomedesculpo, 
relato apenaso roubo daqudediscipulo." I ndaga H elena: "- Q uando, sen 
minhaautorizacao, conferisteminhasacolapdapenultimavez?' Respon- 
de de "- Logo apos me te" ado entregue a guarda da tenda. N aquda 
ocasiao contd sdscentas moedas; agora so exi stem quinhentasesetenta." 

7. D iz H dena: "- M uito bem; mais tarde averiguaremos o fato e 
castigaremos o ladrao! Talvez te enganaste ao contar e agora lancas a 
suspeita contra urn discipulodo M estre, apenas pelo fato ddeterentra- 
dona tenda!" 

8. M al H dena termina suas palavras, o vigia repoe, rapidamente, o 
dinhdrosubtraido, afim derobustecerasupoggaodesuasoberana. Como 
nao sabe deque forma enfrentar a situacao, resolve procura-la para con- 
firmar o erro comdido na contagem do dinhdro. 

9. Sabendo queO uran difici I mente castigava, a nao ser a mentira ou 
roubo, sua atitude e bem embaracosa. H deia apieda-se do coitado que 
nuncaforadesonestoelhediz: "- N aoagistebem portequereresvingardo 
discipulocom quern nao ampatizas;sddetuatramaqueme'ecepunigao!" 

10. servo comecaatremer; Judas, quehaviaassistidoacena,apro- 
xima-sedizendo: "- Perdoo-te a atitude, com aqual meprejudicarias; 
procura entendimento com tua soberana." 



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8. A AgAo DA Assembleia 

1. Com istojudasseafasta, eEudigo a Helena, Ouran eMathael: 
"-Terminal com essa arenga, poistemoscoisasmaisimportantesaresol- 
ver! N ao castigueis o empregado; nunca teria praticado esse ato se nao 
fosseinduzidopor urn espirito! D equalquer forma, fez umaprofeciaque 
se real izara! Agora, basta!" 

2. IndagaCirenius, admirado: "- Senhor, em queconsistiria?Pare- 
ce-menao haver coisademaior importancia sen ao o que passamos! Fala, 
Senhor! M eu coragaoanseiaporreceberTuasO rdenseResolucoes, afim 
decumpri-las!" 

3. Digo Eu: "- Urn poucodepaciencia, poistudonecessitaamadu- 
recer. Por isto, descansemos urn pouco!" Todos assim fazem. Apenas 
Ouran, Mathad,ComeliuseFaustoseentregam a daboragaode pianos 
govemamentais. M ormente uran anseia por voltar ao seu reino e la 
introduzir M inha Doutrina. 

4. Risa, por sua vez, observa osdoiscorpos, conjeturando quanta a 
possibilidade defaze-los voltar a vida, pelaobservanciadaquiloqueEu 
havia empregado com os nove. utros ha, entregues a meditacao sobre 
M inhasPalavras. Em suma: emboraextemamentecalmos, suas almas se 
empenham em assuntosdi versos, sen alcancarem uma definigao exata. 

5. Schabbi ejurah, osdoisoradorespersas, porem, respondem aos 
colegasqueosassediamcomsuposicoes:"- Deixai isto! Seria perturbar a 
nipotencia D ivinaem nossoscoragoes! Q uesabemosa respeito denos- 
sa constituigao interna?! C onfessando nossa ignorancia a respeito, como 
querermos interpelar o Ser D ivino sobre Sua Atitude?! Basta sabermos 
que tudo que Elefizeresumamentesabioe para nosso Bern! Ele, o Se- 
nhor Supremo, sabeo quepredsamosparaa perfeicao interna; por isto, 
aguardemosSuasDeterminag6es!"Taispalavrasponderadasatodosacal- 
mam, inclusive aos que se acham a M inha mesa, que aguardam com 
pacienciaM inha Atitude. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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9. OSESPIOESDE H ERODES 

1. Nisto, MarcusseaproximaeMedizemsurdina:"- Senhor, per- 
doa seTe venho importunar por alguns momentos." 

2. Digo-lhe Eu: "- Amigo, vai e transmite aos espioes, a espreita 
atras detua cabana: Filhodohomem ageefalaabertamentediantede 
todo o mundo, e nao pretende ter segredos para quern quer que seja; 
quern, portanto, quiser a M im sedirigir, queo faga do mesmo modo! 
N ao admito que se venha soprar, secretamente, a M eus uvidos, nem 
conjeturar asescondidas; isto eum habito condenavel dosfilhosdo mun- 
do, quando temem ver descoberta sua trama. Eufaloeajoem publico e 
nao receio os homens, porque M inhas I ntencoes para com as criaturas 
sao boas! Vai e transmite esterecado aostraidores!" 

3. N em bem M arcusexecuta M inha rdem, urn dosfalsarios res- 
ponde: "- Pareces ignorar que H erodes concedeu-nos carta branca para 
julgarmossobrevidaemorte!"RetrucaM arcus"- Sou suditode Roma!" 
D iz o outro, atrevidamente: "- N ao importa; oTetrarca nao noschama- 
raaresponsabilidade!" 

4. Pondera M arcus "- Podeser; masdiantedeDeusedo Prefeito 
Cireniusqueaqui seencontra, hadoisdias, com outros dignitarios ro- 
manos, tereis de responder pelos vossos atos!" 

5. Respondeaquele: "- Como podes alegar isto, se ha alguns dias 
delegou a H erodes, o direito de pena demorte?!" D iz M arcus: "- M uito 
bem, veremosnum momento quem Iheconferiu tal direito." I ncontinenti 
manda seu filho a C irenius para informar-lhedo ocorrido. M uito irrita- 
do, o Prefeito ordena a Julius que prenda os trinta espioes e execute os 
quenaoserenderem. Intervenho: "- Basta prende-los!" 

6. Q uando ostraidoresveem ossoldadosavangar contra eles, tentam 
fugir, porem sem exito. Sao advertidosdequeseriam mortos, caso reagis- 
sem. Assim preferem seentregar, sendo levados, manietados, a C irenius 

7. Este os inquire peremptoriamente: "- Ondeestaoasordensque 
vosmandam perseguiroprofetadaGalilea?' 



Jakob Lorber 

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8. Responde o chefe, chamado Zinka: "- Senhor, demaosatadas 
nao tas posso apresentar! M anda que mas soltem e te convenceras da 
existenciadeum chefeaquem devemosobediencia, poistem, como os 
romanos, o direito dejulgar sem consultar-vos! 

9. Por nos podem perambular dez mil profetas pela Galilea, desde 
quenosdeixem em paz. H avendo, porem, urn potentado quenoscon- 
trata para esse fim eno caso derecusarmos, far-nos-ia liquidar, o assunto 
muda de aspecto! Temos de ser perseguidores de qualquer urn, por mais 
honestoquesejalE sealguem for chamado peranteaJusticaDivina- se 
equeDeusexiste- sopoderatratar-sedum soberanoenunca do servo 
domesmo!Solta-me, paraquetepossaexibirosdocumentosescritosem 
treslinguas!" 

10. CireniusassimordenaeZinkalheentregaospergaminhos,com 
aspalavras: "- Leejulgapessoalmentesenossacacaaumtaljesuselegal 
ou nao!" 

11. Cirenius, entao, leo seguinte: Em virtudedo poder conferido 
por Roma, em troca de mil libras de prata e cem de ouro, eu, Tetrarca 
H erodes, ordeno quesecaptureo perigoso profeta da Galileia, vivo ou 
morto. M eusvassalosincumbidosdessatarefa, tern porestedocumento, 
pleno poder deagao, recebendo cada urn o premio detrezentasmoedas 
de prata. Assinado em Jerusalem, no proprio palacio." 

12. Aposalgunsmomentosdereflexao, Cirenius diz: "- Com mi- 
nhaaquiescencia, nuncafoi conferido tal poder a H erodes, apenasuma 
autorizagao para uso de armas em sua propria residencia, em caso de 
necessidade Fora disto, somente havendo levante contra Roma! 

13.Todososdocumentospoliticospassam porminhasmaos; asam 
declaro nulaestaautorizagao atequesaibado I mperador Augusto, quan- 
do e por que moti vos, H erodes recebeu tal plenipotencia!Estedocumen- 
to ficara, por ora, em meu poder ate que seja confirmado por Roma. 
Embora nao sejaiscriminosos, soisinstrumentos contra a Lei! 

14. Sei perfeitamente a maneira pela qual os H erodes abusam de 
suasconcessoes, haja vista o infanticidio, queprovou sua tatica infernal 
para lancar a discordia entrejudeus e romanos 



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15. Tetrarca sera por mim rechacado com rigorljaexperimentou 
meu senso de justica ha trinta anos passados; hoje, entretanto, ja sou 
idoso, mais inclinado a ponderacao. M andarei, incontinenti, dois men- 
sageirosaRomaeJerusalem, eai deH erodes sepraticou umafraude!" 



10. Zinka Se Defende e Relatao Fim deJoao Baptista 

1. Diz Zinka: "- N ao resta duvida ter H erodes praticado muitas 
injustigas a pobre H umanidade, mas quefazer?! Q ue poderia fazer teu 
assecla, se Ihe ordenares decapitar alguem? 

2. Acaso ignoravamos a inocencia do pobrejoao? Estimavamos o 
sabioedevotoeremita,poisnostransmitiaosmaissublimesensinamentos, 
quando no carcere; aconselhou-nos paciencia e persistencia; advertiu- 
nos dos pecados contra Deus e o proximo, dizendo haver surgido na 
Galilea, urn profeta e sacerdote sem par, ao qual nao merecia desatar as 
correiasdassandalias! Em suma, ensinou-nos, seusvigias, como sefosse- 
mosseusdiscipuloseamigos 

3. Inquiridos por H erodes a respeito do prisioneiro, so podiamos 
prestaro melhortestemunho.Tanto isto Iheagradou, queprocurou pes- 
soalmenteo profeta para ouvir seusensinamentos; ete-lo-ia libertado, 
nao cometessejoao atolicedecondenar asrelagoesexistentesentreH e- 
rodese Herod fades. 

4. Infelizmente, celebrava-se naquela ocasiao, com grandepompa, 
seu natalicio, eH erodiades, sabedora das fraquezas deH erodes, tudofez 
para ressaltar seusencantos Excessivamente enfeitada, foi, em compa- 
nhia da filha, cumprimenta-lo e como houvesse musica, esta dangou 
diante de seus ol hares lascivos. T ao embevecido ficou com os movi men- 
tossensuaisde Salome, queo tolo jurou satisfazer-lhetodososdesejos! 
Com isto selava-se o destino dejoao, o empecilho a ganancia de 
H erodiades, que impos a filha, a cabega do profeta numa bandeja de 
prata! Salome obedeceu, emboraterrificada! 



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5. Q ue nos adiantaram a simpatia e a conviccao da inocencia do 
profeta?!Dequeserviucondenarmosmaeefilha?!Eu mesmofui obriga- 
do a transmits a sentenca tenebrosa a Joao, fi-lo amarrar e decapitar! 
Chore qual crianga, pelamaldadedaquelasmulheresepelo infeliz desti- 
no do meu amigo! M as deque serviu? 

6. Assim, somos agora enviados na captura daqude grandioso pro- 
feta, do qual Joao falou. Acaso seremosculpados por esta incumbencia? 
Se nao a cumprirmos, seremos presos e ate aniqui lados! Algum juiz nos 
condenaria por esteprocedimento? 

7. D eixa que todos os anjos e D eus M esmo descam a Terra e nos 
julguem; garanto-te que nossa culpa sera identica a dejoao. Se Deus 
existe, deve ser mais sabio que as criaturas! Assim sendo, nao percebo 
porquemotivo permiteaexistenciadetaismonstroseainda Ihesda ple- 
nospoderes! 

8. Eisounico motive de nossa descrenca em Deus A ultima cente- 
I hade nossa feapagou-se com a decapitagao dejoao Baptista. E possfvd 
queelereceba, noAlem, opremiopelapacienciaeresignagaocom que 
aceitou sua morte cruel. Pormim, naotrocometadedaminhavidapor 
umamaisfelizquesejanoAlem,daqual pessoaalgumatevecertezalOs 
poderosossempreestao com a razao, enquanto seusservossao considera- 
doscriminosos! Pego-te, senhor, quemeorientesa respeito!" 



11. Boa Resposta de Cirenius 

1. Perplexo, Cirenius Mediz em surdina: "- Estehomem einteli- 
genteetem boa indole; nao seria possivel atrai-lo para a nossa causa?' 

2. D igo Eu: "- Jamais se consegue abater uma arvore com urn so 
golpelCom certadosedepacienciamuitosealcangara; alem disto, naose 
devepermitirquealguem ao ser levadoa luz, olheo Sol ao meio dia. Pois, 
administrando-se-lhe luz forte de uma so vez, poder-se-a cega-lo, por 
muito tempo; sendo habituado pouco a pouco a iluminagao, sera urn dia 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

29 

capazdevislumbrartudo namaiorclaridadesem riscoalgum. 

3. Estehomem M eprestou um bom servico pelo relatofiel eporter 
sido testemunha ocular do destino dejoao Baptista. N ao por M im, mas 
por causa de M eus discipulos; deve Zinka relatar o motivo que levou 
H erodes a prender M eu predecessor. Faze-lheesta indagacao." 

4. D irige-se C irenius ao relator: "- Amigo, minhasentencaatinge 
apenasaquelesqueestaoem comum acordocom um despota. Criaturas 
como tu, que reconhecem e condenam tal atitude desumana, saberei 
defender com justica. 

5. Existe, porem, um motivo mui sublimeparaqueDeus, nao raro, 
permitao triunfo do vicio, enquanto quea virtudeemuitasvezesabafa- 
daateamorteTuaatual capacidadedecompreensaoeinsuficiente, nao 
te permitindo perceberes isto e muito menos a aceitarao teus colegas, 
munidos, como estao, apenasdum conhecimento superficial. Em breve, 
talvez, assimilaraso porquedaexistenciadosH erodes!" 

6. Diz Zinka: "- Senhor, tu quetivesteabondadedemetratar 
por "amigo", nao deixes que este titulo seja apenas um tratamento 
formal, mas aplica-osoltandomeusvinteenovecompanheiroslCre- 
me, todosnosagimosacontra-gosto esenoslibertasses, fariasa mais 
justaobrahumanitaria!" 

7. RespondeC irenius:"- Deixai issoporminhaconta, poisaqui se 
acham muitosredimidos, emboraalgunsmerecessem a pena capital. Es- 
pero, que em breve, tal sedetambem convosco. Agora desejava saber o 
verdadeiro motivo que levou H erodes a prender J oao." 



12. Prisao deJoao Baptista. As RelacoesEntre 
h erodes e herodiades 

1. Diz Zinka: "- Seme for permitido falar abertamente, poderei, 
uma vez quefui o proprio carrasco, apontar a verdadeira razao; se, no 
entanto, tua perguntaeum ardil, prefiro calar-mea respeito duma histo- 



Jakob Lorber 

30 

ria cuja recordagao provoca-me profunda revolta!" 

2. DizCirenius: "- Podesfalarsem rodeios!" 

3. ProssegueZinka:"- M uitobemljatedissedaminhaincredulida- 
de; poissenos50 infelizamigo pregavaaexistenciadum Deusdejustiga, 
que, em absolute, podia estar de acordo com os horrores praticados no 
Templo, facil eimaginarareagaoaspredicasdejoao. 

4. Dehamuitoostemplariosoteriam liquidado,senaotemessemo 
povo, na maior parte, conhecedor de suas fraudes. Assim, resolveram 
fazer crer a H erodes quej oao tencionava provocar urn levante contra o 
cruel Tetrarca. A fim de se certificar dessa trama, H erodes nos acompa- 
nhou ao deserto ondejoao levava vida austera. Em la chegando, verifi- 
cou tratar-sedeuma mistifi cacao sem precedentespor parte do Templo, 
fate queo revoltou bastante 

5. Q uando ossacerdotesinsistiram em liquidaro profeta, elereagiu, 
em minha presenca, dizendo: "- Jamaisfarei assassinar quern quer que 
seja, a conselho decaesmiseraveis!" A tal resposta energica, oscavaleiros 
do inferno seretiraram. Fingindo conformacao, contrataram, em segre- 
do, assassi nos para o exterminio dejoao. 

6. Informadodisto, H erodes dele seapiedoue nos disse: "-Tenho 
desalvar esse homem; para tal fim, ideetransmiti-lhemeu piano. Deveis 
traze-lo como prisioneiro, no entanto, pretendo protege-lo." D ito efeito. 
M asessa resolucao logo chegaao conned mento dasviborasdoTempIo, 
etambem a noticia do contato mantido entrejoao eseusadeptos. Con- 
jeturaram, entao, urn piano pdo qual H erodes, por suaspropriasmaos, 
pusessetermino aosdiasdo profeta. 

7. Sabedoresdaatragao queSalomeexerciasobreoTetrarca, o qual, 
no entanto, nao seatreviacomojudeu, acometeradulterio, os sacerdotes 
enviaram-lheum em issario astute. Este, sabedordaesterilidadedamu- 
Iher do Tetrarca, induziu-o a fazer uma pequena oferenda ao Templo, 
alegando que, assim agindo, ser-lhe-iapermitido manterumaconcubina. 

8. D e bom grado, H erodes acdtou essa sugestao, entregando algu- 
mas librasdeouro ao portador. Em seguida, enviou urn mensagdro a 
filha de Herodiades, que aquiesce ao seu desejo, cedendo assim, a 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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inescrupulosa influencia desua genitora Esta, a conduziu ataviada com 
ricostrajesa H erodes, entregando-a as suas gragas Ele, porem, tratou-a 
apenascom carinho, presenteou-aregiamente, permitindo-lhelivreaces- 
so aos seus aposentos sem, no entanto, pecar com ela. 

9. Devoltaacasamatema, einquiridasobreosucedido. Informada 
do insucesso, logo percebi adecepcaodavelha, poistivedeacompanhar 
Salome. Perderia ela assim o direito a uma indenizagao por parte de H e- 
rodes; estefato levou Herodiadesainstruiramoganaartedesedugao. 
Senti-metao enojado com a atividadeda genitora, que relatei o fato ao 
Tetrarca. Profundamente revoltado, este procurou Joao Batista e Ihe ex- 
pos o caso. 



13. Assassin io deJoao Baptista 

1. (Zinka): "-Joao, no entanto, Ihedisse: "Afastadeti H erodiadese 
suafilha; umaeserpente, outra, vibora! Alem disto, conhecesaVontade 
deD eusO nipotentedeAbrah am, Isaac ejacob eSuaO rdem quedeu ao 
homem, desdeo inicio, somenteu'amulher. Sejaelaesteril ou nao, uma 
vez casados, nao podes manter uma concubina, pois se te munires de 
paciencia, Deusbem podepermitirquetuamulherconceba, mesmoem 
idadeavangada! Lea H istoriadospatriarcaselaacharasaconfirmagao de 
minhaspalavras. 

2. NaoaceitesaseparagaosugeridapeloTempIo, porquantotal nao 
foi inspirado por Deus e sim, por M oyses, em virtude da dureza dos 
sentimentos humanos. Podes estar certo dequeessa determinagao nao 
foi do Agrado do Senhor! Considera, pois, apenastua legitima esposa e 
da autorizagao a Zinka para que impega a penetragao daquela criatura 
i ntriganteem tua casa! Seguindo esteconselho permaneceras na amizade 
dejehovah; do contrario, Seu inimigo deti seapossara, fato quetetrara 
oaniquilamento!" 

3. Persuadido pel as pal avras dejoao, oTetrarca resolveu afastar-sede 



Jakob Lorber 

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H erodiades. M as tanto el a quanto a filha tudo fizeram para tenta-lo; 
sempre que saia, deparava com Salome adornada, usando de todos os 
atrativospossi'veis; nao tardou queeleproprio procurasseencontra-la. 

4. Por ocasiao de seu aniversario, H erodiades empregou todos os 
recursos para ser incluida, juntamente com sua filha, entreos con vi da- 
dos. Inquiridapelostemplariosem quepeestavaaamizadeentreoTetrarca 
esua filha, confessanadaexistirdeseguro, emborasoubessequeelelhe 
faziaacorte. 

5. Interfereum dossacerdotes: "D istoapenaseculpadoaqueleprofeta 
perigoso, protegido por H erodes! M as, denada Iheadiantara isto, tornou- 
seum obstaculo entrevoseoTetrarcalQ uanto maiscedojoao Baptistafor 
exterminado, tanto maior sera vossa ascendencia no palacio!" 

6. Assim informadas, maee filha conjeturaram urn meio seguro 
para o exterminio do profeta e a moca prometeu-me ouro e prata em 
abundancia, caso Ihe auxi Masse nesse projeto. Com ofitodemeinteirar 
dos pormenores, aparentemente, concordei. 

7. H erodes, porem, medisse: "- Queposso fazer?0 melhortalvez 
seria isolarmosainda maiso pobrejoao, permitindo-lheapenaso conta- 
to com seusantigosadeptos, pois, facilmentepoderiaum templario, com- 
prado pelasduasmulheres, cometer urn crime. A fim desalva-lo, consen- 
ted nasvisitasde Salome ao meu palacio." 

8. Como servo tive de obedecer, emborasoubessequetal medida 
nao favorecesse a Joao. D ai por diante, Salome visitava diariamente o 
Tetrarca, empregando todos os meios para conquista-lo. Comegaram, 
entao, ostemplariosa insistir junto a H erodes, influenciando-o contra 
JoaoBaptista. HerodiadesjurounoTemploqueelatudofarianessesen- 
tido e a moga, por sua vez, impediria o convivio entre os dois homens 
C onhecendo o tern peramento de H erodes, nao mais meatrevi a lembra- 
lo das pal avras do profeta. 

9. D este modo, a trama prosseguiu ate o natalicio; alguns dias an- 
tes, Salome conseguiu uma vitoria, porquanto deixou, numatatica bem 
estudada, de comparecer ao palacio, o que irritou muito o apaixonado 
Rei eo seu triunfo concretizou-se. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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14. A Prisao deJoao Baptista 

1. (Zinka): "A maneira pela qual se verificou o crime e por todos 
conhecida; entretanto reinava, entre os discipulos dejoao, a crenca de 
sua ressurreicao e ida para a Galileia, onde pregavalTal noticia chegou 
aosouvidosdeH erodes, eSalomeestavaarrependida por terobedecido a 
H erodiades H erodes, decoragaoopresso, mandou-meaprocura dejoao, 
para solicitar-lheperdao pela injuria cometida. 

2. Lembro-me das profecias dejoao sobre o M essias, repeti-as ao 
tetrarcaquemedisse: "- Poisvai etraz-meaqueledequem elefalou com 
tantaveneragao; talveznospossaajudar!" Expliquei ao Rei queeu nada 
conseguiria contra o poder do N azareno, cuja forca de pensamento po- 
deriaaniquilar mi I hares de seres soberano esua mulher, porem, insis- 
tiram noseu desejo, prometendotrezentasmoedasdepratapelacaptura 
dejesus! 

3. Retruquei:"- Seelenaovierporlivreeespontaneavontade, nao 
adianta querer forca-lo, pois conhece, ate ao amago, nossos pensamen- 
tos" Respondeu-meele: " - Se o profeta for bom, sabera, tambem, que 
tenho boasintengoes Naopretendorepetiroquefizcomjoao!" 

4. E assim, aqui estamos, perto de novesemanas, nessa busca sem 
resultado! N esse tempo, enviei mensageiros a H erodes expondo-lhe o 
insucessodenossoempreendimento; de entretanto, insistedizendo achar- 
seaqui o ressuscitado Joao ou o tal poderoso profeta. Soubemos, nesse 
interim, dos fatos milagrosos ocorridos na zona de Cesareia Philippi; 
encontramos, noentanto, apenasumacidadeem cinzas! Agora vospedi- 
mos, casosejapossi'vel, noslivreisdaqueledespota, evosseremosgratos!" 



15. Suposto Privilegio de H erodes 

1. RespondeCirenius: "- Atenderei ao vosso pedido, apos certifi- 
car-medaautenticidadedetal autorizacao romana; tivesteoportunidade 



Jakob Lorber 

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deverifica-la?' 

2. Afirma Zinka: "- C omo nao? Pois tive de copia-la perto de ci n- 
quenta vezes, para depoisfaze-las revalidar pelo Governador. Levavam 
apenas a assinatura de Augusto e nao a tua." 

3. Concluiu Cirenius: "- Assim sendo, devetratar-seduma nova 
autorizagao quedesconhego. Podesprecisar em queepoca veio deRoma?" 

4. Responde Zinka:"- Noanopassado;apetigaocontinhaopedi- 
do ao Imperador que, como soberano, tinhaautoridadesuficientepara, 
desprezando asconveniencias, conferir aoTetrarca o direito acima men- 
cionado. Claro equetal documento foi acompanhado por boa soma de 
dinheiro, e sens cinco portadores, fariseus, poucos dias antes, haviam 
procurado H erodes oferecendo sens prestimos em Roma, pois para la 
iriamanegocios. 

5.Tal oferecimentocoincidiu com suasintenc6es,tanto maisquan- 
to os cinco judeusnadaaceitaram aguisadecomissao. Assim, inicia-sea 
viagem com trintacamelosquetransportavam a vultosa soma e que leva- 
ri a, na melhor das hipoteses, tresa quatro semanas. C omumente, leva-se 
outrostantosdiasa esperadeaudiencia com o Imperador eateasolucao 
deassunto detal ordem, decorrem, no minimo, seismeses. Falta, ainda, 
calcular o trajeto devolta e, entao, saberemoso tempo imenso gasto em 
tal empreendimento. 

6. sreferidosmensageiros, porem, fizeram entregadaautorizagao 
mencionadaem menosdeseissemanas, congratulando-secom oTetrarca 
pelo bom exito. Guardando o donativo generoso, inclusive osanimais, 
os espertos fariseus falsificaram a assinatura imperial, fraude esta que o 
proprio H erodes ignora! Eis minha opiniao particular e, em absoluto, 
quero julgar quern querqueseja!" 



16. AUTORIZAgAO Falsificada 

1. Confirma Cirenius: "- Amigo, istonaoeumasuposicao, mas a 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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verdadeplena, poisaviagem man ti ma daqui a Roma e vice- versa, levano 
minimo quarenta dias Alem disto, a todo estrangeiro, em Roma, e im- 
posta a permanencia forcada de, pelo menos, setenta dias, nao conse- 
guindo ele antes desteprazo, qualquersolucao parasuaspretensoes; me- 
dida sabia quevisa canalizar maiores rendas para os cofresdo Estado. D e 
sortequeH erodes supoe possuir direitos maiores, dequeaqueles confe- 
ridos pelo tetrarcado. 

2. Agora compreendo porquenuncafui informado sobreo assunto 
em apregolPorforgademinhasfungoesdeplenipotenciarioem Roma, 
sobretodaaAsiaepartedaAfrica, sou notificadodetodososassuntosdo 
Governo; qualquer outra atitude levar-me-ia a pensar em conspiragao 
contra o Imperio! Dai se conclui ser falsa a autorizacao concedida por 
H erodes; devo esclarecer aoTetrarca e, em seguida, tirar-lheo documen- 
to falso que sera enviado ao I mperador, como prova contra os crimino- 
sos, passives decastigo!" 



17. PolItica dosTemplarios 

1. InterrompeZinka: "- N obresenhor, esqueceso lado politico que 
confere aos sacerdotes certos privilegios mundanos, aproveitados com 
verdadeiraastucia, poissefazem passar por deuses, empregandoo Verbo 
Divino a bel prazer. proprio Imperador submete-se a esse jogo 
inescrupuloso, explorando asupersticao popular; ascriaturassao asam 
mantidas obedientes e humi Ides perante o soberano, nao se atrevendo a 
reclamar contra as leis e os impostos pesados. 

2. Imperador, porsuavez, naoseoporaaessesfalsarios, poisem 
ocasioes favoraveis sugerem, em seu nome, novas determinacoescujos 
beneficiosrevertem paraambos E seeleoschamararesponsabilidade, 
nao seconsiderarao osunicosresponsaveiseargumentarao, com aexce- 
lencia dos motivos, para justifica-los Finalmenteo Imperador ver-se-a 
obrigado a el ogi a- 1 os e grati f i ca- 1 os 



Jakob Lorber 

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3. Expeimentachama-losaordem, eteasdeconfirmaraautoriza- 
gao dada por H erodes; convencer-te-ao de sua necessidade e com el a 
enfrentarao o dominio doTetrarca. Poderiaele, destemodo, angariar um 
poder prejudicial, ateaospropriosromanos Q ueteparece?" 

4. RespondeCirenius: "- N ao compreendo bem, poisseH erodes 
engendrava piano dessa ordem, por que nao me puseram a par, 
secretamente? A distancia entre Jerusalem e Sidon ou Tyro nao e tao 
longa e, facilmente, teria encontrado os meios para veneer este empeci- 
Iho. Alem do mais, terao ostemplariosderesponder pelo dinheiro eos 
tri nta camel os desvi ados!" 

5. OpoeZinka: "- Nobresenhor, podespossuir altos con hecimen- 
tosdeEstado, mas, nesseassunto esmaisinexperientequequalquer um! 
Ignoravaso caso por doismotivos primeiro, o perigo dum possi'vel atra- 
so; segundo, desviartodaequalqueratengaoalheia.Tuareagaoseriavio- 
lenta, provocando umarevoltaentreo povo, eH erodes dela seaproveita- 
ria, contra Roma. Q uanto ao dinheiro eanimais, so poderiam ser entre- 
guesati aposteinformarem doocorrido." 

6. C ontesta C i ren i us: "- Masnaohaveriaummeiodeintervirnessa 
trama sacerdotal?" 

7. RespondeZinka: "- Infelizmenteascoisasseacham taoemara- 
nhadas, queateDeusnaotepoderiaaconselhardemododiferente, isto 
e, por ora so resta aceitar tal situagao. Pelo meu calculo, tambem aceito 
por Joao Baptista, nao se passarao quarenta anos para sua queda definiti- 
va e vossa conquista total detoda ajudeia!" 



18. A Doutrina do Profeta Galileu 

1. Afirma C irenius: "- Amigo, reconhego tua perspicacia epruden- 
cia, e H erodes educou-te para seres um advogado sen par. J a nao mais 
sendo partidario desua politica epodendo contar com a nossa protegao, 
podessabeo que sepassaaqui! Antes demaisnada,dize-meoquefarias 



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caso surgisseo grande profeta!" 

2. RespondeZinka:"- Eu?Nada, deixa-lo-iaseguircaminho!Ape- 
nas tentaria falar-lhe, certificando-me das palavras dejoao, pois se este 
externou-se de forma tao elevada a seu respeito, quao sabio e poderoso 
nao sera em realidade?! 

3. Saiba que, se realmente tencionasse prende-lo, de ha muito o 
poderia ter feito, poisnunca ignorei o paradeiro dejesus Retinha-me, 
porem, receio incontido e preferi ria falar-lhe, jamais usando hipocrisia!" 

4. N isto, dirijo-M ePessoalmentea Zinka: "- Caro ami go, con he- 
go Jesus de N azareth como a M im M esmo e te posso afirmar nao ser 
Ele inimigo, mas benfeitor de todos aqueles que procuram, em 
buscadeauxiliolE inimigo do pecado, masnao do pecadorverdadei ra- 
mentearrependido, humildeedesejosoderegeneragao. Jamais julgou 
econdenou alguem, mesmoqueseuspecadosexcedessem aosgraosde 
areiadestaTerra. 

5. Sua Doutrina se resume no conned mento de Deus, amando-0 
sobretudo easeu semelhante, seja nobreou plebeu, rico ou pobreesem 
discriminacao de sexo, tanto quanta a si propria Quern sempre agir 
assim eevitar o pecado, em breve sabera quetal ensinamento nao e hu- 
mano, mas vem de D eus! So Deuse aqueles que com Eleaprenderam, 
sabem o cami nho pelo qual se alcancara a G raga da V ida Eterna. 

6. Aos instruidos pelo conhecimento humano, longe se acham do 
Reino de Deus Ouvem as palavras humanas, sem Ihesdarem credito 
porque partem deum mortal enao frutificam em seuscoracoes. A Pala- 
vra proferida pela Boca de Deus, nao e morta, mas viva; movimenta o 
coragaoeavontadedacriaturaparaaatividade,vivificando-aplenamen- 
te U ma vez assim fecundada pelo Verbo Divino, continua iluminadae 
livre para sempre, jamais sentindo eprovando a morte, mesmo morren- 
do fisicamente mil vezes! - Eis, amigo, em poucas palavras, a base da 
D outrina do G rande Profeta de N azareth ! Q ue M e dizes a respeito?' 



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19. Opiniao de ZinkaSobre a Doutrina 

1. Apos breve meditagao, Zinka responde: "- Caro amigo, nadase 
Ihepodecontestar, muitoernborasejaumtantocomplexa. Muitossabi- 
osbaseavam seusprincipiosno amor, sob alegagao dequeestefacultava 
todasortedealegria.Todavia, exi stem duasespeciesde amor eedificil se 
afirmar qual a preferfvel. 

2.Tu, porem, esclarecestenitidamentequeespeciedesentimento o 
homem devecultivar para alcangar a felicidade. Logo, esta doutrina nao 
e humana, mas deD eus, provando Sua Existencia. Agradeco-tedecora- 
gao, poisparece-meter reencontrado o Deusperdido. 

3. Joao Baptista esforgou-se para meconvencer do Ser D ivino, sem 
consegui-lo, avistadosmeusargumentosbem fundamentadoslheterem 
dificultado atarefa. 

4. Tu, porem, dispersaste-metodasasduvidas! Sea pessoa nao achar 
aentradaquedaacessoaopalacio imperial, jamaisadescobrira no centra 
do labirinto, onde o soberano localizou sua morada. Agora, pego-te me 
esclaregasquando tivesteafelicidadedeencontrar aquelehomem excep- 
cional, quetanto desejariaconhecer." 

5. Digo Eu: "- Permaneceaqui, queo encontrarasaposaproxima 
conversa. Alem disso, M arcos fara servir o almogo dentre em breve, do 
qual servir-te-asanossamesa, enquantoteusvinteenovecompanheiros 
sentar-se-ao ao lado." 

6. Assim que M arcos ordena trazer os pratos, Zinka se admira que 
tantasmesassejam servidasao mesmo tempo. Comentando istocom Ebahl, 
o hospedeiro Ihediz: "- Certamentenao prestasteatengaoquando istofoi 
feito." ReplicaZinka: "- Amigo, pormaisabsorvidoqueestejanum assun- 
to, nada escapa a minha percepgao. J a nao me i nteressa qualquer i nforma- 
gao, apenas perasto em dizer tratar-sedealgo sobrenatural." 



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20. ZlNKASE ADMIRADO M I LAG RE 

1. Zinka, deboaestatura, levanta-seeobservaque, emboratodasas 
mesas estivessem ocupadaspeloshospedesquesaboreavam ospratosbem 
preparados, os alimentos nao diminuiam, fato que o deixa atordoado. 
Isto, porem, nao so aconteceaosoutros, como a eleproprio, nao conse- 
guindoterminaro saboroso peixequelheservira Ebahl. 

2. A mesma agradavel surpresa acomete aos seus colegas que, nao 
obstante terem saciado suafome, o apetiteosanima a prosseguir; final- 
mente, Zinka insistenumaexplicagaoporpartedeCireniusEle, porem, 
diz: "- Aposterminadooalmoco, havera tempo para palestras, portanto, 
serve-teavontade!" 

3. Diz Zinka: "- Amigo e nobre senhor, jamais fui glutao; se, no 
entanto, permanecer em tua companhia, bem poderei cair nessedefeito 
econtinuo afirmando queaqui sepassaalgo desobrenatural. Talvez nos 
encontrassemos perto do grande Profeta queprocuro com meuscompa- 
nheiros?! N estecaso, pedir-te-ia para nosdeixar seguir caminho ou entao 
prender-nosnovamente, poisnossojuramento a H erodes, nosforcariaa 
mata-lo!" 

4. DizCirenius: "- Quetoliceeesta?Ondeseviu umalei obrigar 
alguem aocumprimentodum crime?! Pelo fato deserdesmeus prisio- 
neiros, estaisquitescom H erodes eapenastendesde obedecer as mi- 
nhasordens. 

5. Sesurgisseo grande Profeta nenhum devosseatreveriaatoca-lo, 
poishaveriadesentiro peso do rigor deRomalAinda ha poucoteclasa- 
fiquei de homem inteligente; agora estudo menos isto! Acaso tentavas 
enganar-me?' 

6. Responde Zinka: "- Absolutamente; confirmo minhasopinioes 
anteriores, entretanto, por ser priaoneiro, vejo-me impossibilitado de 
pedir-teexplicagao sobreo fenomeno ora presenciado, o quemeaborre- 
ce. Todavia, resolvo nao mais ligar a estefato e nao quero mais saber o 
que ha pouco tanto meintrigou! Podeisestar despreocupados, poisnao 



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vos molestarei com futuras indagacoes!" 



21. A Sede do Saber. A Verdadeira Arte do Canto 

1. E m surdi na, C i ren ius M e pergunta que resultado obter-se-a com 
Zinka. Respondo: "- M uito bom; como porem, necessitavaderepouso 
fiz com que caisse nessa i ndiferenga. 

2. Deves saber que uma alma sedenta de conhecimento elevado, 
nao sedesinteressatao facilmente Passa-secom ela o mesmo quesente 
urn noivo apaixonado; suaeleita, entretanto, sendo voluvel, pensaconsi- 
go mesma: "Se nao for este, sera outro!" Percebendo com o tempo essa 
atitude, o noivo seentristeceeresolvenao maispensar nela; mas..., quan- 
ta maisseesforca, tanto maior a atragao; finalmentedesejaquetodasas 
assercoesreferentesa noiva, sejam infundadas. 

3. Acontece, porem, tardea oportunidadedeve-la com outro, esua 
revolta e quase i nsuportavel: jura que jamais pensara nela e ate a amaldi- 
goalTudo isto, todavia, denadaadiantapoisqueospensamentosapaixo- 
nadoso assediam constantemente 

4. Por que isto, se resolveu exclui-la de sua mente?! Acontece urn 
amigo Ihedizer: "- Olha, fosteinjusto para com tua noiva, queapenas 
queriaexperimentarteu afeto. Sendo pobreetu rico, nao acred itava que 
aquisessesdesposaretomavatuaspromessascomopilherias, poise co- 
mum aos mocos, agirem deste modo. Agora ela se certificou de teus 
propositosetequer maisdo quenunca. Sabes, portanto, o quefazer!" 
Tais palavras do amigo foram urn verdadeiro balsamo para o noivo, que 
mal podia aguardar o momenta para toma-la como esposa. 

5. Fato identico se passa com Zinka: aparentemente come e bebe, 
dando impressao denao maisseinteressar pelo milagre; no intimo, con- 
jetura mil coisas! Por isso, nao tepreocupes. 

6. C onhego as criaturas e sei o que se passa nos coragoes, cujos sen- 
timentosseacham sob M inhaOrientagao; ajosemprequando necessa- 



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rio. Deixai-nossaborearoalmoco. Necessitamosdereforcoparaatarde, 
e o jantar nao sera servido tao cedo." 

7.Todosestao debom humor, louvam a Deuseatetentam cantar. 
Alem deH ermes, porem, nao ha quern tenhavozeelemesmoserecusa, 
tern endoacritica dos romanos Como os outrosinsi stem, elesedefende: 
"M eusamigos, faco meu canto delouvorajehovah, no coracao, etenho 
certeza que isto e de Seu Agrado!" 

8. Afirmo: "- Tens razao, H ermes, o cantico de teu coracao soa 
muito maisagradavelmenteaosouvidosdeDeus, queofutil cantarolar 
quesensibilizasomenteaosouvidos, deixandoocoragaofrioeinsensivel. 

9. canto e agradavel aos uvidos de D eus, quando a voz e meiga 
epura, traduzindo o estado deextasedo coracao pleno deamor. Assim 
nao sendo, eleseassemelha aagua lamacenta; esedela aproximassemos 
umachama, facil seria imaginarosodoresdelaemanados!" 

10. Eis que a adoravel Yarah M e diz: "Senhor, ja que estamos tao 
alegres, quetal se Raphael cantassealgo?!" 

11. Respondo, amavel: "- Vai epede-lheeste favor, queEu nao 
Meoporei." 

12. Repetindo Yarah seu pedidoaoanjo, esteesclarece: "- N ao fazes 
ideiado nosso canto eaviso-te que nao suportarasminha vozpor longo 
tempo, por ser ela pura e excessivamente comovedora. Se cantar, que 
seja, por urn quarto de hora, morrerias de comogao, pois na Terra nao 
existeo queselhepudessecomparar! Assim, querida, sequiseres can tarei, 
todavia nao posso responsabilizar-mepelo efeito." 

13. Diz Yarah: "- Canta, urn unico som, ao menos, queelecerta- 
mentenaomematara!" 

14. Ad uz Raphael: "- Fa-lo-ei, etodos> mesmoosdistantesdaqui, 
ouvi-lo-aoeindagaraosobresuaorigem. Paratantovou meprepararetu 
tambem, pois ate urn unico som tera efeito surpreendente." 



Jakob Lorber 

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22. Raphael, Cantor 

1.0uvindotaispalavras,ZinkaindagadeEbahl,aseu lado: "- Este 
jovem e cantor especial izado?" Respondeo hospedeiro: "- Parece-me; 
nuncativeo prazerdeouvi-loetambem estou curioso porconhecersua 
voz." ProssegueZinka: "- Quern eeleesuacompanheira?' Responde 
Ebahl: "- Sei queo jovem edeGenezareth e professor dela, minhafilha 
dequinzeanos." 

2. Nistodiz Raphael: "- Ouvi, pois!" Eisquetodospercebem, de 
muito longe, um som tao indescritivelmente puro, embora fraco, que 
ficam extasiados, eZinkaexclama: "- Estenao e cantor terreno, so pode 
serumanjodeDeus!" 

3. som, porem, torna-semais forte evibranteequando alcanca 
sua maxima potenci a, soaqualacordeem rebemol maiorcomtodaasua 
serie harmonica, perdendo-se, no final, num suave la bemol dumapure- 
za jamais percebida. 

4. s ouvintes caem em extase, do qual o anjo os tira a um aceno 
M eu.Todosdespertam como dum sonho felizeZinka, cheio deentusi- 
asmo,atira-sesobreRaphad,abraga-ocomefusaoediz:- Naoesmortal! 
C om esta voz poderia despertar mortose vivificar pedras! Q uem teensi- 
nou a cantar detal forma?! 

5. Estou completamenteforademim etodasasminhasfibrasainda 
vibram em virtudedo deslumbramento eda belezadeste canto! Tenho 
ate a impressao denao ter sido emitido por tua boca, mas pareceu-me 
que todos os C eus se tivessem aberto, vertendo sobre a Terra morta, a 
harmoniavindadeDeus! 

6. 6 D eus de Abraham, Isaac e Jacob, nao es apenas uma palavra 
pronunciada! EsunicamenteaVerdadeea Perfeigao Pura eEterna! Este 
som me restituiu o que havia perdido, devolveu-me o Santo Criador, 
D eus e Pai ! Tornou-se para minha alma um Evangelho C eleste! Aqui lo 
que talvez milhares de palavras nao teriam conseguido, foi obtido por 
esteunico som celestial, queconcretizou o meu ser! M eu coragao outrora 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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endurecido,tornou-sequal ceraaoSol echeiodesentimentosdepureza! 

7. Joao, mai caro amigo! Seotivessespercebido no ultimo instante 
de tua existencia, tua morte se teria tornado urn fanal para os C eus do 
Pai ! Todavia, no escuro carcere que ocultava o Santo de D eus, apenas se 
ouviaclamoresdeaflicaoedor! 

8. 6 criaturas, quao obscureddosseacham vossoscoracoese almas, 
por nao terdesouvido esentido o quejamaisesquecerei ! Santo eQ uerido 
Pai, que estas no Ceu, jamais desconsiderando os rogos sinceros dum 
pecador, permitepossanovamenteouvirestesom, quando chegar a hora 
de minha parti da para o Alem!" 



23. Convivio Com DeusPela Voz Interna 
do CoRAgAo 

1. Apostais palavras comovedoras de Zinka, exclama Yarah: "- 
6 Raphael, como agora es diferente! Partiste-me o coracao! Por que 
foste cantar?" 

2. Responde ele: "- M as entao nao me obrigaste a tal? Agora nao 
maismeepossi'vel anula-lo!Considera, quenosCeustudoselhedeve 
igualareterasoportunidadedeorganizartuavidaa imagem dessesom; 
quern assim naoagir, naoingressaranoReinodoAmor, PuroeEterno. 

3.AcabasdeouvirosomdoAmoredaMaximaSabedoriadeDeus! 
G uarda bem isto e age de acordo, que seras justificada diante de D eus, 
queteelegeu para noiva celeste, dando-meparateu guia. 

4. lstoqueacabadeacontecer,sedaapenasdiantedeDeusedeSeus 
filhos mundo materialista nada percebera, porquanto nao o assimila- 
ria. bservaaspessoasnaquelasmesas, como discutem sobreesteassun- 
to incompreensi'vel. 

5.0 SenhorSeachaaqui ha varios dias, sendoamanhao ultimo; 
somente Elesabeo quefara entao. I lumina, pois, teu coragao deamor e 
humildade e oculta o que assiste de extraordinario; relata-lo a pessoas 



Jakob Lorber 

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mundanas, seriao mesmo queatirar perolasaosporcos. Segueo queora 
te aconselho, que seras um instrumento util nas M aos do Senhor, na 
Terra como no Ceu. uviste?" 

6. RespondeYarah: "- Caro Raphael, tuas palavras nao meagra- 
dam, mormente a parti da do Senhor, que amo sobre tudo nesta vida! 
Queserademim quando nao maispuderve-Loefalar-Lhe!" 

7. D iz Raphael: "- ra, passaras muito bem, poistesera possivel fazer- 
Lheindagacoescom o coracao, pdo qual tambem ouvirasasrespostas 

8. Q ue, por exemplo, acontececonosco? Por ora mevesaqui; masse 
for da Vontade do Senhor, terei demedirigirao mundo maisdistantee 
pelo tempo que Ele achar necessario. Cre-me geralmente nos encontra- 
moslongedo Senhor, todaviaem Sua Eterna Presenca Espiritual; estamos 
constantementecom Deus, como Ele em nos, em SuaAcao Imensuravel. 

9. Q uem realmenteamao Senhor, acha-sesemprecom Ele. Sedese- 
jaDeleumaorientagao, bastainquiri-Lo no intimoquereceberade pronto 
arespostaplenapelamesmavia;assim Deusensinaascriaturas. Porai ves 
nao ser preciso Sua Presenga para seresfeliz; basta ouvi-Lo esenti-Lo para 
possuir a bem-aventuranca! 

10. Nem eu estarei visi'vel ao teu lado; necessitas, apenas, chamar- 
me no coragao e ai estarei contigo, respondendo suavemente mas, de 
modo perceptive!, porque usarei, como ve'culo, os pensamentos suaves 
detua alma. Logo saberaster sido eu o autor e nao tu; portanto, deves 
agir dentro daqueleconceito. 

11. N ao basta, apenas, saber o queagrada a D eus, mesmo alguem se 
comprazendo na D outrina C eleste, enquanto nao resolvepo-la em prati- 
ca. Eis porque urge ouvi-la, compreende-la e depois pratica-la. Assim 
nao sendo, nada e resolvido! 



24. Como se Deve Cuidar do Campo Emotivo 

1. Raphael: "- Lembras-te, querida Yarah, queo Senhor durante 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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Sua Estada em Genezareth teensinou, Pessoalmente, o cultivo devarias 
plantas, organizando uma pequena horta. 

2. Sua Atitude Benevolente causou-te grande alegria. Teria sido tal 
sati sfagao suf id ente para col heres os f rutos esperados? E ssa atitude tal vez 
teproporcionasseo crescimento da erva daninha, - esolTodavia culti- 
vastetua hortazinha, deacordo com a orientacao recebida, desorteque 
podesaguardar boa colheita. 

3. De modo semdhanteeo coragao humano uma horta que, sendo 
bem trabalhada e nao temendo praticar os ensinamentos recebidos, em 
breve possuiratantasBengaoseGragasDivinas,desorteapoderdispensar 
nosso consdho eauxilio, vivendo desuas proprias potencias espirituais 

4.0 Senhorvisajustamentequeacriaturasetornecidadaindepen- 
dentedo C eu, dentro de Sua rdem I mutavd, quando, entao, alcanga o 
maximo grau deevolugao. Terascompreendido isto, Yarah?' 

5. Respondeda: "- Perfdtamente;tuaspalavrasderam grandecon- 
solo ao meu coragao e ddas fare principio de vida, cheio de alegria e 
verdade. Penso nao teser tarefa dificil, minha educacao espiritual. M as, 
sera que outrascriaturasfazem o mesmo7' 

6. DizRaphad:"-Trataprimdrodeti,queoSenhorSeincumbira 
dosoutros" 



25. iNDAGAgOESDE ZlNKA 

1. Zinka nao perdera uma palavra desse ensinamento e se dirige a 
Ebahl que Ihe inspira maior confianca: "- Amigo, estejovem nao so e 
bom cantor, como possui conhedmento sobrenatural. D ize-mesenao e 
aqudedequemJoaofalava?Apenasmeparecejovem demais, poiscons- 
ta ter alcangado a casa dostrinta." 

2.0btemperaEbahl:"- Caro amigo, eumde Seusprincipaisadep- 
tos Profeta de N azareth ePossuidordePodereSabedoriatais, queos 
propriosanjosdescem aTerra para ouvi-Lo e louva-Lo! 



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3. Prova isto o jovem mencionado que nao sabes como classificar; 
como ser humano edemasiado angelical, ecomo anjo, talvez urn tanto 
terrenolHamaisdeum meshabitaem minhacasaee professor demi- 
nha filha; alem disto, nao tern paisterrenos mas, em compensacao, urn 
poder incompreensivel. Alem do maispodestedirigir aeleque, absolu- 
tamente, nao eorgulhoso!" 

4. RespondeZinka:"- Jasei a quantas ando, apenasdesejava saber 
se o tal Profeta aqui se encontra, pois do contrario nao compreendo a 
presencadum anjo. Da-mepequenaorientagao." 

5. D izEbahl: "- Umpoucodepaciencia,amigo,eterasoportunida- 
dedeconhece-lo. Afirmo-te, contudo, achar-seeleaqui, do contrario, 
nao veriasosdignitariosdeRomaem nosso meio." 

6. Satisfeito, Zinka comega a observar Cornelius eCireni us, mor- 
menteoanjo, supondo que esteMetrairia! Como Eu Ihesinspiravaas 
palavras, seu trabalho paradescobrir-M eebaldado; alem disto, arefeicao 
terminava, nosnoslevantamosedirigimo-nosapraia, palestrando sobre 
assuntos de somenos i mportancia. 



26.JesusRessuscitaosDoisCadaveres. 
ZinkaO ReconheceComo Senhor 

1. Em breve chegamosao local ondeRisaaguardaaressurrecaodas 
afogadas. EisqueCireniuslhediz:"- Entao, amigojaestaodandosinal 
devida?" 

2. Respondeojudeu:"- Nobreamigo, ecompletamenteinutiltodo 
meu esforgoesomenteDeuslhespoderiarestituiravida." Intervenho: 
"- Pensasrealmenteassim?" 

3. Dizele: "- Basta observares a cor arroxeada e o odor que exalam 
para saberes que somenteressuscitarao no Diadojuizo Final!" 

4. N isto Zinka se adianta para tambem fazer suas observagoes, di- 
zendo: "- Tensrazao, seequeexistetal famoso Dia; poissei datransfor- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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macao a que esta sujeita a materia: transforma-se em vermes, moscas, 
escaravel hos, ervase plantas Q uantas pessoas nao sao estracalhadas pelas 
feras ou dizimadas pelo fogo! Deveriam, acaso, reunir seus elementos 
materials, para a ressurreicao no D ia dojuizo Final?! Afirmo, como co- 
nhecedor do processo de decomposicao, que ate D eus tera dificuldades 
nesseempreendimento. Poderaproporcionar-lhesum corpoetereo; nes- 
te, nao mais Ihesdoera a cabega!" 

5. Digo-lhe: "- Amigo, es inteligente e nao raro atinges o ponto 
vulneravel; no caso em aprego, erraste! N ao resta duvida que alma algu- 
mafarausodeseu corpo mortal no Alem; estescorpos, contudo, deverao 
ser, por certo tempo, receptaculos de suas almas! U ma sera tua esposa, 
dar-te-a consideravel prole e tu a amaras de todo coragao; a outra sera 
desposadapor Risa, - sem, todavia, dar-lhefilhos!" 

6. Em seguida, pronuncioosnomesdasduasafogadasqueimedia- 
tamenteselevantam surpreendidas, sem saber oquesepassa. RisaeZinka 
sejogam a M eus Peseo ultimo exclama: "- EsTu, dequem Joao falou! 
Todavia nao eso profeta, maso Proprio Jehovah!" 

7. Esta cena atrai naturalmente os outros, e o persa Schabbi diz a 
Zinka: "- Sinto quejulgasteacertadamente Elee Jehovah! E o jovem 
arcanjo e precisamente aquele, que em tempos idos conduziu o jovem 
Tobias! Agora iniciar-se-a uma nova Era! 

8. M uitosaborrecer-se-ao com Eleetentarao aplicar-Lhea mesma 
i njustica que sofreu Joao; estedesejo, porem, dizima-los-aem virtudede 
Seu PodereSabedoriaqueoscegaracomoastrevas, poisjamaisaTerra 
foi porElepisada! 

9. Eisa opiniao denosso grupo queja nao temeo mundo, a nao ser 
Ele! Fostetestemunha do Poder de Seu Verbo pela ressurreigao destas 
mogas, que necessitam devestesapropriadas. Paratanto dirigir-me-ei as 
mulheresquenosacompanham!" 



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27. HlSTORIADASDUASMogAS 

1. Como Schabbi Mepedisseautorizacao, Eu Ihedigo: "- Como 
nao?Jamaisalguem pecou por ter praticado a caridade!" 

2. N ao demoraedeestadevoltacom camisasdesedabranca, vesti- 
dosdefina la persa, azul claro, edois pares dealfinetesdeouro, enfdta- 
dos com longas fitas. Alem disto, dois pentes em forma de diadema, 
ornamentadoscom pedraspreciosas Asmocas, porem, recusam-sea ace- 
tar as joi as. 

3. Digo Eu: "- JaqueedeM inhaVontade, poddsacdta-lascomo 
presentenupcial !" Assim, enfdtam-se, assemdhando-sea duasprincesas 
Zinka, todo embevecido, diz: "- E isoutro milagre! Q uando ha pouco as 
vi inertes, pareciam-me de idade avancada, desprovidas de toda graca; 
agora, sao doistiposde rara bdeza!" 

4. AduzCirenius: "- Casosejamorfas, adota-las-d comosefossem 
minhasfilhas!" 

5. Dizamaisvdha, chamadaGamida:"- Naotemospaiseaqudes 
queassim tratavamos, nao tinham o menor parentesco com nossafami- 
lia. Com aidadededoisetresanosfomoslevadasacasadum comercian- 
te grego, que mais tarde, adotou o judaismo e, pdo rdato duma vdha 
ama, urn vendedor de escravos nos trouxera de Sidon a Capernaum, 
ondeo tal grego noscomprou pdo preco decinco suinos, cinco bezerros 
eoitocarndros 

6. N aquda ocasiao, nosso tutor recebeu urn documento ondecons- 
tava nossa procedencia, pois nossos pais seriam romanos de alta esti rpe. 
N ossa viagem prende-se, justamente, a descoberta dessa suposicao, que 
urn parente distante nos deveria esclarecer. Por infdicidade caimos em 
maosdepiratasquenosatiraram ao mar, aposddxar-nosnamaior mise- 
ria! - Onde nos encontramose quern sois?' 



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28. CireniusReconhece SuasFilhas 

1. D izC irenius: "- Um momenta, Gamiela, - comosechamatua 
irma?" Respondeaquela: "- Ida!" EisqueC ireniusM ebeijaeM eabraca, 
dizendo: "- Senhor, como agradecer-Te?! M eu Deus, meu Pai! Restitufs- 
te-meminhasfilhasqueforamraptadashadezesseteanoslAtehojeigno- 
rocomofoi possivel tal fato, poisminhacasaeraconstantementevigiada! 

2. M andei varios investigadores a busca das meninas e um capitao 
destemido esforcou-se durante tresanos. Entao enviei um mensageiro a 
N azareth a Tua procura! Tu, todavia, eras apenas um menino de seus 
quatorzeanosenao haviavestigio deprofecias 

3.Teuspropriospais, afirmavam ter-se, desdeosdozeanos, dissi pa- 
do todasabedori a, identificando-Teaosdemaismeninos. Como insistis- 
sem queTe externasses sobre o meu caso, afirmaste, entao, nao teres 
vindo ao mundo em virtudedas profecias, mas para o trabalho. 

4. Q uandoTerelembraram osmilagrespraticadosateaosdozeanos, 
afirmaste que "o quefoi, ja nao era mais", sem daresmaiores explicates. 
Assim,todasasminhaspesquisasforam baldadasechorei anosseguidos 
a perda de minhasfilhas, e agora as encontro de novo! C omo agradecer- 
Te, Senhor?' 

5. D igo Eu: "- J a o fizeste, antecipadamente, pelo cuidado quedis- 
pensasteatodosaqui. Como Meu primeiroamigonaTerra, muito Me 
tensfeitoenaodevesficarsem recompensa. No Alem, todavia, teu meri- 
toseraaindamaior! 

6. Restituindo-teasfilhas, nao devesesquecerdequejaescolhi seus 
respectivosmaridos, deorigem amples, everdade, massao decerto modo 
M eusfilhos, circunstanciaestaquetealegrara!" 

7. Responde C irenius: "- Senhor, Tua Vontade e para mim um 
mandamento; saberei encaminhar meus genros de sorte a se tornarem 
uteis, espi ritual e material mente. 

8. Agora, minhas filhas, deixai-vos abragar e beijar, pois sou o pai 
mais feliz deste mundo! Q uao contente nao ficara vossa mae ao ter-vos 



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de novo. M uito embora nao vos possa ver por ser cega, sentira a grande 
felicidade que D eus nos concedai ! C omo cega tomou-se minha esposa, 
recuperando a visao, temporariamente; a conformacao com a cegueira 
definitivaagugou-lheaintuigao, desortequevosreconhecerade pronto! 
9. Q uedesespero nao teria eu sentido ao ver-vos boiando n'agua, de 
cabdosamarrados, se sou besse quern realmentesoislO Senhor, porem, foi 
M agnanimo evitando isto, permitindo queminhaalegriafossecompleta!" 



29. MODESTIA DE ZlNKA 

1. NistoseaproximaZinkaedizaCirenius:"- NobresenhorlComo 
vejo, ascoisastomam um rumo inesperado: estas mocas nao sao filhas 
dumsimplescomerciante, masdacasaimperial,eeuapenasumjudeu! 
Q ue vale isto, quando es o irmao do falecido I mperador Augusto e um 
dos patricios mais ricos de Roma?! 

2. M inhafdicidadeao lado deGamidaseriacompleta, mas nao a 
posso desposar. H oje, levado pdo entusiasmo do reencontro, seriascapaz 
de concordar com o enlace; amanha, talvez ficarias arrependido! Que 
sofrimento nao seria isto para mim?!Apen as acdta-la-d com acertezade 
quenao meseratirada. C omo dignitario romano peco-temedesoportu- 
nidadedetrabalhar em tuas terras, poisnaoquero voltar a Jerusalem!" 

3. DizCirenius "- Ddxa isto por minha conta. Quanta a minha 
filha, arecebestedasM aosdo Proprio Senhor, cujasDeterminagoes, para 
mim, sao santificadas PdaSuaVontade, sou pessoadedestaquenolm- 
perio romano; no Alem, meu amigo, todossomos iguais! Por isto, nao te 
impressi ones com minha posicao social, queprocuro usar em beneficio 
daHumanidade Eseserassempremeufilho!" 

4. Exclama Zinka: "- Em verdade, somente uma alma plena da 
Verdade D ivina pode assim se expressar! M inha fe jamais sera abalada, 
poisso Elemerecemeu amor ededicagao!" Em seguida, desejogaa 
M eus Pes, dizendo: "- Senhor, perdoa-me os pecados, para que possa 



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adorar-Tedecoragao puro!" 

5. Respondo: "- Levanta-te, M eu irmaoljateperdoei, poisconhe- 
ciatai coragao! Fostedesignado para prender-M e, eEu permiti queM e 
prendessespeloteu sentimento eparatuasalvagao! Vem, sefelizetorna- 
teum instrumento util para o Mai Reino!" 

6. Zinka se levanta e comega a meditar, profundamente, sobre a 
grandiosidade e significacao deste acontecimento. M ais tarde, ao M eu 
lado, aindasefaraouvir, porque, depois de M athael, eo espirito mais 
lucido de nossa assembleia. 



30. AgAo e Verbosidade 

1. Nem bem acalmamososescrupulosde Zinka, aproxima-seRisa 
para iniciardiscursoidenti co, comosegundo gen rodeCirenius. Raphael, 
porem, bate-lheno ombro, dizendo: "- Amigo, fica com tua verdadeira 
personal idade, poisestaslongedeser um Zinka! Esbomehonesto, mas 
nao devesagircontrariamenteaosteussentimentos. Compreendes?' 

2. RespondeRisa: "- Amigo celeste seguirei teu consd ho eexternarei 
o quediz meu coragao. Ainda sou jovem etenho poucas experiencias, 
mormente com osexo feminine A segundafilhadeCireniuse-memui 
simpatica; sinto, porem, nao estaraalturadefaze-lafelizlAteo momen- 
ta, naoestou apaixonado efacil seriadesistirdestafelicidade, o que nao 
sedaria mais tarde. Por isto, pego ao Senhor eao Prefeito que medesli- 
guem deste compromisso. Falei o que sinto e ser-te-ia grata, caso me 
pudessesajudar." 

3. Protesta Raphael: "- Amigo, necessitaras de pouco auxilio, por 
isto aceitemosoqueEledeterminoulSe bem quepodesrenunciaratudo 
- pois, alem da forma fisica, Deusnadadeterminasem consideraro livre 
arbitrio da criatura - nao edegrandesabedoria subestimar, por menor 
queseja, Seu Aceno. Compreendeste?" 

4. RespondeRisa: "- Perfeitamente, edigo mais: Q uem fazaVonta- 



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de de D eus nao podeerrar, poisninguem melhordoqueElesabedas 
nossas necessidades. J a basta a luta pela vida material, onde o homem 
muitasvezesfracassa; seaindapretendereagircontrasuafelicidade, difi- 
cil sera seu progresso espiritual. Tenho razao?" 

5. Obtempera Raphael bondoso: "- Sim, todavia, esclareco-te ser 
mais util agir em beneficio do proximo do que falar em excesso! Teu 
exemplo, em ambososcasos, tera adeptos, sendo que no ultimo o resul- 
tado nao sera apredavd pois, demdolefracaenao possuindooteu grau 
de conhecimento, serao fatalmente levados a presuncao. Pela falta de 
coerencia e conviccao em suas opinioes, com o tempo, toda sorte de 
falsasdoutrinas serao divulgadas, levando a H umanidadeastrevas, onde 
aquelas teorias dificilmente poderao ser esclarecidas; enquanto que as 
variadasformasdo Bern, tornam ascriaturasnobresesinceras U m cora- 
cao franco eo melhor viveiro para a verdadeira sabedoria esabera expres- 
sar-se de modo apropriado, sempre que necessario. 

6. D igo isto, por pressentir em ti forte preferencia para a conversa 
futil, desconhecendo, entretanto, aquilo que deve conter urn bom dis- 
curso. Por isto fala pouco, ouvecom atencao eagetanto quanta possivd 
deacordo com SuaVontadeeGraca, sedesejastomar-teum verdadeiro 
discipulo do Senhor. 

7. Osqueforem desti nados a falar e pregar, serao por Eleescolhidos; 
os outros, apenas reservados para a pratica dentro dos moldes ditados 
pda Sua Doutrina, recebendo seria incumbencia, tornando-se assim 
merecedores das GragasPerenesdeD eus Transmite isto aosamigos, en- 
treosquaisalgunstem o teu defdto. Senhor os desti nou a agao e nao 
a divulgagao de suas ideas 

8. Ele te confere a fdicidade terrena, para que possas futuramente 
fazero Bern; convocado paradoutrinador, ter-te-iafalado: - Vem esegue- 
M e, para aprenderesa Sabedoria D ivina, poisadoutrinacaoexigemaisque 
a pratica, por ser estaofator principal, impulsonadopdoVerbo! 

9. Q uealegria C irenius da ao Senhor, causada nao pela verbosidade 
mas, exclusvamente, pda pratica das obras do Bern! Q uem age como 
de, sabera, em epocaoportuna, expressar-sedemodo convincente, pois 



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um coragao bondoso nao edestituido deluz celeste. Aquelequeadquiri- 
la no exercicio das acoes do Bern sabera, nitidamente, quando e o que 
devefalar. Compreendeste-mebem?" 

10. RespondeRisa: - "Como nao?! FalasteapuraVerdadeeelae 
facilmenteassimilada. Agirei como meorientaste, guiando meuscolegas 
a mesma senda; desejava, porem, saber qual a missao deZinka." 

11. Esclarece Raphael: - "Risa, existe uma grande diferenca entre 
vossasexperiencias: Zinkaeumaalmanobredo Alto, possuidoradevas- 
tosconhecimentos, emboraconteapenasdezanosmaisquetu; eispor- 
quesera convocada para agir efalar.O mesmosedaracontigo,desdeque 
estejasmaisexperiente." 



31. CONJETURASDE H EBRAM E RlSA 

1. Gravandotais palavras no fundo do coragao, Risa volta para jun- 
to deseuscolegas, sendo felicitado pelo seu noivado; eleos interrompe, 
todavia, transmitindo-lheso ensinamento do anjo. 

2. EisquesemanifestaHebram:- "E extraordinariotal discurso 
e so pode ter origem divina; todavia o orador falou antes de agir, o 
que acho justo, porquanto toda boa acao deve ser precedida por 
ensinamento adequado. 

3. Tern razao Raphael, poisaspropriasleisindicam ao homem como 
agir, bastaapenasquerer para fazersurgir uma boa agao. Todavia, presu- 
mo que, a simples identifi cacao do Bern nao sejaconhecimento sufici en- 
te para criaturas materialistas, levadasquesao, facilmente, pelo egoismo. 
Urge divulgar a cartilha da lei do amor, de sorte que o adepto receba 
enanamentosclaroseconvincentesparaapraticado Bern, escudando-o 
contra as tentacoes. 

4. Assim nao sendo, a pratica da virtude, embora reconhecendo-se 
seu incontestavel valor, permanecera problema preso a umaseriededifi- 
culdades e renuncias, conduzindo a criatura a desistencia dos seus bons 



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propositos Segue el a apenas os impulsos dos instintos, ate alcancar a 
maturidade. Por isto, sou deopiniao quea lei do amor ao proximo deve 
serexemplificada." 

5. Aduz Risa: - "Tensrazao eafirmasexatamenteaqui lo queRaphael 
havia explicado: so devefalar edoutrinar quern foi convocado pelo Se- 
nhor, poistambem poderaprovarsuasassertivas, assim comofui induzi- 
dopdoanjoaagir. M asseambosfossemosdoutrinar, proferinamosmuita 
tolice, efacilmenteseriamoscontestadospor qualquer bom orador. Se, 
no entanto, praticarmos boas agoes, nao achara como contradizer-nos. 
Naoeisto?" 

6. D iz H ebram: - "Incontestavelmente! M asquao estranho eo ho- 
mem! Recorda-te que, durante nossos estudos da Escritura, ficavamos 
constantementecomovidoscom aspassagensreferentesao Espirito D ivi- 
no, quenem nosatreviamosmencionar! 

7. E agora nosencontramosdiantedeDeus, quedeterminou Suas 
Leisno M onteSinailO arcanjo, guiadojovemTobias, conviveconosco 
como simples criatura, ensinando-nosaVontadedo Pai! Alem disto, 
realizam-se os maiores milagres, o que em absoluto nos abala! Q ual 
seriaomotivo?Pdojustodeveriamoscairem extase,todavia, permane- 
cemosinsenslves!" 

8. Conjeturao amigo: - "Acalma-telCertamenteo Sen hor assim o 
quer, poissenosencontrassemosem constantedeslumbramento, muita 
coisa passaria despercebida a nossos olhos U ma vez os fatos serenados, 
nossa alma tern oportunidadedesemanifestar!" 

9. C oncorda H ebram: - "N ovamentedou-terazao; todavia nao acho 
prejudicial a pessoa se empolgar com acontedmentosdetal ordem. Se 
essainsensibilidadedependessedenos, seriaum grande pecado; asam, 
agradegamos ao Senhor, por tudo que nos facultou de M aos cheas e 
fagamos o maior esforco em praticarmos Seus Ensinamentos Admiro- 
metambem do adiantamento espiritual deZinka, ex-servo deH erodes. 
ndeteria adquirido sabedoria tao profunda?" Responde Risa: - "N ao 
ten ho ideia; talvez assim ilou, como amigo dejoao Baptista, osconheci- 
mentos daqude profeta. Agora, calemo-nos; parece-me que o Senhor 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

55 



querSeexternar." 



32. Um Acontecimento Durante a Adolescencia 
deJesus 

1. Duranteessa palestra, dei oportunidadeasmocasdeM ereconhe- 
cerem como Aquele que ha poucos meses havia ressuscitado algumas 
pessoasem C apernaum. G amiela, entao, declara lembrar-seperfeitamente 
ter o velho carpi nteiro Jose, a pedido deseu pai decriagao, construido 
um estabulo paracarneiros, naquelacidade, trabalhando em companhia 
deseus seisfilhos, dos quais Eu era o menor. Todavia, nao podia supor 
ocultar-Seem M im o Espirito do Altfssimo. 

2. Ida, porem, protesta: - "M assim, cara irma! Estas lembrada de 
queao pagar nosso pai a J oseo trabalho feito, ele regateou algumas mo- 
edas no preco, quando Jesus dele Se aproximou, dizendo: - N ao fagas 
isto, que nao tetrara bencao alguma! Embora gentio, cres no Deus de 
Abraham. Este Deus Poderoso habita em M im, concedendo-M e tudo 
queEu LhevenharogarlAssim tambem Seachanoscoracoesdosjustos 
e ouve suas preces. Se acaso fosses prejudicar ao velho Jose, que fez um 
trabalho pesado, Eu pediriaaMeu DeusePai quepunissetuadureza, e 
haveriasdesentirasconsequenciaslConsideranaoseraconselhavelofen- 
deraosque Deus protege!" Nosso pai, porem, poucaimportanciadeu a 
tais palavras, insistindo no abatimento do preco. Jose, entao, disse: Sou 
honesto eteafirmo que, justamente, essaspoucasmoedasseriam todo o 
meu lucro eque me possibilitariam pagar o aluguel! Como fazes tanta 
questao, embora rico, podesguarda-las; todavia, nao procedescom justi- 
ga, e isto nao traz beneficio a quern quer queseja!" 

3. A dureza demeu pai me fez chorar; fui ao meu quarto, apanhei 
minhas economias, sendo logo imitada por G amiela e, despercebida- 
mente, metemos perto de cem moedas na sacola dejose. ApenasTu, 
Senhor, observaste nosso gesto, dizendo: - "Isto vos sera recompensado 



Jakob Lorber 

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futuramente!" E tinhas a expressao de um transfigurado. Em seguida, 
queriasdeixar nossa casa; como era tardee N azareth ficava a varias horas 
de distancia, eu Te disse: "N ao seria melhor pernoitar aqui, a vista da 
iminenciadum temporal?" Respondeste-me: - Senhortantofezodia 
como a noite, por isto nao ha razao para teme-los! A tempestade esta 
tambem sob Seu Poder que e, alias, desconhecido do mundo. Nada, 
pois, nosprejudicara. Adeus, M inhasfilhas!" - Assim, deixaste rapida- 
mente nossa casa. 

4. A parti r deentao, muito tenho meditado sobreTuas Palavras, sem 
jamaister-Teencontrado. N osso pai decriacao sentiu o tremendo efeito 
de sua ganancia: naquela mesma noite o raio bateu tres vezes sobre o 
novo estabulo, no qual seachavam mil esetecentascabecasde camera, 
queimando tudo, nao obstante todo esforco empregado para debelar o 
incendio. Entao, nosso pai arrependeu-se do ato egoistaquepraticarae 
disse:- "EstecastigoveiodoAltoebemomereci.Jamaisumtrabalhador 
honesto sera lesado em minhacasa!" E assim foi. velho carpinteiro de 
Nazareth nunca maisfoi visto, epresumo ter morrido, pois era ja ben 
idosoefraco. 

5. M eio ano mais tarde, fomos ao grande mercado de N azareth e 
indagamos sobre eleeseusfilhos; constavaquesehaviam dirigido para 
zonasda Samaria, ondeconstruiriam algumascasas. 

6. que naquela epoca nao nosfoi permitido, Tu nos reservaste 
hoje, Senhor, ede modo maravilhoso! Compreendo o sentido deTuas 
Palavras tao profundas! Agora sabemos Quem e o Senhor do dia, da 
noite e da tempestade! Por isto, rendemos-Te nosso preito de gratidao 
portodasasGracasrecebidas, sem, todavia, merece-las!" 

7. DigoEu: "Como nao?! Lembrai-vosapenasdavossaatitudepara 
com Jose, quejulgavatersidovosso pai, odoadordaimportancia; Eu, no 
entanto, esclareci-oarespeito. E le muito elogiou vossabondadedecora- 
gao eEu M esmo M ecomprometi recompensar-vos; por isto, salvei-vosa 
vida que podeisgozar em plena saudeeem companhia deC irenius." As 
mocas se di rigem aquele e a alegria os faz chorar. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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33. CireniusPromete Divulgar e Defender 
a doutrina 

1. Apos C irenius ter vertido lagrimasdecontentamento no quee 
imitado pel as f i I h as e gen ros, eleM eabracasolucando: - "6 Tu, Eterno 
Amor Purissimo! Q uem seria capaz de nao Te amar?! Senhor, deixa-me 
morrernestafelicidade! 

2. SenhorePai, amo-TedesdeTai N ascimento, poismeconcedeste 
a Graca doTeu Convivio ha longosanos Todavia, nao estava seguro do 
dominiodomeu mundo interior e exterior; mas agora, presumo ter al- 
cancado a forca necessaria atravesdaTua Graca e Amor para palmilhar, 
ateofim davida, dentrodaTuaVontadeSantificada. 

3. Dirijo, na maior parte, somente pagaos, cujo polita'smo ainda 
tenhodeprotegeracontra-gosto; masnaoepossivel se abater uma arvore 
de urn so golpe. Pretendo divulgar o conhecimento do Deus Unico e 
Verdadeiro, ao menosnoterritorioondegovemo. 

4. A classe sacerdotal, por certo, dar-nos-a grandetrabalho, mas, 
finalmente, hadecederasnovasorientagoes maistristeneste mundo, 
equeo homem encontraamentiracom facilidade; aVerdade, somente 
na busca penosa que nao raro acarreta perigos. 

5. segipciosda antiguidadeadotavam o seguinte a sterna: a pessoa 
interessadaem estudarqualquerciencia, devia, antesdemaisnada, depo- 
sitar uma taxa na U niversidade onde Iheeram demonstradosos inume- 
rosbeneficios. Quern, no entanto, fosse a busca da VerdadeAbsoluta, a 
qual se condiciona a vida da alma, tinha de passar por uma serie de 
atribulacoes; se, mesmo assim, conseguissedelaseintegrar, permaneceria 
sacerdotesob juramento dejamaistransmiti-la ao lei go. 

6. Destemodo, semprefoi mui dificil alcancaro Conhecimento da 
Verdade, enquanto a mentira sealastrava sobreo orbe. Ascriaturasa ela 
seacostumaram, em virtudedesesentirem a vontadesob tal regime, e 
n ao sera f aci I f aze- 1 as desi sti r. 

7. Paciencia, porem. A promessadeoutrasvantagenstalvezconven- 



Jakob Lorber 

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caaossacerdotesdanecessidadededivulgarem averdadeU nica, sebem 
quesuacompletadis5eminagaonaTerraecoisaproblematica. Pessoasde 
boa indole, certamente tudo farao nesse sentido, eparaTeu Poder, Se- 
nhor, seria facilimo consegui-lo. Tu, porem, sabes melhor porque deve 
serasam, por isto, sejafeitaTuaVontade!" 



34. A Lei Imperativa e a Lei Facultativa 

1. Digo Eu: "Caroamigo, tuasopinioesbem Meagradam, poiso 
Pai no C eu, Se compraz quando Seus f i Ihos se deixam por E le aconse- 
Ihar; entretanto, existem coisas imprescindiveis, quedevem ser observa- 
das, sem o que nao sealcanca determinada meta. 

2. Eis porque Deus instituiu duas Ids: uma, puramentemecanica, 
chama-se "lei imperativa", de onde surgem todas formas e suas deriva- 
coes, provando sua utilidade Esta lei jamais podera ser alterada. A outra 
denomina-se'lei facultativa" que constitui abasedaDoutrinadaVida! 

3. Esta ultima da margem adestruigaodetodasasparticulaspsiqui- 
cas, o que pouca diferenca ocasiona no total da individualidade; todavia 
nao podeacriaturasustaralei imperativa (biologicaou moral), mesmo 
abusando de seu livre arbitrio. Oculta na forma, (corpo), perdura a se- 
mente que de novo comegaagerminar, atraindo ereorganizando aquilo 
quesehaviadesequilibrado. 

4. Assim ves certos povos, completamente corruptos em relacao a 
alma vilipendiada por mentirasyhipocrisiasemaldades; no entanto, sua 
forma humana perdura. Em tempo oportuno, porem, fago com queo 
espi rito (o germen vital), receba urn fluido maior (calor) queo faz crescer 
edestruir a anterior desordem psi'quica. Processo identico seda com a 
raiz da planta, que, ao absorver a gota d'agua estagnada, produz urn novo 
vegetal sadio eforte, desdobrando-seem floresemente Porestemotivo, 
jamaisdeveiscondenarum povo corrupto, pois toda forma humana en- 
cerra urn espirito, cujaforga podera transformar urn demonio em anjo. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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5. Geralmente, saoosfalsosdoutrinadores, agananciadospotenta- 
doseatemporariapossessaodemausespiritosqueseinfiltram em came 
e alma, os causadores da perdicao do homem. Jamais, porem, poderao 
aniquilaroespfrito invulneravel. ExemplovivotemosemMathaeleseus 
colegas, cujosfisicoshaviam sido massacrados por mauselementos Eu 
oslibertei edespertei seuscentrosvitais, tornando-os homens perfeitos. 

6. Temos, no entanto, de considerar a diferenca entre as criaturas; 
al gumas almas sao do Alto, maisforteseresistentesaosataquesdosespiri- 
tos perversos desta Terra. Assim constituidas podem suportar uma prova- 
cao maior, sem sofrerem prejuizo fisico. D espertando-seseu espirito, isto e, 
o germen oculto da vidaeeste, pen etrando naalma com suas raizes eternas, 
- aquilo queateentao eracorrupto imediatamenteecurado -, surgindo 
urn homem perfeito taiscomo: M athael, Philopoldo etantosoutros 

7. Existem anjosencamadoscujasalmasnao podem ser pervertidas: 
Joao Baptista, M oyses, Elias, Isaiaseoutrostearvam deexemplo. Atual- 
mente ha varios que encamaram para Comigo percorrerem o caminho 
estreito da provagao; no entanto, saberao suporta-lo com verdadeiro es- 
pirito desacrificio. 



35. DlVERSIDADE DAS ALMAS D ESTE ORBE 

1. (0 Senhor): "Entre as almas do Alto, algumas se originam de 
mundossolares perfeitos Sao maisfortesaindaqueasdeprocedenciado 
nosso si sterna solar, aqui encamando para al can carem aFiliagao Divina. 

2. Quanta mais imperfeito o planeta, tanto mais fracos sao seus 
emigrantes M uito embora tenham de passar provagao menor, suas al- 
mas podem levar grande dano. Todavia possuem urn espirito potente 
que, uma vez despertado, equi li brara a alma. 

3. Finalmenteainda existem- eistonamaioria- almasdescendentes 
dos primordiosdeste planeta. Sao precisamenteescolhidas para a Filiagao 
D ivina, sendoasmaisfracas Com facilidade, poderiam perverter-se, total- 



Jakob Lorber 

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mente, se nao existissem entre cem, uma ou duas, fortes, provindas do 
Alto, que as protegessem contra a corrupcao completa. M esmo havendo 
entre elasovel has desgarradas, seraofuturamentelevadasao aprisco. 

4. Toda alma - fraca, inepta ou pervertida - possui dentro de si a 
centelha divina quejamais se pervertera! U ma vez seu espirito desperta- 
do, imediatamente el a se torna feliz, cheia de amor e sabedoria. N esse 
caso tanto podeser urn filho do Altissimo, quanta urn anjo encamado, 
uma alma dum Sol central, dum Sol planetario de menor categoria ou 
talvezdum planetaatrasado esem luz propria, cujo numero no Espaco e 
identico aos graos de areia e as ervas da Terra. 

5. Q ualquer urn devos, por exemplo, sefor renascido, podera provo- 
car urn estado sonambulico numa criaturatolaou supersticiosa, atravesde 
passes, parti ndo do narizastemporas, ateao estomago. N essesono, a alma 
pormaisperturbadaqueesteja, libertar-se-adeseusalgozesfisicos, permi- 
tindo assim ao espirito semanifestartemporariamente Asperguntasade 
dirigidas, dara respostasquedeslumbrar-vos-ao pela profundeza. 

6. Seaposcurto lapso, tal pessoaetrazidanovamenteavida normal 
- no quesedeverespeitar sua propria determinagao- o espirito volta ao 
seu pouso, e a alma penetra novamente no corpo, sem se lembrar do 
ocorrido. C ontinuarataotol a e supersticiosa quanta antes, poisignorara 
tudo que fez edisse. Que isto vossirva de prova, poisalma alguma sera 
tao pervertida a ponto de impossibilitar sua regeneragao. 

7. Clara e que algumas necessitam de longo tempo, aqui ou no 
Alem, atealcancarem firmezasadiaecoerente, virtudesnecessariaspara 
despertar a cental ha divina dentro desi,impregn ando-seeben eficiando- 
se de sua luz. D uvidar de uma alma, muito embora ela se apresente aos 
olhos do mundo como obra dos infernos, vergada sob o peso de seus 
crimes, - e pecar contra o Amor e a Sabedoria de D eus. 



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36.Tratamento de MolestiasPsIquicas 

1. (0 Senhor): "Por isto, nao deveiscondenar ascriaturas, para nao 
vos tomardes juizes de vos mesmos! N ao seria, pois, incompreensivel 
desumanidadecondenar um enfermo a castigos, apenas por quesetor- 
nou doente?0 ra, muito maior absurdo seria julgar uma pessoa psiquica- 
menteenferma, so porquesua alma setornou fraca edoentia, pelos mo- 
tivosmencionados 

2. Deacordo com vossasleis, clasaficaisessaspessoasdecriminosas, 
submetendo-asa castigos incrfveis. Q uefazeiscom isto?Punisumaalma, 
quenofundotornou-sedoentia sen culpa propria. Perguntai-vosoque 
D eus dira de vossosjulgamentos! 

3. E tu, Meu caro Cirenius, que terias feito sem Mim, aoscinco 
criminosos, comojuiz supremo deRoma?!Teriasexigido umaconfissao 
plena, entregando-osaosupliciodacruz, pois, jamais poderiasimaginar 
que espi ritos tao elevados neles se ocultassem! 

4. Enraivecido pelosseuscrimes, nao so osteriasfeito executar, como 
tambemalimentariasacomodaopiniaodeteresprestadorelevanteservi- 
go a Deusea H umanidade Na realidade, todavia, terias predsamente 
causado prejuizo, exterminandocriaturasqueiluminariam seu semelhante 
como o Sol primaveril, atodosanimando parao Bern eaVerdade! H oje, 
por certo, agirias de modo diferente 

5. Eisasituagaodasleisterrenas: paraasmolestiasfigcasharecursos 
em medicos e rem edios; para os malesda alma, existe apenas um codigo 
deleispesadas- efinalmenteaespada mortal! Nao seria maishumano, 
maissabioeinteligente,formar maior numerodemedicos para as almas, 
do que para o fisico que em breve sera alimento dos vermes?! 

6. Ninguem melhordoqueEu sabedasinumerasdificuldadesen- 
contradas na cura du'a molestia psiquica, comparada as do fisico; toda- 
via, nenhumaeinteiramenteincuravel, existindo, porem, umaquesera 
fatal paraocorpo! 

7. Para o fisico fragi I eperecivel, construisumaquantidadedesana- 



Jakob Lorber 

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torios, farmacias, estacoes de aguas; inventais unguentos, emplastros e 
pocoes curadoras; para a saudeda alma imortal, porem, nao cogitaisde 
meioalgum! 

8. Notai fntimo agora indagas:Comopoderiamosfaze-lo sen Tua 
ajuda, Senhor, equem noshaveriadeensinar?Naodeixasdeterrazao, 
pois este conhecimento exige uma pesquisa mais profunda da natureza 
hurnana,doqueasirnplesexperienciadacurad'umest6magoafrontado. 
Portanto, merece a alma muito maiores cuidados do que os incomodos 
dum glutao! 

9. De tempos em tempos, Deus inspirou verdadeiros medicos da 
psique, queen sinavam o caminho certo para sua cura. squeseguiram 
tal orientacao foram, incontestavelmente, curados. M asosricosepode- 
rosos da Terra consideravam-se de plena saude psiquica e desprezavam 
taismedicos; perseguiam-lheseatemesmo Ihesproibiam exercerapro- 
fissao, eembargando o en sinamento dacurad'alma, oseu conhecimento 
eimpossibilitando que suas raizes seramificassem,transformando-se em 
tronco seguro de ramagensfrondosas. 

10. Se por acaso fosse deitada semente sadia e forte pessoas egoistas 
tudo fariam para cortar osgalhosda arvore, ti rando-lhemesmo a casca, tao 
necessaria, ateve-la sucumbir. Asam, atehoje, nada sefez para a cura psi- 
quicaanaoserainvengaodeleis, prisoesdevariadascategoriaseosmulti- 
plosinstrumentosdestinadosaterminarcom avidahumana. Sao produ- 
tos de almas igualmentedoentias, porem, fortes; merecem ajuda, rapida, 
caso sequeira cogitar da cura efdicidadedas mai s fracas e inferi ores 



37. Sanatoriose Medicos Psiquiatras 

1. (0 Senhor): Precisamente, por este motivo, vim em PessoaaTer- 
ra a fim de instituir, para sempre, urn sanatorio psiquico destinado a 
todas as almas, pois as criaturas nao o teriam conseguido. Todavia, a 
sobrevivencia de tal sanatorio sera problematica, considerando-se que 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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certas pessoas sentir-se-ao abaladas em seus di reitos mundanos. 

2. amor-proprio eaatragao pelascoisasterrenas- como habito do 
inferno implantado no coragao do homem - opor-se-ao a propria cura, 
preferindoosmeiosmateriais, comosejam:leis,julgamentosepunig6es 

3. Apos M inha Passagem, muitos considerarao tais medidas apli- 
cando-asem beneficio alheio. Terao, todavia, desuportar, em M eu N ome, 
toda sorte de perseguicoes por parte dos poderosos do mundo, portado- 
res, entretanto, deal mas fracas. Saberei, porem, protege-las! 

4. Se acontecer que almas desta Terra, enfermas por culpa propria, 
tencionarem arrasartal CasadeSaudenu'amanifestagaodeloucura- ddas 
M eapossard ejulgando-as, determinarei sua cura psi'quica em sanatorio 
do Alem, ondehaveraclamorese ranger dedentes, ate sua cura definitiva! 

5. Separaosmalesdo mundo urn rem edioeficaz tern saboramargo, 
quetravo naoencerraraoaquelesusadosnoAlem, paraacuradumaalma 
doente, uma vez esgotados, em vida, os meios de regeneragao? Serao 
curadas, - massuportarao tratamento longo e desesperador! Portanto, 
felizdaquelequeconseguesuasanidadeem Institutosterrenos! 

6. Pelosmotivosacimaexpostosdeveis, como juizes poderosos, tor- 
nar-vosverdadeirospsiquiatras, julgando as almas enfermas com justica, 
para que alcancem a cura total ! 

7. Em verdade, a medida que concorreis para o aumento do 
desequilibrio psi'quico de alguem, usando os recursos de vossa doentia 
incompreensao, vossa propria alma tornar-se-a, na mesma proporgao, en- 
fermaevossa cura no Alem seramaisamargaqueadaoutra. Elaedoente 
apenasem decorrencia devossa dureza desenti mentose podera ser rapida- 
mentecuradanoAlem; ao passoqueaalmaintolerantedojuizcaira, apos 
todo julgamento injusto, duplamente na molestia psi'quica do reu, dupli- 
cando, portanto, seu proprio mal. E facil se imaginar o tempo imenso e 
penoso quea alma miseravd dum juiz tera deenfrentar ate sua cura! 

8. Setu, como medico incapazeenfermo, fores chamado parasocor- 
rerumdoenteeacetarestal pedidovisandolucro, recetando urn medica- 
mento que piora seu estado precario, que resultara dai?! N ao conseguindo 
debdar a molestia, tambem nao seras pago, deacordo com vosso uso. Se 



Jakob Lorber 

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alem disto te contain i nares pelo terrfvel mal, teras prqufzo duplo! 

9. Vindo, porem, em tai lugar urn medico inspirado, curara teu 
clientecom umsimplesremedio,enquantoque, paratuacura,necessita- 
rasdum meio mais forte, deacao mais energica que abalarateu corpo. 



38. A VERDADEIRAjuSTigA 

1. (0 Senhor): "Suponho quecompreendesteso queacabo defalar 
e prossigo: Em absolute vos quero insinuar ser necessario desmantelar 
todas as prisoese institutes decorregao, quenao deixam deser urn mal 
necessario, nem tao pouco romper com os grilhoes e instrumentos de 
castigo.Asalmasdoentiasdevemsercuidadosamenteisoladasemantidas 
reclusas, atesuacura. 

2. N ao devem, porem, ser iraevinganca osmotivos para tal medida, 
mas unicamente vosso grandeamor ao proximo que vos leva a cuidado 
extremoso! Se o espirito de amor vos indicar ser preciso a aplicacao de 
remediosamargos, naodeveisvosatemorizar, poisseria inutil eprematu- 
raamanifestagaodepiedade. Somenteinspiradosnoamor, deveisminis- 
trar ao doente medicacao drastica, que Ihe trara a cura desejada e vos 
cumularadebengaos 

3. remedio queEu M esmo apliquei aoscinco criminosos, naque- 
lanoite, porcerto naofoi debom paladar; todavia, M eu Grande Amor o 
considerou inevitavel paraacuracompletadetal maneiraque, pelama- 
nha, estavam libertos, podendo vos atestar se algum deles se aborreceu 
com Minna Atitude. 

4. Q uem, levado pela raiva e vinganga martirizar, de modo incle- 
mente, urn criminoso, se-lo-amil vezes mais do que esse eseu castigo no 
Alem, seratanto maisdoloroso! 

5. Sereis recompensados com a mesma medida aplicada ao proxi- 
mo; quern agir com verdadeiro amor, recebe-lo-a em troca; agindo com 
iraevinganca, recebera o mesmo tratamento, porem em doses multi pi i- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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cad as, ate que todas as f i bras de sua al ma endured da se abrandem . 

6. Com isto vos demonstrei, nitidamente, a verdadeira natureza 
humanaenao podeisalegar desconhecimento decausa. Agi dentro den- 
te pensamento, e transmiti-o aos vossos inferiores que, portadores de 
almas doentias, naoseapercebem de sua propria situacao. Destemodo, 
sereis cooperadores justos e equilibrados no M eu Reino desta Terra e 
M eu Agrado vos acorn pan hara por todas as veredas Se, porem, recairdes 
no vosso antigo sistema, considerai que vossas almas foram novamente 
atingidaspelo mal epedi queEu vos cure, evitando sofrimento dobrado! 

7. Vos, juizes, quemuitasvezesaumentaiso sofrimento psiquico da 
criatura atraves de julgamentos ferrenhos, meditai seriamente sobre a 
missao quevosfoi conferidaesobreaquilo queejusto dentro da rdem 
de Deus! E vos, regentesde povos, quefinalmente representam poder e 
reputagao, deveisser paisde vossos suditosevosdedicarasaudeplenae 
ao Bern das almas de vossos fi Ihos! Vossa tarefa se concretiza em serdes 
medicos psiquiatras. 

8. Sevossospropriosfilhosmuitasvezesnao respeitam osmandamen- 
tos que instituis, deveriam, por isto, ser martirizados e crucificados para 
servirem deexemplo aosdemais?!Talvez urn pai desnaturado fosse capaz 
duma agao desta ordem; entretanto, a H istoria da H umanidade poucos 
casos semdhantes registrara. s genitores de boa indole saberao repreen- 
der, com rigor, asfalhasdeseusfilhoseem casos extremostalvez Ihesapli- 
quem o rdho! Q uealegria nao nao desentir com sua regeneracao! 

9. Empregai, como juizes, o mesmo sistema evossa satisfacao sera 
completa! Ponde-vosno lugardosquesaoobrigadosaobedecer vossas 
ordens: nao seria de vosso agrado se agi ssem com clemencia e miseri- 
cordia?! Aplicai, pois, sempreaquiloquedesejarieissevosfizessem, se 
fosses enfermos! 



Jakob Lorber 

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39. A Eterna Lei de Amorao Proximo 

1. (0 Senhor): "Eisa interpretagao pratica das Leis moisaicasede 
todasasprofecias: Amai a Dais, vosso eterno Pai, sobretodasascoisase 
a vossos irmaos necessitados, como a vos mesmos, que sereis psiquica- 
mente sadios e tao perfeitos como Sens filhos, motivo por que fostes 
chamadoslSem esta perfeicao, naochegareisjunto Deleparasaciar-vosa 
Sua M esa. 

2. Com isto, meu caro Cirenius, demonstrei-teamaneiradesedar 
combatea mentira, mesmo estando ela enraizada na alma; todavia, po- 
dera ser anulada pela verdade gerada pelo amor, assim como a luz do 
fogo. Acaso seras tornado como sabio se, ao necessitares iluminar urn 
recinto, o incendeiescompletamente?! Por isto, M inha DoutrinaeVer- 
bo, nao devem ser transmitidos pela espada! 

3. Setencionascurarumaferida, nao I he deves apl i car outra, maior; 
poisseria preferivel deixa-lasem cura! 

4. Em verdade, quern pretender disseminaro Meu VerboeDoutri- 
na, dearma na mao, nao sera abencoado pelo zelo demonstrado mas, ao 
contrario, relegado astrevas! Seiluminaresum quarto com lamparinasa 
6leo,todossealegraraocomaagradavelluzproduzida;metendo-lhefogo, 
amaldicoar-te-ao, fugindo, como seforasum doido. 

5. Q uem pregaasalvagao das almas, deveusar palavrascompreensivas 
e meigas e nao gritar qual louco, espumando de colera, pois, uma pessoa 
enraivecida, nao conseguemdhorar quern quer queseja. Apenassera ridi- 
cu I ari zada e caso nao se cal e sera, f i nal mente expu I sa da sod edade 

6. Demodo identico, ninguem devedirigir palavras de reconcilia- 
gao a quern quer que seja, enquanto sente no peito o espinho da raiva; 
poisenvenenar-se-acom o proprio fel, arrastando seu semelhantea iden- 
ticareagao. 

7. Ao transmitirdesM inha Doutrinadeveisvosapresentarsempre 
amaveis, porquesoisportadoresdumaComunicagao Celeste que deve 
ser propagadacom carinho! 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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8. Q uediriaumapessoaabordadacom asseguintespalavras - uve, 
pecador condenado por Dais! Eu teodeio por causa dosteus pecadose 
em nomedajustica Divina; entretanto, concito-te, usando detodosos 
meiosameu alcance, a parti ci pares do meu banqueteporque, do contra- 
rio, tecondenarei parasempre! Aceitando o meu convite, poderascontar 
com minhagraca, aomenosporestedia! 

9. Penso que qualquer pessoa por mais tola que seja, recusara tal 
convite! Se for por demais fraca, acedera, esperando escapar as conse- 
quencias; sendo forte e positiva, fara uso de seus direitos de anfitriao. 

10. Eisporque,nadivulgagaodaM inhaDoutrina, eprecisoconside- 
rar tratar-sede convite para uma C da C eleste, ecomo verdaddros mensa- 
gdrosdo Bem,tendesdevosapresentaramavdseamoravds. Poisnaosera 
possi'vd falar de coisas boas, de fdcoes irritadas e quern assim agisse, de- 
monstraria total inaptidao para tal incumbencia. Compreendestes?' 

11. RespondeCirenius, contrito: "Senhor, compreendi o que me 
toca e procurard seguirTuas D iretrizes! Reconheco, ter pecado contra a 
H umanidade, nao obstante estar imbuido da mdhor intencao! Quern 
podera rem i r esses erros?" 

12. Digo Eu: "N aotepreocu pes e tern confianca!" 



40. SONAMBUUSMO 

1. N isto,aproxima-seComdius,dizendo:"- Senhor, ha poucofalaste 
ser possi'vd a uma pessoa renascida, provocar estado desonambulismo em 
alguem e, mesmo sendo de inculto, sua alma manifestar-se-ia inspirada. 
N ao posso fazer idea dessefato; poderiasentrar em pormenores?' 

2. DigoEu:"Comonao?Poisissoeimprescindivd paraarecupera- 
cao da saudefisica epsiquica; o simples passe, ja alivia a maisfortedor e, 
em consequencia, da clarividencia ao enfermo que podera obter a cura. 
N ao obedecendo estritamentea determinagao dada, sera dificil recupe- 
raraprimitivasaude. 



Jakob Lorber 

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3. Senesseestado decuraalguem cairem transe, nao deveser inco- 
modado eenfraquecido por perguntas tolas, limitando-seaquilo quefor 
estritamente necessario. 

4. Todoaquele que aplicaro passe teradefaze-lo em Meu Nome, 
porque, do contrario, nao surtiraefeito. Alem disto epreciso terfeinaba- 
lavel evontadesegura. 

5. verdadeiro amor ao proximo deveser o unico move! para a apli- 
cagao do passe, que fluira pela palma da mao ate os dedos, penetrando, 
qual orvalho suave, nosnervosdo doente curando-o desuasdoresatrozes 

6. Saiba-se, todavia, que e mais dificil provocar este estado 
sonambuliconohomemquenamulher. Em certoscasos,amulherpo- 
deriaconsegui-locom ele; isto, porem, somentecom aassistenciadum 
anjo invisivel, atraido pela precee pureza decoragao. 

7.Taismulheresdevotaspoderao ajudarasparturientes, no queagi- 
riam acertadamente pois, muitas, pretendem aprender esta ciencia, em 
Bethlehem, ondeeensinadaumaseriedemei os supersticiosos, queantes 
prejudicam do que beneficiam. 

8. Q uantas cerimonias tolas e ridiculas realizam-se por ocaaao das 
primogeniture. Nascendo uma menina levantam-se, durante tresdias, 
lamurias, gemidosechoros, em anal deprotestoepesarlQuandochega 
urn varao, matam-sevitelosecameiroseassam-sepaesdetrigo. scan- 
tores, assobiadoreseviolinistassao convocadosafazer urn barulho infer- 
nal eesperam queistoalivieajovem maelAssim sendo, seriapreferivel o 
auxilio supra mencionado!" 

9. D izComelius: "N ao restaduvida; como, porem, a mulher pode- 
riaalcancartal beatitude?" 

10. Respondo: "M uitofacilmente! Primeiro epreciso uma boa edu- 
cagao e enano completo, que so podera ser ministrado a uma virgem 
depoisdeter provado sua pureza desentimentos. Todavia, seratambem 
posavel ao sexo masculino socorrer ealiviar uma gestante pelo passe". 



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41. PUREZA FiSICA E PsiQUICA. CURAA DlSTANCIA 

1. InterrompeStahar, atento asM inhasPalavras: "- Tal atitudenao 
deixaria impuro o homem, por um dia, deacordo como as determina- 
tes de M oyses?' 

2. D igo Eu: "- De agora em diante, nada te maculara, a nao ser 
pensamentosmauselascivos, desejos, paixoes, mafama, mentiraecalu- 
nia, injuria e maledicencia. restoapenassujaraapdequefacilmente 
podeserlimpa. 

3. M oyses deu aos judeus Ids severas, porque alimentavam grande 
tendencia paraa imundiciefisica, cujosreflexostambem prejudicam aalma. 

4. A verdadeira higiene psiquica sefaz com umajusta penitencia, 
pelo arrependimento dospecadospraticados contra o proximo eofirme 
proposito desecorrigir. N ao agindo destemodo, podeisregar com san- 
guedez mil bodesquerepresentem vossospecados, amaldigoa-loseatira- 
los ao Jordao, que vossos coragoes e almas continuarao impuros como 
dantes. C om a agua se limpa o corpo ecom a vontadefirmeesubmissa a 
D eus, coragao ealma. Assim como aaguafortaleceo fisico, uma vontade 
honesta enobrece a criatura. Assim fortificada podera, entao, dar um 
passeadistancia, em Meu Nome, conseguindooaliviodoenfermo. 

5. Q uem ainda nao se encontrar nesse estado de G raga, podera re- 
cover ao passe anteriormente descrito, que levara o doente a estado de 
extasedeterminando, tambem, suacuraTodaviaestetratamento emais 
demorado ao ministrado por pessoa renascida em espirito, cujo resultado 
seriaimediato. 

6. Assim, ateaalmaignorantedumacrianca podera predizerofuturo, 
quando se uniu ao espirito pelo sono sonambulico. Voltando ao estado 
anterior, aalmanovamentereunidaao corpo, ignoraraoquesepassou. Isto 
provaque, pormaispervertidaqueseia, edapassi'vel de regeneracao. 



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42. Uma Prova de Sonambulismo 

1. (0 Senhor): "- A fim de vos dar um exemplo, providenciarei a 
vindadum homem toloemau, deCesareia Philippi. Algum devosfara 
com que caia em extase e, entao, presenciareis sua profunda sabedoria. 
Q uando voltar ao normal, sera o mesmo deanteriormenteeteremosdifi- 
culdadesem IheincutirqualquerconhecimentosobreDeuseo homem." 

2. D izC irenius: "Isto meal egrasobremaneira, Senhor, poisnospro- 
porcionas novos conhedmentos no campo pslquico. Estara aquela pes- 
soaacaminhoparaca?" 

3. Digo Eu: "- Sim, esta a tua procura, a fim de solicitar-te ajuda 
finance ra, poisperdeu um casebre, doiscarneiros, umacabraeum burro 
por ocasiao do incendio. Informado de tua presenca aqui, e sabendo 
socorreresasvitimas, pleiteia indenizagao. Emborapauperrimo, seu pre- 
juizo nao foi tao grande, pois roubara os dois carneiros, precisamente, 
algunsdias antes do incendio, enquantoosoutrosanimais, haum ano, 
chegaram da mesma maneira as suas maos. 

4. Por ai ves ser ele trapaceiro e alem disto, muito tolo, defeitos 
oriundosdesuagananciasem par. Com faci I idade poderia ter salvo seus 
trastes; preferiu, entretanto, asescondidas, apossar-se de alguma coisa, 
mesmo por meios ilicitos Como nada achasse, voltou aborrecido para 
casa, encontrando o quepossuiacalcinado no meio dascinzas 

5. Ate hoje chora sua desgraca; ha uma hora atras sou be que te en- 
contravasaqui eresolveu abordar-te Informo-tedessespormenorespara 
teu governo; o resto descobriras por conta propria." 

6. 1 ndagaC irenius:"- Devopagar-lhe alguma indenizagao?' 

7. Respondo: "- E preciso primeiro interroga-lo deacordo com as 
leisdeRoma;depoispoderasagirdemodohumano. Zinkaestadestina- 
do a Ihe aplicar o passe, porque e detentor de maior forca, que ainda 
aumentara pelo contato de M inhas Proprias M aos." 

8. Zinka, que havia ouvido com atencao, adianta-se e diz: "- Se- 
nhor, quedevo fazer, poisdesconhego tal tratamento?' 



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9. Digo Eu: "- Pousatuamaodireitasobreatestaeaesquerdana 
boca do estomago, que de caira em transe, comegando a falar, porem, 
com voz maisfraca do que a usual. Q uerendo desperta-lo, basta colocar 
asmaosdemodoinverso durante algunsinstantesAssim que voltar a si, 
retira-aseo tratamento estarafinalizado." 

10. Confiante, Zinka aguarda a chegada de tal homem; todavia, 
pergunta se deve iniciar, de pronto, os passes. Respondo: "- Dar-te-ei 
aviso; antes, deveis vos integrar da sua imbedlidade, isto e: do estado 
doentiode sua alma. Depois, quando tivermos ensejo desenti-la forte e 
sadia, convencer-nos-emosquecriaturaalgumadevecondenaroutrapor 
maiscorruptaqueseja, porquesuaalmaabrigaogermedavida. Preparai- 
vos, pois, queelevemai!" 



43. ClDADAO ZOREL 

1. M al terminara, chega o homem chamado Zorel, coberto detra- 
poschamuscados, fazendo grandealarido. D igo, entao, a Julius que per- 
gunte-lheo quedeseja. Zorel o enfrenta, dizendo: "- Sou cidadao de 
Cesareia, completamente arruinado pelo incendio esomente hojefui 
informadodaajudaprometidapelo Prefeito. Poristoaqui estou epego- 
temedigassenao houveengano!" 

2. Respondejulius:"- Sim,Cireniusestasocorrendoaosprejudica- 
dos, mas apenas aqueles cuja reputagao e incontestavel. Se nao estiveres 
nessas con di goes, nada receberas, poiseleemui criteriosolAcha-sesenta- 
do aquela mesa, a sombra dosciprestes, dando audiencias, onde poderas 
falar-lhe." 

3. Zord refleteum poucoefinalmenteresolveiratela, porem, coxe- 
ando! Q uando acerca-sedeC irenius, faz tres profundas reverencias. Em 
seguida, poe-se a gritar: "- Nobre senhor e severissimo soberano! Eu, 
Zorel, ex-cidadao deCesarda Philippi, pego-vosumapequenaajuda em 
dinheiro eroupas, poisestou reduzido apenas a estestrapos. 



Jakob Lorber 

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4. Fui proprietario honesto dum casebreeduma pequena lavoura. 
M inha esposa perdi-a ha doisanos N ao tenho filhosevivo em compa- 
nhia duma criada. M eus bens se restringiam a alguns carneiros, velhas 
ferramentas e alguma roupa. Tudo, porem, foi devorado pelas chamas, 
enquanto ajudava a debelar o incendio. 

5. Agora sou mendigo como muitos, pois ate minha serva, meu 
unico esteio, abandonou-me, o que nao esquecerei! Se um dia tiver a 
ventura de reaver meusbens, saberei como enxota-la! 

6. Alem do mais fugirei, no futuro, do sexo feminino, pois nada 
vale! D izem que sou estupido, por nao saber lidar com o sexo fragil eque 
minhamulher morreu dedesgosto! Setal fosse verdade, nao teriaguarda- 
do viuvez perto dum ano eminha ultima companheira nao teria perma- 
necido, embora mal paga. 

7. Alias, acho vergonhoso ter o homem nascido da mulher; seria 
mais honroso se o fosse duma ursa! N este ponto os deuses cometeram 
umafalha, alem deoutrasmais. Sou polite'stacrente; todavia, cometem 
muitastolicescomoaquelado incendio, poisse Apollo naotivesseum 
rendez-vous, com certa ninfa, abandonando seu carro celeste, a tragedia 
do incendio nao teria sucedido! 

8. D eve-seconsiderar os deuses apenasquando sabios; agindo como 
simples mortais, acarretando prejuizo grave para as criaturas, nao mere- 
cem ser honrados Tu, nobresenhor, sendo tambem polite'sta, compre- 
enderas minha situacao embaragosa, da qual, somente, Apollo e respon- 
savel! Por isto, pego-tesocorro!" 



44. Zorel Externa SuasIdeiasSobrea 
Propriedade Particular 

LlndagaCirenius:"-Quantodesejas?"RespondeZorel:"- Nem 
muito, nem pouco; ficaria satisfeito podendo reaver o que me per- 
tencia!" PerguntaCirenius: "- Conhecesasleisromanasqueprote- 



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gem a propriedade?" 

2. RespondeZorel: "- Algumas, quesemprerespdtd. A infragao 
contra Ids ignoradas e nula. Alem disto, sou grego e no meu pais nao se 
considera muito a propriedade particular; pois os bens comuns geram 
amabilidade, amor fraternal, concordiaehonestidadeentreascriaturas 

3. Fossem menos severas as leis que regulamentam a propriedade 
particular, e haveria menos furtosefraudes. Sendo este meu principio, 
naovacild em meapropriar, ilegalmentedecoisasinsignificantes E quern 
mepedissealgo emprestado, nuncateriaderecear minha reclamagao. 

4. M eus animais nao foram comprados, nem tao pouco roubados, 
porquanto os achei na floresta. Seu dono, certamente, e possuidor de 
grandesmanadasenaofoi prejudicado; todavia, foram demuita utilida- 
deparamim. Osjudeusadmitem, mesmo, arebusca, Id deautoriado 
Proprio Jehovah. Por que deveria ser, entao, infragao para os romanos?! 
Tu, comodignitario,terasmdos para castigar-me; entretanto, nao te sera 
possi'vd dobrar meusprincipios!" 



45. Zorel Ouve a Verdade 

1. DizCirenius, em surdinaedeolhosarregalados: "- Senhor, 
ha pouco afirmastea tolicedeste homem que, no entanto, revela-se 
bom advogado! proprio roubo foi tao bem defendido que nao o 
possocontradizer." 

2. Digo Eu: "- Calma, Meu amigo, pois de proprio contestara suas 
ideas Prosseguenaarguiga3;queroqueaprendaisdiferengaraastuciamental 
do raciocinio!" AduzCirenius "- Otimo, estoucuriosoporverofim!" 

3. Interrompe-o Zord: "- Nobre dignitario de Roma! Quedevo 
aguardar? Parti I has da m i nha opi n iao ou queresqueacdteatua, embora 
aindanaoproferida?" 

4. RespondeCirenius: "- Antesdesatisfazer-te, temosalgoadiscu- 
tir, pois tuahonestidade nao me parece integral. Naoqueroaveriguarse 



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realmente"encontraste" osanimais, perdidos na floresta. Informo-tedo 
seguinte: em nosso meio, existepessoa clarividente, cuja capacidadefoi 
sobejamentecomprovada e, assim sendo, dou-lhetodo credito! 

5. Tal pessoa anunciou tua vinda antes de teres deixado a cidade e, 
tambem, quepoderiasterevitadotuadesditasetivessesficadoem casa; 
mas teus pri ncipios sobre os direitos de propriedade levaram-te a farejar 
na cidade em chamas E compreensi'vel quetuaempregadateabando- 
nasse, em tal situagao, pois conhecetua indole. Teria ela de restituir-te 
todos teus bens sob ameacasdemaustratos, porquanto aculpariasdetua 
desgraga! Eiso quemefoi dito ateu respeito. Podesdefender-te, quete 
ouvirei com pad end a." 



46. Zorel Pede Livre Retirada 

1. D iz Zorel, pensativo: "- N obre senhor! N ao sei para que me de- 
fender quando afirmasdar mais credito a urn clarividente, que a nume- 
rosastestemunhas! Alem disto, esdetentordetodo poder! Desorteque 
apenas acrescento: Perdoa-me a qudxa enunciada. 

2. Todavia, persisto na minha afirmacao, ser mil vezes pior uma 
propriedade particular, sancionada por Idsseveras, que a posse comum. 
N ao necessito repetir os motivos. Acrescento apenas, ver-meobrigado a 
desistir do meu ponto de vista em virtudedo poder brutal. 

3. N as Ids de protegao de propriedade nao vejo beneficio para as 
criaturas, mas a maior ofensa a razao. Q ue pode, porem, urn homem, 
isolado ecoberto deandrajos, contra milhares?! 

4. Pode-se depredar o dirdto legal de posse comum em virtude de 
pequenos prejuizos, quetodavia nao estao em rdacao aosmalessurgidosda 
posse particular. Tenhodito. Nadadebom meesperaemtaiscircunstanci- 
as, portanto sera mdhor, eu me reti rar. C om tua permissao, naturalmente! 

5. Seacharesqueeusejacriminoso, castiga-me, masda-mealiber- 
dade, ou amorteljanao meafetacoisaalguma, poissou indefesoevos, 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

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romanos, perseguistodo pobrediabo com vossas Ids! D ize-me, posso ir 
ileso ou devo aguardar casti go?' 



47. PreparativosParaoTratamento Sonambulico 

1. D izC irenius, severo, porem amavel: "- N ao devesteafastar, nem 
tao pouco aguardar castigo mas, somente, tua salvagao. Jamais nos ale- 
gramosem castigaraoscriminososemuito nosregozijamos, quando se 
regeneram! Apenasquando reincidem, conscientemente, em ato crimi- 
noso, podem esperar pen a severa. 

2.Tu, porem, levado pela miseria, violasteasleiseteencontraspela 
primeiravezdiantedumjuiz. Eiso unicomotivoporquenaoseras con- 
den ado; entretanto terasquete modifi car bastantelTua alma bem doen- 
tia sera aqui curada e teras de reconhecer o beneficio das leis, agindo 
dentro dosseusprincipios. Assim seras libertado, fato quetealegrara. 

3. Para que tua cura psi'quica e moral se processe, alguem de nosso 
grupo tedara urn passe. Com esse suave tratamento, teu raciocinio sera 
despertado, facultando-teacompreensao do Bem, derivado do cumpri- 
mento das leis C oncordas?" 

4. RespondeZorel, maisanimado: "- Como nao?Concordo com 
tudo quenao seja pancada, decapitagao ou crucificacao! D uvido, porem, 
poderes alterar meus principios com tal tratamento, pois urn tronco ve- 
Iho naoseenvergataofacilmente. ndeestaessapessoa?' Despercebida- 
mente C i ren i us M e i ndaga se deve agi r. 

5. DigoEu:'Aindanao; sua alma necessitadealgum repouso, por- 
quanto Zorel esta excitadissimo e seria dificil fazer com que caisse em 
extase. Do mesmo modo, naodeveZinkaserapontadocomooescolhi- 
do para o tratamento. Em tempo vosdarei urn sinal." 

6. Todossilenciam poralgunsinstanteseZinkamal podecontera 
ansia para entrar em agao. Zorel, porsuavez, conjeturaoquelhesucede- 
ra. Analisando nosso grupo chegaa conclusao dequeso poderemos fazer 



Jakob Lorber 

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oBem. 

7. Estepreparo enecessario parao exito complete poiso "doente" 
deve sentir fe e confianca, do contrario, nao haveria possibilidade de 
cura, mesmo tendo o outro, rico potencial deforgas psi'quicas. Outra 
coisa seria, em setratando dum renascido, que necessitaria para tal, so- 
mente de sua vontade, maneira pela qual tambem ajo. Agora Zorel esta 
preparado e Eu dou sinal a Zinka para comegar. 



48. CONFISSAO DE ZOREL 

1. lmediatamenteZinkaseaproximadeZorel,dizendo:"- Irmao, e 
da Vontadedo Senhor, cheio de M isericordia, Bondade, Amor eSabedo- 
ria, que eu te cure, apondo-teminhasmaos. N adatemas, tern confianca, 
queem nadaserasprejudicado. Permite, pois, que te toque!" 

2. Respondeo outro: "- Amigo, com tal linguagem podesmandar- 
me ate parao inferno, queobedecerei. Inicia, pois, teu tratamento!" Diz 
Zinka:"- Entaosenta-teneste banco; transmitir-te-ei FluidosdeDeus!" 
IndagaZorel: "- D equal deles?Zeus, Apollo, M arte, M ercurioou Pluton? 
Pego-tenao cogitaresdo ultimo, cujaforca titan ica meapavora!" 

3. "N ao falestolices", responde Zinka, "teusdeusesexistem apenas 
na tola fantasia das criaturas. Existe urn Deus nico e Verdadeiro que 
desconheceis, muito embora os pagaos Lhetenham erigido variostem- 
plos. Por isso nao percamos tempo com futilidades." 

4. M al Zinka coloca suas maos sobre o outro, este cai em transe. 
D epois de alguns minutos, comega a falar, de olhos fechados: "- M eu 
Deus, que criatura miseravel e ma sou eu; podendo regenerar-me, so 
basta querer! Eisa maldigao do pecado da mentira edo orgulho que me 
impedetomarbom! 

5. M inha alma esta tao maculada por pecados, que nao percebo 
minhapele; pois acho-meenvolto por fumagadensa. Meu Deus, quern 
me poderia libertar deste peso? Sou ladrao e mentiroso eso abro a boca 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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para positivar a ultima mentira. Tudo que possuo foi roubado e por in- 
termedio da falsidade! 

6. Se ben que na minha ignoranda nao considerasse isto pecado, 
ddxd pas5armuitasocasi6esoportunassem proferiraverdade M eu con- 
solo unico esta em nao ter cometido assassinio! Pouco faltou, pois se 
minha serva nao tivessefugido, teria sido vitima de minha ira diabolical 

7. Sou urn monstro, ecom aastuciadaraposa, tomd-meverdaddro 
diabo! M inha alma esta seriamenteenferma etu, Zinka, talvez nao con- 
si gas cura- 1 a. 

8. A neblina agora esta se dissipando urn pouco mais, e tenho a 
impressao de poder respirar mais livremente N esta crescente claridade 
percebo, porem, minhafiguramonstruosacheiadechagashorripilantes! 
ndeestariao medico capazdemecurarmoralmente, poisminhasaude 
fisicaeperfdta?! 

9. Sealguem visse minha alma, ficariaestarrecido dianteda sua hor- 
rfvd figura. Q uanto maisclaraeavisao, tanto maishorrendadasetorna! 
Zinka, nao haveriaum mdo demdhora-la?" 



49. PuRiFicAgAo da Alma de Zorel 

1. N esse momenta Zord comeca a gemer, dando i mpressao deque- 
rer acordar. Eis que digo aos presentes: "- Isto e o inicio do estado 
sonambulico, quando aalma, desprendendo-sedesuaspaixoescarnaise 
mundanas, e revdada em toda sua crueza, visao que provocou em Zord 
viva repugnancia! Parataismolestiaspsiquicas, so ha urn remedio: o com- 
plete conhedmento, profunda repulsa pelas mesmas e, finalmente, a 
vontade f i rme ddas se I ivrar. C hegado a este ponto, a cura sera faci I . 

2.0 sonodeZord perdurara por mais umahoraedentro em pouco 
falara de modo mais coerente e devado. C aso te faga perguntas, amigo 
Zinka, responde-lhepdo pensamento, poisouvir-te-a perfdtamente" 

3. M al termino, Zord prossegue, dizendo: "- Chord a minha grande 



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desditae, daslagrimas, formou-seum lago, como o deSiloah em Jerusa- 
lem. E eu me lavo nessa agua, quecuraasferidasechagasdaminhaalma. 
Q uao benefico eessebanho! Embora ainda perceba as cicatrizes, o mal ja 
passoulComoteriasidopossivel seformarum lagodeminhaslagrimas?! 

4. E elecircundado por zona maravilhosa: a zona do consolo eda 
esperanca; tenho a impressao dequeaqui encontrarei cura completa. A 
aguaanteriormenteturva, agoraelimpidaeclara, o que me causa grande 
bem-estar! 

5. Agora tarn bem percebo a manifestagao duma vontade, traduzida 
pelas seguintes palavras: Tenho de agir, porque quero! Quern podera 
impedir minha vontade! Q uero a Verdadeeo Bem, por ser isto o resulta- 
dodemeu livrearbitrio! 

6. Reconhecoaverdadeplena, qual luzDivinaemanadadosCeus! 
N ossos deuses sao apenas quimeras e tolo e quern neles acredita. Eu, 
porem, percebo a Luzeo Verba DeusMesmo, todavia, naomeedado 
vislumbrar, por estar demasiadamenteelevado. 

7. Eisqueolagosetomou lagoaesuasaguastocam-meosquadrise 
elimpidissima; todavia, naoabrigapeixes; seriadificil, poiseles proven 
do H alito de Deus, mui Poderoso. Eu sou apenas uma alma humana, 
incapaz deproduzir peixinhosdo Senhor! A nao ser que a criatura seja 
plena do Espirito D ivino ecom essa faculdade, poderia produzi-los Eu, 
porem, estou longedessa perfeigao. 

8. fundo da lagoa esta coberto de capim vicejante a medida que 
cresce, removea agua. A esperanca setorna mais poderosa queos conhe- 
ci mentos e os frutos subsequentes. 

9. Agora vejo urn homem, namargem oposta, quemeacena! Bem 
tinha vontadede ir ao seu encontro; masdesconhego a profundidadeda 
lagoa e faci I mente poderia me afogar. 

10. Eisqueuma vozsefazouvirdo fundo d'agua:- Podestranspor- 
me sem susto, que sou toda por igual ! Vai aquele que te chama, pois te 
sal varaeguiaralCoisa estranhalAqui, atea materia fala! N uncase viu isto! 

11. Animo-mepois, aatravessaro lago em direcaodaqueleamigo 
que, taoamavel mente, mechama. Vejo-teatrasdafiguradele, masnaoes 



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tao simpatico quanto de! Quem sera?Tenho vergonhademeapresentar 
nu, embora mai corpo nao mais apresente vestigios de molestia. Se ao 
menostivesseumacamisa. M as.., quefazer?Tenho deir mesmo assim!" 



50. A Alma Purificada Recebe Vestimenta 

1. Como Zorel fizesse pequena pausa, Zinka indaga: "- Como e 
possivel de ver tudo isto e ate atravessar a agua, quando se acha deitado 
como morto?" 

2. Respondo: "- Sua alma esta vislumbrando seu progresso, dai se 
formar no campo do sentimento urn mundo novo, eaquilo quedeno- 
minamosmovimento depensamento, apresenta-senaesferada alma como 
mudancade local. 

3. lago formado por suas lagrimas e que curaram sua psique, 
representa o arrependimento deseus pecadoseo banho, merecida peni- 
tencia e necessario ato decontricao. A agua pura aponta a nocao desuas 
falhas e o fato do lago se transformar em lagoa, demonstra a vontade 
firme de purificagao e a busca da cura pdo proprio esforco. A grama 
vicejante, no fundo d'agua, demonstra a esperanca pela aquisigao da sau- 
decompletaedaGracaDivina. Esta ultima erepresentada por M im, na 
outra margem, como Emanagao do Espirito Divino e da Vontade. 
caminhar pda agua da contricao edo arrependimento representa o pro- 
gresso da alma no campo desua regeneracao. 

4. Tudo isto eapenasficcao da alma, pdaqual reconheceseu estado 
verdadeiro eo queempreendeefaz para seu aperfeicoamento, isto, ex- 
clusivamentepela vontade, sem interferencia externa. Estateradesurgir 
quando Zorel seachar novamente integrado no corpo. 

5. D entro em pouco estara a M eu lado, prosseguindo na sua narra- 
gao. Sedeatentos, poistudo quedisser correspondera ao seu estado psi- 
quico. Surgira, ainda, muita coisa absurda ate que penetre no terceiro 
estado, isto e: natemporariauniaocom seu espirito. Entaoouvireispala- 



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vrassabias! 

6. Por ora, manifestou-se, apenas, sua alma momentaneamente 
purificada; no terceiro estado sonambulico, falara sai espirito! Seu inti- 
mo nao maisapresentarafalhaseseu discurso aquecera vossos coragoes! 
EisqueZorel seaproxima, dizendo: "- Aqui estou, nobreamigo! Que 
trajetoria dificil! N ao podes medar uma camisa? Envergonho-me dees- 
tar nu!" 

7. Respondo, visivel atraveso Meu Espirito eVontade: "- Podes 
deixar a agua, pois teras a vesti menta de acordo com tuas obras!" 

8. Diz a alma dele: "- Amigo, nao falesdeminhas obras, poissao 
todasmas. M inharoupagem sera entao, horrivelmentesujaerota!" 

9. DigoEu:"- Seasame,temosaguadesobraparatorna-lalimpa!" 
poe ele: "- h, seria o mesmo que alguem pretendesse clarear urn 
negrolTodavia, seratal vestimentamelhorquenenhumae, assim, prefiro 
sairdolago." 

10. A M eus Pes se acha uma toga pregueada, porem inteiramente 
suja, embora sua cor original fosse cinza esbranquicada, partial I aridade 
da vestimenta paga no Alem. Zorel apanha a toga com repugnancia, 
volta para a agua ecomega a esfrega-la ateconseguir clarea-la. 

11. Estando, porem, umida, naoseanimaavesti-la. Eu, entao, enco- 
rajo-o a fazer, lembrando-lhe deque nao se intimidara dianteda propria 
agua. Eleassim fazefalando em vozaltadiz: " - E verdade anteriormente 
nao me impressionei com o lago, por quedeveria temer a camisa umida?' 



51.0 Corpo Psiquico 

1. N esse instante, Zinka faz a seguinte pergunta, em pensamento: 
"Mas, entao a alma tarn bempossui corpo?" Tal indagagaosebaseavano 
conceitojudaico deser a alma algo devaporoso; poiscomo espirito puro, 
nao tern forma, muito embora seja constitui da de vontade e i ntelecto. 

2. Poristo, Zinka arregala os olhosquandoooutro Iheresponde: "- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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Por certo tern a alma um corpo, se ben que etereo, mas para da, este 
corpo etao real como a propria materia. Possui tudo queexiste no fisico. 
N ao te e possivel percebe-lo com olhos carnais, entretanto sinto, vejo e 
percebo tudo, pois a alma usa dos mesmos sentidos para o intercambio 
com o corpo. 

3. Os sentidos fisicos sao as redeas nas maos da alma pelas quais 
domina o corpo, na vida vegetativa. Seele nao os possuisse, seria intei ra- 
menteimprestavel eum peso insuportavel paraaalma. 

4. Imagina alguem, cego esurdo, destituido dequalquer sensagao 
fisica: qual seriaavantagem queusufruiriaaalmanum corpo assim do- 
tado?N ao sedesesperariaem seu estado consciencial?! 

5. De modo identico ela nao tiraria proveito dos sentidos fisicos 
maisapurados, senao ostivesseem seu corpo psiquico. Assim sendo, ela 
se apercebe, nitidamente, daquilo que o corpo percebe e assimila do 
mundo exterior. Dai teconvenceras possui r ela um corpo. 

6. Transmito-teesteconhecimento que poderas gravar em tua me- 
moria; eu, ao voltar ao estado anterior, nada saberei a respeito, por te-lo 
assimiladoapenascomapsiqueenaocom meus sentidos fisicos 

7. Se os tivesse percebido atraves dos sentidos fisicos, estes teriam 
gravado certas impressoes nos nervos cerebrais e no nervo vital do cora- 
cao, eminhaalmaosencontrariaereconheceriaquando novamentein- 
tegrada no corpo. Como no momenta meacho libertado do mesmo, 
nao podendo destarteinfluenciarseus sentidos, nada saberei depois da- 
quilo que vejo, ouco, falo esinto, eo quesepassa no meu intimo. 

8. A almatambem possui peculiar capacidadederecordagaoepode 
lembrar-se, minuciosamente, detodososacontecimentos, porem, so- 
menteem estado livre Achando-sesubmersa no corpo queaobscurece, 
ela registra apenas as impressoes grosseiras, abafando tudo quesejaespi- 
ritual. Desi mesma, nao raro, sabesomentequeexistesem sedarconta 
dospensamentoselevados, ocultosem seu intimo. 

9. Tambem es dono duma alma sem conhece-la, e isto porque se 
achatemporariamenteenvoltanacame Somente agora, depoisdeeu ter 
atraves de m i n ha voz, i mpressi onado os nervos da parte i nfero- posterior 



Jakob Lorber 

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da tua cabeca, e de tua alma a ter registrado, em sai centra emotivo, 
sabes, porela, que tens uma psiquedeacordocom teu pensarequerer, e 
possuir el a a mesma forma que teu fisico. 



52. A Alma de Zorela Cam in ho da Renuncia 

1. (Zorel): "Eis, quetal amigo mediz: "- Vem, Zorel, levar-te-ei 
para outra zona!" Cam in ho, pois, com eleatravesdeumaalamedades- 
lumbrantee as arvores securvam diantedele. Deveser muito elevado e 
grandeno Reinodo Espiritos, poisalgumas arvores seenvergam atequa- 
seaosolo! 

2. Tu, Zinka, nos acompanhas; tens aparencia nebulosa e nao te 
apercebesdo quesepassa. Q uemundo estranho! Ateaspropriasarvores 
falam edizem sussurrando: "Salve, 6 Santo dossantos! Salve, Rei dosreis 
de Etemidades em Eternidades!" N ao achas isto muitissimo estranho?! 
Todavia, agescomo seestefato fosse coisacorriqueira! 

3. amigo homenageado mediz nao seres tu mesmo quern nos 
segue, mas umaimagem detuaalma. Elaprojetacertasirradiacoeslumi- 
nosas; quando ati ngem nossa aura, adqu i rem forma de modo semel han- 
tea imagem queserefletissenafacedum espelho. Prova isto, nao estares 
caminhando, masflutuando aalturadesete pes. Agora compreendo por- 
que nao ves as arvores curvarem-se e nao as ouves falar! 

4. N este i nstante, a alameda se torna mais estreita e as arvores mais 
baixas; entretanto, a extraordinaria manifestagao continua. caminho 
setornamaisdificil, cheiodeespinhoseabrolhosemal podemosandar! 
N ao vejo o fim, embora o amigo afirmeestarmoschegando. h! Agora 
o solo estacompletamentejuncado depedraseespinhos, quasenosim- 
pedindodeprosseguir. 

5. Indago, entao, do amigo porque haviamos encetado tal trilha, e 
elemediz: "Olhaaesquerdaeadireitaquedescobrirasum marprofun- 
do! Isto aqui e o unico lugar firme, nao obstante perigoso e cheio de 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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espinhos, dividindoaomeioestesdoismaresimensos Eleuneomundo 
terreno ao grande Paraiso dos bem-aventurados Q uem la quiser chegar, 
devera percorre-lo." 

6. Tu, Zinka, concordats ser bem estranha tal resposta. Por isso 
indago novamente: "- No mundo tambem existem muitoscaminhos 
ruins, mas os homens procuram melhora-los Por que nao se adota o 
mesmosistemaaqui?" 

7. E o amigo responde: "- Por ser precisamente este espinheiro a 
protegao do cabo contra as ressacasimpetuosas. Suasvagasenormesnele 
sequebram eladeixam suaespumaque, poucoapouco,torna-sepedra, 
firmando esta parte importante. Este cabo chama-se H umildadeeVer- 
dadeBasica; ambastem sido, atehoje, semeadasde espinhos!" 

8. As palavras do amigo Zinka, levaram-me luz ao coragao, onde 
sinto se localizar uma forma, qual embriao no corpo materno. Esta luz 
aumenta mais e mais e deve ser a centelha divina no coragao humano. 
Que grande Bem isto mefaz! 

9. Continue ainda, caminhando na mesmatrilha; seus espinhos, 
porem,naomeconfundem nem me magoam. Agora sua densidadedimi- 
nui, asarvorestem o mesmotamanho anterior eseformanovaalameda. 
cabosealargacadavezmaisevejo, alongadistancia, umapaisagem mara- 
vilhosa, com montanhas verdejantes, onde surge a alvorada! Ainda nos 
encontramos na alameda imponente e as arvores frondosas continuam 
curvando-seem veneragao, sussurrando quaisharpas sublimes! 

10. Oh, Zinka, sepudessesvislumbrarestequadro!Continuas, po- 
rem, silenciosamente em nosso encalgo, no que nao tens culpa. M eu 
amigo, agora, afirmaque, em tempo, ser-me-adadaarecordacaodetudo 
isto; terei, todavia, desofrer em vida, as penasdestecaminho pedregoso. 



53. Zorel no ParaIso 

1. (Zorel): "A mi nha luz interna se intensifica e penetra todo o meu 



Jakob Lorber 

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ser!Quebem-estarindefinivelsinto!Vejoaluznaformadumacriangade 
quatroanosedeexpressaomui amavel. Deveserbastantesabiaesepare- 
cecom umaestampamaravilhosadoVerdadeiro Deusdosjudeus. E a 
copiafiel daVerdadeiraDivindade! 

2. C omego a reconhecer a Existencia de U m so D eus; e somenteos 
de coragao puro verao o Seu Semblante! Jamais me sera conferida esta 
Graga, poismeu coragao j a estava impuroITu, sim, amigo Zinka, pois 
nele nada descubro de macula, a nao ser a sombra e o fio pelos quais te 
achaspresoaomundo. 

3. So agora vislumbro, ao longe, o final da aleia. Do mar nao ha 
mais vestigios; por todos os lados se apresenta urn continente fertil e 
vicejante; jardinsemaisjardins! Pal aciose pal ados! M eu amigo meescla- 
receseristooParaiso. 

4. Mortal algum, ate hoje, penetrou no Ceu, pois nao foi ainda 
construida a pontequeestabelecea ligagao. Todos osjustos que viveram 
desdeo iniciodaCriagao, permanecem aqui com Adam, N oe, Abraham, 
Isaac ejacob. Aquelas montanhas sao as f rontei ras deste pai s maravi I ho- 
so. Q uem as galgasse, poderia vislumbrar o Ceu com a imensa falange 
dosanjosdeDeus, sem poderali ingressar, atequefosse construida uma 
passagem sobreo tremendo abismo. 

5. M ovimentamo-nostao rapidoscomo o vento. ser luminoso, 
dentro de mim, ja alcangou o tamanho dum menino de oito anos e 
ten ho a impressao de que seus pensamentos me atravessam qual raios. 
Sinto sua incompreensivel sublimidadee profundeza; todavia nao abar- 
co suasformas. D evem conter algo excelso ecada pensamento metrans- 
porta a extase indescritivel ! A Terra toda nao faz ideia do que seja, tam- 
bem nao Iheefacultada! Ela eum julgamento daG raga D ivi na, entretan- 
to, urn julgamento, ondeasGragassao parcamentedistribuidas 

6. Aproximamo-nos das montanhas colossais e tudo se torna mais 
encantador!Quemultiplicidadedemilagres!Nem mil anosdariam para 
descreve-los! Naquelas montanhas habitam pessoas de rara beleza, que 
todavia, nao nospercebem, entretanto, aspropriasarvorescumprimen- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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tarn o meu amigo! Q uepovo estranho! 

7. N esse instante alcancamos o cume de elevada montanha! M eu 
Deus, meu Deus, vislumbro la ao longeum horizonteclarissimo, onde 
deve comecaroC aide Deus que seestendeao Infinite! 

8. EntrecaelaseabreumabismomaiorqueadistanciaentreoSol 
e aTerra! A i deve ser construi da a ponte, o que para D eus e bem possi vd ! 

9. Agora meu duplo luminoso atingiu o mesmo tamanho queeu, e 
coisa singular, estou ficando sonolento e o amigo me ordena que me 
deite sobre a relva perfumada!" 



54. Relacao Entre Corpo, Alma e EspIrito 

1. D igo Eu: "Agora entrara no terceiro estado sonambulico, prestai, 
pois, atencao as suas palavras!" 

2. Indaga Cirenius: "Senhor, que se passa quando Zord adormece 
na relva quee, entretanto, invisivd? N ao poderia alcancar tal estado sem 
estefato?" 

3. Respondo:"- Sim,sesuaalmafossepura;masenquantoseacha 
presa ao corpo por varios lagos, preciso e que se de certo aturdimento 
quando entao etransportada a outra esfera. Aquilo quea alma deZorel 
viu edisse, em seu segundo estado deextase, era apenasficcao. Agora 
entrara navisao real etudoquedisserserarealidade." 

4. Prossegue C i ren i us: "- Q ue vem a ser o sono e como se processa?" 

5. Digo Eu: "- Jaquefazesquestao desabe-lo, responderei agora. Se 
usasumavestimenta, davivepdosmovimentosquefazes, istoe, submete- 
seatuavontade, assim como teusmembrosobedecem avontadeda alma. 
Ao tomares urn banho tirastua roupa, por desnecessaria. Encontra-seda 
neste periodo num repouso completo. Ao sairesdo banho, readquirira a 
movimentagao anterior evivera, decerto modo, contigo. Porquetedespis- 
teduranteo banho? Por ter ado tua roupa pesada, provocando-tepressao. 
Como tefortalecesteno banho, date sera levecomo pluma. 



Jakob Lorber 

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6. Q uando tua alma se tornou cansada efraca pela luta do dia, des- 
perta nela a necessidadedum repouso reparador. Despe, assim, sua rou- 
pagem fisicaesedirigeaum banho fortificantedeaguaespiritual ondese 
purifica erevigora. Alcancado isto, volta a sua vestimenta material, sen- 
do- 1 he fad I a movi mentacao de seus membros pesados. 

7. Por certo percebeste, atraves do relato de Zorel, ter surgido uma 
individualidade luminosa no coragao desua alma, estando ela na mesma 
conexao que existe entre alma e corpo. Tal i ndividualidade jamais havia 
recebido urn estimulo em sua alma, que representa sua roupagem. Re- 
pousava no coragao da psique, como o ovo no ventre materno, antes da 
fecundagao. Atraves deste tratamento especial, tendo por ve'culo a M i- 
nhaeapalavradeZinka, ogermen deorigem primariafoi pormomen- 
tos despertado evivificado, ecresceu ate que sua alma, isto e, sua vesti- 
menta, fosse preenchida pelo espirito. 

8. A alma, porem, muito embora purificada no queepossivd, con- 
tern certas particulas materials, demasiadamente pesadas para o espi rito, 
jamais treinado para suportareste peso. Esta individualidade espiritual, 
apenas artificial mente desperta eobrigada a urn crescimento forgado, e 
ainda muito fraca para carregar a alma e, portanto, avida de repouso e 
fortaledmento. Esteaparentesonodaalmanarelva, nadamaisequeo 
despir do espirito das particulas materi aisde sua alma. Conservasomen- 
te aquilo que Ihe e afim na psique, enquanto o resto tern de repousar, 
assim como o corpo descansa quando sua alma sefortifica, ou, quando 
tua roupa se acha inerte no momenta em que, por urn banho salutar, 
proporcionasalivio ao fisico. 

9. Todavia, perdura, durante esteestado, uma uniao com as partes 
maisgrosseiras. Se, porexemplo, alguem viesseduranteoteu banho ese 
apoderassedetua roupagem, a fim dedestrui-la, teu amor natural para 
com ela, protestaria contra tal usurpacao. Uma uniao muito maismtima 
existe entre corpo e alma, e quern tentasse, antes do tempo, rouba-lo e 
destrui-lo, seria mal recebido por da. 

10. laco que u neespi rito e alma, emaispoderoso ainda porquan- 
to da propria- mormenteemsetratandodumaalmapura- eumde- 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

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mento deorigem spiritual, eo espirito reagiria violentamentesehouves- 
setentativaderoubo. Imediatamenteseincendiaria, aniquilandotudo 
que dele seachegasse. 

11. A alma, no entanto, teradesedespojar detudo queseja materia, 
afimdequeo espirito possaseapoderar daquiloquenela Iheehomoge- 
neo, tornando-se assim urn "eu" perfeito. A parte material da alma se 
apresenta ao espirito, como roupagem da mesma. Lembras-te de que 
Zorel falava duma camisa impura por de lavada no lago, e que vestiu 
aindaumida?Tal roupagem epredsamentea parte externa da alma que 
necessita repousar, para que o espi rito nda penetre e a da se una. 

12. Esteprocesso sempre requer certo tempo, porquetudo perten- 
centeapr6priavidalivre(aima)deveentrarem uniao perfdta(matrim6- 
nio espiritual) com a entidade novae sublime, antesqueo novo homem, 
ou seja, a criatura renascida e munida dossentidos, possa surgir por con- 
ta propria. Esta transplantagao espiritual sefaz durante o sono, no qual 
Zord oraseencontra; chegadoestemomento,tudofoi fdto paraoaper- 
fdcoamento espiritual, nao mais necessitando de outro para sua subsis- 
tencia em espirito. 

13. Apenas pdo conhecimento, na perfdcao do puro amor e na 
sabedoria cdeste, em seu poder organizador, administrador e regente, 
existeum crescendo parao Infinitoecomoconsequenci a, fdicidadesem- 
pre maior. Zord dentro em breve se apresentara como espirito perfeito, 
transmitindodevivavozaquiloporquepassou!" 



55. Zorel Vislumbra a CriacAo 

1. Durante M inha Palestra com Cirenius, Zord permaneceu como 
morto. Em seguida, comegaasemexeretomaaexpressaotransfigurada, 
despertando grandeadmiragao aospropriossoldados, eum ddesdiz: - 
"Este homem seassemelhaaum deusadormecido!" 

2. Finalmente, Zord abre a boca e diz: - "Somente aqude que e 



Jakob Lorber 



perfeito reconheceDeus, amando-0 eadorando-0 !" Segue-seumapau- 
sa. Prossegue entao: - Todo o mai ser e luz e nao percebo sombra nem 
mesmoforademim, porquantoaluzmeinunda. E nestaprofusaolumi- 
nosavejo um facho radioso qual Sol, onde Se mostra o Senhor! 

3. Anteriormente, julgava ser meu amigo eguia, apenas uma alma 
humana como nos. So agora reconhego; nao Se acha comigo, mas 
vejo-0 naqueleSol. Inumerasfalangesdeespiritosflutuam aSeu redor, 
em circulosvariadoslQueM ajestadeindefinivellOh criaturas, verDeus 
e ama-Lo sobre todas as coisas e maxima ventura! 

4. Penetro, igualmente, nasprofundezasdaCriagaodo DeusUnicoe 
Poderoso. Vejo nosso planetacom todasas i lhaseconti nentes, aprofundeza 
dos mareseseus habitantes Q uevariabilidade infinita de seres! 

5. Percebo o trabalho dos pequeninosespiritos na formagao do rei- 
no vegetal, identi co ao constante labor das abelhas nos favos da colmei a, 
instigadaspelaVontadedoTodo Poderoso. Ele, quefoi meu amigoeguia 
na estrada espinhosa da minha provacao, ora habita naquele Sol 
imensuravel, dondeem ana Sua Vontade Infinita! 

6. Ele, somente, eo Senhor, etudotem desesubmeter a Sua Vonta- 
de; poisnadaexistequeseLhepudesseopor. Seu Poder tudo abrange e 
Sua Sabedoria e insondavel. Tudo no Espago I nfinito D elederiva, e per- 
cebo como irradiaforcassemelhantesaosraiossolaresna aurora, quese 
projetam em todas as direcoes; ondeum raio em algo toca, manifesta-se 
a vida, fazendo surgir novas formas. A forma humana e o final de Sua 
CriagaoetodooCeu, cujos limites somente Deusconhece, representa 
um homem, assim comocadacomunidadedeanjos, tambem eum ho- 
mem perfeito. 

7. Eisum grandemisteriodeDeus, e quern nao tiver alcangado o 
meu estado atual, nao poderacompreende-lo; poisapenaso espirito puro, 
provindodeDeus,assimilaoqueeespiritual,suaconstituigaoeoporque 
detudo. Nadaexistenolnfinitoquenaotenhasidodestinadoacriatura; 
tudo seconcretiza na necesadadetemporariaeeterna. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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56. A Naturezado Homem e Seu Destino Criador 

1. (Zorel): - "D ais M esmo e o H omem riginal mais Perfeito e 
Eterno; Sua N aturezaefogo, cujo sentimento eAmor; Luz, cujaemana- 
gao eSabedoria, euma projegao decalor, cujo sentir ea M esma Vida na 
esfera perfeita da Propria Consciencia. fogo setornando mais forte, 
intensifica, igualmente, a Luzeo Calor cri adores, projetando-seem todo 
o Infinite A Criagao assim surgida, assimilacadavez mais Luz eCalor, 
tornando-se apta a novas formagoes Tudo se multiplier projetado do 
Fogo, da Luz e do Calor originais, preenchendo o Espago. 

2. Tudo, portanto,seoriginadalndividualidadedeDeusesedesen- 
volveatesetornarsemelhanteao Espirito do H omem Original, perma- 
necendo, entao, em plena liberdadena forma humana. 

3. Ondesemanifesta luz, fogo e calor, apresenta-setambem o ho- 
mem, perfeito ou em iniciodesuacarreiraevolutiva. M ilhoesdeatomos 
se manifestam; os corpos isolados se atraem, transformando-se num de 
maior semelhanga a forma humana. Esteser projeta maior quantidade 
deluzecalor, ecom isto seapresenta necessidademaisfortedeProgresso. 
Imediatamenteasmultiplasformasrompem a membrana, sebem que 
em estado deevolugao, atraem-se e se enfeixam numa outra, atravesda 
substancia advinda de sua vontade, para a projegao duma criagao mais 
aperfeicoada. Este ato evolutivo perdura ate alcangar a forma humana, 
ondeora meencontro, sendo identico a luz eao calor originais, isto e: 
semelhanteaDeus,quevislumbronesteinstante em Sua LuzO riginal: o 
Fogo eo C alor plenos, - a Propria D ivindade 

4. Por isto, eo homem primeiramente homem por Deus, esode- 
pois, homem por sua propriaevolucao. Enquantoexistecomoemanagao 
da D ivindade, assemelha-sea urn embriao no ventrematemo; so quando 
aceita a rdem D ivina, torna-se criatura Integra, capaz de alcangar Sua 
Semelhanca. Atingido este estado, eele eterno como Deus, e criador de 
outrosmundose seres. E estranhoquevejatodososmeuspensamentos, 
sentimentosedesejos, recebendo urn involucroatravesdeminhavonta- 



Jakob Lorber 

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de. D este modo se efetua a C riagao ate ao I nf i nito! 

5. amor manifestado como calor necessita de polarizagao; quanta 
mais poderoso e este sentimento e sua producao de fogo e calor, tanto 
maiorsualuz. 

6. A exigencia do amor se expressa em imagens luminosas. Essas, 
porem, surgem e se desvanecem como os quadras que a fantasia gera, 
enquanto a pessoa se encontra de olhos fechados utras se apresentam 
maioreseinclinadasaprojegaodeestruturasmaisconcretas. Nacriatura 
renascida - meu estado atual - o pensamento efixado, porqueatingido 
pela vontade, recebe rapida membrana, nao sendo mais possivel alterar 
suaforma. Essa membrana dequalidadeextremamenteeterea, permitea 
infiltragao de maior calor e luz por parte de quem a projetou. Essa 
influenciacao aumenta luzecalor do pensamento original, comecando a 
sedesenvolver maisemaisesera, deacordo com asabedoriaeo conheci- 
mento plenoscoordenadaem todasasparticulasederivacoes. Umavez 
alcancando o pensamento sua ordem organica, comega a se manifestar 
vida propria econsciente 

7. E compressive! possaumaindividualidade renascida projetar, em 
taopoucosinstantes, um sem numerodeideiasepensamentos Q uerendo 
fixa-loscom sua vontade perdurarao e se desenvolverao, tornando-se fi- 
nalmente semelhantesaoseu criadorem sua maxima perfeigao, ondepro- 
jetaraoseussimilares, produzindo multiplicidadeinfinita, pela mesma for- 
ma projetada. Distojatemosexemplosconcretosnomundo material. 

8. Encontraisaauto-procriagao no reino vegetal eanimal, eatenos 
corposcosmicos. Todavia, tal procriagao e limitada: duma determinada 
especie de semente se reproduz um numero exato de outras. mesmo 
acontececom osanimais, isto e: quanta maior a especie, tanto maisredu- 
zida a prole. De modo identico no homem, e mais ainda nos corpos 
cosmicos. N o Reino dosespiritos, porem, nao existe limitagao no sentir 
e pensar. Sendo possivel a todo pensamento e ideia serem fixados pela 
vontade de quem os projetou, compreende-se, jamais terfim a procria- 
gao dos seres 

9. Tu, Zinka, indagas no teu intimo onde finalmente se localizara 



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nestecrescendo. Amigo, consideraapen as ser infinite o proprio Espago ese 
fosses eternamentecriar milhoesdesoisacada instante, estesgirariam de 
modo tao rapido pelo Espago, nele perdendo-secomo se nunca tivessem 
sido criados! N inguem compreendea Eternidadedo Espago Infinite, nem 
ospropriosanjos, muitoemboraestremegam diantedesuaprofundeza! 

10.VislumbrocomosolhosdaalmaoTododaCriagao!Todaessa 
nossaconstelagaocom suasinumerasestrelas, entreasquaisexistem gala- 
xiasquecomportam bilhoesdesoiseplanetas,- nadarepresentacompa- 
radaao ImensoTodo! Posso, todavia, afirmar haver algumas, cujodiame- 
troultrapassamilhoesdevezesadistanciadaquiaestrelamaislonginqua. 

11. Esses corpossao imensos, entretanto, apresentam-seatua vista 
como merospontinhosluminososlPoderiascriar urn bilhaodesoiscom 
seusplanetas, luasecometas, distribuf-losnessa nossagalaxiaquea pre- 
encheriam, tanto quanta uma gota d'agua aumentaria o mar. E bilhoes 
vezesbi Ihoesdegalaxias, tao pouco seriam percebidas no quediz respeito 
ao Espago, como bilhoes degotasdechuva no imensooceano. 

12. ObservaaTerra! Emboramilharesdecorregos, riosetorrentes 
caiam no mar, estedemodo algum eaumentado; calculao surgimento 
deinumerascriagoes, queelastambem seperderao no Espago Infinite. 
Por isto nao te preocupes com o possivel excesso de seres no campo da 
Criagao, poisno Infinite existeEspago Eterno eDeusebastantePodero- 
so, para prover sua manutengao e destine 



57. OsProcessosEvolutivosem a Natureza 

1. (Zorel): - "Afirmo-te, Zinka:Tudo quepensaste, falasteefizeste 
em tuas diversas encarnagoes e registrado no Livro da Vida. Trazes urn 
exemplar no cerebro de tua alma, enquanto o original se acha aberto 
diantede D eus. Q uando tiveresalcangado a perfeigao como ora meacho 
perfeito- saberasdetudoquesepassou contigo. Alegrar-te-ascom aqui- 
lo quefoi bom; pelo teu desvio da boa ordem, nao sentiraspropriamente 



Jakob Lorber 

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tristezacomohomem perfeitoquees; masreconhecerasagrandeM iseri- 
cordia eosSabios Desi'gniosde D eus Isto tefortalecera no amor a D eus 
e na maxima paciencia para com os irmaosfracose imperfeitos, que Ele 
encaminhara paratua protegao, aqui ou no Alem. 

2. Detaispensamentosregistradossurgirao,futuramente, novascri- 
acoesdevariadosmatizes Sao entreguesaofogo solar, afim dealcanca- 
rem certamaturacaoedepoisserem expelidosviolentamenteno Espago, 
ai alcangando, pouco a pouco sua emancipagao. N esses mundos recem- 
nascidossedesenvolvem,suce33vamente,muitosmilharesdepensamentos 
eidelascomoassementesdatadasnosolo-atravesdaforgagerminativa 
atuando em seu centra eservindo denucleo para a posterior formagao de 
seres minerais, vegetaiseanimais, cujas almas, maistarde, transformar- 
se-ao em almas humanas 

3. Tais mundos neocriados podem ser avistados, em maior parte, 
nas estrelas nebulosas e cadentes que rasgam a abobada celeste. Sua ori- 
gem derivadospensamentos, ideiaseagoesregistradosno Livro deD eus 

4. Por ai ves, que mesmo o mais leve pensamento - aqui ou em 
outros mundos- jamais se perdera. E osespiritoscriadoresdum novo 
planeta, surgido pelaVontadedeDeus, compreendem ser elesua propria 
obra, poisseencontram em estado perfeito, aceitando venturosamentea 
diregao, desenvolvimento, vivificagao completa ea organizagao interna 
daquele corpo cosmico e de seus futuros habitantes. 

5. Ao observaresnossa Terra, ves apenas a materia, enquanto quedis- 
tingo osseresalgemados, seu desenvolvimento progresavo em formasuteis 
e os inumeros espi ritos de varias categorias, numa atividade incessante 

6. Em cada gota de orvalho pendente na ponta duma erva, vejo 
miriades de seres se movimentarem! A gota d'agua e apenas a primeira 
manifestagaodum pensamento di vino. Ospequeninosespiritos(elemen- 
tos) nela algemados, isolam-se nu'a membrana peculiar e assim criam 
existenciamaisdefinidaebem diversa da original. Por esteprocesso desa- 
parece a gota d'agua, e suas formas neocriadas, espalham-se por sobre a 
planta. Ai se atraem, tomando forma diferente e cem mil se formam 
numa individualidade Esta eenvolvida em nova membrana que, pela 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

93 

influencia de luz ecalor, setransforma num organismo util para nova 
criagao. Eisqueesteser entra em atividade preparatoria para outra trans- 
formagao, maisevoluida. E assim e a atividade dum serjaencapsulado 
em qualquer forma para o preparo deoutra, maiselevadaeperfeita, afim 
deconcrdizarosdementospsiquicose, finalmente, a vidaespi ritual, na 
forma humana. 

7. Poderiarevdar-temuitacoisasobreaOrdem provindadeDeus; 
sinto, escoar-seo prazo dessemeu aperfdcoamento. Por isto acrescento o 
pedido deusaresdepacienciaquando voltarasero mesmo homem igno- 
rante e aborrecido, conduzindo-me ao caminho certo; pois nada disto 
que ora te revelei, ficara na minha memoria, no entanto, ser-me-a de 
grandeutilidade. 

8. Por certo, meu espirito, levado a perfeigao pdaforca, cansar-se-a 
desteestado insolito, manifestando pouco interesse. atual repouso, 
porem, fortifica-lo-a, despertando-o e fazendo com quesinta a necessi- 
dadedaverdadeira perfeigao davidaqueorapudesaborear, etudofara 
para o rapido progresso da alma em sua maturagao dentro da Verdade, e 
na capacidadejusta de unir-se ao espirito. 

9. N ovamente adormecerei por meia hora, finda a qual, deves fazer 
com queeu despertepdoaporem sentidocontrariodetuasmaos; umavez 
despertado, nao meddxesafastaratequetenhadescoberto o H omem dos 
homens, nesta mesa! Poiseo M esmo queora vejo no Sol do Reno Eterno 
dos Espiritos! Agradego-te pda caridadecom que metrataste!" 



58. Nao Julgueis! 

1. Apos estas palavras Zord adormece; Zinka, porem, exclama: - 
"Q ue revdagoes extraordi narias! Se tudo for verdade, teremos ouvido o 
queprofdaalgumjamaissonhoulEstoucompldamenteconfundidopda 
sabedoria deste homem !" 

2. ConcordaCirenius:- "Realmente, coisastaosublimesnuncafo- 



Jakob Lorber 

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ram imaginadas OsensinamentosdeMathael eram bem profundos; 
Zorel, porem, ultrapassa-o! Se Ihefossepossivd repeti-losem estado de 
consciencia, fa-lo-iasentar num trono, afim deque pregassea H umani- 
dadeos meiosneces5arios para a aquisigao da Verdadeira Vida!" 

3. D igo Eu: - "M uito bem, amigo C irenius! Por ora, eimprescindivd 
naooqueZord externou notercdroestadosonambulico, masquefutura- 
mente nao condeneis alguem so pelo fato de ser uma al ma doentia. Todos 
vos presenciastes habitar urn espirito numa alma mui enferma; seela for 
curada pelo vosso amor ao proximo, teres conseguido urn premio, queo 
mundojamaisvospoderaoferecer. Acaso seria possivd determinar o bene- 
ficio quetal homem renascido poderiafazer?! Isto sepassadespercebido ao 
vosso conhedmento; Eu, porem, sei quevalea penatal esforco! 

4. Por isto vosdigo: Sede sen pre miseri cord iosos para com oscrimi- 
nososepecadores; pois, so e possivel pecar uma alma doente, eo pecado 
e a consequencia desua enfermidade 

5. Q uem devospoderiajulgar ou condenar alguem pela infragao de 
urn dos M andamentos, quando todos vos achais sob a mesma lei?! 
M eu M andamento rezajustamente, que nao deveisjulgaro proximo! Se 
assim fizerdes, pecais, igualmente, contra M im. Como poderieis conde- 
nar alguem sesoispecadoresidenticos?! N aosabeisqueao impordesuma 
pena severa a vosso irmao, psiquicamente enfermo, tereis pronunciado 
vossa propria condenacao, duplicando suas penas a serem expiadas no 
Alem e, muitasdelas, aindaem vida?! 

6. Seentrevosexistepecador com funcao dejuiz, querenunciea 
profissao pois, pela condenacao aplicada ao semelhante, acarretara, para 
si, duplossofrimentos, dosquaisseramaisdificil selibertardoqueo reu. 
Poderia urn cego guiar outro a caminho certo?! u poderia urn surdo 
rdataralgosobreosefetosdasharmoniasdamusica?!Ou urn coxo pro- 
meter a urn semdhante: Vem, infdiz, levar-te-d ao albergue! - N ao cai- 
rao am bos dentro da vala?! 

7. Por isso gravai bem: N ao deveis julgar quern quer que seja, e 
recomendai isto aos vossos futuros discipulos! Pelo cumprimento de 
M inha Doutrina fares anjos das criaturas ou entao demon ios ejuizes 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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devosproprios. 

8. N o mundo nao existepessoa perfeita; quem, todavia, possuir maior 
compreensao de sentimentos e capacidade intdectual, deve ser guia e 
medico desais irmaosenfermos, eo forte devera amparar o maisfraco, 
do contrario ambossucumbirao! 

9. Proporcionei-vos exemplo nesse sentido atraves do relato de 
Zorel, afim dequepossaisreconheceroerrodecondenardesum cri- 
minosoavossamodalTalsistemaseraodominantenomundoedificil- 
mentesedestruira, completamente, o dragao datirania, tomando-sea 
Terra palco de provacoes para M eus futuros filhos; em vosso meio, 
porem, nao deve ele vigorar porque os C eus vos cumularam de frutos 
providos de fartas sementes. 

10. Seneste momenta saboreaisosfrutosdeM eu Zelo, naoesquegais 
lancarsuas sementes noscoracoesalheios para que colham com fartura. 
A maneira pela qual ocorre este fato vosfoi demonstrada nitidamente. 
Fazei o mesmo que sereis aptos a projetar nova vida, fazendo jus a V ida 
Eterna em sua plenitude! 

11. Agora chega o momenta em quetu, Zinka, devesaportuasmaos 
em Zord, afim dequedesperte; quando voltarasi, M arcuslhepoderadar 
urn pouco devinho diluido para revigorar seu fisico. Externando-se ele 
como dantes, nao vosaborrecaisetao pouco lembrai-lheo quedisseem 
estado deextase, poispoder-lhe-iacausardano fisico. Pouco a pouco podeis 
indicar-lhe M inha Pessoa; muita cautda, porem, pois urn choque ne 
sentido anularia todo esforco ate agora empregado!" 



59. Fe M aterialista de Zorel 

1. Zinka entao apoe suas maos em Zord e de desperta de pronto. 
M arcus em seguida Ihe oferece uma grande taga de vinho diluido que 
Zord tomacom avidez, pedindooutrotanto. Permito-osobcondicaode 
contermaisagua do que vinho. Assim refdto,Zord comegaanosobser- 



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var, um aum. N aotirandoosolhosdeM im, dizaposalgunsinstantes: - 
"Zinka, aquelehomem nao meeestranho equanto maisofito, maisme 
convenco te-lo visto alhures. D ize-mequem e!" 

2. Responde Zinka:- "E filhodum carpinteirode Nazareth eum 
curador habilidoso. Seu nomecorrespondeaseu carater, poissechama 
"Jesus", istoe: Salvador de al ma ecorpo. Seu Poderdevontadeeinsupe- 
ravel eseu Saber angelical!" 

3. DizZorel, em surdina: - "Istotudo nao meesclareceo motivo 
por quetenho a impressao deconhece-lo eter viajado em sua compa- 
nhia, todavia, nao merecordo dessefato. Explica-meisto!" 

4. Responde o outro: - "M uito facil; tiveste talvez um sonho, do 
qual apenastensumafracarecordacao." 

5. Diz Zorel: - "Podes ter razao, pois nunca vi aquele nazareno. 
Agora outro assunto; eu aqui vim para receber um auxilio do Prefeito. 
Achas que me atendera? Se nada tiver de esperar, poderias intervir em 
meu favor, fazendo com quemedispense. Q uefarei aqui?N ada meinte- 
ressadestacontrovergateosofica; poisminhafilosofiasebaseiaem a N a- 
tureza que se renova constantemente. Alem disto, defendo o ponto de 
vista deserem comidaebebida, osfatoresmaisimportantesparaavida. 

6. N o que diz respeito as artes e ciencias, nao sinto necesadade de 
aumentar meusconhecimentos; portanto seriatolo deminha parte per- 
manecer aqui para me i ntd rar deteses profundas, difundi ndo-asem outras 
plagas, tomando-me importante. 

7. Sinto verdadeira repugnancia pel as leis humanasqueapenasvisam 
cercear a I i berdade al he a, eseeu fosse mai si ntd igente, saberiadosmotivos 
detais injustigas, o que por certo nao aumentaria minhafelicidade 

8. Amigo, a pessoa quequisesseviver como dono detodasasmara- 
vilhasdomundo,teriadearcar com a miseria do proximo, eseustiranos 
bem mereceriam castigo severo. M asquem seriaseu juiz?! Aosmiseraveis 
interessaadestruigao, poisquandodeixam deexistir, leis, perseguicoese 
pen as, nao tern maisefeito! Eisminhaconvicgao, quedificilmentepode- 
ra ser contestada! N inguem pretendeouvir a Verdade; todosseenleiam 
em fantasias esejulgam felizes. 



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9. Intoxicai-vos, miseraveis, com o veneno da mentiraedormi sob o 
doce peso da loucura, se isto vos faz feliz! Deixai-me saborear o mai 
furto, que nada vos fago. Dai-medo vosso superfluo apenasaquilo que 
mefoi tirado pelo incendio. Se, como sempre, nada mepretendeisdar, 
permiti ao menos que me retire e colha alguns feixes de gravetos para 
aquecer-me como animal. Sequiserdesinfelicitar-memaisdoquesou, 
matai-me agora mesmo! Caso contrario, eu mesmo saberei faze- 1 o!" 

10. IntervemZinka:- "Emabsolutodevespensardetal modolPois, 
enquanto dormias, Cireniustomou asprovidenciasnecessariasem rela- 
gao ao teu futuro, mas isto, so depois de reconheceres ser falha tua con- 
vicgao ora externada. Aceita melhor orientagao, que seras feliz!" 



60. Zorel Critica M oral e EducacAo 

1. Antepoe Zorel: - "Tuaspalavrassoam bem amaveiseestou con- 
victo da tua sinceridade; mas.., que orientagao deveria aceitar?! Dois 
maisdoissao quatro, eeu seriatolo supor quefossem sete; portanto acho 
dificil mudarminhasconvicgoes. 

2. N inguem podera negar urn Poder inteligenteeeterno dondese 
derivam todasasmanifestagoesdevida. Quao ridiculo, porem, ascriatu- 
ras ignorantesadmitirem tal nipotencia numaforma humana e, asve- 
zes, ateanimal! 

3. Seosjudeustivessem permanecido em suadoutrinaantiga, teri- 
am finalmente, uma ideia razoavel da Divindade que denominam 
"Jehovah". Desvirtuaram-nacompletamente, superlotandoseustemplos 
com imagenseomamentosridiculoseospropriossacerdotespunem os 
fieisquenao aceitam taisbaboseiras. Acaso deveria eu metomar judeu, 
nestascondigoes?! 

4. Constaterem el esrecebido Leisda Propria D ivindade, cujo cum- 
primento seria o meio para a conduta certa do homem. D equeadianta 
proibirrouboefraudeaospobres, enquanto seludibriaefurtao proximo 



Jakob Lorber 

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como detentor do trono da G loria?! 

5. Seum pobrecoitado eforcado aseapossardaquilo queo rico tern 
em abundancia, eleechamado a responsabilidadeecastigado com rigor. 
legislador que pratica tais infragoesa toda hora, esta acima das leiseso 
acredita em seu lucro. Poderia tal conceito ter origem divina?! 

6. proximo nao me deveriaquerer aplicar aquilo que nao fosse 
de seu agrado, pois se a miseria me leva a mendigar e ninguem me 
atende, seria justo condenar-me se me aposso daquilo de que necessi- 
to?!Aindasefosselevadoaassim agir peloocio, alei seriaaplicavel; nao 
quequeira caluniar uma sabia lei, todavia nao consegueela melhorar a 
indole humana. 

7. Alem do mais, einjusta a lei de prisao contra a moral sem cogitar 
danatureza, tempo einclinacao do homem. Bastaconsiderarascircuns- 
tancias que, muitas vezes, influenciam ambos os sexos N a maior parte 
trata-se de pessoas sem educagao eorientacao. Alimentam-se, nao raro, 
decoisasqueestimulam seusinstintoseateconseguem satisfaze-los. 
caso setorna, porem, conhecido eo pecador ecastigado porter infringi- 
do uma lei divina! 

8. Tolosquesoiscom vossas leis! N ao seria ridiculo o jardineiro que 
principiasse a envergar as an/ores com toda sorte de estacas, apos terem 
alcancado certa altura? Assim sendo, por que Deus - ou Seu suposto 
profeta- nao proporcionainicialmenteuma educagao sabia, paradepois 
determinar o cumprimento deseus M andamentos?! Fala, Zinka, sete- 
nho razao em meu ponto de vista." 

9. Respondeeste: "- Nofundonaotepossocontestar,amigoZorel; 
todavia, asseguro-teexistirem coisasestranhasdecujarealidadenao fazes 
idea. Soquandotetiverescompenetradodoporque, reconhecerasquanto 
de bom everdadeiro repousa em tuasafirmacoes." 

10. DizZord: "- Externa-metuaopiniao caso nao Concordes." 

11. RespondeZinka:"- Distonaoteriamosproveito;melhorserate 
dirigires aquele homem que alegas conhecer; somente de te podera 
elucidar." ConcordaZorel: "- M uito bem; masafirmo-tequesuatarefa 
nao serafacil!" 



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61. EnganosMaterialistas 

1. Com tais pal avrasZ orel sedirigeaM im ediz: "- Nobresenhore 
mestrenaartedecurar!Estestraposnaomehonram,todaviamecobrem 
osmembros Deacordocom asafirmagoesdeZinka, estu apessoacom- 
petenteparameelucidar. Certamenteouvistemeusprincipiosbem fun- 
dados, que para mim representam averdadeplena; setefor possi'vel an- 
tepor algo melhor, ser-te-ei grato. N ao sei qual titulo devo empregar para 
teu tratamento; como homem de Bern que aparentas, tal nao te deve 
preocupar. Pego-te, pois, meorientes no quefalhei: teria o homem me- 
nos direitos que o animal, oqual, afim desaciarsuasnecessidadesnao 
hesita em setornar ladrao?" 

2. D igo Eu: "- Amigo, enquantocomparasteusdireitoshumanosaos 
de urn animal, estas plenamente certo; pois seria absurdo prescrever-lhe 
determinagoesmorais, sabendo-sesersuanaturezaseu unico legislador. 

3. Se, todavia, o homem existir por uma razao maisdevada - o que 
ate hoje nao te passou pela ideia, o quedemonstra estar tua inteligencia 
apenas interessada pelas necessidades mais inferiores, - teus principios 
matematicosnao seacham bem alicergados. 

4. Pelofato deter tidoohomem urn destino superior, pen sasestaro 
recem-nascidoem posigao inferior ao do animal, porquecomega apenas 
a setornar adultodepoisdealgunsanosdegrandescuidados?Teradese 
submeter a uma organizagao qualquer e conquistar seu sustento com 
grandeesforgo eabnegagao. Por estemotivo, tambem recebeu certas leis 
como primeiro guia para urn destino maior, considerando-as de livre 
vontade, em virtudedesuaemancipagaoedeterminagao individual, uni- 
cosmeiosquelhefacultam alcangarseu objetivo elevado, nunca, porem, 
comohomem-animal! 

5. Enquantotededicares apenas as exigenciasfisicas, nao faras pro- 
gresso como criatura; quando, porem, teaperceberes deque em teu inti- 
mo habita urn outro ser de necesadades bem di versasdasdo corpo ecom 
finalidade mais importante, nao tesera dificil reconhecer em que solo 



Jakob Lorber 

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arenoso sebaseiam teus principios! 

6. Conhecotua boa vontadeeoquanto tens investigadonaelucida- 
gao do porquedetodo mal, queenterra o G enero H umano. C omo sem- 
pre sentias um especial prazer em furtar, teus pensamentos procuravam 
justificar tal atitude. Tendo ado desde jovem amigo e apreciador das 
mulheres, a moral condenando o ato excessive aborreceu-tefortemente. 

7. Com taistendencias, tens razao em teus principios, assim como 
propugnasporumalei pelaqual todasascriancasdeveriam receber educa- 
cao, que Ihes incutissea ordem social detal forma, a Ihes impossibilitar, 
quando adultos, a infragao, - anulando, com isto, toda legislagao posterior. 

8. Tal ordem foi instituida pelo Proprio C riador dos mundos, seres e 
animaislCada animal recebeem suanatureza, ainda no ventre materno, a 
pre-educacao por ti exigida e nao mais necessita de outra, pois aquela ja 
encerra todos os pri ncf pios basi cos Aquelequecriou anjos, Ceus, mundos 
e homens, necessariamentedeveria saber o imprescindivel para educar as 
criaturas, afim desetomarem seres independentes, - enuncairracionais 

9. Se fores analisar teus principios de vida mais minuciosamente, 
chegaras a conclusao de ser a linguagem grande prejuizo por induzir o 
homem acoisasnocivas, poisa propria mentira nao seteria en raizado na 
H uman idade. Ate mesmo o pensamento e perigoso, levando as pessoasa 
maldadesehipocrisiaslFinalmentenaoconviriapossuiremoscincosen- 
tidos, tentacao constante contra a qual sedeve defender o homem! Ob- 
serva, pois,teu representantehumanodentrodeteusprincipioseindaga 
seexistediferengaentreeleeum polipo, com excegao da forma! 

10. Para quefim entao cogitar do destino elevado do homem? 
Qual seriaaeducacaoaplicavel aum polipo?Q uando chegariatal cri- 
aturaaoconhecimentodesi propria e do DeusVerdadeiro, da Causa 
detodasascoisas,todaLuzeBem-aventuranga?!Analisaaconstituigao 
sadiadum homem atravesdoteu raciocmiocritico, eacharasqueum 
ser tao sabio eartisticamenteconstituido, deve por fim, ter ainda outra 
finalidade, alem daquela de encher seu ventre dia-a-dia para depois 
tratar de expel i r seusexcrementos! 



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62. JustificAvel Protecao da Propriedade 

1. (0 Senhor): "- Alegas, como j ustif icati va para tej roubo, possu- 
i res direitos de posse a vista da situacao de penuria em que te encontras, 
nao sendo isto pecado contra a Lei de D eus D e fonte segura te posso 
afirmar, ter Jehovah considerado tal necessidadequando criou os M an- 
damentos, formulando aseguinte Lei: N aodevesimpedirqueo burro se 
alimente no teu campo durante o trabal ho, etao pouco amarrar a boca 
doboi quepuxaoarado. E aotransportaresosmolhosdetrigoparaoteu 
celeiro, deixa no campo asespigascaidas, afim dequeospobrescolham 
aquilo de que necessitam. Todos devem estar prontos para socorrer aos 
necessitadosesacia-losquandofamintoslEstaLei dejehovah demonstra 
ter Ele considerado, suficientemente, a pobreza. 

2. E maisquenatural naoserpossi'vel atodossetomarem proprieta- 
rios. Para os primeiros habitantes desta Terra, aindaerafacil suadivisao, 
pois nao havia dono. H oje em dia ela e habitada, mormente nas zonas 
ferteis, porgrandenumerodecriaturas Naosepodecontestaraposseas 
familiasque, delongadata, vem preparando o solo para o seu sustento, e 
sim, protege-las devidamente, porquanto ainda beneficiam centenasde 
outras, nao proprietarias 

3. Quern possui grandes terras necessitademuitoscolonos que vi- 
vem, como o dono, do seu produto. Seria aconselhavel possibilitar ato- 
dososmesmosdireitosdeposse?Q uem deveriacultivaroscampos?Cada 
dono de per si? E seeleadoecesse?Portanto, naoemaisviavel haver pou- 
cos proprietaries com celeiros e provimentos, do que proporcionar aos 
recem-nascidos o direito de posse, quando finalmente nao haveria meio 
de sustento? 

4. Continuo a indagar detua inteligencia matematica: Senao hou- 
vesseuma lei deprotecao a propriedade, quefariastu seoutrosviessem 
para tirar teu provimento, pornaosedisporem a trabal har? N ao haverias 
de indagar do motivo pelo qual nao providenciaram, em tempo, com o 
que seal imentar?E seterespondessem: Naotmhamosdisposigao para 



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tal ebem sabiamosqueosvizinhossemeavam! N ao achariasjusto aexis- 
tencia duma lei que punisse tal delito e os obrigasse a trabalhar, e que 
fosse devolvido teu estoque? Eisa exigencia da logical 

5. Se consideras teus principios matematicos como os melhores do 
mundo, fazeumacaminhadadealgumasleguasem diregao ao Oeste, 
ondeencontraras, nasimensasregioesmontanhosas, umaquantidadede 
terras sen dono. Lapoderastornar-teproprietario eninguem poraobs- 
taculos Podesatemesmolevaralgumasmulhereseempregados, organi- 
zando, naquelas regioes longinquas, um proprio dominio, e nao seras 
molestado nem daqui a mil anos. Somentealgunsursos, lobosehienas 
teras de liquidar, pois poderiam perturbar o teu merecido sono. Deste 
modo, ao menosconhecerasasdificuldadessem par com que os propri- 
etaries terao de lutar, ate que o solo seja trazido ao atual estado de pro- 
gresso. Comtaisexperiencias, tambemcompreenderasainjustigadeti- 
rarapossedosricos, afim deentrega-laaosladroeseinfratores. 

6. Como nunca foste amigo do trabalho e de favores, arrogaste o 
direito de roubar despercebidamente! Compraste somente o campo de 
duasfangas, com o casebre; isto, porem, com o dinheiro quedesviaste, 
em Sparta, dum comercianterico. N aquela cidadeo furto era permitido, 
quando feito com esperteza. H a muitosanos, porem, existem la, as mes- 
masleisdeprotegao a propriedade, desortequetuaatitudenao deixade 
ser um roubo. restantede teus bens, apanhasteem Cesareia Philippi e 
seusarrabaldes! 

7. Ai daquele, entretanto, quetetirassealgum objeto; enanar-lhe-ias 
teus direitos qual esbirro romano! u teria sido de teu agrado se outro 
vi esse col her osfrutosdeteu campo apen as por ser pobre?Portanto: aquilo 
que nao achasjusto para ti, tambem nao o e para o teu proximo! Sendo a 
situagao conformeteexpus, consideras aindateusprincipios como unicos 
e indiscutiveis?!" Zorel queda perplexo, convicto desua derrota. 



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63. Descendencia de Zorel 

1. Aproximando-sedele, Zinka, bate-lhenoombroediz: "En- 
tao, amigo Zorel, aceitarasou nao o auxilio deCirenius?Segundo 
meparece, tuasconviccoesvitais- no inicio tao boas- nao foram 
bem fundamentadas!" 

2. Respondede hesitando: "- Sim, o Salvador tern razao ereconheco 
mi nha tol ice C omo foi possivd a de saber isto tudo, e o que devo fazer?' 

3. Aconsdha Zinka: "- N ada mais senao pedir orientacao justa e 
agir deacordo; o resto ddxa por conta dosquetequerem socorrer." De 
pronto Zord cai a Mens Pes, pedindo-Meensinamentos. Eu, porem, 
indico-lheo apostolo Joao, o que muito o surpreende. 

4. Eu,entao, Ihedigo: "- Seumsenhorpossui variosempregadose 
servos, agira com injustica dando-lhe uma tarefa de acordo com suas 
capacidades?! N ao e preciso que meta as maos para que chegue a bom 
termo; basta o espirito do Senhor, que o trabalho sera concluido pdas 
maoshabdsdosservigais Vai, pois, aquelequeteindiqud endeencon- 
traraso homem acertado. La esta de, a cabecdra da mesa eusa urn man- 
to azul." 

5. Zord selevantaequando perto dejoao diz: "- Servo fid daqude 
sabio senhor! Pego-te me des o ensinamento que proporcione minha 
redengao, para que possa ser admitido no grupo dos que se chamam 
verdaddrascriaturas" 

6. Respondejoao: "- Receberas a Verdade em Nome do Senhor! 
Antes, porem, deves reparar todo dano cometido e prometer modificar 
tua vida; tens de devolver ao dito comerciante em Sparta, as duas libras 
de ouro! Alem disto, tens de renegar ao paganismo e tornar-te judeu, 
comofoi teu avo, descendentedalinha Levi. H aquarentaanossedirigiu 
para Sparta, a fim de revdar aos gregos, o unico DeusVerdaddro; dd- 
xou-se, porem, com toda famflia, convencer pdospagaos, inclusive tu 
mesmo. Teusdois irmaos, queainda vivem naquda cidade, tomaram-se 
sacerdotes, dedicando seusservicostolosa Apollo e M inerva. Tua unica 



Jakob Lorber 

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irmaeesposadum comerciantequenegociacom imagenseestampasde 
daises, ecom o meretricio. Eisteu cunhado, tambem judai!" 

7. Zorel esta completamente perplexo por Joao saber detudo que 
ele mesmo procurou ocultar; todavia, julga ter o apostolo andado pela 
Grecia, ondehaviasido informado detal fato. Por isto, vira-sedepressa 
parajoaoediz:"- Mas, porquecontasestascoisasdiantedetodomun- 
do?! N ao bastanosdoissabermosdisto?!" 

8. Retrucajoao: "- Acalma-te, amigo; poisseofizessepara prejudi- 
car-teem alma ecorpo, eu seria perverso ediantede Deus, pior queteu 
cunhado na Grecia. Devo, a fim de iniciar tua salvagao, denunciar-te 
peranteoshomens, para que naoaparentesaquilo que naoeslSeteque- 
res tornar perfeito, deves te por a descoberto e estar tua alma sem segre- 
dos. So quando tiveres afastado de ti, tudo que seja contra a ordem, 
podes comecar a trabalhar na tua perfeicao. Bern poderias te livrar de 
teus pecados pela confissao interna, e regenerar-te, de modo queteus 
semelhantestehonrassem, porquanto ignoravam teuserroseseguiriam, 
mesmo, teu exemplo! M as, secom o tempo fossem informadosdefonte 
segura, de teus grandes del itos, quao receososnao tedeveriam fitar?!To- 
dasastuasvirtudesseriam apenaspeledecordeiro, ocultando lobo voraz; 
fugiriam deti, apesardetodatuavirtuosidade. 

9. Por ai ves ser precise tambem evitar as aparencias, caso se quei ra 
ser perfeito; do contrario, nao sepoderia ser util ao proximo, dever prin- 
cipal do homem, pois, sem esteobjetivo, nao eposslvel imaginar uma 
sociedade realmentefeliz naTerra. 

10. Q ue beneficio teria a H umanidade com a perfeicao de alguns 
individuos, caso se mantivessem ocultos?!Teriam elesdesuportarades- 
confiancadetodos. Seteu semelhantechegar a saber quern realmentees, 
quais tuas atitudes anteriores, e tu comecares a modificar tua indole, 
reconhecendo o mal quefizestee repudiando-o com sinceridade, todos 
tecercarao de bragos abertos, amando-te como irmao bem intenciona- 
do. Desorte que deves primeiroconfessar tuas fraquezas, antes depode- 
resassimilar urn ensinamento melhor. M uito emborajatenhasconfessa- 
do alguns erros, ainda nao telivrastedetodos, eeu teauxilio nestesenti- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

105 

do, por saber queteras dificuldade para tanto." 

11. IndagaZorel:"- Mas, comopodes saber distotudoe quern me 
denunciou, pois, jamais tevi?" 



64. Passado de ZorelComoTraficantede Escravos 

1. D izjoao: "- N ao te aflijas por isto; quando tiveres alcangado a 
perfeigao, saberasdo porque. piorato deteu passado, consisteem teres 
sido mercador oculto de escravas da Asia M enor, entre doze e catorze 
anos, vendendo-as para o Egito e a Persia, sendo geralmente o destino 
dessasmogas, o mai s tri ste possfvel : eram vilipendiadaspeloseu compra- 
dor. Seao menos tivessem passado portal crime demodo natural, nao 
teria sido tao asqueroso; mas foram incrivelmente maltratadas em 
Alexandria, Cairo, Tebas e M enfis! Se te fosse possfvel ver como essas 
infelizes eram agoitadas pelos donos diabolicos, a fim de aumentar o 
gozo, tu mesmo teamaldicoarias- embora desprovido desentimentos 
humanos- porter levado umacriaturaasemelhantedesgraga, sem des- 
crigao, naexpectativado lucrodealgumasmiseraveismoedas! 

2. Q uantas maldicoes horrendas nao foram proferidas contra tua 
pessoa, quantas lagrimas de dor e desespero vertidas por tua culpa! I nu- 
meras dessas mogas pereceram em consequencia de atrozes sofri mentos! 
Todasdaspesam natuaconsciencialTuanegociataimundaassumiu gran- 
devultomormente ha tres anos passadoseonumero das infelizes ultra- 
passa o deoito mil! Como iras reparar este crime?! Q uetefizeram essas 
men i nas para que as i nfel icitasses de modo tao brutal ?!" 



65. ZorelTentaJustificar-se 

1. Profundamenteconfundido,Zorel secala. Depoisdelongapausa 
comega: "Amigo, senaquelaepocativessetido acompreensao destemo- 



Jakob Lorber 

106 

mento, podes estar certo de que nao me teria dedicado ao trafico de 
escravas! Sou cidadao de Roma e nao existe lei que proiba tal negocio. 
Ate aos judeus e permitida a compra de criangas quando eles nao tern 
filhos por queentao nao deveriam faze- 1 o outrospovoscultos, como os 
egipciosepersas?! Portanto, eram aquelasmocasvendidasapovosmais 
cultos e era de se esperar destino melhor do que aquele, que Ihes era 
reservado na propria patria. 

2. Vai aszonasdaAsiaMenoreencontrarasum mundodegente, 
mormentecriancas, quetelevam a indagarcomo podem subsistirsem se 
tomarem antropofagos! Asseguro-teque, decada vez que la cheguei, fui 
verdadei ramente assaltado pelos habitantes, que por alguns paes me en- 
tregavam urn ou doisfilhos, encantadoscom aminhavinda. Seeu com- 
prasse cem meninas, era ainda agraciado, com mais quarenta ou cin- 
quenta. M uitas, eu vendi aosessenios, quetambem prezavam osgarotos 
Osegipciospreferiam asmocinhas, em parte para otrabal ho, eem parte 
para sua propria satisfacao. Nao duvidohouvesse entree! es algunsobsce- 
nosquemaltratassem as escravas, mas nao eram muitos. 

3. Para a P erg a f oram poucas, elageralmenteeram compradaspor 
comercianteseartistas, onde, por certo, tiveram oportunidadepara ins- 
truir-se. Alem disto, vigora la uma lei pela qual os escravos conseguem 
sualiberdade, aposdezanosdeboaconduta. Essas, portanto, nao podem 
falar dedesgraga. Como ja disse, talvez no Egito nao passem tao bem; 
todavia, sua vida no lar em nada era melhor, pois sua miseria era tao 
cruenta, que se alimentavam de raizes e, por falta de roupas, andavam 
completamentenuas 

4. D esses nomades, chamadoszingarosna regiao do Pontus, eu emeu 
socio, compramos a maior parte de escravos Sao verdadei ras hordas sen 
pouso; habitam em cavernas e arvores, e pergunto-teseja nao ecaridade 
alivia-losdo peso desua prole dando-lhesem trocaalimento e roupas?! 

5. C ongderando o fato deeu ter livrado grandenumero depessoasda 
escravidao eda miseria para Ihesfacultar vida ordenada, facilmente se con- 
cluira, queadesditaporti mencionada nao foi tao grande Ainda assim, 
nao teria agido dessa maneira setivessetido a compreensao de hoje 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

107 

6. De mais a mais, digo-te confidencialmente - nao te querendo 
ofender em tua sabedoria elevada, ser bem estranho que Deus, deixe 
tanta gente desprovida de qualquer socorro! E nao seria de admirar se o 
expectadordetaissituagoesduvidasseda Existencia Divina. M eusprin- 
cipiosanterioresa respeito da protegao depropriedade, nao seriam pois 
detodoinfundados! 

7. Externe-teminhajustificativa contra tua severareprimenda. Fazeo 
que te aprouver; mas nao te esquegas que Zorel nao teme tua sabedoria. 
D evesconcordar existirem situagoeschocantes naTerra; por queuma pes- 
soa desfruta detodososbeneficiosemilharesvivem na maior penuria?!" 



66. OsAtosde Defloracao Praticadospor Zorel 

1. Dizjoao: "Sepretendesmedir a Sabedoria Divina pela do inte- 
lecto urn tanto desperto, tens razao em nao teme-La! Sendo Ela, toda- 
via, medida pela Eternidade, teus argumentos sao nulos! Deixemos, 
pois, esta controversial 

2. Confirmaste- como testemunha visual - a situagao deploravel 
dospovosciganosna Asia M enor, alegando teres praticado caridade, com- 
prando-lhesaproleabundante,edigo, queuma decima parte te compe- 
te neste ato humanitario. D escubro no fundo da tua consciencia algo, 
queanulaaquelacaridade,desortequeteresponsabilizopelascrueldades 
eduvido teu raciocinio poder justificar-te. 

3. Dequemaneirapretendesdesculparaviolagao,taoseguidamen- 
tepraticada?! N ao acharasum motivo razoavel, nao contraa Lei moisaica, 
mas contra a de Roma que pune este crime com severidade?! Acaso te 
teriam impressionadooslancinantesgritosdaquelasmeninas?E naofos- 
tecausadordamortehorrendadecinco mocas?Teu socio aindateapon- 
tou o prejuizo ocasionado, porquanto teriam dado o lucro dequinhentas 
libras, em Cairo, em virtudedasua beleza incomum. Amaldigoaste, por 
tal motivo, tua sensualidade bestial; nunca, porem, por te teres tornado 



Jakob Lorber 

108 

umassassino! 

4. Juntatudo isto, edize-mequeimpressaotensdeti mesmoesea 
capacidadedeteu raciocinio consegueachar umadesculpa para tais cri- 
mes! N ao podesquererafirmarque, como ignorante, naosabiasdiferencar 
entreo Bern eo mal; porquedemonstrastehapoucoasituagaocalamito- 
saem quevivem ospovosnomades, eatemedesafiasteparateexplicaro 
motivo por que Deus deixa que isto aconteca! Possuis, portanto, um 
sentimento dejustica ea nocao do Bern edo mal. Como tefoi possi'vel 
proceder de modo tao desumano com aquelas mocas? Procuraste, em 
seguida, trata-lascom teusrudesconhecimentos, prejudicando-asainda 
mais. Fala, pois, ejustifica-tediantedeDeusedoshomens!" 



67. Revolta de CireniusPelosCrimesde Zorel 

1. Completamenteaniquilado pelo sermao do apostolo, Zorel nao 
sabecomo se defender. Por mais que procure justificar-se, nao encontra 
saida em seu labirinto cerebral. Eisquejoao o aconselha afazer uso de 
sua verbosidade; o outro, nem sequer abre a boca. 

2. N isto, C ireniustambem revoltado, diz: "- Senhor, quefazer?N essas 
circunstancias, o homem caira nasmalhasdajustiga! Nossasleispermi- 
tem a compra de escravos com sua prole. N unca, porem, foi permitido 
vender - mormente as meninas - antes de alcancarem os catorze anos 
Isto e crime! 

3. Alem disto, devetodo negocianteestar munido de permissao do 
Estado, pagando caucao vultosa e imposto consideravel. Zorel e seu so- 
cio nada disto fizeram, o que positiva outro crime contra leis vigentes, 
querezam penadedezanosdeprisao. 

4. Acrescem, ainda, cinco violagoes que provocaram a morte das 
vitimas! utro crime que em circunstancias tao graves acarreta pena de 
reclusao, no minimo, dequinzeanos, ou mesmo a morte, precedendo 
todosessesatosa mentira, fraudeeroubo diversos! 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

109 

5. Senhor, conheces meus deveres de Estado e o juramento sobre 
tudo que me e sagrado. Q ue devo fazer? N o caso de M athael e seus cole- 
gas, a completa possessao meprotegia contra meusdeveres. Este, porem, 
e urn perverso perfeito e confesso! N ao serei obrigado a fazer uso de 
minhasprerrogativas?" 

6. Digo Eu: "- Compreendeque, sendo Eu aqui, casualmente, o 
Senhor etu estares preso a M im por juramento, do qual te posso livrar 
quando M eaprouver, sou Eu quedeterminooquedeveacontecer para a 
cura duma alma enferma. Alem disto, fizeste urn juramento aosdeuses, 
que nao existem em parte alguma, de sorte que nao te pode pesar na 
consciencia. So tern valor o juramento a M im prestado como prova de 
fidelidade; assim nao sendo, eslivredequalquercompromisso. 

7. Afirmo-te nao termos chegado ao final do exame deste homem; 
surgiraaindaalgo quetedeixara maissensibilizado! E umacriaturabem 
esquisita, quejadeviasconhecer pelo querevelou demodo geral em seu 
primeiro estado deextase, quando arrependido. A atual revelacao deseus 
atos, tern deser maisminuciosa; nao devesescandalizar-tepor isto, pois 
o permito, afim devosdesvendarumaalmatotalmenteenfermaeapon- 
taroremedioqueacure Expliquei-te, anteriormente, queseriaabsurdo 
aplicar relho eprisao a pessoa fisicamente enferma, por ter chegado a tal 
ponto. Quanta maisdesastrado nao seriaaplicar-sepunigao mortal, em 
vi rtudeda completa enfermidadeda alma! D ize-M e, M eu amigoC irenius, 
jaesquecesteo M eu Ensinamento, em virtudedeteu zelo?' 

8. RespondeC irenius: "- Isto nao, Senhor e M estreda Eternidade; 
apenassou levado a reagao quando deparo com urn criminoso empedemi- 
do! Ves, contudo, reconhecer rapidamenteo meu erroljaanseio pelo exa- 
medejoao, cujo saber e perspicacia Ihefacilitam tal tarefa. maisinteres- 
santeequeZord nadapercebe do mi lagre dejoao saber de seus pecados 
mortais, praticadosportoda parte, como seostivessepresenciado!" 

9. DigoEu:"- Prestaatengao,poisJoaooarguiradenovo."C irenius 
se cala. Eu ordeno as mulheres e mocas que se retirem para as tendas, 
porquanto o assunto so deveser ouvido pelos homens. 



Jakob Lorber 

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68. JUSTIFICATIVAS DE ZOREL 

1. A curiosidadedetodaseimensa; todavia, obedecem, dirigindo-se 
astendasdeOuran ondedeveriam ficarateserem chamadas. Em segui- 
da, prosseguejoao: "- EntaoZorel, ondeestaoteusargumentosastuciosos, 
com osquaistencionavasentrarem lutacom aSabedoriaD ivina?Fala, se 
ainda te restam palavras!" 

2. Responde, finalmente, Zorel: "- Que mais poderia dizer, pois 
sabesdetudo quefizem vida! Agi conformeminha indole, assim como 
o leao eo tigreestragalham tudo, por serem bestasselvagens! N essecaso, 
cabeaculpaaquelequeoscriou! 

3. Seexistem milharesdecriaturasmansascomocordeiros, por que 
nao sou igual aelas?Acasosou meu proprio criador?! Sea maldade fosse 
ditadapelaminhavontade, poderiacontestaratuasabiaassergao,poisos 
depoimentosdepessoasisoladas, naovalem como julgamento final, an- 
tesdeserem comprovados. Todavia, reconheco teu profundo saber, esei 
que visas apenaso meu Bern. 

4. Alem disto, tenso direito derelatar, deviva vozo quepratiquei, 
levadoporminhasinclinacoes. S6voscabematar-me, - eeu naotemo 
a morte Se ainda tens conhecimento de outras acoes escabrosas por 
mim praticadas, nao teacabrunhespor extema-las, pois, deha muito, 
perdi avergonha! 

5. Alem do mais, exageraste no caso dascinco mogas, culpando-me 
desua morte em virtudeda violagao, que, alias, foi apenasseducao. Para 
tantocontribuiu a recaidademolestia contagiosa etereu apen as lamen- 
tado o prejuizo monetario! Posso te apresentar varias testemunhas que 
ouviram osmeusrogosaZeus, para conserva-las com saude, poistenci- 
onava adota-las Como todo recurso aplicado, durante trinta dias, nao 
surtisseefeito, fiquei inconsolavel ejurei nao maistocar numa virgem e 
abster-medo trafico deescravas Assim fiz atea data presente; comprei a 
pequena propriedadenesta zona que, entretanto, foi devorada pelo fogo. 
Agora, falatu, sepronunciei uma inverdade." 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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69. Zorel, o Matricida 



1. D izjoao: "- N o inicio, erastal qual eu tefalei; masa respeito das 
mocasquepretendester apenasseduzido, proferisteu'a mentira! Somen- 
teaultimafoi tratadamenosbrutalmente, porquantotuasforcasseesta- 
vam esgotando!Podesnegaristo?!Calas-tedepavor!A molestia contagi- 
osa, precipitadora de suas mortes, foi por ti transmitida! Este capitulo 
esta encerrado; passemosa outro! 

2. Aquilo que ainda pesa na tua consciencia, nao se prende a tua 
vontade; todavia, existeo ato eseu efeito! Por isso, o homem nuncadeve 
agir levado pela raiva, porquanto suas consequencias seguem as acoes, 
como a sombra acompanha a criatura. Lembras-te, que mormente tua 
mae - pessoa compreensiva - te advertia de tuas atitudes e amizades 
perversas, equal tua reacao?" 

3. D izZorel: "- 6 deuseslTenho umafraca lembranca, sem contu- 
do poder precisar o fato! Sei, quejamaiscometi um crimepremeditada- 
mente; semedeixei arrastar pela ira, tenho disto tanta culpa, quanto um 
tigre por ser um animal selvagem!" 

4. D izjoao:"- lstodiscutiremosmaistarde;naquelaocasiaopegaste 
duma pedra arremessando-a contra tua genitora eatingiste-a na cabeca. 
Desacordada, elatombouITu, porem, ao invesdesocorre-la, apanhaste 
as mencionadas libras de ouro efugiste para ca, num navio de piratas, 
tornando-te corsario por varios anos, epoca na qual comecaste o trafico 
de escravas Pouco tempo depois, tua mae faleceu em virtude do feri- 
mentoedesgostosa por tua causa. D esse modo, ainda te pesa na consci- 
encia o matricidio praticado, ecoroandotodos esses crimes, acompanha- 
tetremenda maldigao deteu pai edemais irmaos! Acabo, assim, dete 
revelar por completo; que medizescomo homem inteligente?' 

5. Conclui Zorel: "- Quepoderia alegar? N ao posso desfazer o que 
fizeatardiacompreensaodomeu passadocriminoso, denadaadianta! 
arrependimento ea melhor boa vontade em querer reparar um dano, 
seriam tao ridiculos como pretender-se fazer voltar o dia que passou! 



Jakob Lorber 

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Bern, possodeoraem diantemetornarum homem diferenteedeboas 
intencoes; meu passado, nao meepossivd remover!" 



70. ZOREL JUSTIFICA SUASTENDENCIAS 

1. (Zorel): "- Nasci com genio irascivd! Ao invesdeseramenizado 
por uma educagao meiga e razoavd, tratando do desenvolvimento inte- 
lectual, fui cumulado de toda sorte de castigos. M eus pais foram meus 
pioresalgozes,conseguindofazerdemimumtigre. Naotiveculpadisto, 
porquanto nao pude escolher meus genitores antes de ser concebido e, 
uma vez nascido, nao podia discutir a respeito da minha educagao. 

2. Considero teu conhecimento geral, enao duvido quepossasjus- 
tificar-mediantedeperspectivastais. Entreosjudeusaparecem, dequan- 
do em quando, pessoas obsedadas, como tive oportunidade de verificar 
ha bem pouco em Gadara. Aqude homem era urn verdaddro demonio e 
o pavor da redondeza. Se fosse possi'vel livra-lo deseu algoz, qual seriao 
juizcapazdecondena-lo, emvirtudedeseuscrimesanteriormenteprati- 
cados, i nstigando-l he arrependi mento e pen itenci a?! 

3. Suponhamos que uma pedra enorme se desprenda do morro, 
matando casual mente vinte pessoas Q uem seria culpado desta calami- 
dade?Com todaatuaintdigencia, nao podesquerer atribuir aculpa a 
rocha quesedespencou do alto. Assim sendo, tentajulgar-medentro da 
logicaenao com o capricho datua intdigencia. Se homem, como eu!" 



71. ClRENIUSSE ADMIRA DA ASTUCIA DE ZOREL 

1. RefletindosobreaspalavrasdeZordJoaoasconsiderabemfun- 
dadas e se dirige no intimo a M im, para saber como prosseguir nessa 
controversia, cujasredeaslheescapam. Respondo, pois, ajoao: "- Da- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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Ihealgum tempo; em seguidateinspirarei oquedizer." 

2. Cirenius, quehaviaacompanhado a justificagao deZorel, diz: - 
"Senhor, confesso ter este homem urn caratertodo peculiar, etenho im- 
pressao queteu sabio apostolo foi levado a meditar. Eu, por exemplo, 
nadamaissaberia alegar eteriadeabsolve-locomojuiz. Naocompreen- 
doondefoi buscartal astucia, poisnaopossui educagaoalguma. Comoe 
isto possivd?" 

3. Respondo: "- N aoedetodo inculto, poisosgregossaoosmdho- 
res advogados de Roma. C onhecedores da severidade das leis romanas, 
estudam-nas a fundo, a fim de que possam estar aparelhados, quando 
chamadosa responsabilidade, em virtudedequalquer infracao. Pessoas 
intencionadasem ludibriaro Estado, seintegram deseusdireitoseda 
fi losofia de sabios diversos E Zord pertence a tal classe. 

4. Antes do sono sonambulico, nao teria sepronunciado com tanta 
astucia; em sua alma aindaperduracertavibragaodeseu espirito, levan- 
do-a a criticas tao acerbas Q uando se integrar novamente na sua esfera 
anterior, sera menos provocante. A atual arguigao fa-lo maisastucioso, o 
que permito, especial mente, em beneficio de M eus discipulos, que po- 
dem assim saborear uma boa dose de astucia humana. N ao obstante 
serem criaturasmuito humildesedecoragoescompreensivos, sao, devez 
em quando, acometidas de presungao; a experiencia com Zord e-lhes 
urn bomensinamento. 

5. Joao ja me confessou intimamente o fracasso de seu saber, e os 
outros meditam sobretal possibilidade. Ddxo quecontinuem em tais 
conjeturas, para que cheguem amaisprofundasconclusoessobresi mes- 
mos M aistarde, estimular-lhes-d. Zord ainda Ihes dara o que pensar. 
Agora ird novamente inspirar a Joao; prestai-lhea atengao devida." 



72. Joao, Bom Conselheiro 

1. Apos breve intervalo, Joao se dirige a Zord: - "N o fundo, nao 



Jakob Lorber 

114 

posso contestarteusargumentos; apenasnao seaplicam a tua vida, por- 
quanto tua alma japossui nocoesdejusticaecapacidadedejulgamento. 
Pecaste contra tai conhecimento econsciencia; obteraso perdao, unica- 
mente, pelo arrependimento ea penitencia, tomando-te, entao, agrada- 
vel aDeus. 

2. Para te tornares homem de Bern, deves reconhecer teres sido o 
unico responsavel pelosatoscriminosos; assim sendo, confessaras, tam- 
bem, nao ser justo culpar aoutrem, poisagiste, conscienteecontraria- 
mente, astuasconviccoes. 

3. Se tivesses agido dentro da supersticao, como base de tua vida, 
nao seriasjulgado pelosteusatos, - mesmo sendo osmaisperversospos- 
siveis- cabendo-tea mesma absolvigao dada a rocha eao tigre, tornados 
como exemplo para justificar tua atitude. 

4. N este caso, seria preciso ensinar-te a verdade, guiando-te neste 
caminho. E sealguem assim instruido, recaisseem seus antigos erros, 
pecaria contra sua propria con viccao, atirando sua consciencia numa in- 
quietagao tremenda. Portanto, servem tuas comparagoes somente para 
aquelesquejamaisreconheceram algo como verdade. A vozdeteu inti- 
mo sempre te condenou; tu, porem, procuraste abafa-la com falsas ra- 
z6es.Tambem eraslevado ao remorso, mas nao conseguisteo arrependi- 
mento nem penitenciar-te. 

5. Porisso, Deuspermitiu quecaissesem grandemiseria. Perdeste 
tudo, eteu socio teabandonou eseachanaEuropa, ondegozaavidaque 
osgrandeslucroslheproporcionam. Agora, encontras-teaqui aprocura 
deauxilio, quereceberastao logo procures agir dentro do Bern eda Ver- 
dade. E tal auxilio sera, entao, eterno. 

6. Persistindo naquilo que consideras - tanto quanta eu - falso e 
perverso, seras miseravel em vida eo queteespera no Alem-tumulo, teu 
pr6prioraciocinioteesclarecera,seconaderasseravidaterrenaasemen- 
te, e a outra, o fruto eterno! 

7. Se plantares uma semente nobre e boa no jardim de tua vida, 
colherasosfrutosdeacordo; lancando cardoseabrolhosno solo, teraso 
resultado correspondente. Por certo nao ignoras que cardos e abrolhos 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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nao produzem figoseuvas! D emonstrei-teo quedevesfazer no futuro e 
minhaspalavrasnao constituem critica. Considera-as, portanto, quete 
garanto como amigo, nao teres motivo para arrependimentos!" 



73. A DUPLA VONTADE DO HOMEM 

1. RespondeZorel: "- Teu conselho muito meagradou emeesfor- 
garei por fazer o que me explanares como homem de bons senti mentos 
Caro amigo, agorameconhegoafundo: meu fntimo nao meparecedos 
piores; minha came, porem, acha-se pervertida por completo. Se fosse 
poss(veldespir-medetodasasmastendendasdaalma,eencobrirogermen 
vital com algo melhor, eu seria urn homem de Bern; mas com minha 
atual constituicaofisica, nadasepodefazer. N aosou maisacriaturamal- 
dosadeantanho; jamais, porem, possoconfiarnaminhacame. E deveras 
estranho, nunca ter sido levado pela vontade nas piores situacoes. Fui 
como que atraido por acaso e sempre acontecia o contrario de minha 
vontade. Podesexplicar-metal fenomeno?" 

2. D izjoao: "- homem possui duasespeciesde vontade: uma, na 
qual o conned mento da verdade pouca influenciatem; outra, em queo 
mundo dossentidos, com suasexigenciasatraentes, exercegrandepoder, 
atraves de variados habitos Se o mundo exterior te apresenta urn bom 
bocado, com a possibilidade dde te apossares, a inclinacao comeca a 
influenciar no potencial da vontade do coracao; seo con heci mento da 
verdade tenta intervir, pouco exito tera, porquanto a atracao mais forte 
sempre sairavencedora. 

3. A todososmomentosdevemanifestar-secom firmeza a vontade 
de querer veneer, sem temer o que quer que seja. D eve desprezar com 
indiferenca estoica todas as vantagens do mundo e seguir o caminho 
iluminado da verdade, mesmo a custa da propria vida. Com isto, avon- 
tadefraca do conhecimento toma-seforteepoderosa, dominando a ten- 
dencia para o gozo. Assi m fortif icada, f i nal mente, da se i ntegra por com- 



Jakob Lorber 

116 

pleto na Luz da vontade espiritual e a criatura alcanca sua unificacao, 
importancia imprescindivel para a perfeicao da individualidadeeterna. 

4. Senao consegues equilibrar pensamentosesentimentos, como 
podesafi rmar teres encontrado a verdade em sua prof undeza?! Aparentas 
nestecaso u'amentiraque, perto da verdade, podesercomparadaanoite 
em relacao ao dia. Em tal treva nao se vislumbra a luz, isto e: o homem 
vivendo na mentira, nao podediscernir a verdade; eis por quea redea da 
vontade do conhecimento etao fraca nas pessoas mundanas, a ponto de 
ser vencida pela mais leveatracao dossentidos. 

5. A influencia dossentidos, conseguindo veneer a vontade do co- 
nhecimento, ocasionaumaconcentracao nastrevasdaalma, etal criatu- 
ra eespiritualmentemortaecondenada por si propria, nao mais poden- 
do achegar-se a Luz, a nao ser pelo fogo com que incendeia a materia 
grosseira, causa desuaspaixoe&Todaviaosdementospsiquicossao mais 
renitentesqueosdo corpo, fazendo-senecessario urn fogo poderoso para 
destrui-los. 

6. Noentanto,aalmanaosesubmeteatal purificacao dolorosa, por 
amoraverdadeou a Luz, etratadelasfugir, levadapelatendenciadegozo 
edominio; quern, pois, nestemundosepoativounaignorancia espiritu- 
al, esta eternamente perdido! 

7. Somente aquele que venceu, pela vontade luminosa, as suas ten- 
dencias e paixoes, concentrando em a Luz e Verdade, tornou-se pura ma- 
nifestagao da vida espiritual. Para tal fim epreciso - conformejatefalei - 
renunciaverdadeiramenteestoica; naoaquela, orgulhosa, deD iogenes, que 
sejulgava superior ao Rei Alexandre em seustrajesdourados, masarenun- 
cia humildede Henoch, Abraham, Isaac ejacob. Seo conseguires, teras 
ajuda temporaria eeterna. N ao podendo pela forga do conhecimento da 
Verdade, estaras perdido material eespiritualmente. Creio, porem, seres 
capazdetanto, poisnao tefaltam compreensao e conhecimento." 



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74. A Naturezade Deuse Sua EncarnacAo 

1. DizZorel: "- J a que o afirmas, minhavontadeepatentelSe, 
ao menos, pudesse ficar por algumas semanas em tua companhia, 
parameajudares!" 

2. Dizjoao: "Setomasteafirmeresolucao de regenerar-te, perma- 
neceras entre homens tao equilibrados quanta nos, no convivio direto 
com a Luz do G rande D eus Vivo!' 

3. D iz Zorel: "- Q uem vem a ser vosso deus?' 

4. Respondejoao: "- Estarespostateseradadaquandoteuniresa 
teu espirito; agora nao adiantariadar-teexplicacao, porquanto nao aen- 
tenderias Para que tenhasumaideia,adianto-teapenasoseguinte: Deus 
U nico eVerdadeiro e, em Si, o Espirito Puro eEterno, munido do maxi- 
mo graudeConsciencia Propria, da Sabedoriamaisprofundaelumino- 
sa e da Vontade Positiva que tudo cria. 

5. DeuseoVerboemSi eoProprioVerboeDeusO VerboEtemo 
tomou came, veio ao mundo parajunto dosSeus, quenao reconhecem a 
Luz que veio as trevas. Por este motivo, a Luz sera tirada dos filhos de 
Deuseentregueaospagaos. EstesestaoaprocuradaVerdade, enquanto 
os filhos da Luz delafogem, comooscriminososseesquivam dojulga- 
mento. Tal e a razao porque Ihes sera tirada e transmitida aos gentios, 
conforme ora acontece 

6. Em Jerusalem, habitam os filhos da Luz riginal, desprezam a 
VerdadeprovindadeDeus, entregando-semaisemaisastrevas, amenti- 
raeassuasobrasperversas. Ospagaos, porem, peregrinam pelo mundo 
afora a procura da Verdade, alegrando-se sobremanei ra quando a encon- 
tram, e prezam no coragao o D oador da Luz, pelas boas acoes. 

7. Observa esta consideravel multidao: na maioria e paga, que a 
busca da Verdade aqui a encontrou; enquanto quejerusalem, a C idade 
do Senhor, enviou carrascosparaabafarem aLuzlTaismensageiroseram, 
todavia, maisesclarecidosqueseussuperiores: aproximaram-sedaLuze, 
com alegria, permaneceram com Ela. Se bem que A prenderam, nao o 



Jakob Lorber 

118 

fizeram para os carceres de Jerusalem, mas para si proprios, para seus 
coragoes, tornando-senossosirmaosna LuzdeD eus, regozijando-secom 
Aquelequeaemanou. 

8. Viesteaqui como pagaa nao para encontrares luz para a noitede 
tua vida, e sim, ouro e prata. M as quern sai da prisao a luz do Sol, nao 
podeimpedirquesejailuminado. mesmosedeucontigo:fosteinspi- 
rado pela luzdo Sol espiritual, queiluminou o Infinito com todaaSabe- 
doria, para queos seres inteligentesdetodos os mundos, possam pensar 
equerer deacordo com tal Luz. 

9. Deixa, portanto, queElateinspirecerebroecoragao, poisame- 
nor fagulha te fara mais feliz que a posse de todos os tesouros da Terra. 
Procura o Reino da Verdade, quetodo o resto tesera dado por acrescimo 
enadamaistefaltara!" 



75. ClRENIUS CUIDA DE ZOREL 

1. ConcordaZorel: "- Amigo, tensrazao; osatospraticadosna ig- 
norancia nao frutificam. Atraves tuas palavras misteriosas que me 
elucidaram bastante, percebi que vivo numa noite de trevas Setefor 
possivd interceder junto deC irenius, pede-lhequemearranjeum man- 
to vdho, poisnestestraposnao meatrevo aficar convosco." 

2. C irenius chama urn lacaio e Ihe ordena trazer de sua bagagem, 
camisa, toga e manto. Em seguida, diz a Zord quefaca uso das roupas 
paraapresentar-se-lhe, maistarde. Em poucosinstantesvoltaZord, bem 
arrumado,ediz a C irenius: "- DeusVerdaddroeEternote recompense; 
pois vestiste urn desnudo, obra de caridade que nao mereco. J a que so- 
mostodosSeusfilhos, apenasteposso agradecer, pedindo quemeaceites 
como servo, e meu terreno, como presente." 

3. RespondeC irenius: "- campo nao tepertence earn aqudede 
quern tirasteo din hero; por isso, vende-lo-emos, eso depoisde restituida 
aimportanciaaodonoou aseusfilhos, poderastetomarmeu empregado." 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

119 

4. D izZord: "- N obresenhor, farei o quequiseres, somentenao me 
abandones Assim como medespi demeustrapos, despir-me-ei demeu 
velho "ego" para tornar-me outro. Desejo remir meus crimes nos dias 
quemerestam! 

5. Se tivesse encontrado quern me elucidasse, conformefezjoao, 
nunca teria caido em vicios tao abjetos; assim tive que me guiar pelo 
proprio raciocinio enao necessito repetir meuserros. Se, portanto, mise- 
ricordioso e da-me oportunidade para trabalhar. Sei ler e escrever e co- 
nhego a H istoriadospovos, ateadata presente Alem disto, decorei todo 
H erodoto e as C ronicas dos judeus, persas e babilonios." 

6. Conclui Cirenius: "- Sobre isto falaremos maistarde; por en- 
quanto volta para junto dejoao edeixa queeleteoriente" 



76. Segredo da Vida Espiritual 

1. Joao o recebe com carinho e pergunta como se dera na compa- 
nhiade Cirenius; eZorel responde: "- Isto poderasdeduzirdeminha 
vestimentalSinto-meotimamentebem com estastrespegaspresenteadas 
por C irenius. M eu estado intimo, porem, nao correspondeao externo e 
ficariaetemamentegrato a Deussemepudessetransformar. Dize-meo 
seguinte: quern voselucidou, poissoishumanoscomo eu, entretanto me 
destes provasduma forga espiritual, que ultrapassa tudo que ate hojevi ." 

2. Respondejoao: "- M inhaexplicagao pouco proveitotetraria; se 
fizereso quetedisser, encontraraso ensinamento dentro deti mesmo e 
teu espirito despertado, fortificado por Deus, guiar-te-a para o caminho 
daVerdadeeSabedoria. Sepretendesaprender u ma arte, tens deprocu- 
rar urn artista para quetemostrea maneira pela qual executa seustraba- 
Ihos. Em seguida, tensdeteexercitar, atequeteassemelhesateu mestre 

3. Sequeresaprenderapensar, deves procurar urn filosofo, quete 
demonstraracausaseefeitos, levando-te, porexemplo, asseguintescon- 
clusoes: a agua sendo liquida, facilmente pode ser movimentada e de 



Jakob Lorber 

120 

acordo com seu peso tende a correr para as profundezas; a experiencia 
nosensinaexistirum pontodeatracao naTerra, para ondetudo conver- 
ge pelaVontade I mutavel doCriador, Vontadeestaqueexerceseu Poder 
em toda a N atureza. 

4. M esmoalcangandoaprofundezadomar,aaguacontinuamaleavel, 
embora cesse sua movimentacao. Se uma forte ventan ia soprar por sobre 
a superficie, fazendo com quese levantem asondas, esta movimentacao 
daagua nada maisequesuatendencia para calma, quefacilmentepode 
ser posta fora de seu equilibria 

5. Deducao: quanta maisliquido urn corpo, tanto maioro seu empe- 
nho para a calma. Q uanto mais manifesta tal tendencia, tanto mais facil 
agita-la. Por esteexemplo deduzirascomo seaprendea pensar numa escola 
de Fi losofia, e quais as deducoes alcancadas dentro de causa e efdto. 

6.Taispensamentosgiram em torno dum circulo sem saida, epou- 
co ou mesmo nada, adiantam ao homem, o quediz respeito a sua vida 
espi ritual. Se, portanto, so tee posslvel aprenderaartecom urn artista, o 
pensar racional com urn filosofo, so poderasap render a pensar espiritual- 
mentecom urn espirito, isto e: detua propria centelha divina. Unica- 
mente o espi rito podedespertaro espirito, poiselereconheceseu seme- 
Ihanteassim comoum olhoveeobservaoutro. 

7. espirito ea visao daalmacuja luztudo penetra, por ser uma luz 
fntima e purissima. Ves, portanto, como se processa o ensino dos mais 
variadosassuntoseser preciso urn professor apropri ado, caso nao sequei- 
ra permanecer urn eterno diletante. A pessoa quetenha achado tal mes- 
tre, tudo deveempenhar para cumprir osensinamentos recebidos. 

8. Q uando teu espirito despertar, ouvirassua voz como pensamen- 
tosluminosos, no coragao. Devesconsidera-loseorganizartua vida den- 
tro de tais principios, e criaras para o teu espirito, urn ambito de acao 
sempremaior; assim crescera dentro deti, atealcancarafigurahumana, 
penetrando tua alma e teu corpo. 

9. U ma vez quetenhaschegado a esteponto, serascapacitado como 
nos, nao somente a ver e reconhecer o que e comum as criaturas, mas 
tambem coisasquelhesejam insondaveis, conformeobservastecomigo; 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

121 

pois, sen nuncateter visto, puderdatartodososteussegredos. 

10. Acabo dedar-teuma pequena provada realidadedascoisasespi- 
rituais. Contudo, de nada te adianta; preciso e saber o necessario para 
despertaroteu espirito. I sto, porem, nao ede minha alcada, esim deU m 
utro entre nos, cujo Ser e pleno do Espirito Divino. Elete indicara o 
CaminhodaVerdade, transmitindo, pdo teu ouvido fisico, a teu espiri- 
to, como o Proprio Espirito detodososespiritos: Desperta no amor para 
com D euse para com teusirmaos, em NomeDaqudequesemprefoi,e 
eseraEterno!" 



77. Zorel Decide a Regenerar-se 

1. Diz Zord: "Acho teu ensinamento muito devado epuro, poisse 
nao o fosse, nao poderiaster rdatado meusatosmaissecrdos Estou con- 
victo da possibilidade do aperfdcoamento humano, que nao almejo so- 
mente para, em ocasiao oportuna, apontar os crimes a urn pobre diabo, 
mas para o progresso espiritual em si e para a minha propria consolacao. 
N ao prdendo serdoutrinador ejuizclemente; quero servircomo homem 
perfdto, afim denao prejudicar alguem em virtudede minha ignorancia. 

2. Eiso motivo unico pdo qual desejo alcangar a perfdcao e, separa 
tanto fosse preciso, sacrificaria minha propria vida. Que valor teriauma 
existencia chda de imperfdgoes?! Afirmaste, contudo, ser preciso que 
outra pessoa meoriente; quern e, pois, para que Ihe possa pedir os mdos 
pdosquaisdespertard meu espirito?" 

3. D izjoao: - "E justamenteAqudequemandou quefalassescomigo." 

4. AcrescentaZord: - "U m pressentimento quesemanifestou quan- 
do despertd demeu sonho medisse, ser estefilho do carpinteiro de 
Nazareth, algomaisqueum homem comum. Estranhoetereu aim- 
pressao de conhece-lo. N ao sabes me dizer quando e de que forma de 
alcancou a perfeicao?" 

5. Respondejoao: - "Posso apenas dizer que teperdootal pergunta, 



Jakob Lorber 

122 

poisseria o mesmo que indagassesa maneira pela qual D euschegou a Sua 
I nf i nita Sabedoria e n i potaici a. DeusO escolheu para Sua Propria Mo- 
rada! Eis a G rande G raga que sucede aos povos por este Eleito! A Forma 
H umanaeo Filho deDeus; N de, habita a Plenitude do Espirito Divino! 

6. Assim sendo, impossivd perguntar dequemodo Ele alcangou 
Perfeigaotao Infinita! Istoqueoraeesempresera, Ele ja foi no ventre 
materno. Seguiu todasasinstituicoeshumanas, com excegao do pecado; 
todavia, istonaocontribuiu paraaSuaPerfdcao, porquantojaeraPerfd- 
to desde Etemidades. Todas as Suas Acoes visam apenasfacultar aos ho- 
mens, urn exemplo perfeito paraqueLhepossam seguircomo Causae 
M estreOriginaisdetodo Ser eVida. 

7. Sabes, portanto, com Quern estas lidando. Achega-te Dde para 
quetedemonstreoCaminhojustoquetelevaateu espirito, opuro amor 
a Deusdentro deti; atravesdeteu espirito, serasconduzido para junto 
Dele, oraentrenos, comoaSalvagaoverdaddradoshomensquejavive- 
ram, oravivem eaindaviverao nesteplaneta. 

8. Sea Eletedirigires, faze-o pdo amor em teu coragao, enao pdo 
intdectofrio. Somente pdo amor, conquistaraseO compreenderas 
em Sua Divindade - por ser Ele capaz dum eterno crescendo. - Teu 
raciociniojamaisteraexito, deacordo com oslimitesquelhesao impos- 
tos Q uanto mais poderoso setomar o amor dentro deti, tanto mais luz 
sefara em teu ser. Estesenti mento puro a D eusefogo vi vo e luz clarissi ma! 
Q uem cami nhar nessa claridade, jamaisvera a morte! Agoraja estas cien- 
te; despertateu coragao evai para junto Dde!" 

9. Com essas palavras, Zord nem sabeque pensar efazer detama- 
nha veneragao, poisnao duvida Eu abrigar a D ivindadeem SeuTodo, o 
queo ddxacadavez maisdesanimado. Aposcerto tempo dereflexao diz: 
- "Amigo, quanta mais medito sobretuas palavras, tanto maior setorna 
a dificuldade de me aproximar Dde e Lhe pedir que me demonstre, 
Pessoalmente, o Caminho luminoso para a Vida! E-me, a bem dizer, 
impossivd, porqueanto Ddeseirradiar umaOndadeSantidadeque 
me diz: Afasta-te, indigno! Pratica primdro longa penitencia e depois 
volta para veres se podestocar a rla de M inha Veste!" 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

123 

10. Respondejoao: - "Esta ben assim; epreciso queo verdadeiro 
amor a D eus seja precedido pela humildadedo coracao. Assim nao sen- 
do, o amor jamais se apresenta de modo sincere Permanece por mais 
alguns instantes nesta contricao justa de tua alma, e quando Ele te cha- 
mar, nao hesitesem apressar-te!" Zorel seacalma urn pouco; reflete, po- 
rem, quaofdizseiaquen seaproxi masse do Pai, sen pecado. 



78. Caminho Para a Vida Eterna 

1. N isto, viro-Me para Zorel, surpreendido com a M inha Atitude: 
"Quern, arrependido, confessa seus eras, peiitenciando-sepdaveda- 
ddra humildade do coragao, e-M e mais agradavd que noventa e nove 
justos, que nunca sentiram tal necessidade Ven, pois, junto de M im, 
amigocontrito;emtirdnaosentimentojustodahumildadequeaprecio 
maisqueosjustosdetodoosempre, aexclamarem: HosanaaDaisnas 
Alturas, por jamaistemosprofanadoTai Santo N ome, por pecado cons- 
cienteneitecometidolCom tal criteiotamben julgam o pecador, dde 
fugindocomodapeste! 

2. Assemdham-seaosmedicosavendeen saude, entretanto recd- 
am socorre um eifemo pdo medo do contagio. N ao teia mais valor 
aqude que, a despdto do peigo, procurasse todos, mesmo sendo, as 
vezes, contaminado, nao seaborrecendo e, destemodo, auxiliando asi e 
aosoutros?! Eisumaagao justa! 

3. Por isto ven ca, que te demonstrard o que M eu discipulo nao 
conseguiu, isto eovedaddro Caminho da Vida, do Amor eda Sabedo- 
ria, queddedeivam!" 

4. Encorajado pdas M inhas Palavras, Zord seaproxima em passos 
leitos Quando peto de M im, digo-lhe: - "Amigo, o Caminho que 
conduz ao espirito e espinhoso e estrdto, isto e, deveas eicarar com 
paciencia e humildade tudo queen vidatesucede por parte dosho- 
meis, como sendo: aborrecimento emagoa. Assim, tambem, nao deves 



Jakob Lorber 

124 

pagar o mal que te fazem, mas agir de modo contrario, que juntaras 
brasasem suascabegas! A quern tefere, nao paguescom amesmamoeda. 
E preferive! que recebas mais outra ofensa, para haver paz e uniao entre 
vos, pois somente na paz, progride o coragao e o desenvolvimento do 
espiritodentrodaalma. 

5. N ao deves negar a quern te pedir um favor ou uma esmola, a nao 
ser que colida com os M andamentos de D eus e as leis de Estado, o que 
porcertosaberasjulgar. 

6. Sealguem te pedir a tunica, tambem of ertaras teu manto, a fim 
deque reconheca seres um discipulo da Escola de D eus! C ompreenden- 
do tua atitude, nao aceitara tua oferta; eleassim nao fazendo, prova ser 
bem fraco em seu conhecimento, e nao deves ficar pesaroso em virtude 
do manto, mas, pelo irmao queainda nao percebeu a proximidadedo 
ReinodeDeus. 

7. Q uem te pede companhia por uma hora, deves satisfazer pelo 
dobro do tempo, provando, por tal disposicao, a origem da Escola que 
divulga tao elevado grau de renuncia. D este modo, ateos mais ignoran- 
tes serao esclarecidos sobrea iminencia do Reino de D eus 

8. Pelos vossos atos, saber-se-a que sois M eus discipulos E muito 
mais fad I pregar do que agir! Q ue beneficio trara a palavra va, senao for 
vivificada pela atitude?! Dequeteadian tarn os maisdeslumbrantespen- 
samentos e ideias, se es incapaz de executa-los? Do mesmo modo, as 
palavras mais belaseverdadeiras nao surtem efeito, senao tensvontade 
depo-lasem pratica. Por isso, deveo bom orador praticar o queprega, do 
contrario, seu sermaoeinutil! 



79. A Pobreza e o Amorao Proximo 

1. (0 Senhor): - "H a no mundo quantidade enorme de peri gos 
para a alma; a pobreza, por exemplo, cujas nocoesdo "meu" edo "teu" se 
tornam mais fracas a medida que a miseria oprima a criatura. Por isso, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

125 

nao deixei s que ela se alastre, caso pretendaisandar pelo Caminho certo! 

2. Q uem for pobre, deve pedir auxflio a seus irmaosabastados; caso 
nao seja atendido em virtude da dureza dos coragoes humanos, deve 
dirigir-sea M im queo socorrerei! Pobrezaemiseria, porem, nao justifi- 
cam o roubo emuito menoso latrocinio! Quern, portanto, e pobre sabe 
oquefazer. 

3. Emborasejaapenuriaumagrandepragaparaascriaturas, com- 
porta ela o nobregermen da humildadee verdaddra modestia, perdu- 
randonaTerra portal motivo; todavia, naodevem osricosdeixarquese 
expanda em demasia, porquanto acarretaria seu proprio prejuizo, em 
vidaenoAlem. 

4. D igo-vos: nao necessitaistransformaros pobre em ricos; somente 
nao devem passar necessidades. Ajudai atodosqueconheceis, deacordo 
com vossas posses. H avera no mundo urn sem numero de pobres, cujos 
clamores nao ouvis; por isto, nao sao entreguesao vosso amor, masape- 
nas os que conheceis e que vos procuram. 

5. Quern entrevossetomaramigodosnecessitados, serei ddetam- 
bem Amigo e Irmao por todo o sempre, nao precisando de aprender a 
Sabedoria Interna com outrem, pois ser-lhe-a dada por M im, em seu 
coragao. Q uem amar seu proximo como a si mesmo, nao o expulsando 
em virtude de sua posicao e idade, sera por M im procurado, pois a de 
M e revdard. Transmitird ao seu espirito, queeo amor, a M inha Fiddi- 
dade, fator quetomara sua alma plena de Luz. Tudo quefalar eescrever 
teraM inha Ori gem para todosos tempos 

6. A alma de sentimento endurecido, sera atacada por dementos 
perversos que a aniquilarao, tomando-a identica a alma animal, repre- 
sentando-se, destemodo, no Alem. 

7. Dai com prazerefartura, pois, conformedistribuis, seres recom- 
pensados. Urn coragao endurecido nao sera inundado pda M inha Luz 
da G raga, nele habitando trevas e morte com seus horrores! 

8. U m coragao mdgo edoci I, facilmente sera pen etrado por M inha 
Luz de natureza mui suave e benefica, possibilitando destarte, M inha 
Permanencia com toda Plenitude de M eu Amor e Sabedoria. Acreditai 



Jakob Lorber 

126 

em M inhas Palavras, que sao Vida, Luz, Verdade e Acao plenas, cuja 
real i dade todos senti rao pela pratica. 



80. A Volupia 

1. (0 Senhor): "Analisamos a pobreza e vimos os prejuizos que 
delaadviraoquandosemanifestarem excesso. Sabemostambem como 
socorre-la, e os benef idos que homem desfrutara pelo cumprimento 
desta observacao. Passemospara outro assunto bem diverso, existindo, 
todavia, relacaoentreambosTal assunto e a volupia. E predsamenteo 
maior mal da H umanidade, poisdai seoriginam quasetodasasmoles- 
tiasffsicas e psiquicas. 

2. De todos os pecados, ohomemconsegueselivrarmaisfacilmen- 
te, porquesebaseiam apenasem motivos externos, enquanto a volupia 
tern a causa na propria came pecaminosa. Por isto, devdsafastar osolhos 
dos perigos tentadores da carne, ate que a consigais dominar. 

3. Protege vossosfilhosda prime raquedanesta tentagao econservai- 
Ihesacastidade, que, facilmentedominaraoosinstintosquandoadultos; 
masumavezsedesviando, espirito mau dacameddesseapossara! N ao 
existedemonio cuja expulsao seja tao dificil, quanta ao da volupia e so- 
mentepodeser conseguida pdo jejum ea prece 

4. Evitai, por tal motivo, aborrecer aos pequeninos, excita-los por 
excesavosadornosevestimentassedutoras, quedespertariam seusinstin- 
tos Ai dequem pecardetal forma com a naturezadosadolescentes. Em 
verdade, ser-lhes-iamaisaconsdhavd senuncativessem nascido! 

5. vilipendiadordasantapurezadajuventude, sera por M im 
castigado com toda Potencia de M inha Ira! Uma vez a carne tendo 
sidoviolada, aalmanaopossui mais base sol ida, fatorquedificultara 
seu aperfeigoamento. 

6. Tarefa penosa enfrenta uma alma enfraquedda, querendo curar 
sua carne violentada eapagar suas cicatrizes! Q uetemor nao sofre, quan- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

127 

do percebeafragilidadeevontadefraca desua habitagao terrena! Q uem 
eculpado disto?A pessima vigilanciaascriangas> eosvariadosaborred- 
mentos por que passaram ! 

7. A corrupgao egeralmentemaispronunciada nasC idadesdo que 
no Interior; por isto, M eusdiscipulos, ensinai ascriaturasnestesentido, 
demonstrando-lhesasvariadasconsequenciasnefastas, quederivam do 
prematura despertar dos i nsti ntos Considerando vossosconsdhos, mui- 
tas almas sadiassurgirao, cujo espirito maisfacilmentesera despertado, 
do que atual mente ocorre 

8. bservai oscegos, mudos, aldjados, leprososeentrevados; crian- 
gaseadultosacometidospdosmaisvariadosmalesfisicos tudo isto como 
resultado da manifestacao precoceda volupia. 

9. homem nao deve procurar contato antes dos vinte e quatro 
anos, e a mulher, nao antes deter alcancado, no minimo, os dezoito; 
antes dessa idade o ato sera violacao, tomando a carne fragil e a alma 
chdadepaixoes. 

10. Diffcil esecurar um homem portal razao enfraquecido; muito 
mais, porem, umajovem nessascondicoes. Primdro, por nao Iheserpossi- 
vd gerar filhos perfdtamente sadios; segundo, pdo desejo cada vez mais 
crescente pdo ato, tornando-se por fim, u'a macula na sociedade nao por 
si mesma, masporaqudescujadisplicenciaalevouaestecaminho. 

11. Ai daqude que se aprovdta da pobreza de uma virgem, para 
desperta-lhea volupia! Em verdadetambemseriapreferivd nunca haver 
nascido! E quern convivecom prostituta, ao invesdedesvia-lapor mdos 
adequados da trilha da perdicao, tera de aguardar no Alem, julgamento 
rigoroso! Q uem castiga pessoa sadia, nao peca tanto quanta aqude que 
fereumaldjado. 

12. Q uem praticaoatocom mulherfdtaesadia,tambem terapeca- 
do; como as consequencias nao sao de todo prejudiciais - mormente 
ambosgozando saudeperfeita, - ojulgamento sera menor. Aqudequeo 
fizer como seela fosse prostituida, sem gerar um filho, tern desuportar 
duplo julgamento. 

13. Repito, serdezvezespiortal procedimento com uma prostituta, 



Jakob Lorber 

128 

cujo fisico e alma sao completamente lesados. Q uem socorre-la em sua 
imensamiseria, decoragaofiel aM im,teragrandeprojegaoespiritual no 
M eu Reino. Q uem assim naoagir, masaprocurar por prego vil, arrastan- 
do-a ainda maispara a infelicidade, tera no Alem, o premio reservado ao 
assassino, no charco destinado atodososdemonioseseus servos! 

14. Ai do paisou cidadeondesepraticaa prostituicao, eai daTerra, 
quando este mal imenso ndasealastrarlTaispaisesreceberao, deM im, 
tiranos para regentes que os agravarao de impostos elevadissimos, para 
que a came se torne faminta e desista desse ato o mais vergonhoso, ate 
hojeaplicado pelo homem, ao seu semelhante! 

15. A prostituta, noentanto, perderatodaahonraerespeitomesmo 
daqueles que dela se aproveitaram por paga miseravel, e seu fisico sera 
atacado por toda sorte de molestias contagiosas, dificilmente curaveis. 
Q uem, todavia, regenerar-se, sera por M im aceita! 

16. A pessoa voluptuosa que usar de meios para o gozo, di versosdos 
que determinei no sexo oposto, dificilmente vera o M eu Semblante! 
M oysesdeterminou o apedrejamento parataiscasos, queEu nao revogo, 
por ser u'a medida drastica para cri mi nosos completamente depravados 
pelodemonio; dou-vosapenasoconsel ho paternal deafastarestespeca- 
doresdascomunidades, entregando-osa miseria no desterro. Somente, 
quando voltarem asfronteirasdapatria, em completapenuria, devem ser 
conduzidosaum Institute dePsiquiatriaondedeverao permanecer, ate 
sua integral regeneragao. Q uando esta for comprovada, por algum tem- 
po, poderao voltar a Comunidade. M anifestando o menor vestigio de 
inclinagao pervertida, sera melhor deixa-los para sempre em reclusao, 
porquanto poderiam contaminar os inocentes. 

17. Tu, Zorel, nao foste inteiramente puro neste sentido, pois te 
tornastepedradeescandalo para teuscompanheirosdeinfancia. Todavia 
nao se podeculpar-tedessepecado, porquanto tua educacao nao te pro- 
porcionouoconhecimentodaVerdade,peloqualtesaberiasmanterdentro 
daOrdem Divina. Comecasteamelhorar quando teintegrastenosdirei- 
tossociaiscomo cidadao romano, eescrivao dum advogado. Deixasteas 
tendenciasanimais, noentantotetomasteumfraudulentodeprimeira 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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categoria, enganando a teu proximo senpre que possfvd. Istotudo, po- 
rem, passoueagorateencontrasdiantedeM im,comocriaturaregenera- 
dadeacordo com teu conhecimento atual. 

18. Aindaassim,observodentrodeti,fortetendenciaparaa volupia. 
C hamo a atengao para estefato eteaconselho muita precaugao. Q uando 
melhoraresdevida, tuacarne, fortementelesada, comegaraasemanifes- 
tarem sua recentemelhoriaeterasdificuldadeparaacalma-laeatemes- 
mo, cura-ladefinitivamente Abstem-tedetodososexcessos, poisneles 
reside o germen da volupia. N ao te deixes, portanto, tentar para a 
imoderagao no comerebeber, do contrarioterasdificuldadeparadomi- 
nares tua came Temos, assim estudado o campo "volupia" no que te 
toca; passemos para outro ponto degrandeimportanciaem tuavida! 



81. A CaridadeJusta 

1. (0 Senhor): - "Este ponto se refere a posse. D isse M oyses: N ao 
devesfurtar!, erepetiu: N aodevescobicarosbensdeteu proximo, a nao 
ser que estejas dentro da justiga! 

2. Podescomprar algo deteu vizinho o quetejustifica usa-lo peran- 
tetodos;ofurto, porem,epecadodiantedaOrdem Divina, transmitida 
a M oyses, porque age contra o amor ao proximo. N ao deves usar atitude 
quecondenariaspartindo deteu semelhante 

3. furto deriva, na maior parte, do amor-proprio quegera o ocio, 
a tendencia para o conforto e a preguica. Dai surge certo desanimo, 
coadjuvado por receio orgulhoso, que impedem a criatura defazer urn 
pedido importuno, masa leva ao furto. D ele, portanto, seorigina grande 
numero dedefeitos, entreosquaiso excessivo amor-proprio eo motivo 
maisevidente Pelojusto amor ao proximo, sempreseconseguecomba- 
terestafraquezadaalma. 

4. Naturalmenteantepoeso seguinte: Fad I seriaaplicar-seo amor 
ao proximo, quando se possui os meios necessarios. Entrecem, no en- 



Jakob Lorber 

130 

tanto, talvez existam dez, cuja situagao permita exercer tal virtude. Os 
noventarestantes, dependem precisamente, dacaridadealheia. Seapenas 
o amor ao proximo facilita os meios para veneer o vicio do furto, os 
noventa necessitados dele se poderao abster com dificuldade, pois Ihes 
faltam as condicoes para a aplicacao dessa virtude! 

5. Dentrodalogicamundanatuasconjeturassa^justificavasenin- 
guem te podera contestar. A logica do coracao, porem, fala da seguinte 
maneira:Asobrasdo amor ao proximo, naoseresumem naesmolaesim 
nas variadas acoes e favores sinceros, que naturalmente sempre exigem 
boa vontade. 

6. A boa vontade e a alma e a vida dumaobra do Bern. Sen el a, a 
menor caridade deixaria de ter merito diante de Deus. Se careces dos 
meios necessarios, mas tens vontade sincera de ajudar teu proximo, de 
qualquer maneira, teu coragao seentristeceriadiantedesta impossibilida- 
de. Teu bom proposito vale muitomais para Deus, do queadoagaodum 
rico, forcadoafaze-la. 

7. Se de auxilia urn povoado porquanto este Ihe promete o paga- 
mento do dizimo, tao logo Ihe seja possi'vel, sua obra de Bern de nada 
vale, pois ja recebeu seu galardao. Sua atitude bem poderia ser imitada 
por urn usurario, em virtudeda vantagem monetaria. 

8. Dai concl ui ras ser possi'vel atodos- ricosepobres- exercerem o 
amor ao proximo diante de Deus, eem beneficio desua propria vida 
espiritual; dependeunicamentedaboavontadesincera, ondetodosagem 
com dedicagao no que Ihes e possi'vel. 

9. Naturalmente, a boa vontadeapen as, naoteriautilidademesmoa 
quern possuir meios suficientes, caso respeitecertas consideragoespesso- 
ais, ou dosfilhos, parentesetc. Sera levado a agir com reservas, por nao 
ser possivel saber quando o pedinteemalandro, desmerecendo o auxilio 
rogado. N esse caso, favorecer-se-ia ao larapio, privando urn justo do re- 
curso devido! Essas reflexoes surgem de cada vez que se e abordado por 
urn pobre! 

10. Meu amigo, aquelequefizero Bem da melhor boa vontade e 
refletir dessa forma, ainda nao se integrou na vida justa; por isso nao 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

131 

valem nem as boas obras, tao pouco a intencao. nde existem meios, 
vontadeeobra devem-seequilibrar, do contrario, sedesfazem o valor eo 
merito, diantedo Altissimo. 

11. Aquilo que deres ou fizeres, deve ser feito com muita alegria, 
poisassim terasduplo valor diantedeDeus, aproximando-terapidamen- 
tedaperfacao espiritual. 

12. coragao do amavel benfeitor seassemelha ao fruto queama- 
durececedo, por conter a plenitudedo calor justo demaxima necessida- 
deparatal processo, epela predominancia do elemento correspondente 
avida, ousejaoamor. 

13. Destemodo, a alegria eamabilidade do benfeitor sao a fartura 
tao recomendada do aquecimento espiritual da vida, pelo qual a alma 
amadurece mais intensivamente, para a integragao plena do espirito. E 
justamente o calor, o transporte do espirito eterno em sua alma, que 
assim a elese torna sempre mais identica. 

14. doador, por maiszeloso queseja, afasta-seda metada perfei- 
gao espiritual, a medida queseapresenta cada vez maisaborrecido ecar- 
rancudo; manifestagao mundana, portanto, mui distantedum elemento 
puramente celestial. 

15. Ao fazeresa caridade, tambem devesevitar detransmitir conse- 
Ihos rigorosos ou talvez amargos. Provocam, nao raro, tristeza profunda 
no coragao do pobre, que deseja ardentemente jamais ser preciso pedir 
favores. benfeitor, por sua vez, enche-sedeorgulho portaisadverten- 
cias importunas, evidenciando perante o outro, a sua superioridade, o 
que prova ser mais dificil receberdoquedar. 

16. Q uem erico etem boavontade, facilmentedaesmolas, enquan- 
too pobre temeimportunaro benfeitor amavel. Sentir-se-amuitomais 
constrangido, ao ser enfrentado de feigoes aborrecidas, devido a ponde- 
ragoesapresentadas, antesdereceberoauxilio. Dessemodo, nao mais se 
atrevera a voltar ao seu benfeitor em caso de necessidade, pois o sermao 
provavdmentesera maislongo eincisivo do queasuacompreensao sus- 
cetivd; dira mesmo: Nao voltes tao cedo, - ou talvez, nunca mais!, - 
embora o outro nao tivessetal intencao. 



Jakob Lorber 

132 

17. Eisporqueum doador amavel ealegre, levatantavantagem ao 
pregador enfadonho, porquanto consola eeleva o coracao do necessita- 
do. Alem disto, tal atitudecumula o coragao do pobredesentimentos 
confi antes para com Deuseaoshomens, tomando sai jugo pesado mais 
suave, elhefacilitasuporta-lo com pacienciaededicagao. 

18. benfeitor amavel, representa para o pobre, o mesmo que urn 
porto seguro para urn naveganteem alto mar. Enquanto queo rico mal 
humorado, apenasseassemelhaaumaenseadaque, mau gradogaranta 
ao capitao salvagao completa, mantem-no, contudo, em pavorconstante 
detenebrosa ressaca destruidora, que Ihetraria maior prejuizo do que a 
antecedente tern pestade. 

19. Sabes, portanto, dentro da M edida de Deus - como deve ser 
constituidaaverdadeira perfeicao espiritual, realizada pelo amorao pro- 
ximo. Age deste modo que facilmente alcancaras a verdadeira e unica 
metadavida! 



82. Orgulho e Humildade 

1. (0 Senhor): "- Agora tocaremosn urn pontosumamenteimpor- 
tantena vida, unico para seal can gar o pleno renascimento do espirito na 
alma, como triunfo verdadeiro efinal da criatura. Trata-sedo polo con- 
trario ao orgulho ealtivezesechama "humildade." 

2. Em cada alma perdura urn sentimento dealtivez e brio, quese 
i nflama pelo menor motivo, numa ira apaixonada, impossi'vel deser aba- 
fada, atequeconsigaderrotarsuavitimaagressora. M aisfacil seriasaciar- 
sea sededeum viajor no deserto da Africa com areia incandescente, do 
quesalvaruma alma com tendenciatao horrfvel! 

3. Pelainclinacao paraomesquinho orgulho, apropriaalmasetrans- 
forma em solo tao candente, que impossibilita a germinagao de uma 
plantinha de musgo, muito menos outra, abencoada. Eis a alma dum 
orgulhosolSeu fogoselvagem queimaedestroi tudoquesejanobre, bom 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

133 

e verdadeiro como base da vida e mi Ihoes de anos se passarao, ate que o 
Sahara setransforme em campofertil everdejante Paratanto, serapred- 
so que o grande M ar agite suas aguas por sobre aquelas areias! 

4. Observe urn orgulhoso soberano ofendido pelo vizinho por as- 
sunto qualquer: sua alma se incendiara, seus olhos chisparao chamas de 
ira, eo lemasera: VingancatenebrosaaoofensorultrajantelA consequencia 
triste sera uma guerra destruidora, onde milhares terao de perecer pela 
honradeseu rei. Ele, porem, desuatendaobservara, com prazer imenso, 
o aniquilamento deseussoldados, recompensando com ouro epedrarias 
o maisbravo queconseguiu aplicar o maior dano ao adversaria 

5. Insatisfeito com sua vitoria, tal soberano aindaquer martirizaro 
ofensor. Denada Iheadiantam osrogos; quando conseguir mata-lo com 
martirios indiziveis, sua came sera ainda, amaldicoada e entregue aos 
abutres. N uncao coracao insensivd detal homem sentiraarrependimen- 
to. A ira ou o deserto incandescente da Africa - perdurara, semeando a 
morte mais horrenda aqudequeseatrever a nao render homenagem, ate 
mesmo ao palanquede honra usado por ele 

6. Bern quepossui alma, mas qual o seu aspecto?Afirmo-te: pior 
do queaareiamaiscandentedo deserto! Achasquesepossa tran sforma- 
lanumahortadosCeusdeDeus?M il vezes mais fad I o Sahara produ- 
zir tamaras, figos e uvas, do que tal psique produzir a menor gota do 
AmorCdeste! 

7. Poristo, precavd-vosantesdetudodoorgulho. Nadanomundo 
aniquila maisa alma quea altivez constantemente irada! U ma sede pere- 
nedevinganca a acompanha, tal como a ansia insaciavd pda chuva, faz 
parte do grande deserto africano; contamina todo ser vivo, como tam- 
bem osservigaisdo orgulhoso quea desetomam identicos. Poisquem 
for servo do altivo, tambem fica orgulhoso, do contrario nao Ihepoderia 
prestarservigos! 



Jakob Lorber 

134 

83. Educacao Para a Humildade 

1. (0 Senhor): "Dequemandrapoderiaalguem preservar-sedesta 
pessimatendencia, existindo em cadaalmatal germe, quenao raro, ate 
em criangasja atingeconsideravel grau?Apenaspela H umildade! 

2. Precisamente, em certoscasos, a pobreza eacentuada, para man- 
ter o orgulho em redeas fortes! Experimenta coroar urn mendigo, ete 
convenceras se terem evaporado humildade e paciencia! Eis porque e 
muito benefico existir poucos reis e muitos pobres humildes! 

3. Cadaalma- como IdeiaeVontadedeDeus- Dderecebeu urn 
sentimento dealtivez, que, nascriangassemanifestacomo pudor. pudor 
infantil e uma sensagao psfquica pda qual a alma comega a ter nogao desi 
mesma, descontentepor sever, muito em bora deorigem espiritual, envol- 
vida por urn corpo pesado e desajeitado, do qual jamais se libertara sem 
dor. Q uanto mais delicado e sensi'vel o fisico, tanto maior seu pudor. 
educador quesouber conduzir estesentimento para ajusta humildade, 
despertara na crianga urn anjo protetor, levando-a ao caminho, ondefacil- 
mentealcangarasuaperfdgao espiritual. Basta, porem, educagao urn pou- 
co falha, para transformar o pudor em orgulho ealtivez. 

4. J a consiste grande erro em se levar o sentimento de pejo, ao brio 
i nfanti I , poi s a cri anga i med i atamentej u I gar-se- i a su peri or as outras. C om 
facilidadeeofendida, vertendo lagrimasamargas, quetestemunham ter 
sido magoada, em seu sentimento altivo. 

5. Se os pais, num ato defraquezaeignorancia, procuram acalma-la 
pelo castigo que, aparentemente, pretendem aplicar ao ofensor, - terao 
langado o primeiro germe para satisfagao vingadora. Prosseguindo nessa 
educagao, osgenitoresfarao, nao raro, urn demonio deseu filho. Seforem 
levando o sentimento de pejo a humildade, seu filho sera urn anjo que 
iluminara- como exemplo vivo - osoutros, qual estrelamaisdeslumbran- 
te na noite de sua vida, confortando-os pda mdguice e paciencia. 

6. Como raramente as criangas recebem a educagao pda qual se 
desperta o espi rito em sua alma, o adulto deconhecimento maisapura- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

135 

do,tudodevefazerparaaplicaraverdadeiraejustahumildade Enquan- 
tonaoselivrardaultimagotadoorgulho, impossfvel penetrarnaperfei- 
gao da vida puramente celestial, aqui e no Alem. 

7. Q uem quiser experimentar sua perfeicao na humildade quecon- 
sulteseu coragao. Vejasesuportaaofensa, sepodeperdoaraosseusmaiores 
opressoreseperseguidores, efazero Bern aosquelheaplicaram maldades; 
se nao e tentado pela aparencia mundana, se acha agradavd sentir-se o 
menorentreospequenosehumildes, afim deserviratodoslQuem tudo 
isto puder fazer sem tristeza e amargura, ja aqui se tornou habitante dos 
Ceusmaisdevadosese-lo-a para todo o sempre! Pois, atravesda humilda- 
de justa, nao so a alma seuneao espirito, mas a maior parte do corpo. 

8. Por este motivo, tal criatura nao sentira e provara a morte, por- 
quanto a parte eterea do corpo- precisamente a total idade vital - imor- 
talizou-secom alma e espirito. 

9. Pela morte fisica se desprende apenas a parte insensivel e 
desvitalizada da alma, o que nao Ihe produz sensacao detemor e sofri- 
mento, porquanto oselementosvitaisdo corpo deha muito seuniram a 
psique Destemodo, o homem renascido sentetanto o desprendimento 
dessa parte amorfa quanta sentia ao cortar o cabelo ou as unhas, ou a 
queda da caspa. Aquiloqueem vida nao tin ha sensacao, naooterano 
desprendimento total da alma, poisquetaisdementosfisicosjaaelase 
uniram, formando uma entidade inseparavel. 

10. Agora sabesoquesejaajustahumildadeesuaagao, podendote 
esforcar nesta virtude Q uem seguir M inhas Palavras se certificara que, 
muito em bora proferidassem empafia e retumbancia, so podiam provir 
de Deus, e neste Caminho alcancara a verdadeira perfeigao espiritual. 
Dize-Me, setefoi possi'vd assimilaresteensinamento." 



84. Bom Proposito de Zorel 

1. D izZorel, completamentecontrito sobreaverdadeelevadaepura 



Jakob Lorber 

136 

deMeu Ensinamento: "SenhoreMestreEternodetodaaVida! Reco- 
nheco, mesmo sem considerar o tratamento quemefizesteaplicar, que 
Tuas Palavras jamais poderiam ser pronunciadas por boca humana, e 
sim, pelo Criador de Ceu e Terra! Tudo farei para praticar o queTeu 
Amor me en si nou! 

2. Fato estranho se passa, poistenho a impressao deja ter ouvido 
coisa semelhante D eve ter sido urn sonho, porque nao me lembro deter 
em vida recebido tao imensa Graca! 

3. A pessoa que, cientedeVerdadestao profundas, ai nda nao encon- 
trasse o caminho justo de seu aperfeicoamento espiritual e tao pouco 
sentisse urn poderoso impeto para assim agir, - deveria ser totalmente 
ignoranteou entao detal forma absorvida pelo mundo quetomou sua 
almainsensivel. 

4. Quern tiverassimiladotal questao importante, comoeu, seriatolo 
em preferiro mundo ondesucumbiria, ao invesdegalgaroscumeslumi- 
nososdeH oreb eLibanon ondecolheriaaservasmilagrosas, que cu ram a 
almaenferma. Asevasreferem-seasobrasqueseencontram somentenas 
alturas esplendentes do conned mento deTuas Verdades, sendo H oreb e 
LibanonaVerdadeeoBem DivinoslEisminhainterpretacao. 

5. Senhor, essumamenteElevado eSanto; nunca, porem, esdemodo 
tao sublime, como nas criaturas queTeu Amor e Sabedoria transforma- 
ram em Teusfi Ihos! D eves sentir a maxima alegria pela sua compreensao 
iniciatica ao ouvirem Palavras do Coragao Paternal, resolvendo ate se 
modificarem, afim dealcancar a perfeicao como a meta final, instituida 
peloTeu Amor! 

6. Q uao imensa nao sera tal satisfagao, quando o aperfeicoamento 
setiver realizado, poisumTeu filho reconheceu sua propria insi gnifican- 
cia, atravesdajusta humildade, sendoTu o Verdadeiro eU nico Pai ! Q ual 
seria o anjo capaz dedescrever tao imensa alegria, mesmo com a maior 
inspiracao! Q ual o entehumano, apto para assimila-la?!Tenho a impres- 
sao deter eu sentido algo semelhante, como num sonho; por certo sera 
urn reflexo deTua D outrina, Senhor, agindo em meu coragao evontade! 

7. Compara-sea alegria do sem eadorconvicto dequeseu campofoi 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

137 

limpo da erva daninha, tendo sido os sulcos preenchidos de sementes 
purasquegarantem colhdtaabencoada. 

8. M ai campo agora se tornou fertil, o que, por certo, observaste, 
Senhor; do contrario nao terias lancado a semente pura de modo tao 
prodigioso. Esta certeza e possivelmente a causadora da felicidade que 
me inunda, pois estou convicto do bom exito. N ao sou de meias medi- 
das, por tal motivo, tudo empregarei para realizarTeu Verbo! 

9. Secomo larapio fui perfeito, - muitasvezessem expectativa de 
sucesso- muitomaissaberei evitarquepensamentos,palavraseac6esme 
possam novamenteatrai r para o mundo. Talvez venha a esquecer mi nhas 
atuaispalavras;todaviameu coragaomefararelembra-las, mesmoacusta 
de minha vida. Desde que sinto existir uma vida eterna apos a morte 
fisica, pouco interesselhedou. 

10. Existem pessoas que, levadas pelo extase momentaneo, falam 
como se pretendessem abarcar o mundo inteiro; passado este impeto, 
comegam ameditarsobreosacontecimentos, enquantoavontadeparaa 
agaodiminui, diaadia, eosvdhoshabitossemanifestam denovo. N un- 
ca isto sedeu comigo; poishavendo reconhecido algo debom, agiaassim 
rigorosamente, ate que me convencesse de coisa melhor. 

11. M i nhas atitudes de antan ho, em nadacolidiam com meusprin- 
cipios, que em absolute poderiam ser contestadosdiantedo Foro do 
maispuro efilantropico intdecto. N unca, porem, podia imaginar entrar 
em contacto direto com o Eterno M estredetoda a Vida, cuja Sabedoria 
Elevada, dissipou minhasconviccoescomo a cera exposta ao Sol. Toda- 
via, deu-seo incrivd! Deusem Sua M agnitude Eterna, encontra-Se em 
nosso mdo, ensinando-noso destino eterno com palavrastao gmples, 
quequalquer ignorantecompreenderia. 

12. Oscovardescertamenteseinclinarao depreferenciaasopinioes 
mundanas, porquanto o mundo I hestrazvantagens materials! Eu, inte- 
grd-meno ouro cdeste, portanto desprezo, do fundo demeu coracao as 
tentag6esterrenas.Tu, Senhor, qudra-mecastigarsefald mentira! 

13. Meu pedidodeauxilioqueteexternd, nobreCirenius, em mi- 
nha ignoranciaemiseriaespirituais, pego nao tomares em consideracao; 



Jakob Lorber 

138 

desde que achei os tesouros celestes em tal profusao, dispenso outros; 
tambem naomaisnecesatodemeucasebre, poisdescobri aMoradado 
Senhor em meu coracao. Vendei tudo e pagai aos meus credores. 
Doravantetrabalharei parametornarutil poramordeDeus!" 

14. Digo Eu: "- Conhecedordetua indole chamei-te em espirito, 
do contrario, nao teriasdado aqui. Com esta tua transformacao, teu fu- 
ture sera garantido. Como bom trabalhador, seras urn discipulo para os 
gregosnaEuropaenascostasdaAsiaMenor, ondemuitosanseiam pela 
Luzespiritual.PorenquantoeshospededeCornelius, irmaodeCirenius; 
em tempo seras informado da tua partida. Estasprovido detudo; o resto 
ensinar-te-a o Espirito da Verdade, nao necessitando pensar a fim de 
falares, pois, ser-te-a dado na hora oportuna. s povos te ouvirao, lou- 
vandoAquelequetefacultoutamanho Saber eForca! 



85. Zorel E EntregueaosCuidadosde Cornelius 

1. (0 Senhor): "Agorajasefez noite; nosso caro hospedeiro M arcos, 
aprontou a ceia que saborearemos com prazer, em virtudeda boa pesca 
feita. Em seguida, trataremosdeoutro assunto eamanhaantesda aurora, 
separar-nos-emos, poralgum tempo, poistenho aindadevisitar muitos 
lugarejosTu, Raphael, podeschamarasmogas" 

2.YaraheaprimeiraachegaraMeu lado, ediz: "- Meu Pai eMeu 
AmorlMinhagratidaopornostereschamado, poismeparedalevaruma 
Eternidade nesta expectativa. N ao era possivel ouvirmos o que trataste 
com Zorel?' 

3. DigoEu: "- Nao, Minhafilha, porquantoseriaumensinamento 
prematura paraosexofeminino; alem disto, nadaperdeste portal motivo, 
pois, nodevido momenta, te sera revel ado. Agora vem a ceia etepoderas 
expandir com Josuee Raphael, que apresentarei em seguida a Zorel. 

4. Ficaremosacordadosatepelamanha;eestaaultimaquepassarei 
em vossa companhia evosfacultara uma quantidadede milagres, pois 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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devdsconhecer Aquelequevosfalou! N inguem, todavia, devedivulga- 
losTu, Meu caroZord, procurarasCorndiusquecuidaradeti." 

5. InterrompeCirenius: "- Senhor, nunca invejd o meu irmao, no 
entanto, muito prazerterianoconvfviodeZord." Respondo: "- Esteteu 
desejo alegra o M eu Coragao evaletanto quanta a obra. M asdestegru- 
po, amaior parte jadependedeti: Zinkaeseuscolegas, Stahar, M urel e 
Floran, H ebram e Risa, Suetal, Ribar e Bad, H ermes com sua familia, 
tuaspropriasfilhasegenroseo milagroso meninojosue, etodosaqudes 
que acompanham essas pessoas. Penso, teres motivo de satisfagao. 
ComdiusassumearesponsabilidadedeZord,queprestarabonsservigos 
asuacasa, emaistardeaosestrangdrosquedeterminard paraseustute- 
lados Em vossasfuturasvisitassempreterasoportunidadeparafalar-lhe 
Aindaestastristecom M inhaDeterminagao?' 

6. RespondeCirenius: "- Oh, Senhor, como podes perguntar tal 
coisa?SabesqueTuaSantaVontadeeminhamaximaalegria,sejadaqual 
for! Alem disto, nao sepassaum messem quevejaComdiuseassim 
poderd trocar ideas com Zord.Hapouco anund asteaYarah umaquan- 
tidadedecoisassurpreendentes; em queconsistirao?" 

7. D igo Eu: "- Caro amigo, sabe-lo-asem tempo. Vamosprimdro 
cear, mormentetuasfilhasquenecessitam dealimento." 



86. H umildadeJusta e H umildade Exagerada 

1. M arcos da o si nal para quetodos tomem assento nos longos ban- 
cos, e Corndius chama Zord, a fim de ficar a seu lado. Ele, porem, 
recusa-se dizendo: "- N obre senhor e soberano! N ao qudras isto, pois 
meu lugar fica la na outra ponta, onde se acham os servos, e nao a tua 
dirdta enesta mesa. Tal seria urn desafio ao meu orgulho." 

2. Intervenho: "- Amigo Zord, aqui basta M inha Vontade, por isto 
fazeo queComdiustepede Alem disto, base a-seaverdaddra humilda- 
denaoem obrasexternaseavistadetodos, mas no coragao, deacordo 



Jakob Lorber 

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com aVerdadeplena. Vai ajerusalem, observaosfariseuseescribascomo 
se apresentam humildesem vestimentasefeicoes; sai intimo, porem, 
estacheio deorgulhoferrenho, odiando ateao inferno, aquelesquenao 
dancam de acordo com sai assobio, enquanto que urn rei de coroa e 
cetro podesertao humildecomo urn mendigo, caso nao eleveseusorna- 
mentosem excesso. Considerando isto, podes sentar-te, sem susto, adi- 
reitade Cornelius." 

3. Conformadoesatisfeito, Zorel segue MeuConsel ho. romano 
entao Ihediz: "- Assim esta bem, meu caro amigo, procuremosviver e 
agirnofuturoem NomeDaqueleque nos inspirou! Quanta a justahu- 
mildade, penso o seguinte: N o intimo, devo ser humildeecheio deamor 
ao proximo, sem nunca vangloriar-me por tanto. Rebaixando-me em 
demasia, torno o meu semelhanteorgulhoso, privando-medaoportuni- 
dadedeservi-lo. Somente nao posso desconsiderar certo respeito, pois 
sem elenao poderiafazer o Bem. Por isto sejamoshumildesdecoragao, 
sem nosrebaixarexternamente. 

4.Aindateremosoportunidadedevercomocertaspessoassaoobri- 
gadasaexecutartrabalhosdesagradaveis, afim degan harem seu susten- 
to. D everiamos limpar as sarjetas para coroar nossa humildade?! Penso 
que nao! Basta nao julgarmos tais pessoas inferiores a nos, por termos 
recebido outro oficio. 

5. Devemos primeiro considerar a profissao em nos proprios, so- 
mente em virtude da mesma. Setal eumanecessidade, nao nos compete 
varrermos as ruas, e sim entregar este trabalho aos que para isto foram 
designados pelo Senhor. Tambem nao suportariamos, por nao estarmos 
aelehabituadosdesdepequenos. Pai taopoucoexigiraqueofagamos; 
exige apenas que nao desprezemos os mais inveterados pecadores, mas 
tudo fagamos para salvar suas almas. D este modo, julgo, agiremos com 
justigadiantedeDeusedoshomens." 

6. Concordo: "- E isto mesmo. A verdadeira humildade eo justo 
amor ao proximo habitam em vossoscoracoes, enao na aparencia orgu- 
Ihosadosfariseus. 

7. Quern se meter sem necessidadeentreossumos, teradesuportar 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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sai possivd ataque. Demodo identico, ajusta humildadenao manda 
quedeiteisaosporcos, asperolasdeM inha Doutrina. Existem criaturas 
piores que os suinos, portanto nao a merecem; antes se prestam para a 
limpezadesarjetas 

8. N aoconsiderdsaroupagem ouotituloesim, unicamenteacon- 
duta da pessoa queagedeacordo com seu coracao. Sefor nobre, meiga, 
paciente, transmiti-lheo Evangdho, dizendo: A pazsejacontigo em N ome 
do Sen nor e com todosdeboavontade! Sea pessoa detal modo abenco- 
ada for de boa indole, a paz com da permanecera, eo Evangdhocome- 
garaaproduzirosmaislindosfrutosCrdoquetodosvosestaisorienta- 
dos sobre a verdaddra humi Idade 

9. Como as mesas transbordem de bons pratos, vamos saciar-nos 
com prazer, poi s sou o verdaddra N oivo devossasalmaseem breve, nao 
maisestard emvossomdo, quandovossaalegriatambemdiminuira." 



87. Cornelius e Zorel Palestram Sobre Milagres 

1. Todos seguem o M eu convite, principalmente Raphad que, de 
modo vdoz, consomevarios paxes de bom tamanho. Zord eZinkase 
admiram com istoeo primdrofazumaobservagaoarespdto, porquan- 
to o "tal adolescente" nao tinha aparencia deglutao. 

2. Explica Cirenius "- Aqudejovem emiraculoso; ehumano e 
espirito ao mesmo tempo, emunido depoder eforga jamais sonhados. 
M eu irmao Comdiustepoderaatestar." 

3. outro, entao, Ihediz: "- CaroZord, posso-teapenasconfirmar 
as palavras de Cirenius; descrever-te sua natureza milagrosa nao me e 
possi'vd pornaoaentender. Deacordocom asassergoesjudaicas, edeo 
mesmo anjo queserviu deguia paraojovem Tobias N ao estivepresente, 
mascrdo queassim tenhasido. Aqui tambem sedao coisasmilagrosas, 
quedificilmenteseraoacdtaspornossosdescendentes Nessecaso, por 
que nao acdtarmosser estejovem um anjo?' 



Jakob Lorber 

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4. ConcordaZorel: "- Em absolute imporei duvidas; poistodo mi- 
lagre vai de encontro a lei da N atureza, e e a concretizacao das fantasias 
do maisinspirado poeta. Para Dais tudo sera posslvel, porquanto o pro- 
prio U niverso Lheservedetestemunho deSuaO nipotencia. Assistirmos 
a criagao do mundo seria certamentealgo deextraordinario, enquanto, 
como seus habitantes, tudo se nos apresenta de modo natural. 

5. Coisa sumamente excepcional e o momento que vivemos, em 
que surge o Proprio C riador, realizando coisas somente a Ele possiveis. 
N ao pretendo duvidar da realizacao defatosmilagrosospor parteduma 
criaturarenascidaemespirito,quandoseprendesuaagaoaVontadedivi- 
na; quanta maisnao sedar isto com criaturaseanjospor Eleinspirados! 

6. Recordo-medeumalendajudaicaem queateum burro chegou 
a falar demodo sabio ao profeta Bileam! Aqueleanimal deveria estar sob 
a influencia do Espirito Divino, servi ndo-L he de instruments Eismi- 
nhaopiniao que nao pretendo advogar como irredutivel, poisjadei urn 
golpeem falso nesteterreno, enao quero repeti-lo." 

7. Concorda Cornelius: "- Amigo, falaste acertadamente; aconse- 
Iho-te, porem, dirigirestuaatencao ao peixeem teu prato, ao invesdete 
perturbarescom o apetiteextraordinario do jovem, que, com facilidade, 
poderia comer maisdez. Prova, seres capazdeingerir aomenos urn, nao 
desprezando tao poucoo bom vinho." Zorel assim faze nao ligaaoque 
se passa a seu redor. 



88. OpinioesDiversasSobre a Natureza do Senhor 

1. vinho comega a soltar as linguas, levando os presentes a con- 
tendas sobre M inha Pessoa; poder-se-ia dizer que nesta ceia se deu o 
primeiro cisma religioso. Algunsafirmavam ser Eu o Ser Supremo; ou- 
tros, apenaso Ser por interferencia indireta. H avia osqueconfirmavam 
somente M inha D escendencia de D avid, sendo designado para o M essi- 
asdo Reinojudaico, munido, portanto, do poderdeDavid edaSabedo- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

143 

ria de Salomon. utros, ainda alegavam ser Eu um arcanjo encamado, 
tendo ao M ai lado um ajudante. 

2. Um grupo, do qual atefazem parte alguns apostolos, declarou- 
M efilho do Altfssimo; sebem que possuisseos memos dons do Meu 
Pai, nao deixava deser uma personalidadediversa eo Proprio Espirito 
Santo, seria, final mente, umatercdraentidade, que, em certoscasos, Se 
manifestava com poder autonomo. 

3. Tais pareceres eram, todavia, contestados por alguns, que se di ri- 
gem a Pedro nestesentido; Pedro, entao, diz: "- Quando denossa pee 
grinagao por esta zona, o Proprio Senhor perguntou a opiniao alheia e 
final mente qual o nosso conceito sobreSua Pessoa. Asrespostasforam as 
maisdiversasequandofui chamado para responder, extend o que senti: 
Eso Filho do Altfssimo! E de, satisfdto, classificou-mede"rochadefe", 
sobre a qual iria construir Sua Igreja, que jamais seria dominada pda 
forca do inferno. Destemodo, minha opiniao foi por EleMesmoconfir- 
mada ejulgo nao agir erradamente, senda persisto como rocha." 

4.Joao, porem,divegedaobservagaode Pedro ediz:"- Ndehabi- 
ta fisicamente a Plenitude Divina! Reconheco-O, pois, como sendo a 
M esma Personal idade. N o Filho, pleno do Espirito D ivino, vejo, apenas, 
o Corpo necessario para atingir certa finalidade; em Seu Todo, e Ele 
identico a D ivindadeque N de habita em Plenitude. 

5. Acasoseriameu corpo outraindividualidadequeminhaalma?N ao 
perfazem ambosumaso pessoa, naoobstanteteraalmaformado, no inicio 
de meu ser, estefisico, desortequese podeia afirmar: a alma revestiu-se 
dum corpo material, encobrindo-sede uma outra personal idade? Sebem 
que sepossadizer ser o corpo um filho ou uma criagao da alma, denao 
perfaz outra entidade, com ou sem da. Tao pouco poderi a se afirmar isto 
do espirito contido na alma: poisqueseriauma alma sem centdhadivina? 
Torna-sesomenteuma criatura perfdta, quando o espirito a houver pene 
trado onde entao, espirito, alma e corpo, sao uma so pessoa. 

6. Alem disto consta: Deuscriou o homem perfdto deacordo com 
Sua Imagem! Sendo, portanto, o homem uma so pessoa constituida de 
espirito, alma e corpo- deacordo com a Imagem Divina- DeusMes- 



Jakob Lorber 

144 

mo, como o Espirito riginal de M axima Perfdcao, envolto duma alma 
igualmente perfeita, Se nos apresenta n'um so corpo; e por conseguinte, 
Urn D euse jamais tresDivindades, por acaso ainda, divididasem tres 
pessoas Eismeu parecerqueafirmarei parasempre, sem quererseruma 
rochadefe!" 

7. Respondem todosa mesa: "- Joao falou acertadamente!" 

8. Pedro tenta corrigir-se dizendo: "- E isto mesmo; somentenao 
tenhotal verbosidadeparaexporminhacompreensaodemodotao rapi- 
do, pois este assunto sempre sera de dificil assimilacao." 

9. Antepoejoao: "- N em por isto. Pdo teu jdto ninguem o com- 
preendera; pdo meu, penso ser maisfacil. Queo proprio Senhor, seja 
nossojuiz!" 

10. D igo Eu: "- A fe muita coisa consegue; o amor, porem, tudo 
alcancalTu, Simon Juda, esumarochanafe, enquanto Joao e urn dia- 
mante puro no amor, por isto possui acompreensao maisprofundaentre 
todos. Por tal razao e M eu Secretario particular, etera deescrever coisas 
misteriosasparao entendimento comum. Amortao profundo comporta 
asabedoriamaisdevada; afe, apenasdeterminadoconhecimentoonde 
consta: Ateaqui enao maisalemlG uiai-vospdo parecerdeM eu Amado, 
pois M e sabera transmitir ao mundo, de modo completo!" 

11. Pedro encabula com M inhasPalavrasenointimcalimentadesde 
ai, certainvejadejoao. Por este motivocomentou aatitudedejoaoaposter 
Eu ressuscitado, poisquetambem deM eseguia, em bora Eu apenastivesse 
dado tal ordem a Pedro; desorteque profetizd a i mortal idadede Joao eo 
povo fez correr a lenda que este apostolo jamais morreria. 

12. Pedro indaga do outro, dondelhevinhacompreensaoeconhe- 
cimento tao profundos. E Joao responde: "- Ve, nao meencontro em 
teu intimo nem tu teachasno meu; alem disto, falta-meamedida pda 
qual pudessedeterminar a razao deser maisacertado, o meu parecer. Se 
o Senhor Pessoalmente espedficou a diferenca entre fe e amor, isto te 
sirvaderesposta. SomenteElepodedesvendaro nossoamago, portanto, 
tambem sabera definir nossa diversidade" Satisfdto com esta resposta, 
Pedro secala. Como acdativesseterminada, levantamo-nosesubimoso 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

145 



morro proximo. 



89. A Pedra Luminosada Fonte do Nilo 

1. M al havfamos tornado assento no morro, ja conhecido, M arcos 
seaproximacom todaasuafamilia, pedindo-Meencarecidamenteficar 
duranteodiaseguinte, poislhedoi ocoragao por saber deM inhaPartida 
ainda antes da aurora. 

2. D igo-lhe: "- N ao teaflijas! Posso ir ou ficar, porquanto o tempo 
nao M e obriga a agir. Sou o Senhor do tempo e dos tempos que jamais 
Mepoderaoinfluenciar. Existem, porem, muitoslugarejosquetenhode 
visitar; todavia, uma hora mais ou menos, nao tern importancia onde 
encontro urn amor verdadeiro e vivo." 

3. C om lagri mas nos olhos M arcos exclama: " - Senhor e Pai ! G ra- 
tidao eterna por tao imensa G raga! Tua Vontade se faga para sempre! A 
noite, porem, e por demaisescura em virtude das nuvens que cobrem o 
C eu. N ao conviria mandar trazer algumas tochas?" 

4. Respondo: "- Deixaestarquenossupriremosdeluz!" Em segui- 
dachamo Raphael elhedigo: "- No centra da Africa onde seacham os 
picos elevados chamados Komrahai e onde, numa rocha, brota a fonte 
do N ilo, encontraras na altura de dez homens, oculta entre o entulho, 
uma pedra do tamanho duma cabega humana. Traze-a aqui, pois ilumi- 
nara suficientementea escuridao da noite. Ao voltares, deposita-a naque- 
letroncodondesualuzemanarasobretodaazona. Falo-te, comoseforas 
humano, em virtude dos homens, a fim de que saibam Q uem Sou e 
reconhegam M eu Poder em tua agao!" 

5. Raphael desaparece, paravoltar instantaneamente, qual meteoro, 
transportando a pedra luminosa, qual Sol. Antesdedeposita-laem cima 
dotronco, muitospedem paraanalisa-la. Entretanto naoepossivel satis- 
fazer-lhestal pedido, porquanto na sua proximidadealuzeinsuportavel; 
assim queo anjo a leva ao lugar por M im determinado, tudo setorna 



Jakob Lorber 

146 

visi'vel ate a longadistancia. 

6. E facil compreender-seaestupefagao deZinkaeseu grupo, que 
mal podem respirar. PrincipalmenteZorel procura extern ar-sedentrode 
sua logica habitual, sem algo conseguir, porquanto suas nocoesmatema- 
ticascolidem com estefenomeno. Elepordiversasvezeshaviavisitadoo 
Egito como vendedor de escravos, e tinha chegado ate as cataratas, no 
quelevaracincoaseissemanas, escoltado por bons camelos 

7. De acordo com seu calculo, urn furacao levaria tres dias, uma 
flecha, meiodia para tal distancia. Q uevelocidadepoisnao usou Raphael 
paratanto! Sefor eleum espirito, como podecarregar u'a materia, eesta, 
mesmo sendo dequalidadetao dura? Como era possi'vel protege-la con- 
tra a desintegracao pelo atrito do ar?! A lei da N atureza nao esclareceesta 
possibilidade! Alem disto, era precise seconsiderar a forte irradiacao de 
luz jamais vista! Ate esta data so se havia descoberto uma luz fraca, em 
madeira apod red da; assim conjeturaZorel. 

8. Em seguidavira-separaComeliuseZinka: " - Istosepodedeno- 
minar urn verdadeiro milagre, pois nunca foi visto fato semelhante na 
Terra! Que qualidade de pedra sera esta e que valor nao teria para os 
tesouros dum rei?! N as extensas costas da Africa, alem das Colunas de 
H ercules, (Gibraltar), naszonasondeasfaldasdoAtlastocam oOceano 
Atlantico, observam-se, dequando em quando, pedrassemelhantes; sua 
luz, porem, nao perduraenum recinto, logo seapaga. Esta aqui parece 
sertoda especial eportantode valor incalculavel." 

9. Diz Cornelius:"- Naoemvirtudedeseubrilho, masporAquele 
Q ue a fez trazer. D eixemos este assunto. Amanha, quando nossos olhos 
estiverem habituadosa luz do Sol, maisfacilmentepoderemosanalisar 
estefenomeno." Nisto aproxima-sede M im, Ouran ediz: "- Senhor, 
que sera feito desta pedra?' 

10. Respondo: "- Com tal pergunta, extemastepropriamenteo 
desejo de possui-la para tua coroa. Isto, no entanto, nao sera possivel, 
porquepoderiam irromperguerrasfatidicaspelaconquista. Portal ra- 
zao, M eu Raphael a repora amanha no lugar anterior, evitando uma 
possivel contenda." 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

147 

11. Observa C irenius: "- Senhor, como oferta ao Imperador esta 
preciosidadecausariaforteimpressao." Digo Eu: "Certamente; mastam- 
bem la despertaria a inveja, cujasconsequenciasseriam inevitaveis. Pre- 
sentear-te-ei com alguns esti Ihagos para satisfazer-te." 

12. Prossegue C irenius "De que modo se produz sua irradiagao 
luminosa?" Respondo: "Taispedrasnao pertencem a Terra, mas proven 
do Sol, onde, devezem quando, sedao grandeserupcoesduma violencia 
incompreensi'vel, projetando-asao Espago Imenso. 

13. Sualuminosidadederivadesuasuperficieextremamentelisa, na 
qual seacumula, constantemente, quantidadedefaiscas, incentivando os 
elementos algemados na materia grossei ra, para uma atividade continua. 
Alem disto, eesta pedra muito transparente, deixando transluzir a acao, 
elevada a maxima potencia, pela vibragao externa dos elementos do ar. 

14. EssasfilhasdoSol naoseacham lade modo natural, esim sao 
formadaspelasmaosartisticasdeseushabitantes. G eralmentesao encon- 
tradas em forma redonda, em regioes de grandes rios. Por ocasiao das 
erupgoescolossaissaofundidosblocosde minerals variadoseprojetados 
no eter, recebendo semprea forma arredondada duma gota, em virtude 
da forca centripeta localizada em toda materia. 

15. retorno de tais bolides de variados tamanhos dura, as vezes, 
dias, semanas, meses e ate muitos anos, a medida do impeto com que 
foram expelidos Alguns se espatifam nas montanhas de rochas solares; 
muitos caem nosimensosriossem causardano, dondesao retiradosfa- 
cilmente pelos habitantes. Esses podem permanecer durante horas de- 
baixo d'agua; trabalham no fundo do mar como em terra seca, poisalem 
deterem estafaculdadeanfibiana, possuem i nstrumentos muito apropri- 
adosparatalfim. 

16. Quando depossedeumaquantidadedesses bolides, as criaturas 
ainda os pulem ate que comecem a luzir. Isto feito, sao colocados nas 
catacumbas onde sempre ha corrente de ar, em colunas especiais, pres- 
tando servico duplo: urn de iluminar tais labirintos, outro como enfeite 
mui apreciado, poisla uma si mples moradia e internamente muito mais 
enfeitada que oTemplode Salomon, em Jerusalem. Assim, facil edese 



Jakob Lorber 

148 

imaginarqueos habitants do Sol, mormenteos da esfera central, tudo 
empreendam paraenfeitarsuashabitagoesTodavianao nosrainimosa 
fim de discorrer sobre a narrativa do planeta solar, mas para fortalecer 
vossa fe, e para tanto necessi tamos de outros meios." 

17. InterrompeCirenius"- Senhor, seestebolideetaoduro como 
diamante, como tirar-lhealgunsfragmentosquegostaria guardar como 
lembranca desta noite?" 

18. Respondo: "- Tuas precaucoes sao por demaisterrenas Existe 
ainda grandequantidade, seja na Africa ou no Sol, distancia desomenos 
importanciapara M eu anjo. D este, ninguem poderadesprender urn frag- 
mento sequersem destrui-lo e, nessecaso, perderiaafaculdadeluminosa. 
Agora, mudemosdeassunto. 



90. Alma e Corpo 

1. (0 Senhor): "- Zorel eZinka, aproximai-vosdeM im edizei-M e 
quedesejaisveresaber." M anifesta-seprontamenteZinka: "- Senhor, eis 
uma questao dificil deser resolvida por pessoas imperfeitasquesomos 
Por certo ignoramoso que nos seja necessario saber, enquanto nao cons- 
titui isto segredo paraTi, por isto, tudo que nosfizeres peloTeu I menso 
Amor eSabedoria, so podera reverter em nosso beneficio." 

2. DigoEu:"- Muitobem;sendooconhecimentodasobreviven- 
cia da alma apos a morte algo de maior importancia, analisaremos este 
ponto maisdeperto.Japordiversasvezesvosdemonstrei em queconas- 
te a morte propriamente dita, e quais os efeitos para alma e espirito. Se 
vos explicar tal fenomeno por teorias extensas, nem daqui a urn ano 
terminariamos; por isso exemplificarei tal problema, facilitando-vos a 
compreensao. Antes, porem, deveis saber a maneira pela qual alma e 
corpo estao ligados. 

3. A alma, como conglomerado deelementosdeatracao, edesubs- 
tancia puramente eterea; o corpo, tambem contendo em sua natureza 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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dementosde>eos,torna-secomdahomogeneo. Estaafinidadeeounico 
laco que prendea psiqueao fisico, onde pouca ou nenhuma atracao se 
manifesta; mesmo havendo essa afinidade, deve ser expelida do corpo 
pelo processo da decomposicao, e integrada no Alem a alma, de certo 
modo desnuda. 

4. Se em vida a psique tiver assimilado em demasia os elementos 
materials do corpo, da tarn ben eatingida pela morte, devendo decom- 
por-sejuntamentecom ele, despertando, apenas, aposvariosanos, em 
estado de maxima imperfdcao. C laro e, ser mui dificil elevar-se para a 
luz, porquanto nelatudo e materia obscura, onde reina pouca manifesta- 
gao devidaegrandetrevaem todososrecantosdesuanatureza. 

5. Por muito tempo sera impossivd cogitar-sedo despertar espiritual, 
atequeaafligaoetodasortedehumilhagoestenhamexterminadodaalma 
aignoranciatremendaeosdementosdocorpo. No Alem, este processo e 
muito mais penoso queem vida, porquanto a alma tera de permanecer so, 
em compldo isolamento, afim denao sertragada, em sua natureza infor- 
ms por outra entidade plena de fogo vital, como desaparece uma gota 
d'aguaemcimadeumachapaincandescenteTodaalmaincompldavale- 
diantedeum espirito perfdto - aquilo quedissea M oyses, desejoso de M e 
ver: N ao poderas ver D eus e conti nuar com vida. 

6. Q uanto maispotentesemanifestaumaentidadetanto maisforte, 
poderosaepesadaseapresenta, tomando impossi'vd asobrevivenciaduma 
inferior, a nao ser acerta distancia. Q uevem a ser o mosquito perto dum 
defante, a mosca ao lado do leao? Q ual seria o valor do musgo ddicado 
perto do cedro centenario, no Libano? Esta Terra perto do grande Sol? 
U ma gota d'agua comparada a urn fogo poderoso?Vosso peso nascostas 
dum paquidermecertamentenao o perturbara; se, porem, pisaresuma 
formiga, seraaniquilada. 

7. Se isto e palpavd em a Natureza, muito mais pronunciado se 
apresenta no Reno dosespiritos. Em toda a manifestacao devida existe 
a necesadadeinsaciavd para urn acrescimo destesdementos, eo princi- 
piodeatragaoeuniaoegmplesmenteoamor. Seasam nao fosse, nao 
haveria Sol, nem Terra e muito menoscriaturas. 



Jakob Lorber 

150 

8. Existindo em a vida o principio vital de atracao, esforcando-se 
constantemente por uma uniao a outra semelhante, tais elementos 
inteligenciados e isolados, agrupam-se para uma unica manifestacao 
intelectiva de projegao maior, surgindo assim de muitos elementos de 
fraca intdigencia, urn serdegrandepoder intelectual. 



91. Desenvolvimento de Almas Fracas no Alem 

1. (0 Senhor): "Sedentrodetaisprincipios, uma alma fraca edesnu- 
da, encontrasseno Alem urn espirito semelhantea Raphael, imediatamen- 
teseria por detragada, assim como o mar absorveuma gota dechuva. Eis 
porqueprevaleceem todo o U niverso, o cuidado determinado por M im de 
sedeixar uma psiqueainda fraca eignorantenum isolamento complete 
permitindo apenasa aproximagao deoutras, a da semdhantes 

2.Taispotenciasdevidanao sepodem tragar reciprocamente, por- 
quanto sao deforca e poder identicos; entretanto, formam agrupamen- 
tosondeconjeturam,sobrequal medidaatomar;sendosuaintdigencia 
identica, nadadebompodedai surgir. Imaginai umaassembleadepes- 
soas intdramente desprovidas de compreensao, tentando resolver algo 
razoavd. Q ual seria o efdto? N ulo. 

3. Aindahojeexistem - mormenteem ilhas- povos que la vivem 
desde a epoca de Adam; sao descendentes de Cain, na mesma cultura 
intelectual, quehadoismil anosatras Porquenaoobtiveram progresso 
cultural, nao obstante as variadasassembldas? Por sero maissabio dentre 
eles, maisignorantequehojeum pastor desumos Setal easituagaodo 
sabio, queesperardosoutrosquelhepedem consdhos?! 

4. N aturalmente indagardso motivo por que D eus nao Ihesenviou 
algunsprofetasinspiradospdoseu Espirito,- edsonossopontoadis- 
correr. N esses povos habitam almas mui primitivas, de sorte que uma 
orientacao mais devada as aborreceria, prendendo-as num julgamento 
infindo. A Verdadepuraesublimeastransportariaa maistenebrosasu- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

151 

perstigao, onde se haveriam de positivar de forma tal, que nem Eu as 
poderia libertar. 

5. Por isso e necessario que permanegam, por mais mi I anos, em sen 
atual conhecimento. Decorridaessaepoca, serao procuradosporpessoas 
demaior inteligencia, quelhesensinarao atravesdeexemplos. Detem- 
pos em tempos, tal surpresa se repetira. Passados alguns seculos, com 
estas instrugoes aqueles povos estarao mais providos fisica e psiquica- 
mente, sendo entao possivel a gradativa aplicacao dum conhecimento 
maiselevado. 

6. Do mesmo modo, porem maisdificil, sucedeno Alem aevolucao 
e o aperfeicoamento duma alma surgida da N atureza, completamente 
desnuda. Tern de permanecer isolada eem total escuridao, ateque, leva- 
da pelo proprio sofrimento, resolva sacudir sua letargia semi -material, 
comegando a formar pensamentos mais concisos em seu coragao. 

7. Quandotaispensamentossetomarem maisnitidosefirmes, faz- 
se uma pequena luz em tal entidade, alcangando uma certa base onde se 
possafirmarecaminhar. Estecaminhar, consisteem passardum pensa- 
mento a outro eduma impressao a outra. Trata-seduma busca quetera 
deser satisfeita, do contrario, a alma recairia no antigo estado de i nercia. 

8. Senesteanseio elaalgo encontrar, eimpulaonada para outra bus- 
caepesquisa, eacaso achando vestigiosdumasemelhante, nao descansa- 
ra ate que encontre o que espera. 

9. Por essa pesquisa intensiva, ela setorna maissazonada e procura se 
saciarcom tudo quelheproporcioneum involucro parao seu corpo etereo. 
C a e acol a tarn bem acha al go para sati sfazer f ome e sede poi s quanta mai s 
se manifesta urn sentido, em virtudedo crescentefogo vital, tanto maior 
oportunidadeseapresenta para Ihedespertar novas necessidades 



92. Conduta das Almas no Alem 

1. (0 Senhor): "Porestemotivooespirito, incumbidodeguiartal 



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psiqueacerta distancia, deveusardamaiorprecaucao, afim dequeela 
venhaapenasencontraro quelheproporcioneum avanco. 

2. Somente, com o tempo, poderaencontrarumasemdhante, opri- 
mida pelo mesmo sofrimento, entrando num intercambio identico ao de 
duascriaturasquenaTerrasofrem amesmadesdita. Apiadam-serecipro- 
camente, poucoapoucodeliberandoamaneirapelaqual poderiam me- 
Ihorar seu destino. 

3. Compreende-sesertal semdhancaapenasaparente, docontrario 
urn cego setornariaguiado outro, ondefacilmenteambostombariam 
na vala, situagao pior que a anterior durante o isolamento. 

4. espirito que- como por acaso - aborda uma alma ainda jovem, 
naodevedeixartransparecersuaperfeigao, mastomar-seinicialmenteigual 
a da. Estando alegreele rira com da; chorando, tambem imita-la-a. So- 
mente quando da se aborrece e amaldicoa seu destino, o espirito deve 
aparentar o mesmo desgosto, entretanto simular o insensivd que pouca 
importancia da a situagao. Desde que as coisas nao mdhorem, convem 
ddxa-las como estaolTal ponto de vista, torna ajovem alma maisacessivd, 
satisfazendo-secom umapequenavantagem queseapresentecasualmente 

5. H avendo encontrado urn pequeno pouso, deve ser entregue ao 
seu destino, enquanto nao manifestar necessidadedemdhoria. Asseme- 
Iha-se da as pessoas que aqui se contentam com uma posse diminuta, 
quando selhesdaonecessariosustento. Progressoalgum Ihestoca. Acaso 
os afazeres dum imperador ou general Ihes dizem respdto? Enquanto 
tiverem o que comer eseu descanso dominical, sentem-sefdizes 

6. D e modo identico ea situacao duma alma que, aposter saido de 
seu estado de isolamento, alcangou urn bem-estar rdativo pdo proprio 
esforgo, nada mais almejando para seu progresso, porquanto despreza 
tudo queseja sacrificio. 

7. Suponhamosteruma alma encontrado urn empregocom pessoas 
de boa indole de sorte que nada Ihe falte, ou tenha conseguido a posse 
duma casinha com horta, algumas cabras e, talvez, ainda urn ou dois 
servos. Em tal caso, o espirito guia, nadateradefazer, ddxando que da 
permaneca por algum tempo neste estado. 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

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8. Pelo afastamento temporario, dara impressao tentar eleproprio 
algo de melhor; quando de volta, relatara ter encontrado situagao mais 
vantajosa, masseradificil consegui-laporseprenderamuitotrabalholA 
jovem alma certamente indagara da especie daquela tarefa; uma vez 
esclarecida e demonstrando inclinagao para tanto, o guia a conduzira 
para tal local. Assim sendo, deixa-la-a, cuidando dos produtos de sua 
hortaquecadavezmaisescassostomar-se-aoefinalmentenemlhesupri- 
rao as necessidades prementes. 

9. A alma entao tudo fara para aumentar a produgao; o guia, no 
entanto, nao Ihefacultaratal ensejo, masprocuraraconvence-ladocom- 
pleto insucesso de seu esforgo, ate que ela propria venha a manifestar 
vontadedeabandonaraquelamorada, eaceitarum servigoquelhepro- 
porcionefuturo maisseguro. 

10. guia a conduzira para urn emprego queexija muito esforgo; 
elemesmo, porem, afastar-se-a novamentesob alegagao deter encontra- 
do urn servigo bem pesado, com boa remuneragao. A alma eorientada 
em sua incumbencia; advertida, tambem, dequequalquerdedeixo Ihe 
sera descontado, enquanto urn aumento deseu esforco Ihetrara acresci- 
mo monetario. Ela, entao, decidiraporconta propria: cumprindo asexi- 
gencias, sera levada a urn estado de maior conforto, onde comecara a 
receberainsuflagaodepensamentosesentimentosmaisvariados. Caso 
contrario, o anjo protetor a fara voltar a anterior penuria. 

11. Seaposcerto tempo elativer caido em extrema miseria, o guiase 
apresentara bem situado, como proprietario demuitas terras, eindagara 
da alma por que razao havia desleixado o emprego tao promissor. Ela, 
naturalmente, comegara a sedesculpar do esforco que Ihefora exigido. 
Entao Ihe sera demonstrado que sua situagao, nessahortaesteril ebem 
maispenosaesem expectativademelhoria. 

12. D este modo, ela sera induzida a aceitar novamenteuma coloca- 
gao onde tudo fara para satisfazer as exigencias, o que Ihe trara pronto 
beneficio, todavia, deve ser mantida na ideia de ainda estar viva. Almas 
materialistas custam a compreender sua situagao apos a morte, sendo 
preciso ensina-las pelo caminho apropriado. Esteconhedmento so Ihe 



Jakob Lorber 

154 

sera suportavel, quando tiverem alcangado um progres50 que Ihesfaculte 
consistencia maissolida. So entao estarao aptasa pequeno ensinamento, 
porquanto comega a manifestar-seo germedo espirito. 

13. Tendo a alma aceito encontrar-seno mundo dosespiritoseque 
seu destino eterno depende, unicamente, deseu proprio esforco, devera 
Iheser demonstrado o caminho justo do amor paraComigo eao proxi- 
mo, cabendo-lhepalmilha-lo por livrevontadeedeterminacao propria. 

14. Igualmenteorientadasobreaquiloquedequalquermaneiralhe 
enecessario alcangar, o guiaadeixaranovamente, atequedao chameem 
seu coracao. N ao externando desejo desua presenca, ela ipso facto estara 
no caminho seguro; desviando-sepor atalhos, deprovocara novo estado 
de penuria para ela. Reconhecendo seu erro e pedindo pela presenca do 
guia, de se aproximara, demonstrando com paciencia a inutilidade de 
seuempreendimento. 

15. Se ela manifestar novo desejo demelhoria, ele a satisfaraecaso 
ela cumpra seus deveres sera favorecida, mas nao tao rapidamente como 
daprimeiravez, porquanto recairiafacilmentena I etargi a anterior, don- 
desosairiacom dificuldade, pois cada rd ncidencia a tornara endurecida 
qual tronco que, deano para ano, custara maispara sedeixar envergar. 



93. Progresso da AlmanaTerra e no Alem 

1. (0 Senhor): "Subentende-senaosetratardecaso isolado, masde 
norma basica, pda qual se deva uma paque, aqui e no Alem, de seu 
atraso materialista. Existem variedades incontaves cada qual exigindo 
especial tratamento; entretanto, ha uma regra quetodosdevem conside- 
rar, assim como o solo tern deser estrumado com a chuva, afim deque 
a semente lancada germine. A manera pda qual os variados graos no 
solo aguardam sua vivificagao, assimilando dachuvaaquilo dequeneces- 
sitam, etarefa da intdigencia peculiar daqudesespiritosquehabitamnos 
graos, portanto sabem cuidar desua morada. 



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2. Demonstro-vosisto paraquereconhecaisadificuldadeinerenteao 
caminho daperfeicao, noAlem, equaofacil elesedanaTerra, ondeaalma 
epossuidoradocorpofisico, noqual podedepositarsuastendencias mate- 
rials, tao logo o queira. N o Reno dosespiritos, isto nao etaofacil. A alma 
sem corpo, tambem deixou de pisar em solo terreno, e flutua sobre base 
espiritual, provindadeseuspensamentoseideias, inadequadosaassimila- 
cao da materia expelida pda psique a fim de enterra-la para sempre 

3. M esmo el a tentando algo enterrar em seu solo, poderia ser com- 
paradaatentativadesejogarumapedradaquiaoEspaco Infinite. Quern 
possuisseforga para atira-lanumavelocidadequeultrapassassetrinta mil 
vezesadumaflecha, tal impeto nao maisadeixariavoltaraTerra; porem, 
uma forca menor nao surtiria efeito. 

4. Tal easituagaodumaalmanoAlem, presa a seus pecados Seela 
osafastadesi eosatira sobre seu solo, pouco efeito tera, porquanto a base 
psiquica em queseencontra, etanto sua possequanto a forga deatragao 
teluricafaz parte daTerra, sem delasepoderafastar. 

5. Se, portanto, umaalmanoAlem pretendesedesfazerdetudoque 
seja materia grosseira, preciso equevenhaaagir umaforga maiselevada; 
estaforgapousajustamenteno M eu Verbo eem M eu N ome! Eisporque 
Deusproferiu: DiantedeMeu NometodosseajoelharaonosCeus, so- 
breedebaixo daTerra! N isto, subentende-setodasascriaturasdosinu- 
meros mundos no Espago Infinito; pois, no Ceu, habitam osfilhosja 
perfeitos de D eus N esta Terra, somente os que sao destinados para tal 
fim. Seela, portanto, possui esteprivilegiosublime, suadignidadeperan- 
te D eus esta acima de todo o U niverso. s demais corpos cosmicos sao 
moral mente inferi ores, assim como seus habitantes, no que se entende 
"osque habitam debaixo daTerra". 

6.JavimosquesomentepelaM inhaPalavraeM eu Verbo umaalma 
sepurificaraporcompleto. Isto, porem, nao etaofacil, poisnecessitade 
grandespreparativos. Preciso equeapsiquesetenhaexercitado em atitu- 
des independentes e ser possuidora duma forca consideravel, antes de 
poder aceitar M eu Verbo e, finalmente, o M eu N ome. N esta situacao, 
ser-lhe-a facil expelir o ultimo atomo de seu territorio, de tal forma a 



Jakob Lorber 

156 

impossibilitar que volte para la." 



94.0 Desenvolvimento PsIquico 

1. Interrompe Cirenius que havia prestado a maxima atencao: - 
"Senhor, nao pos50 negarter compreendido tudo queacabastedeexpla- 
nar, - todavia, tenho a impressao dequeum dia nao mepos5aexternar a 
respeito, o que me deixa triste. Talvez fosse possivel nos dares mais uma 
pequenaelucidagao." 

2. DigoEu:- "Amigo, v6sromanos,tendesum bom proverbioque 
diz: Longum iter per praecepta, breviset efficax per exempla. (0 caminho 
doensinoelongo, odoexemplo, curtoeeficaz). Isto seaplica no mo- 
mento; espera, pois, pelosexemplosquevosdemonstrarei em breve. Es- 
clarecer-te-ao as tuas atuais duvidas. N o seu todo compreenderas o as- 
sunto, somente, quando o Espirito Puro da Verdade Eterna seespargir 
sobre vos, conduzi ndo-vos a todas as verdades de C eus e mundos 

3. Acasonaopercebesexistirumasolei natural nocrescimentodos 
reinos animal evegetal?!Todasasplantascrescem esemultiplicam atra- 
ves de seu interior, isto e, absorvem da umidade terrena os elementos 
necessarios, por incontaveiscanaisetubos, queassim purificadosseinte- 
gram a vi da vegetal. 

4. Osanimaisbuscam seu alimento na mesma fonte, apenaseele 
mais purificado pelo organismo das plantas;ou na came deespeci mens 
inferiores, do que no humo primitivo da terra. 

5. homem sealimentafinalmentedemateriasmaisapuradas, 
do rei no vegetal e animal. N ao Iheservem capim efeno, poisdosvege- 
tais necessita pri nci pal mente do trigo, edasarvores, osfrutosmaisno- 
bresedoces. Dosanimaisprocura, em geral, osmaislimpos, sentindo 
ascodosimpuros. 

6. Q uantos desvios e aberragoes nao existem no desenvolvimento 
dos rei nos vegetal eanimal!Todavia,todosalcancam suafinalidade. N ao 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

157 

podepassardespercebido, aosolhosdum pesquisador, queno mundo da 
N atureza urn elemento serve para o progress) deoutro. 

7. A vida da alma tern de ser filtrada pdos elementos variados da 
N atureza. N o comego seacha da no eter, ondeconcentra pda atragao com 
dementossimilareseafins Nesteprocessosetornamaispesada, emergin- 
do em seu proprio centra, criando uma substancia maisdensa esensivd. 

8. Como ar, a vida psiquica seaglomera,surgindoasnuvensenebli- 
nas que por sua vez se transformam pda atragao, em gotasd'agua cai ndo 
a terra como chuva, saraiva, neve, orvalho e, em certaszonas, permane- 
cem como formagoes nebulosas e nevoas umidas. 

9. A agua, muito emboradequalidade inferior, estatodaviaacima 
do eter e do ar, sendo obrigada a servi r de modos variados aos su peri ores 
centres de vida. Tern de amolecer a existencia endurecida dentro da pe- 
dra, acdtando tais dementos para leva-los ao progresso. Eis o primdro 
servigo prestado. 

10. Em seguida, devefazer passarasparticulaspsiquicasesubstanci- 
ais, asplantas. Quando tais dementos setiverem desenvolvido parafor- 
masdeinteligencia maisdefinida, sao desabsorvidospdo vapor e agua. 
Esta, teradelhesproporcionaramateriapara novas formasde vida, mais 
libertas. Deste modo, a agua trabalha sempre na propria esfera, nao 
obstanteddasedesprenderem constantemente, urn sem numero depar- 
ticulasintdigenciadasdevida psiquica, queselibertam mais e mais. A 
incumbenciadaaguaemui simples. Aordno vegetal jacabeum servi go 
mais vari ado e complexo, o que deparamos na mais si mples planta. 

11. Maisdiversoseimportantessaoosprestimosparaaevolugaoda 
vida psiquica, nos mais fnfimos e simples animais, proximos do rdno 
vegetal. E assim,odesempenhosetornasempremaisentrdagadoame- 
dida do progresso da vida psiquica. 

12. H avendo a vida psiquica se integrado intdramente na forma 
humana, sua primdra determinagao eservir; poisexistem vari ados servi- 
gos naturais e obrigatorios na criatura. Alem desses, umaquantidadede 
outros mais livrese muito maior numero deincumbenci as moraisqueo 
homem tern deaplicar. E setiverfdto todasassuasobrigagoes, ter-se-a 



Jakob Lorber 

158 

tamben devado a maxima perfdgao devida. Isto setornafadl em pesso- 
asque, desdeo nascimento, seencontram em posigao maisdevada. utras, 
que a bem dizer, ainda beiram o reino animal, nao o conseguem aqui. 
Terao deevoluir no Alem, sempre no caminho basico do servir. 



95. A FlNALIDADE DO SERVIR 

1.(0 Senhor):"- Peloservirsepraticaeevolui na humildade; pois 
quanta mais inferior umatarefa, tanto maiorutilidadeparaaverdaddra 
formagao da vida. A humildade e nada mais que a condensagao mais 
forte da vida, em si. orgulho e uma criagao futil, a dispersao para o 
Infinite, a perda completa da propria vida, o que podemos chamar a 
segunda morteou a morteespi ritual. 

2. No orgulho, nao existecooperagao eportanto nenhum progres- 
so. Sepdo dominio orgulhoso seconcretizasseo desenvolvimento vital, 
Eu, por certo, teria estabdecido uma ordem quefacultasseao homem 
esse direito. Sendo o orgulho contrario a M inha rdem Eterna, toda 
criatura e anjo tern de se submeter a servir e encontrarao, por fim, a 
maior fdicidadeebem-aventuranga, naconstantecolaboragao. 

3. Sem cooperagao, nao ha vida, nem continuidadeda mesma; nao 
existirafdicidade, nem amor, nem sabedoria, nem alegrias, tanto aqui, 
quanta noAlem. E quern julgarseroCeu urn ambientechdodeodosi- 
dadeedolcefar niente, enganar-se-a. 

4. E justamente por este motivo, que aos espiritos fdizes dos Ceus 
mais devados, sao conferidos forga e poder tais, que prestam a M im os 
servigos mais rdevantes, assim como a todas as criaturas, em sua vida de 
provagao. Que utilidade teria o dom da forga criadora?! Seriam precisas 
forga esabedoria para a ociosidade?! Sesua atividadeecooperagao ja cons- 
tituem uma importanda indescritivd para este planeta, quanta nao repre- 
sentarao parao mundo dosespiritoseatravesdeste, paratodo o Infinito? 

5. N ao vim ao vosso convivio a fim de educar-vos para o ocio ou 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

159 

apenasparaa lavoura, criacao degado etc., mas para formar-vos trabalha- 
dorescompetentesdagrandeVinhaCeleste. M inhaDoutrinaseconcreti- 
za, primeiramente, no aperfeicoamento de vossa vida interior; segundo, 
para que vosproprios, como criaturasperfeitas, possaisvostomaroscola- 
boradoresmaisintegroseaptos, em vidaemormenteno M eu Reino. 

6. Setal naofosseM inhalntengaofinal eEu vosdissesse: Agi apenas 
em vidaterrena; poisno Alem podereisdescansareternamente, no maior 
conforto, e olhar boquiabertos as M aravilhas de Deus!, Eu deveria ser 
maistoloquequalquerumdevos. Porcerto,fitareisasGI6riasDivinas, 
mas nao sem atividade, pois dela depende aumentardes as M aravilhas, 
tomando-as sempre mais gloriosas e di vi nas. 

7. E deM inhaVontadequea partir de agora, todos osMeus Pensa- 
mentoseldeiassejam porvos, M eusfilhinhos, realizadosaqui, para alma, 
coragao e espirito de vossos irmaos, e no Alem, em todos os grandes 
feitos, partindo da esfera inicial do espirito atesuaformagao na materia. 
Dela, porem, retornaraavidamultiplicada, pura, espi ritual mente I ivree 
perfeita. Para tanto sera preciso tempo, paciencia e atividade infinitas e 
uma identica sabedoria eforca quetudo abrange! 



96. PESQUISANDO OSSEGREDOSDACRIAgAO 

1. (0 Senhor): - "Nao deveis supor que urn mundo, como esta 
pequenaTerra, pudesse ser criadoepovoadodehoje para amanha. Para 
isto sao precisosmiriadesvezesmiriadesdeanos! Q ueperiodo imensoja 
nao e preciso apenas, ate que urn mundo seja apto para produzir urn 
homemlQuevariedadedeplantasedeanimaisparaestrumarosolopela 
fermentagao edecomposigao foi necessaria, atequeseformasseno mofo, 
aquele humo ondea primeira alma forte podeabsorver seu corpo dentro 
da rdem D ivina, util ecapaza procriagao! D este modo, asalmasfeitas 
elivres, porem, sem corpo, nao maisnecessitam forma-lo pelosvapores 
atravesdeseculos, mascriam-no pelo caminho maiscurto, num corpo 



Jakob Lorber 

160 

constituido detodasasnecessidades. 

2. Paratudo istosaoprecisos: muito tempo, muitasabedoria, muita 
pacienciaeumaforcainfinitalComo nao podeis- e muito menosEu - 
deixar de pensar eformar ideias, o ato criador prosseguesempre; pois nao 
epossivel se pensar no Nada. Mai opensamentosefazsentir, eleseapre- 
senta como forma; assim surgindo, eeleenvolvido pormembranaespiri- 
tual ecomoobjeto receptive! aluz,docontrarionaoopoderiamosperce- 
ber. Enquanto Eu formareprojetar M inhasldeiasePensamentos, evos 
o fazendo atravesdeM im, tal projegao nuncaterminara. Infinite ja- 
mais carecera de Espaco, tao pouco seremos molestados pelo tedio. 

3. Onde existe muito servico, as incumbencias sao multiplas, de 
acordo com o grau decapacidadedoscolaboradores. Q uem houver ad- 
quirido muitas qualidades dentro de M inha rdem, tera de dirigir os 
maisvariadosservicos, assim como os que pouco houverem conquista- 
do, terao tarefas menores. E aqueleque nenhuma aptidao tiver alcanga- 
do, tera de sofrer, no Alem, penuria e consumacao, ate que se tenha 
capacitado pelo esforgo intimo, livre e independents a aceitar o mais 
simples servi go; nao sesaindo bem, brevementeperderaaquilo quehavia 
conseguido com suasfaculdadesreduzidas 

4. A quern tern, ainda mais sera dado, paraquepossuaem abun- 
dancia. Q uem nada tiver, perdera o que ja possuia e seu destino sera: 
noite, treva, fome, miseria e toda sorte de sofrimento, ate que se 
prontifiqueasetomarativo dentro de si mesmo, para assim seradmi- 
tido a urn servico progressivo. 

5. Por isto, sede esforgados aqui, nao vos deixando ofuscar pelos 
tesourosdo mundo, quedesaparecerao como forma material da C riagao; 
acumulai, ao inves, osbensespirituaisquedurarao portodaa Eternida- 
de! Sede mordomos prudentes na morada de vossos coragoes; quanta 
maior numero de bensespirituais la tiverdesacumulado, tanto melhor 
passareisnoAlem. Quern em vidaagircom parcimonia, sera responsavel 
seencontrarasdespensasdeseu coragao inteiramentevazias. 

6. Aqui efacil acumular-se, poistudoqueefeitodeboavontadepor 
amor a Deus e ao proximo, sera convertido em ouro puro. N o Alem, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

161 

todavia, sera preciso conquistar e pagar com o ouro purissimo do esforco 
interna E isto, Meusamigos, edificil naqueleReinoondenaoexistem 
mi nas de ouro e prata materials. 

7. Aqui vos e possivel transformar em ouro os detritos da rua, po- 
dendo com isto comprar o Ceu, caso vosso coracao seja honesto no mo- 
menta da compra. N o Alem, ser-vos-a possivel, somente, produzir algo 
denobre, com vosso maispuro sentimento, empreendimento maiscom- 
plicado que transformar aqui, o ordinario pedregulho em ouro. Quern 
tiver produzido, em vida, grandequantidadedestemetal atravesdeobras 
boasenobres, naosofreranecesadadesposteriores; poisum graodeareia 
deste nobre metal, revertera, no Alem, num bloco imenso, fornecendo 
provimento correspondente. 



97. A Verdadeira Aplicacao do Amorao Proximo 

1.(0 Senhor):- "Nestemomentovejosurgirum pensamento ma- 
levolodentro deal guns, insufladoporSatanas. Ei-lo: Empregastesmuito 
esforco na aquisicao de vossos bens, para vos e vossos descendentes, e 
agora devereis esbanja-los com pessoas que passaram sua vida no ocio?! 
Q ue trabalhem para ganhar o pao convosco, que Ihes sera facultado a 
medida de seu merito! Q uem nao quiser trabalhar, que sucumba qual 
cao em plena rua! 

2. Afirmo-vosser maldoso tal pensamento! Como poderia urn cego 
trabalhar? Todavia, e ele vosso irmao com os mesmos direitos de viver 
que vos, possuidores dos cinco sentidos! Como deveriam trabalhar os 
pobres, velhoseascriancas fracas depaisindigentes, desprovidosdefor- 
cas? Entrevados e aleijados deveriam, acaso, procurar urn ganha-pao 
convosco que Ihes seria pago o maisreduzidamente possivel?! 

3. Como poderiam trabalhar aqueles que, diaadia, procuram uma 
colocagao, sem encontra-la?! Sempre ouvem a mesma desculpa de nao 
haver trabalho, no momenta. Entretanto, vosso pensamento mau man- 



Jakob Lorber 

162 

da que procurem noutra parte, ondeouviraoamesmajustificativalTais 
pessoas, finalmente, tomam-semendigasqueinsultais, chamando-asde 
vadias U m ou outro, entao, pratica o roubo; logo e preso por vos como 
animal furioso, maltratado edepoisatirado ao carcere U m terceiro atese 
torna assassino ou, no minimo, um temido assaltante Conseguindo 
prende-lo, sera condenado, encarcerado e morto demodo cruel. 

4. Eis os efeitos de vossos maus pensamentos que, desde sempre, 
foram insufladospelo principedastrevas. Isto nao maispodecontinuar, 
poi stem sua ori gem no inferno enaodevesurgir em vossas almas 

5. N ao exijo que distribuais todas as vossas posses com os pobres, 
por serdes M eusdiscipulos; deveistornar-vossabiosadministradoresda 
fortunaquevosfoi confiada,afim deque os pobres naopassem miserias 
e necesadades quando vos abordarem. 

6.VedenossoamigoEbahldeGenezareth. Desde que ehospedeiro 
acolheu milhares de pobres daqui e do estrangeiro, sem relutancia ou 
receio, emvirtudedesuafamilia;todaviasuafortunanaodiminuiu!Pelo 
contrario, etao grandequefacilmentepoderiaadquirir um imenso rei- 
nado. Entretanto,apenas, Ihedaimportanciapelomotivodepoderauxi- 
liarmaisemaisaosnecessitados Preocupa-secomsuafamiliaeemprega- 
dos no sentido deque possam tomar-se fortes no conheci mento de D eus, 
Unico eVerdadeiro; em compensagao, Eu Meincumbo detudo ede 
todos, evosgaranto que jamais algo faltar-lhes-a. 

7. Aosreceosos, entrego a preocupagao domestica, ejamaiscumularei 
seusceleiroscom trigo egrao esua lagariga nao transbordara devinho. 
Suas hortas nao demonstrarao acumulo de M inha Bencao, seus lagos 
nao serao turvados por grande quantidade de peixes e seu gado, sera tao 
pouco, o maisgordo do pais. Conformeseda, receber-se-a! Q uem mani- 
festar conf ianga fraca, colheradeacordocom ela! Darei atodosamedida 
desua confianga efe, frutosdo amor para Com i go e com o proximo. 

8. Sede, por isto, sempre misericordiosos, queencontrareis M iseri- 
cordia Comigo! M inha Atitude convosco corresponded aquela que 
usardes para com o semelhante Aconselho-vos serdes prestativos, exce- 
der-vos na caridade, amar-vos como Eu vos amo, e demonstrareis, ao 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

163 

mundo, quesoisrealmenteMeusdiscipuloseem espirito Meusverda- 
deirosfilhos. 

9. A finalidadedetodosseconcretiza na pratica do amor em vida, 
para a grande missao em M eus C eus. La, apenas o amor tudo fara, e a 
sabedoria que nao ten ha sua origem na chama do amor, jamais sera aco- 
Ihida no C eu, portanto, tambem, nada Ihe sera dado fazer! 



98. Auxilio MonetArio 

1. (0 Senhor): "Quern de vos possuir muito dinheiro, nao deve 
empresta-lo aos que Ihe possam devolve-lo em epoca determinada, pa- 
gan do- Ihe juros el evados, masaospobres, impossibilitadosderestitui-lo 
dequalquerforma;assimagindo,teracreditoComigo, quelhedevolve- 
rei capital ejuros, dezvezesmaisem vidaecem vezesno Alem. Quern o 
emprestar unicamenteaquelesque, em tempo cumprirem asexigencias 
ou sao obrigadosafaze-lo por ordem judicial, tera recebido seu premio 
demodocompleto, nao precisando aguarda-lodeM inha parte, poisnao 
M eprestou servigo esim, ao mundo e a si propria 

2. Certamentealegareis: "Emprestando-se, a juros, a quern seacha 
em dificuldadenaodeixadeserumaatitudecaridosa; poisooutroassim 
setomou ricoe, com facilidade, pode devolve" capital ejuros, enquanto 
o credor arriscou-sea perder suafortuna numa especulagao duvidosa. J a 
queauxiliou o pedinte, Deus, com toda Sua Sabedoria, nao poderacritica- 
loquandoaceitaroquededireito. Primeiro, por sero credor pessoa com 
asmesmasobrigagoesparacom terceiros; segundo, podesedaro caso de 
ser o dinheiro emprestado, sua unica posse a Ihe facultar os meios de 
subsistencia. Se nao exigir a devolucao, de que modo vivera? Poderia, 
acaso, odevedorquererficarcom aimportancia, quando Iheproporcio- 
nou grandeslucrosealem disto, nao ignoratersidoela a posse unica do 
prestativo credor?!" 

3. EisMeu Parecenoricoqueforabordadoporumamigoemdifi- 



Jakob Lorber 

164 

culdades, naodevepriva-lonestesentido. Emprestandoajurosprescritos 
por lei, tera feito uma obra de Bern que tera seu merito tambem no C eu. 
D e modo semelhante e obrigagao do devedor nao so restituir a impor- 
tancia com osjuros; seo lucrofoi considered, devedividi-lo espontane- 
amentecom oamigoquelhesocorreu. Este, porem, nuncadeveexigi-lo! 

4. N inguem e por M im obrigado a emprestar a um pobre, incapaz 
de poder empregar uma soma vultosa, porquanto tela assim esbanjado 
seus bens e ainda dado oportunidade ao pobre, a satisfazer seus apetites. 
Tal obra nao seria nem boa, nem ma, porem tola, portanto nao agradaria 
ao M eu Amor e muito menos a M inha Sabedoria. 

5. Se uma pessoa entendida no negocio, mas que, em virtude de 
maus resultados, ten ha se tornado pobre, nao deveser privada no que 
pede, mesmo nao havendo certeza dereaverdeso capital, nem osjuros 
Seo outro obtiver sucesso em sua empresa, sabera, como vosso irmao, o 
quefazer, poistem asmesmasobrigagoesquevos. 

6. Caso nao Iheseja posslvel devolver a importancia, nao vos com- 
pete zangar-vos com ele, ou procurardesreave-ladosseusdescendentes. 
Tal atitude seria inclementeecontraaMinhaOrdem.Sefilhosenetosse 
tomaram ricos, farao bem pagando adividacontraidaporseu pai ou avo, 
para com amigo tao humanitario, fazendo jus a M inha Benevolencia. 
amigo, por sua vez, tambem sabera como agir com tal importancia, por 
amor a Mimeao proximo. 

7. Se, portanto, afirmei que deveis emprestar vosso dinheiroaosque 
nao vos podem devolve-lo, queria apontar o queacabo deexemplificar. 
quefica abaixo ou acima disto seria tolo ou prejudicial, logo, grave 
pecado contra o amor ao proximo. 



99. Auxino Justo e o Auxino Errado 

1. (0 Senhor): "Serutil epoisograndelemaemtodasasesferasdo 
I nfinito, tanto no Reino da N atureza quanto no dos espiritos. s habi- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

165 

tantes do inferno tambem entendem do assunto, apenas divergem 
grandementeem suaaplicagao; la, afinal, todosquerem serobsequiados 
Caso um venha prestar servico a outrem, fa-lo apenas aparentemente, 
visando seu amor proprio e procurando enganar ao pedinte, para em 
epocaoportuna, deleseaproveitar. 

2. Uma alma infernal enalteceseu superior, do mesmo modo que 
umacertaespeciedeavesderapinaagecom astartarugas Suponhamos 
que um gaviao veja o esforco da tartaruga para sair do brejo a terra, onde 
tenciona saciar sua fome com ervas. gaviao esfaimado, amavelmente, 
tira-a do brejo econdu-la a terra seca e verdejante A tartaruga de pronto 
se entrega a saciar sua fome, enquanto ele a observa, por certo tempo e, 
de leve, experimenta a dureza deseu casco. N ao Ihesendo possivel bicar 
um pedagode came com seu bicoafiado, ele deixa que da paste ate que 
se torne mais destemida, esticando sua cabega para fora da protegao 
cascuda, naansiade ervas fresquinhas 

3. Percebendo isto, o gaviao pega a cabega vulneravel da tartaruga, 
com suas garras, carrega-a as alturas ate que depare em baixo, um solo 
pedregoso. I mediatamentesolta-a eela seespatifa sobrea rocha, enquan- 
to o gaviao queacompanhou acena, velozmenteseatiraavitimaecome- 
ga a encher seu estomago com o premio desua prestimosidade Tendesai 
um quadra nitido do zelo diabolico, em querer ser util! 

4. Assim, todo favor maisou menosegoistico esemelhanteasgenti- 
lezas do inferno e impossivel ter ele valor diante de M im e em M eus 
Ceus Somente um servigo desinteressado e divino, tendo seu premio 
verdadeiroecompleto. 

5. Sequiserdesprestarservigosreais, deveisagir por amor everdadei- 
rafratemidade usual nosCeus. Sealguem vospedir um obsequio, efetuai- 
o com alegriaeamor, nao perguntando antes pelo pagamento; tal atitude 
e comum entre pagaos, que desconhecem o Verdadeiro Pai no Ceu e 
buscam seuscostumesnosanimais. Provam isto osegipcios, cujo primei- 
ro mestrequeos levou a pensar era um touro, razao pela qual ainda hoje 
Iherendem homenagem. 

6. Se alguem tiver prestado bom servigo, nao deves indagar-lhe: 



Jakob Lorber 

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Amigo, quetedevo?, mas, recompense- lo da melhor maneira possivel, 
manifestando teu amor ealegria. Vendo tua atitude, eleteabracara com 
aspalavras: Nobre amigo, apenasfizum pequenoobsequioequerespa- 
gar-metao regiamente?Bastaadecimaparte, queaceitarei apenascomo 
provadetuaamizade. Seam bos falarem desta forma, com sinceridadee 
amor, nao serao ipso facto verdadeiros irmaos em espirito?! So assim o 
Verdadeiro ReinodeDeusseestabeleceraconvosco, regendo-vosdemodo 
celestial com o cetro da LuzedaGraca. 



100. A DOUTRINADE M OYSES E A DOUTRINADO SENHOR 

1. (0 Senhor): "N ao basta somente saber e crer o que seja bom, 
justo e verdadeiro pel a Ordem DivinaedetodososCeus;precisoeque 
se aja por amor e pela alegria do coragao que o Reino de Deus e Sua 
Justiga regerao entrevos, tornando-vosverdadeirosfilhosdo Pai Celeste. 

2. Acaso alguem ti raria proveito da i nteligencia ecompreensao, per- 
sistindo em seu ponto de vista erroneo? N ao seria tolo aquelea quern se 
desseumpalacioondedeveriadesfrutarcomsuafamilia, omaximocon- 
forto e que, embora se alegrasse com o estilo agradavel e rico, vivesse 
reclamandoconstantementeasgrandesinconvenienciasqueselhedepa- 
ram, preferindocontinuarem suavelha, pequenaesujamorada?! 

3. Se este homem nao e tolo, nao havera tolo no mundo. M uito 
mais ignorante porem, e quern possui M inha Doutrina e a reconhece 
comoeternamenteverdadeira,todaviacontinuaagindoqual boi apuxar 
suavelhacarroga! 

4. D igo-vos a todos: Bern suave e o jugo que deposito em vos e mui 
leve o peso que tendes a carregar. Seu porte requer apenas urn pequeno 
esforgo equem nao o carregar, seraculpado dasamargurasemiseriasTratai- 
vos com justo amor que descansareis em travesseiros macios e suaves Se 
preferispedrassob vossascabegas, ser-vos-ao dadas; ninguem, no entanto, 
devequeixar-se na manha da Vida, estar sua cabega ferida e magoada. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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5. Setensdoisservos, um honesto, outro desonesto, nao serassuma- 
mentetolo dispensando o primeiro por te-lo admitido ha pouco, en- 
quanto o falso sempretetraiu? Por isto desfazei-vosdetodososantigos 
preconceitos, poisnaoseaplicam aDoutrinapuradoCeu; naosomente 
deixa de ser um remendo para uma roupa velha e rasgada, mas sim, e 
umaveste novae complete a qual aantigatem decederlugar. 

6. Em a roupa velha nao compreendoMoysese os profetas- ouro 
purissimoprovindodoCeu- masvossasinstituicoesmundanaseasleis 
doTemplo,denenhumautilidade Poisatentativadesepregarumpeda- 
co novo no granderombo da roupa velha, naosurtiriaefeito, porquanto 
o tecido demasiadamentefragil, nao suportariasequer um ponto. 

7. M oyses deu, para aquela epoca, uma constituicao para todas as 
necessidadescaseirasemiseriashumanasdopovoisraelita. Foi ela, toda- 
via, deturpada; alem disto, nao serve para M inha Doutrina, mesmo em 
seu sentido inalterado. N ao epossi'vel pensarem colheita, quando o solo 
estasendoarado; umavezqueotrigoestejamaduro, contrata-seceifadores 
que nao necessitam de arado. Q uer dizer: M oyses preparou o solo, os 
profetas semearam e agora chegou a epoca da colheita, ondenao maisse 
necessitadoprofetacomaradoem maos. Sebemquevimosrecolhernos 
celeiros o que for maduro, o instrumento de M oyses vos sera entregue 
para af rouxardes novamente a terra, tornando-a acessi'vel para as semen- 
tes puras do C eu. Alem disto, serao convocados os guardas destinados a 
impedirquevenhaoinimigoesemeieojoioentreotrigonobre 



101. Joio Entre o Trigo 

1.(0 Senhor):"Muitoemboraaterrasejacultivada,asementepura 
langadanossulcoseosguardasvigiandoocampo,- deparodesdejauma 
quantidadedejoio entre o trigo! Comoe isto possivel? 

2. Vede a falta dos guardas: adormeceram a noite, pois pensaram: 
Q uem seatrevera a invadir o campo tao bem vigiado? E enquanto dor- 



Jakob Lorber 

168 

miam, aproximou-seo inimigo sorrateiramenteerapido, lancou suase- 
mente ma sobre o campo. 

3. Q uando, de manha, os vigias perceberam o joio entre o trigo, 
naturalmentecorreram paratransmitiraodono: Senhor, lancamosase- 
mentepura no solo limpo evigiamoso campo maravilhoso; dequeadi- 
antou?! inimigo veio traicoeiramenteeespalhou uma quantidadede 
joio entre o trigo! Estagerminando em profusao! Devemosarranca-lo? 

4. Qual seraarespostadodono?Ei-la:Comonaovigiastesdurante 
anoite- epocadeexperiencianavidadetodasascriaturas- oprmcipe 
das trevas, facilmente pode espalhar seu joio entre o trigo. Deixai que 
amboscrescam ateacolheita, quando diremosaosceifeiros Juntai pri- 
meiroo trigo eguardai-o em meusceleirosjemseguidacolhei ojoioem 
molhos, fazei fogo e queimai-os para que suas sementes nao caiam de 
novoaterra, prejudicando-a!- Ansiosospdacompreensaodestequadro, 
indagaisem vosso fntimo: Mascomo? 

5. Afirmo-vosserfacil a compreensao; o solo esemelhanteaoscora- 
g6esdascriaturasdestaTerra;otrigopurissimo, M inhaDoutrina;oarador 
esemeadorsouEu Mesmoevos, Comigo. Osguardasconvocadostam- 
bemsoisvoseaquelesquefordesdeterminarem Meu Nome. Senhor 
sou Eu eosceleiros, M eusCeus Satanaseo inimigo eseu joio, o mundo 
mau com todas as suas paixoes perversas e mortiferas. s ceifadores re- 
cem-convocadossao osmensageirosqueem tempo despertarei nosCeus, 
enviando-os para recolherem o trigo equei marem o joio, evitando venha 
deturpar campo etrigo.Tereiscompreendido isto?" 

6. Respondeis: "Sim, Senhor; maspoderiasfacilmenteimpedir, com 
Tua nipotencia e nisciencia, aaproximacao do inimigo mesmo se 
formos vencidos pelo sono durante a noite de nossa vida de provacao." 

7. Explico-vos:"M inhaOnipotencianaopodeenaodeveagironde 
setratado desenvolvimento livre de M eusfilhos M inha Atitude para 
convosco e tao tolhida, como a vossa para com outros D ou-vos o cam- 
po, o arado, o trigo e convosco os ceifadores; o trabalho, - depende de 
vos Seduranteatarefavosfaltarem asforcasnecessarias, sabereisquevos 
aparelharei semprequeM epedirdesem vossos coragoes, animando-vos 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

169 

prosseguir com novas forcas Eu, porem, nao posso enao devo trabalhar 
por vos! Seassim fizesse, a liberdadeeindependenciade vossa vida nao 
teria proveito; sends apenas maquinas nunca, porem, criaturas livres, 
com pensamentos e acoes independentes. Por esta explanacao 
compreendereis, ser o reciproco servir, condicao primordial detoda a 
vida. Assimilai-obem!" 

8. D izC irenius: "Senhorju seternamenteVerdadeirolTuasPalavras 
sao claras, Verdade e Vida! Somente agora comego a viver, pois tenho a 
impressao dehaverdespertadodum sono profundo. So D euspodeexternar- 
Se como Tu, porquanto pessoa alguma pode saber o que nda se passa, o 
queaanimaede que forma devecultivar sua vida. Nos, Senhor, estamos 
bem apardhados por Ti; nossos descendentes terao, nao obstante todo 
zdo, delutarcom todasortedejoio, entreotrigodeTeu Campo. Quanta 
a mim, o inferno nao encontrara facilidadeem semear sua influencia no 
solo. Desejava, todavia, saber deque forma deconsegue real iza-la." 



102. Os Pensamentos e SuasRealizacoes 

1. Digo Eu: "M uito facil. J a vos demonstrd ser preciso que cada 
criatura caminhe pda estrada da Id, caso tencionealcancar a liberdadee 
emancipagaodeseu sere vida. Existindotal Id, claroe haver umaten- 
denciana pessoa em quererinfringi-la, mesmo so por momentosAssim, 
espiritosforam projetados por M im, antes daCriagao, o quejavosexpli- 
qud deformatal anaoddxarduvidas; poisvosmesmosseguisamesma 
ordemaocriardesalgo. 

2. Primdro, projetais pensamentos variados;dai surgem iddasefor- 
mas Estas, tornando-semaisconcretas, recebem membrana atraves da 
vontade. Nesseestado, perduram numa vida espi ritual indestrutivd que 
poderds chamar a vossa presenga, figuradamente, sempreque isto for de 
vossa vontade. Quanta maistempofixaistal idea como objetoformado, 
tanto maior e vossa afdcao para com de; surge o amor para a forma 



Jakob Lorber 

170 

espi ritual. amor aumenta, sei nf lama e atraves do calor vital esualuz, 
a idea se desenvolve mais perfeita, completa e bela; comegais entao a 
descobrir utilidades variadas, resolvendo ate sua realizacao. 

3. N o principio, fazeis desenhos em pergaminho ate que sejam 
identicos a ideia fixada. Desdequeem nadadivirjam ideia eesbogo, 
consultais os peritos de que forma se poderia real izar a obra. E les estu- 
damoprojetoechegamaconclusaodeseremprecisosalgunsanospara 
a realizacao, e o preco sera fixado. Em seguida firmais o contrato, a 
obra e iniciada e, maistarde, vossa ideia original estara pronta para a 
admiragao eutilidadedemilhares. 

4. D estemodo construiscasas, maquinas, cidades, castelos, naviose 
outrascoisas. Deigual formaEu crioCeus, mundosetudoquecompor- 
tam. Naturalmente exige a criacao dum mundo, mais tempo que 
necesataisparaconstruirdesumacabana,umacasa etc.; jatendesa mate- 
ria pronta, enquanto Eu precisocria-laeextrai-lada imutavel consisten- 
ciadeMinhaVontade 

5. Poderiacriardemomento u'amateriaqualquer, sim, atefazersurgir 
urn mundo inteiro; massuaconsistenciaseriadificil porquantonaofoi por 
mim devidamentealimentadaatesuamaturagao. Quando umaideiacria- 
dora tiver sido sufidentemente nutrida e sazonada atraves M eu Amor e 
Sabedoria, aumentara mais e mais em intensidadeeconsistencia. 

6. Istojasedaconvosconomanejocom a materia feta. Umacasa 
construidanum dia, nao poderadesafiar as intern peri esdum seculo. Em 
edificios cujas ideias dexastes sazonar completamente, e atraves de seu 
reflexo conseguistesmaior clareza para transformartal forma numa reali- 
zagao duradoura e perfeta, - vossas construcoes poderao quase concor- 
reraspiramides, conheddasdosmortaiscultos, desafiandotambem to- 
dasastempestades, sem quevenham sofrer dano. 

7. Seosvdhosfaraosnaotivessem estudadocom persistenciaama- 
nerapelaqual eraposslvd edificartaismonumentos, como deposito de 
suasartesecienciasocultas, quemileniosnaodestruiramjamaisosteri- 
am realizado. 

8. M aistarde, ascriaturasaprenderam a pensarcom maisfacilidade, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

171 

desenvolvendo uma ideia da soma de seus pensamentos que, muitas ve- 
zes, era bem complicada. Como, geralmente, as ideias nao iam sendo 
sazonadas com a devida paciencia, as obrastambem eram passageiras, 
poisofacil setornafacil, odificil, porem, custoso. 



103. Surgir da Materia 

1. (0 Senhor): "Quando - antes da origem detodo ser - projetei 
M inhas Ideias sazonadas como espiritos, eoscumulei deM inha Forca, 
de sorte que comecaram a pensar e querer, preciso foi que Ihes fosse 
demonstrada uma ordem pela qual deveriam aplicar o livre arbftrio, a 
fim de serem capazes de agir livremente, incutindo-lhes a tentagao do 
nao cumprimento da ordem estabelecida. Somente esta tentagao Ihes 
facultava uma verdadeira sensagao devida, pela qual chegavam a dedu- 
coes, preferencias e a vontade f i rme de agi r. 

2. Facil ecompreender-se que entre os primeiros espiritos surgisse 
certojoio; portanto, a tentagao a muitosdesequilibrou, endurecendo-os 
nesta tendencia crescente e formando deste modo a base para a C riagao 
material dos mundos. 

3. Primeiro, surgiram osprincipaissoiscentraisquederam origem 
atodososoutrosinumerossoisecorposcosmicos, contendo tudo que 
jasabeis. 

4.Tudo queoraemateriafoi em outrasepocasespirito que, por livre 
e espontanea vontade se afastou da boa rdem de D eus, poativando-se 
na reagao, aquela. E, portanto, a materia nada mais que espiritos em 
julgamento atravesdesua propria teimosia; falando maisexplicito, eela 
a membrana mais brutaepesada queenvolveuma projegao espi ritual. 

5. Esta projecao espiritual, todavia, nao podetomar-sepropriamen- 
te materia dentro do involucro duro e pesado, mas nela permanece seja 
qual for sua qualidade Sendo mui rija, a vida espiritual dentro dela e 
igualmente endured da, algemada, enao podemanifestar-seedesenvol- 



Jakob Lorber 

172 

ver-se, caso nao Ihe venha socorro externo. 

6. N a pedra, por exemplo, a vida somente alcanca uma externacao 
quandoforamolecidaen longasepocasporchuvas, neve, orvalho, sarai- 
va, raios e outros elementos que a tornam sucessivamente mais porosa. 
Por esteprocesso seevapora parteda vida espi ritual como eter; outra, cria 
uma nova membrana mais leve, no inicio em forma de plantasdelicadas 
domofoemusgo. Nodecorrer do tempo, insatisfeitacom tal involucro, 
a manifestagao da vida, ja mais liberta, se concentra e cria uma nova 
membrana que Ihe fad I ita movimentagao mais I ivree independente. 

7. Enquanto a membrana for macia etenue, a manifestagao espi ri- 
tual se sente a vontade, nada desejando de melhor. A acao interna dos 
espiritos, porem, fazcom queo involucro ddicado setornemaisrigido, 
porquanto tendea expulsar a pressao da materia. Por isto a vida espiritual 
procura elevar-se, formando assim a haste da erva, o tronco da arvore, 
tentando proteger-sedo sucessivo endurecimento provindo da terra, atra- 
ves de aneis e cortes cada vez mais repetidos. Como, finalmente, desta 
atividadenao podem esperar salvacao naestagnagao completa, os espiri- 
tos comprimem o tronco o mais possfvd, fugindo para os pequeninos 
galhos, hastes, folhaseafinal parajunto daflor. Isto tudo, porem, tam- 
bem se tomando em breve mais duro e reconhecendo ser inutil todo 
esforco, os elementos comegam a seencapsular com materiamaisafim a 
sua natureza. 

8. Destemodo aparecem frutosesementes. Com isto, a parte mais 
egoisticadoselementoslibertosdumaplantanaolucramuito, poisaqui- 
lo queseencapsulou num involucro maisresistenteeobrigado aacom- 
panhar a sementeao ser lancada na terra umida e vivificadora. A outra 
parte, mais paciente, que se submetera a permanecer na materia mais 
inferior, como sentinela e portadora dos elementos mais ativos, ame- 
drontados e impacientes, em breve apodrecera, passando a uma esfera 
mais elevada. Aquilo quefor assimi lado como fruto pelos animais e ho- 
mens, sera aproveitado em sua parte mais grosseira na formagao e ali- 
mento da came; a partemaisdelicadaeabsorvidapelo el emento espiritu- 
al que fortalece e vi vifica o centra nervosoea parte mais nobresetorna 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

173 



substancia psfquica. 



104. EgoIsmo Como Origem da Materia 

1. (0 Senhor): "Se analisardes mais de perto este progresso, nao 
encontrareis dificuldade em reconhecer a verdadeira causa do joio, no 
campo limpo da Vida. Tudo que se denomina de mundo e materia e a 
oposicao necessaria da verdadeira rdem espiritual de Deus, pois foi 
preciso deposita-la como instigacao, para despertar o livrearbitrio nas 
ideas bem formadas, projetadas por Deus como seres independentes 
Por tal razao, deveser considerado o verdadeira joio no campo puro e 
justo daVida. 

2. M uito emborater sido ojoio, no inicio, umanecessidadeparaa 
constatagaoduma vida espiritual completamentelivre, preciso equefos- 
sefinalmentereconhecido como tal, pdos seres em liberdade, eexpulso 
por conta propria, pois nao pode manter-se com da. Se bem que e urn 
mdo necessario para certafinali dad e, nuncasepodeadaunir. 

3. A rede, por exemplo, etambem urn mdo indispensavd para a 
pesca; acaso deveria ser tostada no fogo e servida como alimento?! U ma 
vez quetenha prestado servigo na redada, guarda-sea mesma, utilizando 
o resultado. 

4. Vimos, portanto, ser impresdndivd a tentagao, como violagao 
dum mandamento; eo despertador da capacidadedo conhecimento e 
do livrearbitrio. Enchea alma com desejosealegrias ate que tome co- 
nhecimento da tentagao, sem adasubmder-se, massempreem combate 
com a mesma vontade livre, que nela despertou a infragao. A alma, en- 
tao, aplica-a como mdo, nunca, porem, como finalidade. 

5. odre tambem e somente o receptaculo para a conservagao do 
vinho. Q uem poderia ser tao tolo em fura-lo, sabendo que bastara abrir 
em lugarcerto, afim deconseguirrdiraroconteudo?! 

6. joio, ou seja a tentagao para infringir uma lei, ealgo inferior 



Jakob Lorber 

174 

ejamaispodera torn ar-sefator principal. Quern assimagissese assem e- 
lhariaaumtolo, tentandosaciar-secomaspanelasenquantojogafora 
osalimentos. 

7. Em queconsisteojoio porcujosdetritos, avidadeveserestruma- 
da? Q uais as variedades de tentacao ocultas na forma animada? Ei-las 
amor-proprio, egoismo, orgulho e, finalmente, dominio. Atravesdo amor- 
proprio a forma animada se concentra, avida por tudo assimilar, mas 
tambem o conserva detal modo quea ninguem possa beneficiar, recean- 
do vir a sofrer alguma carencia. Por esta retencao daquilo queabsorveda 
rdem D ivina, alimentadora econservadora, manifesta-sena entidade, 
uma concentracao crescente, solidez e prepotencia temporaria e como 
efeito, urn especial agrado para consigo mesma. Tal manifestagao e na 
real acepcao e significado da palavra o egoismo, que se esforca por se 
elevar com todo empenho, poder emeios, mesmo osmaiscondenaveis, 
acima dosoutros, julgando-sesumamente importante. 

8. Apos a criatura egoista ter alcancado o que almejava, fita 
embevecida e cheia de desprezo aos seus semelhantes. desprezo, por 
sua vez, assemelha-se ao asco que urn estomago repleto sente da mesa 
farta e podia ser classificado por orgulho, que muita materia vil contem, 
apresentando urn campo da pior erva daninha. 

9. orgulho, porem, senteumainsatisfagaoconstante, poissempre 
observa que nem todos Ihe rendem seus prestimos. Analisando os meios 
ao seu alcance, verifica obter resultado, caso demonstre generoadade. 
D ito efeito! C omo o numero dos necessitados sobrepuja ao dos abasta- 
dos, seu jogo efacil: em breve as pequenas potenciasfamintaso rodeiam 
esedeixam dominar, porquanto, tambem percebem o poder que deriva 
do orgulho. bedecem-no completamente, pelo queaforgado orgulho 
aumenta, tratando em atrairmaisoutroselementos.Tal insaciavel avidez 
e, no verdadeiro sentido, o dominio maispernicioso, destituido dequal- 
quer senti mento de amor. 

10. Nadominagaoseexpressaamateriamaistenaz, eum planeta 
rochoso e intei ramente munido de tais elementos, fator que podeis ob- 
servar materialmente nos burgos e fortalezas, nos quais se ocultam os 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

175 

soberanos Suas muralhas medem varias bracadas, onde se postam os 
lutadores, prontos para impedir seja rompida a materia, perturbando o 
descanso do soberano orgulhoso. Ai do fraco que se atrevesse a atirar 
apenasuma pedra, poisseria imediatamenteaniquilado. 

11. N aofalo daqueles regentes e soberanos desti nados por D eus, a 
diminuir o orgulho doscidadaos, como colunasemantedoresda humil- 
dade, modestia, amorepaciencia; poissao levadospelaVontadedeDeus, 
a serem o que Ele determinou como instrumentos, a melhorarem os 
povos. Falo apenas da dominagao em geral de cada espirito e criatura. 
Bern que houve regentes tiranos; surgiam num povo, rebelando-se con- 
tra chefes designados por Deus, como fez Absalom contra seu pai, Da- 
vid.Taishomensnaoforam con vocados por Deus, por serem mauseum 
verdadeiro joio, figura correspondentea materia maisgrosseira. 

12. Tu, Cirenius, eo Imperador, soisaquilo quedeterminei pela 
M inhaVontade,emboraaindapagaos!M esmoassim,vosconsideromais 
quemuitosreisque, deveriam serguiasdos filhosdeDeus masse torna- 
ram seus assassinos ffsica e espi ritual mente, razao pela qual Ihes serao 
tiradostrono, coroasecetroseentreguesavos, maissabios Fizesteadi- 
tamento, a fim de que tu, M eu C irenius, nao julgasses serdes, tu e teu 
sobrinho, usurpadoresdiantedeM im. Prossigamos, pois, naconsidera- 
gao do joio no campo limpo. 



105. Como Surgiram osSistemasSolares 

1. (0 Senhor): "Assim como existem criaturasquepelo amor-pro- 
prio, egofsmo, orgulho e como consequencia, dominagao, seencheram 
detantoselementosmateriais, quenem em milhoesdeanosconseguirao 
deles se desfazer, em epocas remotas se deu o mesmo com espi ritos pri- 
mitives que pela tentacao existente, se tornaram egoistas, orgulhosos e 
dominadores. resultadofoi sua transformagao material. 

2. Isolaram-seem grandesnucleos, em distancias por vos incalcula- 



Jakob Lorber 

176 

veis. Centra algum tencionava ouvir, ver ou saber do outro, para poder 
usufruir do amor-proprio. Em tal concentragao, constante e crescente, 
no amor-proprio e egoismo, no orgulho cada vez mais potente e na do- 
mi nagaoabsoluta, - asinumerasformasdevidasereduziram, pdaldde 
gravidade, aum bloco imenso, dando causa ao Sol central dumagalaxia. 

3. Existem no Espaco I nfinito, inumerosdetaissistemasou galaxias 
ondeum Sol central serve deponto deatragao para incontavdsmundos 
cosmicos. Estessoiscentraissao precisamenteascomunidadesdeespiri- 
tos concentrados, dos quais no decorrer dos tempos, surgiram todos os 
enxamesglobulares, regioessolares, soiscentraisadjacentes, soisplanetares, 
planetas, luasecometas. 

4. D equeforma isto sedeu?Vede, no primitivo Sol central apressao 
setomou pordemaispoderosa para muitos dos grandes espfritos Enrai- 
vecidosseincendiaram, libertando-sedesuaprimeiraopressao. Fugindo 
com ogrupo primitivo para zonasinfinitamentedistantes, perambularam 
certo tempo livreseinofensivospelo Espaco, demonstrando boavontade 
para transferir-se a boa ordem espi ritual. Como, porem, nao Ihes era 
possivel desfazer-sedo demento "amor-proprio", concentraram-sedenovo 
em um bloco rigido, dando causa a um Sol central desegunda categoria, 
numdosinumerosenxames globulares. 

5. Em tal Sol central desegunda categoria, os espfritos principals se 
irritaram no decorrer dos tempos, em virtude da crescente pressao; infla- 
maram-se, libertando-seem grandesmassas.Tambem manifestaram in- 
clinagao para um transporteespiritual; apresentando, porem, grandeprazer 
consigo mesmosenao querendo desfazer-seinteiramentedo amor-pro- 
prio, deigual modo concentraram-seem grandes bolides, dando origem 
aos sois centrais deterceira categoria. 

6. M astambem ai sedeu o mesmofato: os espfritos maisdevados, em 
minoria, eram fortementeimprensadospdosinferiores, em numero incal- 
culavd. Irritaram-seem breve, separando-seaosmilhoesdogrupocomum, 
com ofirmepropositodesemodificarem. Duranteepocasinimaginavds 
flutuaram separados por grandes distancias, como massas nebulosas. 

7. Recordando o peso anterior, tal liberdade muito Ihesagradava, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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ate que sentiram vontade de alimento que procuraram no eter, isto e, 
umasaturagao exterior. Estasaturagao, forcosamente, tinham deencon- 
trar; pois, a avidez equal magneto nordico queatrai, com impeto, todo 
ferroemetaisquecontem este mineral. 

8. Qual eraaconsequenciainevitavd?Suanaturezacomecou, pou- 
co a pouco, a se consolidar, despertando em seguida o egoismo com seu 
sequito, produzindo uma contracao ateseformar outro bolide, no que 
sao precisos inumerosanosterraqueos. 

9. Q ue representa urn tempo, por mais imenso, diantede D eus Eter- 
no?Afirmou urn videntedeepocasremotas: M il anossao para Deuscomo 
urn dia. Eu acrescento: M ilhoes de anos para Ele representam nem urn 
instante! Ao preguicoso, ashorassetomam dias, eosdiasanosdetedio. Ao 
esforcado e ativo as horas se reduzem a atimos, e semanas a dias. D eus, 
porem, edesdeetemidades, Pleno deAtividadelnfinitaeafdizconsequ- 
enciadistoe, que epocasimensasL he representam momentos isolados, - 
dai seracompletaformagaodum Sol apenascoisadiminuta. 

10. Pela contragao acima mencionada, surgiram eainda surgem os 
soisplanetares, iguaisaestequeiluminanossoplaneta. Essacategoriade 
sois e de natureza mais delicada e suave que os sois centrais; no entanto, 
contem massa enorme de materi a como efei to do egoismo de bi I hoes de 
espi ritos que I he deram origem. Aoselementosmaisnobreseevoluidos, 
a pressao dos espiritos inferiores, completamente integrados na materia, 
torna-se com o tempo, pordemaispesadaeinsuportavd. A consequen- 
ciae- como nosoutros sois- erupgoes sob erupcoes, pdo que se liber- 
tamos mdhores. 

11. Entao ndesdesperta a vontade firmede regresso ao estado pri- 
mitivo deperfdcao, pdo cumprimento da rdem D ivina. M uitoscom- 
batem atentagao interna esetomam anjosoriginais, sem necessitarem 
uma encamagao. Osquedesejam encarnar no Sol, ou talvez na Terra, 
poderao faze-lo. Podeatemesmo acontecertal fato num Sol central, po- 
rem, nao de modo tao frequentecomo neste nosso Sol quefaculta luz a 
Terra, provindo da grande ati vidade de seus espi ritos. 

12. Todaviaalgunsgruposnaoconseguiramdesligar-sedo egoismo, 



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nao obstante osmelhorespropositos, caindo novamente nesta tentagao, 
queatraiu outroselementos. 

13. Eisquesetomaram visiveiscomo cometasembagadosemunidos 
duma longa cauda. Q ue representa esta? A fome voraz dos espiritosja ma- 
terializadoseavidospela saturagao. Tal avidez, atrai do eter, a materia afim, 
etal cometa, um compendio deelementosgrosseirosperambula pelo Es- 
pago por muitosmileniosa procura dealimento qual lobo esfaimado. 

14. Por esta constante sucgao, ele se torna mais opaco e pesado. 
Com o tempo e novamente atraido pelo Sol, do qual seafastou, desorte 
acomegaragirarem seu redor. bedecendotal ordem, transforma-seele 
em planeta. 

15. ComoseencontremaispertodoSol queanteriormentequando 
cometa, deletambem recebealimento, queao mesmo tempo representa 
uma isca para atrair o fugitivo o mais possivel, ate integra-lo novamente 
no astro. Tal desejo dos espiritos primitivos do Sol, nao poderealizar-se 
com os grandes planetas, entre os quais se pode contar a Terra. Pois, 
muito embora os elementos presos nos planetas ainda sejam muito ma- 
terials, conhecem a materia solar e nao sentem vontadedenele integrar- 
se. Se bem que Ihes agrade o alimento constituido de pequeninos ele- 
mentos, em absolute querem voltar ao Sol. 

16. Acontece, asvezes, queos espiritos desertores em seu conglome- 
rado material, sao atraidospara bem proximosao Sol. A imensaativida- 
de dos espiritos livres, que circundam o astro e aos quais se deve, mor- 
mente, a irradiagao luminosa da superficie, faz com quetodos, contrai- 
dosnum bloco dura, sejam induzidosa maxima atividade, dispersan do- 
se num grandeimpeto, fugindo para longe 

17. resultado da atividade dos elementos dum planeta ou, pelo 
menos, dum cometa mais adiantado, e a dissolugao brusca e total do 
bolide, e a salvagao de bi I hoes ebi I hoes de espiritos. A maioria, ja mais 
experiente, integra-se na justa ordem da Vida, tornando-se arcanjos e 
protetoresuteisdosirmaos menos adiantados, comotambem contribui 
para a salvagao mais rapida dos que padecem na materia. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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106. FoRMAgAo e Importance daTerra 

1. (0 Senhor): "Partedetaisespiritoslibertosdesejaencamarnum 
planeta qualquer. Alguns o conseguem no Sol, num and que mais Ihes 
agrade; naTerra poucossedecidem encamar por acharem tal passagem 
por demais dificil. Pois perdem aqui, todas as recordacoes dos estados 
anteriores e necessitam recomegar uma vida nova, fato que nao ocorre 
noutros plan etas e mundos. 

2. N aqudes, primeiramente, conservam osespiritosencarnadosuma 
lembranga qui merica desuasvidaspassadas, o queproporciona aschaturas 
deoutros mundos, urn conhecimentoesobriedademaioresqueas daTer- 
ra. Em compensagao, carecem dacapacidadeevolutivanumavidaliberta. 
Comojafald em outrasocasioes, assemdham-seaosanimaisterraqueos, 
possuidoresdecertaformagao instintiva. M anifestam portal motivogran- 
dedestrezaeperfdcao, impossi'vdsdeserem imitadaspdohomem daTer- 
ra, com toda sua intdigencia; tentai, porem, ensinar urn animal algo que 
ultrapasseseus instintoseverdsquao diminutosos resultados 

3. Alguns existem, aptos para aprenderem servicos simples e pesa- 
dos: o boi para puxar a carroca, o cavalo, o burro ecamelo para carrega- 
rem pesos; o cao paracacarevigiar. Eistudo; poisa linguagem sera algo 
quase impossi'vd. A simples causa disto se basda numa recordacao fraca 
deseusestados anteriores, queprendeas almas animaisnumjulgamento, 
preocupando-sedesortea viverem num certo aturdimento. 

4. Somente nascriaturas daTerra da-seo caso excepcional do com- 
pldo esquecimento desuasvidaspassadas, razao pdaqual tern de reco- 
megar sua existencia numa ordem e formagao novas, a Ihes facultarem 
urn desenvolvimento a perfdgao divina. 

5. E is porque somente pode en carnar naTerra, uma alma quetenha 
origem num Sol, possuidoradetodososdementosprimitivosequeja 
tivessepassado por uma vida solar; nesse caso, contem todas as particulas 
intdigenciadas da paque, necessarias a perfdcao duma vida espiritual- 
mente devada. Casos ha, em que uma alma descende dirdamente da 



Jakob Lorber 

180 

Terra, tendo passado pelostresreinosda N atureza: pela pedrabrutaatin- 
gindo todas as camadas minerals, dai ao mundo completo da flora e, 
finalmente, fauna. 

6. N ao setratado corpo material, esim, do elemento psico-espiritu- 
al neleoculto;oinv6lucronaodeixadesertambemdequalidadeeterea 
naanalise;todavia,eaindamui bruto, pesadoeindolente, apresentando 
a estampa grosseira do amor-proprio, egoismo, orgulho edo obtuso gozo 
do dominio maisavido e mortifero. Tal materia necessita ser assimilada 
pela substancia mais pura do involucro da alma, atravesdecomposicoes 
variadasetransplantacoesparciais Para a substancia psfquica, daf dificil- 
mente se podera algo aproveitar. 

7. Poristoexistem naTerraespeciesmaisvariadasdeminerais, plan- 
taseanimaisdoqueem todososoutrosplanetasesois. Em conjunto, 
poderiam produzir numero maiordequalidades; cadaqual, porem, nao 
comporta a milionesima parte das diversasespecies em, apenas, urn dos 
tresreinosdaTerra. Portal motivoesomenteeladestinadaaacolheros 
verdadei ros f i I hos de D eus. 

8. Por que? Da-se com esta Terra urn fato extraordinario! Como 
planeta pertenceao Sol; a rigor, porem, nao Ihefaz parte como todosos 
outros, - com excegao de urn, entre M arte e Jupiter que, por motivos 
graves, foi destruido ha seis mil anos, ou a bem dizer, foi dizimado pelos 
proprios habitantes, - esim, tern suaorigem primariano Sol Central e, 
de certo ponto de vista, e ini magi navel mente mais velha que este Sol. 
Surgiu fisicamente, quando nosso astro Rei dehamuito haviapercorrido 
a primeiratrans^agao pelo Sol Central, ondesubtraiu o necessario para 
sua final construcao. 



107. Aparecimento da Lua 

1. (0 Senhor): "H amuitosmilhoesdeanostinhaaTerra, organica- 
mente, urn peso muito maisconsideravel e seus elementos se achavam 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

181 

sob forte pressao. E is que osmaus espiritos se en raiveceram, separando- 
se do planeta com grande massa de materia grosseira, e assim 
perambularam pormuitosmileniosnumaorbitadesordenadaem redor 
da Terra. 

2. Comoquasetodasaspartesdaquelamassaeram maciasename- 
tade, liquidas, achando-se numa rotagao constante, tudo isto transfor- 
mou-se numa grande esfera cuja rotagao era por demais vagarosa para 
seu diametro, afim de poder equilibrar a agua na superficie, enquanto 
seu giro em redor da Terra era mais rapido, levando o liquido ao lado 
oposto da mesma, em virtudeda expulsao. 

3. D este modo, o ponto de gravidade da Lua ia sendo atraido para 
ondeseachavatodaaguaecom otempo, paralisou-sea rotagao em redor 
do seu eixo, apresentando ela sempre a mesma face aTerra, eisto porque 
a Luasetornou maiscompacta. Impediu, portanto, a infiltragao daagua, 
pois as ondas consideraveis se jogavam, com grande fragor, contra as 
montanhaselevadasquehaviam surgido na Lua. 

4. Estefenomenofoi urn beneficio para os espi ritos renitentes, que 
entao puderam sentir quao penosa e a vida enclausurada nu'a materia 
seca e quase esteril. Alem disto, se presta este lado da Lua - desde que a 
Terra e habitada por criaturas - para emigragao das almas que aqui se 
achavam presasastendenciasmundanas Dela- munidasdum involu- 
cre vaporoso- poderaosaciar-se, durantemilenios, com aobservagaodo 
nosso planeta maravilhoso equeixarem-seem nao mais poder fazer parte 
de seus habitantes gananciosos N ao poderao voltar a Terra, mesmo o 
almejando intensamente; mas em milhoesdeanosterraqueos, tambem 
seterao regenerado. Vistes, poisamaneirapelaqual surgiu aCriagao ate 
as luas e planetas, de natureza edestino similares. 

5. D o mesmo modo que espiritos primitivos fizeram surgir a C ria- 
gao em virtudedo egoismo, tambem apareceram no decorrer dos tem- 
pos, as montanhascomo primeirosgigantesdo mundo, easeguir plan- 
tas, animaisefinalmenteo proprio homem. 

6. Espiritos de boa indoleselibertaram com impeto da pressao cres- 
centeda materia, dissolvendo asua propria, pelaforgadevontade; podi- 



Jakob Lorber 

182 

am, imediatamente, ingressar naordem dosespiritospuros. A velhaten- 
tacao, porem, continua exercendo sai forte poder. amor-proprio de 
pronto desperta: a planta suga, o animal ingere e a alma do homem 
procuraalimento material eum conforto identico, mal ingressando no- 
vamentena pri mitiva forma divina. Por isto, precisaencobrir-secom urn 
corpoquetodaviaemaisdelicadoqueaantigamateriapecaminosa. N ao 
obstante possuirffsi co maisfragil,aalmaaumenta sua potenciaegoistica, 
desortequesetomarianovamentemateriagrosseira, caso Eu naotivesse 
depositadoem seu coracaoum vigia, ou seja, umacentelhadeM eu Espi- 
ritodeAmor. 



108. Pecado Original 

1. (0 Senhor): "Certamentejaouvistefalar no pecado original, ao 
menososjudeus. Em queconsiste?0 uvi ! E o velho amor-proprio, como 
pai da mentira edetodos os seus pecados. A mentira, porem, e a antiga 
materia pecaminosa quenada maisesenao a rep resentagao futil econde- 
navel do amor-proprio, egoismo, orgulho edominio. 

2.Tudo isto surgiu datentagao necessariaquefui obrigado adeitar 
nos espiritos, em virtudedo conhecimento deseu livre arbftrio. M uito 
embora fosse necessaria a tentagao, tal nao se dava com a aparicao dos 
mundos de M inha rdem, porquanto grande numero de espiritos nao 
quisresistiratentagao, emboralhestivessesidopossivel,- poisseisarcan- 
joseseu sequitoconseguiram, urn dosquais, Raphael, agoraseachaa 
nosso servigo. 

3. inimigosempresemeou, e por longo tempo aindasemearao 
joio entre o trigo puro. Portanto, o velho amor proprio e o seu cortejo 
porvosconhecido, eojoioe, num sentido amplo, oresumodetodaa 
materia, mentira, Satanasediabo. 

4. M eu Verbo, todavia, eo trigo nobreepuro; evossa vontade livre 
e o campo onde Eu, como Semeador de toda Vida, lanco a semente 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

183 

purissimadeMinhaOrdem Eterna 

5. Senaovosddxardesvencerpdo amor-proprio, masocombaterdes 
poderosamente, com aespadaflamejantedo amor verdadeiro edesinteres- 
sado paraComigo evossosirmaos, - conservareiso campo limpo detodo 
joio, ingressando, em breve, no M eu Reino, como fruto puro eprecioso, 
ondefitareis e governards criacoes novas e puramente espi rituais 

6. Cuidai, porem, queo inimigo, ou sejavosso amor-proprio, nao 
conquiste urn atomo de vossa alma. Este atomo ja e uma semente do 
verdaddrojoio que, com otempo, podedominar vossa livrevontade, ea 
alma se i ntegrara sempre mais no joio da materia, onde vos mesmos vos 
tornards mentira, porquanto a materia e, como tal, a pura mentira. 

7. menor atomo de amor-proprio em vos, M eusdiscipulos, tera 
progredido em mil anospara montanhaschdasdejoio venenoso, eM eu 
Verbo seraenclausurado como o pior lodo em ruaserudas, afim deque 
naovenhacolidircom a mentira, chdadeorgulhoeodio. Permanecen- 
do, porem, purosem M inhaOrdem, verdsem breveoslobosecorddros 
beberem na mesma fonte. 

8. Acabo de dar-vos uma explicacao que ate hoje nao foi dada a 
espiritoalgumepoddsdeduzirQuemsejaAqudequeafacultou, equal 
o motivo. Porcerto, nao em virtudedo ensinamento, maspdapraticado 
mesmo. Poristo, naodevdsapenasvosfazerdeouvintesfutdseadmira- 
dos de explicates que, antes de M im, ninguem proferiu aos homens; 
tambem nao basta reconhecerdes nitidamente que D eus M esmo, Pai 
Eterno, dirigiu-Se a vos, - mas devds pesquisar se vosso coragao nao 
abriga urn atomo deamor-proprio. Seo encontrardes, arrancai-o com as 
diminutas raizes e tornai-vos ativos dentro de M inha Ordem 
exemplificada, quecolherdso verdaddro beneficio daVida! A fim devos 
certificardes daquilo que acabo deexplicar, abrir-vos-d a visao interna 
para enriquecer vossa experiencia. Prestai atengao!" 



Jakob Lorber 

184 

109. Salvacao, Renascimento e RevelacAo 

1. N inguem estava preparado paratal revel acao eumaondadeexta- 
sesefazsentir. Muitosbatem no peito exclamando: "Senhor, Senhor, 
aniquila-nos, quesomos pecadores renitentes; e isto, por culpa propria, 
conscienteeinconsciente!SomenteTuesBomeSanto;aquiloqueapre- 
sentaum involucro material emau econdenavel. Senhor, quanta tempo 
caminharemosdentro desta materia? Q uando sefara nossa salvacao?!" 

2. Respondo: "Justamente agora, pois Eu M esmo abencoei toda a 
materia pela M inha Encarnacao na velha praga.Termina, assim, aantiga 
rdem dosCeusdeantanho, estabelecendoumanovaorganizagaoeum 
novo Ceu na base da materia por M im abencoada, etodo o Universo, 
incluindo esta Terra, recebera uma nova instituicao. 

3. Pelaordem antiga, ninguem podia ingressarnosCeushavendo 
passado pela materia; deagora em diante, pessoa alguma podera ser trans- 
portada ao C eu maiselevado epuro sem haver passado pelo caminho da 
materia e da carne, como Eu. 

4. Q uem, a parti r deagora, for batizado em M eu N ome, com a Agua 
viva de M eu Amor ecom o Espirito de M inha D outrina, na forca e acao, 
tera apagado para sempreo pecado original. Seu corpo deixara de ser urn 
antra de pecados para transformar-se num templo do Espirito Santo. 

5. Todavia, e preciso que cada qual cuide nao vilipendia-lo nova- 
mente, pelojoio antigo evenenoso do amor-proprio! Assim tereissanti- 
ficado carne esangue; equando o espirito puro tiver alcancado o domi- 
nio dentro devos, nao so ressuscitara aalma, a vida perfeita eeterna, mas 
todo o vosso corpo! Vede a diferenca entre o passado e o presente! E a 
atual instituicao salvacionista perdurara para sempre! 

6. Sol, antehormentecondenado porcompleto, sera deagora em 
diante, pleno debengaos, como tudo queexisteno Espaco I nfinito. Tudo 
e por M im renovado - conforme vos havia dito - e as condicoes de 
antanho serao transformadas, porquanto Eu Mesmo Metransformei, 
por M eter revestido da materia. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

185 

7. Acrescento, todavia: Q uem nao crer efor batizado pela Agua eo 
Espirito contidos em M eu N ome e atraves de M ai Verbo, continuara 
reu do julgamento! Jamais ingressara no M ai Reino, nan vaa o M a 
SanblantenoAlem, poispamanaaanoslimitesmaisextanosdeMa 
Reino, ondehatrevaenoite, clamor erangadedates. A Luzpurissima 
da Vida celeste taa o mesmo efeito que a irradiagao duma diminuta 
estrelafixaparaavossaTara, etaiscriaturassabaaodeM asvadadeiros 
Ceus de Vida, tanto quanta as daqui pacebem a organizagao intana 
duma estrela fixa. Podaao malitar durante bilhoes de anos sobre tal 
assunto, que nada Ihes adiantara. Se bem que pessoas invatarao apare- 
Ihosoticos, afim devaem objetosdistantes, como seestivessem bem 
proximos, nada conseguirao com aquelasestrelas longmquas 

8. D e modo identico se encontrarao os pagaos no Alan, sem fe e 
batismo, poisvaaoejulgaraodelongadistanciaos Mas Ceus, como 
atual mente as criaturasfitam a abobada celeste, conjeturandoarespeito. 
Daqui amil anos, sabaao algo mais que agora edescobriraotratar-sede 
axamadesois; suaconstituicao, luz, tamanho, distancia, o numero de 
planetasquegiram aseu redor, suaformagao, habitants, habitos, linguas 
eusos, jamais descobrirao pelo intelecto! 

9. E sevos, jabem oriatados, transmitir-lhestal conhaimato, nao 
vos darao credito; pois urn intelecto puramate mundano, comum aos 
pagaos, an coisaalgumaacreditacaso nao secertifiquepdossatidos 

10. Em epocas vindouras, inspirarei criaturas de ambos os sexos, 
atreosvadadeirosconfessoresdeM a N ome. A estes revel arei todosos 
segredos de Ceus e mundos pelo coragao amoroso; poucos havaa, no 
atanto, queaceitarao tudo isto, como Vadade con vincate. 

11. Tais revelacoes grandiosas, tambem facultarao uma visao plaa 
proporcionando uma imensa alegriaquelevara as pessoas assim privilegi- 
adas, a louvarem ehonrarem o NomeDaquelequeasdestinou amissao 
tao abagoada! 

12. As havaa ate capazes de ver a C riacao completa se desarolar 
diante de sas olhos, como alguem le a Escritura Sagrada. N inguem, 
todavia, raebaa tal Graca se nao houva acraJitado an M a N ome e 



Jakob Lorber 

186 

recebido o batismo pelo M esmo!" 



110. Batismo. AT rin dade em Deuse no Homem 

1. InterrompeCirenius: "Senhor, creio em tudo queensinaste; serei 
portanto batizado?" 

2. Respondo: "Aindanao; mas nao importa. Pois quern ere como 
tu, ja e espiritualmente batizado, e ate mesmo com todas as bengaos 
deste Sacramento. 

3. Osjudeusmantem acircuncisao como ato pre-batismal de valor 
algum, caso o circuncidado nao o sejatambem decoragao. Entendo com 
isto urn coragao puro e pleno de todo amor, que tern mais valor que 
todas as circuncisoes desde M oyses ate hoje. Depois dessa cerimonia, 
surgiu o Batismo da agua, dejoao, mantido pelos seus adeptos; mas 
tambem de nada vale, caso nao Iheanteceda ou siga a penitencia! 

4. Q uem por isto sedeixar batizar com agua, no firmeproposito de 
regeneragao, nao comete erro; nao deve acreditar que a agua purifique 
seu coracao e fortaleca sua alma. Isto so e possivel a vontade propria e 
livre; aaguaeapenasum si'mbolo que demonstrater a vontade, ou seja, 
a agua pura do espirito, purificado a alma dos pecados, assim como a 
agua natural limpa o corpo das impurezas. 

5. Q uem tiver recebido o batismo no sentido verdadeiro, se-lo-a de 
modo pleno se durante ou antes do Sacramento a vontade no coracao se 
tiver efetuado. N ao o sendo, o simples batismo nao tera o menor valor, 
taopoucoabengoaraamateriaemuitomenosproduzirasuasantificagao. 

6. D o mesmo modo, o batismo nao tern valor para criancasalem do 
si'mbolo externoparaaaceitagaonasocied ad e,dando-lheum nomequal- 
quer, que para a vida da alma, evidentemente, nada representa. Por tal 
motivo, poderia se dar urn nome a crianga sem circuncisao e batismo, 
poisqueparaM im seriaomesmo. Naohanomequesantifiqueaalma, 
massim somenteavontadelivreeboaem quereragircom justigaduran- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

187 

te a vida. Q ualquer nome podera ser santificado pela vontade e acao; 
jamais, porem, dar-se-a o caso contrario. 

7. Enquanto Joao batizava, muitos Ihe levavam criancas, a fim de 
quefossem batizadasporeleeseusdiscipulos; eleassim faziaquandose 
apresentavam pessoasconsdenciosas, queprometiam cuidardesuaedu- 
cacao espiritual. N esse caso, pode-se efetuar o batismo, em virtudedo 
nomea ser dado a crianga; todavia, esteato nao santifica alma ecorpo do 
menor, atequealcanceoverdadeiroconhecimentodeDeusedesi pro- 
prio, fazendo uso do livre arbitrio. Ate la, o responsavel tera de zelar 
conscienciosamenteparaquesejaproporcionado acriangao necessario a 
aquisicao da verdadeira santifi cacao, do contrario, eletera sobrecarrega- 
do sua propria alma com a responsabilidade. 

8. Por tal motivo e preferivel efetuar o batismo, somente quando a 
pessoaforcapazdecumprirtodasascondigoesconcernentesasantificagao 
dealmaecorpo, deacordocom seu conhecimentoe pela livre vontade. 
Alem domais, naoenecessarioo batismo para tal fim, masanocaoea 
atitudedentrodoconhecimentojustodaVerdade, provindadeDeus Se, 
porem, efetuar-setal Sacramento, naoepreciso usar-seaaguadojordao, 
aproveitada porjoao Baptista, pois serve qualquer aguafresca; todavia, a 
dafonteemelhorquedepoco, estagnada. 

9. batismo verdadeiroedeunico valor para M im eaquelerepre- 
sentado pelofogo do amor paraComigo eparacom o proximo, pelozelo 
vivo davontade, provindo do Espirito Santo, emanagao da VerdadeEter- 
na de Deus. Eis os tres pontos que no Ceu sao urn testemunho para 
todos: o Amor, como Pai Verdadeiro; a Vontade como o Verbo Vivo e 
Real, ou seja, o Filho do Pai; finalmente, o Espirito Santo, ajusta com- 
preensao da Verdade Eterna e Viva de D eus, todavia, somente ativa na 
criatura. Pois, o quenela nao seencontra enao for realizado pela propria 
vontade, nao tern valor para a criatura e neste caso tambem nao o tera 
diantedeDeus. 

10. Deusnadaeem Sualndividualidadeparaacriatura,atequeesta 
tenha reconhecido e aceito Sua Vontade nipotente pelo amor e o 
zelo vivo da vontade, organ izando todas as suas acoes dentro da rdem 



Jakob Lorber 

188 

D ivina So assim a I magem deD eusSetorna viva no homem, cresceem 
breve e penetra a natureza humana. Onde isto se der, o homem tera 
penetrado em todasasprofundezasda D ivindade; poisa I magem D ivina 
no homem e a Semelhanca Perfeita do M esmo D eus Eterno. 

11. Q uando a pessoa alcanca esteestado, tudo nela sera santificado 
poisrealizou-seo verdadeiro batismo do Renascimento do Espirito. Por 
este batismo, o homem sefez amigo verdadeiro de D eus e e tao perfeito 
quanta e Perfeito o Pai do Ceu. Afirmo-vos peremptoriamente: tratai 
com todasasvossasforcasdetomar-vostao perfeitos quanta Ele! Q uem 
assim nao setomar, nao alcancara o Filho do Pai ! 

12.QuemvemaseroFilho?0 Filho eo Amor do Pai. Eo Amor do 
Amor, eo FogoeaLuz, eo Filho do Amor ou aSabedoriado Pai. Se, 
portanto, a Semelhanca do Pai estiver em vos, deve ela se tornar tao 
perfeita em tudo, como o Pai Original, pois se a Semelhanca nao for 
perfeita, onde buscara o homem a Sabedoria Verdadeira? 

13. Assim como o Pai SeachasempredentrodeMim, Eu Meen- 
contro dentro Dele; de modo identico deveis encontrar-vos em vosso 
amago para estardes com DeuseEleem vos. Damaneirapelaqual Eu e 
oPaisomosUM,deveisantes,unir-vosaMimeaoPai Eterno em M im, 
porquanto Eu eo Pai dentro deM im somosUnos, desdeEternidades!" 

14. Interrompem osdiscipulos: "Senhor, nao compreendemosisto, 
poisTuaDoutrinaestasetomandodificil.Pedimos-Te,encarecidamente, 
queTe expresses de modo mais compreensivel !" 

15. Digo Eu: "Soistambem ainda desarrazoados! Quanta tempo 
terei devossuportardestaforma?0 h, racaaparvalhadalTodavia, ser-vos- 
a dado compreender o segredo do Rei no de D eus naTerra! 

16. nde estao os pensamentos de vosso coracao? J a por diversas 
vezesvosexpliquei, Q uem eo Pai eQ uem o Filho; a relacao entreAmbos 
e identica ao Amor e a Sabedoria, ou como o calor ea luz. D emonstrei- 
vosa inutilidadeda luz sem o calor, mastambem o calor sem luz, nao 
faria amadurecer as espigas no campo. D isse mais, que do calor emana 
constantemente uma luz, por ser o calor a primeira expressao de certa 
atividade.Amanifestagaodumaatividadeealuzqueaumentadeacordo 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

189 

com a crescenteacao ordenada, todavia nao assimi laisa U niao entreo Pai 
eo Filho, tao pouco a M inha convosco!" 

17. Dizem osdiscipulos: "Senhor, nao Te aborregas por istoljao 
compreendemosecaso seapresentem outrasduvidas, tudo faremospara 
dissipa-las." Concluo: "Sei disto muito bem; falei-vosassim por notar 
que preferis as perguntas ao Saber!" 



111. Ordem Dietetica de M oyses 

1. AcrescentaCirenius "Estranho, naoteremTeusdiscipuloscom- 
preendidoaquiloqueeueoutrosassimilamosfacilmente. Senhor, jaque 
Tedisp6esanosdarasmaisvariadasexplicag6es,atehojenuncaaborda- 
das, desejava ouvirTeu pronunciamento a respeito da proibicao deali- 
mentosimpurosaosjudeus N 6s, pagans, tudo apredamossem compro- 
meter-nos perante nossa rdigiao. s amigos egipcios tambem tudo sa- 
boreavam enada meconstadum efeito impuro; pelo contrario, sei queo 
Egito produziu espiritosverdadeiramenteelevadosepuros, eentrenos, 
tambem, sempre os houve Por que deveriam predsamente os judeus 
sofrertal carencia?' 

2. Respondo: "Por ser sua geragao, desdeAdam, do Alto ena maior 
parte ainda o e, ate hoje Foi destinada para receber-M e em seu meio, 
dentro da materia, para a salvacao de todas as criaturas N ao ouviste, 
comofoi abencoadaesantificadatoda a materia, porter Eu M erevestido 
da mesma?Ve, antes de M inha Descida a Terra nela pousava maisou 
menosamaldicao, - naocomoseDeusativesseamaldigoado, poisela 
propria se condenou a urn conglomerado espi ritual atraves do amor- 
proprio, egoismo, orgulho edominio! 

3. H a e sempre houve graduacoes variadas na materia no que diz 
respeito a sua dureza. Quanta maisdura, tanto maisimpuraeselvagem, 
porquanto seusdementoscongregadosconsistem em joio equivalente 

4. Osanimais, quelogodeiniciosejuntaramasprimeras criaturas 



Jakob Lorber 

190 

do planeta, como o boi, camera, cabrito, e dentre as aves, agalinhaea 
pomba, - sao incontestavelmentedenatureza pura ecarater meigo, ten- 
do sido sua carnea maisadequada ao homem provindo do Alto, a fim de 
Iheconservarlimpaaalma. Naturalmente era preciso que esses animais 
fossem perfeitamentesadiosenaopodiam serabatidosem epocadocio, 
porquanto eram impuros 

5. Pouco a pouco surgiram ainda outros animais: cavalo, burro, ca- 
melo, porco, cao egato que, no entanto, desdeo inicio, faziam parte dos 
filhosdo mundo; com excegao do burro ecamelo aquelesanimaispouca 
amizademantem com osjudeus. 

6. Alimentam certo receio do cavalo e do cao; nao sao amigos do 
gato e nao confiam no camelo. D etestam as aves aquaticas e desprezam 
galinhasdeangolaeoperu; levarao tempo ate que setomem seus ami- 
gos. Seu asco diantedetaisassadoseforte, enquanto emuito apreciado 
entregregoseromanos 

7. Tudo isto mudara quando Eu tiver voltado a C asa! C omo prova, 
darei maistarde no grandejardim de Cornelius orientacao a um Meu 
discipulo, - judeu Integra - quaisosalimentosquepoderao ser ingeri- 
dos, sen susto. Demonstre'-tearazaodaordem dieteticadeM oysesque 
todos vos deveis compreender. Por isto, urge passarmos para o assunto 
que nos trouxe a este monte. 



112. Predicao SobreasAtuaisRevelacoes 

1.(0 Senhor): "Afirmei-vosqueirieisassistiramilagresextraordina- 
rioslTodavia, nada sucedeu alem do transporteda pedra luminosa da 
Africa, efetuado por Raphael, nao obstanteja ter passado de meia-noite. 
D isse mais: abrir-vos-ei a visao interna para proporcionar-vos a situagao 
verdadeira do mundo. 

2. Antes, porem, ordeno silencio absoluto detudo porquanto a 
Humanidadelongeesta para assimilar taiscoisaserealmente nao o ne 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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cessita saber para a salvacao das almas. Quando se dedicar ao amor a 
D euseao proximo, tudo Ihesera revel ado a medidadesuasnecessidades. 

3. Vos, como primeirascolunasdeM inha Doutrina, deveisestar in- 
formadossobremuitacoisa,afimdequenaosejaistentadosarenunciara 
mesma. Todavia, da nao seperdera equando setiverem passado quasedois 
mil anos, e M inha Doutrina se encontrar enterrada no lodo, inspirarei 
novamentehomensqueanotarao fidmenteo quefalamosetratamos Este 
grandeLivroseraentregueao mundo paraabrir-lheavisao! 

4. N ota bem! Tu, M eu servo e escrivao, julgas que Eu nao tivesse 
mendonado estefato naquda epoca? Acaso querestetomar tao fraco na 
fe como ainda es na carne?! Declaro-te, ter Eu transmitido a C irenius e 
Cornelius teu nomeedevariosoutros; tomaram-se, portanto, testemu- 
nhasfdizesdetudoqueorateestouditando. No final, tarn bem tedard 
nomesdaquelesquedaqui adoismil anosescreveraoeproduziraocoisas 
mais importantesquetu! - Guarda isto eescrevecom fe!" 

5. CireniusmuitoseadmiradeMinhasPalavraseComdiusindaga 
sobreaspessoasdestinadasatalfim;eEu Ihesapontonomes, profissaoe 
carater, eacrescento: "U m ddes, quereceberaasmaioresRevdacoes, mais 
do queora vosefacultado, descendera do filho mais vd ho dejose, por- 
tanto seradescendentedireto deD avid. Sera fraco na carne como aqude 
Rd, seu espirito, porem, tanto mais forte! Fdizesosqueo escutarem e 
modificaremsuavida. 

6.Todososgrandesinspiradosdescendem deDavid, poistaiscoisas 
so podem ser dadasaqudesque, fiacamente, tern a M inha Descenden- 
cia. M aria, M inha M ae carnal, descendia de David, portanto tenho a 
mesma origem. Naqudaepoca, osmencionadosdescendentesdeDavid 
seencontrarao na maioria na Europa; entretanto, serao descendentespuros 
e genuinos daqude homem de acordo com a Vontade de D eus e serao 
capazesde transmits a Luz maisfortedo Ceu. N ao subirao a urn trono 
terreno, em compensagao Ihes aguardara a maior gloria no M eu Reno. 
Eu sempre M e lembrard desses M eus irmaos! A maior parte de M eus 
discipulos tern a mesma origem; a rigor, sao des fisicamente M eus ir- 
maos, com excegao de urn que nao e do Alto, senao puramente deste 



Jakob Lorber 

192 

mundo. N ao devia estar presente, todavia, tern de participar, a fim de 
quesecumpraoquefoi predito." 

7. DizCirenius, estupefato: "Acaso sao M athael, ZinkaeZorel des- 
cendentesdo grande Rei, poislhes revela o mesmo?!" 

8. Respondo: "Amigo, aqui apenasetransmitidaapalavraaoouvi- 
dofisico! utracoisasera, ouvir-seo Verbo oculto einterno provindo de 
M eu C oracao eprojetado no amago da pessoa; paratanto, epreciso certa 
estirpede pessoascujo fntimo se prestea suportar a nipotencia e Forca 
de M inha Palavra! A menor letra vinda diretamente do M eu Espirito, 
aniquilariaematariaquem naoestivessepreparado. Umavezescrita, pode 
ser lida por aquelesdeboa vontade, quepor isto nao serao mortos, mas 
fortalecidosparaaVida Eterna. 

9. Destruiriaematariaaspessoasmundanasquealessem paradela 
zombarem! Sabes, portanto, como andam as coisas; repito, que vos 
prepares, a fim demirardeso milagredo surgir do ser e do permanecer 
eternos!" btempera C irenius: "Senhor, desejava apenas fazer uma pe- 
quena pergunta, sepossfvel." D igo Eu: "Poisnao, fala!" 



113. CoNvocAgAo para a Voz Interna 

1. Indaga C irenius: "Senhor, se no futuro apenas se prestam para 
ouvirTuaVoz, aquelesquefisicaepsiquicamenteseacham preparados, 
denadavaleaosincapazes, vidaaustera, para consegui rem o renascimento 
do espirito, poisnao receberao tal Graga, em virtude de sua simples des- 
cendencia. Julgo, que isto deveria ser facultado a todos que vivem de 
acordo com Tua Vontade, porquanto o espirito que penetra alma ecor- 
po, seria apto para suportar Tua nipotencia." 

2. D igo Eu: "Amigo, prezo-temuito; destavez, porem, julgastecomo 
urn cego as cores lindasdo arco-iris Com tal parecer detua parte, pode- 
ria M e admirar porque teus membros de ha muito nao se revoltaram 
contra tua cabega, porquanto suas aptidoes sao diversas. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

193 

3. Teus pes sao cegos e surdos e tern de efetuar - nao obstante sua 
deficiencia - ostrabalhos mais pesados. Tuas maostem deexecutar tua 
vontade, entretanto nao possuem olhosparaverasmaravilhasda luz, tao 
pouco ouvidos para sorverem as harmonias do canto; tambem carecem 
deolfato epaladar para poderem apreciar o tempero gracioso da vida! 

4. N aopoderiaasebedeespinhosqueixar-sedavideira, porquantoda 
propria nada cometeu para nao compartilhar da G raga de produzir uvas?! 

5. IgnorasquetudoeporMim determinadoetem sua finalidade? 
Assim comoteusmembrosprestam servigosaocorpodeacordocom sua 
capacidade, oshomenstambem recebem certosdons, afim desetoma- 
rem uteisreciprocamente, noqueconsisteamaximaventuradavida. 

6. Setua menteeteu coragao estao alegres, todo o teu fisico sema- 
nifestaradetal forma; bastaqueumafalangedetuamaoestejamagoada, 
e nao sentiras alegria alguma em teus membros. Todos estarao tristes, 
tudo fazendo para socorrer a parte afetada. 

7. Realmente, naodeixadeserumaconvocagaoabengoadaacapaci- 
dade de ouvir a Voz de M eu Amor, anota-la e transmiti-la aos que a 
apreciam; todavia, nao e menos abengoado quern guarda no coragao o 
queouviu eprocuraaplica-lo. Sedestemodo umacriatura, sebem que 
provindadaTerra, conseguiu o renascimento do espirito, sera certamen- 
terecompensada pelo esforgo empreendido sem, todavia, lastimar-se con- 
tra quern edono daquela Graga. Estascontentecom M inha Resposta?" 

8. RespondeCirenius: "Perfeitamente, Senhor. Jamais formularei 
pergunta tao tola. Q ueira, pois, abengoar-nos com Tua G raga!" 



114. OsEsPiRITOSDA Natureza 

1. D igo Eu: "A fim devosabrir o mundo dosespiritosda N atureza, 
mandei trazer a pedra luminosado centra da Africa. Sua irradiagao tern a 
faculdade de influir sobre os nervos vitais na boca do estomago, de tal 
forma que a alma - apos prolongada atuagao da luz - para la concentra 



Jakob Lorber 

194 

sua visao, onde comeca a ver as coisas mais ocultas. Vossa capacidade 
visual sera projetada para aquele ponto e comegareis a ver melhor de 
olhosfechadosqueora, abertos. 

2. Para algumas pessoas, a Lua tambem produz esteefeito, mas nao 
em grau tao elevado e potente. Fechai, pois, os olhos e certificai-vos se 
nao vedes mel hor pelo plexo solar!" Todos cerram os olhos e se extasiam 
dianteda nitidafaculdade visual da alma pelo centra nervoso. 

3. Somente M athael eseuscolegasseextemam da seguinte forma: 
"Em absolute e-nos desconhecida tal maneira milagrosa de visao; pois 
desta forma, viamos coisas estranhas e caminhavamos sobre penhascos 
que nenhum mortal poderia passar sem correr risco de vida; observava- 
mosomar, lagoserioscheiosdelarvasesquisitasquesemovimentavam 
em todas as direcoes. Algumas repousavam como flocos de neve sobre a 
terra edesapareci am rapidasem seussulcos; outraseram absorvidasqual 
orvalho pelas plantas, terra evariadas pedras. 

4. As que se ocultavam nos tres reinos nao mais surgiam; onde, 
porem, apodrecia um tronco, arbusto ou animal aparedam novas for- 
mas, no inicio, como leve vapor, queseatraiam aos milhares, criando 
aspecto maisdefinido. M al suafiguraestavacompleta, nao levava tempo 
para - como que munida de consdenda propria - comegar a se mexer 
qual caoafarejar. 

5. G eralmentevimosestes seres sedirigi rem as manadasde came- 
ras, cabritosegado ondepermanedam. Quando osanimaisseentrega- 
vam a procriagao - no quetais dementos muito os instigavam - eram 
absorvidos como a erva seca absorve o orvalho, desaparecendo. 

6. M uitosdestesdementossedirigiam rapidosparaasaguas, nave- 
gando em sua superficie. Alguns, em seguida, submergiam; outros se 
juntavam a uma massa nebulosa e somente se afogavam, quando atrai- 
dos por nova forma que nao fosse aquatica. 

7. Entao dava-seum fenomeno estranho: surgiam daagua milhares 
decaricaturas, larvaseformasdeinsetosvoadoresbem comoavespeque- 
nasegrandes,detodasasespecies. Emboramunidosdeasas, pemasetc, 
ddasnaoseserviam, poispendiam deseu tronco que f I utuava qual neve 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

195 

pelo ar. Somentequando seaproximava um grupo depassarosverdadei- 
ros, tais larvas e formas se movimentavam em sua diregao e, de subito, 
eram porelestragadas. 

8. D e certa altura, descobriamosum chuviscotenueou denso, po- 
rem claro, queseapresentavacomumentesobreasaguas Analisandotal 
poeira, deparavamos com certas formas parecidas com minusculosovos 
ou pequeninos vermes que tarn ben eram de pronto devorados 

9. Poder-se-ia contar muita coisa se o tempo o permitisse. que 
viamos naquela epoca em nosso estado infeliz, vemos agora de olhos 
fechados, despertando-nos a seguinte recordagao: vimos estes quadras 
noite por noite, anos afora. Acontecia, as vezes, dar-setal fenomeno ate 
mesmoem diasnublados, noentanto, naosabiamosinterpreta-los. Gra- 
cas a Ti, Senhor, agora conhecemos sua causa pelo queTe rendemos 
Honrae Gloria!" 



115. Yarah e osEspIritosda Natureza 

1. IndagaYarah, que se acha ao M eu lado: "Senhor, queespeciede 
homunculos sao esses? Surgem da floresta e nos circundam em todas 
cores; alguns parecem usar vestimenta vaporosa, a maioria e desnuda e 
tern a aparencia duma crianga de dois anos" 

2. Digo Eu: "Sao almas humanas, ja perfeitas, masqueaindanao 
encamaram. Tambem nao sentem vontade para tal, porquanto temem 
uma nova prisaona materia. sde vestimenta ate jausam umaespecie 
delinguagem naomui inspirada; todavia,todospossuem certa inteligen- 
ciasimiesca." 

3. IndagaYarah: "Acaso meentenderiam selhesfalasse?" 

4. Respondo: "Fazeumatentativa." Enchendo-sedecoragem, Yarah 
sedirigeaum daquelesseresdiminutos: "Quern soisequedesejais?' 

5. homunculo azul-claro achega-sebem perto da meninaediz de 
olhos esbugalhados: "Quern temandou, cameputrefata, dirigir-teanos, 



Jakob Lorber 

196 

puros?Com excecao deU m edemaisoutro, todosvosexalaisforteodor 
demateria,- maiorinimigodenossasventaslNofuturo, indagasomente 
quandotiveresrecebidoordem do EspiritoOnipotentedetodososespi- 
ritos, - ealem disto, trata dete livrar detua came nojenta!" 

6. Digo Eu: "Entao, M inhafilha, quetal esta resposta?" Responde 
ela: "Senhor, quecriaturasextremamentemalcriadaserudeslAcasoserd 
eu um cadaver putrefato? Poderia desesperar-mecom tal expectativa!" 

7. Digo-lheEu: "M inhafilhinha, porqueteaborrecesquandoaquele 
espiritozinho tefez um beneficio?! Poder-te-ia explicar de modo maisddi- 
cado, que em ti seoculta um pequeno orgulho debeleza; como, todavia, 
nao e artista lingufstico, mas apenas possui escasso vocabulario, externa 
propriamentesuasimpressoesaoinvesdeusarlinguagem habitual. 

8. Tua felicidade psi'quica foi destruida por teres falado com o ho- 
menzinho azu l-claro? G aranto-te que se ti vesses te di rigido a um verme- 
Iho, teriastido uma vertigem de raiva pela resposta! Agradece, pois, ao 
azul-claro que entao usaradeoutrostermos" 

9. NovamenteYarahseanima, dizendoao espiritozinho que ainda a 
fitadeolhosesbugalhados "Agradeco-te, homenzinho, pelo beneficio pro- 
porcionado por tuas palavras I ivres de rodeos; nao mequeirasmal, sim?' 

10. Desatando numagargalhada, o homunculo responde: "Aqude 
queteinsuflou isto,e-meagradavd;tu, bobinha, longeestasdaperfdgao 
porquanto, em teu solo mal chdroso, ainda nao nasceu nem pensamen- 
to nem vontadeparatantolTodavia, jameesmaissuportavd, nao obstante 
manteresteu orgulho debdeza. N ao sejaspretensiosa, poistudo quete 
pertenceemau, - o Berne deUM Outro!!" 

11. DizYarah: "Deondetevem este saber, meu amiguinho?' 

12. Novamenteri de: "N ao epreciso saber-seo queseveITu tam- 
bem estasvendocoisasque nao costumasvislumbrar. Todavia vejo mais 
quetu, por nao meachar dentro da materia repugnante e sd perfdta- 
menteo intimodevostodos. Repito: naoteorgulhesdetuasprerrogati- 
vas, que nao sao posse tua." 

13. DizYarah: "Como assim?Explica-meisto!" 

14. Responde de: "Se apos longas viagens alguem contar-te suas 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

197 

experiencias e conhecimentos adquiridos com muita dificuldade, inte- 
grar-te-asdaquelasnocoes. Acaso poderias vanglori ar-te por isto?0 acres- 
cimodeteu saber eapenaso meritode quern o buscou com sacrificio, e 
alem disto, aindateveacaridadedetransmiti-lo. 

15. Por enquanto, esqual livrocheiodebonsconhecimentoselon- 
geestasdeser o escritor. A quern cabeo merito daquilo quesuaspaginas 
apresentam: ao proprio livro, ou acaso ao escritor?" D ando outra garga- 
Ihada, o homunculo se posta como general frente aos outros e diz: "J a 
quesatisfizestesvossacuriosidade,- prossigamos;oodoraqui einsupor- 
tavel!" Em seguidatodosdesaparecem nafloresta. 



116. Indole e AgAo dosEspiritosda Natureza 

1. Yarah entao diz: "Quern teria imaginado tanto saber nesse ho- 
menzinho?! No fundo, alegro-me de seu afastamento, porquanto nos 
teriam apoquentado bastante, muito embora sejam de natureza gelida. 
N ao parecem possuir amor; entretanto, sabem diferengar entre Verdade 
ementira. Q ueseradetaiselementos, poisseobstinam em nao palmilhar 
ocaminhodacame?" 

2. Digo Eu: "Urn dia terao defaze-lo, conquanto levarao tempo 
imenso parasedecidir. Osazuiscom maisfacilidade que os outros. Al- 
mas surgidas da terra - fato que ocorre diariamente - prontificam-se 
com dificuldade, apenasquando levadas por varios conhecimentos, ex- 
peri mentacoes e a esperanca de jamais perderem algo pela encamagao, 
poisna pior das hipoteses, poderao voltar aquilo quesao agora. 

3. Tais elementos da N atureza preferem as montanhas, onde aju- 
dam aos pastoreseanimais; acontece, procurarem, asvezes, habitacoes 
depessoasgmplesepobres, aquem gostam deajudar. N uncadevem ser 
ofendidos, poisnadaperdoam esevingam.Tambem frequentam ases- 
colas onde muito aprendem com as criangas. Aos mineiros, nao raro, 
apontam asminasmelhoresemaisricas 



Jakob Lorber 

198 

4. M uitos existem nesta Terra que atingiram quase cinco vezes a 
idade de M athusalem, sem ter encarnado. Submeter-se-iam a tudo. A 
perda da memoria, todavia, os retem, porquanto a consideram a morte 
desuaatual existencia. Orientadossobre esses seres, prestai atencaoaos 
aconteci mentos que se seguem . " 

5. Manifesta-seovdhoKisjonahdeKis"Oh Senhor, quanta coisa 
grandiosa e sublime eu assisti quando Te achavas em minha casa, ha 
variassemanas! M aso quesucedeu aqui em poucosdias, jamais alguem 
sonhou! Perdoa, Senhor, seousei interromper-Te, poisemTua Presenca 
ninguem deveria falar, senao ouvir. Caso a pessoa algo nao entenda no 
momento, basta urn pouco de paciencia que a explicagao vira na certa. 
Tenhodito!" 

6. Concluo: "Falasempre, M eu amigo; poisteu pronunciamento soa 
bem aos uvidos de M eu C oragao, porquanto a voz da humi Idade e para 
M im a harmonia mais bela. Tambem ouvisteontem o som maravilhoso 
produzido por Raphael; demodo identico eainda maisdeslumbrante, se 
apresenta ao M eu uvido o som claro da verdadeira humildade. 

7. Es tambem urn homem justo deacordo com M inha Vontade; 
por isto, passarei o inverno em tua casa, onde havera oportun idade para 
esclarecer-te e a tua familia sobre varios assuntos. Anima-te e observa 
bem, queasexplicacoes nao tardarao." 

8. Acrescenta Kisjonah: "Senhor, nao merego tamanha Graca, en- 
tretanto, o inverno sera uma epoca abengoada e cheia de alegria para 
todos os meus Agora ja me calo." 

9. Aduz C irenius: "N esse caso, serei de vez em quando hospedeem 
teu lar e tudo farei para suprir os pobres daquela zona." Interrompe 
Kisjonah: "Nobresoberano, isto muito mealegra. Agora tepecosilencio, 
pois diante de nossos olhos flutuam, constantemente, seres estranhos, 
que deveriamos observar com mais atencao." 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

199 

117. UM NOVELO DE SlIBSTANCIASPsiQUICAS 

1. Em seguida diz M athael: "Quenovdoimensovemflutuandoda 
cidade para ca?! Aproxima-se rapido, em movimentos ondulantes e 
serpenteantes. Vislumbro figuras diversas bois, vacas, vitelos, carneiros, 
galinhas, pombaseoutrasqualidadesdeaves; moscas, escaravelhosvaria- 
dos; burros, algunscamelos, gatos, caes, urn casal deleoes, peixes, viboras, 
serpentes, lagartixas, grilos, palha, pedagosde madeira, umaquantidadede 
graosdetrigo, roupas, frutaseatemesmo utensi'liosvariadoseoutrascoisas 
que desconhego. Q ue vem a ser tudo isto?! Talvez sejam almas metidas 
num grandesaco transparente, onderodopiam constantemente?!" 

2. Respondo: "Sao almas ou, melhor, elementosinferioresquepor 
certotempofarao umasociedadeinfeliz, ate que se ten ham emancipado 
nestesaco alimenticio. 

3. Tudo que existe no mundo e substancia psi'quica. Quando e 
destruida em sua coesao material por motivo qualquer, alcangando sua 
liberdade psi'quica, congrega-se em sua forma anterior onde permanece 
por certo tempo. Sedepoisdistoessa forma setivermunido deinteligen- 
cia, abandona-a, pouco a pouco, para ingressar numa outra de maior 
capacidade vital. 

4. Estenoveloeum receptaculo paratudo aquilo quefoi destruido 
pelo incendio e ai se encontra como substancia psi'quica, provida de 
certa inteligencia. medofazcom que esses elementosseapresentem 
nesta confusao. 

5. Se, por exemplo, em qualquer parte do orbesetomam iminentes 
grandes revolucoes deelementos - ocasionados por forte movimentacao 
dealmasda N atureza - asalmasanimaissao atacadaspor imenso terror. 
TodasasespeciessejuntamnumasociedadepacificaTantoaviboraquanto 
aserpentedesconsideram seu veneno; osanimaisselvagensnao maisata- 
cam os cordeiros; a abelha e a vespa retem seus aguilhoes. Em suma: 
todos modificam sua indole; as proprias plantas deixam pender suas ca- 
becas, inclinam-sedetristezaatequepasseacalamidade. 



Jakob Lorber 

200 

6. Tudo, com excegao do homem, quefoi destruido em tal ocasiao, 
reune-sedenovo como substancia pa'quica no pavor existente, eseen- 
volvenuma membrana. Seestenovelo psi'quico esolto tiver perambulado 
urn seculo pelo Espaco, os elementos anteriormente variados se terao 
atraido, comegando a se juntar, e perfazem uma ou talvez varias almas 
humanas, bem fortes 

7. Estenoveloqueoraflutuadiantedenos, contem tudo quefoi 
destruido em Cesarea Philippi e necessitara mais de cem anos para 
seu desenvolvimento completo. So entao, maisdecem almas sazona- 
das romperao o tenue involucro para, apos outro seculo, passarem 
por uma encarnacao. 

8. Porocasiaodegrandesincendios, manifestagoesvulcanicaseinun- 
dacoesimportantes, formam-setaisnovelos, seguidamente. Ondeexis- 
tem poucosdementosanimais, atransformagaoemaisprolongada; quan- 
do mesclados, como aqui, o peri odo e mais curto. 

9. Nem sempreseformam almas humanas dosconglomeradosdes- 
tituidos de potencias animais pois podem produzir tambem almas de 
irracionais e ate mesmo de plantas mais nobres, que se desenvolvem ge- 
ralmentedeexalagao putrefataou devaporesvulcanicosefumaga. 

10. Emsuma, quandopodeserprovadoqueosvaporesseoriginam 
dadecompoggaodemateriaanimal, vegetal ou porprocessosfermentaceos 
provindos de mi nerais, desenvolvem-se apenas al mas de plantas. U nem- 
sepela parte mais grosseira as raizes; asmaispurassecongregam com as 
folhas e por ocasiao da fecundacao, juntam-se as mais nobres, a alma 
vegetal queativa, rompeogermen,formandoassim amultiplicagao aben- 
goadadassementes 

11. Os elementos mais grosseirosduma alma vegetal permanecem 
na materia, isto e: no tronco e no cerne; os mais puros, na folhagem; 
outra categoria ainda determina o fruto eaquilo queo antecedee segue. 
s mais nobres, porem, juntam-se a manifestacao germinativa mais in- 
teligente, capazdedespertarem si, novoelementodevida, parareiniciar 
sua atividade ou, atraves de assimilacao, por parte dum animal ou do 
homem, transferir-se imediatamenteaquela psique. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

201 

12. Por isto, o homem geralmentese serve apenas do fruto, afim de 
que os elementos germi nativos da planta se possam unir a alma; a parte 
mais grosseira da semente se une ao sangue, a carne, a cartilagem e aos 
ossosTudo isto tern deser purificado porvariasvezes, aposser expel ido 
do organismo. Passara entao para o reino vegetal, ai permanecendo ate 
seu completo amadurecimento, quando sera absorvido por um elemen- 
toespiritual dogermen, edai seraassimilado por uma alma animal ou 
humana. Agora sabeiscomo seformam taisnovelos, seu progresso efina- 
lidade, podendo entao prosseguir em vossas observagoes. 

13.Tudo isto representaaescadadejacob, pelaqual viu unidosCeu 
eTerra e as forcas da V ida e os Pensamentos de D eus, descerem esubi- 
rem. Sebem quetivessevistotal imagem, nem elenem pessoaalguma 
ate hoje soube i nterpreta-la. Agora, acabo de desvenda-la para vos; para 
tal fim, era preciso transportar-vos numa especiedesono sonambulico 
pela irradiagao daquela bola luminosa, dando-voso devido entendimen- 
to, paraquesoubesseisarelagaoentreCeu eTerra ecomo, pelamesma 
graduacao, um penetra no outro. D irigi agora vosso olhar psiquico sobre 
o mar e dizei-M e o que percebeis" 



118. Oxigenio 

1. Extema-seZinka: "Senhor, vejo uma i nf i nidade de serpentes de 
fogochisparem porsobreaagua; algumasmergulham, sem quearapidez 
de seus movimentos seja detida pela massa d'agua. Vejo ate o fundo do 
mar, onde se acha uma quantidade de monstros e peixes variados que 
sorvem tais serpentes. Setal monstro ou peixetivertragado umaou vari- 
as serpentes, torn a-semaisvivo eanimado, manifestando atecertavolupia. 

2. Agora tambem deparo tais elementos defogo, porem, menores, 
no ar; sobre as aguas sao mais densos. N ao parecem ampatizar com os 
passaros que, a noite, costumam esvoagar em sua superficie; enquanto 
que os peixes pulam fora d'agua para sorve-los. Os que navegam sobreo 



Jakob Lorber 

202 

mar sao osmais luminosose ligeiros. Q uevem a ser isto, Senhor?" 

3. D igo Eu: "E o verdadeiro demento de nutricao vital; o sal do ar e 
dornar;futuramenteoscientistasodenominarao"oxigenio". N aopoderao 
ve-lo, mas percebe-lo, determi nando sua substancia, ausencia ou presenca. 

4. A agua, como demento primordial para plantas, animaise ho- 
mens, contem grande volume deoxi gen io, mormenteo mar, eosani- 
maisaquaticosnao poderiam viver sem de. 

5. Este demento e, a rigor, a substancia psiquica propriamentedita 
e corresponde aos pensamentos antes de serem concretizados para uma 
idea. Quando encontrardes este demento psiquico num amontoado, 
apresenta-seem breve uma forma ddicada, agil ou inerte, qual pedraou 
pau. Observai, principalmente, as margens onde descobrirds diversos 
pontos mais concentrados defaiscas 

6. Tal amontoado, surgido como quepor acaso, irradia uma luz, por 
certo tempo, mui penetrante. Este acrescimo de luz e o momento da 
atragao reciproca de uma quantidade de serpentes de fogo vital e com 
esta atragao, ja sedeu a concretizagao de uma idea. 

7. U ma vez a forma equilibrada, faz-se a calma; a irradiacao cessa e 
aparece urn ser: ou em forma de cristal, semente, ovo, - talvez ate urn 
animalzinhoaquaticoou, pdomenos, umaplantinhademusgo, - razao 
pda qual seve, comumente, as margens planastao fartamente cobertas 
devariadas plantas maritimas Ondeestasvicejam, osanimaisdetama- 
nhos diversos tambem naofaltam. 

8. 1 ndagais, quern modda esses dementosdevida em formasestag- 
nadas ou movimentadas? Raphad podera responder mdhor. Vem, 
Raphael, falaeexemplificaesteassunto." 



119. Raphael Demonstraa CriacAo dos Seres 

1. arcanjoseapresentaediz: "Deuseem Si, Eternoe Infinite e 
preencheo Espaco Imensuravd. Ele, sendo o Pensamento maisdevado, 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

203 

puro, imenso ea Idea Perfeitadetodo o sempre, so podeformar, cons- 
tantemente, pensamentos ao Infinite que e Dele pleno. N 6s, arcanjos, 
como SuaslddasindependenteschdasdeLuz, Sabedoria, Conned men- 
to e Forca de Vontade, surgidas em epocas por vos incalculavds, temos 
ao nosso dispor umaquantidade infinite deespiritos- servos, quedecerto 
modo, perfazem nossos bracos, reconhecem nossa vontade, executando- 
a de pronto. 

2.0 s pensamentos de D eus representam a substancia da qual tudo 
surgiu no Infinite; nosnosoriginamos, unicamente, da Vontadedo Es- 
pirito D ivino, Elevado eO nipotente Todas as coisase seres, porem, sur- 
giram pornos, quefomosesomososprimdrosemaisexcdentesrecep- 
taculos de Sens Pensamentos e Ideas, e isto seremos para sempre numa 
forma maisperfeita. 

3.AjuntamososPensamentosdaVidadeDeus,queorasevosapre- 
sentam em figurasdelinguasdefogo, emoddamos, indeterminadamente, 
formas e seres de acordo com a rdem D ivina em nos. Tendes aqui, 
portanto, a substancia que D eus ou nos empregamos para a formagao 
material detudo. Essaslinguasdefogosaoosdementosespirituais,don- 
de tudo que comporta o I nf i n ito foi cri ado. 

4. A mandra pda qual seda esse processo, vosfoi demonstrada pdo 
Proprio Senhor. Em seu todo, compreende-lo-dsquando estiverdescom- 
pletamente perfdtos em espirito, diante de D eus, o Senhor, e nao mais 
na materia grosseira. 

5. A fim de que possais ver pda Vontade Dde, como nos, Seus 
vdhos e poderosos servos, agimos neste processo, dirigi para ca vossa 
visao psiquica, para vos integrardes daquilo que mortal algum ate hoje 
vdoasaber. 

6. Vede, em Nomedo Altissimo, ordend aosmeusespiritos-servos, 
a presengadesuficientesubstancia psiquica. Eisquediantedenosseacha 
urn amontoado luminoso delmguasdefogo. bservai como sejuntam; 
parecem querer sei ntroduzir uma na outra! Pouco a pouco dao a impres- 
saodemaiorcalma; mastal nao seda, porquantotrata-sedum obstaculo 
surgido no centra pda atragao centripeta. 



Jakob Lorber 

204 

7. Porquetudo converge para o centra? Vede, sejogodiversasbolas 
paraoar, amaispesadapoderaseratiradacom maiorimpetoedistancia, 
e no caso detodas serem atiradas a um so tempo, el a sera a primeira a 
atingir a meta. mesmo se da com os Pensamentos incalculaveis de 
Deus. Existem decerto modo mais concretes, semelhantesa uma ideia; 
os menos pesados, porem consistentes; os leves, portanto ai nda nao sazo- 
nados e alimentados pela luz, e mais duas categorias de pensamentos 
sutis Sao identicos aos brotos da primavera. Embora contenham algo, 
ainda nao alcancaram aquele desenvolvimento divino que permitisse 
positivar sua forma. 

8. Se, portanto, sou levado a formar desta substancia um ser na 
rdem da Vontade D ivina, chamo os servos que me proporcionam a 
quantidadenecessaria; ecompreensivel serem os pensamentos sol idos, os 
primeiros, porquanto perfazem o centra, eos mais leves, o involucre 

9. Como os pen samentoscentraisjasaoosmaisri cos em substancia 
alimenticia, osmaisvazios, pobresefamintosaelessedirigem, afim de 
algoconseguirem paraseusustento. Eistalfenomenoqueorapresenciais, 
conquanto as linguasdefogo maisdistanciadasseacheguem ao centra, 
dando a impressao deacalmar-se; todavia, trata-sedo impeto desatisfa- 
zersuavoracidade. 

10. Assemel ham-se a um pol i po mariti mo que suga constantemen- 
teoalimentodo lodo, com milharesdetrombasdesucgaoatequecome- 
gaacriarexcrescenciaspelasquaissemovimenta, agarrando-seem algo. 
Destemodo, adqu ire forma peculiar, mui diferente da original. 

11. Estranhais por certo o processo primitivo dum ser, que todavia 
j amai s podera ser d iferente. D i ri gi ndo vosso ol har a N atureza externa das 
coisas, descobrireiso mesmo. Analisai o ovario da avecheio deovulos: 
algunsdotamanhodumaervilha, outrosdumauvaeoutros, maiores,do 
tamanho de pequenas magas Encoberta por pele mui I eve, acha-se a 
gema. Quao informeseapresentaestavida! 

12. Pela maturagao, esta substancia principal comega a formar a 
clara. Apos certo tempo de nutricao, elaexpele a materia maisgrosseira, 
queedepositada como involucre seguro ao redor do ovo, protegendo-o 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

205 

contra um possrve! acidentepor ocasiao deser expel ido. N ao deparaisa 
grandediferenga entreo ovo eo seu estado embrional? 

13. E quemetamorfosenaosepas5aquandoaavecomegaesquenta- 
lolNagernasefazsentirumamovirnentagaoeorganizagao; surgem os 
pensamentosequilibrados(linguasdefogo) queseunem aossemelhan- 
tes, atraindo tambem os mais leves e externos Em breve, descobrireis 
coragao e cabega, olhos, intestinos, pes, asas e penugem da avezinha. 
Aposalcangadoesteestado, as partes organ izadasatraem elementosafins 
da substancia psiquica, o que Ihestraz maior desenvolvimento. 

14. Q uase completes forma eorganismo, o pensamento principal 
foi gradativamentefortalecido, apoiado, alimentado e comega a trans- 
por-secom a pujanga desua vida ao organismo, onde assume a diregao. 
E is que o ser cria vida, desenvolvendo-se de modo complete 

15. Chegado a este ponto, o pensamento vital, ou seja a propria 
alma, integrado ao organismo, percebeestar ainda encarcerado. Por isto, 
entra em maior atividade; rompe a prisao e se projeta no mundo, todo 
fraco e temeroso. D e pronto comega a se nutrir com alimento externo, 
atequesetenha equilibrado em a N atureza. 

16. Temos, portanto, uma avediantede nos, capaz deassimilar as 
particulas especificas do campo psiquico, do ar, da agua, e, na maior 
parte, do alimento organicojavi vificado. sespirituais, para o desenvol- 
vimento progressive da psique; os mais grosseiros nao somente para a 
manutengao do organismo, como tambem para a nova criagao deovu- 
los, dosquaissurgirao posteriormenteosdamesmaespecie 

17. sexo semprederiva do maior ou menor peso do pensamento 
basico da alma. Este, desde inicio completamentefirme, desortea ser 
uma ideia, sua forma sera masculina; o pensamento se baseando num 
grau maisindeciso, formaraum serfeminino. 



Jakob Lorber 

206 

120. A Fecundacao 

1. (Raphael): "Peloatoprocriadordosanimais, apenasse da a exci- 
tacao para uma atividade ordenada do pensamento basico da psique, 
dentro do ovo. D o contrario, permaneceria a estagnacao, pela voracida- 
de, sorvendo do vizinho evice- versa, atequesetivessem tragado recipro- 
camente. Este ato tambem se pode dar com outros ovos ativados a pro- 
criacao, quando as condicoesnecessarias para o desenvolvimento sao es- 
cassasoumesmonulas. 

2. Em todososanimais, portanto, da-se, no momento procriativo, 
apenas urn incentivo daquilo que contem o fisico materno; pois uma 
quantidade de pontinhas psiquicas se acumulam continuamente, em 
numeracao ordenada, dentro do organismo. La instigam primeiro a fe- 
mea, esta, o macho queafecunda, nao como sefossedeitar o novo semen 
no ovo, mas para despertar a vida psiquica dentro da mae. 

3. Isto acontecepelo semen, constituido deelementosdevida mais 
libertos, que leva os elementos femininos mais presos a urn estado de 
revolucao, forcando-osaatividade, poisquesem elespermaneceriam em 
doceindolencia,semjamaisseprontificaremparaaformagaoeorganiza- 
gao internadum novo ser. s elementos mascu I inosaperream osfemini- 
nos, que se Ihes opoem constantemente e, quando mais fortes, fazem 
calar os outros, fato comum em todo reino animal. selementosfemini- 
nos no centra materno (utero), tendem a entregar-se a calma; quando 
ativados demodo suficiente, o ato ocorresem impedimento. 

4.Talconglomeradodepotenciafemininaseencontraanossafren- 
te; observai como seacalmou durante mi nha explanagao. Seo deixasse 
assim, pouco a pouco se reduziria, pela tendencia da calma, porquanto 
suasparticulasseaproximariam detal forma do centra, que em breve o 
teriam absorvido, fato quetraria o aniquilamento deambos. Estes ele- 
mentos sao como ascriancas: esquivos, medrosose quando - como aqui 
- seencapsularam, nao aceitam alimento externo, massugam do centra 
feminino, atesereduzirem amerospontinhos. Por isto, atrairei elemen- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

207 

tosmascu linos, fortes, quefarei friccionarem o centra femini no, - evereis 
o efeito. 

5. PdaVontadedo Senhoratraio pelosmuitosservosao meu dispor- 
os grandes pensamentos bases de vida, em forma de linguas mui lumino- 
sas, queseachavam brincando a beira d'agua. bservai atentoscomo co- 
mecarao a saracotear em redor do centra vital feminino! s menores, ja se 
movimentam numa tentativa de se livrarem dos dementos masculinos 
Estes, porem, nao cedem, transmitindo aexcitagao ateao centra feminino. 

6. Agora, ate mesmo este comeca a se movimentar e como os de- 
mentos vitais que o circundam se tomaram fami ntos de luz pda movi- 
mentacao, o pensamento central da vida psiquica, absorveu o demento 
masculino. Incentivadosdestemodo, ossitiantesrecebemoestimulodo 
centra e se organizam para uma represa orientada. s dementos mais 
fortes e proximos do centra, ja iluminados, reconhecem sua indole e 
ordem, agrupando-se, de acordo com sua afinidade; logo verds surgir 
I i gagoes organ i cas cuj o exterior cria forma animal. 

7. Por essa atividade e luta, todas as particulas vitais sentem maior 
necessidadedealimento, que Iheefacultado pdos dementos masculi- 
nos. Com isto, os dementos exteriores, mais e mais ordenados, tornam- 
se maisfamiliarizados com os positivos, desaparecendo o vdho temor e 
reed o. Tudo comega a se movi mentar com I i berdade e o efdto e a forma- 
cao dum ser que, dentro em pouco, poderds positivar. Vede: desenvol- 
veu-se u'a mula forte que permanecera pda Vontade do Senhor!" 

8. bservam H ebram eRisa: "0 bom Raphad pareceespecializado 
nessa criagao, pois ha dois diasja criou uma outra!" 

9. Respondeo anjo: "Aquilo aconteceu para o vosso ensinamento, 
enquanto este animal tern outra significacao: eo si'mbolo da humildade 
justa. Em vossosempreendimentosterrenos, quando executados com 
precipitacao, surge finalmentetambem um burro ou ao menos, em par- 
te. Aqui tratou-se de demonstrar-vos rapidamente, o desenvolvimento 
dum serdesdesuaorigem epdapressa, tambem surgiu u'amula, - jaque 
pretendeisalgo chistoso. 



Jakob Lorber 

208 

10. Este animal sera fecundado pelo anterior eno ano vindouro, al- 
guem os comprara em Jerusalem eojumentinho sera lembrado para todos 
os tempos! Agora basta. Sabeis como surge urn ser, sem mae, dos Pensa- 
mentosisoladosdeDeus, esequiserdes, poderei repetirtal fenomeno!" 

11. Respondem todos "Poderoso servo do Senhor, ja nos basta este 
exemplo excepcional, poisum acumulo nospoderia perturbar." 

12. Diz Raphael: "M uito bem, demonstrei-vos a fecundacao e o 
surgir dum ser, pelo ventre materno eaqui, outra, livre, conformeseda 
emtodososplanetasou ilhasqueporventuraaindavenham anascer. 

13. N ao deveis, no entanto, aplicar este meio ascriaturas humanas, 
mormentedesta Terra; conquanto hajamuitasemelhanca, abaseemui 
diversa. A mulhertambem possui substancia natural; quando ocorreo 
ato, e fecundado eexcitado urn ovulo que, todavia, earrancado como a 
uvadocacho, levadoao local acertado, ondeseapresentaumaalmafeita. 
E la nutreo ovulo atequea substancia setenha fortalecido detal forma, a 
possibilitar a alma, queseretraiu, penetrar no embriao ainda liquido, no 
que leva dois meses. U ma vez que dele se tenha apossado, o feto se faz 
sentir ecrescerapidamenteao taman ho normal. 

14. Enquanto os nervos nao estiverem completamentedesenvolvi- 
dos eativos, a alma trabalha de plena consciencia, organizando o corpo 
para suas necessidades M as quando os nervos completados e seus ele- 
mentos se ativando dentro da ordem, a alma se aquieta e, finalmente, 
adormece na regiao dos rins N ada sabe de si propria, vegetando sem 
recordacao deseu antigo estado primitivo. So depoisdealguns meses de 
nascida, comega a despertar, o queefacil seobservar peladiminuigao do 
sono. Todavia leva bom tempo atequealcancealguma consciencia pro- 
pria, que surge com a fala; a recordacao do passado, porem, nao Ihe e 
dada, pois nao seria de utilidade para o desenvolvimento psiquico. 

15. Submersa na came, a alma nada registra senao pelos sentidos 
porquanto ignora possuir existencia independente. Por muito tempo se 
identifica com o corpo eprecisosaovariascircunstancias, para levar-lhe 
tal conhecimento imprescindivel, poisdo contrario, nao poderiaabrigar 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

209 

um espirito etao pouco desperta-lo. Somentequando tal fato ocorre, da 
se toma lentamente mais lucida; da conta de si e descobre coisas mui 
ocultasque, entretanto, nao sabeaproveitar. 

16. Q uando o espirito esua luz poderosa seevidenciaram, volta tam- 
bem a recordacao detudo, porem subl i mada. N ao ha mais engano e men- 
tira, e sim a Verdade mais lucida e celeste pda uniao de alma e espirito, 
numafdicidadeebem-aventurancadevadissimas! Entendesteso quadro 
da escadade Jacob?!- Ateaqui falei eu, oseguintevosdiraoSenhor!" 



121. MOTIVOSDASREVELAgOESDO SENHOR 

1. Respondem todosospresentes: "Acaso haveriaalgo que nao hou- 
vessemoscompreendido?' E o proprio Comandantejuliusacrescenta: 
"Sepossivd fossemantermosestavidencia, poderiamos, fortalecidospela 
vontade, tornarmo-nosdeuseseoperarmilagres; sendoelaapenasoefei- 
to da luz magica daquela bola e nossa vontade e conhecimento ainda 
fracos, permaneceremos os mesmos que dantes! 

2. Refletindosobreaquiloquesomenteepossi'vel aum anjo, deparo 
comagrandediferencaentreDeuseacriatura. Eleetudo, - ohomem, 
nada! Confesso, que este conhecimento meentristece, poisquesou eu 
perante Raphael, equal minha posicao ao lado de D eus?! 

3. Deparamosmilagresinauditosmas,ai den6s,setentassemostrans- 
mitir nossa vontade a umadessas I inguasdefogo! Por isto, acho melhor 
saber-se menos, porquanto a pessoa nao sera tentada a agir milagrosa- 
mente. Tudo isto queacabamosdever, amedrontou-me. Por queentao 
devo integrar-medetaisfenomenos?" 

4. Digo Eu: "A fim dereconheceresquao pouco eo homem por si 
mesmo, porquanto suavida, nogao, conhecimento ecapacidades, unica- 
mente dependem de D eus! Atraves tua vontade, j amai s algo consegu i ras, 
como tarn bem o anjo nadafara; aceitando M inhaVontade, poderastera 
mesma fungao deste anjo. 



Jakob Lorber 

210 

5. Constitui beneficio para tua alma, oacresci mode con hecimento, 
secompreenderes que tua propria vontadenadaou pouco fara alem da 
acaofisica. Podescompreendereassimilaro mesmoqueoanjo;senao 
tiveresadquirido M inha VontadeeSabedoria, tudo aquilo denada vale. 
Pdocontrario, ser-te-aum suplicio, por seres homem deacao; isto, toda- 
vianao teprejudica, pois apenaspelahumi Idadeo homem setorna ho- 
mem, e urn verdadeiro filho deDeus! 

6. Alem do mais, nao vosforam demonstradostaisfenomenospara 
quefossem imitados, masparareconhecerdesDeusem M im, aceitando 
com amdhor boavontade, a fazer o que Eu, CriadordetodaaVida, 
ensinei em virtudedo aperfeicoamento vital. 

7. Para estefim, tendes primeiro dealcancar o Renascimento do 
Espirito; docontrario, M inhaVontadenaodeitariaraizesem vos Sepela 
vossa vontadeaceitaisa M inha, a ponto desubmete-laa M im, exercitan- 
do-vosno sentido devosentregardesao Seu Dominio, - Meu Espirito 
criara vida plena, penetrando todo o vosso ser. 

8. D este modo, M inha Vontade praticada por vos chegara a plena 
pujanca, e aquilo queEladesejar, dar-se-a! M as so entao, - ejamais, antes! 

9. conhecimento deve ser apenas a redea pela qual dirigis vossa 
vontade a M inha; pois atraves de M eus Atos, deveis reconhecer ser Eu 
AqueledeQ uem testemunhei. Assim equilibrados, ser-vos-afacil seguirdes 
M inhaVontadequeSebaseianaVontadeEternaelndiscutivd, dando- 
Iheplenospoderes. 

10. Sealguemvosindicaruma rota por demesmo nao inteiramente 
conhecida, seres prudentes em nao segui-la. Seaspalavras, porem, vos 
indicam sera pessoaconhecedorado caminho, porquanto ehabitanteda 
mda final, chegardsaconclusao deque nao vostentou enganar, deacor- 
do com o conhecimento ea vontade. Assim submderds, em virtudeda 
confiangasegura, vossa vontade a daqude que vos foi guia. 

11. mesmosucedeaqui: SeEu M e apresentasse numa aparencia 
mistica, fatalmentepersistiriam duvidasque, todavia, vosseriam perdoa- 
das SeEu, porem, M ederaconhecer por PalavraseAcoes, demonstrando 
com todaa Sabedoria, Amor ePoder, ser realmenteAqudequeSerevdou, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

211 

o exito eefetivo! Primeiro, nao podeisalimentar duvidasdeM inha Pessoa 
esegundo, toma-seocumprimentodeM inhaVontade- peloqueunica- 
mente vosso espirito podera renascer - coisa fad I, por reconhecerdes o 
efeito real desteempreandimento. C reio terdescompreandido o motivo de 
M inhasAtitudesinauditas, revelando-M edetal forma. 

12. Um mestresabio nadafazsem motivo; assim tambem Eu nao 
vos ensino por vossa causa, senao para vos tornardes doutrinadores e 
guias de vossos irmaos ignorantes, em M eu N ome. Por isto, necessitais 
conhecimentomaisprofundodossegredosdeMeu ReinoeM inhaNa- 
tureza, da indole humana desde sua origem remota ate a mais elevada 
perfeicao e Semelhanca D ivina! 

13. Atraves vossa confiangaplenaevivapodereisdespertarumaiden- 
tica em vossos adeptos; assim e que tambem vislumbrarao, em breve, 
coisassemelhantesasquevosforam demonstradas. H aveiscompreendi- 
do o "porque" detudo isto?" 

14. Respondem todos, comovidos: "Sim, MestreeSenhor!" Digo 
Eu: "Poisbem, despertai entao parao mundo natural, afim deque vos 
possa demonstrar ainda outrascoisas" 



122. Senhor Revela o Intiimo de Judas 

1. A estaspalavrastodosvoltam a visao normal, eM erendem louvo- 
res por tudo que Eu Ihes havia proporcionado. Tal atitude demonstra 
terem reconhecido, na verdadeira profundeza de vida, Quern Eu Sou. 
Judas, porem, M eabordacom asseguintespalavras: "Senhor, por muito 
tempo alimentei duvidas: agora acredito seres real mentejehovah em Pes- 
soa, ou, pelo menos, Seu Filho! Existe, contudo, aseguintedificuldade: 
ComoTefoi possivel abandonarolnfinitoesubmeter-Teaformalimita- 
da, sendo Jehovah? E enquanto isto fizeste, o Espago continua infinito! 
Tu, porem, eso Proprio Espago EternolComo podeeleexistirem sua 
N atureza imutavel eTu M esmo, nesta forma reduzida?! Senhor, tal ques- 



Jakob Lorber 

212 

tao emui importanteesemederesumaexplicacao satisfatoria, tornar- 
me-ei urn deTeusdiscipulosmaiszelosos" 

2. Digo Eu: "C omo e possfvel quetodosalcancassem a visao, en- 
quanto somentetu tetomaste cego? Acaso julgas que esta materia M e 
enfeixa?Ou seriao Sol, com sua luz penetrante, apenasativo ondeseus 
raiossefazem sentir?C omo poderiasve-lo, seelesnao ultrapassassem sua 
camada externa?' 

3. Eu Sou o Eterno Ponto Central deM im Mesmo; edesteponto 
preencho etemamenteo Espago Infinito. Sou, portodaaparte, o Eterno 
Eu; entrevos, porem, acho-M eno M eu Eterno Centra deVida, deonde 
mantenho, de modo constantee i mutavel, todo o I nfinito em sua exten- 
sao ilimitada. 

4. Detodo o sempre habitei em Meu Centra impenetravel eem 
M inhaLuzlnatingivel, surgidadeM im M esmo. Em virtudedascriatu- 
rasdestaTerra, tiveo ensejo deM eafastar deM eu Centra eLuz, desorte 
que para aqui Medirigi, nesta mesma concentracao eLuz, que ate mes- 
mo aosarcanjos, foi impenetravel poretemidades, - tornando-M eaces- 
si vel para vos e vos faci I itando a M i n ha L uz. 

5. Q uando parti mos de Sichar para a Galileia e repousamos numa 
montanha, demonstrei a varios dentre vos, atingir a M inha Vontade o 
proprio Sol. Recorda-tedestefato esaberasestar Eu Presenteem todaa 
parte, atravesdaemanagao deM inha Vontade I mutavel!" 

6. Concorda Judas: "Realmente, lembro-me teres apagado por ins- 
tantesa luz solar. N ao ebrincadeira; no entanto, conta-sequeosantigos 
magosdo Egito, tambem ofaziam. Em a N aturezaexistem forgasocultas 
que con heces tarn bem comoosmagos Naturalmenteninguem atehoje 
agiucomoTu! 

7. Todavia, nao es destituido de ensino mundano, pois se fala da 
habilidadedejoseemesmo deM aria, alunade Simeon eAnna. A pessoa 
com paisdestaordem,teraboasoportunidadesdeaprendizado. Eismi- 
nha opiniao mundana, porquanto creio convictamente habitar em Ti o 
Espiritode Jehovah. 

8. Dequeadiantariaum Deusacimadetodasasestrelas, nuncaSe 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

213 

mostrando as Suas criaturas, tampouco operando milagres?! Eis porque 
Tu es, ao menos para mim, Jehovah Verdadeiro, porquanto Te apresen- 
taste diante de nossos olhos como M estre de tudo que existe. Q uem 
pode, como Tu, ressuscitar os mortos, mandar nos elementos e criar do 
eter um burro real, e para mim Deus Verdadeiro! 

9. N ao sou tao tolo como julgavaT homaz, pois se Ihefalasse como 
posso, naoseriacapazdemeapresentarumaobjegao. Senaotivessesus- 
peitado em Tua Pessoa o Verdadeiro Jehovah, de ha muito teria voltado 
para minhaolaria. Assim, renuncio a minhaarterendosa, muito em bora 
nao seja inimigo do dinheiro, preferindoTua M oeda Espiritual. 

10. Contudo, nao posso aceitar as insinuacoesdeT homaz que me 
sussurrou aosouvidos, ter o milagrecom o burro, ocorrido por minha 
causa, para dernonstrar-me quern sou! Seelesejulgamaisinteligenteque 
eu, - que o seja, mas nao queira molestar-me por isto! Tratando-me de 
ladrao, jamais podera alegar ter eu Ihefurtado o quequer queseja. 

ll.AindahapouconostransmitisteumEnsinamentodivinamente 
sabio sobre as molestias pslquicas, demonstrando como se deveria ter 
mais paciencia com a alma doentia, de que com o fisico. Por que nao 
penduraeletaisensinamentosatrasdesuasorelhas, quando nao cabem 
em seu coragao. Pensa quetambem posso ser psiquicamenteenfermo?! 
N ao exijo que me pega desculpas, por sua sabedoria classificar-me de 
burro, poistambem sou tao humilde quanta ele. Sinto apenas vontade 
em confessar abertamentesereu enfermo da alma, enquanto nao invejo 
asaudedesuaalma. Continuarei seuamigodesempre, elhepegoapli- 
queseu zelo corretivo em outros, poisainda sou, tanto quanta ele, um 
discipulo convocado porTi, Senhor." 

12. D igo Eu: "Realmente, nao edetodo louvavel T homaz fazer-te 
alvo de sua critica; entretanto, sei que por ocasiao do aparecimento 
desse animal, fizesteum gracejo mal intencionado, quedeu motivo a 
replica deT homaz! 

13. D ize-M e, por que motivo externaste a observagao que todos os 
M eus Atos milagrosos eram rematados com a produgao de burros? Tal 
observagao foi maldosa e mereceu as palavras deT homaz! N ao critico tua 



Jakob Lorber 

214 

fepdaqual M etomaspelo D aiseSenhor U nico; condeno apenas, basear- 
seesteconceito, somenteem palavrasenao em tua vida psi'quica. Poisna 
realidade, M e consideras um sabio genuino do antigo Egito e um mago 
provido detodasasforcasda N atureza, que bem sabecomo aplica-las 

14.AquiloqueparacentenasdepessoasconstituiVerdadeabsoluta, 
a teu ver, merece duvidas que ainda proferes em publico; de sorte que 
algumas, de indole fraca, deixam-se levar a um criterio desacertado a 
M eu respeito. Q uando restitui avidaaosafogados, afirmasteser isto bem 
facil, porquanto o aspecto dosastrosfavoreciao exito detal milagre, pois 
noutra parte nao o tela conseguido! Em Nazareth, Capernaum, Kis, 
Jesaira eGenezareth tambem havia agido milagrosamente, - mas nao 
como aqui. Se, portanto, M e tomas por teu Deus e Senhor, por que 
entao lancassuspdtas contra M im, peranteestranhos?!" 

15. Respondejudas, com atrevimento: "Analisandocom maispers- 
picacia o mundo da N atureza, observa-se, considerar Deuso local, caso 
tencionealgo realizar. Ao galgarmos, digamos, o Ararate, nada encontra- 
remosalem depedra, neveegelo. Porquenaoproduzuvas,figos, macas, 
peras, cerejaseamdxasTSuponhojulgarjehovah, aqudemonteimprestavd 
para tal produgao frutifera. 

16. Assim, creio nao diminuirTua D ivindade, afirmando necessita- 
res condigoes apropriadas para agir milagrosamente. PoisTeseriafacili- 
mo transformar o grande D eserto Africano, em campos abencoados e 
fertes, se achasses aquele territorio favoravd para este fim. Eis minha 
opiniao com a qual, certamente, T homaz nao concordara!" 

17.AMeuAceno,Thomazseadiantaediz:"Teriasfaladodentroda 
ordem, seteu sentimento estivesseligado ao conhecimento! A teu ver eo 
Senhor um sabio filosofo, entendido em extrair detodasasdoutrinaso 
que demais sabio contem ealem disto, Seaperfdgoou em magia, facili- 
tando-Lheexito plena Eistuaideasatanica, pdaqual um grandemago, 
dominadordasforcasocultas, devefinalmente serum deus! 

18. Acontece, correspondero Senhor as tuasexigencias neste senti- 
do e nao vaci las em destronaroVd ho Deusde Abraham, Isaac e Jacob, 
dando este privilegio a um mago! Pois ainda nao te apercebeste ser o 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

215 

Espirito deste Santo de N azareth, o M esmo que proferiu no Sinai Suas 
Leisaospatri areas? 

19. Assim sendo, nao posso deixar de advertir-te sempre quando 
procurasexternartua lingua traidora, poistodo aqudequefalacontrario 
ao quesente, etraidor da Verdadeconsagrada. Por isto, aceita esta adver- 
tencia, jamais falando demodo contrario do quesentes. Compreende- 
mebem, poisteconhegoafundolNaotecondenocomoalmadoentia, 
- mastua propria enfermidade!" 



123. Corretivo de Judas 

1. D izjudaslscariotes: "Assim sendo, devo externar-me; poiso Pro- 
prio Senhor sempre deu oportunidadeaosoutrosdeselivrarem desua 
maldadeementira. Seestranhosrecebemtal privilegio, porquedevoser 
privado, quando pertenco ao vosso grupo etenho comparti lhado de vos- 
sasdoresealegrias?!" 

2. Apresenta-se, casualmente, Bartholomew "C om osoutros, o caso 
eradiferenteporquemantinham em si falsos conceitos oriundos desua 
educagao. M al ouviam a voz da Verdade, suas almas comegavam a fer- 
mentar etal nocao as instigava a despojar-sedeseuserros. Tu, no entan- 
to, de ha muito teencontras na Luz plena da Verdadee recebeste milha- 
resdeprovasdesuagenuinidadeTudo isto, porem, naoteimpressiona; 
tens vontade de praticar milagres, a fim de ganhares ouro e prata, qual 
fariseu no Templo. Teu ideal se basda na riqueza, para poderes pecar a 
vontade, nao obstante todas as verdades! 

3. C om esta tua indole, nadafdto com o despojar detuastendenci- 
as, poisnaoexistem meosdetefacultaroutrocoragao. SeoVerboOni- 
potente do Pai nao consegue transformar-te, qual seria o resultado de 
nossaspalavras?! Portanto, e preferi vd voltaresao antigo lugar enao nos 
molestares com tuasobservagoesfutds." 

4. A este corrdivo forte, Judas ainda faz mencao de responder; 



Jakob Lorber 

216 

Cornelius, porem, diz: "Abretua boca somente quando convidado, do 
resto, cala-teenao interrompaso Senhor! Se, todavia; sentesnecessidade 
urgentedefalar, vai ao fundo da mata etedirigeasarvoresquenao farao 
objecoes, tao pouco te poderao ofender! N ada entendesdaquilo queaqui 
se passa etua ignorancia enfadonha, o egoismo e ganancia, derivantes 
dela, confundem a meditagao necessaria sobre as grandes Verdades da 
Vida, provindasdeDeus, o Senhor!" 

5. Apos as palavrasde Cornelius, Judas seretiracalado; muito res- 
peito tinha ao romano sabendo deseu zelo para Comigo e M inha D ou- 
trina. Em seguida digo a todos: "Quern tern, recebera um acrescimo; 
quern naotiver, perderaaquiloquepossuia! 

6. Acabastesdevos con veneer do mal provindo da tendencia mun- 
dana para o dominio; por isto preservai-vosdela! U m coracao ganancio- 
so nao podeassimilar qualquer coisa deespiritual etao pouco, podera ser 
esclarecido sobre o que necessita para sua salvagao. 

7. Embora estejais ha poucos dias em M inha Companhia, ja 
compreendestes assuntos bem dificeis; aquele discipulo priva ha meio 
ano Comigo, foi testemunha ocular detodasortedemilagreseouvinte 
de Verdades mais profundas, - contudo nada assimila! Causa isto sua 
demasiada ganancia, baseada em sua preguica. 

8. Umapessoaverdadeiramenteesforgada, ganhacom facilidadeo 
queprecisaeateum acrescimo para sua velh ice; mesmonaoconseguin- 
dofazereconomias, esocorrendoaosnecessitados, nao ficaradesam para- 
da quando a idadeavancar. U m preguicoso amao ocio preferindo viver a 
custaalheia; por isto setomamentiroso,fraudulento, ladraoparadesfru- 
tardeposigaovantajosa. 

9. C om tal tendencia, obscurecesua alma detal forma, a Ihe impos- 
sibilitaracompreensaoespiritual;eseforiluminadaporexplicagaoeleva- 
da e pura, transforma-a em sua natureza grosseira e egoistica, reconhe- 
cendo apenaso queseja material. 

10. bservastes atraves do surgir da mula a maneira pela qual o 
espi rito setransforma em materi a e nao necessita ser expl icado; pois quern 
nao compreende-lo com fad I idade, jamais o fara nestemundo. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

217 

11. Poristo, indagai devosmesmosaquantasandavossacompreen- 
sao. Q uem apossui, - edono; naoapossuindo, levara tempo para alcanca- 
la. Aquele, cujaalmaeespiritualizada, facilmenteassimilao quevem do 
espirito; enquanto queaquele, avido pela materia, demodo algum com- 
preendera asemanacoes purissimas da centelha divina! 



124. A EDUCAgAo de Criancas 

1. (0 Senhor):"Sebemquesejanecessario haver diferengaentreas 
criaturas, alma alguma foi posta desamparada no mundo, de sorte a se 
tornar i ntei ramente materi al i sta. Poisnaoexisteuma, sequer, encarnada, 
destituida do livrearbitrio einteligencia propria. 

2. A causa primaria da perdigao das almas consiste, principalmente, 
naeducacao primitiva, em geral excessivamenteamorosa. D eixam-secres- 
cer os arbustos a vontade, contribuindo com mimos inoportunos para 
que o tronco se entorte. Q uando este endurecido, de nada adiantam as 
tentativas de endireita-lo, - euma alma tortararamentesetornara urn 
tronco ereto! 

3. Por isto, educai vossos filhos em sua adolescencia facilmente 
influenciavel, tornando-se diffcil encontrar-se, alma tao materialista a 
ponto denao compreender o quevenha do espirito, inclinando-sea uma 
agaojustanoscaminhosdaVerdadeiraOrdem deDeus!Gravai-o bem, 
porquanto foi esteo motivo queM elevou ademonstrar-voso desenvol- 
vimento duma alma no ventre materno. 

4. Ate aos sete anos prevalece na crianca o animalismo, pois sua 
alma se encontra em sono profunda Deste modo, suas necesadades 
manifestam desejos animais, ao inves de humanos Dai-lhes apenas o 
necessario! H abitua-lhes desde cedo a pratica da renuncia; as de facil 
percepgao nao devem serelogiadasem demaaa, enquanto seaplicaamor 
e paciencia as menos perspicazes 

5. Devem-seexercitarem coisasuteiseboas, evitando-sedespertar- 



Jakob Lorber 

218 

Ihesvaidade, amor-proprioeorgulho, mesmoemsetratandodumacri- 
anca merecedora de elogios. Q uando defisico atraente, nao devem ser 
envaidecidasporroupasbonitaseluxuosas. Convem mante-lasasseadas 
sem, contudo, delas fazer-se fdolo da casa, conseguindo, deste modo, 
encaminha-lasdesdeo nascimento paraalcangarem, quando adultas, aqui- 
lo quetodosvosconseguistesapenaspor M im. 

6. A moca atingira a maternidade, casta epura; eo rapaz setornara 
homem deal ma sazonadaeespirito desperto e sera uma bencao aosfa- 
miliares, ao planetaeseusanimais 

7. Cedendo em demasia aos desejos e paixoes animais de vossos 
filhos,abrireisumaentradanovaeamplaparatodososviciospelaqualse 
projetarao no mundo, demododesastroso; umavezmanifestados, inutil 
enfrenta-loscom todasortedearmas, poisnadaconseguireis contra seu 
podereforga. 

8. Cultivai, pois, aspequenasarvores, paraqueseu crescimentoseja 
em direcao ao Ceu etirai-lhes, cuidadosamente, as excrescencias; pois 
quandocrescidasefortes,cheiasdecurvasdefeituosaspelosmausventos, 
- nao maisserapossive! endireita-las, mesmocom metodosviolentos. 

9. H a pouco vistes o conglomerado de linguas de fogo, em cujo 
estado independenteesolto, no quediz respeito asqualidades psiquicas, 
naoestavadeterminadodali surgirumjumento;somentedepoisdasor- 
densdo anjo, as partesdiversassejuntaram, formando o organismo da- 
queleanimal. 

10. Agora, feito, nao seria admissive! transforma-lo em outra espe- 
cie, embora para D eus nao haja o impossi'vel. N este caso, seria preciso 
dissolve-lo i nteramenteetodas as parti oil as bases teri am desejuntara 
outras, expelindo as que ora determinaram a do burro. Tal seria tarefa 
muito maior, do quecriar urn novo ser depensamentosbasicosedentro 
daOrdem. 

11. Do mesmo modo efacil fazer-se tudo com uma crianca, en- 
quanto urn adulto ou anciao, pouco ou nada aceitara. Cuidai, por isto, 
dumaboaeverdadeiraeducagaodevossosfilhos,quetereisfacilidadeem 
pregar M eu Evangel ho Completo aos povos vindouros. A boa semente 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

219 

cairaem solofertil epuro, trazendo colheitacentuplicada! Seosdeixardes 
crescer como osmacacos, facultar-vos-ao o beneficio queaquelesfilhotes 
dao aospais: destruirao com prazer o que por elesfora ajuntado; ecaso os 
velhos tencionem reagir contra tamanho ultraje, os filhos, de pronto, 
rangerao os dentes, enxotando-os 



125. A Vida de Judas Iscariotes 

1. (0 Senhor): "Judaseum exemplo vivo do queacabo derelatar: 
filho unico depai rico, dispossempredo amor apaixonado desua mae 
Resultou dai, queamboso mimaram excessivamente e tudo Ihederam 
sen queelepedisse. M al se via bastante forte, expulsou seus gen i tores do 
lar, entregando-se aos prazeres da vida. 

2. Destemodo, naolevoumuito tempo eafortunados velhosdissi- 
pou-se; vendo-se, assim, na miseria, morreram de desgosto. Foi neste 
estado de penuria financeira quejudas comegou a refletir da seguinte 
maneira: Por que sou assim? N ao dei causa para minha vida, muito me- 
nospudeeducar-me; entretanto, todosmelancam em rosto ser urn pati- 
fe, miseravel que, pela vida devassa me tornei causador da desdita de 
meuspais! 

3. Q ue culpa me cabe? Certamente fui mau; mas que fazer, se os 
velhosnaosouberam educar-me?!Quefarei?Sem dinheiro, sem lar, sem 
profissao ealimento! maisfacil seria o roubo; urn ladrao desajeitado, 
porem, com facilidadeepegadoemaltratado.Jasei que fazer! Aprende- 
rei qualquer oficio, ate mesmo o deoleiro quetornou rico meu pai! 

4. Ditoefeito. Em Capernaum tornou-seaprendizdum bom oleiro 
onde, em breve, inteirou-secom afinco nessaarte patrao possuiauma 
filhaquefoi desposada por Judas. Sequandosolteiroerageneroso, agora 
setomou duro eavarento esua mulher, seguidamente, passava miseria. 
Sebemquesuaprodugaofosseeficienteelhedessebom lucro,suafami- 
liatinhadetrabalharateoexcesso. Naoganhandoosuficiente, seu mau 



Jakob Lorber 

220 

humor era insuportavd. 

5. A fim deconseguir um lucro extra, alugou um arrastao eha pou- 
cos anos dedicou-se a magi a, porquanto, por diversas vezes verificara o 
lucro compensadorobtido pdosmagosegipciosou persasTodavia, nada 
de extraordinario conseguiu realizar, embora gastasse muito dinheiro. 
Tomou ate algumas aulas com os essenios que diziam poder criar um 
mundo, caso fosse preciso. 

6. Dentro em breve, porem, viu-se logrado, abandonando aqueles 
"mestres". Nesteano, soubedosMeusFeitosquetudo ultrapassavam o 
queateentaosedenomina"agaomilagrosa". Estefoi o principal motivo 
por que aderiu a M im, abandonando tudo apenas para aprender a arte 
mi lagrosa e ganhar rios de di nhei ro. 

7. Pouco interessedaaM inha Doutrina. Se presta atencao as M i- 
nhas Palavras, pretende somente explicacao sobre os meios que M e ga- 
rantem a concretizacao dos milagres. Como nesse ponto nunca houve 
algo deaprovdtavd, andadesempremal humorado. 

8. Alem do mais, sera levado a uma agao traicodra eo desespero dde 
o fara suicida, sendo que uma corda e um salgudro finalizarao seusdias 
naTerra. E umdosquetentamaDeusnumultrajetremendo;poisquem 
seatrevea assim agir, fa-lo-atambem em si propria 

9. Todavia, vos afirmo que, dificilmente, um suicida vera o Sem- 
blantedeDeus, noAlemlPoderiaprovar-vosistomatematicamente, mas, 
naovaleapena. Bastaquecrdasnoquevosdisse. Basda-setal proceder 
em certatorpeza provinda do desespero que, por sua vez, econsequenci a 
dum ultraje contra DeuseSeusM andamentos. 



126. Efeitosduma Educacao Erronea 

1. (0 Senhor): "Existem pessoas que consideram boasejustasas 
Lds de Deus; outras, porem, nada disto querem saber, vivendo pura- 
mente para o mundo. Quern com essas entrar em negociacoes, ja de 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

221 

saidaelesado eenganado, etolo quern asprocurasseparaalgum lucro. 
2.Tal homem pouco esperto e, todaviadebonssentimentosmuito 
emboraalgo ganancioso e, em vi rtude de sua tol ice, fraco nafe, confian- 
do pouco em D eus D efende a seguinte tese: Q uando for rico, serei o 
melhor homem do mundo esaberei angariarosmeiosquemefacilitem 
conhecer mais de perto, a N atureza mistica de D eus Farei caridade aos 
pobrese, daqui amileniossepronunciarameu nome, degratidao! 

3. C om taisesperancastolas, esseignorantefaz planosetentativasde 
aproximar-se dos ricos, que de pronto, percebem urn proveito em suas 
i nvencoes. D este modo e de ludi briado da pior manei ra. 

4. Eisqueseveintdramentesaqueadoem todos os seus pianos e 
esperancas, roubado em seus bens, sem saber comosairde sua dif iculda- 
de. Afeem Deuseaconfiancaseguraem SuaOnipotencia, Bondadee 
Ajuda, jamaislherepresentaram algo. Com o mundo perdeu todo conta- 
to, em vi rtude da grandedecepcao sofrida. Seu intdecto emui obtuso e 
nao Iheauxilia, muito emboraseesforcebastante. 

5. ual aconsequencia?0 desespero eo desgosto da vida, porquan- 
tonaoseapresentasequerfracaexpectativademelhoria. Emtal situacao, 
o ignorantesetoma suicidal Facil deduzir-seter eleaplicado urn dano 
irreparavd a sua alma, poisagiu com odio contra sua existencia, do con- 
trario, nao teria cometido tal ato. Esta ignorancia jamais e hereditaria e 
sim, unicamenteo efeto duma educacao falha. 

6. Q uem realmente ama seus filhos, deve almejar, antes de tudo, 
educar suas almas de forma tal, a nao serem tragadas pda materia. Edu- 
cadosnajustaordem, em breve serao capazesdeasamilaro espirito, sem 
nuncasetornarem tolos, muito menossuicidas. 

7. Dumaeducagaoexcessivamentemimada- mormentenascida- 
des - o resultado nao pode ser outro. Por isto, habituai desde cedo, a 
procurarem vossos filhos, o Reno de Deus no coragao, que os teres 
coroado regiamente, conquistando a maior emdhor heranca. 

8. Decriangasmimadas,jamaissurgiraalgoderdevanteem vida. Se 
bem que nada de mau fagam, manifesta-secom o tempo uma fraqueza 
que pessoa alguma podera tocar. Q uando tal fraqueza for mencionada 



Jakob Lorber 

222 

ou ofendida, a reacao e i mediata: a pessoa revidara com a ameaca de nao 
seresponsabilizarpdasconsequenciasdesagradaveis, casotal fatoserepi- 
ta. Nofundo, nao e a fraqueza defeito provindodavontadeeconheci- 
mento; e uma falha na psique, vulneravd nao so aqui, mas no Men. 

9. Evitai, por isto, o aparecimento de fraquezas em vossos filhos, 
pois serao para suas almas, identicas as molestias cronicas para o fisico. 
Q uando o tempo for bom e o vento ameno, das nao se manifestam e a 
pessoa se sente bem de saude Surgindo apenas urn ar tempestuoso, as 
cicatrizes sefazem sentir, levando a criatura ao desespero. 

lO.Jasendodificil urn medico curartaismolestiascronicas, quanta 
mais penosa nao sera a cura duma antiga falha psiquica?! capitao que 
pretende proteger seu navio contra rupturas, deve evitar os rochedos e 
bancos de corais, navegando onde a agua e bem profunda. D o mesmo 
modo, deve o educador - como real capitao da vida - evitar que seus 
barquinhos naveguem pelas futilidades mundanas, mas conduzi-los as 
profundezas internas, preservando-os dos rombos perigosos, para con- 
quistar o premio dum verdadeiro capitao. Feliz daquele que aceita as 
M inhasPalavras, poistrazem bencaosparasi e seus f ami liares. - Como 
esteassunto motivado porjudas, foi bem aproveitado, voltemosasobser- 
vacoes do surgi r e do aparente desapareci mento, de grande i mportancia. 



127. Pavor da Morte 

1.(0 Senhor):"0 surgirdealgumacoisa,serou criatura, sempretraz 
algo deagradavel, enquanto queo visivd perecimento edissolugao - mor- 
mente duma pessoa- socontem tristezasesentimentosdeabandono. 

2. Pergunto-vos Por que isto, caso as criaturas cream na sobreviven- 
ciadaalma?!0 motivoe3tamaisocultodoquepensais:primeiro,seorigi- 
na a tristeza no pavor da morte e alem disto, em muitos outros fatores, 
impossiveisdeesclarecer-vosdeumaso vez, afim denao perturbar-vos. 

3. A al ma i ntei ramente renascida e havendo-se i ntegrado toda na ver- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

223 

dadeira atividade, perde naturalmentetristeza e pavores da morte As que 
ainda nao alcancaram um justo grau na perfdcao interna, perdura sempre 
al go deangustiapdosentesfalecidoserecdoperantea propria morte, dos 
quaisse livram, somente pdo renascimento do espirito na alma. 

4. Observai umacriangabemmimadaquenaofoi habituada desde 
pequena a uma atividade. Q ual nao sera sua decepcao, se aos doze anos 
for obrigada a trabalhar, mesmo dentro de sua debil capacidade fisica? 
Enche-sedetristeza, melancolia, aborrecimentoe ate deraiva contra os 
quea instigam aagir. 

5. Vede uma outra, que sempre desobrigou-se de seus deveres, em- 
bora i nfantis! C om que prazer executa suas pequenas taref as di arias! 

6. Tanto o receio dum trabalho obrigatorio econsecutivo, quanto o 
pavor da morte e ate mesmo duma perniciosa molestia de uma alma 
ociosa, derivam da mesmafonte 

7. Por certo ja tivestes oportun idade de observar que pessoas traba- 
Ihadoras, muito menos terror tern da morte que as preguicosas, com 
tendenciasao conforto; estesentimento nao passara antes que tai sal mas 
setenham entregueaumaocupacaojusta. 

8. Talvez pensaisser este pavor, o efeito da incerteza sobreascoisasdo 
Alem; afirmo-vos, ser apenasa consequencia da preguica profundamente 
enraizada na alma, porquanto pressente que com a perda do corpo, sua 
existenciasetomara muito ativa. Inconsolavd, daseafligecom essaexpec- 
tativa. Refleti um pouco, paraprosseguirmosnesteassunto importante" 

9. Levanta-seM athad ediz: "Sefossepermitido poderiaacrescentar 
algumas palavras para maior ducidacao." Digo Eu: "Fala, poisteu co- 
nhecimento ecompreensao tern a mdhor base." 



128. Separacao da Alma do Corpo, Durante a Morte 

1. M athad, entao, diz: "Carosamigose irmaos, nao sd explicar o 
motivo porque, desde pequeno, via espiritos e ate mesmo Ihes podia 



Jakob Lorber 

224 

falar. Como seafirmava, queentreasmuralhasdoTempIo, elesnao mais 
me perturbariam por perderem seu poder, ai metomei templario. M al 
vesti aquela indumentariaabencoada, nao maisvi espiritos. 

2. M esmo assim, eles souberam vingar-se, porem de outro modo, 
pois minha possessao horrenda certamente foi disto consequencia. To- 
dos conhecem o men sofrimento, nao necessitando repeti-lo. Todavia, 
sou conhecedordecoisasexcepcionaisejulgoseu relatodealgum bene- 
ficioparaosirmaos. 

3. Q uando contava cerca deoito anos, morreram nosarrabaldesde 
Jerusalem, cinco pessoasdepeste: a mulher do vizinho, duasfilhasmais 
velhaseduasempregadas, fortes esadias 

4. Estranho era o fato de somente pessoas adultas e robustas falece- 
rem. Q uando adoeceu a mulher do vizinho - enquanto urn dia antes, 
filhaseempregadasjahaviamfalecido-elenosprocuroucheiodedesespe- 
ro enospediu salvar, sepossi'vel, suacompanheira, poismeu pai, proprie- 
tario duma bela vivenda, era quase medico, portanto tinha desocorre-lo. 
Como nao raro os espiritos me indicavam bonsremedios, compreende-se 
queeu o acompanhasse, poismeu pai julgava queeu encontrassealguns 
espiritos nacasa do vizinho. Elenaoseenganara, porquanto vi umaquan- 
tidade bonsemaus Dessavez, porem, nao haviaconselho curador, pois 
urn grandeespiritodevestecinza-clara me disss Veaenferma; sua alma 
acabadesurgirdo plexo solar, porondecomumentesedesprende 

5. bservando mais de perto a agonizante, vi surgir da boca do esto- 
mago, urn vapor esbranquicado que se tornava sempre mais compacto. 
Q uedando eu pensativo, o espirito me disse: Ve como a alma abandona 
para sempre sua morada. Indaguei: Por que nao tern forma, se vos vos 
apresentaisperfeitos?Respondeu-meele: Espera mais urn pouco; quando 
setiver afastado completamente, consolidar-se-a com aspecto agradavd. 

6. Enquanto via aquele vapor no plexo solar da enferma, o corpo 
ainda vivia e gemia como se fosse atormentado por pesadelo. Apos urn 
quarto de hora, a nuvem havia atingido o tamanho de u'a menina de 
doze anos, dois palmos acima do corpo, unida a ele apenas por uma 
coluna vaporosa da espessura de urn dedo. Esta coluna era de cor 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

225 

avermelhada, oraseprolongando, oraseencurtando.Tal processo adelgava 
a coluna eo corpo entrava em contracoesdolorosas 

7. Decorridasduashoras, acolunaselibertouea parte final seasse- 
melhava a um tronco com muitas raizes N o instante do rompimento, 
observei doisfenomenos: primeiro, amortecompleta; segundo, amassa 
nebulosa se transformara, num momento, na figura de nossa vizinha. 
Revestiu-sedeuma tunica branca e pregueada, em seguida cumprimen- 
tou osespiritospresenteseperguntou-lhesondeseachavaeo quehavia 
sucedido; tambem muito seadmirava da zona agradavel em que se via. 

8. Como eu nada disto visse, dirigi-meao espirito, eele respondeu; 
Teu fisico te impede disto, poisaquela visao eo produto da fantasia da 
falecidaesomenteaospoucostomar-se-amaiorrealidade. Em seguida, 
ele dirigiu-se a alma liberta e Ihe deveria ter falado algo mui agradavel, 
porquanto sua fisionomia alegrou-se. 

9. 1 nteressante achei seu descaso quanta ao corpo; conversava com 
visi'vel prazer, mastudo num idioma estranho. Aposcerto tempo, foram 
trazidasasalmasdasfilhaseempregadas, quecumprimentaram-nacom 
grande prazer, massem ordem terrenaesim, como amigaseirmas, tam- 
bem em idioma estranho. N enhumaparedainteressar-sepelo fisico, tao 
pouco tomava conned mento de nossa presenca. 

10. Como estranhasseteraalmada vizinha, logo aposo rompimen- 
to do corpo, seexpressado em hebraico a respeito do deslumbramento da 
paisagem e, quando sehaviacondensado, serviu-sedum idiomacomple- 
tamentedesconhecido para o meu fraco conheci mento, dirigi-mea esse 
respeito ao espirito. 

11. Elerespondeu: Es muito curioso. Elasseexpressam portuacau- 
sa neste idioma, porquanto nao querem ser compreendidas, sabendo que 
tens o dom de ver e falar com almas desencarnadas, como fazem os 
birmanensesnalndia. Sentem, outrossim, encontrarem-seaqui seuspro- 
prios corpos que as preocupam tanto quanta uma veste rota da qual a 
pessoasetenhadesfeito. Poderiasoferecer-lhestodosostesourosdo mundo 
eumavidapormil anoscheiadesaude, que jamais voltariam ao fisico 
anterior. assunto que no momento discutem, nao compreenderasem 



Jakob Lorber 

226 

teu proprio idioma, pois veem que o G rande Prometido ja Se encontra 
no mundo, em bora aindadetenra idade Q uando homem, conhece-Lo- 
asnaGalileia. 

12. Eisa informagao dada pelo espirito. Aqueleacontecimento foi 
deverasestranho, poisvira, como menino, tudo aquilo como se fosse 
real. Tu M esmo, Senhor, es a prova ter aquele espirito falado a verdade 
Desejava apenas explicagao porque a alma no momento da morte, se 
desprende como vapor, ao inves da forma completa." 



129. OCORRENCIASNO M OMENTO DA M ORTE 

1.(0 Senhor): "0 vapor aindainformee oefeito da grandepertur- 
bacao da alma no momento da morte, onde queda por instantes, sem 
consciencia, devido ao medo eterror. Faz ela urn esforco extraordinario, 
na tentativa de conservar sua consciencia. Todas as suas particulas caem 
em forte vibracao, impedindo a visao espiritual maisagucada, descobrir 
uma forma definida. 

2.Tensum exemplodisto nascordasressonantesdumaharpa; quando 
tocadacom forca, elasemovimentaracom tantarapidezqueapenasvis- 
lumbraras urn fio transparente Parando de vibrar, sua forma anterior 
sera novamente visivel. mesmo fenomeno poderas observar com a 
mosca, cujas asas poderas identificar, somente quando tiver parado de 
voar; pois antes disto, a vias rodeada como por uma nuvem. 

3. Por ocasiao do desprendimento da alma, do corpo destruido e 
imprestavel, davibraem ondas, nao raro, deum palmo dedistancia, em tal 
velocidade, quepoderiascontar mil vibragoesnum instante enquanto isto 
perdura, nao epossivel observar umaformagao. Pouco a pouco, daseacal- 
ma dando oportunidadea apresentagao da forma humana. Q uando i ntei- 
ramente serenada apos o rompimento, e ela perfeita, caso nao se tenha 
vilipendiado em demaaa, por pecadosdiversos. Compreendeste?' 

4. Responde M athael: "Senhor, nipotente, como nao? Apenas 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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maisumapequenaexplicacao: qual erao idiomaqueusavam?Ainda 
existeno mundo?" 

5. Digo Eu: "Sim, ossacerdotesbirmanenseso possuem efoi o pri- 
meiroidiomadascriaturasprimitivasdaTerra;ovos50,odosantigosegip- 
cios e em parte o dos gregos que dele se originam. Acaso julgais que 
compreenderieisalinguagem deAbraham, lsaaceJacob?Nem umapala- 
vrinha, vos garanto! Se ja vos e diffcil aleituradosLivrosdeMoyses, mil 
anosmaisrecentesqueAbraham, quanta maisadospatriarcas! M uitacoisa 
setransformou paraosjudeus, inclusiveo idioma, sem haverocorridouma 
segundaconfusaodelinguascomoem Babel. Compreendeste?' 

6. Diz M athael: "Inteiramente, Senhor; e presumo que os de- 
maistambem tenham assimilado o assunto. Assim, ouso pedir-Te 
outrosensinamentos." 

7. Digo Eu: "Poisnao; entretanto aindafizesteoutrasobservacoes 
no reinodamorte, que poderias relator. Casosurjaumaduvida, esclare- 
cer-vos-ei. H a pouco vosdemonstrei o surgir, ateo ponto do transporte 
pela libertagao da materia. A mortecontinuasendo o pavor dascriaturas; 
o motivojavosfoi explicado ligeiramenteemaistarde, seraconcluido. 
Agora, prossegue." D iz M athael: "Senhor, obedecendo ao Teu Desejo, 
relatarei diversosfatosocorridosanteminhavisao pslquica." 



130. M ATHAEL, O VlDENTE 

1. (M athael): "Jacontando doze anosdeidade, setedospiores assal- 
tantesforam condenados a crucifixao, em Jerusalem. Causou isto nao 
somentegrandealarido naquelacidade, como em todaazona. U m tal de 
Cornelius, comandanteromano e rep resentante tern porario do Prefeito, 
muito serevoltou com oscrimesperversosdospresos, quepareciam sen- 
tiro mai or prazer em martirizarsuasvitimasoquantopossivel. Emsuma, 
a expressao "diabo" era ainda fraca para tanta bestial idade." 

2. Interrompe-o Cornelius: "Amigo, sou eu o mencionado capitao e 



Jakob Lorber 

228 

muito meinteressateu relate" 

3. Prossegue M athael: "Jao supunha, porquanto ainda me lembro 
deteustragose, destemodo, tenho atetestemunha para minhas pal avras. 
Poisbem.Tratando-sedeverdadeirosmonstros, resolveu Corneliusapli- 
car-lhes um corretivo cruel: durante quatorze dias eram condenados a 
ouvir a sentenga de morte, cujos martirios Ihes iam sendo especificados 
diariamente; alem disto, porem, eram bem alimentados, afim defazer- 
Ihes a vida agradavel, apavorando-se da morte esperada. 

4. Porcincovezes, visitei oscriminosos, emcompanhiademeu pai 
e sempre os via arder como madeira, exalando um vapor pestilento, 
inigualavel a qualquer odor na Terra. Quantomaisseaproximavaodia 
da execugao, tanto mais penetrantesetornavam fumaga emau cheiro, e 
a coloragao dos infelizes mudava qual camaleao. 

5. Finalmente, chegou o dia da execucao. Osesbirrosseaproxima- 
vam dapragadosuplicioelhestiraram asvestes, agoitando-os, em segui- 
da, atesangrarem. Assisti a execucao apenasde longe; observei, todavia, 
uma quantidade de morcegos pretos e pequeninos dragoes voadores se 
soltarem dosflageladosquejadesprendiam menos fumaga. Quantascri- 
agoesdiabolicasnao seteriam liberto durante os quatorze dias?! 

6. Aposterem sido cruel mente agoitados, notei queasfisionomias 
anteriormentesatanicas, setransformavam em expressoeshumanaseos 
propriosdelinquentesseapresentavam maisfracosetemerosos. Davam 
impressao deembriagados, quemal sabem o quelhessucedeeestranhei 
a transformagao de natureza tigrina para a decordeiro. 

7. Em seguida, trouxeram ossoldadossetecruzesecadacondenado 
tinha decarregar a sua ao Golgotha, deha muito usado pelos romanos 
paratal fim. Todavia, nenhum deleseracapazdemove-la, nao obstante 
agoitados eaosempurroes. Porestemotivo, providenciou-seumacarro- 
gacom doisbois, e oscriminosos, amarrados, foram asam levados, com 
as cruzesaquele local. 

8. Em lachegando eu, meu pai eumaspoucaspessoascorajosasque 
acompanhavamosocortejo vimostodosserem soltos. Ensanguentados, 
foram amarradoscom cordasentrelagadascom espinhosascruzes, erguidas 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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em covas anteriormente abertas So entao comegaram eles a gritar de 
modo horrendo! Deviam sofrer dores atrozes, poisjaestavam em came 
viva e alem disto, eram atados com espinhos ao madeira bruto e rude. 
Relatoestasminucias, afim deque possais, maisfacilmente, compreen- 
deroquesesegueeaatitudejusticeiradonobreComelius 

9. Quanto mais tempo decorria, tanto maisagudoseram osgritos, 
mais horrendas as maldigoes proferidas ate que, depois de tres horas, 
ficaram completamente roucos, produzindo uma baba sangrenta, por- 
quanto mordiam lingua elabios. Depoisdesete horas, ficaram maiscal- 
mosepareciam acometidosdum ataquedeapoplexia. 

10. Confesso, ainda quesetivessem apresentado como verdadeiros 
diabosenao houvesse em Jerusalem ejudeia quern deles seapiedasse, - 
estacenadeprimiu-memuito. M as, enfim, a lei o prescreveediantedo 
mundo, nao mereciam outrasentenga. Serviaeladeexemplo eficaz para 
criaturasde indole sem el hante. 

11. quevi em seguida, coroavaestecaso horroroso, poiscome- 
gou a surgir do plexo solar dos crucificados, uma especie de vapor e 
fumaca negras, crescendo ate o dobro de seu tamanho normal. Alem 
disto, vi um cordao vaporoso pelo qual a fumaca estava ligada ao cor- 
po, ainda em convulsoes. 

12. A massa vaporosa, todavia, nao sedesenvolveu para uma forma 
humana, masnum tigrepavoroso epreto, todo listrado desangue. M al 
essas bestas se haviam concretizado, comegaram a rugir terrivelmente, 
tentando arrancar-se com violencia do corpo. Tal tentativa era inutil, 
porquanto o lago vital era forte demais. 

13. Como a cena se tornara excessivamente horrenda, voltei para 
casa com meu pai e relatei-lhe minha visao. Embora ele proprio nada 
daquilo houvesse percebido, notara pela minha expressao, que algo de 
invulgaraconteceraTeosofista, filosofo equasemedico, achou meu rela- 
te bem extraordinario, sem todavia poder interpreta-lo. Resolveu voltar a 
noite para colher observagoes maiores sobre o caso, e para, em ocaaao 
oportuna, esclarecer aos saduceus o quanto andavam errados, por con- 
testar a i mortal idade da alma. 



Jakob Lorber 

230 

131. Criterio Saduceu Quanto aosCastigosRomanos 

1. (M athael): "N osso vizinho erasaduceu convicto, homem de bem e 
pacifico que, entretanto, nao apreciava palestrassobreD eusea imortalida- 
de da alma. s que assim cressem, eram a seu ver, ignorantes e quanto a 
mim, afirmavapossuireu dom poetico, pois era dotadode fantasia eima- 
ginagao. M eu pai muito sededicou asuapessoa, todaviasem resultado. 

2. Naqueledia, meupai perguntou-lhesenaoqueriaacompanha-lo 
ao G olgotha, e ele respondeu: N em se me desses o mundo intei ro! N ao 
possoassistiramortedum animal, muito menosadecriaturashumanas, 
mesmo se houvessem cometido maiores cri mes que aqueles. Pessoas as- 
sim bestial izadas, devem ser mortascomo animaisselvagens; nunca, po- 
rem, martirizadas Sua natureza, temperamento, complexao eeducagao 
sempreforam ascausasdetaisdesvios 

3. A afirmagao de que isto e feito para dar urn exemplo chocante 
apenas me provoca hilaridade; pois as pessoas pacificas, nada disto preci- 
sam easoutras, naoseraotaotolasem quererem assistirespetaculotal.Tera 
como consequencia quecriminososainda soltos, venham a agir de modo 
maiscruel ainda. M ormenteos romanos nao tern motivo para regozijo. 

4. Q uem nao se lembra da epoca anterior a ditadura romana?! As 
leistambem eram severas, mas razoaveise nunca sefalou em crueldades. 
D esde que os pagaos inventaram uma legislagao ferrenha, tudo piorou, 
porquanto secometem crimesqueprovocam atevertigens, nao obstante 
opoliciamentorigoroso. I deaveriguaro exemplo da crueldade romana, 
quetera como efeito outra, mil vezes pior! 

5. homem deveser homem, porquea N atureza assim ofez. Q uan- 
do setorna pior queasbestasselvagens, echegado o tempo devoltarmos 
aoestadoprimitivodaCriagao. Repito, ideao Golgotha, esteantro amal- 
digoadodetodaaTerra,encharcadodesanguehumanoqual matadouro! 

6. Afirmaisvossacrengaem Deusena imortalidadeda alma; entre- 
tanto soiscapazesdeassistirao martirio mortal, aplicado acriaturastrans- 
viadas. Estes sete sentenciados nao se teriam tornado o que sao, sem a 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

231 

severidaderomana. E vos,judeus,crentes, podeisassistircomoosdepra- 
vados martirizam criaturas desviadas. Realmente, em nosso estabulo se 
age mais humanamente que em vossa casa!" Assim terminando de se 
afastou e nos seguimos ao G olgotha. 



132. Fim dosSalteadoresCrucificados 

1. (M athad): "Em meia hora la chegamos, encontrando apenas os 
vigias Ossetecrucificadosrepresentavam urn quadra horroroso; naofalo 
doscorpossemi-desmaterializados, masdesuasalmasa desainda ligadas, 
esforcando-sepordestrui-los Essestigrespretos, delistrasvermelhas, assal- 
tavam oscorposondeenterravam seusdentes; isto, porem, provocava-lhes 
uma reagao dolorosa atraves dos nervos De cada vez que assim agiam, 
manifestavam grandedor edeitavam suas patas no lugar correspondente. 

2. bservei essa manobra horrorosa perto de uma hora, enquanto 
relatavaameu pai oquesepassava. vigiaromanoquehaviapercebido 
mi nha forte impressao, aproximou-se, a fim deindagar-nosdo motivo 
de nosso espanto. Deveriamos falar em seu idioma, do contrario nos 
mandariaembora. 

3. M eu pai entao respondeu em grego, quelheeramaisfacil que 
o romano, poisem Jerusalem, era preciso conhecer-setres idiomas, 
em virtudedosestrangeiros. Assim foi o romano informado deque 
meu pai era medico eeu, seu filho ealuno, meinteressavapelasfeno- 
menospsicologicos. 

4. vigiaachou aquilo muito interessanteepediu queaexplicagao 
fosse dada em grego. Com isto nosvimosenrascados! Poisdava-sejusta- 
mente o contrario e meu rdato teria ocasionado boas gargalhadas por 
parte do outro. Q uefazer? 

5. N o mesmo instantevi urn espirito descendo numa nuvem etra- 
zendoumagrandeespadaluminosa. vigiaobservou meu olharespan- 
tadoeindagou seeu estavavendoalgodeincomum. E eu respondi brus- 



Jakob Lorber 

232 

camente: Sim, mas nao medariascredito setefalasse! 

6. Ele quis insistir; comojaera noiteeComeliusmandaraordem 
para decepar-se os pes dos mortos a machado e caso um ainda estivesse 
vivo, liquida-lo com pancadas na cabeca e peito, - o vigia tinha o que 
fazer, deixando-nos a vontade. 

7. Fixei meu olhar no espirito devesteazul-escura; no momenta 
em queos soldados iam finalizar a cena, ele levantou sua espada e par- 
tiu o fio que ligava as almas tigrinasao corpo. Assim libertas, tomaram 
feicao humana, mudasetristes, caminhando naspatastraseiras; o anjo 
entao dirigiu-se-lhes rispidamente: Afastai-vos para aquele local onde 
vossainclinagaomaldosavosatrailO premio sera deacordo com vossas 
obraslGritaram assetealmas: Porquefomosmartirizadassenosespera 
a eterna condenacao?! 

8. Disseoanjo:Tudodependedevossoamor! M odificai-o dentro 
daOrdem de Jehovah porvosconhecida, quesereisvossospropriossal- 
vadores. So vos mesmos podereisfaze-lo. A vida evossa; o amor evosso. 
Conseguindo modifica-lo, podereistransformartodavossavidaenatu- 
reza. Agora afastai-vos! A estas pal avrasvigorosasdo anjo enormeepode- 
roso, ossetedebandaram com urrosdedesespero; eu, entao, atrevi-mea 
perguntar sobre os destino daqueles i nfel izes. 

9. Elemerespondeu: Dependede sua propria vontade. Nao Ihes 
faltaram educagao econhecimentos, tao pouco eram possessos; prevale- 
cia unicamente sua vontade maldosa. Osanimaisquevistefugirem du- 
rante o casti go, nao eram demoniosestranhos, masproduto ecriagao da 
propria vontade. Por isto, fez-seum julgamento justo, condenando sete 
diabos perfeitos, inacessi'veis a qualquer ensinamento, conselho ou mo- 
dificagao. Em nosso mundo ondetudo setorna evidente, seu destino 
seratal qual seu sentimento. N ao Ihesfaltarao oportunidades- sebem 
queaparentes- nadecisaoparasituagoesmelhoresou piores.Transmite 
istoateu pai quenaoedotadocomotu. 

10. Assim terminandosuaexplicacao, oanjodesapareceu eosesbirros 
entraram em acao. Em cinco defuntosnao maiscorria sangue, fato que 
nao se dava com os dois ultimos. As pancadas desfechadas, porem, nao 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

233 

podiam alterar sai estado mortal. 

11. Em seguida, ossoldadosseafastaram eoscorpoforam entregues 
aoesfolador para final destruigao, queeraaplicadadediversasmaneiras, 
somente nao podia haver enterro. Geralmente eram incinerados com 
madeira amaldicoada, ou cozidos em agua maldita e jogados as feras. 
D este modo se matavam hienas, ursos e raposas que morriam com tal 
alimentacao. Relatei com istooutrahistoria, quemedeixou duvida quanta 
aos morcegos e dragoes que podiam ser emanacoes de sua vontade e 
razao pela qual aqueles nao tinham forma humana. Se fosse deTua Von- 
tade, Senhor, poderiasexplicar-nostaispontos" 



133. A FoRMAgAo PsIquica dosSalteadores 

1. D igo Eu: "A formagao bestial dossentenciadossebaseiaem certa 
ordem livre, pela qual partes especificas da alma secongregam ou reve- 
zam no corpo, demodo semelhantea urn montao de vermes, ondecada 
umprocuraposigaomaisc6moda,passandoporcimadeoutro. Umavez 
quehajam encontrado urn ponto quelhesagrade- sejabom ou mau - 
sua forma correspondera a escolha. 

2. Vedes aqui duas plantas, uma benefica outra malefica. bservai 
suasformasatravesda luzclarada bola luminosa: quao delgada, delicada 
e modesta se apresenta a primeira, e quao dilacerada e aspera a outra! 
Entretanto vivem ambas da mesma substancia primaria, acham-se no 
mesmo solo, absorvem o mesmo orvalho, ar e luz. Sua diversidade se 
baseia unicamentena inversao da ordem. 

3. Vistesha pouco como seformou delmguasdefogo, semelhantes 
entresi, quepelotamanhodiminuto eram invisiveisaolhonu, urn burro 
pacifico; acasocredesque, numa ordem diversadesubstanciasorganicas, 
nao teria sido possivel o aparecimento dum tigre, camelo, boi ou elefan- 
te?! Como nao? U ma outra condensacao conteria natureza e qualidade 
diversas, inteiramenteheterogeneasapacificaeisto porque, em cadafor- 



Jakob Lorber 

234 

madeorganizagaodiferente, sempreprevaleceapreponderanciaem trans- 
formar as potencias mais fracas a seu favor. 

4. Desta tendencia, surge o sentimento de amor, o calor interno, 
inclinagao, gula, fomeesede Sendoagula- qual tendencia dedominio 
- demasiado forte, apoderando-se de muita coisa para submete-la a seu 
regime, esteselementossetomam pordemaispoderososeseapossam da 
ordem psiquicajaexistente, ondeseapresentam, entao, como ditador. 

5. Eisaexplicagaoparaofenomenoanimalescoporti presenciado, 
M athael. Asalmasdossentenciadosabsorveram, pordemais,substancias 
psiquicas de origem primitiva, que nao condiziam com a sua ordem, 
transformando- seem almas tigrinas. Damesmafonteseoriginaram mor- 
cegosedragoes. Estaexplicagao ainda deixou duvidas?" 

6. D iz a maioria: "Em absolute, Senhor; todavia, etao extraordina- 
ria que nos impede a afirmagao de estarmos bem entrosados! D emons- 
trasteamaneirapelaqual ojumentoseformoudesubstanciasespiritu- 
ais,enosesclarecesteprocedenciaebasedaslinguasdefogo. Sabemosate 
como Teus Pensamentos basicos, que preenchem o Espago entre si, de 
maxima diversidade, se concretizam para formas multiplas, de acordo 
com seu peso. Em suma: compreendemo-lo perfeitamente; todavia nao 
deixa de ser urn grande misterio que poderi as desvendar, se fosse deTeu 
Agrado, Senhor! N ao sendo de nossa utilidade, satisfazemo-nos com o 
atual conhecimento." 

7. D igo Eu: "Para compreenderdes a fundo o segredo do Reino de 
D eus, preciso equesejaisrenascidosem espirito, o queno momenta ainda 
e impossi'vel. Somente quando o Filho do H omem tiver voltado donde 
veio, enviar-vos-ao Espirito Santo detodaaVerdade Eleaperfeicoaravos- 
soscoragoesedespertara o Espirito da Verdade no coracao devossa alma e 
atravesdesteato, tereis renascido em espirito, vendo ecompreendendo na 
luzclarissima, tudo quecomportam osCeusem sua profundeza. 

8.0 queoravosdemonstroeexplicoeapenasopreparoparaaquilo 
quevosserafacultadoem plenitude, pelo espirito. Muitacoisateriapara 
dizer-vos, masque ainda nao suportarieis; quando porem viero Espirito 
daVerdade, conduzir-vos-aatodaSabedoria!Assim orientados, iniciare- 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

235 

mosmaisum ensinamento importanteemaisamplo neste local, dando 
oportunidadeaMathael relatar-nosoutrahistoriadesuavida. Comega, 
pois, amigo M athael, acontar-noso caso de Bethania! Restam-nosainda 
quatro horas para o surgi r da aurora." 



134. M ATHAEL VlSITAO PAI DE L.AZARO, MORIBUNDO 

1. DizM athael: "Senhor, possotambem relataroestranhofenome- 
no da N atureza que eu e meu pai observamos a meia-noite quando a 
cam i n ho de Bethania?' 

2. Digo Eu: "Certamente, pois tern relacao com o acontedmento 
que tiveste ha dezessete anos." 

3. Prossegueele: "Senhor, vejo quenadaTeedesconhecido naesf era 
infinita do Cosmos Nao necessitaria, pois, contar a historia porTua 
Causa; fa-lo-ei para os outros amigos e irmaos, sabendo que me dao 
credito. Emboratenhacaratermisticoeextraordinario, etudoverdadeo 
que vou contar. 

4. Estavamosemfinsdeoutononumanoiteserena. Oscumesdas 
montanhasseachavam cobertosdeneblinaeum vento impetuoso, vin- 
do do N orte, rodopiava as folhas secas pelo ar; somente no este havia 
algunspontosondeasestrelas, tremulas, dirigiam seu olharaTerra, cho- 
rosas bservamoso C eu ateperto demeia-noite. Q uando aprontavamo- 
nosparaentraredormir, vimosum homem que seaproximava em pas- 
ses rapidos. 

5. Conhecendo meu pai como medico, ooutro a elesedirigiu, afli- 
to: Doutoreamigo, venhodeBethaniaemechamo Lazaro; sou filhodo 
velho Lazaro quehojeadoeceu inesperadamente, epeloquetudo indica, 
a molestia e grave. N osso rabino que entende urn pouco de medicina, 
nadamaissoubeaconselhar. Poristo, mandou-mefalarcontigo porquanto 
jaconseguistesalvardoentes, quando nao mais havia cura.Vem, pois, e 
socorre meu pai ! 



Jakob Lorber 

236 

6. Disse meu pai : D epois que outros levaram o enfermo ate a cova, 
eu devo fazer milagres? N ao me recuso setal for possivel. Levarei, pois, 
meu filho que tern o dom de ver e ate mesmo falar com espiritos, e 
veremos o que sera possivel. Se teu pai manifestar sinais hipocraticos, 
nada poderei fazer! 

7. mensageiro de Lazaro secontentou com taispalavrasesentia 
apenasnao tertrazido animais, para irmosmaisdepressa. Assim, fomosa 
pe, levando, paratanto, umahora. Caminhavamosem silencio, quando 
desapareceu, noO este, aneblina; o Ceu clareou edentro dum quarto de 
hora, fez-seumaclaridadesemdhanteaqueprecedeaaurora. Issotanto 
atraiu nossa atencao, que ate paramos, nao obstante a pressa. 

8. fenomeno luminoso desenvolveu-se numa coluna de luz, al- 
cancandoem poucosmomentos, azonaondenosencontravamosetrans- 
mitiuirradiagaoecalortao fortes, quenosobrigavaaocultar-nosdebaixo 
dumafigueirafrondosa. Masnaolevou tempo ea coluna luminosaadel- 
gagou-se, desaparecendo tambem seu calor. 

9. Em poucos minutos fez-se escuridao completa e nossa visao 
enfraquecida, nao permitia vislumbrassemoso lampiao do mensageiro. 
Sopoucoapouconoshabituamosaobscuridadeecontinuamosatrilha 
mal iluminada. Tudo isto nos reteve perto de meia hora e meu pai, ime- 
diatamente, meperguntou seeu nao haviavisto algumasentidades 

10. Respondi conscienciosamente: "Na propria luz nada deparei, 
porquanto era muito forte; perto denos, acimadaterravi umaquantida- 
dedeformastransparentes, todasdirigindo-se para Leste Sua movimen- 
tagao era portanto homogenea a luz. Apenas vi urn espirito bem forma- 
do, quedenosseaproximou com expressao serena, parecendo regozijar- 
se com o fenomeno. Q uando este desapareceu, o espirito tambem havia 
sumidoemdiregaoaBethania. Eistudo querelatei a meu pai. 

11.0 mensageiromuitoseadmiroudeumrelatodoqualnaoduvi- 
dava, pois dizia nao ser possivel a pessoa inventar tais coisas, mesmo 
dotadade forte fantasia. Chegamos, afinal, ao destino enosdirigimosa 
casa de Lazaro, queseencontrava nosultimos momentos. 

12. Em volta do leito estavam suas filhas chorosas e consideravel 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

237 

numero de parentes que solucavam convulsamente, como acontece em 
taiscasos. proprio filho tao entristecido estava, que ate mesmo se es- 
queceudeindagar, demeu pai, sehavia possibilidadedecura. 

13. Somenteo rabino deleseaproximou, para saber se, ao menos, 
era possivel fazer com que o enfermo recuperasse, por momentos, os 
sentidos. M eu pai nada respondeu; despercebidamente i ndagou de mi m 
sea almaja seachava liberta. 

14. E eu transmiti-lhe: "Flutua, perfeita, a certa altura, sobreo cor- 
po, onde se acha presa, apenas, por urn finisamo fio de luz, que nao 
demorara a se romper. Estranho ever-sea mesmacolunaluminosasobre 
acabegadaalma, irradiandotambem umaagradavel temperatura. A alma 
naodesviaoolhar, poissenteum bem-estarindefinivel. 



135.TENTATIVADE RESSURREigAO 

1. (M athael): "Assim informado, meu pai dirigiu-seao rabino queja 
se impacientava: Amigo, pelo queobservei, seria desperdigar o maisforte 
balsamo vital; aalmajasedesligou do corpo. Entoa, pois, osalmodedore, 
como sacerdote, noticia aos presentes nao maisexistirem meiosdecura. 

2. A estaexpli cacao, o rabino contraiu asfeicoeseperguntou como 
I he era possivel sabe-lo. Ele, entao, nao muito gentil, respondeu seca- 
mente: Isto nao e de tua alcada; faze o que te compete, pois sei de 
minhasobrigacoes. 

3. N o mesmo momenta, a alma desprendeu-se e varios espi ritos de 
expressaosublimearodearam, cobrindo-acom umavestebranca, mara- 
vilhosa e, urn deles tomou da coluna de luz, envolveu-a pela cintura, 
formando assim urn cinto radioso. Ao mesmo tempo, urn outro espirito 
colocou-lheum chapeu fulgurante, dizendo: Se, irmao, parasemprecon- 
decorado com a Luz da Sabedoria, provinda de D eus! 

4. Em seguida, todasasentidadesdeixaram acasa com aalma liber- 
ta, oquetransmiti a meu pai. Este, entao, disseaorabino:Jaqueaalma 



Jakob Lorber 

238 

selibertou da materia, porcerto irascomunicarofalecimentodeLazaro 
aos presentes, quase cegos de tanto chorar?! 

5. Disseele: Poissim! Agora mesmo deitarei uma gotade remedio 
ativoemsualinguaeveremossesuaalma- seequeexiste- jadeixouo 
corpo! De acordo com a minha opiniao bem fundada, a criatura nao 
possui almaquetenhavidaalem dosangueedosnervos. Umavezmorta, 
apessoaetao inertequal pedraou pau; todavia, existeum remedio ocul- 
to, capaz de ativar a vida dum corpo semi-morto. Isto farei agora, pro- 
vando-tequea alma ainda nao sefoi, nem podera se afastar porquanto 
nuncaseencontrou na materia! 

6. Em seguida, o rabino tirou urn frasco dourado de seu bolso e 
disse: Ve, aqui seachaaalmadum morto! Respondeu meu pai, sorrindo: 
OtimolOIha, todas as minhas posses consideraveis que conheces, per- 
tencem-te se o falecido se mexer apenas por minutos, pois conhego tal 
remedio milagroso, quejaporvariasvezesmeprestou bonsservicosem 
casosletargicos Por isto, eeleaplicavel atodosqueaindanaoapresentam 
si ntom as h i pocrati cos. Experimentateu genuinooleodesamambaiapersa 
etegarantodiantedetodos, quenadaconseguiras, porquanto o morto j a 
comega a exalar uma onda dedecomposicao! 

7. sacerdoteficou urn tanto confundido com a intervencao ener- 
gicademeu pai; mesmo assim seaproximou do corpo, abriu-lheaboca 
eaoinvesdeumaouduasgotas, pingou dez na linguaja ressequida. Em 
seguida, fechou a boca do defunto e aguardou com atencao o primeiro 
movimento. Passaram-se urn e mais outro quarto de hora, o dia come- 
couaraiar- eomortonaosemexia! 

8. Entao meu pai virou-se para elee perguntou seacreditava queo 
cadaver ainda viesseamanifestar vida. Disseorabino: Esperaremosmais 
uma hora, ateavindado Sol, queo morto ate falara! 

9. Concordou meu pai: M uito bem, nestecaso, dou-te meus bens; 
tu perdendo, exijo, apenas, que creias no Verdadeiro e Vivo Deus de 
Abraham, Isaac ejacobenaimortalidade plena da alma! 

10. Respondeu de: Pois bem; semevenceres, alegrar-me-ei em fazer 
parte do Templo, poissou saduceu edeha muito queria renunciar aesta 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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seitalTodossecalaram, esperando pela ressurreicao do velho Lazaro. 



136. EspIrito de Lazaro Testemunha do Messias 

1. (Mathael): "Nisso, ofilhode Lazaro seaproximoudemeu pai e 
indagou serealmenteasgotasmilagrosasdo rabino nao o ressuscitariam. 
Respondeu ele: M eu amigo, lastimo nao poder dar esperanca nestesenti- 
do; posso, todavia, afirmar-tecoisa muito melhor: teu pai evivo ena 
realidadenuncamorreu! 

2. D isse, tristonho, ofilho: Como podesafirmartal coisa, conquan- 
to esta inertequal pedra?Acrescentou meu pai: Sim, masestenao eteu 
pai, masapenassuaroupagem carnal. Mai f i Iho, vidente perfeito, poder- 
te-a contar coisas que muito te alegrarao! 

3. Relatei-lheentao minhasvisoesequanto maismeestendia, tanto 
maioralegriaseexpressavaem seu rosto, desorte, queaspropriasirmas 
Iheindagaram do motive Ele, apenas, apontou-me Encaminhando-se 
para mim, asduasmepedem esclarecimentos. Eu, gracejando, disse: h, 
em nadavosprejudicaum pouco detristeza! Nada vosdirei, porquanto 
no momento oportuno, sabe-lo-eispor vosso irmao! 

4. Asam informadas, ambastambem pareciam perderalgo datristeza. 
C omo o Sol neste momento aparecia qual bola defogo no horizonte, meu 
pai dirigiu-seao rabino dizendo: Entao, quern denosganhou aaposta? 

5. Respondeu esse: Confesso-mevencido eacredito em tuaspala- 
vras, embora nao Ihes conhega a base. pos meu pai : N ao foste vencido 
porquanto es criatura livre, em N ome dejehovah! Sou teu amigo e te 
pecofe, porque elate iluminara com justica. 

6. Entao transmiti a meu pai o seguinte: Urn espirito imponente 
acabava de entrar e me dizia que os filhos de Lazaro se preparassem, 
porquanto a alma deseu genitor voltaria para abengoa-los efazer-lhes 
umagrandepromessa. Meu pai distoosinformou eostresnem sabiam 
como expressar sua alegria. 



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7. N ao levou tempo, a alma do falecido, numa irradiacao celeste, 
penetrou no quarto eosfilhosa viram eescutaram! Ao moco, eladisse: 
Esmaior;se, portanto tutor detuasirmas. Naopermitasainfiltragaode 
maus pensamentos em teu coragao! N ao morri e aquilo que aconteceu 
foi da Vontade do Senhor! Ele escolheu a nossa casa para que nela se 
realizasseum grandemilagre! 

8.JaSeencontranomundocomoFilhodepaispobres,tendo,deste 
modo, iniciadoaGrandeO bradeSalvagao. Eledesejaserum Pai Eterno, 
para todas as criaturasdaTerrade boa vontade. Futuramentenao devem 
elassatisfazer-secom urn Pai Invisivel elnatingivel!Deus,Quetudocriou 
no U niverso Infinite frequentaraestelar. Preservai, pois, vossoscoracoes 
de maus pensamentos, afim de que vossoambientese tome digno de 
agasalhar Aquele Q ue C eus eTerra nao podem enfeixar! 

9. Convenceste-vosdeminhavidaaposmorte; cuidai quetambem 
vosvivereisetemamenteem Deus, nosso Pai! Recebei minha bencao pa- 
ternal, nao como perecivel queaguarda a salvagao pelo trabalho dos ver- 
mes, mascomo espirito perfeito do Paraiso de D eus, no Reino dosEspf- 
ritos Puros! C onsiderai osM andamentosDivinos, louvai eamai-0 sobre 
todas as coisas que fareis, em vida, umacolheitamaiorqueoradesfruto 
em Seu Paraiso. Deus, o Senhor, estara convosco, Amem! Em seguida, o 
espirito desapareceu, deixando seusfilhosradiantesdealegria. 



137. COVARDIADO RABINO 

1. (M athael): "0 samigoseparentesdo velho Lazaro muito seadmi- 
raram do jubilo dosfilhos, porquanto ninguem haviapercebidoo moti- 
ve Algunsopinavam terem elestido uma visao consoladora; urn grupo 
defariseusjulgavaqueagrandetristezaostivesseenlouquecido. rabi- 
no, porem, alegavater meu pai conseguido enfeitica-los 

2. Entao reagi dizendo: Criatura, nao te lembrasda promessa que 
fizesteameu pai?! C omo podesjulgar detal formaaGracaExtraordina- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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ria de D eus?!Tem cuidado quejehovah nao tecastigue! N ao es homem, 
masum miseravel animal! 

3. M inhaspalavrastal impressaocausaram ao rabino, quesetornou 
tao palido como defunto etremia qual vara ao vento. Entao fez queixa a 
mai pai daminhaimpertinencia, ao que esteacrescentou: Bern o mere- 
cestelNaocompreendesserimpossfve! gracejarcom DeuseSeusEspiri- 
tos?Ou crespela prova recebida, ou continuaso mesmo deantanho! 

4. Se Integra: anjo ou diabo! pior de tudo ea criatura querer ser 
ambasascoisaslOsfariseusrecem-vindosteesquentaram acabega, pois 
te encheste de temor, comegando a dangar de acordo com seu assobio. 
Entretanto esquecestetua promessa. Q ue pretender final mente?' 

5. rabino ocultou seu rosto eseafastou. Por certo dirigiu-separa 
Jerusalem, afim demeditarsobreseuspecados M aistarde eu emeu pai o 
vimos, variasvezes, naqudacidade ele, porem, fugiaa um possivel encon- 
tro. Tambem nao mais voltou a casa de Lazaro, embora tivesse la deixado 
seu frasco milagroso, conformenoscontaram os f i I hos do faleci do. 

6. Eis minha historia, Sen nor, que naquela ocasiao nao pudecom- 
preender. H ojeapenas nao sei interpretar o fenomeno luminoso acom- 
panhado pelosespiritosea aparigao da alma ja perfeita. Alem disto, tam- 
bem nao havia nuvem vaporosa, mas uma entidade, somente presa ao 
corpo por um fio violeta-claro. Senhor, explica-nosa razao disto!" 



138. A Vidado Velho Lazaro 

1. Digo Eu: "Estabem; deveis, entretanto, prestar atengao, poisaque- 
la morte etoda especial, tanto para o passado quanta futuramente No 
velho Lazaro encarnou um arcanjo por livreeespontanea vontade, passan- 
do vida de piores provagoes D esde o nascimento ate aos quarenta e sete 
anos, sofreu atribulagoesdificilmentesuportaveis Quern conhece a histo- 
ria dejob, podera ter uma fraca idea do quetenha ado a vida de Lazaro. 

2.Aosdezenoveanos,de3posouafilhaunicadumricodeBethlehem, 



Jakob Lorber 

242 

tomando-sedonodeconsideravel fortunaepai dedicado decincofilhos 
bem formados Sai estoque em ouro, prata, perolas e pedras preciosas, 
nao podia sertransportado porcem camelos Suafelicidadeterrena, po- 
rem, tevecurta duragao: seus benssedesfizeram em pouco tempo, pois 
sendo bom eindulgente, muito dinheiro foi-lheroubado. Finalmente, 
irrompeu fogo em suacasa, construi da de madeira, conseguindo ele, ape- 
nas, salvar-seeasuafamilia. 

3. N esse periodo faleceram: esposa efilhos; ele mesmo contraiu le- 
pra, padecendo horrivelmente durante urn ano. Urn medico do Egito 
curou-o, completamente, mediante remedio secreto. Aostrinta equatro 
anos, deboaaparencia, foi assaltado naestradaporum grupodepersase 
vendido como escravo a urn senhor extremamente severe 

4. Como setornasseentretodososescravoso maisfiel esuportasse 
com a maxima paciencia e resignagao os maustratos, seu dono o cha- 
mou, apos dez anos e Ihe disse: De ha muito te venho observando, e 
verifiquei teres sem pre teesforcado portrabal harem meu proveito. Sou 
severo, masnao incompreensivel, eassim, dou-tealiberdade! Podesvol- 
tar a patria. Alem disto, presenteio-te com cem camelos, dez das mais 
lindas escravas e noventa servos; e, a fim de que possas comprar uma 
vivenda, meutesoureirotepagaramil librasdeouroeduasmil deprata. 
Vai, pois, em paz! 

5. Lazaro curvou-sediantedeseu senhor, querendo agradecer. Este, 
porem, Ihe disse: Amigo, quern setorna merecedor dum premio, nao 
necessita externar gratidao! Profundamenteemocionado, Lazaro deixou 
a sala e quando desceu ao patio, tudo estava pronto, a sua espera. 

6. Montando num camelo, iniciou a viagem para Bethlehem, la 
chegandoaposdezdias. Repousando num albergue, procurou informar- 
sesobresuaantigapropriedade. Essahaviaadopostaem leilaoe, segun- 
do as leis romanas, arrematada por nao seter apresentado interessado, 
apesar das diversas proclamacoes de uso. arrendatario, de posse ha 
mais de dez anos, ja gozava de todos os direitos, porquanto prescrita 
estava qualquer reclamagao. Segundo as citadas leis romanas, o direito a 
reivindicagao debensse estendiaatesete anos aposavenda, que poderi- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

243 

am voltar asmaosdo seu legitimo dono, devendo este devolve" a impor- 
tancia despendida com a aquisicao do imovel, bem como despesas pro- 
venientesdeconsevagaoebenfeitorias, seashouvessem. Eiso sucedido 
com os bens de Lazaro. 

7.Teveassim, desujeitar-seapassar urn ano em albergues, atecon- 
seguircomprarumaenormecasadecampodeumgrego.Adquiriu-apor 
mil equinhentaslibrasdeprataecasou, aosquarentaeseteanos, com a 
escrava mais fiel, judia, que Ihe deu tres filhos. Decorridos dez anos, 
tambem ele, restituiu a liberdadeaseusservospersasque, todavia, nao o 
abandonaram, poishojevivem, ainda, cinquentaetres deles. Todosado- 
taram o judaismo sendo deste modo mais agradaveis a Lazaro. H a dois 
anos, faleceu sua esposa, modelo de devocao e resignacao femininas, e 
desde entao, os tres filhos mantem a rica propriedade do pai; alem de 
Deus, nao tern necessidadesesao muito caridosos 



139. ExpucAgAo dasAparicoes Durante a Morte 
de Lazaro 

1. (0 Senhor): "Tendo o velho Lazaro completado sua vida de pro- 
vagoes de modo tao perfeito, a ponto de Ihe trazer grande beneficio, 
reuniram-sena horada mortedesseanjo, miriadesdeserescelestes, influ- 
enciando os elementos da N atureza de forma tal, que os levaram a uma 
atividadeidenticaaoselementosdoSol. Foram elesaproduzirem aquela 
luz forte, quando alma eespiritode Lazaro, comegaram asedesprender 
do corpo. 

2. Os espiritos que acompanhavam a iluminacao radiosa a Leste, 
nadatinham aver com ofenomeno; apenasforam estimulados para tan- 
to, pelo movimento dos elementos da N atureza, geralmentesob seu co- 
mando; portanto, nadasabiam do motivo. 

3. A diregao deO este para Leste assinala urn falecimento importan- 
te, correspondente ao surgir da vida na Terra, onde tudo desperta em 



Jakob Lorber 

244 

direcao ao Sol, voltando ao sono mortal com o ocaso. Alem disto, a noite 
terrena e i nversa a aurora espi ritual, ea manha do orbe; a noiteespiritual . 
N a man ha terrena, a maioria das criaturas comega a se entregar as preo- 
cupacoesdo mundo quenada maissao dequeuma noite profundamen- 
tefechada, isto e, uma escuridao espiritual completa. Somentea noite, 
cansadas pelas preocupacoes, muitas se prontificam a refletir sobre a 
inocuidade das coisas terrenas, dirigindo-se a Deus, atitude que 
corresponde ao raiar espiritual. Recebestes, assim, explicacao dentro de 
vosso entendimento, da relacao natural e espi ritual do grandefenomeno 
luminoso eseu acompanhamento. 

4. Analisemos, agora, a camara mortuaria, onde viste uma forma 
humana, perfeita, flutuar sobre o corpo. Baseia-se isto, no grandeamor 
para a atividadequeindica uma vida espiritual perfeita, plenamentedes- 
tituida de pavor, diante da futura atividade no imenso Reino Celeste. 
N aohavendovi bracoes demedona alma, aforma humana e complete e 
visi'vel aposa morte, para quern possui tal dom. 

5. fio curto efino entre al ma e corpo, denuncia a diminuta ten- 
dencia para as coisas terrenas e, portanto, o desprendimento rapido e 
semdor.A irradiagaoluminosasobreacabegadaalma, provasuavonta- 
de poderosa que, pela extraordinaria atividade, toma forma de coluna, 
correspondentea inflexibilidadeea rdem dosCeus D ivinos, cuja Luz 
penetranacapacidadedoconhecimentodaalma, afimdequeavontade 
ajaconscientemente. 

6. Como os pensamentos do justo emanam, principalmente, do 
coragao, ondetambem sebaseiam amor evontade, a irradiagao da alma 
liberta, queem vidatevedeagirem conjuntocom ocerebro, torna-seo 
cinto da veste do amor e da justica, paciencia e resignagao. chapeu 
testemunha uma nova dadiva de luz purissima do Ceu, eacrescida so- 
mente aqueles que, na Terra, esforcaram-se na aquisicao da Sabedoria 
Celeste, transformando-se, destarte, em criaturas cheias de amor, sabe- 
doria ejusticacelestiais Tal chapeu luminoso eoproduto da vontadedo 
saber detodos os arcanjos, testemunhando queo possuidorseintegrou 
na sabedoria econhecimentosplenos, como criatura perfeita ede seme- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

245 

lhangadivina. 

7. conhecimento adquirido por um arcanjo aposter passado pela 
encarnagao, representa tanto quanta osdetodosarcanjos, em conjunto, 
por ser tal chapeu, bem como a alma humana, um compendio detodas 
as particulas inteligenciadas daTerra, o que nao representa pouco. 

8. Julgo, terdes recebido explicagao completa sobre as aparigoes 
um tanto incomuns; caso ainda haja duvidas, externai-vos, conquanto 
osCeusderramamumajustaLuzaquelesdeboavontadeedeinclina- 
goesjusticeiras." 



140. iNDAGAgOESTOLAS 

1. DizCirenius: "Senhor, nao sabemos como agradecer-Teportudo 
que nos tens proporcionadoe que aumentou nossocabedal deconheci- 
mentos; todavia, desconhego a origem dospoderososespiritosquevie- 
ram buscar a alma deLazaro.Talvez fosse permitido saber-seseusnomes 
santificados equal oefeitodavoltadeLazarosobreseusfilhos?0 acon- 
tecimentofoi deverasestranhoe, pormim,tinhavontadede saber onde 
foi eleenterrado, equal o destino daquelerabino. Alem disto, desejaria 
explicagao sobre o oleo desamambaia!" 

2. D igo Eu: "M eu amigo, isto sao coisassecundariasedesnecessarias 
ao assunto em questao. Q ue valor tern osnomesdaquelesarcanjos?! D is- 
pensam passaporte e julgamento terreno! J a que fazes tanta questao, - 
trata-sedeZ uriel, Uriel e mais afastado, M iguel, em Joao Baptista, sua 
ultima encarnagao e do qual Zinka muito nosfalou. 

3. Alem destes, ainda haviaumaquantidadedeoutros, invisiveisaos 
olhos de M athael por serem espiritos purissimos, apenas perceptiveis a 
visao do espirito, - faculdade que ainda nao Iheedada. Afora isto, - que 
valor tern o sepulcro de Lazaro, o rabino e o oleo de samambaia que, 
quando legitime sustaaapoplexiaemataosmicrobiosestomacais?N ao 
sendo genuino, tambem nao fazefeito. Deixemostaiscoisasetratemos 



Jakob Lorber 

246 

deaumentar nosso conhecimento, somenteem assuntosespirituais 

4. 1 ndagai, portanto, sobrealgo naesferaespi ritual, vista por M athad, 
ao invesdesaciarvossacuriosidadecom coisas tao indiferentesao espirito, 
como a neveque, ha mil anos antes de Adam, cobriu asparagensdesertas 
deste orbe! J a sabeis o que e materia e sua origem; vamos, portanto, dedi- 
car-nos apenas a coisas elevadas. De que adiantam ao homem todos os 
conhecimentosecienciasterrenasquandoaindanaoconheceasi mesmo 
ate as raizes mais profundasda vida, isto e, sua esfera psico-espi ritual? 

5. Poderiaser verdadeiramentefeliz mesmo depossedetodososbens 
terrenos, quando e obrigado a se perguntar, vez por outra: Q ue sera de 
mim aposa morte? Porventura prosseguirei vivo, conscientemente, - ou 
tera tudo urn fim, para sempre? Se ao inquiridor nao for dada resposta 
satisfatoria por parte dealguem maisinstruido, muito menosdeseu pro- 
prio receptaculo ignorante, no qual jamaispenetrou urn raio deVerdade, - 
qual seu destino? Sera quetal ricago sesatisfara com sens bens pereciveis? 
Impossivel, caso tenha amor consciente a vida, pois que adiantaria con- 
quistar todos os tesouros do mundo, caso sua alma venhaaseperder?! 

6. Portanto, atirai para longe aquilo que esta sujeito a destruicao 
pelastragaseferrugem! Somente e eterno o quevem do espirito, poiso 
que pertence a materia e submetido a transformagoes i numeras, ate que 
tenha alcancado a elevagao do espirito. Perguntai apenas por coisas psi- 
quicaseespirituais; nunca, pelas coisas da materia!" 



141. A"Ira"Divina 

1. DizCirenius, encabulado: "Senhor, fui ounicoatefazerpergun- 
tas e me parece queTe aborreceste, como D eus e Senhor!" 

2. DigoEu: "C omo e possivel Mecompreenderestaomal?!Como 
poderia estar aborrecido quando te demonstrei em verdade, o que seja 
imprescindivelparatodasascriaturas?!Vequaocurtaetuacapacidadede 
julgamento! Quando tera alcancado a justa medida? Poderia o Amor 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

247 

Purissimo, detodo Amor em Deus, aborrecer-Secom alguem?! 

3. Q uando ledesa respeito da IraD ivina, deveisinterpreta-lacomo 
o rigor eternamenteequilibradoefirmedaVontadede Dais Este rigor 
da Vontade D ivina ejustamentea base intrinseca do Amor mais puro e 
poderoso, do qual surgiram o I nfinito etodasasobras, - portanto jamais 
Sepoderiadesgostarcom quern querqueseja! Acaso alguem dentrevos 
poderia supor que D eus Se enraivecesse, qual criatura tola?!" 

4. Adianta-seStahar, dizendo: "Senhor, perdoa seouso fazer uma 
observacao a respeito da Ira D ivina. A pessoaqueestudassea H istoriada 
Humanidadeintegradanumafirmefeem Deus, nao poderia negar ter 
Ele, em certas epocas, feito sentir, de modo severo, Sua Ira eVinganca 
nas criaturas desobedientes. 

5. A IraeMinha, eaVingancaeMinha, dizo Senhor pela boca do 
profeta. Isto nosfoi provado pela expulsao de Adam do Paraiso, o D ilu- 
vio em tempos de N oeea permissao feita aqueleao amaldicoar urn dos 
seusfilhos M aistarde, adestruicao deSodoma, Gomorraedasdezcida- 
des ao redor, onde hoje deparamos o M ar M orto; a seguir, as pragas do 
Egito ea provagao dosisraelitasno deserto. Alem disto, asguerrascrimi- 
nosas contra osfilisteus, a prisao babilonica e, finalmente, o jugo com- 
pleto do Povo de D eus, pelo poder dos pagaos! 

6. Senhor, considerandoapenasligeiramentetal atitudede Jehovah 
contra as fracas criaturas, somenteconcluir-se-a Sua Ira eVinganga ple- 
nas. Porcerto, poderia sealegarser isto urn meiodeDeuseduca-lascom 
rigor e agoite. Os golpes desfechados, porem, nao convencem ter sido 
provocados pela M ao dum Pai carinhoso, mas demonstram a atitude 
severa muito embora, justiceira dum juiz implacavel. 

7. Eis meu parecer, isto e, caso a H istoria relate a plena verdade; 
tratando-se apenas duma lenda, I ra e V i nganga de D eus poderao ser i n- 
terpretadas como base do Seu Amor. N ao querendo duvidar deTuas 
Palavras, acho estranho o castigo a todos que, em sua fraqueza viessem a 
pecar, evaleria a pena saber-seo motivo." 



Jakob Lorber 

248 

142. Prim eiro Casal 

1. Digo Eu: "ConformeacabasdefalardelraeVingangaJustigae 
Amor D ivinos, do mesmo modo um cego dissertariasobreasmaravilhas 
do arco-iris! Acaso ainda nao compreendesteser, apenaspossi'vel, assimi- 
larosLivrosdeM oysesetodosos prof etas, osEscritosdeDavid eSalomon 
pela interpretacao espiritual?! 

2. Julgas realmente que Dais tivesse mandado enxotar Adam do 
Paraiso, por um anjo deespada na mao? Afirmo-te: mesmo quetal Ihe 
ten ha sido demonstrado desta forma, era apenas a interpretacao daquilo 
quesepassa no intimo deAdam efazia parte deseu conhecimento edo 
surgir da primeira religiao e Igreja entreas criaturas. 

3. NuncahouvenaTerra, um paraiso material ondeospeixesfritos 
tivessem nadado para dentro das bocas, poisoshomenstinham primeiro 
depesca-loseprepara-los, paradepoisserem comidos. homem assim 
setomando ativo ecolhendo osfrutospara um estoque, todaequalquer 
zonasetomava um Paraiso, logo que fosse cultivada. 

4. Q uefinalidadeteriatido aformacao intelectual, caso o habitante 
do orbenao encontrassecom quesepreocupar, poisosmelhoresfrutos 
nasceriam frenteasuaboca, bastandoabri-laparasaborea-los?!Asseguro- 
tequeacriatura, conformeinterpretaso Paraiso, nadamaisseriaesaberia 
queum boi cevadoouum poliponofundodomar. 

5. Q ue vem a ser a aparigao do anjo com a espada flamejante? 
primeiro homem era desnudo e nao tinha passado por uma infancia, 
como tambem estejumento; mesmo medindo maisdedoze pes(um pe 
media 33 cm), e Eva pouco menos, - sua experiencia sobre a formagao 
teluricaerabem infantil. 

6. Por ocasiao da primavera, verao eoutono suportou andar desnu- 
do; no invemocomecou aressentir-secom ofrio, perguntando a si mes- 
mo pdasensacao queD euslhedespertara maisemais, atravesda insuflacao 
material e espiritual: Ondeestou equesepassa?Sentia-metao bem e 
agora os ventosfriosmagoam minhapele! Naturalmente, viu-seobriga- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

249 

do a tratar duma protegao contra as intern peries e cobriu-se com folha- 
gem. Porestetrabalho, forgou seuspensamentosasetornarem maisati- 
voseordenados. 

7. A fome, todavia, tambem semanifestou; poisalgumas an/ores e 
arbustos estavam de galhos vazios Assim, teve muito que andar para 
encontrar alimento; colheu os frutos e guardou-os na caverna que Ihe 
serviademorada. Suaobservagaoensinava-lheoseguinte: Nestaepocaa 
Terra se acha amaldicoada e poderas col her teu sustento apenas com o 
suor do teu rosto! 

8. Tendo o primeiro casal do orbe, passado urn inverno nas zonas 
quecircundam o N ordeste da Terra Prometida - da qual tambem faz 
parteaGalileia- comegouameditarepesquisaroseu intimo. Manifes- 
tou-se, entao, a necessidadedecompanhia eno sonho foi Adam instrui- 
docomogerarCain, eemseguida, Abel eSeth. 

9. Foi, todavia, Eva quern Ihedera orientagao, porquanto foi a pri- 
meiraasonhararespeito. Deixemosospormenores, poisteafirmo, Stahar, 
ter-sedado tudo normalmente. M oyses, no entanto, reconheceu quetudo 
so poderia suceder pela Vontade dejehovah, pois que Eu, isto e, M eu 
Espirito, guiava os homens pela experiencia natural; assim, colocou ele, 
Deus ao lado do primeiro casal, atraves de quadras correspondentes, 
porquanto a conduta posterior dos povos, necessitava detais imagens 

10. Alem disto, e natural ter D eus insuflado osanjos no sentido de 
fazerem surgir Adam e Eva, numa zona das mais ferteis do mundo. Se 
maistarde, fenomenosda N atureza, permitidosdo Alto, obrigaram-nos 
a abandonarseu primeiro Eden alimenticio, tal nao foi consequenciada 
Ira D ivina, masdo Amor ascriaturas, para desperta-lasdesuasensualida- 
de, instigando-asaagaoeexperienciasmaisdilatadas 

11. Quando Adam, Evaeseusfilhosperceberam haver alimento em 
quasetodo o orbe, comegaram a encetar viagens mais longas, familiari- 
zando-se com a Asia e a Africa. Enriquecidos por vastas experiencias e 
conduzidos pelo Espirito Divino, voltaram ao primitivo Eden dondese 
fez a povoagao daTerra. D ize-M e: poderia esta protegao ser identificada 
como Ira eVinganga de D eus?! 



Jakob Lorber 

250 

143.0 Diluvio 

1. (0 Senhor): "A Sabedoria Divina bem pode alterar-Se quando 
criaturaseducadasesemi-evoluidasseop6em,voluntariaemaldosamen- 
te, contra a Ordem deDeus. Em compensagao, o Amor Dele sabeante- 
por com grande paciencia os meios indicados as tentativas mal orienta- 
das e reconduzir os homens ao justo caminho. D este modo, ealcancada 
M inha Finalidade com o Genera Humanosem que se tome maquina, 
condenadaaagir, porsupostaVinganca deDeus. 

2. MesmotaismeiosnaosaoefeitosdoPoderVingativodeJehovah, 
senao pu ramente as consequenci as da perversidade hu mana. Terra e N a- 
tureza tern suas leis necessarias e imutaveis, dadas por Deus, dentro da 
justa ordem; leis identicas, ohomem respeitaem seu fisico. Q uando ele 
reagir contra tal regimen para transformar o mundo, nao sera por isto 
pun ido pela Ira D i vina, mas pela propria ordem severa efixada, que por 
eleforainfringida. 

3. Noteu intimo, indagasseo Diluvio devetambem ser considera- 
do como efeito natural e necessario das acoes contrarias a ordem. Res- 
pondo-te: exatamente! Eu despertara mais decern videntesemensagei- 
ros para que advertissem ospovose, durantemaisdecem anos, chamei a 
atencao sobreoshorroresquedeveriam aguardar, em virtudedeseusatos 
perversos. Sua maldade chegou a ponto de nao so zombarem daqueles 
enviados, masatemesmo a muitosmataram, abrindo luta contra M im. 
Contudo, nao M eenraiveci, masdeixei-osagirepassaratristeexperien- 
cia, quedesvario e ignorancia nem tudo podem fazer o queagradea sua 
cegueira, contra a N atureza e a rdem de D eus 

4. Tens, porexemplo, o livrearbftriodegalgar aquela rochadequi- 
nhentospesdealtura, eteprecipitaresno abismo. Pelas leisdo peso, tal 
desvario tecustara a vida. Acaso, teria sido efeito de M inha Irritacao? 

5. La para este, deparascom umacordilheiracompletamenteco- 
berta de mato. Faze-te acompanhar por milhares de pessoas e manda 
atearfogoasflorestas- queosmorrosficaraopeladoslQual oefeito?0 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

251 

grandenumero deelementosda N aturezaassim inativos, comecarao ase 
enfurecer no ar, levando a destruigao a toda a redondeza por meio de 
raios, trombasd'agua esaraiva. Teria D eus nessecaso agido com rancor? 

6. Se mi I hares de pessoas se entregam a desterrar morros, encher 
lagos ou construir estradas belicas; se comecam a escarpar cordilheiras 
em enormes extensoes, numa altura de quinhentos pes, ou abrir valas 
profundasao redor das montanhas, acabam liberando os veios internos 
d'agua, fazendo com que as montanhas venham a aprofundar-se nas 
i mensas bacias. A agua entao comeca a subir, detal modo, quena Asia se 
projetaqual marsobreosmaiselevadospicos. Nessas devastates monta- 
nhosas, mi I hares de hectares deflorestasdensas, tambem sao destruidos, 
ondeum sem numero deelementosda N atureza, anteriormenteentreti- 
doscom avegetacao abundante, desubito seveem livrese inativos. Per- 
guntaati mesmoqual areagaodosespiritosnoar?!Quetemporais, que 
trombasd'agua, quemassasdesaraivasequequantidadeenormede raios 
atiraram durantequarentadiassobreaTerra, aumentandoasaguassobre 
toda a AaalTeria isto sido a consequencia da Ira eVinganca de D eus?! 

7. M oysesrelatou a H istoriadeacordo com aepoca, isto e, em qua- 
dras ondesempredeixou prevalecer, pela insuflacao deM eu Espirito, a 
M inha Providencia, o quesecompreendeapenaspela interpretacaojusta 
everdadeira. SeriaDeusumaDivindadedelraeVinganga, porquantotu 
emuitosoutrosjamaiscompreenderam SuasGrandesRevelagoes?! 



144. M otivo das Cat ASTRO FES 

1. (0 Senhor): "Positivamente, bastariaviverdesapenascinquentaanos 
najustaOrdem Divina, - e jamais haven eisdesentirou saber dealguma 
calamidade! Todas as catastrofes, molestias e epidemias entre homens e 
animais, disturbiosatmosfericos, mascolheitas, saraivasdestruidoras, inun- 
dacoesdevastadoras, tufoes, grandestemporais, nuvensdegafanhotos, etc., 
sao apenas consequencias das agoes desordenadas dos homens! 



Jakob Lorber 

252 

2. Sevivessem dentro dos M andamentos, nada disto teriam desu- 
portar. Os anos se passariam como perolas, uns identicos aos outros, 
sempreabengoadosjamaiscaloroufrioexcessivos, perturbariam as par- 
tes habitadas da Terra. As criaturas se excedendo em suas necessidades, 
executam benfdtoriaseconstrucoesexageradas; desaterram montanhas 
para construir estradas bdicas; cavam-nas a procura de ouro e prata; vi- 
vem brigando entre si, ignorando que se acham rodeadas, a todo mo- 
menta, por quantidade enorme de espiritos inteligentes da Natureza, 
quedirigem aatmosferacomotambem efetuam apurificagaoesaudedo 
ar, agua e terra. Elas poderiam se admirar quando o orbe e constante- 
mentecastigado por uma infinidadedepragasdetoda especie?! 

3. Criaturas avarentas e gananciosas apoem trinco e ferrolho nos 
cddrosealem disso, determinam avigiasfiscalizar seusbenssuperabun- 
danteseai de quern seatrevesseaproximar-sedali, poisseria imediata- 
mente processado! N ao quero com isto dizer quea pessoa nao deva pro- 
teger seus bens adquiri dos com sacriffcio; falo do superfluo quediz res- 
peito ao luxo desmedido. N ao seria aconsdhavd construir celeirosque 
ficassem abertos para pobres e fracos, se bem que sob fiscalizagao dum 
com petente d i stri bu i dor, afim dequenao ultrapassem o necessario para 
o sustento? Se deste modo ganancia e avareza desaparecessem daTerra, - 
todas as mas col heitas teriam fim! 

4. Sabes por que? Pdamandramais simples do mundo, istoe, basta 
se observar, atentamente, como age a N atureza! Ves ainda as duas plan- 
tas a ben erica e a venenosa. Ambas se al imentam das mesmas potencias, 
todavia sao de indole diversa. Isto porque a planta curadora reverte os 
elementos da N atureza a seu redor em sua caracteristica bondosa e paci- 
fica, que a alimenta, tanto interna quanta extemamente, tomando-se 
assim de influencia benefica que, a luz solar exerceseus beneficiossobre 
criaturas eanimais 

5. N a planta venenosa, cujo intimo contem carater egoistico eraivo- 
so, os mesmos dementos sao por da assimilados inversamente. Assim, 
tambem sua irradiagao e venenosa e nociva a saude do homem, e os 
propriosanimaisaevitam. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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145. A Influencia do Mal 

1. (0 Senhor): "A pessoagananciosaeavarentatem umairradiagao 
extremamente nociva, correspondente a sai caracter, que converte os 
elementosexternos, pacffi cos ebons, em mauseperniciosos. Comotais 
elementos da N atureza se acham em constante conflito, nao so com o 
homem, mas com animais, plantas, aguaear, dao motivo contmuo para 
toda sortede I utas, atritos e movi mentos desnecessari os do ar, agua, terra, 
fogoe animais 

2. Q uem quiser disso tirar uma prova, procure pessoas bondosas e 
encontraratodososseusanimaisdecaraterpacifico,mormenteoscaesque 
assimilam em pouco tempo, a indoledo dono. cao dum avarento, por 
certo, sera uma fera gananciosa e nao conviria dele se aproximar quando 
estiver comendo. Enquanto queo do homem bondoso, prefereseafastar 
datigela, ao invesdebrigarcom o hospedeindesejavel. Atemesmo outros 
animaiscaseirosserao meigos, deacordo com a indoledo dono. Aspropri- 
as plantas apresentarao grande diferenca ao atento observador. 

3. Analisemos a criadagem dum avarento, e verificaremos ser na 
maioriamesquinha, invejosa, avarenta, portantotambem sera falsa etrai- 
coeira. homem bom egeneroso que privasselongo tempo da compa- 
nhiadum avarento, enterrado ate asorelhasno ouro, adotaria f i nal mente 
urn si sterna economico esetomaria escrupuloso na pratica da caridade 

4. Alem disto, aconteceser naTerra, muito maisfacil, o mal trans- 
formar o Bern a seu favor, que vice-versa! Imagina uma quantidadede 
pessoas mas e procura saber se o sofri mento que passam seja efeito da I ra 
Divina! Digo-vos, eespecialmenteati, Stahar, quetudoeprovenienteda 
atitudedoshomens, nadatendo aver com istoalraeVingangadeDeus. 
Existe apenas uma ordem em a N atureza das coisas, imutavel enquanto 
existiraTerra; docontrario, elasedissolveria, nao maisoferecendoabrigo 
para o homem em provagao. 

5. Eisporqueurgeconquistaro Bern com rigor eviolencia, quando 
nao sequeirasertragado pelo mal. Procurai, pois, aperfeicoar vossavida 



Jakob Lorber 

254 

interior pelo cumprimento de M inha Doutrina, e todos os venenos do 
mundo nao vos poderao prejudicar! 



146. A MaravilhosaPlantinhaCuradora 

1. (0 Senhor): "Retornemos mais uma vez ao cozimento das mil 
plantasvenenosas, cuja infusao nao poderiaser neutralizada por milhares 
daquelaespeciebenfazeja. Existe, noentanto, umaplantinhanasmonta- 
nhasda India- tambem eencontrada no Monte Sinai - daqual bastaria 
acrescentar-seum pedacinho ao cozimento, e no mesmo momento, todo 
o conteudo setransformaria em cha benefice 

2. Admirado, perguntascomo sera isto possivel, Stahar? E afirmo-te 
demodo mui natural, conformeexplicarei. Ve, numanoitetrevosa, sem 
luaeestrelas, teras impressao existir tal escuridaoem todo Infinite. Esta 
treva, eparaosolhos, urn veneno mortal porquanto Ihetirasuacapacida- 
de de visao; libertando-se, porem, desse mal, pelo menor raio de Sol, 
num momento, transforma-se em luz plena. 

3. Acasoteapercebesondequero chegar?Como podeumafaiscade 
luzsolardissipartodaaescuridaoeporquesefaznoite,semela?Poisoar 
consiste dos mesmos elementos, tanto de dia como a noite. Q uando o 
Sol desaparece por complete, os elementos seaquietam pouco a pouco, 
cadaum deper a, ecomo nao vibrem em seuspequeninosinvolucros, a 
visao humana nao percebesuaexistencia, ocasionando a noitecompleta. 

4. Acreditas que os espi rites se agitem a noite, quando sopra o ven- 
to? Enganas-te com isto por nao teres ideia da movimentacao interna 
dum espirito da N atureza. Se bem que a brisa sopre a noite levando os 
elementos a uma evidente agitacao, e ela apenas uma geral, em diregao 
qualquer, forgada por urn espirito maiselevado. Seem qualquer ponto 
urn ou grande agrupamento de espi rites - que viste como linguas de 
fogo - elevado a umavibragao extraordinaria, faz-seluz, demonstrando 
o momento dumaatragao eo surgir dum ser. Essa vibragao etransmitida 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

255 

a umaquantidadedeoutroselementosda N atureza, num granderaio de 
acao, provocando emanacao de luz. 

5. Q uanto maisforteforestatransmissao aosdementosvizinhos, tan- 
to maior o circulo de luz, levando outro grupo deespiritosa semelhante 
incentivo;provaisto,aluzsolaratrave3suaforgaprodutora,nosplanetasde 
sua constdagao. N ao so des sao deste modo forgados a uma atividade cri- 
adora, mastambem no proprio Espago sedao coisaspda atragao dosde- 
mentos livres da N atureza deque vossa sapienda jamais sonhou. 

6. D a mesma forma que uma unicafaiscadeforga solar transforma 
o Espago Infinito em plena luz, amendonadaplantinhacuradora, aco- 
mete a toda infusao venenosa agao salutar, porquanto os dementos da 
N atureza sao nda extremamenteativos numajusta ordem, obrigando os 
maispreguigososedesequilibradosaumaagaopo3tiva. 

7. Fato identicosedacom ainfluenciagaodumacriaturaverdadd- 
ramenteaperfdgoada, tanto sobreseussemdhantes quanta nosdemen- 
tosainda libertos, num granderaio deagao. Pessoasdeboa indoleagirao 
beneficamentesobreoutrasmenosequilibradas, quendasterao urn re- 
medio curador. Quando as de bom carater convivem com maldosas, 
perversasedissolutas, dentro em breve sao contaminadas, porquanto sua 
forca interna nao I he pode oferecer resistencia. U ma vez aperfdcoadas 
psiquicamente, sao semdhantes a plantinhacuradoranagrande infusao 
venenosa e a faisca solar na noitetrevosa. 

8. Seistotiveresassimiladoafundo, compreenderasquetodomal 
entreoshomensdestaTerra, nao proven da Ira eVingancaDivinas, mas 
unicamente de seu desequilibrio. Assim orientados, depende de vos 
formulardesperguntasquanto acena no passamento deLazaro. U m dentre 
vosalimentacertaduvida; queseexterne!" 



147. Causasde Frio e Calor 

1. D iz M athad: "Senhor, estetal, sou eu, porquanto existeum pon- 



Jakob Lorber 

256 

to noassunto mencionado, quenao possoatinar. Ao medirigirem com- 
panhiademeu pai edojovem Lazaro para Bethania, deparamoscom o 
fenomeno luminosoetambem sentimosum calor extraordinario. Q uando 
a luz seapagou, manifestou-setamanho frio, quecomecei a tiritar. Por 
mais que me esforce, nao posso deduzir a sua causa." 

2. Digo Eu: "Maseevidente, poisseesfregascom forgadoispedagos 
depau, estesincendeiam-seateproduzirfogo. Porque?Porqueosdemen- 
tosem suascelulassao violentamentedespertadosecaem em forte vibra- 
gao, que se manifesta como fogo e luz. Esta vibragao e transmitida aos 
elementosvizinhos, provocando verdadeiro incendio. Cessados vibragao e 
fogo, toda aglomeragao deespiritosesfria rapidamente quanta mais vio- 
lentaa vibragao, tanto maisrapido o can sago, calmaefrio dos el ementosda 
N atureza. U m pedago de pau ou carvao ardente, nunca transmite tanto 
calor quanta urn fragmentode metal, namesmasituagao. motivo reside 
nofatordeserem osdementosdo metal maisvibrateisqueos da madeira. 
Q uando carvao e metal esfriarem numa temperatura identica, o metal fa- 
lo-a mais depressa e sera mais frio do que o carvao apagado. 

3. Q uando num dia de verao a temperatura comega a subir, os ele- 
mentos da N atureza se tornam ativos, provocando grande calor e 
mormago. A intensificagao eprovocada pelo atrito dosmesmos, surgin- 
do entao nevoase nuvens. 

4. Todos vos ja observastes o crescimento de tais nuvens que final- 
mentesaodilaceradasporcongderaveisraios Umavezquecaiam chuva 
esaraiva, sabemosser isto obra dos espiritospacificos Quanta maisfor- 
tes forem os coriscos, tanto mais fria se tornara a atmosfera, devido ao 
apaziguamento dos espiritos da N atureza, no que sao obrigados pelos 
pacificos. mesmo fato sedeu por ocasiao do fenomeno luminoso que, 
quando desapareceu, trouxeuma onda defrio. Compreendeste?" Res- 
pondeM athael: "Senhor, agradego-Teporesteesclarecimento!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

257 

148. Queda Desastradadum Garoto 

1. D igo Eu: "Conta-nosaindao acidenteocorrido com um menino, 
eosuicidiodaqudehomemaqueassististeMencionaapenaso principal." 

2. C omega M athael: "Como desejo relatar ambososfatosem con- 
junto, preciso meditar um pouco." Digo Eu: "Ajudar-te-ei, desorteque 
tal nao sera necessario." 

3. ProssegueM athael: "Assim sendo, relatarei doisdentreosmuitos 
casosvividosateaosvinteanos. Estavamosnaepoca da purifi cacao geral 
dos judeus, onde se sacrificava o bode expiatorio por todos os pecados, 
quefinalmenteeraatiradoaojordaocom grandealarido, precesemaldi- 
coes. Pormenorizartal acontecimento, seria tempo perdido porquanto e 
con heci do de todos. 

4. lgnorais,todavia,queaquelacerim6niaeraas3Stidaporum mundo 
decuriosos: gregos, romanos, egipciosepersas E natural queagarotada 
tambem quisessever o acontecimento; como isto setornava dificil, em 
virtudedosadultos,acuriosidadeoslevaraasubirem nasarvores Dentro 
em pouco, estavam brigando nosgalhos, sem respeitarem asadvertencias 
dosvelhos 

5. Eu emeu pai estavamosmontadosem camelos, presenteadospor 
um persa, a quern meu pai havia curado de molestia grave. Assim aco- 
modados, podiamosassistiracerimonia. Um pouco maisdistante havia 
um ciprestedelgado, em cujosgalhos, por naturezafrageis, brigavam tres 
meninos Cadaqual seesforgavaporequilibrar-se. Como houvesseape- 
nasdoisgalhosmais fortes, doisgarotosnelessetinham instalado, en- 
quanto o terceiro confiara seu peso a um ramo. 

6.Tudocorrianormalmenteateque, pertodomeio-dia, levantou-se 
um vento forte que baloucava a extremidade do cipreste e alem disto 
soprava a fumaca do altar em diregao dos meninos, queseviam obriga- 
dosafecharosolhos. 

7. Observei entao o menino que estava agarrado ao fragil ramo. 
Q uandoafumagachegou aenvolve-lo numaverdadeira nuvem, vi, subi- 



Jakob Lorber 

258 

tamente, dois grandes morcegos rodearem sua cabega. Tinham o tama- 
nho depombasecom o movimento dasasas, levavam aindamaisfumaga 
sobreo menor. Chamei a atengao de meu pai elhedissequecertamente 
haveriadeaconteceralgo desagradavel, poisos morcegos nao mepareci- 
am naturaisporquanto ora aumentavam, oradiminuiam. 

8. Meu pai dirigiu seucameioateocipresteeadvertiuo meninoa 
descer, do contrario poderia levar uma queda. N ao sei positivar se ele 
ouviu os gritos de meu pai, pois minha atengao estava voltada para o 
fenomeno estranho, enquanto o garoto procurava esfregar osolhoscom 
umadasmaos 

9. Vendo que seu consdho nao surtia efeito, meu pai voltou para 
perto demim eperguntou seeu aindaviao mesmo. Afirmd, eacrescentei 
queomeninocairiadaarvore,casonaoprocurassedescer. Respondeu meu 
pai: Q uefazer?N ao temosescadaeelenao obedece Assim, somosobriga- 
dosaaguardaroquejehovah determinar, sobreestemeninodesobediente 

10. M al havia acabado defalar, o galho fragil em constante movi- 
mento, parti u-seeo menino caiu dumaaltura devinte pes, espatifando- 
se numa pedra, morrendo instantaneamente. alvorogo foi imenso; 
todos rodearam o corpo. A policia romana afastou o povo ealguem cha- 
mou meu pai para verifi car se era possivel salva-lo. Exam inando cabega e 
espinhaespatifadas, respondeu ele: Nao existemaiso quefazer para vol- 
tar-lheavida! 



149. Fenomenos Espirituais Durante o Acidente 
suicidio do essenio, amaldigoado pelotemplo 

1. (M athael): "Em seguida, meu pai meperguntou seeu viaalgode 
extraordinario no menino; ao quelherespondi, em grego: Os dois mor- 
cegos seuniram sobreo peito nafiguradum macaco triston ho, quese 
esforga por arrancar-se do corpo. Eis que agora o consegue e comega a 
rodear o corpo aos pulos, como a procura dealgo. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

259 

2. Indagou meu pai: SeraaquiloaalmadogarotoTRespondi: Isto 
realmente nao sei. N ao teria ele psique mais perfeita?! Aquele estranho 
ser se agacha junto a cabeca e da a impressao de sorver o sangue, sem 
contudo consegui-lo; absorve apenas um vapor sangrento, passando a 
adquirir forma um tanto humanizada. Agora, acabam dechegar alguns 
homensquecertamente levarao o corpo. Estou curioso por ver seo ma- 
caco osacompanha. 

3. Quatro homens se aproximam com uma vara comprida, nela 
amarram o defunto ecom eleseafastam. sersimiesco, porem, ali fica 
aolharem seu redor como quern nadave. A seguir, sepoedecocorasno 
lugar ondeo menino havia caido da arvoreefaz mencao deadormecer. 
D eve ser sua alma. 

4. Disse meu pai: Felizmente a cerimonia esta terminando; falta 
apenas a sentenca para os que sao excluidos desta purificacao em co- 
mum, em virtudedeseusgravespecadosTodososanosamesmacoisa, - 
sem bencao e beneficio para quern quer queseja! 

5. Calando-se, meu pai ouviu o veredicto e aborreceu-se sobrema- 
neiraquando a maldicao caiu, primeiro, sobreospobressamaritanos; em 
seguidasobretodosospagaos, essenios, saduceus, eligeiramenteatingiu 
osimpenitentesincestuosos, fratricidas, patricidas, matricidaseadulte- 
ros, acrescendo a maisterrive! sentenga sobreosquedesprezam oTempio 
esuasreliquias 

6. Aposeste ritual destituido deconforto, no qual cada imprecagao 
trazia um rombo na veste do sumo sacerdote, todos voltaram a cidade. 
Somenteum homem, aquem porcertoassentengasatingiram em exces- 
so, parou numarochaquebeiravaum lago imensoeprofundo,formado 
pelojordaoenoqual algunstolosafirmavam haver-sejuntadoo restoda 
aguado Diluvio, nodecorrerdeum anoe alguns dias. 

7. M eu pai estranhou aquelaatitudeemeperguntou sealgodeextra- 
ordinarioestavaacontecendo. Respondi: Nadavejojtodavianaopossonegar, 
ser a poagao daquelehomem a beira da rocha queda para o lago, extrema- 
mente suspeita e ouso afi rmar querer de anal isar sua profundidade. 

8. Repito minhaspalavrasdaquele momenta, muito embora meu 



Jakob Lorber 

260 

pai nao apreciasse quando eu gracejava em assuntos serios; queira, Se- 
nhor, perdoar-meserepito minhapilheria!" 

9. D igo Eu: "Esta ban, M athael; falascomo quero, poisteponho as 
palavrasnaboca. Prossegue, quetodosteouvem com atencao!" 

10. Continua M athael: "M al havia terminado, aquele homem le- 
vantou as maos e exclamou: sumo sacerdote me amaldicoou por eu 
meter tornado essenio, para aprender uma sabedoria maisaproveitavel; 
todavia, encontrei-atampouco naquelaseita, como no proprioTemplo. 
Arrependido, voltei ao sinedrio, orei efiz oferendas. sumo sacerdote 
rejeitou meu sacrificio, classificou-me urn dos piores difamadores do 
Santissimo e me amaldicoou por toda Eternidade, fazendo sete rasgoes 
em sua roupa. Esperei atenuante por ocasiao da purificacao geral; mas, 
em vao! Elepositivou a anterior imprecacao emecondenou diantede 
Deus e dos homens! N ada mais tenho que esperar! Com tais palavras 
desesperadas, atirou-se da rocha e afogou-se. 



150. As Almas dos Acidentados, no Alem 

1. (M athael): "N ao demorou evi nadar na superficieda agua algo 
parecido com urn esqueleto humano, cinzento, e acompanhado por 
dez patos pretos. Somente os pes tinham vestigios de carne; todo o 
resto era ossada perfeita. N o comego estava deitado decostas; depoisde 
meia hora havia-sevirado ecomecou a nadar numatentativa baldada 
de enxotar os patos. 

2. Destemodo, a estranhaformagaoosseaboiou durante uma hora 
nasuperficiedolago, ora mais depressa, ora mais vagarosamenteealgu- 
masvezesatemergulhou.Teriajulgadotratar-sedeum animal aquatico, 
casomeu pai tambemotivessevisto. Assim, opinei ser aquele esqueleto 
algo sobrenatural. Passada uma hora, acalmou-se e os patos paredam 
bicar alguns restos de carne da ossada. 

3. Como nada maisdeimportanteacontecia, voltamos ao macaco 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

261 

que, naqudemomentoselevantavanaspatastraseirasnumatentativade 
caminhar. Suafraquezaeragrandeporquanto, nem bem davacinco pas- 
sad as, asdianteirassedobravam; mesmo assim, aqueleserfoi selevan tan- 
do aos poucos e pela maneira como olhava a sen redor, deduzi sentir 
medo ou fome. Pouco a pouco foi-seaproximando do lago, ondedepa- 
rou com o esqueleto, em companhia dos patos. 

4. Observando-o maisprolongadamente, ouvi urn forte gemido e 
depoisdecerto tempo, levantou-sefeito homem epercebi perfeitamente 
asseguintespalavras, emborasussurradas: Eismeu pai, tao infortunado! 
Ai denos, poisnosalcangoualraeoJulgamentodeJehovahlEu, entre- 
tanto, posso aguardar ajuda; como sera o destino dele?! 

5. A seguir, o macaco calou-setristonho, enquanto os patos conti- 
nuavam a bicar o esqueleto. Passou-se, assim, mais meia hora e com 
excegao dealgunsromanosegregosentretidosnumadiscussao, ninguem 
nosobservava. Como eu nadamaisvisse, meu pai opinou quefossemos 
embora, pois nao nos caberia espreitar o quejehovah tencionava fazer 
com aquel as almas 

6. Respondi-lheentao: Sebem quejaestamosportreshorasassistindo 
urn quadra deverastriste desejavapassarmaisalgum tempo; talvezsurgisse 
algo deinteressante! Assim ficamosesperando, - eem poucos mi nutoso 
caso mudou defecao! Repentinamente o macaco selevantou enfurecido, 
pulou sobreaaguaecomegou a fazer caga aos patos! N um momenta havia 
estragalhado cinco; os restantes, debandaram em retirada. 

7. Apanhando o esqueleto com carinho, depositou-o a cinco passos 
do lago, numarelvaedisse: Pai, ouvesminhavozecompreendesoquete 
digo?0 esqueleto inclinou a cabega, confirmando a pergunta do filho. 

8. E o macaco, visivelmente human izado, levantou-secomosobum 
podermaioredissecom vozincisiva: Pai!SeequeDeusexiste, sopode 
Eleser bom ejusto! Assim sendo, jamais amaldicoaria quern querque 
seja; pois se o homem e obra de D eus, so pode ser obra de M estre. 
mestrequeamaldigoassesuaobra, seriapiorqueum remendao, poisate 
mesmo esteprezaseu trabalho. E Deus o M estre Supremo, deveriaamal- 
dicoarSuasObras?! 



Jakob Lorber 

262 

9. A condenagao eo julgamento sao invencoeshumanas, como efei- 
to daceguaraeimperfeicao da naturezado homem. Seuserrossao pro- 
vasdecomo usou sai livrearbitrio eaacaoeum treino paraadetermina- 
gao propria, na esfera do conhecimento eda vontade, dentro da rdem 
do C riador, unico meio para a existencia da criatura. 

10. A maldicao humana e a pior face de sua maldade; consegue 
assim perverter-sea si propria, como tambem ao semelhante, lancando, 
finalmente, povosinteirosnapiormiseriaedesespero.Tu, men pai, foste 
morto pela maldicao decuplicada pelo sumo sacerdote, embora nao me- 
receste isto diante de D eus. Em teu grande desespero te suicidaste e te 
encontrasaqui, como produto miseravel dum desmedido orgulho sacer- 
dotal. Eu, por certo, recebi a Graga Divina pela compreensao eforca, 
afastando de ti a maldicao que te perturbou na figura de aves negras 
Agora teencontras em terrenofirmeeseco, eeu tudofarei para socorrer- 
teemtuamiseria! 

11. D urante esse discurso a figura si miescafoi setransformandoe, 
ao terminar, era urn menino perfeito recebendo do ar, vestimenta cinza- 
clara. Ao seu lado vi algo envolto numatira. menino simpatico desa- 
tou-a e tirou uma camisa cinzenta escura e comprida. Permite que te 
vista, pai!, e assim dizendo, ele cobriu o esqueleto, e a tira, mais clara, 
amarrou ao redordo cranio. Em seguida, o corajoso menino quisajudar 
o velho a se levantar; mas nao o conseguiu. 

12. Apos variastentativas, o menino, ja do tamanho dum adoles- 
cente, exclamou em voz alta que meu proprio pai alegou ouvir, massem 
articular: Jehovah! Se e que existes, manda-nos socorro! M eu pai nao 
pecou. Aquelesqueseadomam com nimbo divino, afim deatrair honra 
eprivilegios, conseguiram queeleseespatifasseeoraseachaaqui como 
alma perdida! Sera por isto tambem, condenado porTi?Da-meao me- 
nos algo para cobrir-lhe o esqueleto, pois a figura horrenda me condoi ! 
Jehovah, ajuda! 

13. A esta exclamacao compareceram doisespiritos poderososeto- 
caram o cranio do esqueleto. N o mesmo instantetudo se cobriu de ten- 
does, peleealgunscabelose- aoquemeparecia- tambem olhos, porem 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

263 

profundos. N enhum dosanjosfalou, desaparecendo em seguida. Experi- 
mentando novamentesoerguero pai, destavezo rapazteveexito. Inda- 
gou-lhesepodiacaminhar; eesteconfirmou com vozrouca. jovem de 
pronto o amparou earn bos desapareceram em diregao do Sul. 



151. ExPLICAgOESDO SENHOR QUANTO ASSlTUAgOES 
PsiQUICASDOSAdDENTADOS 

1. (M athael): "Eisdoisfatosa queassisti pessoalmente, sem contu- 
do saber interpreter os fenomenos variados, como sejam: os morcegos 
quesejuntaram num macaco, a alma do suicidaseapresentando num 
esqueleto, a vitaria do si'mio sobreasaves, a vestimenta surgida do eter e 
oefeitodistosobreasduas almas. Haveriaaindamuitacoisaaperguntar 
etalvez algum outro tenha vontadedeextemar-se?" 

2. DizCirenius: "Amigo, ouvindoteusrelatos, apessoatem impres- 
saodeseravidaqualriocaudaloso,quenofimseprecipitanumabismo, 
ondejulga encontrar repouso numa bacia profunda. Tal, porem, nao e 
poss(velporquantoaviolendadesuaquedaaimpeleasair,fugindosem- 
pre, atequevenhafinalmentesertragada pela imensidadedasaguaspro- 
fundasdo mar. 

3. Senhor, esclarece-nostaismomentoshorrendosdavidahumana! 
C onsiderando, por exemplo, aquele homem que num impeto de deses- 
pero, posfim asuavidacondenadalQuetransformagaotenebrosaaposo 
suicidio! Q ue incerteza nao o atingiu?!" 

4. D igo Eu: " Real mentedeparamos com momentosdesesperadores 
para a vida da criatura. M asquefazer, a fim de impedi r ser ela completa- 
mentedispersa pela influencia do mundo esuastendencias infernais?! 
N ao deve por isto ser agarrada com rigor? 

5. Por certo etal momenta algo chocante para o espectador; a passa- 
gem por uma portinha estreita, nao podeser comparadaao aspecto duma 
noivasadia; entretanto, levaaquelapassagem, aalmaavidaverdadeirae 



Jakob Lorber 

264 

indestrutfvd. Eisporquetal momentocheioderigortem maisconsoloe 
conforto paraquem o entenda, queafaceprimaveril duma noiva. Vamos 
agora elucidar o relato de M athael. 

6. Antes do menino cairdesastradamente, M athael viradoismorce- 
gos, grandes, queo rodeavam. Primeiro, era aquele menino descendente 
destaTerraetaiscriaturasrepresentam um conglomeradofisicoepsiqui- 
co desua criagao organica; prova isto, o alimento extremamentevariado 
dohomemtelurico, enquantoaalimentagaodoirracionalemui restrita. 
Afimdequeohomempossalevaratodasasparticulasinteligenciadasde 
queeformada sua alma, uma alimentacao adequada das materias natu- 
rals, podeelenutrir-sedostresreinos: animal, vegetal eatemesmo mine- 
ral; poiso corpo substancial da alma etanto quanta o fisico, alimentado 
do campo natural. 

7. M uita influencia tern, no entanto, a esfera precedente da qual 
uma criatura deorigem telurica recebeu sua alma dentro duma gradua- 
gao evolutiva. Alem disto, deve-seconsiderar- mormenteem criangas- 
ocultaraalma, vestigiosdaquelaespecieanimal deondepassou aforma- 
gao humana. Q uando desde o bergo recebe boa educagao, a forma ani- 
mal anterior se concretiza na humana; numa educagao descuidada, a 
alma infantil, poucoapouco, representa a forma animal efacil eobser- 
var-se sua original, em pessoasum tantoanimalizadas. 

8. Seafirmei descender aquele menino psiquicaefisicamentedesta 
Terra, deveis compreender o porque de uma educagao negligenciada. 
Sua alma se apresentou em forma de dois morcegos, no momenta em 
que, tornado por umavertigem pelo esforgo deseagarraraarvoreesufo- 
cado pela fumaca, ja seachava inconsciente. 

9. E nquanto a alma, no momenta da morte, nao for completamen- 
teseparada do corpo, eela inconsciente devido a perturbagao provinda 
do medo. Sente o mesmo que a pessoa amarrada num eixo que se acha 
numa rotagao veloz. Por maisqueseesforceem fixar o olhar, nao Ihee 
possi'vel positivar um objeto; podera vislumbrar um circulo vaporoso e 
incolor que, pelo aumento de velocidade e a crescente inconstancia da 
visao, passa a completa escuridao. 



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10. Do mesmo modoqueavisao necessita decalma para cetificar- 
sedum objeto, a al ma precisa de certa seren idade i nterior, afim dealcan- 
gar uma consciencia acertada e lucida. Q uanto mais a psique estiver in- 
quieta, tanto mais rapido perdera sua propria nogao; uma vez levada a 
urn desassossego extremo, nada de si mesma sabe ate que retorne a cal- 
ma. Q uanto mais baixo o nivd evolutivo duma alma, tanto mais inqui- 
eta no momento da morte Tal nunca podera acontecer quando comple- 
tamenteperfeita, conformeM athad podeobservarduranteo passamento 
do vdho Lazaro, cujaalma nao manifestou inquietagao alguma. 

11. garotoem cimadaarvorejaestavamorto urn quarto dehora 
antesdaquedaenadamaissabiadesi; tanto almaquanto corpo estavam 
en voltos em plena escuridao. Uma alma caindo numaextrema inquieta- 
gao, comegaasedesintegrar nascriagoesanteriores, pequenaseimperfd- 
tas, que no caso acima se apresentaram como dois morcegos. Somente 
depoisdo men i no, pdo espatifar do cerebro, ter-seseparado da alma, da 
conseguiu acalmar-semaiseosdoismorcegossejuntaram, surgindodai 
urn si'mio como ultima etapa de sua criagao. N ecessitou de de calma 
aindamaior, paraafinal concretizagaoeoutro tanto, paraoconhedmen- 
to ea nogao desi propria Por isso, acocorou-se por espago prolongado 
no local ondeseu corpo torn bara, eisto, maisinstintivaqueconsciente- 
mente, sobreoocorrido. 

12. A medidaquea consciencia iavoltando pouco apouco, o maca- 
co adquiriu fdgao humana e comegou a se levantar. Sua percepgao ps(- 
quicamaisdilatada,sentiuapresengadaalmaacidentadadopai.Ddxou 
seu pouso, dirigiu-se atraido pda percepgao ao lago, e reconheceu de 
pronto a alma paterna, sobrecarregada eamaldigoada dez vezes 

13. Isto despertou-lheo amor filial, assim como a nogao de D eus e 
de Sua Verdadd ra J ustiga, e uma revolta j usta contra a maldigao a que se 
atrevem ascriaturasem seu desmedido orgulho, contra seu semdhante 
de boa indole. Tudo isto fez com que o macaco ja mais humanizado, 
reconhecesseem si, o poder delutar contra osdemoniosdamaldigao que 
perturbavam a alma de seu pai, em figura de aves negras Estimulado 
pdo amor filial, atira-sedeao lago ondedestroi aqudes seres, pdo que 



Jakob Lorber 

266 

sua expressao humana mais ainda se exterioriza. 

14. Seu amor consegueatedeitarraizesdevidana alma aniquilada 
do pai, fator que i ncentiva o fi Iho com maior poder eforga, arrancando- 
o do local desua destruicao e levando-o para solo firme. Af acha a futura 
vida do pai, urn pouso seguro. Como o sentimento do filho cresce, seu 
conhecimento tambem aumenta, e nesta luz reconhecea insuficiencia 
desuaforca, implorando assim a Deusqueo ajude. socorro nao sefaz 
esperar: aparecem vestimentaeforcasparao prosseguimento numaesfe- 
ra melhoremaisperfeita, ondeaalmado pai ealimentada pelo crescente 
sentimento do filho, alcancando came e sangue espi rituais e fi nal mente 
secapacitaem reconheceraDeus, integrando-seem SuaOrdem,- coisa 
sumamentedificil parasuicidas. 



152. SlTUAgOESDlVERSASDE SuiCIDASNO ALEM 

1. (0 Senhor): "Existem situacoes diversas para suicidas Se, por 
exemplo, alguem sevehumilhadoem seu orgulho, sem quepossavin- 
gar-seenumaextremarevoltapoefimasuavida, - cometeopiorsuici- 
dio premeditado, quejamaispodera inteiramenteser reparado naalma. 
Serao preci sos milhoes de anos para conseguir u'a membrana destinada 
ao seu aparente esqueleto, destituido por completo de amor, e muito 
menos cobri-lo de came psiquica, porquanto esta, e produto do amor 
que tambem despertatal sentimento. 

2. homem quedeparassecom umajovem defisico perfeito, sen- 
tir-se-ia atraido etudo faria para conquista-la. Por que? Por ser sua forma 
voluptuosa produto degrandeamor. amor desperta no proximo aqui- 
lo que perfaz sua natureza. 

3. Ao depararmoscom umajovem excessivamentemagra, garanto- 
vosserdificil atingirocoragaode alguem, poisseraapenasalvodecom- 
paixao. Q ual o motivo?Por possuir muito pouco daquele material, como 
produto do amor! 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

267 

4. U m alma, ja em vida, plena deamor, sera no Alem perfeita e linda 
naformacao deseu corpo paquico. utra, avarenta eegoista, sera magerri ma; 
todaviateravestigiosdecameesangue, porquantoesta alma tern ao menos 
amor para consigo. Urn suicida, porem, einteiramentedestituido deamor 
esua almateraforgosamente, queseapresentar como esqueleto, no Alem. 
Dependeapenassertal esqueleto humanoou animal. 

5. Jaapontei haver variadasmaneirasdesuiddio. Urn suicida con- 
formeexemplifiquei como sendo dospiores, nao seapresenta em esque- 
leto humano, masnum dragao, serpenteou outro animal selvagem. A 
razao disto efacil deduzir-se, etal psiquedificilmente podera se integrar 
numaperfeicao plena. 

6. Existem pessoas que poem fi ma sua vida pormotivosdeciume 
porumajovem, aquem outro agradaramaisTal ciumentoamartirizava 
semprecom recriminacoes, alegando infidelidade por parte dela. Este 
homem chega no Alem em figura de lobo, cao ou galo, porquanto estes 
elementoscontemintelectoevontadedumtolociumento,condicionando, 
como criacoesprecedentes, a indoledaquela alma. Tarn bem este, dificil- 
mente, alcancara certo grau de perfeicao. 

7. H asuicidas, autoresdegrandes crimes, sabendoquelhesaguarda 
pena de morte horrorosa. N ao ignoram quetal crime vira a luz do dia. 
Levados de imenso pavor e instigados pela propria consciencia, caem 
num desespero completo, ondeterminam sua vida com umacordaTais 
almas chegam no Alem, no esqueleto de sua precedente forma animal, 
ou seja, salamandra, lagartaeescorpiao, todosamontoadosecircunda- 
dos por uma vala incandescente, particula inteligenciada daquela alma, 
que em geral, toma forma deserpente em brasa. 

8. Em suma, a alma que, em virtudedesua pessimaeducagao, tiver 
se desfeito detodo amor, ate mesmo para consigo, e compenetrada de 
todo inferno - pior inimigo da vida - portanto sua propria inimiga e 
tudo fara para destrui-la de modo indolor. Neste odio contra a vida, 
todos os el em entos finalmente sedesintegram na alma, quesose podera 
apresentar no Alem, dissolvida em suas particulas isoladas de existencia 
primitiva, emesmo assim, somentenaquelesesqueletos, portadores, ape- 



Jakob Lorber 

268 

nas, dojulgamento imprescindivel. 

9. A parte ossea e, tanto no homem quanta no irracional, a mais 
condenadaedesprovidadeamor; nao havendo possibi I idade de reterem 
em si, osso e pedra o amor a vida, perduram, se bem que apenas num 
conglomerado psi'quico, como partes correspondentes onde jamais re- 
pousara amor. Osossoshumanos, porem, aindasao maiscapazesdeco- 
brirem-secom vidadequeosanimaisemuito menosaslevesparticulas 
esqudeticasdeinsetos, acartilagem eescamasdosanfibios 

10. Se, porisso, urn suicidaseapresentanoAlem na forma descrita, 
podeiscalcularquaodificiledemoradaseraafase,atequeaalmaconsiga 
passar aesqueleto humano edai, obter peleecarne Perguntaisem vosso 
intimo sedatambem vem asentir dores, evosafirmo: em certasepocas 
- as mais cruciantes; em outras, nenhuma. Quando, de certo modo, 
tocada pelos espiritos incumbidos de sua vivificacao, sua dor e ardente 
Deixadaem paz, nao registrasentimento, consciencia ou dor. 

11. H aumagrandequantidadedesuicidas^ujosefeitosnaoseapre- 
sentam demodotao prejudicial paraaalma; beneficio, porem, jamaislhe 
podera advirdetal atitude M athael relatou urn dos mais perdoavds que 
fad litou a revi vif icagao esalvamento da psique N o entanto, perdura nela 
uma falha para sempre: jamais podera alcangar a plena Filiagao D ivina. 
U ma alma suicida, nao podera ultrapassar os limites do primeiro Ceu. 

12. Neste, ou seja, no Ceu da Sabedoria chegam asalmasdetodos 
os outros mundos; da Terra, as almas dos sabios pagaos que viveram 
conscientementedentro dajustica, deacordo com seu conhecimento, 
sem todavia aceitarem ensinamentosdeM inha Pessoa, mesmo no Alem. 
Seno decorrer dos tempos se converterem, poderao ingressar no segun- 
do Ceu, ou seja, no Ceu Central. No terceiro, maisintimo eelevado, o 
Ceu do Amor e da Vida, jamais chegarao. Lasomentesao permitidos 
aquelesquealcangam a plena Filiagao Divina. 

13. Pen so, ter-vosesclarecido os relatosdeM athael; seal gum ouvin- 
te al i mentar duvi das, pode apresentar-se. Temos ai nda duas horas para o 
surgir do dia, que nos trara outros assuntos" Respondem todos: "Se- 
nhor, tudonoseclaro!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

269 



153. A Pedra Filosofal 



1. Prossigo Eu: "Pois ben; como ainda nos restam algumas horas, 
M athael nos podera contar outro falecimento estranho. Antes, porem, 
Raphael levaraapedraluminosaaoseudestino, porjaestaralvorecendo 
e nessa ocasiao, podera trazer osgraos prometidosa C irenius!" 

2. Em poucos instanteso arcanjo esta devolta eentrega setegraos 
luminosos do tamanho de ervilhas Sua luz e fortissima, pois bastaria 
apenas um, para iluminar uma grande sala de modo mais intense que 
dez mil lamparinas C irenius, no entanto, nao tern ideia como guarda- 
loseMepedeconselho; novamente chamo Raphael, incumbindo-ode 
trazer uma caixa apropriada. 

3. De pronto el eentregaum estojodeouro ligeiramenteforradode 
amianto, ondecolocaassetebolinhaseem seguidafechaatampa, ar- 
tisticamentetrabalhada. Ao entrega-lo ao Prefeito, o arcanjo diz: "Guar- 
da-obem!Jamaisdeveraomamentar, u ma destaspedras sublimes, a co- 
roa dum rei, a fim de nao despertar cobiga dum outro, desencadeando 
umaguerraondemilharesdepessoassedestruiriam qual lobos, hienase 
ursos enraivecidos!" C irenius M e agradece como tambem ao anjo que, 
no entanto, declinadetal demonstracao, poisquesomenteEu amerecia. 

4. DigoEu:"Bem que este caso chegou a bom termo, poisasboli- 
nhasestaobemacondicionadas. Nuncafagasdelasusomundanoenao 
tevangloriesperanteteusparentes Quandodesejosodepredizer, basta 
colocareso estojo no plexo solar; estefenomeno so deveser conhecido de 
ti, enquanto queo povo deveouvir as predicoesesegui-las, sem saber de 
suaorigemlEscom istopossuidorda Pedra Filosofal, da qual, porcerto, 
jaouvistefalar." 

5. DizC irenius: "Qual seraseudestinoquandoeu morrer?' 

6. Respondo: "Entrega-aajosoequerecebera intuigao sobreo que 
fazer para a salvacao do mundo! Agora basta! C omega tuahistoria, M athad, 
devalormilhoesdevezesmaiorquemilharesdetaisbolinhas! Fala, pois 
em poucaspalavras, afim deque a aurora dehoje, de grande importan- 



Jakob Lorber 

270 

cia, nao nosvenha interromper!" 



154. A iRRADIAgAO Venenosada Viuva 

1. M athael se curva e comeca a contar: "N um vilarejo entre 
Bethlehem ejerusalem vivia uma viuva estranha. Casara duas vezes; o 
primeiro maridofaleceradepoisdeum ano. Com eletivera uma filha, 
cegaemudadenascenca, porem sadiaealegre, caso raroem taispessoas 

2. Aposum ano deviuvez, um outro a pediu em casamento, poisela 
erabem vistosa.Tambem estaligagaodurou pouco, porquantoelemor- 
reu tuberculoso, doisanosealgunsmesesdepois Essefato, naturalmen- 
te, assustou outros pretendentes, desortequenao maisseatreveram ase 
apresentar. Do segundo matrimonio nao tevefilhos; a surda-muda de- 
senvolveu-se de modo surpreendente: com cinco anos tinha estatura e 
forcadeumameninademaisdedoze, alem disto, possuiaum belo rosto 
e muitoshomensapreciavam seu aspecto agradavel. 

3. Suamaeviveuaindavinteanoseafilhaencantavaosexooposto. 
Era bastanteinteligenteecultaesabiasefazer compreender, por meio de 
sinais, de modo tao gracioso, que todo homem se considerava feliz em 
receber suas atencoes. M uitos Ihefaziam ate propostas; mas como sur- 
dos-mudoseram excluidosdo casamento - razao que nao posso atinar - 
nadase podia real izar. 

4. A viuva era pessoa de recursos, possuia gran des terras, considera- 
vel numero de empregados e era muito caridosa. Com prazer teria se 
casado mais uma vez; mas como ninguem se atrevesse e ela tambem, 
receosa de setornar causadora de mais uma morte, ficou viuva, levando 
vidaretrafda. 

5. U m dia, apareceu um medico grego com intencao decura-la; ela 
o repudiou edisse(meu pai repetiu-mesuaspalavras): Meusgenitores 
eram bonsedevotoseeu, modelodeboaeducagao, naoconheci homem 
antes do casamento. E, pois, misterio para mim como podemeu fisico 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

271 

atraente, ocultar influenciatao malefica. Sou, Gragasajehovah, perfeita- 
mente sadia e nao quero medico. Aceito meu estado como Vontade de 
Deus! Tu, pretenso medico, podes te afastar; do contrario, te soprarei 
meu halito - e estaras perdido mesmo sendo medico, pois nem conse- 
guescurarati mesmolTensumbociohorrivdealemdisso, claudicasdo 
peesquerdo. medico que desejassecurar, deveriagozarsaude plena, a 
fim dedespertar confianga nosdoentes. Assim, apenasteposso ridicula- 
rizarecasotetomesimportuno, - fazer-teenxotar!" 

6. Resmungando, o medico deixou acasa; aposum ano, poren, vol- 
tou, informou-searespatodasaudedaviuvaecomegou acorteja-la. Essa, 
impaciente, soprou-lheo halito numadistanciadetrespassosedisse: Afas- 
ta-te, poisabsorvendo meu sopro, nao durarasmaisdeum ano!" 

7. Ele desatou a rir e sorveu com prazer o halito da viuva para de- 
monstrar-lhe nao otemer em absolute pois sabia que era inofensivo. 
melhor da historia equeela mesma nao acreditava naquilo servindo-se, 
apenas, como ameaga, porquanto o povo haviafeito circular tal boato, o 
que impedia a aproximagao de pretendentes 

8. A opiniao do povo, todavia, nao era detodo infundada. Q uando 
calma, sua exalagao era perfeitamente normal; bastava a menor alteragao, 
para o efeito ser mortal. A pessoa atingida, antes dedecorri do urn ano, 
manifestava uma especiedetisica, incuravel para o melhor medico. 
mesmo aconteceu com o grego: comegou aemagrecer, - eem oito meses 
apresentava-setaoressequidoque, ao ladodele, umamumiadetresmil 
anosteria, ainda, aspecto bem nutrido! 

9. Em breve, a viuva distofoi informadaevariaspessoaslhecochi- 
chavam ter ela de enfrentar a justiga. Extremamente compungida, ela 
adoeceu echamou o meu pai, quenaturalmentemelevou em suacom- 
panhia, emvirtudedeminhaclarividencia. Usandodeprecaugao, chega- 
mosacasaeencontramosaviuvaextenuadanoseu leito. Suafilhasurda- 
muda, de beleza divinal, e mais algumas empregadas a circundavam. 
(Convem notarqueseu halito venenoso so prejudicavaaoshomens). 

10. Ao entrar, meu pai, retendo urn pouco a respiragao, falou: Sou o 
medico dejerusalem. Qual eteu desejo? Respondeu ela: Qual poderia 



Jakob Lorber 

272 

ser o desejo dum doente?! Ajuda-me, setefor possivel! 

11. Respondeu de: Permite, queteobserveporalgum tempo, para 
ver se ainda existem meios de cura! Em seguida, virando-se para mim, 
falou em romano: Presta atencao senao descobresalgo de especial, pois 
essa molestia deveter causa bem fundada! 

12. Esforce-me nessesentidosem que no comecovissealgo de ex- 
traordinary. Aposumahoramaisou menos, observei umafumagaazulada 
estender-sesobreo leito, eperguntei a meu pai sea viatambem. Como 
negasse, conclui estar-sedando urn fenomeno. bservando, atentamen- 
te, descobri naquelevaporazulado umaquantidadedeserpentesevibo- 
ras de urn dedo de comprimento, como se la estivessem nadando. Ser- 
penteavam horrivelmenteeformavam aneissobreaneis, sibilando com 
suaslinguasvenenosas. Avisando ameu pai, aconselhei-o a nao seaproxi- 
mar demais. E leconcordou, e perguntou ao mesmo tempo se nao havia 
meiodesocorrer aviuva. 



155. Veneno de Cobra Como Remedio 

1. (M athad): "Procurando dentro demim resposta, ouvi sussurrar 
em meu ouvido:Tomadeumacascavel eumavibora, corta-lhesascabe- 
cas, deixa-ascozinhar bem edadebebero caldo aviuva, explicando-lhe 
nao precisar teme-lo, poistrar-lhe-a a saude! Alguem vindo a definhar-se 
pdo halito venenoso, tometal cozimento, usado pdo proprio Esculapio 
para curar os tuberculosos! Os mencionados ofidios se encontram 
comumente, na encosta do Sul do M onte H oreb. 

2. Transmiti tal conselho a meu pai que, satisfeitissimo, afirmou a 
doente poder cura-la. Alem disso, naodeviatemerajusticaem virtude 
da mortedo medico grego, porquanto nao Ihecabia a menor culpa. M eu 
pai conheciaasleisdo Estado esabianao existircondenagao para tal caso. 

3. A afirmagao desua inocenciatanto acalmou aviuva, quefezdesa- 
parecer o vapor azulado, o queeu logo contei a meu pai. Eleentao man- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

273 

dou alguem ao M onteH oreb, ondeseencontravam variosdosmaisdes- 
temidosdomadoresdeserpentes. Em poucosdiaspegaram-sealgunses- 
pecimes, tiraram-se-lhesascabecas, cobrindo em seguidaosofidioscom 
barro para evitar que apodrecessem. Esse barro era todo especial, pois 
conservava os corpos por cem anos 

4. Transportaram em camdososofidios, eaposlimpos, foram cozi- 
dos durante treshoras, sem queaenfermadistotivesseconhecimento. 
N issotudosepassaram quatrodiasemeu pai, porvariasvezes, consolava 
aviuva, garantindo-lhecuracompleta. Detal maneiraanimou-aque, no 
quarto dia, elafez mencao deselevantar. M eu pai a impediu, receoso de 
que visse a preparacao do remedio, o que dificultaria seu tratamento. 
Assi m, de nada sabendo, el a tomou o caldo todo econfessou ser tal me- 
dicamento de bom paladar. 

5. Aposalgumashoras, elatevederepetiradoseeassim conseguiu 
deixar o lei to no quinto dia, completamentesa. M eu pai foi regiamente 
pago, eeu tambem recebi urn bom presente. A nossa partidaela pergun- 
tou confidencialmente se meu pai conhecera aquele medico grego e se 
achava possivd eleater curado. Respondeu meu pai: "Conheci muito 
bem aquele charlatao; nunca ajudou alguem - a nao ser para a cova!" 

6. Satisfeita com a resposta, a jovem viuva nosdespediu com ama- 
bilidade. Cuidadosamente, meu pai apanhou os restantes of id ios cober- 
tos de lama, amarrou-os com os outros objetos nas costas do camelo e 
assim parti mos 

7. Com aqueleremedio, porcerto incomum, meu pai curou grande 
numero deenfermos, ganhou muito dinheiro efez renome. C laro e, nao 
ter elecom isto feito amizadecom oTempIo, tampouco com osessenios 
Osromanos, porem, muito oconsideravam, davam-lhetodaaprotegao, 
elevaram sua arte eciencia as estrelas e deram-l he o titulo de "Aeiulapi us 
Junior". Quando o estoque de serpentes acabava, de mandava buscar 
outra remessado H oreb, curando osfracosdo pulmao. 



Jakob Lorber 

274 

156. co rren cias Espirituais Durante a Morte da 
Viuva e Sua Filha 

1. (M athad): "Apos a cura da viuva passaram-se alguns anos sem 
termos tido noticias de sua pessoa, quando, de repente, num sabado, 
apareceu em nossacasaum mensageiro pedindo quefossemosve-la, com 
urgencia.Tanto el a quanta a filha estavam tao gravementeenfermas, que 
ninguem da vizinhanca acred itavapoderem salvar-se. 

2.Compreende-senossaimediatapartida. Meupai naoseesqueceu 
de levar uma boa porgao do mencionado remedio, poisjulgava tratar-se 
duma recaidada molestia que, como sesabe, sempreemais renitente. 

3. Montadosnosjacitadoscamdos, lachegamosaposvariashoras. 
D e longe, percebi a casa envolta numa densa nuvem azulada ea medida 
que nos aproximavamos, fui percebendo os ofidios ja referidos. N uma 
distanciadesessentapassosvirei-meparameu pai, dizendo: N aoconvem 
prosseguirmos, caso queiramos salvar a nossa vida! A nuvem perigosa 
envolveacasatoda! 

4. Surpreso, meu pai mandou alguem seinformarsobreoestadodas 
enfermas e o mensageiro encontrou-as ja inconscientes, numa agonia 
tremenda. Por isso, meu pai fez mencao devoltar o quanta antes, no que 
foi obstado pelo mensageiro, queaventou a hipotesedelasvoltarem a si. 
Meu pai explicou-lheque, deacordo com seu conhecimento em tais 
casos, todatentativadesalvagao seria inutil. D isse-lhemais, queconviria 
aos servos da viuva fazerem urn caldo de serpentes, do contrario, todos 
morreriam tisicose, em urn ano emeio, estariam qual mumias! 

5. Grata por esse conselho, o mensageiro quispagar a meu pai. Ele 
nada aceitou e muito Ihecustou fazer oscamelosvoltarem, coisa dificil 
nesses animais, quando cansados e esfaimados. Essa tarefa que sempre 
nos aborrecia, dessa vez foi-nos de grande utilidade, pois a partida nos 
teria privado dum ensinamento peculiar! 

6. vapor azulado aumentou de u'a metade e cobriu a casa qual 
bola gigantesca, cheia nao so de viboras e serpentes, mas tambem de 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

275 

grande quantidade de toda sorte de ani mais selvagens e caseiros. M ovi- 
am-seno balao como asavesa quererem esvoacar; o proprio balao estava 
preso a dois cordoes, sendo a parte menor mais clara do que a maior. 

7. Estranhei quea forte brisan&alterasse sua posicao. Enquanto 
transmitia em romano o fenomeno a meu pai, vi amontoarem-se os 
exemplaresdeanimaismaiores: camundongos, ratos, coelhos, galinhas, 
pombas, patos, gansos, cordeiros, cabritos, lebres, corgas, veados, gazelas 
e outros. 

8. M eu pai observou: "M enino, acaso estasfalando averdade?Esta 
aparicao comeca a setomar esquisita! Convenci-o de estar eu falando 
somenteo quevia, nada mais, nada menos. Eleentao passou a meouvir 
com atencao. Absorto pelo fenomeno, repentinamente, vi romperem-se 
os dois cordoes eao invesdeum balao, flutuavam dois, separados, sobre 
a casa. vento cada vez mais forte, em nada os alterava. 

9. Aposo rompimento, nao maispercebi ofidiosnosbaloes; o me- 
nor emaisclaro continhauma miscel an eadeanimaispacifi cos, enquan- 
to o maior abrigava lobos, ursos, raposas, alem de outros animais casei- 
ros. Singular era o fato queeu vissetudo como a luz do Sol, nao obstante 
a noite estar seaproximando. 



157. Evolucao das Formas PsIquicas das 
duasm ulheres 

1. (M athael): "D urante urn quarto de hora a situacao foi a mesma. 
Derepente, houveumaalteragao motivada por urn bandodepegasque 
comegou a perturbar osdoisbaloes consideravel numero deanimais 
nosbaloesseagrupou eem pouco, apenashaviadoisgrandescondores, 
cinza-claro, que atacavam as pegas. Q uando uma era atingida pelo seu 
forte bico, desaparecia instantaneamente; eassim, deram cabo detodas! 

2. Informei dissoameu pai queobtemperou: "Acaso seriam aqueles 
condores, asalmasdasfalecidas?Relata-metudo, poisnuncamecontaste 



Jakob Lorber 

276 

fato maisextraordinario!" 

3. Vi, entao, osbaloessereduzirem eosdoiscondoressetransfor- 
marem em reaisvacas, massem chifreseum homem subiredescerpelo 
andaime da casa, carregando um pouco defeno em cada mao. s dois 
animaisseinclinaram para la, estroando aslinguasecomeram pacifica- 
mente os molhos de feno. 

4. Em seguida, o homem desapareceu e nao demorou, outro apare- 
ceu, nadaparecidocom oprimeiro, com dois baldesd'agua que pronta- 
menteforam esvaziadospelasvacas.Tambem esse desapareceu, eosani- 
maiscomecaram arodopiar. Osbaloessetornaram invisiveiseogirotao 
rapido, que nao maisfoi possivel perceber asvacas, queficaram sempre 
maisclaras, alcancando finalmentea irradiacao do luar. 

5. Subito, cessou o rodopio eno lugar dosanimaisvi duascriaturas 
de magreza extrema, inteiramentedesnudas Decostasparanos, indica- 
vam ser femininas Passaram-se mais quinze minutos e vi surgir outra 
pessoa na cumieira entregando, a cada uma, um embrulho. Rapido, as 
duasentidadesabriram-noetiraram duasvestesdecorcinza-clara, com 
que se cobriram num momenta Reconheci entao a viuva e sua filha, 
muito embora bastante magras. 

6. N isso, apareceram os dois homens com mantosverdeclaro, fize- 
ram-lhesacenoseelasosacompanharam sem hesitagao. lam em diregao 
do Sul eem breve nao maisosvislumbrei. Ouvi entao asseguintespala- 
vras "Toda a gratidao, louvor e honra ao Senhor pela salvacao dessas 
duas infelizes!" N ao sei quern as proferiu; todavia, deveriam ocultar um 
especial sentido, poisambaseram boasevirtuosas, caridosasedevotase 
dificil ecompreender-seo motivo dacompaixao. 

7. Senhor, nao quero externar uma pergunta peculiar, porquanto 
todo acontecimento euma interrogagao paramim. Q ueira, pois, sercom- 
placenteeesclarece-nostal enigma!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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158. Veneno em M inerais, Plantas, Animais 

E HOMENS 

1. Digo Eu: "E estefato incompreensi'vel paratodos?' Como res- 
pondessem afirmativamente, prossigo: "Entao nao lestes a respeito dos 
filhos da serpente? Como e possfvel serdes tao ignorantes? Vede, nesta 
Terra existem minerals, plantas e animais venenosos s minerais sao 
inteiramentevenenosos, asplantasna maior parte eos animais, no que 
diz respeito a sua natureza, em menor proporcao. J a ouvistes serem as 
almas das criaturasterraqueas, urn conglomerado deelementos psiqui- 
cos, provindo dostresreinos. Expliquei-vosesteassunto demodo geral, 
sen demonstrar excecoes especiais; agora deparamos com urn caso ex- 
cepcional, queexemplificarei. 

2. ConheceisaOrdem Divina, justaeverdadeira, esuasanormali- 
dades por serdes capazes de pensa-las e senti-las mesmo se da com a 
Divindade Ela conhece Sua Ordem Eterna de modo mais perfeito e 
complete ealem disto, sabe tambem das mais variadasaberracoes, por- 
tanto e de modo identico, capaz de pensa-las e senti-las 

3. Deus ate mesmo tern de implantar a vontade para a contra-or- 
dem nascriaturasdestinadasaliberdadeeemancipagao- mormentenos 
anjos- afim de que se concretize a verdadeira del iberagao individual. 
D ai concluir-se: D eusconhecer, tanto a rdem quanta a contra-ordem. 

4.0 s pensamentos e senti mentos da contra-ordem em D eus, como 
tambem nohomem, saooscorrespondentesvenenosem minerais, plan- 
tas e animais. Em se tratando tambem de pensamentos e senti mentos 
divinos, nao podem eles desvanecer-se, mas permanecem na formagao 
da inteligencia original daslmguasdefogo, atraindo-senaesfera negati- 
ve como elementosafins, ondeformam urn agrupamento individual. 

5. D essa fonte primitiva surgiu todaaCriagao material econdenada. 
Tendo ela, porem, a missao de servir nao so aos seres espirituais como 
veneno vital paraaexperimentagao, mastambem, como urn balsamo salu- 
tarnaaplicagaojusta,estabeleceseumequilibrionosentidodumasepara- 



Jakob Lorber 

278 

cao entre os pensamentos basicos da contra-ordem e os de maior harmo- 
nia, que perfazem uma fileira venenosa nostres reinosda N atureza. 

6. Da primeira categoria fazem parte os venenos na materia mais 
grosseirados minerals. Em seguida, surgem osmaissuaves, no reino ve- 
getal, apropriado para tal fim se bem que muito reduzidos Tomam-se, 
todavia, peri gosos a vi da positi va, em certos an imaisdemfi ma categoria, 
podendo ate, em certas circunstancias, danificar a vida intrmseca, intei- 
ramente positi va e verdadei ra. 

7. Tais potencias especificas de elementos venenosos, em conjunto 
com suacapacidadeintdectiva, congregam-se, formandofinalmente, uma 
figura- semprefeminina- munidadum especial acrescimo venenoso. 
Tais almas encarnam, oportunamente, pdo caminho conhecido. 



159. A N atu reza Venenosa das DuasM ulheres 

1. (0 Senhor): "U ma vez encamada, esta alma deposita seu veneno 
em carne e sangue do proprio corpo, cuja saude em nada e alterada, 
porquanto dejafoi assim constituido, desdeinicio. 

2. N ao convem, entretanto, umacriaturasurgidadaordem positiva 
aproximar-se em demasia de tal pessoa. Se bem que nao prejudique a 
alma, causa dano ao corpo, nao preparado para assimilar tal veneno. Eis 
ocasodaviuva. 

3. Sua alma, equilibrada numa ordem boa ejusta, depositou seu 
elemento primitivo, ou seja o veneno, no baco efigado ondese manti- 
nha calmo e inofensivo, desde que nao fosse excessivamente irritada. 
D ando-seo desequilibrio, era chegado o momento do homem seafastar 
desuaesfera. 

4.0 veneno queexisteem tal corpo, edequalidadeetereaepene- 
tra a esfera exterior do individuo. Q uem o absorvesse pda respiracao 
ou pda permanencia no ambientesaturado por tal toxico, ondefacil- 
mentepodeseestabelecerumafusao,- estariaperdido, mormentedes- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

279 

conhecendo o antitoxico. 

5. mencionado caldo seria o antidote, caso os nervos nao estives- 
sem por demaisexcitados; alem disto, taisanimaisdeveriam ser sufoca- 
dos em azeite de oliva e, com esse oleo ofidico, conviria friccionar-se o 
corpo, etambem tomar o dito caldo. Somentedessemodo, seria possivd 
cura completa, isto porque o veneno e imediatamente atraido dos ner- 
vos, unindo-seaostoxicosbasicosdentro do estemago, nao maispoden- 
do agir sobreo sistema nervoso. 

6. Quando foste pela primeira vez a casa da viuva com teu pai, 
M athael, ela se achava intoxicada pelo proprio veneno que o medico 
gregohaviaexcitadodemasiadamente. Elapoderiatermorridoem con- 
sequencia, porquanto edificil ataispessoassucumbirem deoutra moles- 
tia. vapor azulado ondevistenadarem variosofidios, eraemanacao do 
eter venenoso, e bem demonstrava seu produto nocivo. 

7. Q uando teu pai abrandou o nervosismo da viuva com palavras 
cordatas e confortadoras, as toxinas se retrairam para bago e figado; o 
excesso acumulou-sena vesicula; foi em quatro diascompletamenteab- 
sorvido pelo caldo e expelido por via natural, dando saude completa a 
mulher. A vozqueteindicou esteremedio, proveio dum espirito prote- 
tor da viuva. 

8. Q uando tu e teu pai fostes chamados pda segunda vez, a viuva 
haviatido umagrandecontrariedade, em virtudedesuafilhasurda-muda, 
ter-seapaixonadoporum rapazumtantovoluvd. Por esse motivo,o vene- 
no de ambas fora por demais irritado; seu sistema nervoso era como que 
mordidopormilcobraseimpossivd,portanto,acura- anaoserporM im. 
Asduasassim sedesintegraram, devidoaforteirritagao, em seusdementos 
baacos, ultrapassandoateoslimitesdacasaondeestavam moribundas 

9. U ma vez efetuado o complete desprendi mento, osdementospri- 
mitivos se identificaram no novdo de vapor vital. Apos consequente 
calmaria, osdoisbaloessesepararam contendo o maior, osdementosda 
viuva eomenor,osdafilha. Pdatranquilidadeforam secongregandoaos 
poucos, apresentando-secomo animaisdecategoria maisdevada. 

10. Ao se estabdecer maior calma no novdo psiquico, as criagoes 



Jakob Lorber 

280 

precedentesaalmajuntaram-semaisintimamente,transformando-seem 
duasavesderapina, femeas D ai a pouco, visteum bando depegasinqui- 
etar os baloes; tratava-se de elementos externos incumbidos de se uni- 
rem, tambem, asduas almas. Poresteprocesso, apareceram duasvacas, ja 
maisproximasa individualidadehumana; todaviacareciam de elemen- 
tos basi cos den utrigao. 

11. Asduas almas masculinas- antigosmaridosdaviuva-, reco- 
nheceram taisdeficiencias, cuidando porequilibra-las. Surgiu, assim, nova 
vida naqueles animais. Tudo foi revolvido, dando-se uma nova ordem 
organicaqueproduziu duascriaturasperfeitas. Eram elasde pronto en- 
volvidascom amor pelas almas masculinas, produzindo este amor a ma- 
teria primitiva ejusta para uma vestimenta adequada. Transformaram-se 
deste modo, as almas anteriormentetao dilaceradas, em formas huma- 
nas, perfeitas, providasdo conned mento necessario, - o queeindicado 
pelapartida. 

12. A vozqueexternou gratidao, provinhado mesmo espirito pro- 
tetor que, doisanosantes, tetransmitiu o meio certo decura. Previu ele 
agrandedificuldadeemtransformarumacontra-ordem em equilibrio 
verdadeiro eceleste; poistambem ai pode-se converter em veneno, gran- 
dequantidadedebalsamocom toxicosreduzidos, enquantoeinteira- 
mente impossivel transformar-se muito veneno em balsamo salutar. 
Somente para D eus tudo e facultado - eis porque o espirito protetor 
rendeu G racasa E lelTereiscompreendido isto? Podera se extern ar quern 
naootiverassimilado." 



160. Reflexoesde CireniusQuanto a Ordem 
Evolutiva da Alma 

1. DizCirenius "Senhor, U nico Sabio ejusto, tudo nesta historia 
meeclaro; poisvejoTuaEmanagaoArtisticaeverdaderamentedivina, 
num prossegui mento natural, reconhecendoTuaO rdem Eternapdaqual 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

281 

todasascoisasTesao possiveis. 

2. Apenas nao compreendo a razao porque nossa alma, antes de 
passar a forma humana e plena de i ntel igencia, necessita de permanencia 
isoladaemmilhoesdeplantas, minerals, animaisetemdesesubmeter a 
raiosechuvas, afim deser extraida da pedra! Em seguida, sua passagem 
evolutivaaconduzdemodoinsipidopdavegetagao, pelomundozoolo- 
gico e, finalmente, tern a honra de ser abatida no minimo entre vinte 
bois, algunscameirosecabritos! N 6s, romanos, classificamosisto de"dou- 
trinadura"! 

3. D eus nao poderia criar de inicio uma alma perfeita, para depois 
cobri-la de came e sangue? Para que esta evolucao cansativa?! Vejamos 
Raphael! Q ue Ihefalta para uma vida perfeita?! E quesomos nos, almas 
em estadoevolutivo?!Possui elemaispoderesabedorianodedominimo, 
quelegi6esdehomensemconjunto!Porquenaoedadaaalma humana, 
perfeicao identica? Esclarece-me este ponto, Senhor, que nao maisTe 
importunarei nofuturo! 

4. D isse M oyses: D eus, o Senhor, fez o homem de barro e soprou- 
Iheohalitovivoem suasnarinas. E assimtomou-seo homem uma alma 
viva. A julgar por estaspalavras, ter-lhe-iasdado umaalma perfeita, iden- 
tica aTua I magem. C ontudo, nao chego a uma compreensao definida!" 

5. Digo Eu: "Caroamigo Cirenius, setuamemoriavezporoutra 
comega afalhar, nao M ecabea culpa, poistudo isto vosfoi esclarecido 
detalhadamente. Reavivarei tuamemoria, esaberastudo!" 

6. Diz Cirenius "Senhor, como sempretens razao! Precisamente 
nestemonteenesta noite, foi-nosexplicado eexemplificado pela irradi- 
acao da bola luminosa, toda a C riacao eate mesmo a Emanagao deTeus 
Pensamentos, Ideiasesuavariedadeinfinitaem forma delinguadefogo! 



161. Cirenius Critica a Genesis 

1. (Cirenius): "Com M oyses, todavia, nao meposso polarizar. Deve 



Jakob Lorber 

282 

ocultar coisas grandiosas em seus Livros; mas quern o entenderia, com 
excegao deTi? Especialmenteconfuso seapresenta o relato da Criagao, 
porquanto diz: Fagamoso homem a nossa imagem, deacordo com nossa 
semelhanga, para quedominesobreospeixesdo mar, os passaros sob os 
Ceus> sobre os an imaisetoda Terra eosrepteislE criou Deuso homem 
a Sua I magem; a I magem de D eus; homem e mulher. E D eus os aben- 
goou edisse: Frutificai; multiplicai-voseenchd aTerraesujetai-a; dominai 
os peixesdo mar, os passaros sob osCeuseosrepteisquerastej am sobre 
a Terra! E Deusdisse: Eisquevostenho dado grandevariedadedese- 
mentes sobre a Terra toda, inumeras arvores frutiferas que dao frutos 
para vosso alimento, bem como para todos os animais sobre a Terra, 
todos os passaros sob os C eus eaosrepteis E assimfoi. E viu Deustudo 
quanta haviafeito, eeisquetudo era bom. E datardeedamanhafez-se 
o sexto dia. 

2. Com estetextodeveriasedarporterminadoo relato da Criagao; 
tal, porem, nao seda! Poismaistarde, aposter D eusvisto tudo econsidera- 
do estar bem, M oysesfala que D eusformou o primeiro homem de barro, 
soprando-lhe uma alma com que se dera a formagao o mesmo; apenas 
pareceter D eus esquecido a necessidade da mulher para o homem. 

3. No texto anterior le-se: E Deus criou homem e mulher; agora 
constater Adam ficado so por muito tempo e durante urn sono prolon- 
gado, formou-sea primeira mulher desua costela. Quern souber unir 
ambosostextosdemodo razoavel, emaisinteligentequeeu! 

4. Deacordo com o primeiro texto, Deus indica que Adam eEva 
deveriam dominaraTerratodaesuascriagoes Alem disto, abengoou-os; 
portanto, deviaterabengoado a Terra e seus animais, pois achava tudo 
bom que haviafeito. 

5. Noseguinte texto, tudo mudadeaspecto. A Terra possui apenas 
urn jardim habitavel, sebem quedegrandeextensao, porquanto nascem 
nele quatro dos maiores rios da Asia. La foi feito o primeiro homem; 
D eus menciona as arvores e arbustos, peixes, passaros e repteis. 

6. Insetos, moscas, abelhas, vespas, borbol etas etc., assim como os 
demaishabitantesdo mar, - foram inteiramenteesquecidos! Deixemos, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

283 

porem, este lapso; porquanto se pode incluir na expressao "passaros", 
tudo que vive no ar, e na de "peixes", todos os habitants da agua. Se e 
que M oyses assim o interpretou, ninguem poderaafirmar. 

7. Seja la como for, nesteponto podera haver um entendi mento, da 
maneira pela qual Deus, no sexto dia da Criagao, fez surgir um casal. 
M aistarde, porem, formao primeiro homem debarroesuacompanhei- 
ra duma costela; nao sefaz mencao duma bencao especial ao segundo 
casal, - pelo contrario, e-lhe proibido alimentar-seduma determinada 
arvore, sob ameaca mortal, pois que uma infracao deste mandamento, 
traria a maldicao daTerra. D este modo, so posso concluir ser Tua D ou- 
trina, Senhor, bem incompreenslvel! 

8. SeTefor posslvel esclarecer-mea respeito, ser-Te-ei mui grato; se 
pororatal naoestiverdentrodeTuaOrdem, poucadiferencafara. Todos 
n6srecebemosdeTi,umaLuzCompletaefacilmentepodemosdeclinar 
da iluminagao ficticia de M oyses!" 



162. A CmAgAo de Adam e Eva 

1. D igo Eu: "Tua observagao a respeito da G enesis nao e de todo 
inadmissivel dentro do raciocinio mundano; pelo criterio do espirito, e 
algo bem diferente Alem do mais, osdoistextosnao sao discordantes, 
poiso segundo comenta, em bora espi ritual mente, a maneira pelaqual se 
efetuou o apareci mento da criatura. 

2. Demonstrei-vosnessa mesma noiteexemplificagao natural den- 
tro devossaatual necessidade, eM athael, familiarizado com acienciada 
interpretacao, explicou-vos, como devem ser interpretadasas Escrituras 
M ais uma vez, amigo C irenius, vejo-M e obrigado a observar quanta a 
tua fraca memorial H a pouco a reavivei, facilitando-te compreensao; 
quanta a tua duvida a respeito da Genesis, acrescentarei o necessario, 
para teres uma ideia do fato real. 

3. Todo relato deM oyses serefereprimeiramente, aeducagao efor- 



Jakob Lorber 

284 

magao espiritual dasprimeirascriaturase, somentepela interpretagao se 
relacionaaemancipagao do primeiro casal. 

4. Demaisamais, foi Adam modeladoecriadofisicamente, atraves 
das partes etereas do mais puro barro, pela M inha Vontade, dentro da 
ordem estabelecida. Q uando tinha alcangado, pela experiencia, a forga 
pela qual seformou uma irradiagao sumamente intensiva, caindo num 
sono profundo devido ao cansago pelo trabalho eviagens, - era chegado 
o momenta decolocar-se na esfera exterior deAdam, uma alma criada 
pelos reinos por vos conhecidos. 

5. Estaalma, prontamentecomegou aformar urn corpo, dentro de 
MinhaVontadeeOrdem, das partes mui delicadasda irradiagao psiqui- 
ca deAdam, ou sej a, da projegao vital sumamentefertil, aindahojeusada 
pelas almas desencamadas, quando pretendem seapresentar no mundo 
material, - concretizando tal corpo dentro detresdias 

6. Ao despertar, viu Adam, surpreso ealegre, sua imagem a seu lado, 
que Ihe dedicava grande atengao porquanto se originava de sua propria 
natureza. Sentiu, entao, umasensagaoestranha, porem, agradavel ao lado 
do coragao, se bem que, em outras ocasioes experimentava urn vacuo 
dentro de si. Foi isto o inicio do amor sexual, que Ihe impossibilitou 
separar-sedaquelafiguratao graciosa. Urn seguiao outro eele sentiu o 
valor da mulher edeseu afeto, tanto queexclamou num momenta de 
extase: "N 6s, eu homem e tu mulher, surgida de minhas costelas (da 
zona do coragao), dentro do Piano Divino, - somos uma carne e urn 
corpo. Es a parte mais delicada de minha vida e assim se-lo-as futura- 
mente, poiso homem deixarapai emae, seguindo suacompanheira! 

7. Se consta ter Deus coberto com carne a parte onde Ihe tirara a 
costda, nenhumdevosserataotoloemacreditanpoisDeusnaonecessita- 
va usar desse meio a fim deformar uma mulher perfeita. As costelas sao 
apenas urn escudo externo, porem f i rme, dos orgaos i nternos e del icados 

8. Se D avid disse: "D eus, nosso burgo solido eescudo firme!" - seria 
Deus, portal razao, umafortalezamaciga, construfda detijolos, ou escu- 
do grandee inquebravel?! 

9. mesmo acontece com a costela que deu origem a Eva. E ela 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

285 

apenasum si'mbolo protetordavida internaeamorosadeAdam efoi por 
M oysesadotado, primeiro, porqueprotegeavida; segundo, porquedeve 
uma criatura boa, amorosa e fid, ser considerada protegao e escudo na 
vida do homem, portanto, tambem Ihe e costela. Terceiro, e a aura da 
esfera exterior, uma protegao poderosa na vida intima da alma, sen a 
qual o homem naopoderiaviverdezminutos 

10. Eva, portanto, surgiu da superabundancia do fluido externo e 
delicado deAdam. Tal fluido evapora na regiao dascostelasedo plexo 
solar e, por conseguinte, en volvetoda a criatura a longadistanciaMoyses, 
entendidonalinguagemsimbolica, podia, por isso,fazersurgirEvaduma 
costela deAdam, e tambem afirmarter Deuscoberto aferida deAdam 
com acarnedesuacompanheira. Foi precisamentedaaencamagao nas- 
cida do fluido vital deAdam, com a qual Deus repos a perda daquela 
irradiagao, cobrindo a parte sensivel com a cameagradavd dela, que, em 
sinteseera materia deAdam. 



163. OsQuatro Sentidosda Genesis 

1. (0 Senhor): "Deste modo compreende-se a Genesis, dentro do 
raciocinio natural ! C laro eexistir ainda compreensao mais profunda e pu- 
ramenteespi ritual, pdaqual aH istoriadaGenesisserdere principalmen- 
te aC riagao do G enero H umano, ao conhecimento desi proprio, deD eus 
edo amor para com Ele Nessa esfera, Deuscaminha em Espirito com 
Adam, educa-o, da-lhe mandamentos, castiga-o quando erra eo abengoa 
novamente, a medida quedeeas primerascriaturasassim agem. 

2. Isto, porem, D eus nao faria material, senao espi ritualmente, fato 
queaindaseveem pessoaspurasemui gmples. Porisso, pode-seinter- 
pretar os L ivros de M oyses de quatro formas diversas. 

3. Primeiro, apenas naturalmente, onde entao se observa urn 
surgimento necessario em determinadasepocas, dentro da rdem eterna- 
menteimutavd deD eus Deste modo, todosossabios natural istaspoderao 



Jakob Lorber 

286 

encher seu cerebro, chegandoapenasa concludes superfluas Sebem que 
alcancem conned mentosmaiores, jamais chegarao a uma base sol ida. 

4. Segundo, num conjunto natural eespiritual. E aesferaverdadei- 
ra, amdhorparacriaturasquealmejam alcancarasGracasDivinas, por- 
quanto ambas as interpretacoes sao evidentes e compreensiveis, cami- 
nhando demaosdadas. (Nota: "A Domestica Divina" foi transmitida 
nestesentido). 

5.Terceiro, apenasespiritualmente, ondenao saotomadasem con- 
sideragao, as situacoes e alteracpes temporarias dos fenomenos da N atu- 
reza. Nesse caso, trata-se apenas da educacao espiritual das criaturas, 
magistralmenteapresentadaspor M oyses, em quadras naturais Esta in- 
terpretagao deve ser entendida por todos os sabios de D eus, incumbidos 
daformagao interna do homem. 

6. E, finalmente, puramente celestial, ondeo Senhor eTudo em 
tudo, como Causa detodo Ser. Estesentido so vossera dado assimilar, 
pelo completo renascimento devosso espirito Comigo, assim como Eu 
M etornei U no com o Pai no Ceu; apenas, com adiferencaquetodosvos 
sereisunidosaMim numapersonalidadeisolada, enquanto Eu ePai - 
MeuAmor- somosUnosetemamentenumaSoPersonalidade Espero, 
amigoCirenius,teresagoraumaopiniaomaiscompreensivel deM oyses; 
ou seria possivel julgares nao ter elesabido o queescrevia?!" 

7. RespondeCirenius, todo contrito: "Senhor, deixa quemecale, 
envergonhado; confesso minha grande estulticia! De agora em diante, 
nao maisfalarei!" Aproxima-se Cornelius: "Senhor, permitefazer uma 
observacao, antes que surja o Sol." 

8. Digo Eu: "Externa o que tevai n'alma!" Diz Cornelius: "Senhor, 
nao restaduvidaser possi'vel as criaturas descobri rem, o primeiro, segun- 
do e terceiro sentidos sobre as Escrituras, porquanto deve existir uma 
correspondencia entre o espi ritual e o material. M as quern teria a chave 
propria, com excegao deTi? 

9. Sei que M oyses escreveu cinco Livros, maisou menosno mesmo 
estilo e sentido. Q uem os entenderia? N ao seria possivel dar-nos uma 
orientacao geral paraestefim?Comopossuoumac6piaesouentendido 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

287 

no idiomahebraico, tambem tinhavontadedeentendera leitura." 



164. Chave Parao Entendimento dasEscrituras 

1. D igo Eu: "Amigo Cornelius, nao existem regra eensino no mun- 
do exterior; a unicachavequeteauxilia no entendimento do sentido das 
Escrituraseteu proprio espirito, renascido por M im epor M inha Dou- 
trina. Enquanto nao fores renascido, regra alguma te sera de utilidade; 
uma vezqueo sejas, dispensasregras, porquanto teu espirito despertado 
com facilidadeerapidez, descobriraseu semelhantesem regra geral. 

2. Sepretendescompreendermelhoro sentido natural dasEscritu- 
ras, necessario equete familiarizes com o idiomadosilirios, que possui a 
maior semelhanca original com o antigo idioma egipcio, quase identico 
ao hebraico primitivo. Sem conhecimento idiomatico, jamais poderas 
fazer a leitura perfeita das Escrituras de M oyses, portanto, tambem nao 
entenderas o sentido. J a nao te sendo possi'vel interpretar os quadras de 
sentido material, qual sera o resultado do entendimento espiritual, mui- 
to embora provido de mi I hares de regras e orientacoes?! 

3. A atual lingua dosjudeustomou-sequaseestranha a antiga, usada 
por Abraham, Isaac e Jacob. Permanece, por isso, na Fee no Amor para 
Comigo, quete sera dado, automaticamente, ajustacompreensao, - eisto 
em tempo nao mui distante! Alem do mais, nao teras prejuizo, se vez por 
outra fizeres a leitura dos L ivros Sagrados; isto conservara tua alma numa 
atividadepesquisadoraepensadora. Estassatisfeito com tal orientagao?' 

4. RespondeCornelius: "Perfeitamente, umaesperangajustaesoli- 
davalemaisqueaposseplenadamesma.Assim,alegro-medaquiloque 
possuo; aceita, pois, minhagratidao." 

5. Novamente dirige-se Stahar a M im: "Senhor e M estre, o que 
acabamos de ouvir e-nos compreensivel; assimila-lo-a, alguem por nos 
instruido? Q uanto nao foi preciso ouvir e ver para alcancarmos tal co- 
nhecimentolTodavia, isto nao sedara com outros!" 



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288 

6. D igo Eu: "Amigo, acaso andastedeouvidostapados, quando trans- 
miti a todos, a ordem desilencio sobretudo quevosfoi proporcionado 
esta noite? N ada deve ser revelado ao mundo! Q uem for renascido em 
espirito, recebera a revelagao completa; quern permanecer em sua esfera 
mundanajulgariaissoumatolice, portanto setornaria parade urn gran- 
deaborrecimento. Portal motivoemelhorqueomundonadavenhaa 
saber, enquanto e necessario para vosso fortalecimento, compreenderdes 
os segredos do Rei no de D eus. 

7.Jasabeisoqueensinarem Meu NomeTodoorestoeumaBen- 
gao para vos que fostesmai sou menosescolhidosparadoutrinadoresdo 
povo, afim dequecreiais, indubitavelmente, ser Eu o Senhor e M estre, 
U nico, desde etemidades. Se vos tendes a fe justa e viva, tambem a 
despertareis em vossos discipulos, porquanto ela foi por vos provada. 
Parachegardesatal ponto, preciso equereconhegaister Eu vindo do Pai, 
afim de vos demonstrar, Encamado, oCaminhodaVida! 

8. Seisto, Stahar, tiverescompreendido, saberaso quetecabedivul- 
garem publico. Ama a D eus, teu Pai Eterno, sobretodasascoisaseteu 
proximo como ati mesmo; cumpreosM andamentosqueEledeu atra- 
ves de M oyses, - eteras M in ha D outrina total, de utilidade para os po- 
vos. Todo o resto que aqui ouviste, e apenas para vos como repeti por 
diversasvezes. Sabes, portanto, o quefazer parao futuro epodesvoltar ao 
teu lugar!" 

9. N isto, o Rei uran se levanta e diz: "Senhor, M estre e Deus! 
Sabes o motivo quemelevou aencetarestaviagem. Achei o queprocu- 
ravaemesinto imensamentefeliz; penso, porem, que todos deveri am 
senti r esta fel ici dade. Acontece, naoserpossi'vel encontra-lasem Doutri- 
na! Resta saber quem deve doutrinar e o que seja preciso para tal fim. 
Devem osdoutrinadores ir decidadeem cidade, ou seria melhor erigir 
escolas com professores adequados e determinar leis que obriguem as 
criaturas a frequentar tais institutos? Da-nos, Senhor, umaorientacao a 
esterespeito." 



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165. OsVerdadeirosDoutrinadoresdo Evangelho 

1. D igo Eu: "Agrada-M etua boa vontade; contudo, vejo quetam- 
bem tua memoria esta te abandonando, pois ja te dei, bem como a 
M athad, tai genro, as mais extensivas orientacoes! Reflete um pouco 
que te lembraras Alem disso, subentende-se que a pessoa desejosa de 
conduzir um cego, deveter boa visao, caso nao queira com elecair no 
abismo. Naopoderasdizeraoteuirmao:"Deixaqueeutireoargueirode 
teu olho", enquanto no teu seencontra uma trave 

2. Um verdadeiro doutrinador tern de ser isento de erros, que o 
prejudicarao no desempenho desua tarefa; nao havera, pois, professor 
piorqueum imperfeito. Demonstro e explico-vos coisas ineditas, por- 
quantovosquerofazerprofessores; destemodo, cada doutrinador perfei- 
to tern deser ensinado por D eus, conformeora acontececonvosco. Pre- 
ciso equeo Pai no C eu o eduque, do contrario nao chegaraasprofundezas 
luminosasdaVerdade Q uem esta nao alcancar, nao setornara luz; como 
seria possivel iluminar astrevasdo proximo?! 

3.Aquiloquedeveiluminaranoiteetransforma-laemdia, deveser 
a propria luz, igual aoSol queoraseaproxima. Caso elefosse negro como 
carvao, poderia transformar a treva noturna em dia radioso? Penso que 
aumentaria sua escuridao! 

4. Por isso e um professor nao instruido por Deus, pior que um 
leigolTal ignorantenada mais e que um saco de mas sementes, dondee 
langada toda erva daninha de pior supersticao nos sulcos da vida huma- 
na, de natureza espi ritual mente pobre, por certas razoes 

5. Ao pretenderesfazer ensinar aosteus povosa ler, escrever econtar, 
podesadmitir professores mundanos, estendendo tal metodo ascriangas 
nas escolas M eu Evangelho, porem, so podera ser transmitido com 
utilidadeebengao, aquelesquepossuem em plenitude, asfaculdadesque 
mencionei como imprescindiveis para esta missao. 

6. Para tanto, nao sao precisas escolas especiais, sen ao um justo men- 
sageiro celeste que percorrera as comunidades, dizendo: A Paz seja 



Jakob Lorber 

290 

convosco; o Reino deDeusveio junto devos! Sefor eleaceito, queper- 
manega e pregue; nao o sendo, porquanto a comunidade ja e posse do 
mundo e do diabo, - que conti nue sua trajetoria e ate mesmo sacuda a 
poei radeseus pes, poiselanao merecequeum men sageiro celeste venha 
a transportar sua poeira a outros lugares. 

7. MinhaDoutrinaaninguemdeveserimposta, masconviriaaum 
ouvariosmembros,ouvirasvantagensimensasdoMeu Ensi no Celeste. 
Demonstrando interesse, devem ser orientadosde modo incisivo; caso 
contrario, convem ao mensageiro prosseguirviagem, - pois aos porcos 
jamais devem ser atiradasperolas preciosas para alimento! 

8. Sabes, portanto, como agir na divulgagao de M eu Verbo e nao 
devesesquece-lo no future Demaisamais,entregaestatarefaconsagra- 
daa M athael eseusquatro colegas; estao bem informadosno quefazere 
determinarem relagao a divulgagao doutrinariaealem disto, permanece- 
raoseuscoragoesemcontacto verbal Comigo,condigaoindispensavel na 
disseminagao verdadeira. 

9. Q uem, pois, ensinar seus irmaos - simples ou ricos - em M eu 
N ome, nao deveprover-sedesua fonte, senao da M inha! N ao necessitara 
refletirsobreaspalavrasaserem transmitidas, poisno momenta preciso, 
ser-lhe-adadooquedizer. 

10. A pessoa detal modo agraciada, nao receara pronunciar-se, de 
medo ou acanhamento, dianteda possibilidadedumaofensa ou desafio 
dum poderoso! Poisquem maistemeo mundo queaM im, nao fazjusa 
M im, tao pouco mereceM inha Graga por menor queseja, nao sepres- 
tando para mensageiro celeste. 

11. E bem maisfacil tuatarefaem teu reino, ondeeslegisladorejuiz 
supremo, porquanto teuspovosterespeitam. Elesconhecem ainvariabi- 
lidadedeteu pronunciamento; ao passo que urn doutrinador, como 
mensageiro celeste, poderaenf renter urn regentetemido, onde necessita- 
ra de maior coragem quetu. 

12. Quern for ou pretendaserumjustoenviadodoCeu, naodeve 
levar bordao ou arma qualquer, tao pouco uma sacola para algo guardar. 
Eu M esmo Ihedarei amigosqueo proverao em suasnecesadadesfisicas 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

291 

Do mesmo modo nao devede- como excegao do inverno ou nospaises 
nordicos- vestirmaisqueummanto, paraqueninguemorepreendater 
de um acrescimo sobre os pobres Acaso alguem o presenteando com 
mais ou dois mantos, pode aceita-los, pois tera oportunidade de tais 
oferendasbeneficiarem um necessitado. 

13. Asam, uran, tenstodasasregrasdum bom doutrinador; acres- 
cento apenas isto: cada mensageiro celeste recebera de M im o dom de 
curar todos os doentes pelo apor das maos, devendo assim agir nas co- 
munidades. Serao deste modo bem influenciados na acdtacao da Boa 
Nova, maisdoqueporum discurso veemente 

14. Todas as criaturas preferem as palavras dum medico as de um 
profeta, ainda que iluminado. Aquilo que Eu faco, deve ser feito pelo 
mensageiro celeste, por M im enviado a todos os paises D eve ele, antes 
da cura, reconhecer se a molestia nao e tao grave a impossibilitar sua 
salvacao. U ma vez percebendo encontrar-se a alma do enfermo fora do 
corpo, nao Ihedeveaplicaro passe, mas orareabencoa-lanasuapartida 
destemundo. Em suma: o enviado do Ceu saberao quefazer. Estasa par 
detudo que desejavas saber, Ouran?' 

15. Respondeele: "Sim, Senhor, MestreeDeusVerdadeirolMeus 
povos louvarao e honrar-Te-ao para sempre, por teres proporcionado 
tantaGracaimereddaaoseu velho Rei equanto beneficio Ihestrouxe! 
M inha gratidao fervorosa!" 



166. A Aurora Maravilhosa 

1. Aposesta manifestagao dereconhedmento pronunciadacom ex- 
tase, uran volta ao seu lugar. N esse mesmo instante, o Sol seaproxima 
do horizontedemanera jamais vista, impossibilitando as criaturas de 
dirigirem o olhar para la. Milharesdepequeninasnuvensdeluzrosada 
aguardam a maravilhosa maedo dia, tremulasde profundo respeto. 

2. Passados alguns momentos, o Astro comega a surgir sobre os pi- 



Jakob Lorber 

292 

cos elevados, numa luz de arco-iris Seu diametro, porem, parece dez 
vezes maior que comumente. Alem disto, muitos dos presentes obser- 
vam grandes bandos de passaros que giram em altura mais ou menos 
elevada, em ondasde luz purissima, quetambem proporcionam ao Sol 
consideraveis protuberancias 

3. Sobrea imensa superficiedo mar jaz uma neblina suave, refletin- 
do maravilhosamente as cores do Sol. Ao mesmo tempo, urn grande 
numero de gaivotas brancas, esvoaca alegre sobre a agua, inundada de 
grandeluz, esuasasasbrilham comodiamanteserubis. Sopraumabrisa 
agradavelmentefresca, desortequeCireniuseoutrosexclamam: "Jamais 
urn mortal viu aurora tao deslumbranteesentiu frescurasemelhante!" 

4. A propria Yarah que havia passado a noite calada e absorta pelos 
ensinamentos, exclama, em extase: "E is uma aurora como gozam osan- 
jos nosC eus! Q ue beleza etemperatura agradavel ! C orrespondea aurora 
quenesta noitenossurgiu no coragao, demodo tao magnified N ao sera, 
Senhor, meu amorunico, uma aurora celeste toda especial?' 

5. Respondo, com urn sorriso: "Por certo, M inha rosa! Q uando na 
criaturatudosetornou celeste, o que a rodeiae celestial! As manhas, os 
dias, astardessetornam verdadeiramentecelestes, ea noitesetransforma 
em paz dosC eus, sem trevas, mas plena de luz maravilhosa para a alma 
puraeunidaaoseu espirito. Goza, pois, em longoshaustosamagnificencia 
fortalecedora da aurora mais aromatica!" 

6. Yarah choradealegriaeselevanta, afim deproporcionaraocor- 
po todo este beneficio salutar. N isso, aproxima-seo hospedeiro M arcus, 
queatarefado com o desjejum havia perdido o romper do dia. Vendo o 
Sol num deslumbramento radioso do arco-iris, indaga de M im o moti- 
ve J a idoso, tinha viajado pela Europa, Africa e Asia sem nunca ter visto 
coisasemelhante 

7. Digo Eu: "Seo ImperadordeRomaaqui viesse, ospovossujeitos 
a sua soberania Iheproporcionariam toda sortedefestins; em parte, de 
alegria por verem seu senhor, eem parte, para receberem alguma graga e 
indulgencia, caso seencontrassedeanimo alegre. Aqui, em M inha Pes- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

293 

soa, tambem Se acha Presente urn I mperador e Senhor Supremo sobre 
Ceusemundos! 

8. OshabitantesdosCeus, identicos a Raphael, sabem dasgrandes 
RevelagoesdaVidaqueEu vosfiz nesta noiteeser permitido M everdes 
como Pai, quevosensinaem M inha Pessoa. regozijo maiselevado e 
sublimequeorasentem, reflete-senaatividadedosespiritosda N atureza 
desta Terra. 

9. Naos6aqui,mas emtodososmundosdaCriagaolnfinita, cele- 
bra-se neste momento, umagrandefesta, peloespagodesetehoras, du- 
rante as quaisnao semata nem segera um ser. Passado este tempo, afesta 
terminara, voltando tudo ao normal. Agora sabeso motivo desta aurora 
e nos podes preparar um especial desjejum, pois tambem celebraremos 
umafesta peculiar!" 

10. M arcus se afasta rapido; os outros se unem a alegria do Ceu e 
M elouvam, com fervor, principalmenteYarah. Aposumahoradecanticos 
degratidao, M arcus nos convida para o agape. Todavi a, muitoshacom 
desejo de permanecerem por maistempo no monte. 

11. Eisquedigoatodos'laem baixo, ondeseacham as mesas ao 
ar livrea aurora ea mesma daqui; aprecia-la-eis na descida eduplamente 
aindano vale! Desgamos, quenecessitamosdeconforto material." 



167. Jejum e Alegria 

1. A estas M inhas simples Palavras, observa um dos trinta fariseus: 
'Afinal,ouve-seumaexpressao natural da Boca Daquelequeabrigao Espi- 
rito dejehovah em toda a plenitude deSeu Amor, Sabedoria, ForcaePo- 
der! N ao sepode, entretanto, saber senao contem sentido espiritual!" 

2. Dizum colega: "Quetoliceduvidar-se!ComopoderiaElealgo 
dizer, - senao dando expressao do Espirito Supremo?! N 6s dois jamais 
descobriremosoqueseocultanesta simples frase. Porisso,teabstem de 
observagoesfuteis!" 



Jakob Lorber 

294 

3. Defende-seoprimeiro: "Sefalei umatolice, nao se baseava ela 
em maldade!" 

4. Dizooutro: "Acasodistotearrependes?! Porsermostao ignoran- 
teseobtusoscomo uma noitedeoutono, o Senhor nao noschamou para 
rdatarmosfatostao extraordinarioscomo fez M athael! Q ueabismo en- 
tre noseele! C onsidero a minha pessoa nula; etu ainda querester algum 
merito nesta assembleia?!" 

5. Concordao primeiro: "Tensrazao, poisnao merego outracoisa! 
Por isso castigar-me-ei, nao tomando parte no desjejum e nada comerei 
ate a noite!" C om isto, ele se levanta para voltar ao monte. 

6. Seu colega, porem,afirma: "M inhareprimendatelevaaestaabs- 
tinencia, portantoteacompanharei paratorna-lamaisfacil. Reconheces- 
teteu erro e mereces perdao. Vamosjuntos!" 

7. Antepoe o outro: "Em absolute; pois nao fica bem o inocente 
sofrer com o culpado, conforme acontece no mundo!" Diz o colega: 
"N ao medigaslO ndeestariao caso deinocentecomo eu sofrer volunta- 
riamentecomoreu!" 

8. Respondeo primeiro: "Bem, nao serao numerosos, - muito mais, 
porem, oscasosdeinocentespadecerem involuntariamente. Porexem- 
plo: o imperadordum imenso reino, poderosocom seu exercito, eofen- 
dido por urn pequeno soberano. Poderia vingar-seapenas no rei; mas 
nao, prefereinvadirovizinhocom seussoldados, que devastam o peque- 
no reinado. Q uantosinocentessofrem, nestecaso, por urn culpado! Pen- 
so ter tal exemplo demonstrado que, as vezes, tambem tenho razao!" 

9. Entrementes, alcancamos as mesas onde nos espera um farto 
desjejum. N inguem, com excegaodeM inha parte, sentiu afaltadosdois 
fariseus, - que nao o eram mais! Por isso, digo a M arcus que fosse ao 
M onte, afim deconvida-losao repasto. 

10. Quandopertodenos, Eu Ihesdigo: "Simon eGabi!Sentai-vos 
a esta mesa; depois veremos se, em M inha Assertiva de ha pouco, se 
oculta um sentido espi ritual. Antes nos saciaremos, poiso corpo precisa 
tanto denutricao quanta a alma, quando devecrescer no conhedmento 
enopoderdaVerdade. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

295 

11. Por isso, come, bebei edeixai ojejum paraoutraepoca! Enquanto 
estou entre vos como verdade'ro Pai de vosso espirito e noivo de vossas 
almas, nao deveisjejuar, nem fisica nem psiquicamente; quando nao mais 
estiver em Pessoa em vosso meio, tereisdejejuar automaticamente. 

12. U m jejum exagerado esem motivo etolice, ecomo a gula pode 
setomar pecado. Q uem quiser viver najusta ordem, seja comedido em 
tudo; todo excesso trara prej uizo para corpo, alma eespirito! Agora saciai- 
vos a vontade e sede alegres e risonhos! 

13. U m coragao alegre e expansivo M e e mais agradavel que urn 
aflito, tristonho, lastimoso, queixoso, insatisfeito com tudo, ingrato e 
egoista. N urn coragao alegre habitam amor, esperanca e confianca pie 
nas. A pessoaaflitaqueprocurasseoutra, alegreeexpansiva, em pouco se 
sentiria aliviada, sua alma comegaria a movimentar-se mais livrementee 
a luz do espirito teriamaisfacilidade em ilumina-la, porjaseencontrar 
mais calma. U ma alma tristonha se encolhe toda e finalmente se torna 
irritadaeobtusa. 

14. Por certo, nao entendereis por alegria eexpansividadedo cora- 
gao, brincadeiras tolas e imorais, mas sim o que enche o coragao dum 
casal honesto esadio, ou o quesentem criaturasdevotasaposagoesboas 
e agradaveis a D eus C ompreendestes?" 

15.Todosconfirmam esealegram Comigo. Em seguidacomegam a 
servir-se, com satisfagao, poisospeixesespeciaisnadadeixam adesejare 
o vinho tambem nao edesprezado. 



168. ReprimedasFeitasPor Amor-Proprio 

1. Aposmeiahora, osanimosseexpandem e Simon comegaadar 
vazaoapilheriasespirituosas. Gabi, homem serio, deseusvinteepoucos 
anos, chama-lhea atengao, por diversas vezes. 

2. Responde Simon: "Quern reprimiu David quando, num excesso 
de alegria, dangou dianteda Area?! Sua mulher, envergonhada, aconse 



Jakob Lorber 

296 

lhou-o a moderar-se, mas denao Ihedeu atencao. E eu tampouco me 
perturbarei com tuas chamadas, mas serei ainda mais alegre. N ao me 
interrompas, poisqueeu reagirei! 

3. bserveo Senhor, nosso U nico M estredecorrecao! Por quepre- 
tendemos, nos pecadores, corrigir-nosreciprocamente?! N o mais das ve- 
zescriticamosnossosemdhanteporamor-proprio. avarento, porexem- 
plo, adverteo outro a temperanca, moderagao eeconomia, aplicando 
proverbiosmorais, poistemeapenuriadealguem queoobrigueasocorre- 
lo, nao por amor, mas em virtudeda sociedade 

4. Outro, que tern dificuldadedeandar apressadamente, explicara 
ao seu companheiro o prejuizo damarchaforcada. Urn terceiro que nao 
apreciaocalor, saberasalientarasvantagensdasombra. apreciadordo 
vinho, nao fara propaganda da agua. U m apaixonado demonstrara a sua 
amadaosperigosdo convivio com outrospretendentes, enquanto adver- 
tira aqueles, das rdacoes com o sexo fraco. N ao ocultaria tal advertencia 
boa porcao deamor-proprio?! 

5. Destemodo, sempre observe oegoismodapessoainteressadaem 
admoestar outrem. Por que o apaixonado nao chama a atencao de urn 
grupo de mocas da maldade dos homens? Pda simples razao de nao estar 
em jogo seu amor-proprio! Seria capaz dedescobrir asfraquezas human as, 
atraves das repri mendas e advertencias que as criaturas fazem entre si ! 

6. N ao foi sem proposito que N osso M estre nos fez a observagao 
acercadosqueseprontificam atirar o argue ro do olho do amigo, quan- 
do conviria averiguar se nao tern uma trave no proprio olho. Somente 
aposterem corrigidoseu defeito, poderiam sedirigirao outro com adver- 
tencia de tal ordem. 

7. Eisumensinamentoquenaotepretendoinfligir, Gabi,comotu 
em tuas advertencias, muito embora possa afirmar nao conter ele 
inverdadeTenho dito! Agora comere novamente! Enquanto isto, pode- 
ras dar vazao a tua lingua, apenas nao me importunes com a Sabedoria 
Salomonica, - que nos ambos ainda nao estamosmadurosparatanto!" 
Gabi, urn tanto aborrecido com as indiretas de Simon, contem-se por 
respetoaMim. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

297 

169. Simon Critica o Cantico de Salomon 

1. D igo Eu a Simon: "Entao teu companheiro eamigo deSalomao? 
Q ual e sua compreensao do Cantico dos Canticos? Relate-M e vossas 
experiencias neste assunto." 

2. Responde Simon: "SenhoreMestredeCeu e Terra, terei muito 
prazer em falar se me for permitido faze-lo sem rodeios; caso contrario, 
nao terei facilidadedeexpressao." 

3. Digo Eu: "Podesfalaravontade; poisteu humor seoriginade 
boa semente!" 

4. ProssegueSimon: "N esse caso, falarei, sebem quenao ultrapassa- 
rei o meu simplesintelecto, todavia, sadio.Tu, SenhoreM estre, indagas- 
te de nosso progresso no Cantico. Ai de mim, que em nada progredi, 
porquanto seria tempo perdido! Gabi ja decorou o primeiro capitulo. 
M astiga e mastiga de boca cheia, sem contudo compreender seu sentido! 
melhordahistoriaequequanto maissele, menosseentende!" 

5. D igo Eu: "Tambem sabes decor o primeiro capitulo?' 

6. Responde ele: "Gabi tanto mecaceteou com ele, queo decorei 
para meu aborreci mento! C onsidero-o tol ice! Verdadei ros e certos sao os 
proverbios e as predicas de Salomon. Seu Cantico, a maior baboseira! 
Q uem nele acha algo mais que a obra de urn doido, deve sofrer das 
faculdadesmentais! 

7. Q uesignifica, porexemplo: Beija-meelecom o beijo desuaboca; 
poisteu amor emaisdelicioso quevinholQ uem e"ele" equem eo "me"? 
A seguir deveo desconhecido "ele" beijar o desconhecido "me" com a 
boca "dele"! Acaso teria eleoutra boca que nao a propria? D evetratar-se 
deumacriatura singular! 

8. final do primeiro verso parece conter o motivo do desejo da 
precedente frase; mas eis que consta "ele" na segunda pessoa e nao se 
podeafirmar que na expressao "teu amor", - mais del icioso quevinho - 
se deva entender o amor "dele". J a se ignorando quern e "ele" e quern 
"me", para que se saber quern e aquele cujo amor, na segunda pessoa, e 



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maisdelicioso quevinho? 

9. Alem disso, o amor nao eespedalmenteconsiderado quando nao 
seafirmasermaispreciosoqueovinho,desdequeestenaoequalificado; 
poisexistem vinhospessimos Pode haver algodeincomum nessaconfu- 
sao, que eu j amai s descobri rei . 

10. Excedendo-menademonstragao incoerentedo Cantico, acres- 
centarei o segundo verso: A fim dequesevenha asentir o cheiro deteu 
bom unguento, teu nomeeum unguento derramado, por isso asvirgens 
teamam. A medidademinhacompreensao, o segundo combina com o 
primeiro, comoumacasaemcimadeumolholQueespeciedeunguen- 
toeaquele?E de quern? Quern devecheira-lo?Comopodeonomede 
alguem ser urn unguento derramado e por que deve ser ele, por isso, 
amado pelas virgens? Que virgens sao essas? Vai-te embora, grande 
Salomon, com todaatuasabedoria! Uma PalavraTua, Senhor, tern para 
mim valor milhoesdevezesmaiorquetodasapienciasalomonica!" 

11. DigoEu: "Muitobem, Meu caro Simon! Nao poderiasrepetir 
M inhas Palavras dadas aqueles que, em virtude da manha radiosa, nao 
queriam descer do monte e dos quais afirmaste nao conterem sentido 
especi al ? A i n da te recordas?" 

12. Responde Simon, urn tanto encabulado: "Senhor e M estre, se- 
nao mefalhaamemoria, disseste: La em baixo, ondeseacham as mesas 
ao ar livre, a aurora e a mesma daqui; aprecia-la-eis durante a descida e 
duplamente no vale. N ecessitamos de conforto; vamos, pois, depressa! - 
Penso nao ter falhado, Senhor7' 

13. DigoEu: "Repetiste verbal menteo que falei. QueMediras, se 
afirmo corresponderem M inhas Palavras, espiritualmente, aos versos de 
Salomon? Achas posslvel isto?" 

14. Diz Simon: "Seriamaisfacil acreditarqueomarimenso, ama- 
nha, seteratransformado em cam posverdej antes Poisaquilo quedisses- 
teno monte, Senhor, eracompreensivel. M asquem entenderiaos versos 
deSalomon?E como poderiam conter urn sentido oculto?Alias, - tudo 
e possi vel e eu falo apenas o que si nto." 

15. D igo Eu: "Tanto melhor; quanto maior contra-senso apresente, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

299 

tantomaisalegriasentirascom aexplicagao.Tambem setornaramilagre 
quetu emuitosoutrosnadavejam eoucam deolhoseouvidosabertos! 
M as deixemos isto! J a que conheces tao ben o C antico, acrescenta mais 
o tercel ro verso que de pronto, desvendar-te-ei o segredo indecif ravel 
para ti." 

16. DizSimon:"Quehorror!Aindamaise3se?!PoramoraTi,Senhor, 
tudo fare; comumenteistomecausa nauseas! terceiro verso eainda mais 
complicado, poisrezaoseguinte: "Leva-mecontigo, quecorreremos rei 
me conduz ao seu aposento. Regozijamos e nos alegramos em ti . D e teu 
amor mais noslembramosquedeteu vinho. Osdevotosteamam." 

17. Ei-lo! Q uem puder, queo entenda! Seao menosconstasse: "Leva- 
me, que correrei!" Alem disso, quern e aquele que deseja ser levado e 
quern sao "nos" que corremos?! rei me conduz ao seu aposento. Q ue 
rei?0 eternoou do mundo? Alias eestafraseuma das melhores. Alem 
disto, ostaisdesconhecidosselembram do amor do outro mais que do 
vinho, do qual se ignora a qualidade Q ue modo estranho deexpressao! 

18. M iseravd criatura e o habitante deste orbe! N asce destituido de 
nocoes, continua vivendo sem elas, - eacaba ignorante! M esmo seacredita 
algo entender durante o periodo mais feliz e lucido de sua vida, quando 
depara com o C antico de Salomon tern de confessar sua ignorancia! Se 
bem que continue vivendo, sabeexistiralgoquelhefogeacompreensao. 

19. SenhoreM estre, duranteestanoitenosdemonstrastecoisasque 
jamaisalguem sonhou! Com isto, dilatou-seminha inteligenciaconside- 
ravelmente Por queentao nao percebo o sentido do C antico? Talvez, 
ninguem o deveria entender por se tratar da expressao dum lunatico? 
Esclarece-me, por favor! Crerei tudo que medisseres, pois somenteTu 
saberas interpretar tais enigmas!" 



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170. Chave Para a Compreensao do 
CAntico Salomonico 

1. DigoEu:"Amigo, teexcedesteum poucoemtuatendenciaespi- 
rituosa e poderia te repetir o que cdebre pintor disse a um sapateiro. 
Todavia, nao podesfalar demodo diferente, porquanto, deacordo com 
Salomon, tudo nesta Terra tern seu tempo. Prepara-te, pois, com muito 
boa vontade que te esclarecerei o Cantico, provando conter o mesmo 
sentido que M inha Advertencia, no monte 

2. Salomon apenas demonstrou MinhaAtual Existencia, demodo 
profetico, pordiversos quadras cheiosdeinterpretagaoespiritual, deagao 
em acao, desituacao em situagao edeefeito em efeito. Eu somentesou seu 
objetivo; "de" e"tu"; "dele" e"te", tudo isto M erepresenta. Q uem por de 
falaComigoeseu espirito, no singular; no plural, saoosespiritosdospovos 
quedecertomodo,unem-senatendenciadominadoraeregiadeSalomon, 
paraum sofito; portanto, representam umaentidade moral. 

3. Aspalavras: Bdje-medecom o bdjodesuaboca!, querdizer: 
SenhorfalepdaSua Propria Bocaamim, Salomon; por mim,aopovode 
Israel, a esse, atodasascriaturasdo mundo. Senhor nao fala palavras 
purasdeSabedoria, masdeAmoredeVida. Pois, um pronunciamento 
de amor e um verdaddro bdjo da Boca de D eus no coragao da criatura; 
eisporquediz Salomon: Bdje-meElecom o bdjo de Sua Boca! 

4. seguinte verso combina muito bem, quando diz: Teu amor e 
mais ddicioso que vinho, ou seja: Teu amor e de maior utilidade para 
mime para todos os seres, que a sabedoria; pois na palavra "vinho" su- 
bentende-se sabedoria e verdade. 

5. fato de Salomon no primdro verso, suplicar pda palavra do 
amor na tercdra pessoa, prova estar ainda longe de M im, pda simples 
sabedoria. N a aplicagao da segunda pessoa, quando eexpressada a razao 
dopedido, dejademonstramaioraproximagaodeDeusnocaminhodo 
amor, do que pda pura sabedoria. bdjo, ou seja, o amor, pdo qual 
Salomon pediu em seu Cantico, todos vos estais recebendo neste mo- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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mento. Deste modo, caro Simon, o primeiro verso ja se tornou mais 
claro paratuacompreensao?" 

6. Afirmaele: "0 h Senhor, com istojacompreendo osegundo verso 
e ate me atrevo a explica-lo." 

7. D igo Eu: "Fala, para vermosteu grau deassimilagao!" 

8. DizSimon:"Pensosersuainterpretagaoaseguinte:SeTu mebeijas, 
Senhor, com o bdjo deTua Boca, seTeu Verbo setorna amor, portanto um 
verdadeiro unguento deVida, tal unguento deveser compreensivel para 
todos Poiscomumenteaplicamos"cheirar" por "entender". 

9. N o momenta, Senhor, Teachas em nosso meio, conformeconsta 
no primeiro verso! Temos, portanto, Teu Nome, Teu Verbo de Amor 
Consagrado, mais sublime que a Sabedoria de Salomon. Possuimos o 
U nguento derramado - compreensivel - diantedenos. 

10. AsvirgensqueporistoTeamamsao, evidentemente, nosmes- 
mos, considerando nossacompreensao reduzida; poisumajovem euma 
criaturaagradavel enao inteiramentedestituidadeentendimentoeinte- 
lecto. Todavia, nela nao se podefalar dum conheci mento positive Dai 
concluo, sermosasvirgensqueTeamam acimadetudo porvosser com- 
preensivel Teu Verbo de Amor, o unguento derramado, em cujo aroma 
nosdeleitamosTerei compreendido bem, Senhor?" 

11. Digo Eu: "Perfeitamente; da-secom o Cantico, aparentemente 
incompreensivel, o fato de ser assimilado com facilidade, logo que se 
tenha conseguido a interpretagao do primeiro verso. Ja queo segundo 
nao tefoi dificil, tenta explicar o terceiro." 

12. Diz Simon: "Oh Senhor, arriscar-me-ia interpreter o Cantico 
todo, poiso terceiro etao claro comoaatual aurora deslumbrantelLeva- 
me, 6 Senhor, quecorreremos! Q uem poderia levar-nosespi ritual mente 
senao o amor?! A consequenciadisto equeoseducadoscom epelo amor, 
num momenta, compreendem eassimilam mais; portanto, adquirem o 
conhecimento maisrapidamentequea sapiencia esteril efria, aplicada 
durante anos. A pessoa, no angular, eapenasumapersonalidadeisolada 
e no segundo verso se divide em muitas por nos representadas, em toda 
Israel e final mente naCriacao humana. 



Jakob Lorber 

302 

13. Rei, o Eterno, o Santo, conduztodosao aposento santissimo 
eiluminado do Amor edaVidado Seu Coracao Eterno! Isto nosalegra 
sobremaneiraenoslembraremosmil vezesmaisdo Amor do Pai, quede 
toda sabedoria anterior. Somenteem Tai Amor somoscheiosde humil- 
dade, simples ede coracao devoto! 

14. A aurora da sabedoria igual ado monte, emaravilhosaedeslum- 
brantelAqui, porem, nasmesashospitaleirasdoamor, no imensoesanto 
recondito deTeu Coragao de Pai, existe a mesma aurora da Verdadeira 
Vida. N o cume, apreciamosa maravilhosa manha de luz, no entanto, la 
nao havia mesas repletasdealimentosquesuprem efortalecem a vida. 

15. Bern que nosagradou a luz da mais profunda Sabedoria. C erta- 
mente observaste em alguns, o germeda presungao, surgindo no sulco 
do coragao do jardim davidaedissestecom palavrastocantesdeamor: 
Filhinhos, laembaixo, no valedahumildade, existea mesma aurora! Se 
descerdes a curta trajetoria da altura da presungao egoistica - geralmente 
efeito da sabedoria elevada - a profundeza da humildade do amor, 
apreciareis a mesma aurora! E isto fareis duplamente: la existe nao so a 
mesma luz, sen aoafonteluminosadaVidadeamor,dentro da humilda- 
de. Aqui, acham-se as mesas chei as denutrigao, fortaledmento econser- 
vagao da Vida Integral! 

16. Atraiste-nos, Senhor, ate aqui pelo verdadeira beijo deTua Boca 
Santificada; nosnao hesitamosem seguir-TeeTeamamoscomo verda- 
deirosdevotadoscom todoamorehumildade. Compreendi einterpretei 
o sentido verdadeira deTuas Palavras, Senhor?" 



171. Simon ElucidaAlguns Versosdo Cantico 

1. D igo Eu: "Demodo perfeito, poisseEu M esmo vostivesseexpli- 
cado os versos de Salomon, comparando-osasM inhasPalavrasdeadver- 
tencia no monte, ter-M e-iaexpressado do mesmo modo. D esempenhas- 
tetua tarefa a M eu pleno contento. J a quetetomasteexplicador em tal 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

303 

assunto, poderiasexperimentar maisalguns, - ou seriaquealgum outro 
d isto fosse capaz?" 

2. Respondem todos "Senhor, isto nao nosepossivel, emborate- 
nhamos a impressao de que deveriamos sabe-lo!" 

3. Diz Simon: "Senhor, paramim naoexistedificuldade, portanto 
prossigo: M orenasou, porem graciosa, oh filhasdejerusalem; como as 
tendasde Kedar, como os tapetesde Salomon. Traduzido para o nosso 
idiomacomum, isto querdizer:Eu,o Senhor, encontro-Menomundo 
entrevos, criaturascegaseorgulhosas; sou, no maisdasvezes, desco- 
nhecidoeprofundamentedesprezado pelaspessoasdeprojegao, entre- 
tanto sou cheio de humildade, meiguice, paciencia e amor por vos, 
filhasdejerusalem! 

4. Quern sao as filhasde Jerusalem? Orgulho, altivez etendencia 
dominadoradosdescendentesdeAbraham, representam asfilhasenfei- 
tadasdejerusalem. A elaso Primeiro H omem doshomens, desprezado, 
- portanto urn senhor enegrecido- mostra-Sebenigno, misericordiosoe 
mais amoroso e amavel que as tendas de Kedar (Kai-darz), de aparencia 
pauperrima. Pordentro, porem, sao regiamenteenfeitadascom todasor- 
tederiquezas, quedeveriam ser distri buidas entre os pobres e necessita- 
dos. Sao maisagradaveisqueostapetesmaispreciososde Salomon, cuja 
face externa edetecido peludo ecinza-escuro, enquanto o interior efeito 
deseda indiana, damaispura, entrelacadacom ouro legitime 

5. A seguir consta: N ao me olheis por ser eu tao negro (diante de 
vos, filhasdejerusalem); poiso Sol (vosso orgulho mundano), queimou- 
MelAsfilhasdeminhamaeseaborreceram comigo. Quern poderiaser 
Tua M aedentro deTi, Senhor, senaoTua Eterna Sabedoria, assim como 
Teu Pai, Teu Amor Etemo?Tua M ae, tambem, representaTua rdem 
eterna, cujosfilhosaborrecidospreenchem o Espago Infinite poisseu 
equilibrio vai deencontroagrandedesordem dosfilhosde Israel. 

6. Esta santa rdem "foi posta para guarda de vinhas", isto e, Tua 
Vontadeem uniaocomTeu Poder Celeste, deuaoshomenstal Ordem, 
atraves de M andamentos, afim deque as vinhas- ascomunidadeshu- 
manas- permanecessem na Organ izagaodosCeus. 



Jakob Lorber 

304 

7. "A vinhaquemepertencianaofoi pormim guardadalQuerdi- 
zer: D eixei desprotegidasM inhasAlturas, asprofundezaseternas, divinas 
einatingiveis,- doqued&testemunhopdaTuaPresencaacessivel. Dei- 
xasteTeusCeusmaisdevados, impendravdseluminososparaTeapre- 
sentaresna maior humildade, quer dizer, em complete obscuridade, di- 
antedosfilhosdesta Terra, afim deconduziresospobresejustosaTeu 
recondito, atendadeKedar. Senhor, dize-meseacertei aexplicagao." 

8. Respondo: "Plenamente; por isso podesconcluiro sexto!" 

9. D iz Simon: "Rendo-Te meu pleno amor e a gratidao sincera, por 
me teres achado digno de revelar os segredos que ate hoje ninguem deci- 
frou, diantedosqueTeamam! M inha alma por isto, regozija-se; contudo 
nao contem ela orgulho, ao contrario: quanto mais compreendo minha 
nulidadeeTuaGrandeza, tanto maior humildadesinto. Sabes, Senhor, ser 
o bom humor meu fraco ealem disto, o bom vinho ainda maisestimula 
estatendencia, desortequenao posso evitardeaplica-lo ao sexto verso!" 

10. Digo Eu: "Podesfalaragosto!" 

11. Prossegue Simon: "Se Salomon ou suaalma, plena desabedoria, 
tivessetido oportunidadedo nosso convivio, por certo nao teriaescrito o 
sexto verso. Poisalega: Dize-me, tu, a quern minh'almaama, ondeapas- 
centas o teu rebanho e onde repousas ao meio-dia, a fim de que nao 
necessiteandar deca para la, nosrebanhosdosteuscompanheiros! N esse 
caso, Salomon - eporele- aalmadeseu povo, certamenteteriam en- 
contrado os cameiros apascentados na manha, ao meio-dia, a tarde e a 
noite, isto e, constantementeativosenao repousando ao meio-dia. 

12. Penso, ter-se passado o eterno meio-dia deTeu repouso, aquela 
fase infinita em que nao te imiscuias no meio dos homens; todavia os 
entregasteaosTeus servos, quesetomaram sempremaistoloseorgulho- 
sos, dandooportunidadedesurgir urn novo e Eterno DiadeVida. Quern 
Tereconheceu, nao maisTeprocuraraentreTeusservostolosepreguigo- 
sos. Terei, Senhor, ao menos de longe, acertado o sentido?' 

13. D igo Eu: "Perfeitamente, nao obstante teu pendor humoristico, 
o qual soubestebem apl icar. J a sabendo ser possivel sedesvendar o C antico 
dosCanticosetu, Simon, alterando tua opiniao, teu mestredecorregao 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

305 

podera nos esclarecer, de viva voz, a razao pela qual tanto se empenhava 
por de, sem nunca te-lo compreendido!" 



172. Gabi Confessa SuaTolice e Vaidade 

1. G abi se levanta, faz uma reverencia profunda e diz com voz tao 
tremulaqueforgaosromanoscircunspectosaesbogarem um sorriso: "6 
SenhoreMestre, eu nunca procure! glorias, poisnaotinhatal inclinacao 
e, assim sendo, prefiro calar-me!" 

2. Diz Simon espontaneo: "Masqueeisto?Semprefizestequestao 
de ressaltar-te como orador!" 

3. Retruca o outro: "Faco o quequero etu nada tensa ver com isto: 
E facil falar-seentrehomens Aqui, naPresencadeDeusedosanjos, a 
voz humana nao deve manifestar-se, e sim silenciar com humildade e 
modestia! Chamo-meGabi, o calado, enao Simon, o indiscreto!" 

4. DizCirenius, sorrindo: "Vedeso, estejovem naoprocurahonras, 
todavia, parece aborrecido porquanto seu colega conquistou Tua Graca 
pelaexplicacao do Cantico, Senhor! Isto realmentenao meagrada!" 

5. AduzYarah: "Tao pouco a mim! Sempremealegro quando vejo 
revelarem-se Amor eGraga do Senhor na alma da criatura. A hipocrisia, 
e-mesumamente repelente. Q uem for pelo Senhor convidado a falar e 
numafalsahumildadealeganaoprocurarhonras, - menteasi eaoutros. 
Atitudecondenavel esta!" 

6. DizSimon: "Levanta-tejustifica-terazoavelmenteerespondeao 
Senhor!" Gabi, entao, pede desculpas e se prontifica a responder, caso 
isto ainda seja do agrado do Senhor. 

7. DigoEu: "Como nao?Poisainda nao retirei M inhapergunta, ao 
contrario, todos nosaguardamos uma resposta modesta!" 

8. Diz Gabi: "Respondendo ao porque de minha inclinacao ao 
Cantico, confesso nao possuir eu basealguma para tanto, isto e, nao se 
fundamentava em algo de bom, mas em vaidade oculta, que ora reco- 



Jakob Lorber 

306 

nheco. Queria passar como homem dotado de melhor orientacao na 
Escritura, nao so em meio demeuscolegas, masentretodos, poissabia 
nao haver um queo compreendessedentreo grande numero defariseus 
Esperto, dava a entender possuir eu a verdadeira compreensao. 

9. Por muitas vezes fui inquirido se realmente entendia a mistica 
indedfravd do Cantico,e minha respostalaconicasoava: "Qual seriao 
toloquenaoaentendesse?" Entao insistiam eatemesmo meameagavam 
para queeu transmitisse meu conhedmento pelo menosao Pontifice. 
Eu, porem, sabia medesculpar com toda sortedeevasivas, jamais reve- 
lando meus segredos, - porquanto nao ospossuia. 

10. Somente Simon, meu amigo intimo, sabia, em parte, a quantas 
andava minha sapiencia salomonica; por muitas vezes me repreendeu, 
provando queeu eratolo, porquanto nao podia entende-lo pelo simples 
decorar. Consegui, todavia, convence-lo de minha inclinagao, afirman- 
do basear-se minha tendencia para o estudo do Cantico, na certeza de 
ocultar elealgo degrandioso. Ele, finalmente, acreditou nisto, - masse 
enganava, poiseu mesmo era adversario da sabedoriade Salomon, queo 
levou no fim da vida a tomar-se idolatra. 

11. N ao era mais minha intengao enganar quern quer que fosse, 
mastambem nao queria revelarter eu anteriormente, procurado enganar 
meu semelhante, a fim demetomar um bom fariseu que, quanta mais 
astuto, tanto maisconsiderado noTemplo. 

12. J a tencionava por uma pedra nesteassunto. C omo meconvidas- 
te a falar, Senhor, procurei expor a verdade diante de todos. Acho-me, 
portanto, na melhor ordem, reconhego a Luz Verdadeira da Vida eja- 
maistentarei ludibriar alguem. 

13. SeminhaatitudediantedeTi foi inadmissi'vel, pego-Te, Senhor, 
assim como a todos, perdao, decoragao contrito. N aofoi minha inten- 
gao prejudicar alguem, senao esconder minha vergonha. Isto nao era 
possivel diante deTeu Semblante Santificado, - e assim, demonstre o 
que realmente sou!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

307 

173. Antigos PrincIpios de Gabi 

1. Digo Eu: "0 beneficiofoi unicamenteteu por teres teextemado 
detal forma; todavia, aindadevesrevelar algo demodofiel, eisto, portua 
propria causa! Acaso nao acreditavas em D eus quando te fizeste consa- 
grar no Templo, quando te dedicavas prontamente as traficancias, tudo 
fazendo para tetomares urn fariseu perfeito?Porventura ninguem teteria 
dito, ser tal homem apenas sacerdote e servo de D eus como Aaron - e 
jamaisumastutofraudulento?Comotefoi possivel permitiresgerminar 
em teu coracao, tendenciatao maldosa? 

2. servico ao proximo, sempre que possivel, nao eo maismaravi- 
Ihoso principio devida que, ate mesmo, os antigos sabiospagaos respei- 
tavam econsideravam?N aofoi Socratesquem disse: "Sequisereshonrar 
osdeuses, com dignidade, sendo mortal, seutil aosteusirmaos; poissao 
tanto quanto tu, sua obra mais sublime! Ter-lhes-as honrado a todos 
quando amares aos homens, e os maus nao te castigarao por isso!" D izi- 
am osromanos: "Vivehonestamente, a ninguem prejudiquesedaacada 
urn o que de direito!" Desta forma opinavam os pagaos; como te foi 
possivel sertao maldoso, sendo judeu? 

3. N em ao menos chegaste a pensar na existencia de urn D eus que 
apenas quer o Bern, tendo criado o homem nao so para o curto lapso da 
existencia, sen ao paraaEternidade?!A respeito disto tensdeprestar con- 
tas, externando teus reais motivos!" 

4. Diz Gabi: "Deus, Senhor, e M estre de Eternidade, se em vida 
tivessetido oportunidadedeouvir, ao menos, a centesi ma parte daquilo 
que ouvi nesses tres dias extraordinarios, nao teria caido em tendencia 
taocondenavel. Quaisforam osexemplosdiantedemim?Ospioresque, 
todavia podem proporcionar vida folgada, aos que entendem a arte de 
ludibriaropovo. 

5. Alegavam ter a N atureza - e nao D eus, que para eles era apenas 
uma fantasia - dado as criaturas mais espertas, intuicao desde o berco 
como aproveitar-se da tolice humana, caso se queira viver bem. Q uem 



Jakob Lorber 

308 

as5imnaosoubesseagir,seriaumtoloduranteavida,enaomereciasenao 
a classificagao deanimal, dotado dealguma inteligencia! 

6. Comodoutrinadordopovo, conviriamanter-seasmassasnapior 
superstigao. Visando isto, osintelectuaisteriam com queviver, demons- 
trando aosignorantes, averdadeeconduzindo-osa Luz.Teriachegado o 
momento dos outros tomarem da enxada, arado efoice, a fim desacia- 
rem sua fomecom o suor deseu esforgo. 

7. homem espertodeveriatratardesefazerconsiderar, no mini- 
mo, como semi-deus. Isso alcangado, ocultaria sai conhecimento como 
numa tumba e se envolveria com toda sorte de falsas projegoes e 
ofuscamentos; isto levaria ignorantes a adoragao, portanto se Ihes de- 
monstraria util, de longe e longe. 

8. Seria preciso instituir leisseverasesangao do castigo eterno, fa- 
zendo-semesmo promessadepequenasvantagensterrenasao cumpridor 
fiel. seguidor de tal falsario, que entendesse manter a populagao na 
superstigao maistrevosa, poderiaestarcertodequenem mileniosseriam 
capazes de projetar a luz entreos infelizes; caso contrario, seria ele perse- 
guidocomoembusteiro. 

9. M oyss e Aaron teriam sido homens integros que, atraves de seu 
raciocinio desperto e os muitos conned mentos quanta as fraquezas do 
povo israelita, conseguiram eievar-seaguiasebenfeitoresque, entretanto, 
souberam ludibria-lo por meio deastucia magistralmenteengendrada, de 
sorte que, hojeem dia, o povo continuatao tolo como ha mil anos No 
fundo, isso ainda era urn beneficioparaaplebe; poiso homem epreguico- 
so por natureza edeveria ser levado ao Bern pda arma eo agoite! 

10. Senhor, nao efantasiao queacabo deexpor, - senao puraverda- 
de!Trata-seda convicgao intima dum perfeito fariseu a respeito da Reve- 
lagao Divina que, quanta mais incompreensivel, tanto maior valor. 
Cantico de Salomon, M oyses e os outros profetas muito se prestavam 
para isso, motivo pelo qual medediquei ao primeiro. 

11. Termino assim ecreio ter provado, suficientemente, queminhas 
conviccoes anteriores nao podiam ser outras; pois o homem e sempre 
produtodesuaeducagao. Compreende-sequedesprezo, hoje, profunda- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

309 

menteestaorientacaodiabolica, eespero, Senhor, queperdoesmeu modo 
de pensar e proceder de antanho!" 

12. DigoEu:"Comopoderiaprivar-tedoperdao,quandotu mesmo 
teafastastedaqudeengenho satanico?! Foi esteo motivo porquetefizexternar 
tudo aquilo para I i bertares teu coracao, faci I itando-te i ntegrares, do fundo 
de tua alma a plena verdade! Ao mesmo tempo, foi dada aos presentes 
oportunidadedeouvirem deumareal testemunha, como anda o sacerdo- 
cio, o quetornou necessario M inha Vinda a Terra, para impedir que a 
Humanidadeseperverte3seesucumbis5e Agora, entendei-vos, Simon e 
Gabi, podendo Simon revdar sua compreensao a M eu respdto!" 



174. Parecer de Simon a Respeito do Senhor 

1. DizSimon:"6 Senhor, isto efacflimoITu eso Filho deDeus, em 
Espi rito, e diante de nos, D eus e H omem a urn so tempo. Es o U nico 
queSeoriginou em Si Mesmo, noCeu, ena Terra. Jamais urn anjose 
submeteavontadehumana; seTu, porem, Ihefizereso menoraceno, de 
obedeceno mesmo instante Tudo serealiza deacordo com Tua Vontade 
e uma palavra pronunciada e urn ato consumado! 

2.TuaVisaoabrangeaCriagaomaterialeespiritual;ospensamentos 
ocultosdosanjos,Tesao tao nitidoscomo seTu M esmo ostivessespen- 
sado. quenos, criaturas, pensamosem nosso intimo, vesdemodo tao 
lucido como este Sol! Tu sabes de tudo que oculta o mar em suas 
profundezas, o numero degraosdearda, o dasestrdaseo quecompor- 
tam; o numero deervas, arbustos, arvoreseespiritosno Imenso Espago! 
Se isto nao so crdo, mas sei positivamente nao sera dificil afirmar: ds 
meu parecer aTeu respdto, Senhor, a medidaqueTecompreendi nesses 
tresdias!" 

3. Digo Eu: "Como falasde tresdias, seja teencontrasha mais 
tempo em MinhaCompanhia?" 

4. Responde Simon: "Conto apenas os tres dias de conhecimento 



Jakob Lorber 

310 

spiritual: o da materia, da natureza das almasedo conhecimento do puro 
espirito. Sao esses os verdadeirostresdiasdaVida, emTai Aconchego." 

5. Digo Eu: "M uito bem, estou satisfeito por ver queja tens boa 
pratica, na esfera da correspondencia espiritual. Isto, todavia, nao seda 
com o conhecimento deti proprio eassim, teu julgamento de M inha 
Pessoa nao e completo. Existe algo que deves externar. Trata-se dum 
pequeninograodeduvidaquetensdeexpelir, porquantopoderiagermi- 
nar com o tempo esedesenvolver numafloresta cheia dos maistenebro- 
sospreconceitos, quedificilmenteseriam arrancadosdeteu coragao. Pes- 
quisa-o com afinco e descobriras o que mencionei !" 

6. Perplexo, Simon Meolhaetambem aosoutros; pensaum pouco 
e diz: "Senhor, nada posso encontrar por mais que me esforce, pois as 
menoresduvidassao imediatamentedissipadas!" 

7. Insisto: "Sim, - medita mais urn pouco!" 

8. Dizele: "Senhor, obrigas-meatemer mi nha propria pessoa! Seria 
eu, no intimo, urn monstro?N ao consigo descobrir algo queao menosse 
paregacom oqueafirmas. Dequeforma, poderiaeu alimentarduvidas 
ouqual seria omotivo?" 

9. Digo Eu: "Amigo Simon, olha bem para M im! Acaso sou tao 
vingativo erancoroso, quereceiesconfessaraquiloque, decerto modo, se 
acha na ponta detua lingua?!" 

10. A estas M inhas Palavras, Simon se assusta e diz: "M as Senhor, 
seria preciso externar essa bagatela, cujo pronunciamento considero 
inapropriado? Acontece que alguem, muitas vezes, pensa em algo cuja 
procedencia nao sabe positivar. pensamento surge e costuma perma- 
necer no coragao; finalmentesedissipaea pessoa nem mais dele selem- 
bra. Destemodo, minhapequenaduvidabem podetersurgido no meu 
coragao ede pronto foi pormim repelida, porquantotenhomilharesde 
provas insofismaveis na memoria e na alma. Alem disso, achei sua 
externagao inconveniente. SeTu, Senhor, fazes questao, nao aocultarei. 

11. Carosamigos, ouvi aquilo queeu ja havia rechagado! bservan- 
do, constantemente, a moga atraenteesedutora ao lado do Senhor, veio- 
me a ideia ridicula da possibilidade Dele Se poder apaixonar, enquanto 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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EncarnadolSetal fossepossfvel, queseriado Seu Espirito?Deuspodeamar 
todasascriaturascom um sentimento purissimo; afirmar poder Eleamar, 
sexual mente, umapessoadotadadefisico mui atraente, - ealgodificil para 
o mai intdecto, muito embora me dissesse: Em Tua Pessoa, toda especie 
deamor so podeser puro, mesmo seclassificado por impuro entreosho- 
mens Eiso ponto quedesejavasfosseexternado! Acaso vendo algo maisno 
meu amago, qudra-meaponta-lo eo mencionard sem titubear! 



175. Ideiasde Simon Sobre o Senhor, Como Homem 

1. D igo Eu: "Agora tepurificasteenada existedentro deti que possa 
perturbar tua fe em M im. Demonstrar-te-d, como a todos, o matagal 
espessodedescrengaqueteriasurgidoemti,senaotehouvesseslibertado 
daquda pequenina duvida. Tuasconjeturasseriam entao asseguintes: 

2. Queseria, seEu Meapaixonasseefecundasseumarapariga?Seo 
rebento fosse masculino, tambem seria um deus? E sendo feminine..? 
Tal proceder de M inha parte poderia alterar a Lei M oisaica? N ao teria 
esteato incapacitado M inha N atureza D ivina, naconservacao do Espiri- 
to Santo? u talvez nem seria posslvd Eu efetua-lo? M as nesse caso, 
como admitir-seter Eu criado o homem para tal, quando Eu Mesmo 
fosse inapto?! 

3. ato sendo pecado carnal eenfraquecendo alma ecorpo, por que 
foi deporM im implantado em cameealma?N ao teria sidopossivd pro- 
cessar-seaprocriagao, num caminhomaispuro?!Admitindo-seserdeo 
unicojusto,dentrodaO rdem D ivina, Deustambem deveria poder real iza- 
lo! Por que e o ato, pecado para o homem, enquanto isto nao se da com 
D eus? Seria possivd depecar em certas ci rcu nstanci as? M as como poderia 
D eusser o puro Amor, tomando-Seculpado dum pecado humano?! 

4. Como Deus, Elejamais poderia pecar; aedtando, porem, anature- 
za humana, - eSeu C orpo capaz ou nao do pecado?Teria de lutar tambem 
contra as fraquezas carnais? Possuindo-as, quern permite ser Ele, asam, 



Jakob Lorber 

312 

assoberbado? Existiria uma D ivindade mais antiga e mais devada quefir- 
masseessenovodeusporprovacoesdiversas,fazendo-o renascerem Espiri- 
to?Setaljovemdeuspecassequal homem, seriaigualmentecondenado? 

5. Acaso nao teriam razao osvdhosegipciosafirmando agenealogia 
dos daises principais?UranoseGeageraram Cronos, quedestroi cons- 
tantementesuasobras Zais- a vontadede Cronos- esalvopdoamor, 
crescesecretamenteesetornapoderoso. Seu regimen impoeaposentado- 
ria eterna para U ranos e C ronos, porquanto rege so e cria os homens na 
Terra, recebendo, deacordo com a determinacao do Destino - a divin- 
dade mais antiga- o peso das fraquezashumanasO Destino pareceser 
o grande Deus desconhecido; agora, cansado de governar, implantou 
secretamenteumacentelhadivinanumavirgem,rejuvenecendo-seneste 
fi Iho que assume a direcao govemamental ! 

6. Poder-te-iatransmitirumaquantidadedetaisaberragoesdequee 
constituido esse matagal de duvidas, ate mesmo sua degenerescencia. 
Como tua semente foi destruida, es puro, nao correndo risco do 
surgimento da erva daninha; detal forma tambem esapto ate torn ares 
M eu discipulo. 

7. Alemdisso, compreenderasqual o motivodestameninaMede- 
dicartodo o seu amor, porquanto ninguem M eamadessemodo. Vosso 
amor e mais admiragao sobre M inha Sabedoria e M eus M ilagres, para 
vos, incompreensiveis Ela, porem, MeamapuramenteporM inhaCau- 
sa, poissabeQuem Seocultaem M im. Istovalemaisdoqueadmirar-M e 
como D eus, porquanto todos devem saber que para D eus tudo e possi- 
vd. N ao deixa deser bom, enquanto a manifestacao dela e melhor. 

8. Queprefeririastu: seramadocomocriatura, ou porqueessabioe 
artista?0 primeirosentimentosurgedavidaeatingeavida;osegundo 
deriva do senso artistico etoca, apenas, arteeciencia de quern o possui. 
D ize-M e, qual dosdoishaveriasdeconsiderar mais?!" 

9. Responde Simon: "Evidentementeo primeiro; poisquem meama 
como homem, fa-lo-a tanto mais como sabio e artista. Q uem me amar 
supondo possuireu taisdons, em brevedeixarademeconsiderar, sabendo 
quetal naoseda. Por esta razao, Senhor,eo amor purissi mo dessa men ina 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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para C ontigo, um amor exemplar e nos ultrapassa em grau elevado! 

10. Claro e, ser maisfacil amocaamarum homem de modo natu- 
ral, do queisto sedar com o proprio homem. Seele, porem, considerar 
profundamenteo valor deseu proximo, ama-lo-a sem pesar suasquali- 
dades D escobrindo com o tempo certas virtudes, seu amor para com de 
aumentaralO Senhor, cadaPalavraTuaesublimeeverdaddraparatoda 
a Eternidade! 



176. A Uniao da CriaturaCom Deus 

1. (Simon): "Reconheco, Senhor, queTu Te revelas como Deusde 
modo completo, sem reservas e segredos como faziam os profetas ao se 
referirem aTua Personal idade quando usavam o maisespesso veu emal 
mostravam aorladeTuaVestimenta. Formaram rdigiaoeigrejas, - masde 
que forma? A rdigiao era qual estrda distante que irradiava do Espago 
Infinite um tenueraiodeesperangaaTerraencobertadetrevas; algreja, 
um edificio de pedras, um templo circundado de labirintos e peristilos 
obscuros, nao permitindo ascriaturasa penetragao do Santissimo, onde 
todososgrandes segredos daVidaseachavam expostosem mesasdeouro. 

2. Aqui nao so efranqueado tudo isto, poisDeus,o Eterno Inatingi- 
vd, Se revda Pessoalmente, como foi, e e sera para todo o sempre. Eis 
porquesetoma necessario assimila-Lo ffsica, psiquica eespiritualmente, 
pdoexclu3voamoraEle.Tal aproximagaopessoal doCriadorparacom 
a criatura tern, como efdto, uma completa identificagao entreambos. 

3. DeusSeuneanos, enosaEle, sem amenor restrigaodenossa 
individualidade, dentro do mais perfdto livre arbitrio. N ao e posslvd 
cogitar-sedevontadeliberrima, sem acompleta identificagao do ser com 
seu Criador, porquantoaVontadedeDeusSeencontranamaisperfdta 
ilimitacaoeavontadeda criatura, somentepda uniao coma divina! 

4. Ao querermos o que D eus quer, nossa vontade e independente, 
de acordo com a Vontade do Senhor; nao o querendo, ou apenas em 



Jakob Lorber 

314 

parte assim agindo, tomamo-nososescravosmaisinfelizesdenossace- 
gueira sem fim. So em Deus podemo-nos tornar perfeitamente livres; 
alem de D eus so existe julgamento e morte! 

5. Ves o meu desembarago oratorio, Senhor, e presumo ter falado 
certo! Q ueira acrescentarTua Bengao Poderosa, a fim dequeesta admi- 
rave! sementequeTu, o Pai Santissimo, plantastenesteplanetamui este- 
ril, possafrutificar no solo denossoscoragoesaindatolos. Querido Pai, 
funde-Teconosco, Teusfilhinhos necessitados, para que urn dia possa- 
mos integrar-nosem Ti, decorpo ealma!" Assim terminando, Simon 
desata a chorar. 

6. EisqueMelevantoedigo: "Vem, Meu querido irmao, abraga- 
M e, nao como Criador, mascomo irmao, a fim dequesejaso primeiro 
queseuniuaMim!" 

7. Responde Simon todo contrito: "6 Tu Santissimo! N ao merego 
tamanha G raga como grande pecador!" N ovamente ele verte lagrimas; 
Eu M edirijo aeleenum amplexo fraternal, mantenho-o contra o peito. 

8. Aposalgum tempo Simon seacalmaporquanto Eu o havia influ- 
enciadoediz: "Meu Senhor emeu DeuslQuefizeuparaTedemonstra- 
restao m iseri cord ioso? Sou pecador, poisminhafraqueza como homem, 
e grande. Asmogasbonitasmuito meimpressionam e, dequando em 
quando, sou assaltado por pensamentosimpuros. Por muitasvezes, cedi 
com volupia a tais pensamentos, se bem que, apenas, na minha alma, 
porquanto mefaltavam oportunidades. 

9. Em seguida me firmo em argumentos equilibrados sobre este 
ponto; mas que adi anta? Basta eu ver uma rapari ga tentadora - e la se vao 
meus bons propositos e o velho pecador esta em "otima forma." N ada 
fago; porem nao mecabemerito, por ser apenas conti do em virtude das 
circunstancias medo do castigo e a vergonha me impedem e nao a 
livre vontade que, em ocasiao oportuna nao se negaria. Infelizmente, 
ten ho de confessa-lo, nao merecer Tua I mensa G raga, Senhor!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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177. Natureza e Fim da Sensualidade 

1. DigoEu:'Amigoeirmao, quetensaver coma carneeo que nela 
se passa?! Se nao fosse por M im nela implantada tal tendencia, acaso as 
criaturassejuntariam para a procriacao?! 

2. SeEu naotivessedeitadonoestomagoafome, alguemteriaense- 
jo de se alimentar? D e que forma deveriam, nesse caso, transferir-se os 
elementos especificos da N atureza ao sangue e aos outros humores do 
corpo, dali ao centra nervoso, e assim purificados passar a substancia 
psiquica?AtravesdeM inhaO nipotenciatal sedadentrodaOrdem pri- 
mitiva; masqueseria da possibilidadeetema da sua consistencia? H ave- 
riaapenasumacondenagao implacavel, queimpediriaaindependenciae 
afutura I iberdadeespi ritual. 

3. A menor alteragao em MinhaOrdemestabelecida- eavidaem 
sua independencia e liberdadeteria um fim para sempre! N ao foi por 
M im dadoaosolhosacapacidadevisual, aos ouvidosaaudicao, a lingua 
o dom da palavra edo paladar, ao nariz o olfato?! 

4. Serias acaso pecador porsentires, dequando em quando, fomee 
sede?! Pecas quando ves, ouves, saboreias e usas o olfato?! Todos estes 
sentidosteforam dados para teaperceberes do formato dascoisas, ouvi- 
reso sabio sentido da fala econheceres os elementos bons, mausenoci- 
vosdentro da materia bruta eainda nao fermentada. 

5. Bern podespecar com os sentidos, quando nao em pregados den- 
trodaordem:aodirigiresteusolhosatrevidamentecultuandoacarne;ao 
te dedicares com prazer a cheirar coisas fetidas, que ultrajam o fisico, 
incapacitando-o parao trabalho; quando prestasavidamenteouvidosa 
injurias, blasfemiaseobscenidadesTambem pecas pelo paladar, navolupia 
incontida pelos petiscos; por que deveria ele ser estimulado por pratos 
dispendiosos, quando junto de ti os pobres perecem de fome e sede? 
Satisfaz-tecom al imentagao si mplesefresca; aotededicaresa intern peranca 
pecas, evidentemente, contra a rdem D ivina. 

6. Isto, porem, naosedacontigo; pdocontrariojaconseguistealgu- 



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mas vitorias sobre tua natureza, de proprio esforco. Foste comedido em 
tudo e control ado em teus desej os quedecertomodoteprejudicou,foi 
tuadescrenca nasEscrituras, que nao entendias; todaviaeratua increduli- 
dadesincera, enquanto a deGabi era farisaicamente falsa. Contudo, nao 
relegaste as Escrituras e desejavas apenas esclarecimento, razao pela qual 
estudastetodosossabiosegipciosegregos M esmo assim, nao sefeza Luz; 
permanecestepor isto externamentefariseu, enquanto continuavaspesqui- 
sadordedicadodaVerdade Sabendodisto,vimdespertar-teeabrir- como 
tambem aosoutros- asportasparaaVerdadeluminosa! 

7. Jamais poderas cair em trevas e seras urn divulgador zdoso pdo 
M eu Reino do Espirito nesta Terra. Atravesdeti, ospagaosna Persia rece- 
berao grandeorientacao. Por ora, alimenta-te; estasfaminto eainda nao te 
satisfizeste!" Simon, profundamentecomovido, acedeao M eu convite 



178. A Natureza dos Anjos. CoRAgAo e M emoria 

1. Tambem os demais hospedes se servem, mormente Raphael o 
quelevaComeliusadirigiraseguinteobservagaoaFaustoeJulius:"Es- 
tranho, como esteanjo, sem cameesangue, podeingerirtanto alimento! 
Acaba neste instante de comer o decimo segundo peixe, enquanto fui 
apenas capaz do ingerir umlTalvezpossaainda liquidar outrostantos!" 

2. D iz o anjo: "N ao somente doze, mas dez mil vezes mais, num 
instante, mesmo se fossem do tamanho da baleia, igual aquela ondeo 
profetajonassealojou, incomodamente, durantetresdias! 

3. Naonecessitodospeixesparaalimentar-me, esim paraaforma- 
gao do fluido semi-espiritual, pelo qual formei este meu corpo visivel 
dentro da Vontade do Senhor, mantendo-o temporariamente, muito 
embora espiritual nao carece de came e sangue. Acaso nao ves minhas 
veiasemeusmusculos?" 

4. A faculdade de poder eu dissolve-lo e novamente concentra-lo 
atravesdo poder dado pelo Senhor, baseia-seem minha perfeigao espiri- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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tual; nao so sou capazdedesintegrarinstantaneamenteestecorpo, como 
tambem o tai e ate mesmo o orbe todo. 

5. Acaso nao seria o ten fisico de outro material senao de came e 
osso, apenasporquepoderiadissolve-lo num instante?!Ou a Terra nao 
consisti ria de materias variadas, agua, ar e de enorme quantidade de de- 
mentosbasicos, so poreu poderdesintegra-lanum atimo, em suas parti - 
culas especificasdeori gem espiritual, cujovolumeseria para tua percep- 
cao visual - admitindotratar-sede materia- algoquenaoexiste?! 

6. Por isto, amigos, pensai antes de pronunciardes uma palavra, a 
fim deque- como discipulos do Senhor- jamais externeis uma tol ice, 
desonrando o vosso M estre! Se bem queja vistes e ouvistes muita coisa, 
naotendesumafracaideiadopoderinternoedaforgadum anjo, muito 
menos do Espirito Eterno de D eus! E ainda sois capazes de observacoes 
xistosassobreaquilo queum arcanjo necessita para sua manutencao tem- 
porariaeaparente?! 

7. Acaso julgais suportavel minha verdadeira figura luminosa? 
fogo de minha luz primaria seria suficiente para destruir inumeros sois 
centrais, tambem a ti e esta Terra! A fim de que isto nao suceda pda 
minha presenca, ten ho deformar estecorpo passage ro - pela Vontade 
Poderosa do Senhor - eencobrir minha natureza real detal modo, a 
evi tar todo disturbiodaOrdem,dentro do julgamento da materia. Toda- 
viaeladeveser antes preparadapelo meu fogo vital interno, assim servin- 
do-o como protecao. Eisporquesou obrigado aassimilar maior quanti- 
dadedealimento natural, quequalquer urn devos 

8. Desconhecieistal coisa; deverieis, porem, saber que nos outros, 
nao fomos convocados pdo Senhor, para nos apresentarmos diante de 
vos como comi Ides, palhagosou prestidigitadores; massim, ser-vosuteis 
de modo variado e dar-vos provas palpaveis da presenca dos anjos de 
Deusedeseu poder. Assimilando isto, - como epossfvel fazerdes obser- 
vacoes inapropriad as?' 

9. RespondeComelius:"Caroemaravilhosomensageiro do Senhor, 
nao nos queiras mal por isto! Ves como somos, espi ritual mente, nada 
mais que criancas recem-nascidas, levando antes, uma vida de sono do 



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queconsciente. Jamais algum de nos extern ar-se-a sobreteu apetite; ao 
mesmo tempo expressamos nossa gratidao pelo ensinamento grandioso 
quenosproporcionaste". 

10. Protesta Raphael: "0 agradecimento compete unicamenteao 
Senhor, vossoenosso Pai EternolAplicai tal nocaoatodasasexperiencias 
eaparicoes, queem breve, seres nossosirmaosmeritosos. Nadadeveser 
por vos criticado e ridicularizado, com excecao da mentira e da fraude. 
Poiso mentiroso eo mistificador devem sempreser apontados, para que 
saboreiem o fruto desuasacoes. 

11. Em todas as outras oportunidades, deveis ensinar as criaturas 
transviadascom meiguice; modificando-se, serao felizes. N ao o fazendo, 
podereisencurtarasredeaseducativas Setal atitudenaofrutificar, prendei 
tais teimosos na casa de corregao, deixai-os jejuar e ate mesmo acoitar, 
poisnuma boaeducagao o relho nao podefaltar! N osanjos, vossosedu- 
cadores ocultos, tambem o usamosquando sois teimosos eobstinados. 
G uardai esteensinamento eaplicai-o, quando necessario, quecaminhareis 
entrehomens; do contrario, convivereiscom animaisselvagens, ocultos 
em larvas humanas!" 

12. IndagaCirenius: "Senhor, teriao anjo falado defonte propria, 
ou sorvidoTua Sabedoria?' 

13. Digo Eu: "M eu amigo, tua memoria esta te abandonando de 
novo! N ao vosexpliquei desobrao quesao osanjos, como pensam, dese- 
jam eagem, - enovamenteindagasarespeito?!Sendoelesapenasformas 
animadaspelaM inhaVontade,- qual seriasuapropriedade?Quaisseriam 
seus pensamentos proprios, quando sao somente a emanacao de M inha 
Vontadeeum receptaculo de M eus Pensamentos, Ideiaselntengoes? 

14. Caso devessem pensar eagir individualmente, teriam antes, dese 
nutrirnamesadosfilhinhoseabengoarem came, estaTerra. Dai sededuz, 
nitidamente, que Raphael expressou M eu Verbo e M inha Vontade, que 
deveis respeitar, como se Eu M esmo ostivesseexternado em Pessoa. 

15. NecessarioequeassimileisMinhasPalavrascomosentimento, 
evitando assim esquece-las, poistudo o queo coracao abarca, permanece 
na recordagao podendo ser relembrado quando preciso. Sefor devossa 



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intencao guardar M inhasPalavrasapenasno cerebro, esquece-las-eisno 
minimo cem vezesao ano, poiscom a idade, a memoria nao etao forte 
quanta najuventude. que, porem, for assimilado pelo sentimento e 
absorvido pelo espirito e permaneceeternamente. 

16. Afirmo-vos: de tudo que neste mundo tiverdes aceito apenas 
pela memoria, nao subsistira uma virgula no Alem; por isto, os sabios 
estereis la seapresentam como surdos, mudosecegos, nada sabem, por- 
quanto denadaselembram. Sao, nao raro, tao desprovidosdequalquer 
nocao qual crianga ao nascer. Tern deaprender tudo de novo, desdeos 
elementosbasicos, docontrario, permanecem surdos, mudosecegos para 
sempre, poissentem apenas uma sen sagao apaticadavida, ignorando sua 
existencia passada na carne Tudo isto Ihes deve ser ensinado pouco a 
pouco, demodo peculiar. 

17. Q uando o coracao do homem e insensi'vel, toda sua natureza e 
embrutedda. Estando cheio deamor, eele iluminado pela luz do espiri- 
to, que Ihefaculta a nocao plena detudo. Por isto, assimilai o queouvis 
pelo sentimento, quesefaraaluzem vosso intimo.Jaquecompreendestes 
esta ligao, preparar-nos-emos para outra coisa; o que surgir dentro em 
pouco, vosfarapensar, dandooportunidadesdenovaaprendizagem, que 
em epoca propicia poderei sap Hear. 



179. Povo da AbissIn ia e N u bia 

1. (0 Senhor): "A maioriadentrevosconhece- ao menos, atraves 
deoutros- o celebreEgito. Existealem dascataratas, umaregiao monta- 
nhosaemui fertil chamadaAbi iesin (isto e: o filho dehAbi).Tal hAbi e 
descendente de Cairn enaodeNoe, poisaquelaserra- comotambem 
outrospaises- ficou ilesado Diluvio. 

2. filho desse hAbi era urn cagador poderoso; inventou aclavaeo 
arco, afugentando os ani mais ferozes - pois era ele urn gigante Sua voz 
fazia vibrar as rochas, em seguida dizimadas por sua clava. M anejava o 



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arcoeusavaflechasdedezlibras, numadistanciademil passos, sempre, 
atingindo o alvo. Alem disto, era soberano sobre os animais, fato que 
levavaosseussemelhantesalherenderem obediencia. Eravigoroso, nun- 
ca porem cruel; entretanto suasordensdeviam ser cumpridas 

3. Acreditavanum D eus Poderoso, Origemdetodasascoisas Esta 
Divindadetinha- aseuver- grandenumerodeservospotentes,vis(veis 
e invisiveis Alguns organizavam os tramites do Sol, Lua e estrelas; ou- 
tros, daTerra, outrosainda, dofogo, agua, etc., outra parte sobre a flora 
e mais outra sobre a fauna. 

4.Taisservos, sempredeveriam ser honradospelosmortaispelaobe- 
dienciaeo rigoroso curnprirnento dasleisque, oportunamente, Ihestrans- 
mitia. A inobservancia era castigada com rigor por toda sorte de sofri- 
mento, mormentequando sua agao para com o proximo era descortes. 

5. Emsuma, o filho dehAbi foi oprimeiro regenteesacerdoteda- 
quelepovinho, ao qual transmitiu umanocao mediocre sobreDeuseos 
seres espi rituais, sendo o sexto descendentedeC aim eo setimo deAdam. 
rientou as criaturas sobre os animais caseiros, tomou-se o fundador 
dumacoloniadepastoreseensinou-lhesocultivodefrutos,aconstrugao 
dechocasdepedras, palmeirasebarro. 

6. Ele mesmo saneou o grande pais dos animais selvagens e seus 
filhosherdaram abengaodeesforgostao imensos. Nodecorrerdealguns 
seculos, surgiu urn grande e poderoso povo, de bons habitos e munido 
dumaconstituicao governmental sadiaeutil, melhoremaisinteligente 
que dos proprios egipcios, sob o regimen dosprimeirosfaraos 

7. Esse feliz povo cercou todos os possiveis acessos ao pais, cinco 
vezes maior que aTerra Abencoada, de sorte a impedir o ataque de ani- 
mais selvagens. Por esse motivo, nao foi possivel ao inimigo assalta-lo, 
nao obstante sua extensao colossal, pois cada nova propriedade era de 
pronto defendida. 

8. Somenteem diregao do Egito, ondeseacham asfaldasdaCordi- 
lheirado Komrahai, tern elesumaunicasaida: trata-sedumagargantade 
quatrohorasdepercurso, num labirintosubterraneoquedesembocano 
N orte do Egito e passa por uma gruta muito estreita. Esta saida so foi 



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descobertapelosnativos, naepocadeM oyses, isto 4 porfugitivosquese 
ocultaram na gruta. Apos a terem penetrado uns quinhentos passos, 
munidosdearco eflecha, descobriram asaida. U ma vez salvos, entupi- 
ram a abertura com pedras 

9. Eram setentaaotodo:trintaeseishomensetrintaequatromu- 
Iheres. U m dos solteiros tomou-se guia, por ser o mais experiente, e o 
outro, ainda muito joven, foi por isto designado para servo do primeiro. 

10. N esta regiao ficaram durante ano e meio; todavia, nao Ihesera 
possivel sanea-la, muito embora dedicassem a maior parte do tempo a 
cagadeanimaisferozes. Partiram, pois, N iloacimaeaposalgumassema- 
nas, alcancaram ascataratasque, partindo do Egito, sao consideradasas 
segundas. Laenfrentaram muita luta etrabalho. 

11. Pela margem direita do N ilo teriam avangado maisfacilmente, 
poiso lado oposto emui escarpado, encontrando-seai inumerasferas. 
D esanimadosjatencionavam voltar a zona anterior quandoforam acom- 
panhados por grandes manadas de gado e cameiros que se dirigiam ao 
N orte. C rentes que seus perseguidores estavam em seu encalgo, prosse- 
guiram embora com dificuldadeeaposvariosdiasatingiram, finalmen- 
te, uma regiao maravilhosamentefertil. 

12. H avia superabundancia detamaras efigos, enormes manadas de 
gado e cameiros que pastavam sem dono. Aquelesanimaisqueanterior- 
menteoshaviam forgado aprosseguircaminho, perderam-senasfumas, o 
quefoi do agrado do grupo, porquanto sejulgava a salvo das perseguicoes. 

13. Nessa regiao, escolheram, primeiro, o melhor lugar, fortifica- 
ram-no e se estabeleceram num monte pitoresco, a margem do N ilo, 
todo plantado detamareiras, figuei rase pal meiras; alem dealgunsmaca- 
cos, nao haviavestigiosdeanimais. 

14. N odecorrerdeum seculo, o grupo tomou-seum povoconadera- 
vel queseapossou dasmanadaseconstruiu atealdeiasTodososhabitantes 
respeitavam crenga, habitosecostumesinduzidospelo filho dehAbi. 

15. Estegrandeetaofertil pais, foi pelosnegrosdenominado"Noua 
Bia" (N ubia), isto e: Nova morada. Com o tempo, travaram conheci- 
mento com os egipcios que se esforgaram por subjugar esses primeiros 



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negros, vistosporele. N o comego, julgaram-nosmacacosgrandes; quan- 
do perceberam quefalavam idiomaquasesemelhanteao deles, mudaram 
de opiniao, comprando seus animais, enquanto os negros aprenderam 
com osegipciosvariadasarteseciencias, degrandeutilidade, mormente 
o preparo dosmetais, quedesconheciam. 

16. Esse povomanteve ate agoraardigiaoeoshabitosrecebidosdo 
filho deAbi. Nesteano, surgiuentreelesumvidentequetransmitiuaos 
irmaosumavisaotidaporsetevezesseguidas Descreveu-lhesocaminho 
aencetar, afim dechegarem ao local ondeSeachaAquelequeensinaas 
criaturas o caminho, e o Grande Deus Desconhecido. Tal vidente de 
Noua Biachegara, ainda antes demeio-dia, com considered grupo de 
amigos, a zona deCesareia Philippi eenviaremos urn mensageiro para 
recebe-los. Vieram acamelo, trouxeram muitostesourosepagarao suas 
despesas com ouro e pedras preciosas. 

17. Tu, M arcus, prepara-teparasuprirosnubios; poisquando, on- 
tem anoite, M epedistepermaneceraindahojecontigo,cedi aoteu dese- 
jo. Do contrario, ter-M e-iaagregado demadrugada, em companhiados 
discipulos, a dita caravana. Assim, M inha Permanencia trar-te-a muito 
quefazer; todavia, serasrecompensado!" 



180. Senhor Enviaum Mensageiro A Caravana 

1. Diz Marcus, radiante: "Senhor, Onisciente! Quantas pessoas 
devo aguardar?" 

2. Respondo: "Precisamentesetenta, entreeles- como acontecera 
com os ancestrais - trinta e quatro mulheres e trinta e seis homens U m 
dos solteiros e o vidente, o outro - seu servo. 

3. Do mesmomodo os negros seevadiram haquasemil anos, em 
virtude duma renovagao das leis que, em epoca de M oyses, nao mais 
eram o que foram antes do Diluvio. antigo guia quis revigorar os 
habitos e costumes de an tan ho; encontrando apen as reagao de i n i m i gos, 



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queo perseguiam tenazmente, so Iherestou fugircom sai grupo, diante 
daquelefanatismo. 

4. Aquelafuga, entretanto, foi prenuncio profetico do recebimento 
da Luz do Alto, que indicou em tempo de M oyses, aos descendentes de 
Caim, de boa indole, o surgimento da Salvagao em nossa epoca. Esses 
negrosnao alcangarao - como osfilhosdeAbraham - o velho pogo de 
Jacob; todavia, sorverao sua agua maravilhosa, caso sintam ensejo. 

5. Agora resta escolher urn mensageiro, conhecedor de idioma egip- 
cio; no acampamento dejuliusacha-seum quesera por M im orientado 
como reconhecer o chefe daquele grupo e quais as palavras a serem pro- 
feridas" Prontamente, ocomandantechamatal homem. Quando junto 
deM im, o romano diz: "Filho altissimo deZeus! Q uaissao tuasordens? 
N ao merego tal preferencia, porquanto te compete ordenar aos semi- 
deuses, estes, aosprincipesdaTerra, dali asordenspassam aosgenerais, 
comandantes, capitaeseescravos, dos quais eu fago parte. Vejo, porem, 
teu intento defazer uma excegao etepego ordens!" 

6. Digo Eu: "Muito bem, Meu amigo! Es romano Integra, fiel e 
honesto em tuacrenga. C omo servistepor longo tempo no Egito, apren- 
dendo aquele idioma, faras papel de mensageiro, em Cesarea Philippi, 
quealcangaras, rapidamente, porquanto es bom cavaleiro. 

7. N aquelasproximidadesverasumacaravanadenegros, conduzida 
pelo guiaeseu servo, montadosem cameloscobertosdebranco; o guia 
cumprimentar-te-a de longe; traja-se de branco que corresponde a sua 
indole. Dirigir-te-asa ele, dizendo: "Alcangasteteu destino; segue-me! 
Em poucosinstantesachar-te-asdianteDaquele, queprocurasdeacordo 
com teu sonho!" Vai, pois, depressaqueencontra-lo-asondeasestradas 
principals secruzam!" 

8. chefe da guarda se curva respeitoso e diz: "U m veterano de 
Roma so rende homenagem aosdeuses; tu, todavia, merecesminhade- 
vogao plena!" Embora idoso, eledispara no cavalo arabeem diregao a 
cidade. Em pouco tempo, eleesta no ponto destinado, ondeespera um 
quarto de hora. N 6s mesmos ja avistamos a chegada daquela gente 

9. Q uando o romano depara com o guia, indaga-lheprimeiro proce- 



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dencia e motive de sua vinda. outro respondefirmeedeolhar franco: 
"Romano, quern te mandou esperar-me aqui? Viajando sobre o grande 
M areatravesdeestepeseflorestas, somenteospassarospodiam nosobser- 
var desdeo Egito. Es, portanto, o primeiro homem queencontramosem 
viagem. Q uem te avisou de nossa chegada? Acaso es vidente? Achas-te 
munidodearmasmuitasvezesbanhadasem sangue humano, - poristo 
nao podesser vidente! E precisoquesaibasdaexistenciadum Ser Supremo, 
acimadetodososvossosdeusesecriaturas, sejam dequecorforem. 

10. Porsetevezestiveamesmavisao:viaestazonaenvolvidaem luz 
indescritivel. Urn pequenogrupodepessoasdecorbrancaebronzeadase 
achava dentro dessa iluminacao, irradiando qual sois. Entreelas Seen- 
contrava U m, queemanava aquelefoco, do qual todo o U niverso parecia 
plena M uito embora sua forte irradiacao, tal Luz nao afetava a visao 
comofazadoSol. 

11. Nofinal decada visao, ouviasempreaspalavras "Dirige-tepara 
la, onde tambem a tua treva sera iluminada!" Transmiti isto aos meus 
irmaos e nos decidimos iniciar a viagem, partindo da N ubia e ha tres 
meses estamos a cam i n ho. 

12. Sabiaadirecaoatomar, porquanto meu protetor, quemeacom- 
pan ha ha seteanos, havia medito encontrar-seo local deminha visao na 
Asia, a beira-mar. De pronto reconheci a costa onde desembarcamos. 
D emos com esta estrada na qual nosvensreceber!Oh,dize-me, quern te 
mandou esperar-nos? Fala, pois pressinto coisa grandiosa!" Respondeo 
romano: "Encontrasteodestinode tua viagem pen osa! Segue- me! Den- 
tro em pouco, encontrar-te-asdianteDaquelequeprocurasem virtude 
detua visao!" Tomando elea dianteira, a caravana segue o romano. 



181. Senhor Palestra Com o GuiadosNubios 

1. N ao tarda e o interpreteconduz o grupo de negrosjunto de nos, 
queaindaestavamosamesa. QuandoYarah deparaaquelasfisionomias 



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cordeebano, delabiosvermdhoseolhosmui expressivos, elaseassusta 
ediz: "6 Senhor, quecriaturaspretas! N ao sao perigosas?Ja vi mouros, 
masjamaisum quefossetao preto. Quedentadura forte! Realmente, se 
nao estivesseaoTeu lado, ficaria amedrontada!" 

2. Digo Eu: "M inha filha, quern poderia temer a cor? Es um tanto 
infantil, masnao importa! Prestaatencao, poissurgirao coisasimportantes!" 

3. Antepoeda: "N ao entenderei uma palavra, porquanto desconhe- 
coseu idioma e des nao falamoutros" 

4. D igo Eu: "Sera tudo traduzido; ouve, pois, calada." Em seguida 
facochamarovidenteeseu servoelhesindago, em hebraico, do motivo 
de sua Jornada. N ao obstante ciente, era precise dar-lhes oportunidade 
paraseexternarem. 

5.0 guia,depronto, respondeda mesma forma, dizendo: "Perdoa- 
me, se me atrevo a observagao modesta deter encontrado em tua pessoa, 
aquda que vi em sete visoes, numa claridade indefinivd, fato que me 
levou a percorrer o mundo. Q ueira, pois, dizer-meseestou certo?" 

6. Respondo: "DenadateadiantariaseEu dissesse"sim" ou "nao". 
Tens de descobri-lo sozinho. Uma vez isto alcancado, progrediras; mas 
tensdequerer com rigor efirmezalTodo ensinamento externo denada 
vale, senao for em tempo conquistado internamente Acabasdefalar em 
hebraico; acaso te lembras de teres aprendido este idioma? Pergunta a 
teus colegas a respdto, pois da-se o mesmo fato com des." 

7. chde dirige seu camdo para la e fala-lhes em nossa lingua; 
todos o compreendem e respondem da mesma forma. C ompldamente 
foradea, des nao sabem oquedizer, poisignoram queEu possafacultar 
tal fenomeno. 

8. Voltando para junto de M im - ainda montado no camdo - o 
guia diz: "N obilissimo representantedo homem naTerra! N ao sei o que 
pensar! E esta a minha primdra viagem e nunca depard com outros 
idiomas! Sou completamente inexperiente, porquanto em nosso pais, 
tudo esimplesenao apresenta novidades E bem possivd que esta zona 
ten ha a faculdade de proporcionar ao estrangdro a assimilacao de seu 
idioma. Naosd setal epossivd, portantotepegoexplicagao. N a minha 



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terra, nunca experimentei tal fato, pela simples razao de la jamais ter 
entrado urn estrangeiro." 

9. Digo Eu: "Descarregai primeiro vossos animais, conduzi-osao 
pasto, a beira-mar, para poderem descansar; poiso caminho devolta a 
tua patria e em nada mais curto, que aquele que percorrestes! D epois, 
veremoso grau deorientagao quevospoderaser ministrado!" 

10. Ele se curva respeitoso e diz: "Nobilissimo Homem dos ho- 
menslTens razao, ja que nos e permitido pisar este solo abencoado com 
nossospesprofanos!" 

11. D igo Eu: "N ao o sendo para as patas de vossos camelos, tam- 
bem nao o sera para vos!" Contrito, o chefesedirigeao grupo quepron- 
tamentedesce dos animais. Deznegrososvigiam no pasto, enquanto os 
outros voltam a nos Indago, entao, do nome do guia que diz: "M eu 
nome e identico a minha funcao e soa em nosso idioma "Ou bratou 
vishar". Em nosso pais so seadotanomes que correspondam a prof issao; 
foradistotodossechamam Slouvi." 



182. Guia Relata Sua Viagem a M emfis 

1. Prossigo: "0 nde adqui riste tua cultura apreciavel?' 

2. Responde ubratouvishar: "H a dez anos atras, eu e meu servo 
caminhavamos, acompanhadosdevintesubalternosquedeveriam vigiar 
umagrandeboiada, a margem do N ilo. Q uem la pretendeviajar, tern dese 
prevenirdegado, caso nao queiraperecer em caminho. Figosetamarasnao 
nascem por toda parte, senao em solo bom egordo; enquanto as margens 
do N ilo nao carecem decapim, proporcionando bom leiteao viajor. 

3. Assim prevenidos, tentamos uma excursao que durante doisdias 
passou sem novidades; no terceiro percebemos, de longe, urn poderoso 
fragor eapressando nossospassos, deparamosa primeira queda do N ilo, 
impedindo prosseguirmos Urn companheiro destemido subiu numa 
rocha e nos descreveu urn caminho que, a esquerda, afastava-se do rio, 



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mas a longa distancia, novamente se unia a el a Resolvi, pois, segui-lo. 
Estava cheio derochasescarpadas. Somentea noite, alcancamos, depois 
deum Sol causticante, umaregiaoabarrotadadepalmeirascomunsede 
papiros, em cujo meioseachavaumafontecristalinaquenosproporcio- 
nou descanso merecido. 

4. Nodiaseguinte, partimosdemadrugadae a aurora alcancamos, 
novamente, o N ilo e uma estrada larga pela qual apos meio-dia, chega- 
mosasproximidadesdaquelacidade, tantasvezesmencionada pelosnos- 
sos ancestrais. Acampamos ha dois mil passos; eu e meu servo cavalga- 
mosao centra, a fim de pedirmos permissao para permanencia. 

5. U ma multidao de criaturas bronzeadas nos rodeava, indagando 
denossaprocedencia; outras, prontamenteadivinhavam, dizendo:Thot 
e N oubiez! (Ele e urn nubio), e eu, confirmando, externa o desejo de 
aprender muita coisa boa eutil daquelas criaturas inteligentes. Chama- 
ram urn anciao que me submeteu a exame rigoroso, e ate me acompa- 
nhou ao acampamento ondeserevelou como Sumo Sacerdoteeprefeito 
dacidade, nomeado por Roma. Ofereci-lhesetevacas, doistourosevinte 
cameras, produtoresdeotima la. 

6. Istotomou o velho muito amavel, dizendo: "Nossasabedoriaanti- 
ga e pura ser-vos-a mui util; evitai, poren, nossos habitos corruptos! Esta 
cidade foi outrora o orgulho do pais, o que prova seu nome "M emavise" 
(em grego M emfis), isto a usa o maiselevado nome; agora, tornou-seum 
extenso montao deescombros, conformevospodeiscertificar! 

7. povo, em parte, nao ere num Ser Supremo, pois defende o 
polita'smo, rendendoatehomenagem aosanimaiseseusdetritos, ends, 
poucoscrentesnum DeusUnicoeVerdadeiro, temosdedeixa-loassim. 

8. Nossos ancestrais, para tanto, deitaram a semente, porquanto 
dedicavamumadevogaosemi-divinaaalgunsanimais,emvirtudedesua 
utilidade, estimulando o povo ao seu tratamento especial. Q ueriam eles 
apenasfazer ver a maisvariada irradiacao do amor eda sabedoria divinas; 
com o tempo, a H istoria dos povos, quanta mais se retrai no passado, 
toma-se mais e mais venerada e envolta dum nimbo divino. Os 
doutrinadorespopularestemjogofacil paradivinizarosacontedmentos 



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de eras remotas, e enterrar a plebe cega numa supersticao tenebrosa. 

9. Por isto, meusamigossinceros, precavei-voseaceitai apenaso que 
ouvirdesdemim, como verdade; detudo quevirdesentreo povo, - afastai- 
vos, poisenocivo. Vereispraticarcerimoniasocaseem grandescomemora- 
coes, ateeu mesmo tomarei a dianteira em ornato deslumbrante N ao vos 
escandalizeispor isto, porquanto assim ajo extemamente, enquanto o meu 
intimopermanecefiel aoDeusUnicoeVerdaddro, cujoAmoreminha 
vidaecuja Luz representa meu real conhecimento e saber. 

10. Acompanhai-meaminhacasaondevosdarei orientacao sobre 
vossa conduta; demonstrar-vos-ei tambem o pasto apropriado para vos- 
sosanimais, ondepodereisficarduranteum ano, sem serdesmolestados 
como estranhos Tu eteu servo morareis comigo para vossa instrucao." 

11. Obtemperei: "Bom mestre, permitiras conduzirmos a cidade 
nossa pequena demonstragao de respeito para contigo?" 

12. Respondeuele,amavel:"Daqui atresdias,quandotiverdesocu- 
padotal pastagem. La, convem usardescalcado, poisanoiterastejauma 
quantidade de pequenos insetos e vermes na grama, local iza-sedebaixo 
dasunhas, ondeprovoca, com o tempo, fortes dores Tratarei disto, pois 
ten ho mu itos servos e escravos!" 

13. Assim, voltamos a cidade, a uma grande praga circundada de 
enormesconstrucoesfeitasdepedras. Variasjaestavam urn tanto avaria- 
das, outras ainda bem conservadas U ma consistia somente de colunas 
cobertas de sinais e inscricoes, que o egipcio me explicou mais tarde, 
entreasquaisseviam estatuasgigantescas. Ao ladoseachavaum enorme 
palacio onde havia grande movimento. Ele, entao, disse: "Eis minha 
moradia;entrai!" 



183. Maldicao da Excessiva CulturadosEgIpcios 

1. (Oubratouvishar): "Diantedo palacio estavam dois enormes 
obeliscos repletosdevariados sinais, figuraseescritos; dois identicosse 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

329 

achavam frenteao peristilo, pleno decolunas Acanhados, entramose 
tivemosqueandar bastante para chegarmosaosaposentosdo chefe, que 
tao maravilhosos eram a ponto de nostontear. 

2. M entalmente, com pard-osaminha simples cabanaedissedemim 
para mim:"Por que n6snegros,somos tao pobres em nosso saber econhe- 
cimento? Por que n&somoscapazesdeconstruir tais edificios, nem lidar 
com o manejo de metais? Por ora, nao possuimos outros instrumentos 
senao os recebidos dos egipcios, em troca de produtos naturais Q uao pri- 
mitives sao osnossosteares! N ao possuimostalento, nem inspiragao ezdo! 
M al alcancamosum grau maisdevado que osproprios macacos!" 

3. Externando eu tais pensamentos, o chefe me disse: "N ao te im- 
presaones por isto; todas estas maravilhas sao obras do passado e nao 
maisnosalegram. Vosaindasois jovens, chaos deforca, plenosdezdo, 
no infcio de seu despertar. N 6s ja ddxamos de existir para este mundo, 
nossascoroasjazem partidasnatumbado esquecimento, os pal ados es- 
tao ruindo, o atual conhecimento e o pior que existe Temos poucos 
ferrdrosetecdoes; asnecesadadestecnicassuprimosem RomaenaG recia. 

4. Ha alguns milenios aqui viveram criaturas semi-divinas, que 
erigiram obras, de cujos restos os ultimos descendentes desta Terra se 
deslumbrarao. Nossa produgao e mais uma destruicao, tanto material 
quanta espiritualmente Vossois urn povoainda forte eincorrupto, po- 
dendo tornar-vos maiores que nossos ancestrais. 

5. Sequiserdesviverrealmentefelizes, - permanegaisnasimplicida- 
de! Primdro, voscusta pouco esforgo ealem disto, reduzvossasnecessi- 
dades fisicas que suprirds facilmente. Vossa criagao provida de gordos 
pastas, pouco trabalho da; a vestimenta e simples, - portanto tendes 
tempo de sobra para entregar-vos aos estudos espi rituais. 

6. Isto vale mais, do que construir tais palacioscom o suor sangrento 
demilhoesdecriaturas, afim dequeadestruigao do tempo sepossaentre- 
ter! Q uevem aser urn montao depedrasartisticamentemontadas, ao lado 
duma eva, obra divina? N ada! C ada arbusto, cada capim e uma constru- 
gao de Deus, nasce na terra sem nossa colaboragao e em pouco tempo 
supre nosso paladar! Enquanto que as construcoes humanas, alimentam 



Jakob Lorber 

330 

apenasorgulhoedespertam invejadeoutrospovos, guerraeperseguicao. 

7. C aro amigo, trata-se da felicidade bem duvidosa dum povo tolo, 
em cobrirseuspastosferteis, depalaciosmortos, ondemilhoespoderiam 
senutrirdosfrutoslaproduzidoscom simplicidadeINo local ondefoi 
erigidaestacidade, dezmil pessoaspoderiam seabastecercom suasimensas 
manadas de animais uteis; agora, ainda habitam cerca de cem mil em 
suasmuralhasavariadas. M asquevida levam? 

8. Conformediza H istoria, este pais era o eel eiro detrigo que em 
epocas demised a supriu outrospovos; hojeem dia, nosvemosobrigados 
anosabastecerem paiseslonginquos Nossasmanadasseachamem misero 
estado. M ilhares de pessoas nao trabalham, em virtude de suas posses, 
flaneam dia a dia, mantem concubinasenaoraroseentregam apraticas 
dissolutas Tal proceder traz uma quantidade de molestias, - coisa que 
desconheceis. D uranteashorasdecalor, vereiso centra quasequedespo- 
voado; ao descer da noitefresca, surgem desuasmoradasdepedras, quais 
abutresesedivertem comtodasortedevicios. Eisasbencaosprovindas 
da grande cultural 



184. BenefIcio da Cultura Primitiva do 
Homem Simples 

1. (Oubratouvishar): "Portal motivo permanecei em vossa pureza 
natural e primitiva ejamaisalimenteisensejo por tal cultura miseravel! 
N ao planejeiscidades! Ficai em vossastoscas cabanas, quepodereissero 
povo maisfeliz da Terra, mormente, permanecendo no justo conheci- 
mento deDeusUnico eetemamenteVerdadeiro, amando e honrando 
somenteaElelEmboranaoO vejais, Elevosveesemprevosmunirada 
forca necessaria, para afastar os elementos nocivos ao homem. Pela lei 
primitiva da N atureza, e Elesoberano sobretudo. 

2. Vos ainda sois o que deve ser o homem. D iante de vossos passos, 
fogem leoes, tigres, panteras, hienas, lobos, ursos, serpentesevi boras; ape- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

331 

nas as manadas mansas vos seguem. D e tal forma constituido, o homem 
ainda pisa o grau elevado de sua existencia primitiva onde o Criador o 
haviacolocado. Deitai-vosna grama, ondeproliferam ofidios, - eelesfugi- 
rao do local santificado, ondeo homem repousa como rei da N atureza. A 
perigosaformiga, maldicao detantasflorestaseestepes, emigra, logo queo 
homem em suaforca primitiva pisa o solo. crocodilo - dragao do N ilo - 
nao evisto perto desua morada, enquanto o ibis, a cegonhaeo icneumon 
(isto e nao contem veneno), servem ao homem no saneamento da terra, 
detodasortededementosnocivos, eoscondoreslimpam oscamposdos 
cadaveres, a fim deevitar seja empestada a atmosfera. 

3. Q uevida maravilhosado homem justo em tal zona, - eque exis- 
tencia miseravd vivem osdascidades, cheiasdeorgulho eamor-proprio! 
Perderam todo poder primitivo; tornaram-seestranhosno grandereino 
da N atureza, inteiramenteseparadosdeDeusedeoutrosseresIA fim de 
seprotegerem sao obrigadosaconstruirem burgosecastelos! 

4. Seeudeixassepernoitarcem homensnopastoquevosindicarei, 
- nenhum salvariasuapele! N ao maissao criaturas, masapenassombras 
e seus fisicos aleijados, verdadei ras moradas dos mais variados elementos 
da N atureza nao fermentados. Sua aura nao emaisseu "eu" divino, mas 
urn animal desprovido, portanto, dequalquer poder interna A N atureza 
externa nao depara neles o ponto culminante de sua existencia, senao 
uma corrupcao total ecompleta destruigao do grau pelo qual, toda cria- 
turatem depassar para alcancarseu final destine Portal motivo, toda a 
Criagaoeinimigadetaispessoaseprocuradestrui-ladequalquermanei- 
rapossi'vel, poisnadamaispodedelaaguardar. Por isto, meu amigo nubio, 
sede, tu eteu povo, alegrescom vossa cor epor habitardes ainda as caba- 
nas inocentes, porquantosoisaindaoquedeveisserdentro da Ordem do 
Espirito Supremo. 



Jakob Lorber 

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185. A EstadadosNubiosno Egito 

1. (0 ubratouvishar): "Agora trataremos do local destinado paravos- 
saestadaaqui. Alem disto, designarei umaguardadeprotegao paraafas- 
tardevoso povo pervertido, poisnao vacilariaem corromper-vosfisicae 
moralmente!" A estaspalavraseledeu uma pancada num gongode me- 
tal, edesubito, apareceram homensarmados, decor bronzeada, receben- 
doordensdeseu chefe. dirigentedogrupoquesetrajavasemelhante 
ao amigo queaqui nostrouxe, observou ser a zona a nosdestinada um 
antra devi boras eserpentes, portanto, perigosa para homenseanimais. 

2. DisseO ubratouvishar: "A estas criaturas ainda incorruptasem 
nada poderao prejudicar; pelo contrario, osofidioscederao terreno. Vos 
mesmoscomovigias, naotereisdifi culdadesporestemotivo. Agora trazei 
vinteedois pares desapatosdecouro com que proveremos estas pessoas 
puras, afim denao magoarem seuspessem necessidade" 

3. Eu e meu servo de pronto calcamos os mais comodos; os outros 
sapatos foram entregues aos nossos colegas para se dirigirem ao pasto. 
Em companhia do chefe tambem encaminhamo-nospara la, onde de- 
paramos grandeplantagao detamareiras, figueiras, laranjeiras, etc.Toda- 
via, observe delonge, o sibilar deinumerosoffdios. 

4. Dentroem pouco, ai chegaram meusamigoscomasmanadasde 
gado, cameiroseoscamelos. Sem receio algum percorreram o vasto ter- 
reno e todos os repteis - inclusive quatro crocodilos - fugiram para o 
N ilo, cujasaguasem meiahoraestavam porelescobertas. chefeexpli- 
cou o fenomeno aos vigias, animando-osa acompanharem nossa gente, 
pois de estava certo de que ate a noite nao mais haveria um ofidio no 
pasto. E assim realmentefoi. 

5. Do lado oposto do N ilo, vimosfugir u'a manada de cameras, 
com seus pastores, diantedaquda bicharada. Oshomensconseguiram 
salvar-sesobreumaponte; muitosdoscameiros, porem, foram atacados. 
Alem disto, umaquantidadedecodhosfoi dizimada. 

6. A guarda muito sealegrou com osfrutos, ben como asalfarrobas 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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que af, geralmente, seaproveita para alimento doscamelos. Por isto, seu 
chefedisse:"HonraalsiseOsiris!Finalmentepodemosaquicolher, fato 
j amai s possfvd neste pasto. " 

7. Disseo prefeito: "A colheitaser-lhes-adestinada, poislimparam, 
pela sua aura, o terreno empestado; podeis saborear, apenas, aquilo que 
debom grado vosoferecerem! Alem disto, preservai-vosdepronunciardes 
osnomesdevossosdeusesfuteis, poisentrevosnaohaum quenao fosse 
pormim instruidosobreovedadeiroDeus!" 

8. Virando-se para mim prosseguiu: "Como ves, estas provido de 
tudo com o Auxilio do Altissimo! Amanha cedo, voltarei a fim de ins- 
truir-tesobreoTernploernaistardepoderastransmitirosensinamentos 
aos teus amigos. Ate la permanece na G raga D ivina!" 

9. Em seguida, elevoltou acidade. Deviaserpessoadegranderepre- 
sentacao, porquanto todosostranseunteso reverenciavam sobremanei- 
ra, fato nem percebido por ele, pois caminhava absorto em profundas 
meditacoes. A noitinha, aproximou-segrandemultidao decuriosos, sen 
queum seatrevessea pisar nosso tereno. Alguns, nosprocuraram adve- 
tir do peigo dos ofidios; a guarda, no entanto, afastou-os dizendo nao 
mais have prejuizo, porquanto nosso pode oculto os havia afastado. 

10. Com o leitefomecido pelo nosso gado, nosalimentamosetam- 
bem produzimosbom queijo. Assim pemanecemos durante urn ano 
naquelepais, aprendemosdochefemuitacoisautil, mormenteoconhe 
cimento do Deus Supremo. Decorrido esse tempo, voltamosa patria, 
ondesemanisfestaram minhasvisoes. Imediatamente, aprontei umaca- 
ravana e tencionava viajar para M emfis, a fim de relata-las ao amigo. 
Este, poremjahaviatidonoticiasateu respeitoeindicou-meotrajeto 
para ca; ao mesmo tempo, deu-me urn inteprete que nao quis traze. 
Agora, H omen doshomens, sabesdondefui adquirir meu saber. D ize 
me positivamente se me acho no lugar certo ou nao!" 



Jakob Lorber 

334 

186. N EGRO PEDE CONFIRMAgAO DA PRESENgA 

DO Senhor 

1. D igo Eu: "J atedisseha pouco nao ser detai proveito Eu afirmar- 
te: sim ou nao! Tens de descobri-lo por ti mesmo e isto te sera facil, 
porquanto nao esdestituido deintuigao. Meditasobreaspossibilidades 
humanas e dize-M e se ainda nao te apercebeste de algo contigo ou em 
algum outro." 

2. Diz o nubio: "Como ja mencionei anteriormente, nada de 
incomum notei, alem da faculdade de vosso idioma ao penetrar neste 
pais N o inicio, estranhei qualquer coisa; quanta maistempo passa, mais 
natural idadedeparo convosco. Durante nossaviagem pelo Egito, priva- 
moscom romanosegregoscuja linguaentendemoseatepodiamospa- 
lestrar com eles, se bem que nao tao facilmente como aqui. Tudo isto 
pode muito bem depender da atmosfera e irradiagao do pais. 

3. Como pessoasdeindoleainda simples, somosmuito maissusce- 
tiveisatodasortedeaparig6eseimpress6es;vemosasalmasdesencarnadas 
easvezesasqueaindanaoencamaram,conformesuapr6priaafirmagao. 
Taisalmasda N aturezasao facilmente reconhecidas, porquanto mudam 
subitamentedeforma, dissolvem-se em pequeninos seres, fato que nun- 
canotamosem almasdesencamadas, podendo tarn bem seconcretizarna 
forma humana. 

4. Indagamosdosabiochefe, em Menfis, se tarn bem podia vertais 
aparigoeseelerespondeu ser isto faculdade das pessoasmui simples, que 
ignoram completamenteavidaartificial. Entreseusconterraneosjamais 
sederatal fato, eem outras pessoas, quando esporadicamenteacontecia, 
isto sucediademodo indefinido einexplicavel, enquanto conosco, tudo 
era natural eincisivo. Dai pode-sededuziroporquedanossacapacidade 
linguistica. Setu, homem nobre, o considerares, compreenderasnao es- 
tarmos convictos ser este local, exatamente, aquelevisto por mim. 

5. H amuitacoisaafavor: umacasadepescadorpertodum montee 
abeira-mar; umaquantidadede pessoas derelevo;tu mesmo teasseme- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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lhas aquele homem luminoso quevi por setevezes. Ele, porem, tudo 
realizava pela simples palavra: Ceu eTerra Ihe eram sujeitos efalanges 
incontaveisaguardavam seu aceno! 

6. Isto, aqui nao sucede! Encontrei criaturasexcessivamente boase 
sabias, mas tarn ben eso. Por isto, pergunto semeacho no lugar certo. Se 
responderessim, ficarei; poistua palavra meesuficiente. Do contrario, 
voltaremos a path a e resgataremos nossas manadas com o restante da 
importanciadapenhora, poisdeixamososanimaisem Mentis, a conse- 
Iho denosso amigo. Ves, portanto, nao ocultarmosmaldadeem nosso 
intimo, nao obstante nossa cor. ProcuramosaVerdadeplenaealimenta- 
mos a esperanca viva de encontra-la algum dia!" 

7. DigoEu a Raphael: "Da-lhesumaprova, afim dequesaibam a 
quantasandam!"0 anjoseaproximadeOubratouvisharediz: "Amigo, 
qual foi o objeto quedeixasteem tua patri a e por cuja causa querias voltar 
de M emfis?Tencionavas com isto presentear o sabio chefe e ja havias 
enrolado o objeto em linho; na pressa da partida, esqueceste-o num can- 
to da tua taba, onde ainda se encontra. Se for do teu agrado, tra-lo-ei 
nestemomento!" 

8. Respondeo nubio: "N ao para meconvencer seando certo, pois 
acabasdemeprova-lo, mas em virtudedemeu desejo em querer pro- 
porcionar alegria ao nosso amigo, quando passarmos de volta em 
M emfis! Trata-se duma raridade no reino da N atureza e so tern valor 
pelabelezaexcepcional!" 

9. N o mesmo instante Raphael Ihe entrega o objeto enrolado em 
linho eperguntaseeo mencionado. preto solta urn grito deespanto e 
diz: "E ele, sim! M as como pudeste busca-lo, pois nem te afastas-te?! 
Teriasacaso, nosacompanhado despercebidamente, quando ha urn ano 
atrasvoltavamosdeM emfis?M as, paraqueminhastolasperguntas?Pois 
eu mesmo o escondi pouco antes deajaezar oscameloseo cobri com a 
cascadumaabobora! Evidentementeofostebuscar! M as..., como?Tu es 
Deusou urn Seu servo!" 

10. Diz Raphael: "Por certo sou, apenas, urn mensageiro celeste! 
Notoqueesqueci acascaquecobriatuajoiaeve, - aqui estaela!Depo- 



Jakob Lorber 

336 

sita nelatuapreciosidadeeapresenta-aaos outran ansiososporve-la!" 



187. OsNubiosReconhecem o Senhor 

1. Os negros, completamenteestonteados, nao sabem o quedizer. 
Como pessoasainda puras, portanto aindasenhoresdoselementos, po- 
dem realizarmuitacoisapdafirmezadesuafeevontade, fatoque, em 
criaturas mundanas, econsiderado obra milagrosa. Por isto, tela sido 
dificil impressionarsuas almas por outrofenomeno. A cura de molestia 
nao seria admissive! por desconhecerem os males fi si cos. Alcancavam 
idadeegeralmentemorriam sem sofrimento. 

2.Jamaisperdiamseusfilhos, porquantogeradosdentrodaOrdem, 
nasciam perfeitosesadios; aalimentacao, tambem, sendo simples, nao 
erapossivd nelesseinfiltrar elementosenfermigos. Casoselhesquisesse 
apresentar uma cura milagrosa, teria sido preciso explicar o que era a 
doencaecomoseproduz. Istoacarretariaum prejuizo, porquanto o co- 
nned mento do pecado edeseu efdto, jaetanto quanta a pratica. 

3. Talvez alguem sugerisse uma ressurrdcao como prova?! N ao teria 
efeito para criaturas que reconhecem ser a morte, uma Bencao de D eus 
Considerariam tal fenomeno urn ultraje contra a Ordem do Espirito 
D ivino, ateserem orientadossobreaVerdade. A provocacao dumagran- 
detempestadetomariam por coisa natural, devido sua alma mui sensiti- 
ve poisdespropriospossuem grandeinfluenciasobreosdementosdo 
ar, agua, terra e fogo. U ma vdocidade que ultrapasse a duma flecha e, 
para essas criaturas, urn real milagrequesomenteDeuseSeusEspiritos 
maisdevadospodem efduar, nunca, urn mortal devontadefraca. 

4. Ainda extasiados dianteda acao de Raphad, ubratouvishar diz 
aos outros "I rmaos, todos nos presenciamos uma acao somente possivel 
a Deus, poisnao seriamoscapazesdeemitir nosso pensamento demodo 
tao rapido como a agao deste servo divino! Estamos no pouso certo; 
cabe-nosapenasdirigirmo-noscom o maximo respdtoeveneragao Aqude 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

337 

queSeacha no centra da grande mesa. quepor Elefor proferido em 
Sua Indefinivel GracaeM agnitude, ser-nos-aum M andamento, o mais 
Santif icado, que nossos descendentes respeitarao ate o f i m dos tempos! 
5. Longaepenosafoi aviagem para aqui, e se fosse ainda mil vezes 
pior, nao equivaleria a grandeza desta Graga jamais merecida! Ai esta o 
Espirito Poderoso em Forma H umana, Elequefez Ceu e Terra etudo 
que existe, somente pela E manacao de Sua Vontade! C ada momento de 
nossavidaestaem SuasM aos; sefossedeSuaVontade, nao maisexistin- 
amos. Em suma: Ele eTudo em tudo; isto prova minha visao que se 
enquadra nosensinamentosdo sabio deM emfis!" 



188. A EXCESSIVA HUMILDADE 

1. Q uando o nubio termina seu discurso respeitoso, Eu o chamo e 
Ihe indago o que ele e seus companheiros desejam comer, caso estejam 
com apetite, pois aviagem mantimaaguca-o. 

2. ExclamaOubratouvishar: "Oh, queGracaITu, o Poderoso, per- 
mitesqueum verme mi seravel externesua necessidade, 6 Espirito Eter- 
no! M as o verme no po, nao se atreve, em sua nulidade, externar uma 
palavra sequer, para nao setornar importuno diantedeTi, Santissimo! 
Temos ainda alguns sacos de tamaras e figos secos do Egito, e algum 
estoque de pao, duas vezes assado, que nos supri rao du rante a curta esta- 
da aqui. Por isto, rendo-Te, de coragao agradecido e contrito, minha 
eterna gratidao que nada vale diantedeTua Suprema Bondade!" 

3. Respondo: "M eu amigo, se pretendes externar-te com veneragao 
taoexcessivaeinteiramentedesnecessaria, ser-M e-adificil transmitir-te al- 
gum conhecimento. Alem disto, nao M ehonrasquando - como obrade 
teu Criador- denadateconsiderasmerecedoreterebaixasao nivel dum 
insignificante verme no po. Pela nao apreciagao de ti mesmo diante de 
M im, teu Deus, desclassificasAquelequetecriou pelo AmoreSabedoria! 

4. Seadquiresaobraartisticadealguem, acaso honra-lo-asao elogia- 



Jakob Lorber 

338 

lo e as suas demais obras, enquanto a que compraste e por ti reduzida, 
pois te faltam ate palavras para tua critica?! Esta especie de humildade 
diante de M im nao e sabia, porem tola e ridicula! Ao te considerares 
imprestavel esem valor, lancas-M eem rosto ser Eu um miseravel artifice 
deMinhaCriacao! 

5. Se, ao contrario, reconhecesjustamente M eu Valor em ti, nao te 
considerando demasiado infimo e miseravel para poderes dissertar Co- 
migo sobre diversos assuntos, honras a M im dentro de ti e reconheces 
M inhaPerfeicaoDivinaemteu proprio fntimo. Destemodopodestirar 
deM inha Presenca o real everdadeiro beneficio, pelo qual encetastetua 
viagem. Tua excessiva humildade, todavia nao e propriamente pecado, 
poisse baseia em tua educacao religiosa. 

6. Acabasdereceber uma justa orientacao nesteassunto; tua anteri- 
or compreensao nao nos seria util, pois te obrigaria a deixar este local 
demasiado Santo, paraem Memfis, emaistardeemtuapatria, expandir- 
tedemodoextraordinario sobre M inhaSantidadeperturbadora, - den- 
tro de teu conceito! Tal seria o beneficio que desfrutarias para ti e teu 
povo! Acaso estarias satisfeito? 

7. Por certo que nao! Pois num momento mais lucido, terias de 
confessar: M asquevem a ser isto?!Teriaeu encetado viagem tao penosa 
para no destino certo ver-meobrigado a medesesperar detanta venera- 
cao?! Eisuma bem-aventurancaefelicidadedasquaisnao desejo repeti- 
caolTal teria sido o resultado! 

8. Eis porque urge deixar valer o raciocinio, meditar no que seja 
j usto em cada situagao da vida e assi m progredi ras em toda parte e obte- 
raso resultado vivo. Afastadeti todo respeito exagerado diante deM im! 
Ama-M ecomo teu Criador, Pai, Senhor eM estrecom todasastuasfor- 
casvitais; amatambem teusirmaoscomoati mesmo, quefaras mais que 
o suficiente! E quando tedirigiresa M im, trata-M ede Senhor e M estre, 
que todo resto nao M ehonra! 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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189. OUBRATOUVISHAR FALA DE SUA PATRIA 

1. (0 Senhor): "Sehapouco indaguei quanta a vossasedeefome, 
fi-loporvervossasnecessidades.Jasepas5aramquatrohorasdodiaenao 
vos al imentastes desde ontem; leite nao existia a bordo e a agua ja estava 
deteriorada. Por isto, mai cuidado convosco edirigido a um estimulo 
material, pois sen de, nao tends a calma necessaria para a assimilagao 
dum alimento espiritual. Seria a coroagao da tolice egoistica, pregar o 
Evangdho a quern expressa necessidadestao prementes! 

2. C ontrariando vossoshabitos, terdsdesaciar-vosa M inha mesa, e 
daraoscamdosvossosfigosetamaras, mofados. Sentai-vosaqudas me- 
sas desocupadas e tu, Oubratouvishar, senta-te a mesa dos Rds, por- 
quanto tambem essoberano deteu povo eaqui sao discutidososassun- 
tos referentes a educacao dos suditos." 

3.Todosseguem M eu conviteeM arcusaprontaumaquantidadede 
pdxescom auxilio invisivd. M al osnegrosseacomodam, e-lhesservido 
bom repasto quesabordam com prazer. guia, ja maisencorajado, diz: 
"Senhor e M estre, nunca alimento tao apetitoso tocou minha boca! N a 
mi nha terra tambem secomem pdxescomo nutrigaodepenitencia, para 
quern agiu contra a ordem existente; sefossemoscapazesdeprepara-los 
desta forma, ddxaria deser castigo! 

4. Q ueagua extraordinaria eesta! Poder-se-ia toma-la a toda hora e 
tambem saborear este pao adocicado! sabio de M emfis me dava, as 
vezes, um pedaco de pao, mas nao era tao gostoso quanta este. N ao seria 
possivd comprar-se desta agua? (vinho) Tinha vontade de leva-la a mi- 
nha path a. 

5. A N atureza daqui e muito mais deslumbrante que a nossa! Por 
toda parte ve-seabundanciadeervasearvores; lasoexistem certas pasta- 
gens arborizadas, o resto todo e arido. As montanhas, intdramente ro- 
chosas, sao escassamente cobertas de musgo. Sua cor e avermdhada ou 
cinzenta e sua altura tao devada que podem ser galgadas apenas com 
riscodevida. Laem cima, ocaloreinsuportavd. Oscumeschegam ate 



Jakob Lorber 

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mesmo a se tornar i ncandescentes, de sorte a se poder assar peixes, carne 
decarneiro ecabrito, em poucosinstantes. D uranteatarde, nem o condor 
pousanocumeeoscapricorniosdescemasplaniciesdoNilo. 

6. Longedorioeimpossrvel viver-se, mormente, naepocadoverao- 
de-S. M artinho; poispode haver diasquefarao derreter pedraseareia, 
quando o vento soprar do este. Veem-se verdadeiras chamas se arre- 
messarem sobre os desertos arenosos, e resta somente ao homem e aos 
animaisseprecipitarem no N ilo, maravilhosamentefrio. 

7. Nasproximidadesdostresultimosmesesdoano, asituacaoat- 
mosferica e apavorante com a chegada dos temporais A temperatura 
sobeterrivelmente; nuvensidenticasacolunasdefogosurgem pordetras 
dasmontanhasecobrem finalmentetodooCeu. Inumerosraiosacom- 
panhadosdef ragorosostrovoessepreci pitam da coberta celesteenegrecida, 
trazendo o pavor aos seres vivos N ao provocam grandedano, porquanto 
estouram no ar; mas nao e para rir, ouvir-se durante quarenta dias tais 
estrondostremendos, diaenoite, eaindatemer-sea mortepeloscoriscos, 
- fato queja aconteceu com pessoas que nao haviam untado o corpo 
com gordura. 

8. Passada essa epoca, vem a chuva que cai, de mansinho, durante 
quatro a seis semanas, noscumesatecostumanevar. Finalmente, esfria 
tanto, quenosobriga a esquentarmo-nos a beira do fogo. Detal forma, 
sao constituidas nossas situacoes de existencia. Q ue contraste se nos de- 
para nesta zona! Tu, Senhor, certamenteasam oquisesteejamaisalgum 
denosfez queixa deTua rganizagao. 

9. Nossaepidermepretaeem certascircunstancias, urn pesocona- 
deravel; primeiro, atrai muito maisocalorqueoutraqualquer, esegun- 
do, somostaofeiosde meter medo. Quao lindae, porexemplo, afigura 
celestial desta jovem, e quao repugnante nossas representantes do sexo 
feminino!Vemo-loesentimo-lo, enadapodemosfazerlQuecabeloma- 
ravilhoso enfeita vossas cabegas, enquanto as nossas sao cobertas dum 
emaranhado horroroso! Entretanto, nao nos lastimamos, pois estamos 
felizes com tudo queTu, Senhor e M estre, nos proporcionaste. Agora, 
apresentarei minhajoia para determinares sua importancia, Senhor!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

341 

190. Tesouro do Nu bio 

1. Desenrolando o sai tesouro, ubratouvishar M ediz: "Eiso que 
achei no entulho dumarochaenao resisti atentagao deguarda-lo. Pare- 
ce-me obra pura da N atureza e desejava saber de sua origem, porquanto 
nao pretendo presentear algo sem valor." 

2. Digo Eu: "Trata-se duma pedra de enorme valor, isto e, dum 
grandediamantelapidadoefacetado, naepocaem queospersasguerre- 
avam os egipcios. Avancaram naquela ocasiao ate o D eserto da N ubia, 
ondeum marechal o perdeu naluta contra umacatervadeleoesepante- 
ras Comj6iataoextraordinariamenterara,farasum presentedecolossal 
valiaaochefedeMemfis. 

3. Estediamantefoi lapidado durante cento esetentaanos Em se- 
guida, ornou acoroadealgunsreisdaPersia, atequeum deleso presen- 
teou a um militar queo perdeu nas estepes de vosso pais, em tal epoca 
assaltado pelosanimaisferozes. Foram estespor M im dados como vossos 
protetores, do contrario, ospersasguerreirosvosteriam achado edizima- 
do vossas manadas. 

4. Assim como eras destinado a encontrar um tesouro terraqueo ha 
maisdecem anosenterrado no entulho, tambem fosteconvocado aachar 
o maioremaisvalioso para oespiritoedai, para vossa alma. Com digni- 
dade, encontrasteo desejado. Tua pele negra nao te perturbara esera para 
M im, umacordasmaisconsideradas! 

5. Evangelho que vos divulgarei, sera somente por vos mantido 
puro. Seras M eu apostolo predecessor para teus irmaos negros D entro 
em breve, enviar-vos-ei um ajudante, quevosconduziraaumapartefeliz 
devossapatria, ondevosensinaraalavouraeoutrasartesuteis, degrande 
necessidade para esta vida. 

6. Naquela regiao ainda por vos desconhecida, tornar-vos-eis um 
povo i ntei ramente sati sfei to efeliz, econservareisa purezadeM eu Verbo 
e M inha Palavra. Ai dos que vos procurarem perturbar e subjugar! Eu 
Mesmotomarei daespadaflamejantedaira, para abate-losateo ultimo 



Jakob Lorber 

342 

homem. Deste modo deveis, vos negros, permanecer um povo sempre 
I ivre ate os fi ns dos tempos, numa vasta area. 

7. Acaso vosdesunindo - fato possi'vd, em virtudedevossa liberdade 
- osmaisfortesentrevos, levantar-se-aocomoreisevoscastigaraocom leis 
duras, e vossa liberdade dourada tera um fim para sempre! Vossos filhos 
passarao por grandesatribulacoes, esperando pela salvacao quetodavia de- 
morara. Por isto, organ izai -vos detal modoaimpedirapresencaderegen- 
tes, - com excecao detaiscomo tu. N ao esum opressor, senao um benfei- 
tor verdadeiro deteu povo, portanto dentro de M in ha rdem! 



191. Outro Grupo de Negros 

1. (0 Senhor): "Sou Jehovah de Etemidadeecomo H omem cha- 
mo-M ejesus de N azareth! C om este N omesereis capazes detudo reali- 
zar, nao so temporaria, mas eternamente! 

2. Amai-M e como vosso D eus, Senhor e M estre, e a vos mesmos, 
tanto quanto ao vosso proximo, que permanecerei no M eu Amor, M i- 
nha Forca e Poder, e M i nha L uz jamais de vos se afastara! 

3. Enfraquecendo no Amor para C omigo e para com vossos irmaos 
necessitados, manifestar-se-a a treva em vosso coragao e M inha Forca e 
Poderdiminuiraoemv6s.AindaquepronuncieisoMeuNome,afimde 
agirdes por Ele, nao mais recebereis Sen Fluido salutarlToda a Forca, 
todo Poder etoda acao realizada em M eu N ome, sao recebidos unica- 
mente pelo Amor a M im eao proximo! 

4. M eu N ome por si so nada realiza, mas apenas o Amor N ele 
contido eaplicado ao proximo! Sealguem for abordado por um pobre 
e Ihedisser: Vai trabalhar para ganharesteu sustento! Este nao possuira 
o M eu Amor, tao pouco recebera forcase poder em M eu N ome!Trans- 
mite isto aos tens colegas; depois volta para que possa prosseguir na 
Revelacao do Evangelho!" 

5. OubratouvisharsecurvadiantedeM im e volta a mesa, a fim de 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

343 

obedecera M inhaO rdem. Q ual nao esuaestupefagao ao encontrartrin- 
ta equatro ao invesdasvintemulheres, quehaviam acompanhado seu 
grupo. N aturalmente, as reconhece como vizinhas e parentas, e sua pri- 
me ra pergu nta se ref ere ao porque de sua vi nda. 

6. Elasrespondem: "Vereouvir pessoalmenteemelhordoqueo 
mais deslumbrante relato! Seguimo-vos com meio-dia de atraso. N ao 
nos teriamos encorajado para tanto, se nao fora urn jovem de beleza 
indescritivel quepareciadescerdasalturasenosinstigou demodo incisi- 
vo. Assim organizamos u'a manada de gado e carneiro chegando ate 
M emfis; lanosrecebeu o bom sabio com seu pessoal eafirmou quetam- 
bem elehaviasido informado por jovem identico, motivo pelo qual vi- 
nhaaonossoencontro. 

7. Deu-nos noticia a vosso respeito e guardou nossos animais; 
proveu-nos de ouro e prata em diversas cunhagens, para que nos pu- 
dessemossuprirdealimentoseroupas; ate Alexandria, deu-nos acom- 
panhamento e de la, seguimos em navio que nos trouxe sobre uma 
agua imensa. Ao desembarcar, vimos nitidamente vossas pegadas na 
areia e assim vos acompanhamos ate que deparamos, ao longe, a nu- 
vem depoeira provocada peloscamelos. Em seguida, perdemo-vosde 
vista, atras de u'a montanha arborizada. 

8. Fomos, entao, novamenteabordadaspelojovem queaqui nostrou- 
xe, sem sabermosexplicarcomo. Neste interim, ouviasalgo maravilhoso 
daquele H omem que tanto seassemelha ao detua visao, motivo que nos 
trouxe todos ate aqui ! Fal a, pois, quepressentimoscoisaextraordinaria!" 



192. Natureza de Isise Osiris 

1. Dizoguia: "N 6s todos acreditamosnaquilo queaqui sucede, por 
sermostestemunhasoculares; entretanto, toda a sapiencia humana eo raci- 
ocinio logico, nao poderao abarcar a possibilidadedaquilo queaqui existe 
D eacordo com minhasvisoeshaviaeu imaginado algo degrandioso; toda- 



Jakob Lorber 

344 

via, nao podia antevernos metis sonhosmais sublimes, aVerdadereal. 

2. Sabeis do assunto sobre o qual vos esclareci durante um ano, 
emboraosabiodeMemfisachassesersuficientequeeu meiniciasseem 
sua profunda sabedori a. Eu,entaoobtemperava: M estre,ve metis irmaos! 
N enhum emenosdo queen; por isto nao oculteso quequer queseja! - 
Assim fomostodosdoutrinadosem conjunto. 

3. Q uando meio ano maistarde, nosconduziu a Kar nag, afim de 
nosdesvendarosegredodelsis, quasetodosvosestivestespresentes. De- 
paramos, entao, doisquadrosestranhos: um delsis(a naturezaalimenta- 
da da Vida Primitiva), oculta por um espesso veu; outro, deO u sir iez (a 
pastagem do homem puramenteespiritual). 

4. primeiro quadro representava u'a mulher colossal cujo peito 
estava repleto deseios; em tempos, tambem, era idealizado por uma vaca. 
segundo mostrava um homem que parecia estar comendo, em pe, 
num campofertil, rodeadodetodasortedefrutosedegrandesmanadas 

5. Porestesdoissi'mbolososegipciossintetizavam: primeiro, o Ser 
Primario- Deus- quetudocria, alimentaemantem; pelo segundo, a 
C riacao geradora econsumidora. N osso amigo sabio comegou a nosex- 
p I i car, com palavras cheias de profunda sabedoria, a N atureza de D eus 
U nico, Eterno, e reconhecemos a existencia dum Ser Supremo quetudo 
criouemantem. 

6. Esta DivindadePrimaria nao evisfvel ou compreensivel porpre- 
enchero Universotodo, estando Presenteembora oculta, tanto no Espa- 
co quanta no tempo. Por tal motivo, sempre estava coberto o quadro de 
Isise ninguem podia levantar o seu veu, senao em epocas especial mente 
consagradas, onde o sacerdote suspendia somente a ponta da bainha, 
diantedopovo. 

7. N 6s todos nos enchemos de imenso respeito a D ivindade e a 
caminho para Kar nag, so sefalou Dela. sabio esclareceu-nos, diante 
de cada arvore, a respeito da imagem oculta de I sis, e nossa veneragao e 
culto aumentavam a cada passo. Em cada objeto descobriamoso quadro 
misterioso de Isis oculta, e nosso amigo se alegrava com seus discipulos 
negros que observavam a N atureza de compreensao diferente. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

345 

8. Queassuntosprofundoseram abordadosenvolvendo nossaalma 
numa veneragao peculiar, ao dirigirmos nossos pensamentos ao Dais 
U nico! Q uantas vezes nao concluimos dever despertar um sentimento 
fdiz, ouvir-se no intimo - se bem que mui suave, porem nitida - uma 
palavra do Ser Supremo! 



193. GrandeTemplo na Rocha 
Cham ado Jabusim bil 

1. (Oubratouvishar): "Indagamos, do chefesabio, setal fate ja se 
haviadadosobreaTerra. Eledeu deombrosedisse: Demododireto, por 
certo que nao; mas, indiretamente, existem exemplos nas Escrituras e 
tradicoesoraisondepessoasmui justasedevotascaiam em transeeviam 
o Espiri to deDeuscomo Luz preenchendo o Espago Infinite epercebi- 
am serem elaspropriasuma particuladesteFoco.Todasassim agraciadas 
confessavam umasensagao indefinivel deextaseecomegavam a profeti- 
zar fates, que sem pre se real izavam. Jamais, porem, um mortal viu Deus 
demododiferente. 

2. homem em sua forma limitada anseia pela aproximacao do 
C riador; seu coragao deseja impetuosamentefita-Lo numa forma acessi- 
vel efalar-Lhecomo sefosseum ser igual.Tudo isto nao passaduma tola 
exigenciado ignorante, perdoavel, masnuncapossivel, porquanto o Infi- 
nite nao sepodetomar finite, - e vice-versa! 

3.Tal explicagao nos era com preen si'vel; todavia, aquelaansiaperdu- 
ra por sentirmo-nos abandonados numa imaginagao abstrata da D ivin- 
dade e o nosso coragao clama por um Deus Pessoal, visi'vel e adoravel, 
muitoemboranossarazaoentreem luta com o sentimento: reconhecea 
criatura ser seu coragao demasiado pequenino para poder com todo seu 
amor abarcar a D ivindade I nfinita. 

4. Relatou-noso amigo existir um povo chamado "judeu", possui- 
dordoconhecimentomaisacertadosobreoAltissimo. maioral dentre 



Jakob Lorber 

346 

eles, egipcio, denomeM oi iesiez(istoe: minhaacatagao, denominagao 
dada por uma princesaqueo salvou do N ilo), privou durante cinquenta 
anoscom o Espirito deDeus. Recebeu eJe a proibicaoseverade jamais 
imagina-Lo numafigura. Levado pelo desejo dever D eusem Pessoa, foi- 
Ihedadaaseguinteresposta: Nao poderasverDoisecontinuaresvivo! 

5. Como, no entanto, o clamor deseu sentimento setomassemais 
poderoso, o Espirito deDeusordenou-lheocultar-senumagruta, para se 
apresentar logo quefossechamado. Q uando M oi iesezassim agiu, depa- 
rou decertadistanciaascostasdeDeus, maisluminosasquemil soislSeu 
proprio rosto foi detal modo iluminado que, durante seteanos, pessoa 
algumao podiafitar sem perder a visao, motivo por queeleseviu obriga- 
doaoculta-lo. 

6. Eiso relato denosso amigo, tal qual Iheforacontado. Ao pergun- 
tarmoscomo, no Egito, seadoravao DeusEterno, em Verdade, respon- 
deu-nosele: N ao longedaqui, no grandeTempIo derochaja bu, sim, bil 
(Eu fui, sou eserei)! Atravesdum enorme portal ocaminho levaao inte- 
rior de imenso patio, ornamentado decolunasesculpidasna propria ro- 
cha. Entre elas se acha urn gigante armado, da altura de doze homens, 
como seestivessesegurando o teto. 

7. interior eseparado por uma area, em tres patios, em cujas partes 
lateraishasetedostaisgigantes, portanto, catorze Simbolizam elesossete 
espiritosemanados por D eus Todo o grande patio conta em suastresdivi- 
soes, seis vezes, setedessasfiguras Prova isto que D eus, desdeo inicio da 
Criagao,determinaraseisepocas em cujodecorrer infinite, quetudoabran- 
gia, os mesmosespi rites tudo comportavam eem tudo agiam. Cadauma 
das seis partes laterals do patio imenso, dividido em tres, eomamentada 
com variadossinaisefiguras, ondeo Iniciado pode decifrar tudo o queo 
Espirito de D eushavia revel ado aos primeirossabios 

8. N o final dos tres patios, acha-se, novamente, o quadra oculto de 
Isis, o revel ado deO u sir iez. D iantedum altar delsisleem-se as seguintes 
palavrasgravadasnarocha:Jabu, sim, bil ! A entradado portal estaodois 
gigantes, sentados, representando osquatro elementosda N atureza D ivi- 
na; suaposicao preveordem ecalma impostaspor Deus, afim deservi- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

347 

rem aos seres dentro da Sua Vontade. 

9. Umainscricaoem cima do portal adverteaovisitantedesseTem- 
plo sagrado, dever elepenetra-lo de espirito concentrado. No primeiro 
patio vera duas colunas ornamentadas com figuras e sinais peculiares, 
referindo-sea uma especiede luta cosmica, classificada como "Guerras 
deDeus". 

10. N ao meacho bastanteentrosado naantigasabedoria, paravos 
elucidarmaisprofundamente. Emsetediasparalavosconduzirei,onde 
podereisconvencer-vosem pessoa; eclaroqueo tempo jadestruiu muita 
coisa no Santuario remoto, entretanto apresenta o suficienteparaescla- 
recer-vos." 

11. Mai podiamosaguardarnossapartidaparaoditoTemploenos- 
soscoragoesbatiam apressadamente ao nosaproximardo peristilo, que 
apenas e o tumulo de alguns sabios de antanho! Q ue sensagao nao nos 
tocou ao contemplarmososquatro elementos person if icados, deixando- 
nos quase mudos, ao entrarmos no interior, de tochas acesas! Por que 
fomos de tal modo assaltados pela veneragao de'fica? Por julgarmo-nos 
maisproximosdo Ser D ivino! E quando, ao sairmosdoTempIo, o sabio 
deM emfisnosrelatou algo daera primitivado orbe, - como nosempol- 
gamos, desorteaconsiderarmoseletodo, urn Templo D ivino! N em nos 
apercebiamos da temperatura, se fria ou quente; pois nossas almas se 
empenhavam num esforco tremendo pela aproximagao do Espirito D i- 
vino. Todavia, foi tudo em vao! Embora nosso conhecimento setivesse 
dilatado, Isiscontinuavaocultaenenhum mortal podia levantaroveu da 
DivindadeEterna. 



194. N ubio DemonstraaosConterraneosa 

DlVINDADE PERSONIFICADAEM JESUS 

1. (Oubratouvishar): "Devoltaapatria, comecei a ter as visoes da- 
das pelaevidenteG raga do Espirito Supremo, etodosvosvosregozijastes 



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348 

profundamentecom o meu relate Esta alegria, porem, nao impediu a 
invejaem vossosnobrescoracoes, porquanto eradevosso desejo receberdes 
a mesma dad iva. Quando meaprontei com unsvinteamigos- aposter 
recebido tal ordem por sete vezes - a encetar a viagem, de pronto tam- 
bemvosanimasteseaqui acabastesdechegar. 

2. Agora nos encontramos no Sagrado local de minha visao, onde 
deparamos coisa mais grandiosa que M emfis, Kar nag e mesmo o maior 
Templo do mundo Ja bu, sim, bil, infinitamente mais sublime que o 
quadra misterioso delsis! Reparai o grupo nagrandemesa! Em seu meio 
Seacha, vestido deroupaavermelhadaemanto azul, osombrosenvoltos 
por vasta cabeleira loura, - nao somente o Espirito Supremo, mas Sua 
Propria Encarnagao, a Figura de I sis, desvendada! 

3. Quando osabiodeM emfis nos recomendou amassemoso Es- 
pirito Supremo, sentimosa incapacidadedocoracao para tal sentimen- 
to e extemamos que, se fosse Ele uma Personalidade, isto nos seria 
possivel eatedesejavel; enquantoqueSualrradiacao Infinita seria algo 
quenosoprimiria. 

4. ElenosconfortoucomordatodeMoysestervistoasCostasda 
DivindadeEterna, desortequeSuaLuzselhetransmitiu;daiemdian- 
te, comecamosaimaginarapossibilidadedeum DeusVisivel, o que 
despertou nosso amor para com Ele, fato que por certo mefacultou 
aquelasvisoes. 

5.Temos, pois, diantedenosAquelequenosordenasomenteama-Lo 
acimadetodas as coisaseao proximo como a nosmesmoslQuemedizeis, 
meus caros irmaos? Q uais vossos pensamentos e sentimentos? Adorai o 
Espirito Eterno, Deus, queatehoje, nenhum mortal podeimaginar!" 



195. DuvidasJustificaveisdosNegros 

1. Respondem algunspoucos, aindacapazesdefalar: "Seria isto pos- 
sivel? Estehomem amplesedespretensioso, seria portadordo Ser Supre- 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

349 

mo? Q ue provas nos apresentas? N ao sabes ser preciso muita precaugao 
para naosecai rem idolatriasupersticiosa, piorqueadelsis?! Imaginaos 
perigoseatalhosquenosesperam, caso tuassuspeitasnao serealizem! E 
asconcepcoescolossaisquerecebemosem M emfissobreo Ser D ivino, - 
tudo istoseocultanestehomem?! 

2. Serealmenteassimfor,teriamosencontradoomaisSublime; nos- 
sa vida tela urn destino supremo em sua natureza intrinseca e nos resta, 
apenas, procurar e pesquisar! Q uem se achou a si mesmo e a D eus - a 
Origem deTodo Ser - tera encontrado tudo! E preciso, porem, muito 
rigor nas provas a serem dadas, do contrario, cairiamosnospioreserros, 
tantas vezes mencionados pelo sabio! 

3. bserva o enorme Firmamento com suas incontaveis estrelas; 
pelo seu relato, mundosenormesque, pela distancia, seapresentam tao 
pequeninoslATerra, omar, o Nilo, fauna e flora, - podes i magi nar ser 
tudo istoobradaqudehomem?!Talvezpossaoperarmilagres, comovi- 
mosalgunsem Cahiron eAlexandria, mas.., quevem a ser istodiantedo 
Poder do Altissimo?! 

4. Recorda-te das palavras de nosso amigo, quando se referia aos 
magoseprestidigitadores! U m homem queunisseconcetossabiosa ma- 
gia, com facilidadeseelevariaasoberanoe, finalmente, a urn deus, qua- 

I idades que este parece possui r de sobra. Trata-se da maior precaucao em 
todosossentidos, num assunto tao complexo! 

5. Q uando secogita da remocao duma pequena pedra, pode-sedecli- 
nar de consdho, caso nos obstrua o caminho. utra coisa seria se, uma 
rochapoderosadespencassedoaltoeentupisseaestrada, pdaqual ascria- 
turas poderiam entrar em contato direto! N este caso, toda a comunidade 
teria de resolver como livrar o caminho impedido. Aqui setrata do mo- 
menta maisincisivodenossa vida que motivou essaviagem; casotivermos 
atingido afinalidade, seremosvitoriosos Assim nao sendo, cabe-nosvoltar 
ou seguir viagem, apossolvermosnossasdespesascom o hospedero." 



Jakob Lorber 

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196. Oubratouvishar Procura Convencer Seus 
amigossobre a dlvindade dejesus 

1. D izO ubratouvishar: "Acasojulgaisseraj decrengamaisfacil que 
vos? N ao vistes as provas recebidas pelo jovem, certamente urn mensa- 
geiro celeste, a um simples aceno daquelesenhor?" 

2. Respondemosvinte: "Vimosqualquercoisaeouvimosumaou 
outra palavra, sem podermos ligar o sentido, pois nossa mesa fi cava mui- 
todistante" Aduzem osrecem-vindos: "Chegamosjustamente, quando 
te curvavas diante daquele senhor e nao sabemos o que foi discutido. 
Fala, para sabermos a quantas andamos" 

3. Dizoguia:"Ouvi-me, maisumavez! Todos vossabeis do objeto 
por mim achado no entulho. Tencionava leva-lo a M emfis para fazer 
presenteao sabio; na pressa da partida, esqueci-o enrolado num linho e 
escondido num canto deminha cabana. Quando aqui exigi provas da 
verdade propalada, aquele jovem mencionou meu tesouro e ate mesmo 
explicou-me onde e quando eu o havia encontrado. Amigos! Somente 
isto era bastante para mim; ele, todavia, obedeceu a um aceno daquele 
senhor a mesa e me perguntou seeu desejava ter aqui minha preciosida- 
de Emborasurpreso, consenti. 

4. Acaso julgaister o transportedemorado deacordo com a distan- 
cia?Em absoluto! N o mesmo instanteentregou-meo objeto, com acasca 
deaboboraqueocobrialAlemdisto, fui orientado do real valor edesua 
origemlAnalisai-osenaoeo mesmo quevisteslaemcasaeexternaivossa 
opiniao! Poderia um mago deCahiron (isto e: o chifresagrado do maior 
touro dessa zona), realizar isto?" 

5. Respondem todos: "Nenhum denosduvidadaveracidade, pois 
aqui o mais incrivel se torna possivel e real ! Salve a todos nos e aos que 
ansiavam por isto! Agora esclarece-nos sobre a possibilidade deste ho- 
mem ser a Suprema D ivindadea dirigir o I nfinito! queseriadaSabe- 
doria etemamente ilimitada, ao lado de Sua Vontade Poderosa?! Aqui, 
diantedenos, um homem limitado ela- o Infinitocom todo Seu Poder 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

351 

nipotente?! Concebestal possibilidade?!" 

6. Responde o outro: "Por certo que nao; tambem foge ao men 
alcance, como podeaquelejovem trazer-meajoia, num momentolTe- 
nhamosum pouco de paciencia, com humildadeeamoraesteUnico, 
queseremosesclarecidosdentroem breve!" Todosseconformam pensa- 
tivoseaguardam osfatos 



197. Proveitose DesvantagensEspirituaisdosNegros 

1. Virando-separaM im, dizCirenius: "Senhor, nuncateriaimagi- 
nado tanta sabedoria e conhecimento nestes nubios; suas experiencias 
milagrosasmesurpreendem defatolAlem disto, ignoravaterochefede 
M emfis - Justus Platonicus que conhego como sabio - nocao tao pro- 
funda em todososmisterios do antigo Egito! 

2. Sabia ter sido ele, desdesempre adepto de Platon, como filho de 
familia romana conceituada, rico qual C reso, desdejovem setornara ami- 
go dosfilosofosegipciosegregos, tomando o Egito como ponto culminan- 
tedeseusestudos Laviveu durantedezanos, fazendo-seiniciado nosmis- 
terios MunidodumacartadeCesarAugusto, meu irmao, eram-lhefacul- 
tadastodasasprerrogativas, estendendo-seafungao militar, porquantofoi 
nomeado coronel civil de M emfis Aquda cidade mantem urn destaca- 
mento militar sujeito ajustus Platonicus; entretanto, naoeeleativo. 

3. 1 gnorava ter ele se tornado ate sacerdote e sua pessoa da-me que 
pensar, poisatravesdeseu esforgo pelosnubios, fez-semeritoso para mim. 
Qual seriaTua Opiniao a seu respeito? E qual sua posicao perante o 
Reino deDeus, sendo elepagao?' 

4. Respondo: "Queperguntaljustuseum homem deacordo com 
M eu Coragao; ama Deussobretodas as coisaseo proximo maisquea si 
mesmo! Quern assim age, ja esta no Meu Reino, sejudeu ou pagao! 
Afirmo-te, ser maisfaci I Eu entrar num acordo com ele, do queconvosco; 
mas tambem vosestimo! ParaaconservagaodeM eu Verbo, nao ha como 



Jakob Lorber 

352 

estes negros; pois aquilo que chegam a assimilar, perdura inalteravd e 
puro qual diamante lapidado. Qualquer um pode garantir manterem 
elesM inha Doutrinafielmente, aposdoismil anos! 

5. Esta ragatem a particularidade de conservar um habito ou ensi- 
namento demodo tao puro, como o recebeu. N adasubtrarao ou aduzirao; 
isto, porem, nao indica serem des superiors a branca. Acham-se como 
descendentesdeCaim, num grau inferiore dificilmente alcangaraoafiliagao 
divina, por serem simplesmentecriaturasdesteplaneta, dotadasdealgum 
raciocinio, intdigendaeconsdencia, porem, delimitado livrearbitrio. 

6. Estalivrevontadereduzidaeentretanto, maisfirmequeavossa, 
inteiramente liberta! Aquilo que os negros determi nam, tambem epor 
eles executado, - mesrno se para tanto fosse precise arrasar montanhas! 
N o decorrer destedia, ainda vereis provas desua vontadeque vos deixa- 
rao extasiados! Sua imutabilidadenasatitudes- maiorqueem vos, des- 
cendentesdeSeth - provaseu fisico. 

7. Esteguiaeevidentementeomaisvelho;seu servo contavinteoito 
anos menos! bservai seexistediferencaentredes, poisseparecem como 
irmaosgemeos!Ser-vos-adificil determinaraidadedestaspessoas Suafor- 
caeagilidadesao identicas, tanto dum septuagenario, quanta dumjovem. 

8. Vos, brancos, seguidamente contraismolestiasevossa pdeesujeita 
a variados males; des, quando permanecem em sua alimentagao natural, 
desconhecem enfermidades. A maioriamorrededecrepitude Assim como 
sua natureza e mais firme que a vossa, sua estabilidade psiquica tambem 
difere e e mais solida; entretanto, farao menor progresso no aperfegoa- 
mentoespiritual, por ser sua vontade menos maleavd. Sebem quesesub- 
metaa uma impoagao, tudo dependedegrande rigor etrabalho. 

9. valor da alma e do espirito nao seprendenumafirmeza, de 
certo modo instintiva, senao nacapacidadedeassimilagao da alma, pda 
qual da compreende e alcanca rapidamente a Luz da Verdade, de sorte 
que aedtao Bern e a Verdade, ddesseassenhorando pdo livrearbitrio. 
Entao agira deacordo, unico mdo util no conhedmento da psique 



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198. DlVERSIDADE CUMATICA E RACIAL NATERRA 

1. (0 Senhor): "Estas criaturas privarao, de agora em diante, com 
outros povos cultos e ativos, onde poderao observar lavoura, cultura da 
vinhaegrandescidadescom palaciosmaravilhosos Sedaqui amil eate 
doismil anosaspudes5eisobservar, verieishabitarem asmesmaschoupa- 
nasenao serem capazesdeconstruir umacasademadeira, muito menos 
de pedra. N ao quero contestar sua capacidade para tanto, pois poderao 
aprender arquitetura; faltar-lhes-a o espirito empreendedor facilmente 
maleavel e indispensavel, na realizagao dequalquer obra. 

2. Eisporquesuaviagem paraaqui eumaempresagigantescapara 
eles, enquanto que para vos seria uma brincadeira! trajeto elongo eo 
calor dificulta as viagens; mas para a naturezadestas criaturas, podeele 
atingirgrau consideravel atequevenham asenti-lo. Seu sangueemais 
pesado ebilioso; contem poucoferro necessitando, por isto, grau elevado 
decalor para setornar mais liquido. 

3. No rigor do inverno, digamos, nos paises nordicos de Ouran, 
muito haveriam desofrer; sua peleracharia porquanto o sanguenao faria 
a circulagao nasextremidades D ar-se-iam coagulosque, numaforteten- 
sao dosvasos, romperiam, provocando hemorragias e dores considera- 
veis. A temperaturaquefaria incandescer a pedra, pouco osimpressiona- 
ria. Urn habitantedoNortequefosseaNouabia, no verao, sucumbiria 
em poucosdias. 

4. Perguntasem teu intimo: E precise haver graduacoesdetempera- 
turatao diversassobreaTerra? N ao seria possfvel reinar, apenas, frio ou 
calor? - Se fosses mais familiarizado com a forma do globo - muito 
emborateenanassesobresuaformagao, quando Eu aindaeracrianca- 
tal indagagao nao teria surgido! 

5. As graduacoes da temperatura sao consequencias inevitaveis da 
forma esferica daTerra, porquanto, numa outra qualquer, a luz solar nao 
sedistribuiriademodotao util. Seria necessario fazer-sei rradiar tressois, 
isto e, urn sobrecada Polo eoutro no Equador! Q uem, nestecaso, supor- 



Jakob Lorber 

354 

tariao calor no solo terraqueo?Q ual seriao beneficio da noiteparatodos 
os seres, e qual a rotacao do orbe quando dependesse da forca de atracao 
identica detressois iguais?! 

6. J a te expliquei - bem como a outros - o tamanho enorme do 
astro e quao pequena a Terra. Deve da girar em torno do Sol numa 
distancia evelocidadeprecisas, do contrario, seria por eleatraida ou afas- 
tadaao Infinito. N o primeiro caso, o orbeseriadissolvido, num instante, 
no fogo externo da atmosfera solar, ou seja pelos espiritos presos em sua 
materia, em estado etereo primitivo. No segundo caso, congelaria por 
carenciade calor! Em ambasashipoteses, nao seria ad missive! sepensar 
em vida organica nas planiciesdaTerra! 

7. Por ai ves, que uma necessidade atrai outra, dentro de M inha 
Ordem,eserimpossivel existiramesmatemperaturadum Poloaoutro. 
Alem disto, da e indispensavd a povoagao detodo o planeta, a fim de 
que as almas surgidas pel as criacoes precedentes e mais libertas, possam 
encarnar num corpo, deacordo com sua natureza. Resta, pois, povoar as 
zonasquentescom pessoascuja natureza suportetal clima; enosclimas 
frios, outras, de constituicao acessivel aos mesmos, a fim de cultiva-los 
dentro daspossibilidades. Compreendendo isto, saberasporquena Afri- 
ca Central so pode haver criaturas de tais caracteristicas e de tempera- 
mento todo especial. Compreendeste?' 

8. RespondeCirenius: "Senhor, perfeitamente e Te agradego por 
enanamento tao salutar, pois percebo quao sabia e util e a organizagao 
terraquea. Por isto, DeuseSenhor, aTi, todo louvor, gratidao ehonra! 
Pois C eus eTerra estao plenos deTeu Amor e Sabedoria! 

9. M as, qual seraTua Intencao para com os negros, pois vejo que 
ainda nao seacham dentro daordem.Seu guiaexplanou-lhesTuaDivin- 
dade de modo racional e incisive rdato do milagre deixou-os urn 
tanto extasiados; entretanto, percebo queum dentreeles, faz-lhediversas 
indagagoesa respeito do diamante, poissupoeter o guia trazido-o para 
provocarumdeslumbramentoentreelesQueideialO pobreguiaparece 
ter d if i culdades em convence-los!" 

10. D igo Eu: "U m pouco depacienciaatequetenham caido numa 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

355 

fermentacao psiquica, ondeauxiliaremoso chefe; com essaspessoastudo 
e mais demorado. Alem disto, se nutriram com alimentos estranhos, o 
queastorna maisconfusasainda. M asesta bem assim, do contrario, nao 
teria sido facil convence-lasdealgoopostoaosconhecimentosdeDeus, 
adquiridosem Memfis 

11. Demodoalgum conseguen unificar a InfinidadeDivina com 
M inha Pessoa; mas quando tiverem conjeturado bastante, nosso traba- 
Iho sera menor. Enquanto isto, sao orientados pelo guia da suspeita de 
fraudequanto ao mi lagre. Quern levantaduvidasinfundaveissobrealgo 
real, devereceber ensinamento incisive Q uanto maisestesnegrosforem 
humilhadosereduzidospor palavrasseveras, tanto maisfirmessetorna- 
raonaDoutrina. 



199. A Assim i lac Ao da DoutrinadaVerdade 

1. (0 Senhor): "Comumenteencontram-sepessoasde facil com- 
preensao que, nao sendo bem doutrinadasesquecem o queaprenderam, 
nao Ihedando o devido valor; enquanto queoutras, decerto modo leva- 
das porprovagoesesofrimentosaassimilarem urn en sinamentojamaiso 
poemdelado. 

2. M uitashadotadasdetalentoeoutrasfaculdadesfacilmentecom- 
preendem eassimilam tudo; mas, em epocadasprovasnecessarias, con- 
sideram suas vantagens mundanas e temem o sacriffcio, tudo fazendo 
para esquecerem eselivrardascoisasespirituaisque, muitoemboraevi- 
dentementeverdadeiras, nao Ihestrariam interessesmundanos. 

3. Assemelham-seasefemerastransparentesquebrincam o diatodo 
naluz, porelatransluzindo, inflamadas, cheiasdevida; masquandovem 
a noitecomo provagao da vida, sua luzechamaseextinguem, finalizan- 
do sua propria existencia! 

4. Por isto, as criaturas que inicialmente custam a assimilar uma 
verdade mais elevada, prestam-se mais para o Reino de D eus que as ou- 



Jakob Lorber 

356 

tras Conservam a ligao demodo fid evivo, enquanto asprimeirasbrin- 
cam com a Luz Celeste quais efemeras com a luz solar, que Ihes trara 
beneficio identico. 

5. Dequandoem quando, surgem pessoas que faci I menteassi mi- 
lam umaverd ad e, conservam-naeduranteanoite, iluminam quaisestre- 
las, trazendo grande bencao para si e para outras. Todavia, sao raras. 

6. Essesnegroscompreendem com dificuldade; masaquiloqueassi- 
milarem, ser-lhes-a posse edai pordiante, projetarao seu conhecimento 
aosdescendentesmaisdistantes, semelhantesasestrelasdo rion eSirius, 
novastoEspago. 

7. Sucede com a efetiva compreensao e o justo entendimento de 
MinhaDoutrinaomesmoquenaaquisigaodumafortuna: quern ativer 
adquirido demodo facil, em breveateragasto, poisnaoestahabituadoa 
privacies e nunca tentou fazer economias. U ma vez de posse de uma 
consideravel heranca ou dum lucro facil, nao considerara tal fortuna, 
poisjulgasercoisa simples adquiri-la. Masquemtiverangariadograndes 
bens pelo proprio esforco, sabequanto suor Ihecustou cada moeda; por 
isto, considera sua fortuna e nao a esbanja de modo leviano. 

8. mesmo sedacom ostesourosespirituais. Quern osconsegue 
facilmente, nao Ihes da valor; pensa quejamaisosperdera ecaso algo 
ou tudo perdesse, conquista-lo-iade novo. Tal porem nao seda; quern 
algo perde espi ritual mente, nao o alcanca mais tao rapido como da 
primeiravez. 

9. N o lugar da perda espiritual se posta a materia; urn julgamento 
nao tao facilmente afastado no inicio. Do mesmo modo que tudo de 
fonteespiritualmaisseespiritualizaeliberta,tudoqueemateriatambem 
setorna sucessivamente mais material, mundano, cheiodecondenagaoe 
morte, diantedoespirito. Uma vez a criaturapresa no julgamento, tolhi- 
da navontadeeno conhecimento, dificilmenteconseguesua libertagao. 

10. Q uem possui o M eu Verbo, deveconserva-lo epermanecerfirme 
nele, nao pelo conhecimento, masprincipalmente, pelasagoeseobras; pois 
todo saber efesem obras, nada representam e nao tern valor para a vida! 

11. Queproveitoteriaapessoanecesatadadeencetarumaviagem a 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

357 

umacidade, queconheceapenasdenome, sealguem Ihefizesseadescri- 
gao perfeita?Ela, porem, nao desejapara laencaminhar-se, e ate mesmo 
volta para continuar em diregao oposta. Acaso alcangara seu destino? 
Afirmo-te: passara por toda parte, sem nunca chegar a meta. E preciso 
marchar-seem diregao ao destino final! 

12. Deacordo com o conned mento do orbe, sao osnubios as da- 
turas maisignorantes do mundoesem aorientagaodeJustusPlatonicos 
jamaisteriam achado ocaminho paraca; umavezorientados, seguiram- 
no estritamente e sua chegada prova sua vontade irredutivd, tendencia 
predominantedaraga.Todapessoadefirmevontade,executaoquequer. 

13. Quern, portanto, possui Meu VerboeMinha Doutrina hade 
alcancar sua meta, sem que possa ser impedido. Q uem, todavia, secon- 
duzdentro dosensinamentose, ao mesmo tempo, cumpreasexigencias 
do mundo futil, assemelha-seaum viajorque, aposmetadedocaminho 
percorrido, da meia volta para retornar ao ponto de partida. 

14. E identico, tambem, a urn servo que tencione servir a dois se- 
nhores. Acaso dara conta de servigos antagonicos? Podera amar a ambos 
ospatroes, mesmo aparentemente?Qual nao sera a reacao deles quando 
souberem desuaatitudedubia?Ambosnao Ihedirao: Oh servo poltrao, 
como podesamar o meu pior inimigo?! Serveapenasamim - ou vai-te 
embora! N inguem pode servir, em verdade, adoissenhores; teradesu- 
portar urn e desprezar outro. Tal servo sem consciencia e carater, sera 
demitido por ambos e dificilmente aceito num outro emprego; ficara 
entreacruzeacaldeira. 

15. A intengaodestesnubiosem servirem apenasaum Senhor, resulta 
dadificuldadedoguiaparacom seuscolegas, quegravaram profundamen- 
teaspalavrasdo sabio, em seuscoragoes, onde dif ici I mente serao arranca- 
das U nicamente aquilo que o militar de M emfis havia explicado sobre a 
Personalidade D ivina - de acordo com M oyses - e o marco de partida e 
uma ponte, pda qual podem ser conduzidos a M im. N esta ponte o guia 
dissertaeprocuramodificarosmaistdmosos SeEu nao Iheenviaraajuda 
do anjo, nem daqui a urn ano terao chegado a bom resultado!" 

16. D izCirenius: "6 Senhor, tinhavontadedeficarperto do grupo 



Jakob Lorber 

358 

para poder ouvir as negociacoes!" Digo Eu: "N ao sera preciso, pois o 
vento sera portador das palavrasa serem proferidas!" 



200. Raphael ConvenceosNegrosda 
Divindade de Jesus 

l.Chamo, pois, oanjoelhedigo em altavoz para queosoutrosMe 
oucam: "Raphael, ubratouvishar acaba dealcancar o ponto onde po- 
derasajuda-lolTodosestao prontosaaceitarseu parecera M eu respeito, 
caso de prove tersido o diamante porti transportado, num instante, da 
N ouabia ateaqui, o mesmo que la deixou por esquecimento. Vai, pois, e 
efetua o transporte daquilo que cada urn deseja de sua cabana, - e a 
discussao estaraterminada! 

2. Essas pessoas dediffcil compreensao devem ser convertidas por 
urn milagre, porquanto a simples palavra, para des, nao possui poder 
convincente. Alem disto, urn milagrenaoosprejudicatantoquantoqual- 
quer um devos, eespecialmentecertosjudeus. Criaturasaindaem con- 
tato com a N atureza, tambem conseguem produzi r fatos extraord i narios, 
apenaspdaaplicagaodesuafirmefeevontadeirredutivd, - ocorrencia 
comum entredes. M aistardetiraremosaprova disto. Um grandemila- 
grenao edeefdto considered edestemodo, podem serassim tratados, 
sem dano e aborreci mento. J a sabes, portanto, o que fazer e falar." 

3. Incontinente, oanjosedirigeamesadosnegroscujasdiscussoes 
haviamchegadoaoauge, emvirtudedovinho. EisqueRaphaddizcom 
voz incisiva: "Por queacusaisestevosso maior amigo e benfdtor a quern 
tudo devds, - como sevosquisesseenganar pdaacdtagao dumafeerro- 
nea?! Por que duvidais do milagre que eu efetud a mando do Senhor, 
classificando-medetrapaceiro queagisseem sen provdto, afim devos 
enganar? Q uais sao as provas por vos exigidas ecapazes de dispersar vos- 
sasduvidas?Q uerdsquevostraga algum objeto devossa patria?' 

4. A esteconviteenergico,todossecalam demedo, sem saber como 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

359 

agir. E o guia diz: "Eis o socorro divino que me justificara diante de 
vossas acusacoes descabidas! Fazei vossos pedidos; somente provas tais 
desfarao vossa enormetolice!" 

5. maior descrente entao se levanta, dizendo: "Em minha taba se 
acha urn tesouro escondido; com excecao deminha mulher queaqui esta, 
ninguemsabedesuaexistenciaTraze-oaqui erne dare porvencido!" 

6. Diz o anjo: "Determine o tempo que desejas eu gaste para te 
trazer o tesouro, embrulhado em linho epalha, enterradonaareiaadois 
pesdeprofundidade Eleconsistenumapepitadetrintalibrasdepeso, 
queseachado ladodeforadetua cabana, em diregao ao Levante junto 
deumagrandepalmeira!" 

7. preto arregala os olhos e diz: "Como te e possivd sabe-lo tao 
perfeitamente?! C om isto ja dispersaste mi nhasduvidas! C ontudo o assun- 
to se torna cada vez mais estranho! Se indubitavdmente naqude homem 
habita a Plenitude do EspiritodeDeus- como nosdefenderemos diante 
D de? N ao ofendemoscom nossassuspdtas? Estamos pe"didos!" 

8. Contesta Raphad: "Em absolute, poisestaistodos salvos! Dize- 
me, porem, o tempo exato em quedevo apanhar o teu tesouro!" 

9. D iz o negro: "6 amigo! N ao o necessito mais para a minha con- 
viccao; masquerendo traze-lo, nao precisasapressar-te! Sefor de valor, 
alguem podera me oferecer em troca uns instrumentos utds E muito 
interessante, apresentando figurasem suasuperficie, algumasfoscas, ou- 
trasapenas refletem a luz solar. N isto vejo o real valor do tesouro!" 

10. Dizoanjo:"Observe-me!Vouapanha-loepodescontarosins- 
tantesquenecessitd para tanto!"Osnubiosnaoti ram osolhosdeRaphad 
quenem seafasta, masindaga: "Percebeste minha ausencia?" Dizoou- 
tro: "N ao, porquanto teachas no mesmo lugar!" 

11. C ontesta Raphad : "Q ual nada, pois a teus pes esta tua joia!" 
C onvencendo-se das palavras do anjo, o negro comega a tremer e seus 
labiosempalidecem. Osoutrostambem expressam estupefacao, excla- 
mando: "Pdo Poder do nipotente! Como pode isto ser possivd, con- 
quanto nem teausentaste?!" 

12. Responde Raphad: "Para Deustudo e possivd: dai poderds 



Jakob Lorber 

360 

deduzircomo Ele, ao Seencontrarcomo H omem entreoshomens, rege 
emantem com Sua nipotenciao Infinite, nao havendo diantedeSeus 
Ihos, quetudo abrangem, algo que nao soubessea fundo. 

13. fate D ele ter encamado neste planeta tomando-Se Presente 
em Pessoa, reside no Seu I menso Amor as criaturas da Terra, e atraves 
disto, asdetodososinumerosmundos, afim de ser D eus e Pai visivel, 
palpavel e audivel para todo o sempre! Ele como Deus e o Amor mais 
poderoso epuro, razao pela qual tanto o homem quanta o anjo so se Lhe 
podem achegar pelo amor. 

14. SeDelequiserdesvosaproximar, deveis antes detudo, ama-Lo 
sobre todas as coisas e vosso proximo como irmao; sem este amor, e 
inteiramente impossi'vel uma real aproximagao. Agora, apanha o teu te- 
souroeveseeolegitimo!" 



201. nubio e oubratouvishar entregam 
SeusTesourosaCirenius 

1. Refazendo-se do susto, o nubio apanha a considered pepita ea 
coloca sobrea mesa ondetirao involucre M uitosseaproximam parave-la 
de perto ejudas, nao contendo sua curiosidade tambem se extasia e lasti- 
ma nao ser o dono. Aposter sido admirada por todos, o negro indaga do 
anjo a quern poderia oferta-la porquanto nao tencionava leva-la de volta. 

2. Apontando-lheCirenius, oanjodiz: "Eis a direita do Senhoro 
Governadorde Roma; reinasobrea Asia egrande parte da Africae todo 
o Egito Iheesujeito, - portanto tambem o coronel deM emfis! Da-lhe 
teu tesouro. E tu, ubratouvishar, farias melhor entregar-lheo diaman- 
te, poisjustus Platonicus nao liga muito a tais objetos. Dou-teapenas 
urn conselho, epoderasagirateu contento." 

3. Responde o guia: "Tua proposta e para mim urn mandamento 
que cumprirei a toda risca, porquanto so me podes aconselhar o me- 
lhor!" Com isto, ambossedirigem com seustesourosaCirenius, ondeo 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

361 

guia diz: "N ao me informei antes a ten respeito, senao apenas pelo Se- 
nhor, poispensava: So pode haver um senhoresoberanoetodosoutros 
sao Seus servos. rientado pelo jovem milagroso seres tu um grande 
dirigente, decidi, a seu conselho, oferecer-te nossostesourosem troca de 
algunsinstrumentosuteis. Assim poderemosconstruiredificacoesade- 
quadas ao preparo de pao. 

4. N ossas ferramentas agricolas feitas com madeira e osso animal, 
sao pessimaseperdem o corte Em M emfis conhecemosvarios instru- 
mentosdecorte, quenem a pedracegam; isto nosemaisproveitoso que 
nossos metais ofuscantes" 

5. D izC irenius "Amigo, aceito-osnao paramim, mas para o povo 
gal i leu, atrasado com o pagamento do imposto a Roma. Com estasduas 
pegassuprirei os gastosdeste pais, durante dez anosequemuito o alivia- 
ra. Ao voltardesa patria, tratarei para que recebais quantidade suficiente 
deferramentas e instrumentos; caso queirais aceitar a protecao romana, 
sereissupridosdeano em ano. D o contrario tereisdefaze-lo pessoalmen- 
te, em M emfis, em troca de metais iguais a este" 

6. Respondeo guia: "A fim deresolver tal assunto, seria preciso for- 
mar um plebiscite coisa diffcil em nosso vasto pais, cujoshabitantes, as 
vezes, moram em cantos inacessi'veis. Sera melhor buscarmoso necessa- 
rioem M emfis 

7. Asleisromanaspodem ser boas, porem imprestaveisparanos 
proprio Justus Platonicus nos fizera proposta identica, que tao pouco 
aceitamos. Se penetrasseis em nosso pais, pouco beneficio vos traria! 
Perambularieis no deserto incandescente e perecerieis as centenas, sem 
encontrardes seres humanos, mas leoes, panteras e tigres, aos milhares, 
quevosestracalhariam; alem disto, naovencerieisnaluta contra osofidios!" 

8. DizCirenius:"Comovosentendeiscomestesanimaisselvagens? 
N ao vos atacam realmente?" 

9. Responde o guia: "N ao ouviste ha pouco do jovem e pda Boca 
Santificada do Senhor, como somos constituidos? Como ainda indagas? 
N aoorepitas, poisarespostadenadateadiantaria!"Curvando-serespeito- 
samente, ambosvoltam parajunto dosoutroserdatam o quesepassou. 



Jakob Lorber 

362 

202. AOrigem doTemplo Jabusim bil, 
da esfinge e dascolunasde m emnon, 
Representadas pelas D uas Prim eiras Perolas 

1. Oscompanheiros, porem, dizem: "Comofoi possivd chegardesa 
urn acordo com o Senhor, porquanto nao Lhe di rigistes palavra?" 

2. Respondeoguia:"Aqui,ondeEleSeencontra,tudoemanaDele 
e lidamos apenas com Ele, embora tratassemos com Seus discipulos." 
Todos se dao por satisfeitos e se calam. Alguns entao viram-se para o 
anjo, dizendo: "0 uve, jovem milagroso, nao nos poderiastrazer nossos 
tesouros, todos especiais, guardadosem nossas cabanas?" 

3. Diz Raphael: "Apanhai-os, diante de vossos pes, colocai-os na 
mesa e veremos o que sao !" 

4. C inco negros olham debaixo da mesa e reconhecem, admiradis- 
simos, osembrulhosdesua propriedade; erguem-noseapresentam qua- 
tro consideavdspepitasdeouro quepesam aotodo maisdecem libras 
Dum quinto pacotesurgem setecascalhosenormes, queM arcusconsi- 
dera inteiramentesem valor. 

5. Aduz Raphael: "Espera, que veras serem, justamente, estas pedras 
devalor insupeavd no mundo! D a-meum bom martdoqueiremosanalisa- 
las" Prestimoso, M arcus, apanha urn martdao deferro eentrega-o ao anjo. 
Com cuidado, esteapanha umadas pedras, da-lhealgumasleves pan cadas 
com o que se solta a crosta de cascalho, fazendo surgir uma perola do 
tamanho duma cabeca humana, despertando geral admiragao. 

6. Nasuperficiedesta perola fantastica, viam-segravadosvariosde- 
senhosehieroglifos, entreosquaisum esquemadeTemploJabusimbil, 
no momento em que se terminara as quatro figuras gigantescas, apos 
cento esetentaanosde trabal ho, cheios de sacriffcios e sofrimento. Na- 
qudaepoca, aindaseesculpiaascornijascom enormesescritoseoutros 
si n ai s e tarn ben se i n i ci ara a abertura para o portal . Q uem fosse capaz de 
decifra-los, sabeia da origem do Templo e o motivo dos egipcios o 
erigirem, petodoNilo. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

363 

7. Essaperolatinha, portanto, imenso valor pelotamanhoepela sua 
H istoria. Alem disto, originava-sedum periodo terraqueo muitos mile 
niosantesdo surgimento do primeiro homem. 

8. N a era em que tais crustaceos gigantescos habitavam o M ar, a 
parte mais rasa da Africa era banhada pelas vagas enormes do ceano 
Atlantico. s antigos egipcios acharam a concha quando da escavacao 
para a base da primeira Piramide, onde descobriram essas sete perolas, 
uma das quais Raphael acabavadefazersurgirdeseu involucre 

9. Naturalmenteedeimportunadocom indagagoeseda, entao, a 
explicacao acima. Em seguida, toma da segunda perola e liberta-a do 
mesmo modo. Tarn ben da estava cheia de sinais e escritos e numa das 
superficies mais lisas, oTempIo deja bu sim bil estava completamente 
gravado em miniatura, junto a uma cabeca semdhantea da grande Es- 
finge. Denovo Raphael eassaltado por perguntasediz: 

10. "Amigos, sen a complete iluminagao do espirito na alma, ne 
nhum mortal de hoje podera desvendar tudo aquilo que contem esta 
perola! Emboraseja da mesmaepoca que a primeira, sendo maior, foi da 
gravada somente cem anos mais tarde, quando terminara a construgao 
doTempIo, cujo interior todavi a, ainda nao estava concluido. 

11. A cabegarepresentaosetimore pastor(farao), quesedenomi- 
nava Shivinz(erroneamente"Esfinge"), - o vivo eempreendedor. Alcan- 
cou perto detrezentosanos; suacabegafoi esculpidaem tamanho colos- 
sal numa rocha degranito que ainda hojeseacha ben conservada. 

12. EsseShivinzintroduziu grandesmdhoramentosem escolas, la- 
voura e cultura geral, desfrutando de seu povo, uma veneragao quase 
divina. As inscricoesna perola sereferiam, predsamente, asbenfdtorias 
quedecriou atravesdeseu espirito ativo. 

13. N ao foi deo iniciador da escultura no grandeTempIo, pois isto 
foi fdto pordoisantecessores, mui devotosao Espirito Divino. Porgrati- 
daodeosfezesculpirsentados, nao longedoTemploepertodo Nilo, 
numa vasta planicie, em tamanho colossal paraeternarecordagao. C omo 
naopossuiam nomeenaooqueriam poramplesmodestia, delhesdeu 
o nome "Os Ignotos" (M e maine oni, mais tarde desvirtuado para 



Jakob Lorber 

364 

M emnon), cujasestatuasainda hojeestao bem conservadas" 

14.Aduzoguia:"Realmente,tudoistovimoseadmiramoscondig- 

namente. Q ual seria sua idade?" 

15. Responde Raphael: "Pertodetresmil anosossubsequentestres 
mi I , nao apagarao seus vestigi os! I remos agora desvendar a tercei ra pero- 
la, em cujasuperficievereisalem dosdoisantecessoresdeShivinz, outra 
grande revel agao que vos dara que pensar!" 



203. Segredo daTerceira Perola 

Os sete gigantes e os sarcofagos 

1. Pondo a descoberto a tercei ra perola, Raphael aponta as duas 
estatuas de M emnon, ediz: "Eisosdois ignotos? acima deles vedes sete 
gigantescas figuras humanas, vestidas e rodeadas por quantidade de ou- 
tras, em miniatura. Qual seriaaintencaodeShivinzem gravarasperolas 
detal forma?0 uvi ! C ento eseteanosantesdosdoisignotos, foi destruido 
urn grandeplaneta no I men so Espago, pela permissao do Senhor. Eraele 
habitado por criaturas gigantescas. 

2.Comasubitaeimprevistadestruicao- emborativessesidoanun- 
ciadaaquelas criaturas, pordiversasvezes, aconteceu terem setecaido no 
N ortedo Egito, em areas extensasondeproduziram forte tremor de ter- 
ra. Essa chuva humana durou dez dias, isto e, entrea queda do primeiro 
eosetimo. s habitantes passaram por imenso susto, poistemiam que 
tais gigantes viessem soterra-los durante a noite, eassim passaram aob- 
servar o C eu, a fim de poderem se refugiar. 

3. Durantedezanoshaviavigiasconstantes;comonadamaisacon- 
tecesse, os animos se aquietaram e os habitantes se atreveram a fitar os 
enormes cadaveres, completamenteressequidosequeseachavam varias 
horas de marcha, distantes urn do outro. 

4. Ossabiosegipciosjulgavam terem sido aquelesgigantesatingidos 
pela Ira D ivina, por haverem ultrajado o Seu N ome, sendo atirados, pe- 
losanjos, aquela zona, a fim demostrar nao ter Elepoupado osproprios 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

365 

gigantes. Para encurtar, comegou-seaquama-losaospedacoseem cin- 
quentaanosnao maishaviavestigios. fato deterem osegipciosrecebi- 
do forte impressao do aconteci mento, prova sua grandetendencia mani- 
festanasesculturas. 

5. NoTemplodeJabusim bil escu I pi ram-sesete gigantes em cada 
divisao, comosuportesdoteto, nostrajesqueusavam osquelahaviam 
sido projetados. Osegipciosqueanteriormenteandavam completamen- 
te nus, imitaram tal indumentaria, o que ate hoje ainda se pode notar. 
Suas mumias e sarcofagos estao cheios de tais ornamentacoes." 

6. Indagaoguia, qual eraaideiadosantigos, referenteaos sarcofagos 
eporqueassim denominavam tantoos grandes, quanta ospequenos cai- 
xoes macicos 

7. Diz Raphael: "Sereis esclarecidos de sobra! Sabeis ser dificil o 
enterramento de corpos neste pais, cujo solo seco nao permiteadecom- 
posicao, portanto nao pode ser destruido. N as proximidades do N ilo, 
naosepodiaefetuarosepultamento, para nao deteriorarsuasaguas. Deixar 
os cadaveres a merce dos animais selvagens, nao se coadunava com o 
espirito humanitario dosegipcios Quefazerentao? 

8.Tiveram uma ideia bem inteligente: esculpiram depedra, grandes 
e pequenos caixoes onde cabiam urn, dois ou tres corpos. Cada caixao 
tinha uma tampa consideravelmente pesada. Em tal sarcofago se deita- 
vam urn ou variosdefuntosaposterem sido untadoscom M urn (M uma 
ou Mumie, istoe, resinaterraquea); incandecia-seotampao,fechandoo 
caixao parasempre Isto ressecavaosdefuntos, carbon izava-ose ate mes- 
moreduzia-osacinza. 

9. Em grandes povoados, usava-se caixoes em comum que eram 
abertosdeseteem seteanos, quando novamenteeram preenchidoscom 
corpos, em cuja tampa sefazia urn fogo forte, queosreduziaapo. Uma 
vez cheio de cinzas, o sarcofago nao mais era aberto, mas ficava como 
recordacao da inconstancia dascoisasterrenas 

10. Com o tempo, seerigiaabobadasabauladasepiramidessobre 
tais sarcofagos, motivo pelo qual ainda hoje se ve uma quantidade de 
caixoes nas Kai-tu combas (isto e, recinto oculto). Os ditos sarcofagos 



Jakob Lorber 

366 

assim sao denominados, por se dizer no antigo idioma Sarko - incan- 
descente e vaga (Vascha) - tampao. Estais pois informadosa respeito e 
passaremos a quarta perola." 



204. Raphael ExpucaasConstelac;oes 
na Quarta Perola 

1. Cuidadosamente, Raphael tira a casca da quarta perola. Antes, 
porem, de comegar a explicagao, o guia indaga: "6 jovem milagroso, 
DedodoAltissimo, naoteaborregasseteimportunocom umapergunta! 
Preocupa-me necessitares do martelao, embora provido de poder sobre- 
natural! Seraeleindispensavel, ou delete serves apenas para demonstrar 
maior naturalidade, proporcionando-nosambientecalmo esem temor?" 

2. Respondeo anjo: "Nada disto; fago-o para exemplificar como 
devereisagir, caso encontrardessemelhantespedras N osdesertosdo Egi- 
to N orte e C entral ha grande quantidade destes cascalhos, se bem que 
poucoscom tal conteudo. Todoselescontem desenhos, inscrigoesesi- 
naisvariados, pois os antigos egipcios nao possuiam papel para escrever. 
Por tal razao, aproveitavam as partes lisas das pedras, a fim de grava-las, 
nocomegocom lapis de osso, emaistarde, com lapis de metal. 

3. As inscri goes maisantigas so tinham a registrar simples ocorrenci- 
ascom asmanadas; as postal ores, jacontem, como aspresentesperolas, 
fatos importantes nao so para esse vasto pais e povo, mas para todo o 
orbe. Senhor assim quisquedesetomasseumaescolapreparatoria 
para a Sua Encamagao, motivo por queenviou seu povo predileto - os 
hebraemitas- para longa instrugao ao Egito. E M oyses, grande profeta 
do Senhor, haviacursado asescolasem Kahirojeba (T hebai ouT hebsai, 
Casa de loucos, mais tarde uma grande cidade povoada), Kar nag, nas 
maisantigas cidadesdeMemfis, D iathira (D ia Daira - local deservigos 
forgados) e em Elefantina (El ei fanti - os descendestes dos filhos de 
D eus), sendo guiado pelo Espi rito de D eus, aos cinquenta e sete anos, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

367 

atraves do Sues, na fuga do cruel Varion, (Farao) - conforme se le sua 
historia na Escritura 

4. Emsuma,oEgitofoi por Deusdestinado para escolapreparataria 
eseushabitantes, osmaisantigosdo mundo, desdeerasremotas, dotados 
demuitaculturaenegociavam com quase todos os povos. Compreen- 
deis, portanto, a razao pela qual tudo que la se encontra, tem muitas 
vezes importancia tao profunda. 

5. Analisemos, pois, a quarta perola: Deparamos varias figuras de 
cagadores com aljava, arco eflecha e uma grande manada, cercada por 
leoes Indica uma tremenda luta dos egipcios com leoes, que naquela 
epoca, invadiam osrebanhosdo pais 

6. A di reita desta cena, vedes os pastos cercados por muros onde se 
acham cabecasdetouros, oschifresora para cima, ora para baixo ou para 
o lado, o que indica que os rebanhos antes da protecao dos muros se 
achavam i ndefesos. N os cantos da murada vedes, tambem, urn cao, ora 
deitado ora de pe; seu nomee Pas, ou Pastshier (vigia do pastor). 

7. M aisadireitadestaca-se, novamente, o Varion Shivinz(Esfinge), 
protegido por grande cao, urn cuja frente se veem pedacos de leao. U m 
pouco mais acima esta o mesmo animal e a seus pes: Sol e Lua. Q ue 
significa isto? 

8. Ouvi: Shivinz possuia, como Rei dos pastores, realmente, urn 
cao, tao grande, queaniquilavatanto o leao quanta a pantera. Por muito 
tempo vigiou os rebanhos; apos morto, Shivinz determinou eternizar o 
animal por respeito econsideracao, numa constelagao austral, denomi- 
nando-a"ograndecao", poisacha-seabaixodoSol eLua. Semprequese 
vealgo abaixo do Sol eda Lua significa recordacao dealgo importante. 

9. Umgrandeevigilantecaoehojeemdia- mormenteaqui onde 
quase nao existem animaisferozes- sem importancia. No velho Egito, 
porem, onde o seu papel era preponderante, o cao era de grande necessi- 
dade. Sua manutengao erafacil, porquetal racaenorme, geralmente, se 
nutria decamundongos; alem disto, comiadiariamente, milharesdega- 
fanhotos; leites6tomavaumavezaodia,tomando-sefiel aos rebanhos. 

10. Alem dosgrandes, osantigos egipcios tambem consideravam os 



Jakob Lorber 

368 

pequenoscaes, denominando-osdeM al pas(pequeno cao), poisdenunci- 
avam os intrujoes. s grandes, uma vez alarmados, desandavam a ladrar 
com energia, enchendo azonaderespeito eafastando osanimaisselvagens 
sdemenor porteeram em geral, adestradosparaprotegerem acriagao de 
galinhas. Tudo isto foi idealizado por Shivinz que demonstrava aos 
conterraneos, a utilidadedesua carneequao saborososseusovos^ fritosou 
cozidos Aperfdcoou o paladar dos habitantes, ja consideraves em nume- 
ro,- oqueateredundou numaverdadeiraguerradegalinhas,sobreaqual 
H erodoto, historiador da Grecia, fala demodo mfstico. 

11. Shivinz proporcionou ao pequeno cao determinado lugar entre 
asestrelas, eochamoudePorishion (Procion). Pertodeleseachaavelha 
Kokla (galinha choca): mais tarde mudou para Peleada ou Pleadza, e 
devidoaum mito, foi pdosgregosdenominadaPleiade. 

12. Vedestudo isto em cima da perola, e podeis reconhecer a inteli- 
genciade Shivinz. N ao foi tanto sua preocupacao em fazer queseusdis- 
cipulosrelembrassemseuscaesesuasgalinhas, senao instrui-losnomo- 
vimentosideral. Foi elequem inventou,em Diathira, oprimeiroZodia- 
co, (Sadiaze- parao lavrador), determinandoasdiversasconstelacoes, de 
acordo com osacontecimentoscotidianos. 



205. A Divisao do Tempo, na Quinta Perola 

1. (Raphael): "Prestai atengaolEisaquintaperola.Javosdemonstrei 
como deveis lidar com tais reliquias remotas, a fim de descobri-las, de 
sortequeusarei meu poderdevontadecom as tres ultimas Vede, - esta 
se desvenda diante de nos! 

2. D eparamos urn Zodiaco de D iathira em sua superficie mais lisa! 
Ao lado, urn Templo colossal; trezentas e sessenta e cinco colunas maci- 
cas carregam outros tantos arcos de pedras de granito vermelho, 
construidasdentrodasleisdearquiteturaedemodosolido. arcomais 
elevadodistadosolo, numaalturadesessentaeseishomens Contem ele, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

369 

precisamentetrezentosesessentaecincoorificios, detal forma aplicados 
que, duranteo percurso dumaconstdacao, o Sol projetasua luz, ao meio- 
dia, no centra dumacoluna, no meio doTemplo. A luzsolar projetava-se 
no altar em horas diversas, mas nao passava pelo centra senao um ou 
variosgraus mais laterals 

3. Estacolunaconstruidademodotaoartistico, aindahojeexiste, se 
bem queum pouco avariada, esubsistira por muito tempo, servindo de 
orientacao aosastronomos. 

4. D esejaissaber porqueShivinz mandou erigi-las, sem duvida, com 
muito sacrificio? Antes daquela epoca nao havia divisao de tempo, por- 
quanto aumento ou diminuigao do diaquasenao eram notados. A Lua 
era omdhore mais certo divisor do tempo. Em Diathira- acidadedos 
trabalhosforcados- eranecessarioestabdecer-setal ordem, diaenoite, 
razao por queShivinzengendrou tal arco, no quelevou dezanos, empre- 
gandocem mil operarios 

5. arco era bastante largo e entre a trigesi ma e trigesi ma-pri meira 
abertura, havia pintado o simbolo dum signo, em vermelho, e no topo se 
via, em branco, a constdacao correspondente Aqui vedes o interior da 
colunadesenhadacom tracosleves, queem seguidaeram destacadoscom 
tinta vermelha escura, o que indica o espirito inteligente de Shivinz e o 
respeitoilimitadoqueospovosdoEgitolherendiam.Aconsequenciafoi 
taograndiosa, quebastavaum acenoseu emilharessepunham em mo- 
vimento, dando origem a obras desse vulto. 

6. N omeou osmaisintdigentesparaprofessoresesacerdotes, erigindo, 
por toda parte, escolas para os mais variados fins humanos. A elevada 
sabedoria de D eus so era adquirida em Kar nag e final mente em J a bu 
sim bil, atraves das mais durasprovas." 

7. N isto, M arcus interrompeo anjo, perguntando: "Amigo adora- 
vd, naonospoderiasexplicarosentido peculiar da Esfinge que, sendo 
mdade mulher e metade animal, dava aos homens o cdebre problema a 
resolver, com risco devida?Queespeciede animal eesse: demanhaanda 
dequatro, atardeem doiseanoite em trespes?Q uem nao fosse capazde 
decifra-lo, seria morto pda Esfingeecaso contrario, daseddxaria matar! 



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370 

Q ue ha de verdadeiro nisto tudo?" 



206. Segredo da Sexta Perola: A Representacao 

DASPlRAMIDES, DOS BELISCOS E DA ESFINGE 

1. Responde Raphael: "A sexta perola responder-te-a. Aqui esta ela. 
Q ue deparas a pri mei ra vista?" 

2. Diz Marcus: "Vejonovamenteafigura colossal deShivinzevari as 
piramides; frente a maior estao dois obeliscos e ao lado - na realidade, 
talvezacem passos- acha-seoutraestatuadescomunal. Cabega, maose 
peitoindicamumafigurademulher. No lugarde ventre surgeumcorpo 
de animal, indefinivel. Atras desta estatua singular, ve-se uma extensa 
muralha, circundando um grandepasto. Quevem asertudo isto?" 

3. RespondeRaphaeh'AfigurafemininaeprecisamenteShivinz, o 
grandebenfeitor, aquem o povo desejou eternizar, mandando erigir este 
colosso a sua propria custa. A grandepiramidecom os dois obeliscos era 
umaescolachamada"Criatura, reconheceati mesma". Possuia, no inte- 
rior, vastossaloeselabirintosem todasasdirecoesquecontinham orga- 
nizacoesestranhas, parao conhecimento proprio, edai, ao do Espirito 
Supremo de D eus Taisarranjostinham, as vezes, aspecto horrendo; mas 
nunca deixavam de alcangar bom exito. As outras piramides sao geral- 
mente indicios daqueles locais subterraneos, onde se achava quantidade 
desarcofagos, conformeja expliquei. 

4. Atualmente se encontram outras tantas piramides e templos no 
extenso valedo N ilo, erigidosmuito maistarde, no regimen dosfaraos, em 
epocasdeAbraham, Isaac ejacob. N essaspeVolassosecomentaasdeShivinz. 

5. nome original era "Piramidai" esignificava: "Da-mesabedo- 
ria", e as duas colunas pontiagudas, chamadas "0 ubeleiskav" "0 puro 
procura o que e elevado, belo e puro". "Belo", quer dizer, "branco" e 
como esta cor para os antigosegipcios era sinal depureza, belezaeeleva- 
gao, interpretavam-nadetal forma. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

371 

6. efeito salutar detaisescolas, em breve se tornou conhecido, 
atraindo tantos estranhos para sua frequencia, de modo a impossibilitar 
serem hospedados. Isto levou Shivinz a aplicar metodo drastico em fins 
deseu regimen. 

7. Nestaperolavedesaestatua,semi-humana. Eraocaeatravesduma 
escada decaracol, podia-sechegar a cabeca efalar nitidamente pela boca 
quecontinha urn funil dirigido para baixo, dando a impressao ter a esta- 
tua colossal falado, em verdade. 

8. Quandoosestrangeirosseapresentavam paraadmissaonaescola, 
urn servente Ihes chamava a atencao ser necessario se postarem em fila 
peranteafiguraque, extemamenteera morta, conquanto viva no interi- 
or. Cada interessado em tomar-se disci pulo das piramides, recebia uma 
charada, sob risco devida. Caso conseguissedesvenda-la, eraaceito, dan- 
do-lheo direito defazer, igualmente, uma pergunta a ela e, se nao fosse 
satisfatoria a resposta, ele poderia destrui-la ou decerto modo, mata-la. 

9. problema era dado com tres dias de antecedencia aos preten- 
dentes; quando, porem, chegavao momento ninguem seatreviaadesafia- 
la, poistodosrecuavam com modestia, pagavam ataxa inicial, voltando a 
patriadistante. 

10. M aistarde, diz uma lenda, houveum grego queresolveu a cha- 
rada; naodeixadeserlenda, poiscarecede verdade. celebreenigmafoi 
resolvido por M oyses, quetodavia nao destruiu a figura ainda existente, 
emboraavariada. 

11. Somenteaconstrugao interna nao maiseencontrada, porquan- 
toacha-sesoterrada pela areiae lama. N ilo inunda decern em cem, as 
vezes, tambem em duzentos anos a regiao, de sorte que, em vales mais 
estreitos, as ondas se elevam a trinta varas. Nessas ocasioes muito e 
destruido, porquanto grandequantidadedeentulho, areiaelamaede- 
positada sobre campos ferteis. 

12. NaepocadeShivinzhouveduasenchentesqueelevaram asva- 
gas,acimadoscimosdaspiramides. H aoitocentosesetentaanos,deu-se 
a ultima que provocou o soterramento do Templo Ja bu sim bil, ate a 
metade, e nao foi possivel limpa-lo, assim como outros monumentos 



Jakob Lorber 

372 

Desta forma obtiveste, M arcus, aexplicagao desejada. Estassatisfdto?" 

13. Replica este: "N ao teria havido um corajoso durante um mile 
nio, que arriscasse sua vida no dito problema? Q ue teria sucedido caso 
nao o conseguissedesvendar?" 

14. Diz Raphael: "No local ondeoalunotinhadesepostar, haviaum 
alcapao quedava para um pogo. Em la chegando, teria elesido agarrado 
por serventes, levadoaescola- atraves dos labi rintos - deondenaosairia 
antes de se tornar homem perfeito. N unca tal fato ocorreu na epoca em 
queo enigma foi resolvido; aconstrugao estavatao obstruida, demodo ase 
tornar imprestavd. Osprimeirosfaraoseseu povo, desdehamuito, foram 
vencidospdosfenicios, eospropriosrds, em tern posde Abraham, jaeram 
fenicios Agora vamosdesvendar a setima e ultima perola. 



207. AsCONSTELAgOESDASETIMAPEROLA 

Decadencia da cultura egipcia. Historia das sete perolas 

1. (Raphad): Ei-la. Q uevedes?Algo quenao sabdsinterpretar: N esta 
perola maravilhosa se acham desenhadas e untadas com tinta marram 
avermdhada, todas as constdagoes, conservando-se ate esta data, debai- 
xo dacrostado entulho. D ela nao aprendemoscoisa demaior importan- 
cia. Observamostertido Shivinzvasto conhecimento sideral efoi o pri- 
mdro a formar certo sistema; sua classificagao das constdagoes ainda 
hojee usual. 

2. Antes deseu regimen, a escrita por sinais, o conhecimento pro- 
prio edeDeuseram mui precarios. Com esforgo indizivd deorganizou 
tudo isto eformou dum povo, anteriormentesdvagem enomade, um 
dos mais cultos e sabios do mundo, pdo que muito foi invejado. Aos 
estrange ros, cultura tao vasta, despertou grandeinteresse; tudo queviam, 
apresentava-selhessumamentedevado, desortequenao maisqueriam 
ddxar o pais. 

3. Deacordo com o incremento da peregrinagao, fez-setambem a 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

373 

colon izacao em larga escala, dando-se, destarte, o dominio dos povos 
primitivos e seus regentes em moldes pacificos. 

4. Os descendentes de Shivinz ja manifestavam tendencias mais 
amenas e efeminadas; entregavam-se ao bem-estar, reportavam-se ao 
merito deseu ancestral, nao sepreocupando com ascoisasdo Governo. 
A consequenciafoi queosimigrados- nao raro pessoasenergicas- iam 
sendo nomeados pelos nativos para guias, sem uso da espada. 

5. Decerto modo, foi urn beneficio; os nativos, porem, nao lucra- 
ram muito, porquanto osdirigentesestrangeiros(Varion, deturpado para 
Pharaon) em breve formaram urn poder belico, tomando-severdadeiros 
tiranos e opressores. As escolas so eram acessiveis a poucos e o ensino, 
longe do anterior, razao pela qual, pouco a pouco, se criou da verdade 
anteriormente pura, a idolatria mais absurda, ligada a ignorancia com- 
pleta, ondemal sepodedescobrir- mesmoporgrandessabios- a cultu- 
ra primitivadeste pais Porisso, estassete perolassao devalor incalcula- 
vel, pois se originam duma era em que o Egito estava no auge de seu 
desenvolvimento espiritual, edevem ser bem guardadas." 

6. Indaga urn dos pretos, quando das foram atiradas as areias do 
Nilo, ondeseperderam. E Raphael responde: "Javosfalei, queesterio 
em certasepocas, provocaverdadeiro diluvio. Aproximadamentehaqui- 
nhentosesessentaesete anosapos Shivinz, o N ilo atingiu alturaassusta- 
dora; nosestreitos, subiu mais de cento esessentavaras Ascidadesloca- 
lizadas nos vales, foram inundadas pela enchente, durante cinco sema- 
nas, e, nesta ocasiao, as casas onde estavam guardadas as perolas, foram 
levadas pela enxurrada e cobertas de lama e areia. 

7. Nodecorrerdequasetresmil anos,formou-seumacrostaconfor- 
me vos mesmos as encontrastes e de onde eu as libertei; primeiro de 
modo natural edepoisa meu especial feitio. Assim informados, tendes 
nestas sete perolas, sete livros instrutivos sobre o pais que ora habitais 
Guardai-as bem; pois cada qual vale mais que urn grande reinado. N o 
momenta, Oubratouvishar- omaissabioentrevos- deveraguarda-las; 
quando deixar estemundo, determinara seu sucessor. Ai do indigno que 
tencionasse del as se apoderar por cobica! 



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8. Eu, mensageiro e executor da Vontade D aquele que ai Se acha 
sentado, penso ter feito o suficiente no campo milagroso, a fim de vos 
estimularafelCaso naovossatisfizesse, nadamaispoderei adiantar! Es- 
tais convictos ser Aquele o M esmo eternizado por Shivinz e seus dois 
antecessores, noGrandeTemplodeJabu sim bil7' 

9. Respondem todos "Sim sim, poderoso mensageiro do Senhor, 
confirmamo-lodofundodenossocoracao!" Raphael seafasta, eCirenius 
M e pergunta se este relato historico do Egito e uma necessidade para o 
M eu Evangelho. 

10. E Eu respondo: "U madasmaiores! D aqui a variosseculossurgi- 
rao investigadoresdevariosmatizes, parapesquisarem minuciosamente 
este pais e encontrarao muita coisa mencionada por Raphael. Isto os 
confundira sobremaneira, assim como o fara com vossos descendentes; 
esta Revelacao, porem, integra-los-adetudo. Posteriormente, inspirarei 
algunshomensquedesvendarao,aospesquisadores,taismisteriosdeeras 
remotas. Agora, vamosaosnegros para que Eu Ihestransmitao verdadei- 
ro Evangelho dosCeus." 



208. HabitosdosNubiose Habitosdos Bran cos 

1. Finalmentenos levantamos, no momento em que o Sol voltava 
ao fulgor natural enosencaminhamosparao grupo denegros. Todos se 
erguem esecurvam com dignidade, asmaoscruzadassobreo peito. E o 
guiadizem linguagem hebraica: "Senhor, Senhor, Senhorjanao maisha 
incredulos entre nos! Cada Palavra deTua Santificada Boca, sera para 
nos, umaGragaincalculavel, manifesta porTua M isericordia Infinita! 

2. SeTu, Santissimo, nos achares dignos dum ensinamento mais 
extenavo sobrenos, nossosdeverese deTua Propria Pessoa, favorece-nos 
pois, com algumaspalavras, quenosproporcionarao- eaosnossos des- 
cendentes- umafelicidadesem par, porquantoteremosvistoepalestrado 
com oCriadore Senhor detodoomundo, material eespiritual. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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3. halo luminoso visto em mai sonho, circundandoTua N ature- 
za Divina qual Gloria Eterna, ora Semanifesta peloTeu Grande Amor, 
AmabilidadeeSabedoria, ineditos. 

4. Somoscordeirosbem intencionados, nao obstante cobertosde la 
negra; mas a cor preta assimila maior quantidade de luz e calor que a 
branca. Por esta razao, usamos roupagem alva, capaz de impedir todo 
excesso detemperatura. E creio quenos, negros, assimilaremosmaispro- 
fundamente a Santa Luz do Teu Espi rito, do que os brancos. Seu senti- 
mento rejeita essa I luminagao de modo mais incisivo que nossa roupa- 
gem, a luz solar. Taisexemplosobservamosdesobra em Memfis, deno- 
minados por Justus Plat6nicus"sombrasdevida, em movimento"; pois 
vivem qual efemerassurgidaspelamanha, emortas, anoite. 

5. N adasomosparanosvangloriarmosperanteTi, 6 SenhorlTodavia, 
somosobrasdeUm So C riador; portanto, nuncanospoderemosimaginar 
mdhoresqueo nosso proximo, a ponto denosconsiderarmossemi-deu- 
ses, conformeconstatamosentreosbrancos, ondeum esenhoreosoutros 
tern que se curvar ate o solo, e caso nao o facam, seriam acoitados Tal 
regimen nao nosagrada, Senhor, poisdemonstra pouca sabedoria. 

6. N unca batemos em nossos filhos e animais, somos pacientes e 
persistentes; exercitamos os filhos naquilo que reconhecemos de bom, 
verdadeiro enecessario. Q uando crescidos, fortesecompreensivosnao os 
tratamoscomo escravos, senao irmaosque, igual a nos, possuem osmes- 
mos direitos dados por Deus. Dedicam-nos, por isto, grandecarinho e 
amor; jamais cometem pecados contra seus gen itores! 

7. Entre os brancos vimos as criancas rastejarem de medo dos pais 
severos Poderiaseconcluirdai serestemetodoaplicavel naeducagaodos 
anjos Mai seviam, porem, distantes dos olhos paternos, mudavam de 
indoleepoderiam sercomparadosaosadeptosdodemonio, decujaexis- 
tencia nas rochas escarpadas da terra, o sabio de M emfis nos informou. 



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209. FoRMAgAo do Intelecto e Formacao 
do Sentimento 

1. (0 ubratouvishar): "Em nossomdotratamosprimdrodaforma- 
gao do sentimento denossosfilhos; umavezesteenobrecido, o intelecto 
recebeeducacao correspondente. sbrancoscomegam - mal seusfilhos 
principiam afalar - a desenvolver o intelecto desua prole, poisjulgam 
venha elecuidar do sentimento. 

2. Senhor, quao tolossao des, por nao compreenderem ser o intelecto 
bem formado, assassino do campo emotivo! A pura razao faz com que a 
criancasetorneconvencidaeorgulhosa; ondeconvencimento, presuncao 
eorgulhosetiverem apossadodaalma, baldadaseraatentativaem querer 
modificartal indole, poisum troncotortoevdhojamaisendirdtara! 

3. N 6s nao possuimosjurisprudencia, juizes, nem carceres, senao as 
Ids prescritas por urn sentimento bem formado. Por isto, desconhece- 
mosqualquer pecado, crimeou punigao; pois, deacordo como cada qual 
pensa desi, de modo identico ou ainda mdhor, julga o seu proximo. 

4. Entreosbrancosdecerta intdigencia, deparamosjustamenteo 
inverso; quase todos consideravam, apenas, a si mesmos e o proximo, 
somente, no que Ihes dava provdto. Q uando o egoista percebe que o 
outro nao Ihepodera ser util, da preferencia a qualquer animal. 

5. N 6s apredamos o proximo como tal e caso nao nos seja util, 
talvez Ihepossamosajudar. Assim tarn bem ten ho urn servo; nao em vir- 
tudeduma condicao estabdedda, masporquedeodesejaser, delivree 
espontanea vontade. Por certo ajudamo-nos, redprocamente, mais do 
quefazem os brancos por retribuicao monetaria, porquanto a vontade 
nao setomaescravadeoutrem, fazendotudo em plena liberdade. 

6. Por tal razao, nao temos palacios e habitacoes de pedras, mas 
simples cabanas, todasiguais Caso alguem nao tenhasuachocaeo espa- 
qo para morar com outrem seja reduzido, nao necessita faze-lo por si 
mesmo, nem tao pouco pedir numa outra comunidade, pois Ihe cons- 
truiremos uma, semdhantea nossa, por amor e respdto a sua dignidade. 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

377 

D este modo reinam paz e uniao constants entre nos 

7. Estanossaordem domesticaeparaos brancos, quetivemosoportu- 
nidadedeconhecer, inteiramenteestranha; algunsdeclararam serelatolice 
eafronta a qualquer cultura. Como entao seexplica obedecerem a nossa 
vontadetodosanimaiseatemesmooselementos,enquantoelescomasua 
inteligencia, naosepodem aproximardumacatervadele6es?!Ai doguer- 
reiro maistemido; poisum leao Ihedemonstraraquem evitorioso! 

8. Lidamos com leoes e panteras como sefossem camelos, touros, 
cameras ecabras, enao sabemosdum caso ondeum animal selvagem 
houvesseinvestido contra um homem ou atacado um rebanho. Alimen- 
tam-sedacamedegado, somentequando este ten ha perecido develhice. 
Cadaaldeia possui determinado local, ondeosanimaismortossao leva- 
dos, a fim de que as bestas selvagens se nutram. N 6s outros nao come- 
mos carne, a nao ser de galinha e peixes; quando as aves ficam muito 
velhas, tambem sao atiradasasferas alimento degalinhas, gavioese 
condores se reduz a came deferas mortas 

9. Q ueaconteceao branco quando cai n'aguacom toda a sua inteli- 
gencia? Afunda e morre! Podemos caminhar sobre a agua como se fora 
terra firme e mergulhar, apenas querendo, o que depende, todavia, de 
bastante esforco. Todas as cobras venenosas e as form igas fogem de nossa 
proximidade; camundongosegafanhotosdeparamos, apenas, no Egito. 

10. Assim presumo existir em nosso pais, a ordem conformefoi 
estabelecida por D eus para todas as criaturas, independente de sua cor. 
Poisseo primeiro casal tivessegdo colocado sobreaTerra naatual ordem 
dos brancos, desej aria saber como teria se defendido! Pois antes disto, ja 
haviamuitosanimaisferozeseas criaturas teri am deseproverde roupa- 
gem earmasdeago, caso quisessem enfrentartal perigo. 

11. Seosprimitivoshabitantesanosseassemelhavam com todas as 
forgasinternas, naturalmenteeram soberanos sobre animaiseelementos 
J ulgo estarmos aptos para assimilar algumas palavras deV ida, Senhor! E 
caso nosderesleisou regrasdeconduta, executa-las-emoscom rigor; pois 
somostenazes na conservagao de uma ordem justa, como talvez poucos 
brancos Jaquetemosafdicidadeextraordinaria- porcertoconsiderada 



Jakob Lorber 

378 

ate milagre entre os anjos - de estarmos juntos deTi, Senhor Eterno, 
Criadordosmundos, pedimos-Teem unissonoacrescentaresmaiso mi- 
lagre denosdirigir alguma pal avra!" 



210. M OTIVO DA ElMCARNAgAO DO SENHOR 

1. Digo Eu: "Nao so algumas, porem muitas vos serao dirigidas! 
N ao vos dare novasleis, maspositivarei asantigasqueEu M esmogravei 
em vossos coragoes, demodo inddevd. 

2.Vim especialmenteaestemundo, parareconduziraH umanidade 
completamente pervertida, pelo nao cumprimento de M inha Ordem 
Primaria, atravesdeEnsinamentos, ExemploseAgoes, ao estado primiti- 
vo, ondeasprimeirascriaturaseram soberanassobretodaaCriagao. 

3. Estes brancos necessitam muito de M inha Doutrina e Agoes, a 
fimdequereconhegam Quern osensinaequal Sualntengao.V6s,toda- 
via, ainda vosencontraisno maravilhoso estado primitivo; vosso ensino 
vital comegacom osmeiosjustoseno local acertado. Ensinaisprimeiro 
as criangas o mais necessario a educagao e nisto, os brancos vos devem 
imitarfuturamente, poisEu IhesdemonstrooCaminho. 

4. 1 ndispensaveis serao muitos esforgos, agoes e epocas diversas ate 
queelescheguem laondevosencontrais Saooserradoseperdidosque 
carecem dereajustamento; sao enfermosnecessitando do medico, queos 
possacurar. 

5. Como soisincomparavdmentemelhoresqueeles, poderiater-M e 
achegado a vos; todavia nao necessitaveisdeM inha Presenga. Acontece, ter 
Eu precisao devosso testemunho deM inhaO rdem Primitiva; por isso, vos 
fizconduzirpdaM inhaVontadeefinalmente,atevosinstigue achegardes 
aqui, para queos brancos vissem o queeo homem incorrupto. 

6. Dareis algumas provas de vossa verdadera humanizagao como 
ensi namento, a estes irmaos ignorantes e errados. Alguns dentre des es- 
tao bem proximosda perfdgao; todavia, como criaturas, nao existeum 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

379 

tao adiantado como o menos experimentado entre vos. Q uereis fazer- 
Metal favor?" 

7. D izO ubratouvishar: "6 Senhor, cujo Amor, BondadeeM isericor- 
dia preenchem tambem aqude Espago do Infinite, onde no decorrer de 
Eternidades> novasCriagoeslouvaraoTeu N omeSagrado namaisprofun- 
da contrigao! Poderia haver algo quenao fizessemoscom a maximadedica- 
gao aTua Santa Vontade?! 6 Senhor, ordena, quetudo faremos!" 

8. D igo Eu: "Pois bem; demonstrai primeiro, vossa gloria humana 
sobreoselementosdaagua; caminhai em suasuperficieedai exemplode 
vossa agilidade nessecampo umido!" 

9. D e pronto, o guia chama sessenta colegas e M e pergunta se sao 
suficientes ComeEuconfirmasse, ogrupoconstituidodeambososse- 
xos, dirige-se ao mar e caminha na sua superficie calma, como se fosse 
soloseguro. Finalmente, deslizam com tanta agilidade, quenem urn pas- 
saro, num voo rapido, osteriaalcangado. Em poucos minutes, estavam 
longe a se perder de vista, - e no mesmo instante, aproximavam-se da 
praia com fragor estrondoso. 

10. proprioCireniusficadecabdosem pe, quandoosvepassar 
em furia veloz, parando a uns cinquenta passos diante dele. Somente o 
guia encami nha-se a terra, indagando se Eu quero mais outras demons- 
tragoesaquaticas. 



211. OsNegrosDominam osElementosd'Agua 

1. D igo Eu: "Prossegui ! Por exemplo: aquilo quefazeissobrea agua 
duranteumaventaniaescaldante, eamaneirapelaqual efetuaisapesca!" 

2. Rapido,oguiavoltaaogrupoelhetransmiteoMeu DesejaTodos 
caem derosto sobreaagua, ondeficam poralgunsinstantesqual pedagos 
de pau . E m segu i da, comegam a movi mentar-se para rodopi ar vd ozmente. 

3. Digo Eu: "Agem assim para ficarem bem molhados, evitando 
serem quemadosou carbon izadospdo escaldanteKamb sim (Para onde 



Jakob Lorber 

380 

fujo), o tufao mais forte dos desertos da N ubia e Abissfnia. Samum 
(para derreter piche), nem de longeetao quente, quanta o Kam'sim. 
M enos quente ai nda eo G iroukou (Siroco - o vento quesopra desudo- 
este por sobre os pastas), conhecido em M emfis desde eras remotas, e 
que proven das vastas pastagens G iri. M esmo assim, eram tao quentes 
que forcavam as criaturas a se refugiar nas grutas umidas 

4. exercicio ora demonstrado pelos negros, so efeito por ocasiao 
do Kamb'sim; quando este perdura e aumenta, mergulham conforme 
fazem neste momenta. Todavia, nao podem faze-lo por muito tempo, 
porque sua forte irradiagao i nternae externa tornaocorpo maislevedo 
queaagua. 

5. Agora estao sentadosnasuperficieenesta posicao, demonstrarao 
como pescam. Vede, pelo forte poder da vontade, atraem de longe os 
peixes! Com as maos sao tirados da agua e deitados no avental, preso a 
cinturaeassim deslizam rapidosateamargem. Velaseremossoexistem 
navontade; quando querem movimentar-semaisligeiros, naagua, basta 
quere-lo dentro dumafeinabalavel, quetudo realiza. 

6. Terminaram a pesca e dentro de segundos, estarao aqui. D ito e 
feito! Sentados na superficie, resvalam rapidos e ja se acham na praia. 
M arcus, instrui teusfilhosparaarrumarem vasilhameadequado, docon- 
trario, os peixes morrerao!" 

7. Aposterem ado acondicionadosperto decern peixes, os nubios 
seaproximam deM im. guiadirige-seaosbrancos, dizendo: "Parece- 
vosalgo inedito aquilo queacabamosdeexecutar; entretanto, eisto para 
nos, criaturas si mples, tao natural como oscinco sentidoso sao para vos. 

8. homem psiquicamente endurecido e errado torna tambem 
pesado seu f isico, assemel hando-se maise maisa pedra, i ncapaz de nadar, 
porquanto emaispesada queaagua. N ossomos iguais a madeira, cujos 
elementosintemosjase acham muito maislibertosqueosfortemente 
condenados, dequalquer pedra. 

9. Urn homem debonssentimentos, sem orgulho eamor-proprio 
dominador, podeseentregar a agua e vos garanto que nao afundara! Ao 
seu lado, fazei queum orgulhosoeegoistasejoguen'agua- eeledesapa- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

381 

receraqual pedra! Salvo, semuitogordo- condigao diffcil nosegoistas- 
as banhas o carregariam por certo tempo. 

10. Por esta razao ea agua, para nos, uma boa prova da integridade 
deumacriatura. A almadequem aaguanaocarregar, porcertojasofreu 
qualquer prejuizo eaqueleelemento nao Iheseraamigo, tao pouco Ihe 
prestaraservico. Nossaevidenteecomum desenvolturanesseelemento, e 
a obedienciadospeixes,saoidenticasadoshomensprimitivosdest:a Ter- 
ra. Riachos, lagoseo proprio mar nao Ihesconstituiam empecilhosna 
descobertadosoloterraqueo, poisnaonecessitavam denaviosnem pon- 
tes. Vos, entretanto, sois as vezes tragados, inclusive barcos e pontes, e 
nem uma so mosca aquatica vos obedece! Q ue distantes estais da verda- 
deira H umanidade! 

11. Necessitais de armas variadas para afugentardes urn inimigo; 
nos nunca disto f izemos uso. Ate entao, so possui mos, apenas, uma faca 
de osso para a confeccao de nossas cabanas e vesti mentas. N em por isto, 
andavamosnus, nem nosqueixavamosdo esforgo empreendido. Asfer- 
ramentasquelevarmosdaqui, serao usadas com odevido amor ao proxi- 
mo, nunca, porem, como arma! Agora, dai uma prova de vossa capacida- 
de com os elementos da agua, demonstrando vossa integridade!" Tais 
palavrasnao sao do agrado dosromanosquereconhecem, intimamente, 
suaincapacidade. 



212. Como osNegrosDominam osAnimais 

1. guia, entao, indagadeM im sedevem efetuaroutrosfeitosex- 
traordinarios Eu respondo: "Sim, M euscarosevelhosamigoslVedeaquele 
morro, a unscinco mil passos, a Oestedo mar! Esta repleto de cobras e 
viboras venenosas. Tereis de enxota-las e nos vos acompanharemos!" 

2. Diz ele: "Senhor, Onipotente! Basta apenas urn Pensamento 
Teu, para af astar osoffdiosdali; em setratando, porem, dum exemplo 
da forca oculta na integridade do homem, tudo faremos de acordo 



Jakob Lorber 

382 

comTuaVontade!" 

3. D igo Eu: "C laro, ser tal o unico motivo, que M e leva exigir-vos 
isto!" Incontinentepartimose, dentrodemeiahora, alcancamosomor- 
ro, cujoshabitantesnosrecebem com sibilaresilvosquaseinsuportaveis, 
poisdificultam ouvi r-se a propria palavra. Estesmilharesdeofidioschis- 
pam para o mare nadam rapidos, qual flechassobreasaguasextensas, - 
e em poucosminutosaquele local estalimpo. 

4. Aproximando-sedeMim,oguiadiz:"Todososrepteisseforam; 
encontram-se, porem, outros tantos ovos! Q uem os tirara das fendas e 
ninhos? Poisdentro demeio ano o morro estara nasmesmascondicoes!" 

5. DigoEu: "Naotendesum meioparaextermina-los?" Responde 
ele: "Alem do mangusto, desconhecemosoutro. Seriapreciso esquentar- 
setodoo local pormuito tempo, o que possi bi I itari a a destrui gao natural 
deninhoseovos; o melhor meio seria naturalmente,TuaVontadeeade 
Teu servo, pois nao podemos permanecer aqui, para sufocar os ofidios 
pel a irradiacao denossa aura!" 

6. Acrescento: "Esta bem, ja produzistesvosso milagree isto basta. 
Porei, Pessoalmente, ordem no morro. Agora galguemo-lo para dardes 
maisalgumasprovasdevossaforca interior!" Subimos, atechegarmosao 
planalto de mil pes que com porta, no minimo, duasmil pessoas, ede 
cuja altura, avistamos uma i mensa fila de grous. 

7. Dirigindo-M e ao guia, digo: "Amigo, estes passaros tambem 
vosobedecem?" Responde ele: "Nuncavi tal especie, mas nao duvido 
poderem sentir nossa vontade e executa-la." Virando-se em seguida 
para os companheiros, ele diz: "Uni-vos a mim para cumprirmos a 
Vontade do Sen hor!" 

8. M al termina, os grous comegam a descer e, em poucosminutos, 
estao entreosnegros, evitando a proximidadedos bran cos. Em seguida, 
o guia transmite sua ordem aos passaros para seguirem seu voo, e eles 
obedecem. A imensa altura voa urn casal decondoresdetamanhogigan- 
tesco,ecomegaagirarporcimadenossascabegas.O nubioentaodizaos 
brancos: "Agora transmiti, vos, aordem para eles seaproximarem!" 

9. ReageCirenius:"M asparaqueestaexigenciaumtantopretenciosa? 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

383 

Sabes que nos, desprovidos de tal forca, nao somos capazes de efetuar 
agoesdestequilate! Cumprea Vontadedo Senhor; do resto Elecuidara, 
asam como nos, dentro da D outrina!" 

10. Dizo guia: "Julgastereu feito tal convitelevado pelo orgulho?! 
Enganas-teprofundamente: fi-lo apenas para relembrar-vos vossa desar- 
monia pslquica - pela qual nao sois culpados! Como podenamos nos 
vangloriardenossasfaculdadesnaturais?Poisseassim fizessemos, deha 
muito astenamos perdido. N ao sendo isto possivel, continuamos com 
estesdotes- aparentementemilagrosos- dosquaisrecebereisoutrapro- 
va! Descei, habitantesdo ar!" 

11. Q ual flechas os dois condores descem e pousam com ternura e 
visi'vel amizade, como sefossem adestrados, no braco direito do guia. N o 
mesmo instante, passa uma pega eo guia ordena ao condor traze-la com 
cuidado. Q ual relampago, a ave de rapina persegue a pega, aprisiona-a 
em suasgarraspoderosassem feri-la. Somenteaposoguiaterapanhado 
a pega, o condor a liberta. nubio acariciaasenormesaveseem seguida 
assolta, enum voo rapido, elasseelevam em buscadeumapresa. 

12. A pegaeentregueaC irenius, pelo nubio, como recordagao des- 
tefato, desabor milagroso, aosbrancos. Passando aaveasfilhaspresen- 
tes, Cireniusvira-separa M im: "Senhor, os feitos destes negrostocam a 
contoslendarios,-anaoserquetivessesajudadocomTuaOnipotencia!" 

13. Digo Eu: "N aotefalei quedeixariaagirem sozinhos?Porqueduvi- 
das?!Tem urn pouco depaciencia, poisaindafarao coisasateestontear!" 



213. A Maneira Pela QualosNegros 
Dominam Plantase Elementos 

l.NovamentechamoOubratouvisharelhedigo:"Demonstracomo 
soisentendidoscomoaresuaforga. Noiniciodesuaexistencia,foi dado 
ao homem, em suapureza, a gloria sobre os espiritos do ar, afim deque 
Iheprestassem servicoquando necessario. Fazei, pois, umademonstracao 



Jakob Lorber 

384 

devos5oadestramento!" 

2. 1 mediatamenteo guia chama dez dos mais habeis, emanda queo 
rodaem, asmaosestendidasem suadiregao, cobrindocom o pedireitoo 
esquerdo do vizinho. Assim fazendo, o guia comega a rodopiar eeleva-se 
dosolonaalturadumhomem.Nestaposigao, eleperguntasedevesubir 
mais, ou se isto basta como prova. D igo Eu: "E o suficiente, podesdes- 
cer!" s dez homens rompem a corrente e o guia volta ao solo, faz uma 
profunda referenda diante de M im, e indaga dos M eus D esejos. 

3. Prossigo: "D equeformacostumaisarrancararvores, ecomo remo- 
ves grandes rochas?" Respondeo nubio: "Senhor, nosso paiscarecede 
grandes e fortes an/ores; somente as montanhas mais altas as tern, e nos 
pastosmontanhososondeo Kamb'sim nao penetra, encontram-sealgu- 
mas anti gas arvores"Bohahania", como habitagao de macacos. Alemdis- 
to, existem unspoucosciprestes, mirrasetamareirasselvagens, no quese 
resume toda a vegetacao em nossa terra. 

4. Nasplanicieserecantosprotegidosdovento, reproduz-seatama- 
reira, figueira, ouraniza (laranja), a semenza (roma) evariasoutrasquali- 
dadesimportantesdearbustos, quenosfomecem material para cabanas 

5. Paraarranca-las, nao epreciso extraordinario esforco; eem arvores 
maiores, nuncafizemosexperiencias, muitoemboranaoduvidemosterem 
de se submeter a nossa vontade como tambem as mais pesadas rochas 
Aqui no monteesta uma arvore colossal, cujo nomeequalidadedesconhe- 
cemos; faremos uma tentativa seobedeceou nao nosso mando!" 

6. Intervem o velho M arcus: "Sera possi'vel!... Este e urn cedro de 
seus quinhentos anos! Sete homens nao poderiam abraga-lo e quatro 
lenhadores fortes e experimentados, nao o deitariam por terra em dois 
dias Agora seis homensesete mulheres para la vao e pretendem arranca- 
lo sem machado?! D uvido do exito, a nao ser queo Senhor os ajude!" 

7. Digo Eu: "Marcus, Meu velho, calma! Nadafarei com aM inha 
Vontadee mesmo assim, o cedro sera arrancado dentro em pouco!" D u- 
rante a troca destas palavras, os negros colocam suas maos no tronco de 
forma tal, quea di reita venha a cobrir a esquerda do vizinho. N esta posi- 
gao, ficam a metade de urn quarto de hora, quando a arvore comega a 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

385 

girar lentamente, produzindo fortes estalos! spresentesfazem observa- 
coesdegrandeestupefagao, porquanto nao sabem interpretar o fato. 

8. No momenta em que o tronco principia a girar mais rapido, 
percebe-se que o mesmo, o bloco de terra e as treze pessoas que o abra- 
cam deleve, seviram no ar. sassistentes, mormenteasmulheres, come- 
cam agritar, poisjulgam queaarvorevenhaaesmagarosnegros 

9. D igo Eu aos amedrontados: "N ada temais, de caira suavemente 
sem machucar quern quer queseja!" N o mesmo instante, os nubios sol- 
tarn as maos, descem correndo do morro e vem para o nosso lado. 
cedro balanca, curva-sedeacordo com seu peso e, em poucos momen- 
tos, deita-senosolo. 

10. Apontando aos negros uma rocha decinco mil libras, digo ao 
chefe: "Depositai-a na cavidadequesurgiu pda queda da arvore!" Eles 
obedecem eagem do mesmo modo, como ha pouco. M ais rapido que a 
arvore, a rocha flutua no ar. C laro eter sido abracada por maior numero 
depessoas; mastodosreconhecem quemil dasmaisfortes, naopoderiam 
veneer o seu peso. Em algunsminutos, a rocha seachadentro do buraco, 
- e os negros - isto e, seu chefe, M e pergunta que mais deveriam fazer. 

11. Eu, entao, fago como se estivesse pensando, o que de pronto o 
leva a dizer: "0 h, agora certamentevira coisa gigantesca porquanto estas 
refletindo! Julgavamosque para Deus, devia ser claro desde Eternidade, 
tudo o que pretende real i zar. " 

12. Digo Eu: "Como nao?! Apenasvosproporcionei urn pequeno 
descanso, pois o que i reis fazer agora, e tarda repugnante para vos; apos 
duasacoesquerequisitaram total mentevossaesfera psi'quica, preciso era 
urn repouso. Deveis, pois, demonstrar a maneira pda qual produzis o 
fogo, sendo ao mesmo tempo seu soberano!" 

13. Todos os negros formam urn semi-ci rculo em volta duma gran- 
decapoeiraseca, estendendo asmaos. Em poucosmomentosdacomeca 
a fumegar. A fumaga aumenta mais e mais, e de repente, surgem fortes 
labaredas. Q uando a capodra seacha ardendo intensamente, os nubios 
se ddtam, em volta, de brucos e, no mesmo instante, tudo se apaga de 
mandra a nao sever umafaisca nosarbustos, qudmadospda metade. 



Jakob Lorber 

386 

14. Levantando-se dali, eles M e perguntam se trabalham a M eu 
Contento, e Eu Ihes dou o melhor atestado. Pedem-M e, entao, alguns 
ensinamentos; recomendo-lhespaciencia, porquanto Eu tinhadeexpli- 
carseusfeitosaos bran cos. E assim voltamos as mesas. 



214.0 CONHECIMENTO PROPRIO 

1. Apos ter Eu tornado assento com os discipulos, os romanos e 
gregos, o guia seaproxima de M im, perguntando seeleeseu grupo po- 
dem tomar parte nas M inhas Explicates 

2. D igo Eu: "Sen duvidaalguma, poistereisdereconhecer perfeita- 
mentevossavida. Sebem queestaisno pleno poderdevossaforcaprimi- 
ti va e M e alegrando como soberanos de toda a N atureza, o que depende 
deperfeitaconfianca, feinabalavel eforcadevontadefirme, desconheceis 
tal poder, como quern desconhece a forca que move seus membros, faz 
circular o sangue, estabelece o ritmo do coracao e obriga o pulmao a 
respirar o ar, de acordo com as necessidades de sua vida, referentes ao 
maior ou menor calor, produzido no sangue, pelo aumento deexercicio. 

3. Tudo isto sao experiencias diarias de cada urn; entretanto nin- 
guem asentende, porquanto desconhecea si propria M uitomenossabe- 
seinterpretarvossasfaculdadesextraordinarias, evidentementemaispro- 
fundas que as manifestas por vosso organismo. 

4. SeEu vosexplicasseasmaisintrinsecas, tal assimilacaoseriamais 
facil do que a formacao do vosso corpo e sua conexao com a alma. A 
funcao do organismo mal podeser explanada, porquanto a enumeragao 
variadadosdiversosorgaos, levariaquasea idadedeM athusalem, isto e, 
pertodemil anos. M uito maisdificil eassimilar-sea especial constituigao 
efinalidadedecada orgao isolado, conexao geral, agao retroativa esuas 
variagoesdeum paraoutro individuo. 

5. Tomemos, por exemplo, dois cabelos implantados que, a vosso 
ver, necessitam do mesmo trato, portanto tambem cresceriam caso tro- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

387 

cassem de lugar. s cabelos humanos nao sao quais plantas, arbustos e 
arvores, facilmentereplantados C adafio decabdo cresceapenasno ponto 
onde surge; num outro qualquer, nao progrediria dentro da especial for- 
macao do seu organ ismo. 

6. N o fisico humano existe uma organizagao extraordinaria e uma 
diversidaden&compreendidaporvos. Afimdeseassimilaraconstitui- 
gao organica, conhecer-se o menor atomo nela contido e aceitar-se a 
razao do "porque", preciso equeo homem seja perfeito em espirito. 

7. Q uando al ma e espirito setiverem amalgamado, apsiqueperfeita 
eiluminadavislumbra, deseu amago, o corpo, enum relance, assimilaa 
construcao artistica, recorda-se da causa, de cada particula por menor 
que seja, e sabe de sua funcao utilissima. Enquanto a alma nao tiver 
atingidoasua perfeicao vital, nem em mileniospodera alcancaroconhe- 
cimento pleno deseu organismo fisico. 

8. C oisa d i versa da-se com a capacidadepuramenteespi ritual duma 
alma! Podeedeve receber elucidagao geral, poissem tal conhecimento 
pratico, jamaisa psiquechegaria a uma real uniao com seu espirito, fato 
quepossibilita urn conhecimento maisprofundo. Prestai,poisatengaoa 
maneira pela qual vos esclarecerei quanta a vida justa e ordenada das 
primeirascriaturas 



215. Irradiacao da Alma H umana e Irradiacao Solar 

1. (0 Senhor): "0 primeiro casal so podia sercolocado nesta Terra, 
numaordem de vida perfeitamente justa; sua vida psfquica tinha de se 
apresentar absolutamente completa, a fim de nao se tornar vitima de 
milhoesdeoutros seres eel em entosinimigos. 

2. A semelhanga com M eu Ser D ivino, ja existia naquele casal e 
pode, por isto, manifestar sua gloria naagaosobreaCriagao total. Como 
istofoi possivel?Ouvi! 

3. U ma alma de indole perfeita, tambem e patente num fisico per- 



Jakob Lorber 

388 

feito; impressao, sentimento e vontade se projetam em todas diregoes 
quaisraiossolares. Q uanto mais proxima da alma, tanto maisintensivae 
pronunciada ea constante projegao do pensar, do sentir equerer. 

4. A esferaluminosae externa do Sol, ondeseacham esta Terra, a 
Luaegrandequantidadedevariadoscorposcosmicos, edecerto modo 
sua irradiagao vital, pelaqual tudoqueseachaem seu ambito, edesper- 
tado para determinada vida da Natureza. Tudo tern de se submeter a 
ordem do Sol, quesetoma, assim, legisladoresoberanodoscorposcos- 
micos, atingidos pela irradiagao solar. 

5. C laro, nao se poder af i rmar do Sol possa ele pensar e querer; sua 
luz, porem, e urn grande pensamento, eo calor desua luz uma vontade 
firme, mas nao dele, porem, projetada por M im, eagindo pela natureza 
organicadeseucorpo. 

6. Q uanto mais proximo do Sol seacha urn planeta, tanto mais pro- 
nunciada sentira a forca ativa da esfera externa do Astro, sendo por isto, 
obrigadoasujeitar-seatudoque, luzecalorsolares, nelequeiram produzir. 

7. Assim como o Sol opera milagres nos demais corpos cosmicos, 
apenasatraves desua irradiagao vital, uma alma incorrupta, porquanto 
perfeitadesdesuaorigem, echeiadevida, istoe, deamor, defee plena de 
uma vontade inabalavel! 

8.Tal psiqueetodaluzecaloreseprojetaalongadistanci a, projegao 
esta que cri a constantemente sua esfera poderosa. D o mesmo modo que 
setraduz M inha Vontade, de modo milagroso, pela projegao solar, nao 
havendo poder queselheoponha, avontadedaalmaperfeitaeincorrupta 
se expressa de modo maravilhoso, pois, estando em M inha Ordem e 
tambem a manifestagao de M inha Vontade. 

9. Seo Sol fosse- com M inha Permissao, - i ntei ramente destru ido 
em seu organismo e mecanismo extremamente artistico e sabio, e sua 
imensa alma, conglomerado de todas as almas naturais, se afligisse e 
atrofiassedevido sua estagnagao, - a nao ser que pretendesseconcatenar 
suasparticulasdiminutas, ou, napiordashipoteses, abandonar seu orga- 
nismo, entregandoosdestrogosmaioresapropriadissolugao- qual seria 
sua projegao na vida? N o mesmo momenta sedaria a maior confusao em 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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seu territorio cosmico. Toda vegetagao evidafisicaterminariam! 

10. Seemtal hip6tesecriaturastencionas5em iluminar a noiteeter- 
nacom todasortedetochaselamparinas, aquecendo-secom o estoque 
de lenha existentesobreaTerra, tal suprimento duraria, na melhor das 
hipoteses, apenasdezanos Dai pordiante, naomaisexistiriavidaorga- 
nicaevegetagao. A flora nao maiscresceria, nem produziriasementes; os 
animaisnao encontrariam forragem emorreriam defomeefrio. pro- 
prio plan eta sairiadesuaorbitaecolidiriacomoutroqualquer, ou entao, 
seria atraido apos milenios, a zona luminosa de um dos inumerossois, a 
fim de ressurgir atraves sua luz e calor, numa ordem transformada, - 
nunca, porem, alcangar a vida atual, completamentefdizeordenada! 

11. Tudo isto seria consequenda e efdto, caso o Sol caisse num 
desequilibrio maxima N ao mais seria soberano e legislador para os ou- 
tros inumeros planetas, vitimas da grande desordem, tomando-se pda 
suaqueda, perigososao Sol; este, nao poderia impedi-lo, porquanto nao 
mais possuiria forga externa para sustar a gravitagao desenfreada dos pla- 
netas, ou, no minimo, ameniza-la. 

12. U m desequilibrio mesmo decurta duragao eapenas na superfi- 
cie, isto e,namembrana exterior do Sol, seapresentademodoperturbador, 
o que provam as manchas pretas que surgem de quando em quando. Se 
observardestaismanchasapenasdotamanhodum ponto, poddscalcu- 
lar que esta desordem seregistraranaTerra, porchuvasetempestades 

13. M as..., por que? Se o Sol esta tao distante da Terra que uma 
flechalevariapertodecinquentaanosparaatingi-lo, queprejufzopodera 
trazer ao globo chdo deforga vital?! 

14. Naturalmentenao podeterinfluenciaoqueseapresentaaolho 
nu; o ponto visto no Sol, porem, nao e tao pequeno como parece: e, na 
realidade, duma extensao inumeras vezes maior que toda a Terra. Isto 
provoca, paraosespiritossumamentesensi'vdsdo orbe, fortedeficiencia 
deluzecalor. Amedrontam-see poem-seem atividadeexcessiva, provo- 
cando tempestades, furacoes, nuvens, chuvas, saraivas, neve, ate mesmo 
nostropicos desequilibrio individual, tambem seprojetaem suaesfe- 
raexternaqueultrapassaazonadenosso planeta, atingindo ateoscorpos 



Jakob Lorber 

390 

queseencontram alem desteterritorio, assim como aordern imperturbavd 
deluzecalor, tran smite- sedemodo ben dlcoaosseussatdites. 



216. Influencia do CarAter H umano Sobre 
osAnimaisCaseiros 

1. (0 Senhor): "Imaginai, pois, umaalmahumanaemsuaintegri- 
dadeprimitiva, qual verdadei ro Sol entretodososoutrossereseanimais 
Estes a da tern de se submeter, porquanto absorvem de sua irradiacao 
externa, luz ecalor depotenda espiritual, para a vegetagao desua propria 
esferaem ascensao, tomando-semdgas, toleranteseobedientesTanto as 
almas deplantasquantoasdeirracionaistem afinalidade, porvosainda 
desconhecida, desetomarem humanas 

2. Asplantasemormenteosanimais, nada maissao do querecepta- 
culos adequados, oriundos de M i nha Sabedoria e C ompreensao para o 
ajuntamento, o sucessivo desenvolvimento eaconcentragao da forca vi- 
tal das almas da Natureza, deondetambem asvossasseoriginam, nao 
tendo importancia se sua formacao se deu neste ou em outro planeta. 
Essas almas animais sentem a irradiagao da psique humana, perfdta, e 
dai sua esfera externa de luz ecalor. 

3. N esta projegao perfdta, osirracionaisprogridem como osplane- 
tasnaluzenocalorsolares;naohaumaalmaanimalquesepossarebdar 
contra a vontadedeuma alma perfdta, masaroddacom modestiaqual 
planetao Astro, desenvolvendo-se em tal projegao deluzecalor espiritu- 
aisdemodo complete paraatransicao num grau maisdevado. 

4. A fim decompreenderdesisto maispraticamente, submeteremos 
algunsanimaiscasdroseseusdonos, aobservagao maisprofunda. Vede, 
por exemplo, urn homem rispido e orgulhoso e seus animais casdros: 
seuscaessao pioresemaissdvagensquelobos; seu rebanho amedronta- 
do e assustadoramente agresavo; cabras e carndros fogem de todos e 
dificilmenteseddxam prender. N ao convem passar-se pelas pocilgas, a 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

391 

fim de nao ser atacado pela furia dos suinos. Galinhase outras aves sao 
esquivas; com seus burros, cavalos, camelos e bois nao e aconselhavd 
entrar-se em contato, poisnao apresentam nenhumacultura animal. Para 
se conseguir que venham prestar servico determinado, preciso e uma 
constantegritariaeousodechicoteegarrucha, - ondegeralmenteda-se 
urn desastre. 

5. Porquemotivosaoosanimaisdum homem orgulhosotaobru- 
tos, selvagens e inadestravds? Por ser a alma do dono, para eles, urn sol 
vital na maior desordem! Seusempregadoseservos, em breve, sao como 
ele, isto e, deixaram de ser uma projegao positiva, para as almas gdidas 
dosanimais,entreguesaosseuscuidados.Cadaqualgrita,maldizo quanta 
pode! C omo poderiam estar tais seres dentro duma ordem benefica?! 

6. bservemosum proprietario bom esabio, dono degrandesma- 
nadas. Q uediferenca! N ao ha boi ou carneiro que abandoneseus pastas! 
Bastaumaunicachamada, - etodosacorrem aoseu lado, rodeiam-noe 
dao impressao de querer ouvir suas palavras! E ele Ihes falando, obede- 
cem-no eseguem avontadedo bom pastor, em cuja luz psiquicaacabam 
desebeneficiar. 

7. camelo entende o menor aceno deseu bondoso condutor, eo 
cavalo corajoso, nao seassusta com a sela deseu cavaleiro. Em suma, todos 
osanimaisdum homem bondoso emei go, sao doceis, obedienteseouvem 
avoz deseu senhor; meiguiceesta que tarn bem senotaem arvores produ- 
zindo frutosdequalidade; seu tronco, galhosefolhassao arredondados, 
lisos, sem pontaseespinhoseosfrutostem saboragradavd. 

8. Razao disto tudo e a emanagao da alma incorrupta, cuja esfera 
luminosa se dirige para fora, contendo os elementos vitais da psique, 
como sejam: amor, fe, confianga, conhedmento, vontadeeexito. 



217. As VantagensdaJusta FormacAo PsIquica 

1. (0 Senhor): "A alma humana estando imersa em toda sortede 



Jakob Lorber 

392 

preocupacoes mundanas, - ou comecando a fazer isto -, obscurecesua 
natureza luminosa, caindo finalmenteem treva completa. Nestecaso, 
nao mais existe reserva dum amor poderoso e o pouco que sobra, nao 
supreaspropriasnecessidades; eisqueseapresentaoamor-proprio, im- 
possivel de ser transmitido a outrem. Se o amor ficou reduzido a tal 
ponto, deondedeveriam originar-sefeevontadepoderosas, poisafeea 
I uz provi nda da chama do amor, e a vontade, a forca poderosa desta luz?! 

2. Setaiscriaturasdesprovidasdeamor percebessem finalmente, - 
se bem que de modo vago, que nao obtem exito em vi rtude da f raqueza 
destesentimento, vendo em tudo o insucesso, no quesao asunicascul- 
padas, porquanto nao pode haver efeito ondesecareceda forca necessa- 
ria- aindapoderiam serauxiliadas. Naoagindodestemodo, seenraive- 
cem e enchem-se de amargura contra o exito do proximo. 

3. A raiva nao deixa de ser uma irradiagao, porem nociva. N este 
vislumbredo inferno, deparam, em breve, varios meios detrapaca pelos 
quais poderiam conseguir alguma prosperidade Empregam tais recur- 
sos, sem obterem exito porsetratardefraudes. repetido insucesso, nao 
osensinaesim aumentasua revoltaeira; tomam-seorgulhososecome- 
cam a recorrer aos meios drasticos. U ma vitoria de quando em quando, 
estimula seu atrevimento, fa-loscrueis, procurando afastar deseu cami- 
nho todo empecilho para a sua suposta felicidade Atraves de recursos 
condenaveis, chegam adesfrutarcertafortunaereconhecem apenaseste 
caminho como verdadeiro ejusto pelo qual venceram na vida. 

4. A possivel prole so pode receber educagao correspondente aos 
meios pelos quais, osgenitoresalcangaram seu progresso material, isto e, 
pdaexperienciamundana. Fazemcomqueosfilhosestudemvariasma- 
terias, - tudo para ofuscar o mundo! Ao desenvolvimento pslquico, de 
necesadadeimperiosa, nao seliga importancia; tal nem pode acontecer 
porquanto os pais, os professores e educadores que pretendem se Ihes 
tornar agradaveis, tao pouco tern nocao da vida emotiva duma alma. 

5. Tudo eaplicado no desenvolvimento e na perspicacia do intelec- 
to. Alem disto, eacriangaestimuladaporvariadospresentesedistintivos; 
eexercitada, desdepequena, no amor-proprio ecobica, naformagao de 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

393 

soi raciocinio; usavestidosfinos, enfeitados, eaosdezanoseum com- 
pendio de orgulho. Ai duma crianga ou de um adulto, pobres, que se 
atrevesseanao prestar a homenagem exigidaatal rebento, ou sechegasse 
a menospreza-lolTeria, com tal atitude, feito um inimigo imperdoavel! 

6. Onde, em tais pessoas, poderia cogitar-se duma forga interior 
semelhante a M inha? Onde estaria a gloria humana sobre a Natureza 
total esobre os el ementos, dosquais proven finalmentetudo queexiste?! 

7. Q uando uma criatura cogita, antes de mais nada, da formagao e 
desenvolvimento desua indolee, somentedepois, eacrescidaadesenvol- 
tura do intelecto de modo natural eativo, o raciocinio assim desperto 
torna-se uma luz de vida poderosa, envolvendo a alma de manei ra iden- 
ticaao eter luminoso quecircundao Sol, deondesurgem todososefeitos 
maravilhososquevedes nesta Terra. 

8. N ajusta formagao da alma humana, a psiqueealgodeagao interi- 
or, eo que denominaisde intelecto, eapenaso efeito eman ado pdaativida- 
de da alma. A projegao luminosa do intelecto resplandece na alma em 
todos os momentos criticos da vida, e a vontade psi'quica se projeta nesta 
I uz, produzi ndo o germi nar ef rutif icar detudo. A ordem do homem tendo 
assim seequilibradocom a M inha, a vontade e a confianca tambem tern 
sua origem no M eu Poder nipotente ao qual toda a criatura tern de se 
submeter. Seeladetal formaequilibradaalgoquiser, sua vontade epronta- 
mente executada num vasto ambito, porque sua irradiagao psi'quica e pe- 
netrada pelo M eu Espfrito capaz de realizar todas as coisas 

9. U ma vez inteiramente renascida pelo proprio espirito, eda iden- 
tica a M im e pode emitir sua vontade em plena independencia e tudo 
quequiser- dentrodeM inha Ordem, porela person if icada- erealiza- 
dolNesteestadodeperfdgao- semelhanteaMim- o homem nao so e 
senhor dos seres e elementos tduricos, mas sua gloria se estende, qual a 
M inha, sobre todo o U niverso no Espago Infinite, podendo sua vontade 
prescreverleisaosinumerosmundos,queelasseraoexecutadas. Sua alma 
transfigurada tudo penetra, qual a M inha, e de certo modo age com a 
M inha, eseu conned mento lucido vislumbra, por toda a parte, asneces- 
adadescosmicase podera emitir ordens, criar esocorrer semprequefor 



Jakob Lorber 

394 

precise, - porqueuniu-seemtudoaMim! 



218. Poder de uma Alma Perfeita 

1. (0 Senhor): "Estegrau de maxima perfeicao vital, nao era possi- 
vel alcancar-se antes de M inha Encarnacao; e Eu vim, expressamente a 
estaTerra, afim detomar-vosM eusverdadeirosfilhos, pelo renascimento 
de vosso espirito em vossa alma. Se, portanto, falo agora duma alma 
perfeita, refiro-M eapenasAquelaondeM eu Espirito jaSetornou ativo, 
porem ainda nao se uniu a ela. 

2. Tal psique complete e - pelos motivos acima expostos - nao so 
capaz deoperar mi lagres, como soberana da C riagao, devido ao seu espi- 
rito pormomentosmaislucido, mastambemacha-seaptaatervisoesdas 
esferaspuramenteespirituais. Podeatemesmoouvirapalavrado Espiri- 
to D ivino, conformesucediacom todososvidenteseprofetas. Possuiam 
eles, alem davisao epredigao, urn dominio visivelmentemilagroso para 
as criaturas, sobre os elementos e seres 

3. Moyses, seu irmao Aaron, Josue, Eliaseuma quantidadede pro- 
fetasevidentesoperavam milagres. profeta Daniel (filhododiaou da 
luz), foi atirado acovadeleoes, em Babielon (Babylon), porquanto havia 
feito urn sermao ao rei cruel. N a cova se achavam doze feras famintas, 
como carrascose, ha variosanos, vinham sendo alimentadascom crimi- 
nosos. Muitoemboraorei esti masse Daniel, em virtudedesuasabedo- 
ria, enraiveceu-secom aspalavrascondenadorasdo profeta, mandando- 
oatiraraosleoes 

4. A alma perfeita de Daniel, porem, eratambem soberana sobre as 
feras! N ada Ihefizeram; agacharam-secom visivel respeito aospesdeseu 
senhor. Conscientedisto, o profeta pediu aosdiscipulosseu material de 
escrita e escreveu, durante tres dias, a profecia, incolume, no convivio 
comosleoes. Informadodisto, orei arrependeu-sedesuaagaoemandou 
descer urn cesto pelo qual Daniel foi salvo. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

395 

5. N a mesma epoca, havia tres jovens que se negavam ajoelhar-se 
diantedeBaal. Enraivecido por isto, otolo rei mandou aquecer, durante 
tresdias, um forno decal ondeatirariaosjovens, caso negassem obedien- 
cia. Estes, de almas perfeitas, persistiram no seu intento bem fundado e 
nao manifestaram o menortemordiantedacaieira. Passadosos tresdias, 
o rei mandou os carrascos atirarem os mocos sobre a beira do forno 
incandescenteTodavianem um cabelo Ihesfoi chamuscado, enquanto 
ospropriosverdugosficaram carbon izados pel o excessivo calor. 

6. Q ual foi a protegao dos tres mocos dentro do forno? Sua alma 
perfeita, porquanto estavam debaixo deM inhaO rdem Primitiva! Final- 
menteaproximou-seum anjo levando-osparafora daquelebraseiro ter- 
rivel, quetrazia a mortea quantosdeleseaproximavamlTudo isto sao 
apenas exemplos da maravilhosa forca e poder da alma perfeita! 



219. Efeito da Luz Solar. FuNgAo do Olho H umano. 
AVisao da Alma 

1. (0 Senhor): "Estes negrosderam provasconcludentesdetudo 
que acabo de expor; e o Sol fornece, diariamente, provas muito mais 
insofismaveisem cadaanimal eplanta, do poder eefeitocontidos em sua 
irradiacaoextensa. 

2. Tudo isto deve se apresentar ao homem mundano, de intelecto 
mal dirigido, como lenda, ou seja, imensa tolice provinda duma fertil 
fantasia. Tais absurdos sao, a seu ver, impraticaveis porque ele mesmo 
nao os consegue efetuar, por motivos bem fundados. Pois quern seria 
capazdealgo realizar, sen o uso desuasmaosecaminharsem pes?! 

3. Se fosse o Sol uma bola sem luz, qual pedra negra decal - fato 
possi'vel nao obstante seu tamanho - ele nao produziria vida no campo 
da Natureza. Sua organizagao interna e maravilhosa, incompreensi'vel 
paraovossoentendimentoedetal forma constituida, aproduzirem seus 
orgaosintemos, umaenormequantidadedegasessutis Istoforgao imenso 



Jakob Lorber 

396 

astro agirar em torno do seu eixo, criando um atrito constantedaatmos- 
fera solar com o eter que o rodeia, pelo que os inumeros espiritos da 
Naturezacontidosem tal atmosfera, sao continuamenteexcitados Esta 
atividadesetransmiteaoselementosdoeterdemodotal,queestes,facil- 
menteirritadosnumadistanciadeduzentosmil passosem linhareta, sao 
atingidose, no momento imediato, projetam-se aos mais proximos, que 
agem de forma semelhante. 

4. Porestatransmissao aos el em entosprimitivosnoEspaco Infinite 
a luzbasicado Sol se tran smite aosplanetasdeseu ambito, ondeproduz 
irradiagaoidenticanos el em entosdaNaturezamaiscondensados Quan- 
ta maisdesceasprofundezas, tanto maisacentuado setorna, deacordo 
com o peso dos proprios elementos. Ao submeterdes duas pedras a fric- 
cao, esta sera maisviolenta do quea deduasplumas, razao porqueexiste 
mais luz e calor nas planicies, do que nos picos das montanhas 

5. U m calculistadentrevosconjeturao seguinte: Seisto eo efeito da 
transmissao da luz solar ou de qualquer outra luz, deve el a ser, por toda 
parte, a mesma; e impossfvel sentir-se o disco solar em separado mais 
potentequeem todo o Firmamento. 

6. Afirmo-vos que isto seria evidente, caso Eu nao tivesse feito o 
olho detal forma, quetoda a luz ou objeto iluminado viesse projetar-se 
porum pequeno orif fcio a reti na e dal i setransmitisseaosnervosoticos, 
ambos mui sensiveis, devido a certa retroagao dos raios perifericos irrita- 
dos, cujaslinhassecruzam em determinadoangulo. 

7. Por esta medida, sao excluidas as irradiagoes de luz de simples 
reacao, dando apenas passagem aos principals raios perifericos que, cru- 
zados, atingem aretinaeosnervosoticos, deondeo quadroerepresen- 
tado a alma, atraves dos orgaos adequados e impregnados nas facetas 
cerebraiscorrespondentesao dito quadra, ou em sinais. 

8. Seo globo ocular nao fosse assim organizado, nao verieisum Sol 
isolado, mastudo seria um mar luminoso einforme, semelhante aos que 
diversas pessoas, em extase, deslumbraram em espirito, onde nem Ihes 
era posslvel discernir seu proprio "eu". 

9. Um sabio greco-egipcio - Platan - disto datestemunho ecom 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

397 

de, variosoutros. Adormecendo, achavam-seconscientementenum mar 
de luz, sen todavia poderem ver-se a si mesmos, o que Ihes facultava a 
sensagao agradavd deestarem unoscom a Luz Primaria, por desdeno- 
minadaaDivindade. 

10. A causa disto, sebaseavana incompletavisao da alma, quemui- 
to embora tivesse recebido educacao severa, era errada. Pois quando a 
educacao do intelecto precede a do sentimento, age-seerroneamente 



220. Renascimento e aJusta EducacAo 

1. (0 Senhor): "Quaisseriam osfrutosdumaarvore, caso nao Ihes 
precedessem os fenomenos que tanto alegram a nossa alma?! Q ual seria a 
funcao do outono no lugar da primavera, e vice-versa, quando sabemos 
queo outono eacompanhado pelo inverno rigoroso?! A geada nao destrui- 
ria a epoca da flor, tao agradavel ao nosso coracao, matando a folha espe- 
rancosa junto com o fruto, que apenas pode ser abencoado pda flor para 
uma vida germinativa? N este caso, a maddra da arvore aumentaria, sem 
nunca alguem poder observar o amadurecimento dum fruto, sequer. 

2. mesmosedacomohomemeprincipalmentecomsuaalma. 
Todaasuaindolesetomamaterialista, produzindosomenteaqudefruto 
queeatirado- como lenha- aofomodojulgamento, para seaprovd tar 
acinzacomoaduboepurificagaodosoloesteril emagro,comparavd aos 
conned mentos materials do agricultor. 

3. Quern procuradespertar eformar prime ro o intdectodosfilhos, 
comecara a construir uma casa pdo tdhado e col her agua numa vasilha 
furada. N ao ddxara de estar molhada enquanto se entregar a tal tarefa 
inutil; jamais, porem, guardara uma gota deagua viva; em outras pala- 
vras: nao podera registrar as expressoes maravi Ihosas da vida pslquica. A 
nao ser quetentassetapar osorificiosdo vasi lhame, com sacriffcio demo- 
rado; mas quao rapido apodrece uma tampinha fraca e mal aplicada, 
esvaziando com o tempo toda a agua da vida! 



Jakob Lorber 

398 

4. Este quadra deve-seentender da seguintemaneira: um homem 
deintelecto desenvolvido, podemuito bem al can car umaformacao pos- 
terior eefetiva desua alma, atravesde muita renuncia; se nao for extre- 
mamente cuidadoso no entupimento de seu receptaculo da vida, em 
todas as aberturas, isto e, nas fraquezas terrenas, dando vazao apenas a 
uma, - percebera, em breve, ter-seevadido a agua acumulada eele, im- 
perceptivelmente, voltara a ser o homem anterior sem a menor consis- 
tencia psiquica. 

5. Por este motivo, vos recomendei antes de mais nada, o amor ao 
proximo, provindo do amor de Deus, que unicamente reajustar-vos-a 
dentrodeMinhaOrdem. Naovosdeixeisofuscarpelomundo;poisvos 
faculta apenasjulgamento e mortecomo fruto da pura razao. Somenteo 
amor vos podera transformar para a vida! 

6. Eis porque Eu vim ao mundo, demonstrando-vos o retorno a 
MinhaOrdem eojustocaminhoparaprosseguirdesateaproximidade 
do Renascimento do espirito naalma, ondenao maisexistepossibilidade 
de recaida. 

7. Tendes de i niciar esta tarefa, porquanto os que se acham errados 
nao levariam beneficio com a simples volta a verdade, de sua alma re- 
mendada. Sebem quetenhademodificar-secompletamente, antes que 
possa alcancar o Renascimento do espirito na alma, sua situacao remen- 
dadaeobstruida, nao eduradoura, porquanto recai, pelo poder do mun- 
do esuasvantagenstemporarias, facilmentenosantigoserros tao logo se 
manifesta oportunidadetentadora. 

8. A fim deevita-lo, tracei o caminho aseguirdetal forma, queM eu 
Espirito, por M im depositado como centelhadeM eu Amor Paternal no 
coracao decadaalma, alimentado por vosso amor a M im edai, realmen- 
te ativo, para com o vosso proximo, - cresca em vossa alma. U ma vez 
alcancadas a justa elevagao eforca, o espirito seunira a alma purificada, 
ato quesera denominado de Renascimento do Espirito. 

9. Q uem tiver alcangado isto, estara em posicao incomparavelmen- 
tedevadaaumaalmapormaisperfeitaqueseja, poisemboraconseguin- 
do muitacoisa, longeestaradepoderoperaro queereservado ao inteira- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

399 

menterenascido. 

10. A centelha de M ai Amor e depositada no coragao da alma hu- 
mana, somenteaposo homem ter ouvido o M eu Verbo ete-lo aceito por 
amor a Verdade e pela Fe em sua alma. Enquanto tal nao acontecer, 
ninguem - por mais perfeita que seja sua alma - podera atingir o 
Renascimento do Espirito. Sem a M inha Palavra que ora vos dirijo, a 
centelha de M eu Amor nao penetra no coragao de vossa alma, portanto 
nao podegerminar ecrescer, tao pouco renascer. 

11. N o futuro, as criancas tambem receberao a centelha espiritual 
do M eu Amor no coragao desuaalma, caso sejam abengoadasebatizadas 
em M eu N ome; todavia, esta fagulha nao crescera numa educagao erro- 
nea, senaonaquesebaseiaem M inhaOrdem, claramentedemonstrada. 
Em primeiro lugar, deve-secuidar do sentimento easeguir do intelecto, 
dentro das faculdades de cada urn. sentimento edesenvolvido pelo 
justoamor, meiguiceepaciencia. 

12. Ensinai aospequeninosamaremaoPai doCeu;demonstrai-lhes 
como e Bom e Amoroso, tendo criado tudo para Bern das criaturas de 
modo util, maravilhoso esabio esededicando sobretudo, ascriancinhas 
queO amem! Chamai-lhesatengao, em ocasioes oportunas, poiso Pai 
Celesteassimordenaepermite,-tereisdirigidooscorag6esdevossosfilhos 
a M im, eM eu Amor dentro deles, em breve germinara! Educando-osdesta 
forma, vosso pequeno esforco vos trara frutos dourados, - do contrario, 
somentesurgirao cardoseabrolhosquenao produzirao uvasefigos! 

13. Agoradizei-M e, com sinceridade, seentendeiso motivo por que 
estesvossosirmaosnegrospodem realizaragoes, queateentaotinham de 
seapresentar como "milagres"?!" 



221. ajusta compreensao e a faculdade de 
Ler Pensamentos 

1. D iz em seguida o chefedos nubios "Senhor, D eusO nipotentee 



Jakob Lorber 

400 

Sabio! Eu emeus colegascompreendemos-Temuito bem. Seosbrancos, 
porcujacausaTudesteestaexplicagao,oassimilaramnajustacompreen- 
saoespi ritual, naopoderei afirmarcom plena certeza.Ao que me parece, 
alguns nao estao bem a par. 

2. Todavia, poder-se-a manifestar quern preze mais urn conheci- 
mento puro, do quesuahonra intelectual; porquanto, certamentealguns 
dentreelesnadaindagarao, afim denaodenunciarem afraquezadeseu 
intelecto! Como negro, aconselho-osdesisti rem destafutil honraedecla- 
ram-seafavordapuraVerdadequepode, somente, surgir pela compre- 
ensao acertada; do contraYio, uma verdadenao compreendida 

melhor que uma pura mentira. N inguem tera beneficio duma falta de 
compreensao, quanta duma mentira. 

3. Pessoa alguma pora em pratica a mentira, portanto nao Ihepode- 
raprejudicar, muitomenos ben eficiar; a verdadenao compreendida tam- 
bem nao trara beneficio, por nao ser possivel po-la em execucao e na pior 
das hipoteses, sera erroneamente aplicada, e deste modo em nada e me- 
lhor que a mentira perfeita. Eis minha opiniao; talvez alguem possua 
outra, melhor, eassim serei urn ouvinteatento!" 

4. DigoEu:"Tuaobservagaofoi boaeverdadeira. Eu Mesmosei de 
variosquenao assimilaram afundo a M inha Explicagao: envergonham- 
se, porem, em declarar afraquezadeseu intelecto, atravesdumapergun- 
ta e preferem satisfazer-secom uma compreensao fraca." 

5. Maltermino,- evariosMeperguntamseMeestavareferindoasua 
pessoa. Eu, nadadigo. C irenius, aflito, dirige-sepessoalmenteaM im, para 
saber setambem faziapartedosquenao haviam asamiladoestasverdades 

6. Respondo: "Nao somente tu, masamaiorpartedentrevoslApe- 
nas doisdiscipulos assimilaram perfeitamenteM inha Explanagao, quan- 
ta a perfeicao da alma; todos os outros, com excegao dos negros, nao o 
conseguiram. Tendes uma leve ideia do caso, eestais longede uma com- 
preensao perfeita daquilo que seu chefe ate mesmo percebeu convosco; 
eis porque sua observacao era justa. 

7. Uma alma perfeita desde sua origem, possui alemdeforgamila- 
grosa como soberana de toda a C riacao, a faculdade peculiar de notar os 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

401 

pensamentos de outros e, ate mesmo, ver o que se passa em seu coragao. 
Pois a irradiagao pslquica fortemente positiva, percebe o que externa a 
aura do proximo, de relance; de sorte que, pessoas assim dotadas, em 
absolute podem ser enganadas. J a de longa distancia, elas sentem, com 
sua alma intensamente sensivel, aquilo que alguem pensa ou quer, ao 
dirigir-seaelas 

8. Ao aproxi mar-se u m i n i m igo, estas pessoas de al mas i ntei ramente 
perfeitas, podem fazer com que o mesmo bata em reti rada pela concen- 
tragao desua irradiagao psiquica; conformevistes, estesnegrosextrairam, 
com sua forga pslquica conjugada, uma arvore colossal, implantando 
naquele buraco a rocha imensa efinalmentefizeram fogo queseapode- 
rou imediatamenteda capoeira reduzindo-a a cinzas. 

9. Poristo, nenhum devosseaborregaseoguianegrovosdizumas 
tantascoisas, acertando seu alvo, qual atirador declasse; vossa irradiagao 
psiquica e por ele plenamente iluminada, denunciando vossos pensa- 
mentos maisintimos, quando ligadosavontade Os simples pensamen- 
tos cerebrais - que de certo modo nao o sao propriamente - eles nao 
registram porquantoconsistem apenasdequadrosimpregnadosnasfacetas 
do cerebro enao possuem vida propria. Ao passo que os pensamentos do 
coragao, percebem com facilidade, mormenteem seachando num esta- 
do algo excitado, como aconteceno momento. 



222. A Importance da IrradiacAo PsIquica 

1. (0 Senhor): "Aindanaocompreendeisafundooquevenhaaser 
a irradiagao psiquica ea maneira pela qual se manifesta, atravesdo tato, 
audigaoeatemesmodavisao. Ser-vos-adificil compreende-lo, porquan- 
to nao epossivel dar-seum exemplo adequado para os vossos olhosfisi- 
cos, em virtudeda dificuldadedeseenquadrar na materia, urn fenome- 
no espiritual.Todavia, elucidar-vos-ei porqueesteassunto, sumamente 
importante, necessita ser bem assimilado. N ecessario e que concentres 



Jakob Lorber 

402 

todosossentidos, do contrario, nao penetrans as prof undezasdesteaxi- 
oma vital. 

2.0 fatodeser isto mui importante, podeisnotar porter Eudeixa- 
do para o fim do nosso convivio aqui, a explicagao destesegredo deori- 
gem vital. Embora vos tivesse demonstrado coisas profundas, durante 
esses sete dias - e anteriormente noutra ocasiao -, este problema e o 
maior, edeu motivo asexplanacoesanteriores, porquanto nao vosteria 
sido possi'vel compreende-lo - mesmo em parte - sem os prepares e 
acontecimentos milagrososqueos precederam. 

3. Porquerazaoclassificoistodemaximaimportancia?E facil dedu- 
zir-se. Q uem pretende melhorar sua existencia eel eva- 1 a a vida intrinse- 
ca, deve antes reconhecer dequeforma consisteese manifesta em tudo; 
amaneirapelaqual seapresentaem determinadascondigoeseocorrenci- 
as; como melhora-la - quando errada ou desajustada -, mante-la nesta 
melhoriaetransmiti-laao proximo, a fim deque hajaafinal urn pastor e 
urn rebanho. 

4. Todos os sabios do mundo, desde sempre, reconheceram e afir- 
maram ser o pleno conhecimento da vida, o mais importante para o 
homem verdadeiro; acontecia, porem, quesuadescobertaeramuitocan- 
sativa, dificil e, asvezes, ate mesmo impossivel. Por isto, vim Eu, Senhor 
e M estre de toda Vida e Existencia desde Eternidades, Pessoalmente, e 
atrai tudo de modo milagroso, para este lugarejo tao afastado, a fim de 
vosdemonstraraVidaVerdadeirademaneiravisivel epalpavel e, com o 
tempo e a paciencia devidas, a assimilareis Em seguida, sera de vossa 
obrigacao exemplifica-laaossemelhantes, dentro devossacompreensao. 

5. Se isto for apenas posse de uma ou duas pessoas, fazendo uso 
proprio em seu pais, nao tera beneficio especial, tao pouco quanta urn 
sabio seria util num manicomio ou num estabulo de burros ebois! Acaso 
osanimaisentenderiam osensinamentoselevados, transmitidospor pa- 
lavrasamigas?! 

6. Urn sabio so podera ser reconhecido e compreendido por urn 
sabio. Com a vida animal eadosverdadeirosloucos, nadaseconseguira, 
poisEu previ estaposabilidade, pelaMinhaOrdem Eterna;comavida 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

403 

do homem, tudo poderdsalcancar no caminho daVerdade, Amor, Paci- 
enciaeSabedoria! 

7. Q uando tiverdes feito dos homens verdadeiros amigos e irmaos, 
que com o tempo a vos se assemdharao no conhecimento da Vida, - 
desfrutareis uma alegria efdicidadeverdaddras nesteconvivio, tornando- 
vos fortes na pratica do Bern, facilmente executado. Can bravos fazem 
maisqueum;cemolhos,vislumbrammaisquedois,eairradiagaopsi'quica 
de milhares conjugada, e uma alavanca poderosa para o afastamento de 
toda sorte de perigos e males, qualquer que seja sua procedencia. 



223. Poder do Homem Perfeito Pelo Amor 

1. (0 Senhor):"Vistesaforgadaagao conjugada dosnegrospdacon- 
centragao de sua irradiagao psiquica. Q uantas pessoas nao seriam precisas 
para suspender umaarvore, qual aqudecedro, junto com o bloco da terra?! 
Q uantas para remover aquda rocha pesada?! pequeno grupo de nubios 
suspendeu-a no ar! Deste fato inegavd devids deduzir que poder e forca 
residem na concentragao psiquica dealgumas poucas almas perfdtas 

2. Sedes,desconhecendoforgaepoderdeMeu Nome,distoforam 
capazes, - quanta mais nao poderids vos pda irradiagao unida ao M eu 
Verbo eo Espirito nipotentedeM eu Amor! 

3. Em verdadevosdigo: N ao somentearvoreserochas, senao verda- 
ddras montanhas, poderids remover, caso fosse de utilidade dentro da 
compreensao de vosso coracao sabio; saberids a cada momenta, atraves 
M eu Espirito, o que fazer, pois Ele estaria presente em vossa alma em 
virtudedeM eu Verbo Vivo! 

4. N ao seria este urn estado desejado por uma criatura perfdta em 
M eu N ome, e muito mais ainda por uma comunidade ou povo? Sua 
realizagao esta a nossa frente e preciso e que reconhecais, em vos, como 
M eus discipulos mais achegados, este estado importantissimo e o 
demonstrdsatodosquevosroddam,demodojustoeverdaddro. Quern 



Jakob Lorber 

404 

possui uma luz, nao deve deixa-la debaixo do alqueireondeseus raios 
luminosos a ninguem beneficiaria, mas deposita-la em cima da mesa 
ondeiluminaraatodos 

5. Facil eagir-seassim com aluz material, aopassoqueadestinadaao 
coracao ealma, torna-se bem dificil. Uma boa efirmevontade, porem, 
consegui-lo-a ecom o M eu Auxilio garantido em assunto tao importante 
para a vida, ainda maisfacil do quepensais. N aturalmente, devecada urn 
possuir aquilo que deseja transmitir ao proximo, do contrario seria urn 
cego a guiar outro, - quando chegarem ao abismo, ambostombarao! 

6. D emonstrei-vossuficientementea grande importancia do verda- 
deiro poder duma alma perfeita edo conhecimento proprio, que podem 
ser alcancados pelascriancaspor uma educacao verdadeira; pelosadultos 
transviados, sem propria culpa, pela humildadejusta, paciencia e mor- 
mente pelo amor verdadeira e ativo para com o Pai e ao proximo. As 
acoesdosnegros deal mas fortes, quedeveriam vosconduzirao conheci- 
mento proprio, foram por Mim elucidadas, todavia ainda nao as 
entendestes a fundo. Cabe-vos, indagardes em virtude da importancia 
do assunto, demonstrando dequecareceis 

7. Deveissentirestacarencia, do contrario, nao seria possivel supri- 
la pelo livrearbitrio; poissealguem algo perder sem sabe-lo, acaso ira a 
suaprocura?Precisoe,sentir-senitidamenteassuaspr6priasdeficiencias 
e o grande valor daqui lo que necessita, do contrario jamais a criatura se 
empenhara em procura-lo com o devido zelo. 



224. A Fome Pelo Alimento Espiritual 

1. (0 Senhor): "0 homem mundano nao podesequer sonhar com 
o verdadeira valor da vida; basta a satisfacao de seus instintos, pois as 
coisas necessarias ao espirito, nao o preocupam. Tem o que comer e be- 
ber; morada bonita e confortavel; boa cama, roupa fina e outras tantas 
coisas agradaveis, como sejam, raparigas bonitas e sensuais Que mais 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

405 

faltaria a tal usurpador dos bens terrenos?! 

2. Ospobres, coitados, tern deserefugiarem aforismoseconhed- 
mentos, produgaode sua fantasia faminta, afim deconquistarem asim- 
patia dum rico, viver desua abundancia e, em compensagao, distrai-lo 
com fantasmagorias N isto tudo nao ha Verdade, senao afomedum sa- 
bio esua preguiga que preferem satisfazer-secom a imaginacao fad I dum 
deus qualquer e da vida eterna da alma! 

3. Observai neste quadra vivo, seum homem providodebensmate- 
riaissentealgumadeficiencia;quelheimportaaimprescindivelnogaodesi 
proprio, indispensavd no verdadeiro conhecimento de Deus?! Acaso urn 
dia seentregara a procura de sua maior carencia?! Por certo que nao! N ao 
passafomeesede, supostasalavancasquelevam apesquisado saber! 

4. D equeoutra forma poderia ele perceber sua deficiencia? Somen- 
tefomeesede- naopiniao do rico - saoosunicosmdos para qualquer 
atividade; quern portanto nada disto padece, nao precisa seocupar com 
qualquer cienci a. Em suma, quern a seu ver, nao sofrenecessidades, tam- 
bem nao tern desejos, equem nadaperdeu, - porquedeveriaentregar-se 
a procura dealgo?! 

5.0 mesmosucedecom urn ensinamento dado. Quern julgate-lo 
compreendido, nao pedira maior explicagao; pois o saciado nao exige 
alimento, a nao ser quesetomenovamentefaminto. Q uefara, na ausen- 
ciadocozinhdroTSeriacapazdeprepararum alimentosem seu auxilio?! 

6. Por isto procurai agora a nutricao, enquanto o M ordomo Seacha 
entrevos!Q uando Elevoltardeondevdo, muitoscomegarao aprocurar 
a nutricao justa; sera, todavia, dificil encontra-la. 

7. Muitosdentrevossao materialmentemuito ricosetratam com 
zdo aaquisicao dostesourosespirituais, nao extraidosdo solo terraqueo. 
Soisno momento, supridosem excesso, - nao pensds, porem, que urn 
acumulo seja bastante para tudo assimilardes 

8.Todapalavraquevosdirijoe-voscompreensivd comomerascri- 
aturas; o sentido infinito quecomportam, estais longedeassimilar! Eis 
porquenaoindagais, ignorandovossaincompreensao. Por que isto nao 
se da convosco, e qual a razao de ter ubratouvishar percebido vossa 



Jakob Lorber 

406 

deficiencia? Porquesua irradiagao psi'quica, perfeita, desdeorigem, facil- 
mentepenetraavossa,assim comopoderidsnumanoitedebreu, perce- 
ber pelo tato, sealguem ecalvo ou nao! Vossa projegao psi'quica, ainda 
mui fraca, senteapenasaquilo queo fisico registra; passando dali, vossa 
alma nao possui fagulhadevibragao! 



225. PODER M ILAGROSO DO RENASCIDO EM ESPIRITO 

1.(0 Senhor):"Sentimentoepercepgaodestesnubiospodem, num 
momenta de maior sensibilidade, estender-se a longa distancia, perce- 
bendo com facilidade, a natureza dos que deles se aproximam, nao da 
indole mais intrinseca propriamentedita, mas, do estado psiquico. 

2. Q uando, hojede manna, aqui chegaram, seu conhedmento efor- 
ga, ja de longe reconheceram M inha Alma. Espirito dentro dda, nao 
Ihes era possivd perceber, porquanto Este so pode ser reconhecido por 
outro espirito puro. Paraestefim, foi predsodepositar- atravesdeM inha 
Palavra- acentdhado espirito em seu coragao; quando estafagulhaforti- 
ficou-sepdanutrigaojustadumaalmaperfdta, desM ereconheceram, em 
espirito, eora sabem mais intensivamentequevos, Q uem Sou. 

3. Tudo isto e consequencia da perfdcao psiquica. Vossas almas, 
comosaoecom excegaodepoucas, jamais alcangaraotal conhecimento; 
serao, todavia, purificadaspdo M eu grandeAmor, tornando-seaptasna 
acdtacao deM eu Espirito. Q uando renascerdes- nao pdo proprio me- 
rito, mas unicamente pdo M eu Amor, G raga e M isericordia - fares coi- 
sas mais grandiosas que des Isto, nao pdo poder da perfdcao de vossas 
almas, mas pela Forca de M eu Espirito que penetra vossa psique fraca, 
tomando-a, assim, etemamente plena devida! 

4. N ao quero fazerdevoscriaturasdotadasdepoder milagroso, mas 
benfdtoresda H umanidade! Q uando M eu Espirito Setomar plenamen- 
teativoem vos, vossa razao sera iluminada, facultando-vosporviasnatu- 
rais, o poder de auscultardes as forgas da N atureza, cujos espiritos, ou 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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seja, suassubstanciaspsiquicasdeorigem especificas, vosserao uteis D este 
modo, alcancareis grandes beneficios materials, que devereis empregar 
paraobrasdecaridade. 

5. Seasgrandesvantagensrecebidaspelo M eu Espirito, com o tem- 
po, forem aplicadasdentro deM inhaO rdem, trazer-vos-ao imensas ben- 
gals; comegando ausa-las contra MinhaDeterminagao,tornar-se-aoins- 
tituigoes dos piores maleficios mundanos! 

6. queoravosfalo, tambem edirigido atodosquevosseguirao a 
doismil anoslEm seguida, viranovafasedo planeta para sua fermenta- 
gaoepreparofuturo, com esem criaturas; poisaTerraegrande, emuitos 
os espi ritos presos a espera de salvagao. 

7. Todo renascido tambem pode operar milagres, nao como estes 
negros sem a nogao de M eu N ome e M inha Vontade, mas pelo pleno 
conhecimento dos M esmos, dentro de M inha rdem Imutavel. N in- 
guem podera agir contrariamente, porquanto M eu Espirito nao Ihefa- 
cultaria poderes; nestecaso, seriaapenasaalmaadesejar, porqueo espi- 
rito, jamais ha dequerer al go contra a M inha Vontade! 

8. Pelo renascimento do espirito, a alma nao perdeseu livrearbitrio 
e conhecimento externo, nasfileiras das grandes Criagoes que surgirao 
constantemente pelo M eu Amor, Sabedoria, rdem, Forca e Poder. 



226. Relacao Entre Alma e Espirito 

1. (0 Senhor): "A relagaoentrealmaeespirito, correspondesempre 
a exi stente entre corpoe alma. fisico duma alma, pormaisperfeita que 
seja, tambem possui vontadeindividual paraogozo, pelaqual apgquese 
pode perder quando nela se integra. Uma alma bem educada, jamais 
cedera a volupia do fisico, permanecendo sua soberana; enquanto isto e 
possivel a alma deeducagao falha. 

2. Repito, entrealmaeespirito, so podehaveramesmaanalogiaque 
reina entre uma alma perfeita, desdeorigem, eseucorpo. Elebem pode 



Jakob Lorber 

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senti r desejos variados e esti mular a psique para a sua satisfacao, atraves 
desuastendencias preponderantes, que a alma sempre pronunciara um 
"N ao" incisivo! mesmo faz o M eu Espirito naquela psique, por Ele 
completamente penetrada! 

3. Enquanto a alma aceita a vontade do espirito, tudo sucede de 
acordo com sua determinagao, pois a vontade do espirito e tambem a 
M i nha. Q uando a alma sente desejos pela atracao dos sentidos devido a 
sua recordagao, o espi rito se afasta em tais momentos e entrega a alma a 
satisfacao dos seus apetites, onde nada de bom pode surgir, porquanto 
nao sepolarizacom asaspiracoesdo espirito. 

4. Percebendosuafraquezaegoisticaefaltadecompostura, dadesis- 
tedeseussonhosde satisfacao propria; une-seestreitamenteao espirito, 
deixando prevalecer a vontade do mesmo. N este caso, sao novamente 
restabelecidos: ordem, forcaepoder, plenos." 

5. U m tanto desanimado, C ireniusentao diz: "Senhor, atravesTuas 
variadasexplanacoeseadvertencias, descobri um vacuo, umadeficiencia 
enormenaesferademeusconhecimentosqueseapresentamui nftida. 

6. D isseste ha pouco que o egoismo da alma, ainda mesmo tendo o 
Teu Espirito a penetrado inteiramente atraves do renascimento espiritual, 
naoseintegraraneledetal formaaimpedir, em certos momentos, a sepa- 
ragao. Possui da, portanto, ainda suastendenciase pode ate mesmo, pen- 
sar equerer individualmente, como antes do renascimento do espirito. 

7. Nestecaso, eeladotadadumacapacidadedeconhecimentolivre 
e individual, e forcosamente tera de reconhecer as vantagens inumeras 
provindas do espirito. Assim sendo, como admitir-se querer e pensar 
algo, nao insuflado pdo espirito?! N ao deveconstituir o desejo maisar- 
dente de sua indole, unir-Seintei ramentee para sempreacentelha divi- 
na?!Vejonacapacidade individual do querer, pensar e reconhecer, uma 
imperfeicaonafase espiritual dohomem. 

8. Tambem soa estranho queuma alma renascida no proprio espiri- 
to - que por isto deveria ser mais forte que a dum negro, ainda pura e 
perfeita, todavia, longedum renascimento espiritual -,tenhamenorpo- 
der por si so! Q uando a alma dum negro emite uma vontade, da se 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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real i za; quando uma renascida algo quer, nada disto acontece porquetal 
nao e da vontade do espi rito. 

9. As almas destes nubios, por certo, tambem poderao no Alem, 
operar coisas milagrosas; as nossas, renascidas, nada poderao realizar 
como simples particularidade racial?! Realmente, Senhor, pelaprimei- 
ra vez nao sou capaz decompreender algo! N ao vejo motivo, nem pon- 
to de partida aceitavel ao intelecto. Queira conceder-nos a Graca de 
maioresclarecimento!" 



227. Cerebro e Alma 

1. (0 Senhor): "Ja vosdemonstrei, anteriormente, a maneira pela 
qual a alma, efinalmente, acriaturaficadesprovidadetodasasfaculda- 
des gloriosas da semelhanca divina, atraves duma educacao erronea. A 
principio submeteis o intelecto duma crianga a uma certa educagao. 
cerebro ainda nao tendo alcancado doistenrasdesuaformacao, mesmo 
assim, esubmetido aassimilar palavras, quadras enumerossem fim, nas 
facetas ainda mui sensiveiseliquidas, numacorrespondencia visual. Es- 
sas facetas sao, de um lado, demasiado enrijecidas e de outro, levadas a 
umacompletadesordem atravesdum grandeesforgodamemoria, moti- 
vo porque tais criaturas quando adultas, sofrem de constantes dores de 
cabega, quejamais poderao ser curadas, por completo. 

2. cerebro e, deste modo, impregnado com toda sortedefiguras, 
tomando-seinsensi'vel aassimilagao dasimpressoessutisque, surgidasda 
alma, sao destinadasa impregnar-se as facetas cerebrais. Quando mais 
tarde, e representado um conhecimento mais elevado pelo coragao, a 
alma nao podeconserva-lo, nem oassimila, porquantotal ensinamento 
nao podeser projetado alem dum momenta 

3. Fora disto, a alma tern uma constante aglomeragao de quadras 
materials, identica a um matagal diantedesi edificilmenteconsegue 
vislumbrar atraves deles as inumeras impressoes sutis e levemente im- 



Jakob Lorber 

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pregnadas. Mesmo percebendo, por segundos, os quadras qui mericos 
surgidosdo coracao, apresentam-se-lhe quais caricaturas de difici I com- 
preensao epercepcao, porquanto os quadras materials sepostam a f rente 
encobrindo eate mesmo destruindo, tais nocoes. 

4. Talvez conjeturas o seguinte: Por que motivo a alma dirige seu 
olhar asfacetascerebrais? D everia dedicar-seao coracao eassim penetrar 
na luz de seu espirito! - Como nao? Caso fosse possivel transformar a 
ordem vital, sem prejuizo, para a propria vida! 

5. N ao seria admissive! aplicar-se a alguem que, por motivo qual- 
querja fosse cego no ventre materno ou tornando-se posteriormente, urn 
pardeolhosnoqueixo, ou na testa, ou no nariz? Seria justo, caso estes 
olhosmal colocados, nao necessitassem dum organismo todo especial! 

6. N o mecanismo do corpo humano existeuma ordem tao rigorosa- 
mente matematica, quetudo seacha no seu devido lugar enao podeser 
modificado, sem a alteracao total do organismo. E, portanto, inteira- 
mente impossivel transplantar-seum sentido fisico, sem transformar-se 
todo o fisico, dando-lheoutra forma eoutra organizagao interna. 

7. Assim como nao epossivel mudar-seossentidosdo corpo, muito 
menososdaalma, possuidoradum organismo muito sensi'vel edefonte 
espiritual. Ela so veeouveatravesdo cerebro; asdemais impressoes, va- 
gas e i ndefi niveis, ela pode perceber com os outros nervos, que para tan- 
to, tern de estar numa ligagao constante com os nervos cerebrais, do 
contrario, o ceu da boca nao teria paladar, nem o nariz olfato. 



228. A Formacao Justa do Cerebro 

1. (0 Senhor): "Enquanto a alma habita no corpo, o cerebro e o 
orgao principal desuavisao. Seelefor bem formado, a alma vera nitida- 
mente os quadras vindos do coragaoeimpregnados em suasfacetas, po- 
dendo entaojulgareagirdeacordo. Sebem queelapossa, em momentos 
deextase, atravesdepassesaplicadospor pessoacheiadefeevontade, ver 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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pelo plexo solar, conforme Zorel nosdeu exemplo, tal visao pouco ou 
mesmo nada I he serve para a vida real, porquanto nao Iheassisteamenor 
recordacao em seu carceretrevoso. 

2. Q uando o cerebro nao esta ligado a alma durante qualquer visao 
ou percepcao psiquica, da nao guarda lembranca e sim, apenas, uma 
vaga nocao. Daquilo que o cerebro registra, a alma nao tern visao; assim 
como o corpo nao possui visao qualquer, daquilo queseimpregnou nas 
multiplas facetas cerebrais atraves de olhos e ouvidos, perceptiveis, ape- 
nas, a alma, localizada dentro do corpo. 

3. quedai segrava no cerebro pslquico, a alma nao podevislum- 
brarcom seus olhos que, identicosaos do corpo, somentesedirigem ao 
exterior, tao pouco ouvi-lo; isto podeapenaso seu espirito. Razao porque 
uma pessoaso consegueassimilaralgo puramenteespiritual, tao logo o 
espirito, completamentedesperto, nelasetenha integrado. 

4. que contem o espirito, e visto por Mime pelo espirito do 
homem uno Comigo, ou com o Meu Proprio Espirito. E Ele M inha 
Copiaautenticana alma, assim como o Sol refletesuaimagem noespe- 
Iho. Destemodo, eimprescindivel aalmaencarnada, apossedum cere- 
bro bem formado; pois urn deformado, nada Ihe adianta para a visao 
espi ritual, tao pouco o extase pelo plexo solar, por nao Ihefacultarrecor- 
dagao. M uito emborafiquegravado em seu cerebro espiritual paratodo 
o sempre, nao possui ela olhos e ouvidos, dons que assistem apenas ao 
espirito desperto dentro dela. 

5. Se, portanto, o cerebro e bem formado pelo coragao, dentro de 
MinhaOrdem, e os quadras defonte espi ritual sendoosprimeirosase 
impregnarem nas facetas cerebrais- decerto modo representando uma 
luz -, as impressoessubsequentes provindas do mundo exterior sao ilu- 
minadaseassim facilmentecompreendidasem todo o seu ambito. 

6. Esta luz, entao, nao so preenche o organismo humano, mas se 
projeta em raios luminososalem do corpo, formando assim sua irradia- 
gao psiquica. Q uando com o tempo fica mais forte e concentrada, a 
criatura podeoperar milagressem o renasdmento do espirito, conforme 
observastes com osnubios. 



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7. N um cerebro deformado se impregnam apenas quadras nubla- 
dos,ondeaalmanecessitadetodaforgaluminosa, afimdevislumbra-los 
apenas em seuscontornos, impossibilitandoserelailuminadademodoa 
formar uma aura poderosa. 

8. Somente pela justa humildade, pelo amor poderoso para com 
Deus e o proximo, pelo zelo especial das coisas espirituais, os quadras 
materiaissao iluminados no cerebro e espi ritual izados,levando-o a certa 
ordem; em vida, porem, jamais aquela, manifestada pelos negros! 

9. Istotodavia, nao importa; poisprefiro um renascido dentrevosa 
noventa e nove almas perfeitas que jamais necessitaram de penitencia! 
M eusfil hos verdadei ros tern de se tornar fortes atraves de sua fraqueza! 
Teras agora tudo compreendido etuas perguntas, foram bem respondi- 
das, Cirenius?" 



229. Cirenius Pede Maior Elucidacao Quanto ao 
Estudo do Cerebro 

1. D iz C irenius: "Senhor, falando com sinceridade, seria preciso co- 
nhecimento maisapurado do cerebro, para sepoder assimilarTua Expli- 
cagao. N ao e possi'vel fazer-se uma ideia das facetas cerebrais que uma 
boaeducacao, registram os quadras espirituais, enquantoquenumaer- 
ronea, nelasprojetam, primeiro, as imagensda materia. Muitomenosse 
compreende a maneira pela qual as diversas impressoes la se refletem. 

2. N ao seri a doTeu Agrado, porquanto tudo Te e possi vel , represen- 
tar-noso modelo dumafaceta cerebral, a fim dequepossamosconceber 
o queTu Mesmo mencionastedemaisimportante? 

3. N ossa alma ecertamente, muito desprovida de luz para poder de 
modo proprio, analisarasfacetas, tanto naforma, quanto em suafuncao, 
criando assim um justo conhecimento. E, portanto, necessario dar-nos, 
brancosquesomosedealmasfracas, uma nogao acertadadaqueleorgao, 
decujaformagao dependeo Bem ou o mal dacriatura. Por istoTepeco 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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maior orientacao e, se possi'vd, urn esquema elucidativo!" 

4. D igo Eu: "J a sabia que Eu vos levaria ao ponto dereconhecerdes 
vossafalha, eumaansiaacertada por suprir as lacunas; esteteu desejo M e 
emaisagradavel quetua revolta, quando expliquei queaalmadum re- 
nascidojamaispoderiarealizarosmilagrespossiveisaumaalmaperfeita 
desdesuaorigem. 

5. Bern afirmei, poder um renascido fazer o mesmo que Eu, mas 
somente dentro e atraves de M inha rdem Eterna, e nao pareces estar 
satisfeito poristolTodavia, nao refletistequetaisalmasperfatas,tambem 
so poderao real izaro que permito, dentro deM inha rdem edeuti I ida- 
de do proximo. 

6. Tudo o queoperam pelo poder desua irradiacao psi'quica eque 
vos parece milagroso, e algo tao natural quanta este solo e coberto de 
musgo ecapim, ea agua desta enseada estaciona no fundo devido a seu 
peso. Achando estes fenomenos da N atureza de ordem simples, faras o 
mesmocom as acoesdestasalmasequilibradas, dentro desua esferaterrena, 
mormente em seu pais. 

7. Estesnubiostem pelepreta, enquanto possuem almalucida. Q uase 
todos conhecem os principals orgaos de seu fisico e as facetas cerebrals, 
poissuas almas perfeitas, podem anal isar seu corpo intemamentee quando 
seachaadoentado, veem o local da enfermidadee sua causa. 

8. Atravesdesua irradiacao psi'quica- emtaismomentos, mui luci- 
da - dentro em pouco acham a erva cujo emprego variado Ihes traz a 
cura. Somente quando os musculos e as arterias se tornam lassos e o 
sanguemaisgrosso, acreditam nao mais haver erva ecura, para impediro 
enfraquedmento do corpo; nesse caso, seria melhor a alma tratar de si 
mesma, abandonando sua morada imprestavel efeia esedirigir liberta 
dos lagos terrenos, ao pais da bem-aventuranca, localizado por todo o 
sempre entre Sol, Terra e Lua. N ao tern o menor receio da morte; te- 
mem, sim, a enfermidade que exigetodo esforgo da alma, tomando-a 
fraca por certo tempo e assi m, i mperfeita. 



Jakob Lorber 

414 

230. Efeitosda ImpudicIcia 

1. (0 Senhor):"Quantoapurezadacameeumaverdadeiracasti- 
dade virginal, nao existe na Terra, um povo que seja tao isento dos 
vfciosda impudicfcia. Eisofator principal, demaximaimportancia, na 
vidadohomem. 

2. Seos brancosevitas5em estevicio e praticassem o ato apenas para 
despertar um fruto numa criatura defisico perfeito, afirmo-vosquenao 
existiriaumquenaofossenominimo, umvidentelAssim naosendo, de 
acordo com vossos habitos, tanto o homem quanta a mulher desperdi- 
cam diariamente, osmaiselevadoselementospsiquicos, ficando despro- 
vidosdumacumulodeenergias,queproporcionariamluzmaisintensiva 
naalma. 

3. Eis o motivo pelo qual se tornam cada vez mais ociosos, com 
tendenciassempremaisacentuadasparaogozo,qual polipo. Raramente, 
sao capazesdum pensamento maislucido, poissao medrosos, covardes, 
materialistas, geniosos, futeis, egoistas, invejosos e ciumentos. Dificil- 
mente compreendem algo espiritual; pois sua fantasia fareja sempre os 
prazeresda carnee nao sentetendencia para a elevagao. M esmo havendo 
momentosmaissensatosem quetal criatura sedirija ao Alto, imediata- 
menteseapresentam pensamentossensuais, como nuvensnegrasnoCeu 
e encobrem aquela tentativa de tal forma, a levar a alma a esquecer-se da 
boa resolucao, atirando-se no lodo do gozo carnal. 

4. Para tais pessoas, as boas intencoes nao raro, pouco efeito tern. 
Assemelham-seaossuinosqueseatiram com volupiarenovadaaspocil- 
gashorripilantes, ondefugam com prazer, eaoscaesquevoltam acomer 
aquiloquevomitaram. 

5. Por isto, vosdigo com gnceridade, queimpudicos, adulterosde 
ambosossexoseperversosdetodososmatizes, dificilmenteeatemesmo 
nunca, acharao a entradado M eu Reino do Ceu! 

6. Se achas tal advertencia demasiado forte, tenta modificar uma 
criatura sensual, chamando-lhe atencao para os M andamentos de D eus 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

415 

com asseguintespalavras A pazsejacontigo, poiso Reino deDaisveio 
junto de ti ! Abandona tua vida devassa; ama a D eus sobre tudo e a teu 
proximo como ati mesmo! Procureaverdade, o Reino deDeusno ama- 
go de teu coragao! D esiste das coisas futeis e desperta em ti a vida do 
espirito! ra, pesquisa e age dentro da rdem D ivina! - Teras dirigido 
teu sermaoaouvidoscompletamentesurdos Rir-se-adeti, virando-teas 
costas, dizendo: Deixa-meem paz, tolo piedoso! N ao meaborrecas, do 
contrario meforcarias a te bater! 

7. D ize-M e, que maispoderi as empreender contra tal depravado, na 
hipotesedeque nao teassista poder jundico?! Se repetirestua adverten- 
cia, teras decontar com reacao maisbrutal queaprimeira. E entao? 

8. Faras urn milagre para convence-lo do poder facultado aos que 
creem em DeuslAcaso Iheabriras, olhoseouvidos?Ora, tomaraaquilo 
como bruxaria edira: "Repetetaispecinhasinteressantes, umavezque 
nao tragam prejuizo, poisdo contrario tedesafiara para uma luta devida 
e morte! Se o machucares, seras alvo das piores pragas! Por tal motivo e 
urn impudico nao so urn sexualmente perdido, mastambem urn mau 
quando aticado; epleno defogo selvagem, cego esurdo diantedo Bern e 
daVerdade. Ser-te-amaisfacil converter urn ladrao, doqueum impudi- 
co eadultero. 



231. Bencao duma Fecundacao Ordenada 

1. (0 Senhor): "Quando volupiaeimpudiciciasetiverem alastrado 
comoverdadeirapestepsiquicaentreascriaturas, apregagaodo Evange- 
Iho tera chegado ao fim! Como seria possi'vel falar-seaossurdoseagir-se 
perante cegos?! nde nao se prega a Verdade que unicamentefortifica e 
libertaaalma, iluminando-a, porquantosomentepelaverdade, aalmase 
torna ativa, cheia de amor e portanto, de luz, donde poderia vir outra 
iluminagao na psique, equal seria afonteverdadeira a Ihefacultar uma 
irradiagao poderosa?! 



Jakob Lorber 

416 

2. povo corrupto pelo adulterio e impudicicia e desprovido de 
toda irradiacao psiquica, preguicoso, insensi'vel e nada Ihedesperta pra- 
zereselevadosefelizes. N em aforma o ectasia; sua vital questao eapenas 
o gozo carnal. Do resto, nada I he i nteressa! Tratai , antesdemaisnada, de 
impedirestevicio, poisoscasaissodevem seunir, para consegui rem urn 
fruto abencoado! 

3. Quern perturba a gravidez com seusdesejoscarnais, prejudicao 
fruto ja no ventre materno, implantando-lhe o espirito da impudicicia; 
poisaqueleelemento queestimula o casal a efetuar o ato alem do neces- 
sario, passa ao rebento de modo mais potenciado. 

4. Por isto, deve-seconsiderar numafecundacao consciente, nao ser 
a volupia o movel, earn o amor verdadeiro ea atragao psiquica; equea 
mulher possa repousar durante setesemanas, aposo nascimento. 

5. Fi Ihosgeradosnesta oriental eamadureddossem perturbacao 
no ventre materno, nascem psiquicamente, mais perfeitos, porquanto a 
almatera maior faci I idade de cuidar deseu foco espiritual, dentro dum 
organismo perfeitamenteequilibrado, do quenum avariado ondeconti- 
nuamente, teriaalgo deconsertar emelhorar. Alem disto, eela maispura 
e lucida por nao ser perturbada por elementos impudicos, queasvezes, 
sao projetados no feto e na alma, atraves da repetida agao carnal. 

6. Quaofacil podeumacriangapura, aindapequenina, elevar-sea 
Deusqual Samuel, atravesdum amor verdadei ramenteinocenteeinfan- 
til! E qual nao sera a maravilhosa impressao baseada na fonte de toda 
Vida, queseprojeta deseu campo emotivo ao jovem edelicado cerebro, 
facu ltando-1 he, por esta I uz, a expl i cacao das nocoes posteriores e provi n- 
dasdomundo! Sao elas,decerto modo, implantadasnumabaselumino- 
sa e verdadei ra, dilatadas, analisadas individualmenteecompletamente 
iluminadas, fatorqueconfereaalmacompreensao rapida. 

7. Em tais criancas, desde cedo, manifesta-se uma aura psiquica e, 
faci Imente, setornam videntes. Ao poder desua vontade, tudo sesubme- 
te dentro de M in ha rdem. Q ue contraste nao apresentam os rebentos 
jaavariadosnoventrematerno?Saonadamaisquesombrasanimadasde 
vida! Qual e a principal causa disto? Aquilo que vos demonstrei como 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

417 

efeito da volupia! 

8. Q uando posteriormente, M eu Verbo for por vos difundido, este 
ensinamento nao podera faltar. Ele prepara o solo da vida e o liberta de 
todososespinhos, cardoseabrolhos, dosquaisninguem colhefigoseta- 
maras. U mavezosolo limpo, facil elancar-seasementenobredavida, nos 
sulcos iluminados pela luz da alma eaquecidos pda chama do amor. N ao 
havera urn grao quenao germ inede pronto, desenvolvendo-separa recep- 
taculo dum rico fruto de Vida! N urn terreno sdvagem e impuro, podeis 
semear quanta quiserdes, quejamaisdeparareiscolheita abencoada! 

9. A pessoaquedivulgaedisseminaoMeu Verbo, assemelha-seao 
semeador munido da melhor semente, quedistribui ondequer queseja. 
Alguns graos caem em areia e rocha. Q uando vem a chuva, eles come- 
cam a criar brotosdelicados; a chuva, porem, logo para, dando vazao aos 
ventose fortes raios do Sol, que, em breve, sugarao a umidadedo solo 
esteril, matandoassim, ospequeninosgermenssem produzirem frutos. 

10. Outroscaem entreespinheiros, ondetambem germinam com a 
umidade; mas em pouco sao abafados pela erva das paixoes mundanas, 
deixandotambem dereproduzir. U ma parte cai nocaminhodasperver- 
sidades humanas; nem pode germinar, mas e prontamente esmagada, 
pisada ecomida pelos passaros! N ao e preciso afirmar nao ter tao pouco 
dado frutos. Apenasumaparticulacai em bom solo, germinaedacolhei- 
taboaeabundante. 

11. Estequadrovosdemonstranaoseradmissiveljogar-seperolasa 
porcos! Antes de mais nada, e preciso limpar e adubar o terreno e so 
entao, comegar a divulgacao da semente viva do Verbo, que este esforco 
nao sera baldado. N o empreendimento da disseminagao de M eu Verbo 
Vivo, naobastaaboavontade; necessarioeserconduzidoporumasabe- 
doriajustaeverdadeira. Docontrario, tal divulgadorpoderiasercompa- 
rado ao profeta Bi learn, cujo asno era mais inteligente que ele. 

12. M eu amigo Cirenius, depoisdo queacabo deexpor, nao rece- 
beste resposta para tua i ndagacao e no teu i nti mo te preparas para recor- 
dar-Medisto.Todavia, digo-teque, nao teseria util se nao tivesse dado 
estaexplanacao. 



Jakob Lorber 

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232. Estrutura do Cerebro H UMANO 

1. (0 Senhor): "Veremos se existe a possibilidade de arranjarmos 
algumas facetas cerebrais, para vossa elucidagao! Raphael nos poderia 
mandartrazerdeRoma, duascabecashumanasdecriminososque, neste 
momento, foram executadosno Capitolio; todavia, nao nosseriam uteis 
por setratar de malfeitores. 

2. Por isto, o anjo nostraraquatro seixosbrancosdum corrego qual- 
quer, eexperimentarei fazer a demonstracao dum cerebro, a medida do 
possivel. Vai, Raphael, traz o quenecessitamos!" 

3. Por sete instantes o anjo desaparece para, de subito, apresentar- 
nosquatrocascalhosbrancosquedepositaem M inhamesa:doisgrandes 
e dois pequenos, correspondentes a parte anterior e maior, destinada a 
visao, ea menor, posterior, para o registro dossons 

4. Apos te-las colocado na justa ordem, Eu as toco, tornando-as 
transparentes como cristal. Em seguida, transmito-lhes M eu H alito, e 
elassedividem em milhoesdepequeninaspiramides, cadaqual constitu- 
ida de uma base e tres facetas. 

5. Asduaspedrasa M inha D ireita, representam o cerebro numajusta 
ordem, easoutras, a M inha Esquerda, o cerebro desequilibrado por uma 
educagao falha eoutras influencias nocivas, como acontececomumente. 

6. Neste ultimo, ve-se, alem das poucas piramides, formas 
estereometricas, figurasdetiposvariadosetudo isto demodo mui niti- 
do, porquanto Eu ashaviadecuplicado pelo H alito, desortequeseviam 
quatro pedrasgrandes na mesa, aumentadaspara estefim. 

7. Digo pois aos discipulos admirados: "Podeisanalisar perfeita- 
mente as facetas do cerebro humano. A direita, vedes ambas as partes 
do cerebro constituidas por piramides perfeitas, sendo que o cerebro 
posterior etresvezes menor, todavia bastantegrandepara o registro das 
vi bragoes psf qu i cas. 

8. bservai asduaspedrasa M inha Esquerda: suas formas sao vari- 
adasenaoseencaixam;caelaseveumespago,causandoreflexosadulte- 
rados, conforme analisaremos mais tarde. A parte posterior do cerebro, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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tambem eformada defacetas, detamanho tresvezes menor. Analisai-as, 
pois!"Todosseaproximam eobservam o cerebro depedra, aumentado, 
ateentao, apenas, em sua estrutura pi ramidal, sen divisao internaeuniao 
entresi. 

9. D igo Eu: "Q uando tiverdes uma nocao mais clara, isolarei por 
outro H alito asfacetas, em camaras, eligarei as duas partes cerebraispela 
polarizacao, afim de que as facetas, sejam quaisforem sua qualidade, 
tomem-seaptas para o registro de impressoes." 

10. C ireniustao admirado esta, quemal podedizer: "Agora comeco 
acompreenderlOsprimitivosegipcios, osprimeirosaconstruirem suas 
escolasem formasdepiramides, eram, certamente, criaturasainda per- 
feitas, de completa luz interior, portanto podiam analisar seu proprio 
corpo fisico. Derivaram do estudo das piramidescerebraisa construgao 
escolar, dentro da organizagao perfeita que la encontraram. Por este mo- 
tive possui tal piramidequantidadetaograndedelabirintosecamaras, 
onde nenhuma pessoa inteligente descobre sua utilidade. Senhor, tera 
meu pareceralgumavalia7' 

11. Respondo: "Perfeitamente; asam foi queosegipciosfizeram pin- 
tar as facetas com variados desenhos, quadras e escritos correspondentes 
aquiloqueo homem desta Terra tem depassarelutar, amaneirapelaqual 
deve conhecer a si mesmo, sendo o verdadeiro amor, o ponto central de 
todavida. 



233. LiGAgAo Entre o Cerebro Anterior e o Posterior 

1. (0 Senhor): "Novamentesoprarei o M eu H alito sobreasquatro 
pedrasevereisalgo semelhanteaosobeliscosdiantedaspiramides. N atu- 
ralmentetinham aqueles, outrafinalidadedo queasquatro colunasdi- 
antedecada faceta cerebral; demonstravam eles, apenas, queas pirami- 
desocultavam asabedoriaelevada, naqual seadmitia, somente, um ho- 
mem desentimentospuros 



Jakob Lorber 

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2.Asduaspequeninaspontasdiantedecadafaceta- portanto possui 
cadapiramideoito,-saooslapisaescr©/eremsobreasfacetas, numacerta 
ordem, ou desenharem com impressoesluminosasdecorrespondencia. 
Isto sucedeatravesda movimentacao dosnervosespeciaisdo cerebro, em 
contato maravilhosamenteorganizadocom osnervosoticoseauditivos 

3. Prestai atencao! Encheremoseste "lapis" com linfa e iniciaremos 
os estudos com o cerebro equilibrado. Q uero pois que as facetas deste, 
sejam impregnadas por escritos e desenhos, produzidos por urn senti- 
mento equilibrado pelaaudicao evisao!" 

4. Todos se esforcam, com a maxima atencao, para nao perderem 
ensinamentotal.Tive, nestecaso, de fazersurgir as imagenspela I uz ex- 
terna, porquanto nada lucrariam osolhosdosdiscipulos, com a ilumina- 
gao psiquica. 

5. Observam eles como as pontas dos lapis irradiavam estrelinhas 
avermelhadaseazuladas, sobre as facetas, detal forma, quenumavisao 
maisnitida, via formarem-seinumeros quadras fantasticos Fizcom que 
os olhos dos presentes fossem munidos da capacidade dilatadora dum 
microscopic o quesetornara necessario para a definicao duma imagem. 
anterior aumento, nao tela sidosuficiente; assim, num aumento mil 
vezes maior, podiam descobrir alguma coisa. 

6. Por isto, pergunto a Cirenius quais suas observacoes; e ele diz: 
"Senhor, que coisa maravilhosa! Atravesda irradiagao horizontal everti- 
cal dospequenosobeliscos, projeta-segrandenumero de estrelinhas, ver- 
melhaseazuis. Numaatividadeconstante, suas pontas passam porcima 
das facetas piramidais, ondesemeiam outras estrelinhas. Poder-se-iasu- 
por estes rabiscosaparentementesem nexo, algo sem valor; todavia des- 
tacam-se formas vari ad as de aparenci a agradavel . 

7. Percebo que os dois lapis seaquietam, tao logoafacetaepreen- 
chida. E incrivel que estes mi I hares de desenhos tenham sido impregna- 
dosem tao curto lapso; as formas sao pequeninas, muito emboratenha- 
mos, a frente uma base do tamanho de urn homem. Sao, porem, mui 
nitidasedificil seria imaginar-sealgo maisperfeito. 

8. Por que nao vejo imagens na parte posterior do cerebro cujas 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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facetas sao identicas ao anterior? Percebo apenas riscos, pontos e outras 
fi gurasdegancho que nao possoclassificar. Que significant" 

9. Respondo: "Representam sinaisdesonsepalavras; naoestao iso- 
ladas, mas em sintoniacom umafaceta do cerebro anterior. som ou a 
idea impregnada na parte posterior, pormdodelinhas, pontos egan- 
choseno mesmo momento, emitido a primeira faceta do cerebro anteri- 
or numa imagem correspondente, para maior facilidade de assimilagao 
da alma. Para que isto sejarealizado, umaquantidadedenervoseligada 
entreambas as partes cerebrais, do contrario, ninguem poderiatera no- 
cao duma zona descrita ou duma acao qualquer. 

10. Sonsvagosbem como musica, nao saotransmitidos, razao por- 
que ninguem deles podeformar a ideia dum fato; tais sons, nao sao im- 
pregnadosnasfacetasdo cerebro frontal eficam ligadosnumadocerebelo, 
como traco, ponto ou gancho. 

11. Das facetas do cerebelo gravadascom sonspuros, desprendem- 
se nervos pela medula ate aos ganglios do plexo solar e dai ao coragao. 
M otivo pelo qual, a musica quando inteiramentepura, age apenas sobre 
o sentimento, tornando-o delicado esensfvd. 

12. Surgindo, pois, do coragao, ossonsbem podem ser impregna- 
dos pdaluzdo amor, como estrdasemitidaspordoisobdiscos, as facetas 
cerebraisem formase, nao raro, sedestacam quaisverdaddrosguiasaos 
peristilos vitais do espirito. Pode assim, a muaca nobre e pura ser de 
utilidade para a uniao da alma com a centdha divina. Por isto, aprendd 
etambem ensinai a musica devada, como foi executada por David! 

13. Poderds tirar disto a prova ao juntardes amigos e inimigos, fa- 
zendo en tao tocar boa muaca. Veres quetodosse entenderao, enquanto 
queu'a mdodia bizarra e erotica, produzjustamenteo contrario. 

14.Viste, portanto, que ate mesmo os sons podem por via indireta, 
ser projetadosa alma, como algo visivd; nao como quadras materials, e 
sim em formasespirituais, semdhantesaosqueseveem nosvdhosmo- 
numentosdo Egito. Penso que Minna Demonstragao tenhasido bem 
clara, por isto acrescento serem taisfatores, possi'vdssomentenum cere- 
bro perfdto eincorrupto pdo preparodo sentimento, ondeasfacetassao 



Jakob Lorber 

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gravadaspela luzdo amor, com variadasformaspsiquicase spirituals 



234. LiGAgAo dosSentidosao Cerebro 

1. (0 Senhor): "Jaqueanalisamosecompreendemosesteassunto 
preparatory demaior importancia, vamos, afim deobtermosuma no- 
gao completa, averiguar de que modo a alma grava as impressdes do 
mundo exterior, as mesmasfacetas. 

2. Quero, pois, quetal acontega! bservai os lapis, diantededuas 
facetas, como se tornaram subitamenteescuros! Dao impressao dees- 
tar preenchidoscom liquido quasepreto, evede, conformefalamose 
gesticulamos, asarvoresetudo quenosrodeia, ai estao gravados! E isto, 
em movimento! 

3. Cadaposigaoficareproduzidamilharesdevezestal qual asrepe- 
timosnascamarasinternasdaspiramides, ondeeconstantementevisivel 
a alma, porquanto e iluminada pela luz psico-espiritual; eis em parte a 
memoria, eem parte a recordagao que se grava no lado interior daspira- 
mides cerebrais M ultiplicam-se atraves das variadas reflexoes, de sorte 
que se pode guardar, repetidas vezes, o mesmo objeto. Assim, toda a 
criatura guarda em sua alma emuito maisem seu espirito, toda a C riagao 
doUniverso, poislatevesuaorigem. 

4. bservando as estrelas, a Lua, o Sol, tudo isto sera novamente 
desenhado no cerebro organico, como vosfoi demonstrado; a alma se 
regozija com estes quadras que, por esta alegria ps'quica, sao gravados no 
interior das piramides- naturalmenteem proporgaodiminuta- multi- 
plas vezes atraves da reflexao i nterna, onde poderao ser de novo local iza- 
doseestudadoscom maiorperfeigao. 

5. Todos os desenhos da esfera exterior se apresentam quais proje- 
goesescuras; osoutros luminosos, queoscircundam eprovindosduma 
esfera su perior, iluminam osquadrosnaturaisem todas as partes, demodo 
a possibilitar a alma sua pesquisa ecompreensao. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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6. Alem disto, acha-seo cerebro anterior em constante ligagao com 
os nervos do olfato e paladar; assim como a parte posterior (cerebelo) se 
acha ligada ao sistema nervoso geral. s nervos registram certas impres- 
soesem determinadasfacetas, quefacultam aalma, pronto con hecimen- 
to: o perfume duma flor ou pomada; o paladar dum fruto, bebida ou 
alimento, bem como seu odor. Tal eaorganizagaodecadafaceta, quese 
acha estreitamente ligada por nervos mui sensiveis a cada impressao. 

7.Tao logo urn odorconhecido movimenteo nervo olfativo, isto se 
reproduz no quadro correspondente e a alma erapidamente informada 
de sua especie. D e modo identico e-lhe representado, pela reacao geral 
do cerebelo, o objeto quemotivou a nocao em sua forma econsistencia. 
Isto tudo so acontece num cerebro perfeito, conforme vos demonstro; 
num outro, desequilibrado, encontraremosuma semelhanca mui fraca, 
do que ti raremos a prova real . 

8. bservais, neste segundo cerebro, na sua construcao irregular das 
camadas principals e adjacentes, urn aglomerado de variadas figuras 
estereometricas, discos, bolas, esferoides, eoutrasmassasinformes. N amaior 
parte nem sedestacam osobeliscosdi ante das bases; equando visi'veis, sao 
completamenteatrofiadoseraramentedetamanho eforcas identicas 

9. Como poderia tal cerebro serdeutilidade a alma? Pelosmotivos 
acimademonstradossurgiuele, assim, do ventre materno. Analisaremos 
o seu curso durante a educagao equal seu final destinolAtengao!" 



235. Cerebro Perfeito e o Cerebro Atrofiado 

1. Indaga Cirenius, perplexo: "Senhor, teria este cerebro criado 
porTi de modo tao milagroso sido atrofiado no ventre materno pelo 
abuso sexual?" 

2. Respondo: "Amigo, que pergunta! N ao declarei anteriormente 
queseria apenasa demonstragao daquilo queexiste na realidade?! Q uem 
poderia imaginartratar-seaqui dum verdadeiro cerebro, realmentecor- 



Jakob Lorber 

424 

rupto?Tem elea mesma aparencia; por isto M inha Afirmacao anterior. 
Trata-seduma nomenclature ecopia determinada para maior compreen- 
sao enao duma realidadeefetiva! Compreendes?" 

3. DizCirenius: "Senhor, perdoaminhagrandetolice!" 

4. D igo Eu: "Sabiaquefariastal confissao, foste i nduzido a fazer tal 
pergunta por uma reminiscencia do teu intelecto mundano, edai, pode- 
ras concluir que toda sabedoria e sapiencia do mundo nada podem for- 
necer a alma sedenta pela Verdade. 

5. Todas as perguntas feitas pelos intelectuais sao sumamente to- 
las; quais entao seriam as respostas que pessoas semelhantes poderiam 
formular?! Seseu conhecimentojaenoiteetrevas, - queaspectotera 
sua ignorancia?! 

6. Por isto, precavei-vosda sabedoria do mundo; afirmo-vosser ela 
maisignoranteemaldosaqueaquiloqueela propria denominadetolice! 
A urn tolo com facilidade se podera socorrer; enquanto a urn sabio do 
mundo de modo mui dif id I ITolamente i ndagais "porque"?! I sto ja se vos 
apresenta nitidamenteno cerebro pervertido. 

7. Vede aqui o cerebro perfeito desde sua origem. Q ue clareza em 
sua estrutura! Todas as formas, internascomo externas, sao perfeitamen- 
teequilibradas. Quaisnao seriam asnocoeseimpressdesquetal psique 
receberiadetodasascoisasecircunstanciaslQ uao sabio efortesob todos 
os aspectos se apresentaria tal homem! Q uem, dos inumeros filhos do 
mundo, com ele se poderia medir?! Vistes anteriormente nos negros, a 
capacidadeduma alma incorrupta. 

8. Vamos agora anal isar urn cerebro atrofi ado, levandoainda maior 
prejuizo por uma educagao pessima eerronea, evereis nitidamentequao 
i nf rutifera e ignorante se apresenta a sapiencia mundana, perto da sabe- 
doria verdadeiramente celeste! U m verdadeiro caos cerebral ! N ao existe 
conexaocoordenada;caelaumapiramidedefinhada.Assemelha-setudo 
antes a urn montao deescombros! 

9. Esta forma o cerebro ja adquire no ventre materno! Q ual sera o 
futurodetal criatura?Qual oprogressonaverdadeiraescoladavida?!Se 
ao menossecogitasseduma educagao cuidadosado sentimento, no mi- 



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nimo pelo espaco dedezanos. M asondeficatal educacao?N em sepensa 
nda, e nas classes superiores, - de maneira alguma! curso primario 
tanto sabedumaeducacao psi'quica, quanta oshabitantesprimitivos das 
sdvas; seuspredicadosseassemelham aqudesanimaisquesenutrem do 
sangue dos animais caseiros. 



236. Catater dosIntelectuaise Sua Desdita no Alem 

1. (0 Senhor): "Emborasejam nocivastaispessoasignorantes, mais 
facilmentepoderao sertransformadasem perfeitasdo queosintelectuais 
Possuem estes de certo modo - isto e, visando geralmente seu amor- 
proprio -, um intelecto bem agucado porque as facetas piramidaisdo 
cerebro seconservam perfeitasem seu centra. Assim produzem, asvezes, 
ossabiosdo mundo numacontenda intelectual, algo derelevante, ape- 
nas, porem, parafinsmateriais; tudo queseja maisprofundo eespiritual 
Ihesescapa. Entreasvantagensterrenaseasetemasdo espirito edaalma, 
perdura um abismo intransponivd ondejamaiso intelecto maisastuto 
achara uma ponte. 

2. Basda-se isto tudo, naperversao primitivadaconstrugao cerebral 
no ventre maternoe, posteriormente, naeducagaoaindapiordecoragao 
e alma. Se esta fosse ao menos efetuada apos o nasdmento, o cerebro 
atrofiado seria em parte reorganizado; ascriaturas poderiam alcancar al- 
gum conhedmento mais profundo e uma real forca devada, e atraves 
dumacontmuahumildadeebondadeverdaddras, nodecorrerdosanos, 
aperdaseriasuplantada. 

3. Q uem semda em bom solo nao ficara sem colhdta; se, porem, o 
terreno esteril epesamo nao eadubado etao pouco lancada umasemen- 
te de Verdade plena do Espirito, como e de onde aguardar-se um fruto 
ou uma colhdta abundante?! 

4. As criaturas do mundo entendem bem como cavar a terra quais 
suinosetoupdrasecultiva-lacom variadosfrutos Suascolhdtassaocon- 



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sideraveiseabarrotam saisceleiros; istotornaoshomenstaoorgulhosose 
cada vez mais insensfveis para com a pobre H umanidadeque, em virtude 
disto, nunca obtem urn pal mo de terra para o proprio sustento. 

5. Istoelesentendemdemodoperfeito. solo do espirito, davida 
eternaeporelesmenosprezadoenao ligam importanciaseproduzcar- 
doseabrolhos. Compreende-sea razao por que as criaturasdesta Terra, 
tornam-sesempremaismiseraveis. Basta que possuam palacetes, leitos 
macios, bons petiscos, roupas finas e ricas, - que estarao plenamente 
satisfeitas; poistem tudo queegoisticamentepodem exigir no curto lap- 
so de sua vida. 

6. Quando, porem, se manifesta a molestia e a seguir a morte, a 
almaatrofiadapassadepavorem pavor, cada vez maiorefinalmentese 
entrega ao desespero, vertigem e morte. H erdeiros sorridentes dividem 
os bens consideraveis e superfluos do tolo falecido. E qual o proveito 
deste no Alem? N ada maisquea maior pobreza, a maior necessidadeea 
maxima miseria, indescritiveis para este mundo! E isto, nao por curto 
tempo esim, por epocasincalculaveisparavossacompreensao,quepodeis 
denominarde"eternas". Isto emuito natural; poisondedeveriaaalma, 
que somente cogitou e trabal hou para o seu corpo, buscar os meios para 
seaperfeicoarnum mundo que, em nadamaispodeedeveconsistir, do 
quenaquilo queela possui dentro desi, formando desua irradiagao espi- 
ritual urn ambiente para sua habitagao. 

7. Em tal mundo deveria iniciar-se sua nova organizacao de amor 
no seu proprio reino espiritual. Como isto poderia ser possivel, seo seu 
sentimento setornou insensivel eendurecido; seseu coragao seenterrou 
no aborrecimento, em virtude da compaixao consigo mesmo; semedi- 
tando sobreiraevinganga, seu espirito ficou mudo, surdo, cego, portan- 
toquasequemorto,naomaispodendoanalisarealegrar-secomasfacetas 
da alma? 

8. M esmo se fosse possivel tal espirito celeste erguer-se na alma to- 
tal menteatrofiada, afim dever esentir o conteudo no cerebro psiqui- 
co, para ajudar-lheacriar urn novo ambiente habitavel quelheproporci- 
onasse meios para sua atividade,- elenadahaveriadeencontrarparaisto 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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real i zar. Da materia que a alma assimilou destemundoem seu cerebro, 
completamentecorrupto, nada poderia chegar a nocao do espirito, por- 
quanto Ihefalta para tal transplantacao, o elemento deforca vital: a luz 
derivada da chama do amor para com D eus eo proximo! 



237. CONSEQUENCIADUM CEREBRO 
ESPIRITUALMENTE CEGO 

1. (0 Senhor): "Acasoserefletiriam num espelho pormaispolido, 
os objetos dum porao totalmente escuro? Conhecedores da disposicao 
do local, podeneis pelo tato, localizar mal e mal os objetos que la se 
encontrem, sem vos munirdes de luz. U m espelho, seria inteiramente 
inutil sem iluminagao. 

2. mesmo sucede com uma pessoa dum cerebro mundano, 
atrofiadoeobtuso. Naoemiteum raiodeluz, portadordasformasespi- 
rituaiscorrespondentesao cerebro psiquico, ja espiritualizado. Asfacetas 
atrofiadasdaalmacontinuam escurasevazias; mesmo que nel as seproje- 
tassea luz do espirito, eleea propria alma, tanto lucrariam quanta, uma 
pessoa que enxergasse ao colocar uma lamparina num recinto inteira- 
mentevazioecaiado. 

3. queveria?Nadamaisqueparedesvazias Quaisosestudosque 
poderia empreender? Somenteo tedio desesperador! C ompreendendo sua 
situagaodiraasi mesma: Sai desterecintoocoelevatualuzondepossaalgo 
iluminar! Deveda realizar algumascoisas. Por queentao aclarar asquatro 
paredesque, com ou sem luz, estao destituidasdequalquer objeto?! 

4. Q uando a luzdo espirito observaa vacuidadedasfacetasda alma, 
nao maisseprojeta para la, onde permanecera escuro quase que eterna- 
mente. Seistoeumaverdadeincontestavel - ondedeveriaaalmabuscar, 
no Alem, o material deconstrucao para urn ambientehabitavel?Pensais 
poderEu ajudartal pobre alma? Por certo; nunca, porem, porumapie- 
dade fraca, humana e fora de epoca, senao dentro de M inha rdem 



Jakob Lorber 

428 

Imutavel, cujosbragossao longosecheiosdepaciencia. 

5. Somenteaposa miseria ter atingido o ponto culminante, ondea 
psiquepas5araaumaespeciedeincandescencia,atravesdepoderosapres5ao 
de desespero, subirao pelo pavor do coragao, isto e, pelo sentimento 
opresso, pequenasfaiscasao cerebro, gravando-seai osquadroscrepuscu- 
laresdesua miseria, afligao, tormento, dores, fraquezas e abandono. So 
entao sera capaz de formar ideias incipientes e, apos longas epocas se 
capacitara a projetar um mundo infecundo de tais projegoes extrema- 
mentelastimaveis. 

6. N inguem a invejara portal posse, epassaraooutras epocas ate que 
elaconsigamelhorar, porsi mesma, oseu ambiente. Serao precisosmeios 
violentos para nova vivificagao deseu sentimento. Pelos inumeros esta- 
dosaflitivos, a alma setornara copia autentica desuas nogoes bem tristes 
e, nesta base, comegara a organizar caminhos onde nao tao facilmente 
cairaem extrema pen uri a e desespero. Com razao sepoderiachamar isto 
decapital ecolheita proprios, no entanto, - queredugao pslquica, vacuo 
efaltadeadestramento! 

7. Sealguem abandonasseum grupodecriancasnafloresta, umaou 
outramorreria. Suponhamossalvarem-seduasdeambosossexose, como 
estivessem debaixodumafigueira, dosfrutos da mesma sealimentariam 
atecerta idade, passando, aposaoutrosalimentos Cresceriam, com o 
tempo teriam filhosedai a algunsseculos, surgiria um povo; no entanto, 
passaria sem ensi no e revelagao do Alto. 

8. Aovisitardestaispessoasverieisnaoserem humanas, esim irraci- 
onais, pioresquetigres, hienas, loboseursos. N aousariam delinguagem, 
poisemitiriam sons inarticulados, transmitindo assim sua voracidadee 
vontade brutal. Tragariam estranhos, animais e frutos em estado cru, e 
com fome excess va, a si proprios! Sua ocupagao se limitaria a caga cons- 
tantedealimentos 

9. Apos alguns seculos, tendo ultrapassado suas florestas imensas, e 
encontrado qualquer povo culto que os rechagasse e prendesse alguns, a 
fim deeduca-losetaispriaoneiros, maistarde, voltassem atribo, estaco- 
megariaadesfrutardaeducagaoque, entretanto, longeseria da espi ritual. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

429 

10. Q uanto tempo nao passara, ate que aquele povo alcance, no 
minimo, uma cultura exterior, equanto nao levara para chegar ao vosso 
estado atual, - isto e, peloscaminhosdosfatosnaturais! 



238. dlficuldade evolutiva duma alma m aterialista, 
no Alem 

1. (0 Senhor): "N aturalmente, seriaa educacao dum povo primiti- 
ve, maisrapidaatravesdumarevelagao. Esta, porem, Ihepodeserfacul- 
tadamaisfacilmenteaqui, doqueaumaalma, no Alem que, conforme 
esclareci, nao levou urn atomo daquilo quedelongeseas5emelhas5ea 
umaOrdem Divina. 

2. Somente quando, no Alem, tal psiquematerialista, finalmente 
chegaacertasnogoeseideias, por inumerosestadosaflitivos, atribulagoes 
incriveisedaatividademaisintensivadeseucoragao, projeta-seumaluz 
fraca ao cerebro substancial. Entao se forma, em consequencia duma 
imaginacao evontademui escassas, uma habitacao miseravel equimeri- 
ca; embora ainda longe da Verdade unica e da Ordem Divina dela 
derivante, epossivel enviar-lhemensageirosaelasemelhantes, para muni- 
la eenriquece-la, com cuidado, sem queo perceba, denogoesmelhores. 
Urn seculo nao basta para levar uma alma totalmente perdida, neste 
mundo, a uma ordem primitiva, noCeu. 

3. E quase imposavd conduzi-la alem do primeiro e puro Ceu da 
Sabedoria. Seu cerebro jamais perdera as primitivas impressoes do sofri- 
mento, ondesedesenvolvedetemposem tempos, umaespeciedejustifica- 
tiva devi nganga, quetambem deixa seu reflexo no cerebro ja mais i lumi na- 
do, levando o sentimento da alma a compreensao de estar ela passando 
relativamente bem, no entanto nao compensa tudo aquilo quepassou. 

4. Assemelha-sea urn velho soldado romano que, em virtudedesua 
idadeeseusferimentos, recebeu do Imperador, umaquintaondesepode 
manter pelo emprego deseu esforgo. velho, porem, resmunga quando 



Jakob Lorber 

430 

observa su as cicatrizes, dizendo: N ao deixa deser bom; masepouco para 
quern, como eu, arriscou sua vida por Cesar, povo e patria! M eus vizi- 
nhosnuncalutaram contra um inimigo mau e potente; tern umasaude 
perfeita e podem tratar da lavoura. Se ben quetenha empregados, nao 
possodeixardetrabalhar, casoqueiraalgoorganizado. Imperadordis- 
pensou-medosimpostosedo dizimo, asam como osmeusdescendentes 
ateaquintageracao, caso um demeusfilhosuseafarda. E o quefaltava, 
- eu pagar impostosimperiaislMesmo asam, sou mal recompensado! 

5. De modo identico reclamam as almas do primeiro Ceu, mor- 
mentequando selembram daquilo quepassaram, sendo como espiritos, 
obrigadosa trabalhar com afinco para o seu sustento, tal qual fizeram na 
Terra, apenascom adiferencadenao poderem angariar benssuperfluos 
NoAlem nadadistosucede, porquantoosguiasdasagremiagoesespiri- 
tuais sabe impedi-lo, de qualquer maneira. Asam sendo, tais almas 
desencamadasnuncasao inteiramentefelizes, porsentirem sempreuma 
carencia em seu estado pa'quico. 

6. Claro e existir nelas grande deficiencia, que jamais podera ser 
suplantada por faltar-lhes os elementos basicos. Podem ser comparadas 
aspessoasquetanto almejam voarqual passaro eseentristecem porque 
Ihesevedado aquilo quealegra muitasaves, em grau elevado. Deque 
adiantam taisqueixumes?Faltam-lhesoselementos basicos, inalcancaveis, 
nao obstante todo resmungar. 

7. Demonstrei-teCirenius, eaosdemais, osresultadosqueesperam 
umaalma no Alem, pelatendencia, mundana porquanto nada Ihepodeia 
ser util, a nao ser M inha rdem quetudo abrange; ou entao sera preciso 
dissolver sua natureza e suplanta-la por outra, fator que pouco resolveria. 

8. Cadaalmateradesedesenvolveraqui,comfacilidadeenoAlem, 
com dificuldade; para isto recebeu os meios necessarios N ao o fazendo 
aqui, por sedeixar envolver pelo mundo eseustesourostentadores, tera 
derealiza-lo no Espago. A maneira pela qual isto se da, vosfoi devida- 
mentedemonstradaeesclarecida porqueo vosso coragao seafligia. N ao 
sou culpado de vossas expressoes tristonhas, tao pouco posso alterar a 
rdem.Tresvezestres, sempreserao noveejamaissetelA macieirasem- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

431 



predara magas e a f i guei ra f i gos! 



239. Efeito duma EDUCAgAo Falha Sobre o Cerebro 

1. (0 Senhor): "A fim decompreendermosesteassunto maisafun- 
do, anal isaremoso cerebro a esquerda, em seusperiodosdedesenvolvi- 
mento. Ainda seachainalteravel comofoi aonascer. Veremosqual aspec- 
toecortomaraquandoacrianga, aposcincoanosdeidade, esubmetida 
aos principios duma educagao errada, comegando a perturbar sua me- 
moria, com todasortedecoisasaserem decoradas. 

2. Q uero, neste momenta, que sejam gravadas no cerebro, as pri- 
meiras impressoes mundanas! bservai com atengao como os obeliscos 
deumaou outra piramide, esparsas, comegam desajeitadamenteecom 
movimentos vagarosos, a rabiscar numa faceta, o quadro fraco duma 
impressao, com substancia negra. 

3. A primeira tentativa nada mais e que uma rabisqueira confusa, 
razao porqueaalmadacriangacusta, no comego, aformar ideiadaquilo 
quelheedito. E preciso repetir-seedemonstrar-seumascem vezes, ate 
queconsigagravar uma impressao, sebem que confusa. 

4. A causa disto, baseia-se, primeiro, na formagao incompleta das 
poucas facetas, entre si desordenadas Os lapis (obeliscos) a sua frente 
tambem ainda, completamentefracose inaptos, sao forgadoscom vio- 
lencia, adesen harem nas facetas virgens, sem a devida pratica surgida do 
sentimento, edesprovidas da justa substancia, isto e, ainda nao prepara- 
dasparatal fim. Por isto, o quadro sedesmanchasemprede novo e, nao 
raro, tern deser desenhado acentesima vez pelo lapis violado, ate que se 
destaqueuma impressao apenasfraca. 

5. Q ual o lucro paraaalmadumafigurasombreada?Vesomenteos 
fracoscontornos, poislongeestaa possibilidadedepenetragao no assun- 
to. Q uem poderia vislumbrar da fraca sombra dealguem, sua constitui- 
gao interna? Atravesderepetidasviolenciaseesforgos, asfacetasprestaveis 



Jakob Lorber 

432 

sao, na maior parte, lambuzadas com tinta preta; a propria doutrina de 
Deuselaincluidacomatabuada. E aformagaodosentimentoconsiste 
apenas nashorasdedescanso do estudo material. 

6. Somenteaposter o jovem estudioso terminado seu curso econse- 
guido emprego, seu coragao se liberta mais; comega a se interessar pelas 
mogas, a fim de casar-se. A epoca da paixao e para de ainda a melhor, 
porquanto advem a sua alma, uma certa excitagao se bem quedeordem 
inferior, pda qual se projeta urn pouco de luz em seu cerebro. Com a 
ajuda desta fraca iluminagao, comega a discernir de modo mais pratico, 
aquilo que aprendeu com tanto sacrificio e durante longo tempo, tor- 
nando-seum individuo maisdicaz para sua profissao mundana. 

7. Criaturasquenem por este amor sao tocadas, perduram pedan- 
tes, excesavamenteegoistaseestoicas, incapazesdedevar-seporum fio 
decabdo alem desuasfacetaslambuzadaseestereotipadaseseentretem 
apenas com assilhuetascerebrais, nao muito numerosas; asquerestam, 
sao negras, confusas, indefinivds para a visao psiquica. 

8. Por isto, e a alma detal estoico, intdramentecega. Assim como 
alguem deboa visao ecompletamentecego numa noitedetrevasemal se 
locomovepdo tato, a alma dum egoista nao podediscemir o queseacha 
desenhado em suas facetas. Q uando numa formagao cerebral tao erro- 
nea, ondeso pdo constanterabiscar dumafaceta segrava urn quadra de 
modo estereotipico eplastico, nao existir devagao desentimento que I he 
facultealguma luz no cerebro, e a alma obrigada a dedicar-seao tato de 
suasimpressoesobtusas 

9. Sendoesteounicomdoalhefacultarseu conhecimento, com- 
preende-sepor quetal psique, em todososatos, etao pedanteeafetada, 
acdtando somente aquilo que possa apalpar e reter materialmente. N o 
final, tomatudo queve no mundo exterior por ilusao deotica; eo que 
ouve, por mentira. Apenaseverdadereal, o quepodetocar. Facil efazer- 
seuma idea da sabedoriaeculturaespirituaisdesta alma, pdo queacabo 
dedemonstrar eexemplificar. 

10. bservai mais uma vez o cerebro a esquerda: representa a cama- 
ra escura do saber dum sabio estereotipico do mundo, etu, Cirenius, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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dotado de boa visao, poderas relatar tuas observacoes!" 



240. Cerebro dum Intectual 

1. D izC irenius: "Senhor, tanto o cerebro anterior quanto o posteri- 
or sao de cor acinzentada na superficie; o proprio Sol nao penetra no 
interior escuroeospontinhosmaisclaros, nadarepresentam. Com isto, 
ja termino minha analise e poderia apenas indagar qual a rdacao futura 
destecerebro atrofiado, com asdemaisformas, que, na maioria, nao apre- 
sentam estrutura piramidal?" 

2. Respondo: "Taisformacoes, nadamaissaoqueverdaddrosdesertos 
despertando na alma o sentimento desagradavd datremenda ignorancia. 
Secomegaresadaratalpes5oaexplicag6esdascoisasesituag6esmaiseleva- 
dasetranscendentais, serasconvidadoacalar-te; poisserefletissesobretais 
assuntos, tornar-se-ia louca. N ao e possivd falar-se a essas criaturas, por 
faltar-lhesadevidacompreensao.Jasentemdificuldadecomascoisasnatu- 
raise mundanas, quanto maiscom as el evadase sublimes 

3. Urn boi tambem possui boca, consideravel lingua, dentesemes- 
mo voz. Deveriaportanto, aprenderafalar; experimentaeem vinteanos 
veja se ele e capaz de pronunciar uma so silaba! Afirmo-te, no entanto, 
existir maior possibilidadedefazer-seum boi falar, doquetransmitir-se 
algo transcendental a urn homem dotado detal cerebro. M al teatrevesa 
dissertar sobre algo que ultrapasse seu horizonte intdectual, caira em 
boasgargalhadas, tomando-te por louco. E seprosseguiresexpondo-lhe 
assuntosfantasticos, enraivecer-se-a enxotando-te porta afora!" 

4. Diz C irenius: "Como pois convence-lo, sendo seu numero 
tao consideravel?" 

5. Digo Eu: "Caso demonstrarem coragoes acessivds, recebendo- 
vos em seus lares, ficai e tratai, antes de mais nada, de vivificar o mais 
possi'vd sua alma ainda animada. Ativar-se-a com isto de tal forma, a 
espargir uma luzno seu cerebro eo calordesta luzporaordem nasfacetas 



Jakob Lorber 

434 

cerebrais Essaspessoastomar-se-ao maisaptasa um ensinamento eleva- 
do, subindo dedegrau em degrau a luz maispura. 

6. Aovosaproximardesdu ma alma total mentemorta, istoe, igno- 
rante, passai de largo! Jamais devereis atirar perolas aos porcos! Com- 
preendei-o bem; quern, no entanto, aindativer duvidasa respeito, quese 
pronuncie. Do contrario, oscerebrosserao daqui tirados." 

7. N isto aproxima-seM arcus, dizendo: "Senhor, esta perto demeio- 
dia. D evo tratar do almoco?" 

8. Digo Eu: "Fazes bem em lembrar-Me! A refeicao para alma e 
espirito provinda de M inha Boca, tern privilegio insuperavel a tua. Por 
isto,saciar-nos-emoscommaisalgunspratosespirituaisatequetedigaa 
horaparaalmocarmos Bom ebom; melhoresempremelhor!" Satisfei- 
to, M arcus e seus fi Ihos aguardam o quese segue. 



241. A Origem do Pecado 

1. Adianta-seO ubratouvishar, dizendo: "Senhor, seria possi'vel que 
meusirmaosbrancos, realmente, ignorassem oqueacabasdeexplicartao 
sabiamente? Entre nos, ate mesmo ascriancaso sabem, GragasaTi; to- 
das das se podem analisar introspectivamente, e sentem imensa alegria 
quando nosrelatam acercade seus maravilhososjardins que descobrem 
dentro desi, de quando em quando. Quefizeram osbrancos, incapaci- 
tando-osdestaanaliseimportantissima?Assimdesfalcadosdesuasfacul- 
dades mais importantes, deixam de ser verdadeiras criaturas para setor- 
narem macacos, apenas mais perfeitos pelo dom da fala. 

2. Causou-nosgrandeadmiracaoao iniciaresasexplicacoesdocere- 
bro, que nos sao mais conhecidas que nossas proprias tabas. N o que diz 
respeito ao total da construcao organica de nosso corpo, nao somos en- 
tendidos; o cerebro, porem, conhecemos de ponta a ponta. M uitas de 
nossas facetas estao vazias, por nao possuirmos com o que grava-las; as 
impregnadas, estao taisquaisTu demonstraste no cerebro perfeito. Dese- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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Java, pois, saber por que osbrancos nao conseguem veraquilo que para 
nosetao visivel. Quefizeram?Quem originou estacalamidade?" 

3. Digo Eu: "N ao indagues do verdadeiro causador! Existe muita 
coisa oculta na rdem de D eus, queas criaturasdesta Terra nao necessi- 
tam saber a fundo. Basta ao homem saber e reconhecer o queseja preciso 
realizar dentro de M inha rdem. Pondo em pratica aquilo que as Leis 
do Ceu indicam, tudo entrara em rdem; detodo o resto cada urn sera 
integrado, umavezqueamea Deusacimadetudo eao proximo como a 
si mesmo, proporcionando-lheo renascimento espiritual. 

4. Trata-se apenas da questao se os irmaos brancos tudo compreen- 
deram e que, caso o homem sinta urn vacuo dentro de si, venha a per- 
guntarsobreoquelheeestranho,afimdequesejabemorientado. Eiso 
que e preciso! Q uanto aquilo que perguntaste, todos saberao ao atingi- 
rem o renascimento deseu espirito!" 

5. Satisfeito com esteensi namento, ubratouvishar volta para o seu 
grupo onde palestra em seu idioma. Entao M athael se adianta e diz: 
"Senhor, nossoamorenossavidaljasendo permitidofazer-seperguntas 
peco em nome de meu sogro, minha querida esposa e de meus quatro 
companheiros, uma elucidacao sobrepequena duvida. Trata-se decerto 
modo duma questao jundica ecreio quecada pessoa quefaga uso desua 
razao, tenha justificativa de externa-la com modestia. Pois e o homem 
desde sua origem, Tua bra e nao a sua propria, o que os Ceus jamais 
poderao contestar. 

6. Assim, parece-meacondutanoAlem das almas pervertidas, urn 
tanto prolongada e dura, considerando Teus M eios de Amor e Poder. 
N ao deixadeser verdadenos teres dado nestesentido explicagoesvaria- 
das, quejustificamTuaO rdem firmadaeestabelecidadesdeEternidades 
Contudo, surge em meu i nti mo a seguinte questao: 

7. E amagaculpadaportersidoarrancadapelaventania?Umaarvo- 
re lascada podeser repreendida, porquanto serviu dealvo a urn raio?0 
marsereno, quando elevasuasvagaspelafuriadatempestade?Q ueculpa 
cabeaserpenteservenenosa?Portodaparteum impeleo outro, efinal- 
mente, ninguem tern culpa deserimpulsionado. 



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8. Umagrandepedradespencou-sedoaltodizimandoum rebanho 
decarneiros. Qual seriaoculpadoapagarodano?Seeu anoitetropecei 
numa pedra, a quern cabea responsabilidade: a noite, a pedraou ao meu 
pecego?Em suma, existeumaquantidadedeindagagoesdubias, ondese 
veum verdadeiro ultrajerecfproco dasleisindividuaisdedireito primiti- 
vo. Qual sua origem? 

9. C oisa identica descubro entre as criaturas: estes negros ainda es- 
tao depossedequalidadesprimitivas, enosbrancos, atehoje, nem sus- 
peitavamos tais fenomenos Por que? Consta que em virtude de nossa 
perversao psiquica, que levou a alma a se perder, pois o cerebro humano 
ja era pervertido no ventre materno e recebeu ainda urn acrescimo por 
sua educagao falha. Francamente, tenho de secundar a indagagao de 
ubratouvishar, perguntando: Q uem o perverteu no comego e quern 
perm itiu que assimsucedesse? Em virtude detal perversao as criaturas so 
poderao quereralgo mau ejamaismelhorarao, enterrando-senuma per- 
versao cadavez mai or! 



242. injustigasaparentesquanto a conduta das 
Almas, Aqui e no Alem 

1. (M athael): "N este mundo, algumas pessoas conseguem criar urn 
pequeno paraiso; em compensagao, milharespassam privagoes, porquenao 
foram tao espertas para alcancar uma vida confortavd. Por isto tornam-se 
vilipendiadorasdesuasalmas, em virtudeda invejaedaira; eo rico porque 
conseguiu abastanca. Tanto urn quanta outro sao condenados 

2. D eixemosasvicissitudesterrenascomo fruto da perversao psiqui- 
ca eobservemos as consequenciastenebrosas no Alem. Fico decabelos 
arrepiadosao imaginaro estado infelizdumaalmaperdida, sejao motivo 
qual forlQuaisseriam aspalavrascapazesdedescreverosofrimentoatroz 
que padece? Somente os piores padecimentos provindos da ira psiquica, 
poderao poresteensino, produzir urn estado demelhora, no queleva, no 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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minimo, algumasEternidadaQ uantas almas seencontrarao em minades 
deanos, napiormiseria moral, afim dedescobrirem, em milenios, urn 
pequeno lenitivo! 

3. Senhor, eisatesequeconclui deTuaspropriasPalavras Conside- 
randoTuaO nipotencia, BondadeeAmorea vista da perversao, decerto 
modo inculpavel de cada alma sofredora, as consequencias horrendas e, 
no final, depadecimentosindescritiveis, aconquistadum Ceu feliz, que 
em nada e melhor que o estado de escravidao neste planeta, devo, nao 
obstanteTuasGragas recebidas, confessar achar eu tudo isto mui estra- 
nho parao meu raciocmio. E como homem dotado desentimento, des- 
cubro uma injustiga que ultrapassa todasaquelas praticadas, entreascri- 
aturas Agradego, pois, por umaexistenciatao miseravel, - sejasuafina- 
lidadequal for! 

4. D emonstraste, Senhor, queo homem, afim de poder subsistir 
diantedeTua Divindade, tern decriar o seu "eu" espiritual equeTu 
apenas Ihe podes facultar a oportunidade para tanto. Tudo isto me e 
claro. N ao concebo que almas encamadas, desde milenios, no mesmo 
caminho erecebendo educagao falha, tenham desofrer no Alem, duran- 
te Eternidades, para poderem dar urn passo na sua evolugao. Tu M esmo 
nos ensinaste a tratarmos as almas doentias com meiguice, paciencia e 
amor. N ao tendo elas alcangado em vida sua regeneragao, passam para o 
Alem aindaenfermas, ondenao Ihespodeseradministradaumacentelha 
deamoremeiguice. Pensoterchegadoomomentodetrocar-seordeme 
justicaporGracaeAmor! 

5. Naocontestoseramaiorfelicidade, aperfeigaodaalmaunidaao 
espi rito de D eus; a experiencia, no entanto, demonstra que uma dadiva 
perde seu valor, quando sua aquisicao seprolonga esetomadificil. 

6. Admitamosquealguem desejecasar-seejaconhecesuaeleita. Ao 
pedi-laem casamento, sao-lheapresentadascondigoestais, quesomente 
em mil anoselepoderacumprireasdificuldadesaelaligadas,saoquase 
invendveisAcasoedeseadmirarquetal homem acabe por desistirdesta 
uniao, casando-se, finalmente, com moga samples cujas pretensoes sao 
maismodestas?! 



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7. N esteponto nao posso concordar, Senhor; talvez por umafraque- 
za de coracao. E como nos convidaste a fazer indagagoes, levanto esta 
duvida. PoderiaTua G raga conceder-me uma explicagao?" 



243. A Natureza Divina. Peso Necessario 

DASPROVAgOES 

1. Digo Eu: "Eiso ponto quedescobri em muitosdevos, aposa 
explicagao do cerebro, por isto vosconvidei a perguntardes. Entende-se 
queDeus, desdeEtemidades, o Amor Purissi mo emaisElevado, jamais 
podera ser destituido desentimento; poisaplicaratodososmdosao Seu 
alcance, afim desalvar uma alma, sejasuatendenciaqual for. N ao pode, 
todavia, tirar-lheo "ai" individual, esim deixa-lo efazercom queaalma 
passe por estados a Ihetrazerem alguma experiencia. 

2. N urn caso extremo, este caminho so pode ser muito longo, no 
quecabeaculpaapenasaalmaquesetomouexcessivamenteobstinadae 
teimosa em virtudedesua imperfdgao. 

3. N isto se positiva sua propria vontade i rredutivd : ela assi m o quer 
esemprefara o que Iheconvier. U ma reagao onipotente Ihetraria padeci- 
mentosatrozes. A maissuaveinfluenciajaprovocadoresindiziveis; qual 
nao seriao efeito duma insufladao maisforte? 

4. Deuseem Si omaximofogodetodofogoea maisforte Luzde 
toda luz! Q uem suportaria urn fogo nao sendo o proprio fogo e a luz 
mais intensa, caso nao a possua dentro de si?! Ve o cerebro a esquerda: 
acaso vesndealgum fogo ou luz, mesmo do tamanho dum vaga-lume? 
Q ue nao sera preciso para que de se tome pleno defogo e luz?! 

5. Se Eu comegasse a insuflar com todo o M eu Poder, de subito 
desapareceriam osdoiscerebros a esquerda; dissolver-se-iam naslmguas 
de fogo por ti conhecidas, dispersando-se ate que a M inha Vontade as 
retivesseeformasseum novo ser. Mas, queseriadesuaatual existencia?! 

6. M inha Ordem etemamente imutavd impede, justamente, que 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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uma entidade jamais ven ha ser destruida em sua esfera psi'quica, inte- 
grando-se num outro ser, onde perderia sua individualidade primitiva. 
M esmo levando epocastao extensasatesua perfeicao, a alma perdura no 
eu individual e reconhecer-se-a como tal para todo o sempre. Isto, por 
certo, e mais confortador do que a possibilidade dela ser inteiramente 
dizimadaetransplantada num outro individuo, perdendo, forcosamen- 
te, toda a recordacao duma existencia anterior etao pouco daquilo resta- 
riaumvestigiosequer. Paraquefinalidadeentaoumavidaanteriormente 
independenteelivre?Acaso seriao homem maisprivilegiado que urn 
verme no po?! 

7. A vida ulterior egeralmenteabengoada com variasvicissitudeseo 
homem, sejaateum principe,teradepassarumastantasprovagoespeno- 
sas, ateofimdesuavida. H aviafeito mil pianos que pretendiaexecutar 
damelhor maneira; surgiam, porem, osimpedimentosimprevistos, dei- 
tando tudo por terra. Era cumulado dedoencas, aborredmentos, - em 
suma, a urn diafelizseguiam, no minimo, cinco nadaagradaveis, enum 
ano o homem certamente podera enumerar trinta dias pessimos! 



244. "Eu" Individual Como Causador de 
Seu Destino 

1. (0 Senhor): "Analisando a vida humana mesmo em seu aspecto 
favoravel, nota-sefacilmentequenadaedado degragaao homem. Desde 
o rei ateo mendigo, cada urn tern deenfrentar lutasqueem absoluto sao 
agradaveis. Q uando crianga eelecastigado com fraquezas; quando adul- 
to, com preocupacoes, e como anciao com ambas as coisas, - e a hora 
derradeira por ninguem econsiderada agradavel. 

2. Destemodo, avidaterrenarastejaentrecardoseabrolhos, equem 
naoosaprecia, nadadebom teradecontaraoaproximar-seofim; quan- 
ta maisegoista, tanto mais ofensas tern de registrar. Q uem, no entanto, 
desprovido de amor-proprio nao se afligiu com os contratempos, tao 



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440 

pouco ligou aos espinhos a Ihe ferirem sua personal idade; quern nao 
deixou-se abalar por variados sofrimentos f f si cos, pobreza, fome e sede, 
frio, roupas desapropriadas e inadequadas habitacoes, - podera no fim 
da vida rdatar assutilezasagradaveispor quepassou, enquanto atemes- 
mo um rei, com todo incenso espargido, no termi no desua carrei ra so se 
queixaradesuadesdita. 

3. ndeestaria o regentequetivesseexecutado todos os projetos que 
idealizara no inicio desuagestao?! Sendo isto impossivd, eno final desco- 
brindo graves erroscometidos, toma-se infdiz, tanto queefato conhecido, 
os reis morrerem geralmenteem consequenciadum desgosto fntimo. 

4. Assim sendo, o homem determina sua propria evolucao na plena 
conscienciadeseu "eu", quelheassistedurantesuavidadeprovacoes. Se 
o fez dentro de M inha rdem, nao levaremos em conta; pois de qual- 
quer maneira, avidaterrena Iheproporcionou mais amarguras que ale- 
grias Porestemotivo, osgrandessabiospagaosa ninguem queriam de- 
clarar por feliz, somente consideravam bem-aventurados os que jaziam 
nossepulcros. 

5. Qual seria entao o lucro duma alma por todos os sofrimentos 
passados, se ao deixar seu corpo, perdesse a consciencia de seu "eu" 
indestrutfvd, ou seeste fosse disperso em milharesdeoutrasentidades?! 
Algum de vos poderia estar satisfeito com tal ordem? Certamente que 
nao. Penso, ser melhor deixar as coisas dentro da antiga organizagao e 
evitar, antes demaisnada, amenor interferenciana individualidadepor 
mais perversa que sej a. 

6. Sabeis perfeitamente ser apenas possivel o "eu" setornar fdiz por 
completo quando, pda propriadeterminagao, setiver integrado deM inha 
rdem. Por isto vosdoutrind quasesetediasevosreconduzi abaseprimi- 
tivadasCriagoesespirituaisenaturais Demodoidenticovosdemonstrd, 
porpalavraseexemplosvivos, naoserpossivd umaalmaalcangarafdicida- 
de, enquanto nao resolversubmeter-sea M inha rdem. Como poispode- 
ra existir dentro de M im o mais leve vestigio de inclemencia, dureza e 
injustica?Talvez pretendasdenominar dedureza o quesetoma necessario 
para a vida individual?! Isto somente sera admissivd caso M inha Paciencia 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

441 



elndulgenciafossem apenasum grau menos poderosas! 



245. Desenvolvimento Independente das Almas 
Destinadasa FniAgAo Divina 

1. (0 Senhor): "Tu, Mathael, afirmando quefinalmentea culpa 
caberiaaM im, as criaturas no decorrerdos tempos terem caidoemten- 
dencia maldosa, ondeforgosamenteteriam de perecer, fago a seguinte 
objegao: Almas como as destes negros, ate entao nao eram destinadas a 
Filiagao Divina eaquilo que representam,foi-lhessuficienteuma perfei- 
gao psi'quica estereotipicamente conservada. N ao deve ser considerada 
como efeito peculiar deseu desenvolvimento por excel encia, maslhesfoi 
conferida tal qual sua epiderme preta. Ao quererem tambem alcangar a 
Filiagao deDeus, nadadisto Ihes sera dado, senaoapenasaDoutrina. 

2. Se pela livre vontade resolverem conquistar a perfeicao de sua 
alma, despertando assim o M eu Espirito deAmor, serao identicosa vos 
E nquanto sua perfeicao psiquica por doi stergos e conferida e apenas urn 
tergo conquistada, nao poderao despertar o espi rito dentro desi eperma- 
necerao no Alem aquilo queforam aqui: almas perfeitas, porem duma 
felicidadeinstintiva, ondeoslimitesda bem-aventuranca, forgosamente, 
teraodeserfixos. 

3. A consequencia duma dadiva, jamais pode ser uma conquista 
propria, poissealguem tederacabega, consequentementeter-te-adado 
troncoemembros Ou pensasquetenham elessurgidodacabega? 

4. Coisadiferentesucedecom umaalmaquedeterminesuaevolugao, 
pelo Verbo D ivino assim ilado.Tudo quetem eposse plena, deonde pode- 
raconstruirmil Ceus; possui suapropriamateViaeaforgaespiritual desper- 
ta, atravs do amor que Ihefaculta a conquista da Perfeigao do Pai C deste 

5. Com almassemelhantesadosnegrosefacil lidar-seno Alem, pois 
sua posse e individual, portanto sera sempre deles Jamais vem a sentir 
necessidadededevagao; sao inteiramentefdizesquaisabd has ao en contra- 



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442 

rem umaflorde nectar; desta forma supri das, naoaspiram outro objetivo. 

6. Com umaalmaempenhadaem suaevolugaoocorrecoisadiversa. 
A fim de realizar este ideal, preciso e facultar-lhe os meios necessarios 
pelosquaisindubitavelmenteatingiraaperfeigao.Taiscondigoesnunca 
sao impostasaalma, esim, acham-seaseu alcancetal qual os materials 
dum sabio construtor. Elefarao uso convenienteeedificara uma habita- 
caoaseu gosto, obra suae nao de quern Iheforneceu a materia. Setiveres 
a tua disposicao os melhores apetrechos para uma obra, no entanto nao 
poes maosao trabalho, chamando urn construtor qualquer, acaso pode- 
ras afirmar ser o resultado tua propria realizagao? Jamais; sera obra da- 
quele que efetuou a construcao dentro de sua nocao e bom senso. 

7. D omesmomodo nao sao as almas dosnegros sua propria posse, 
e muito embora perfeitas, pouco eles contribuiram para tal fim. Assim 
sendo, por ora nao poderao alcancar a Fi liacao D ivina ecaso seconferisse 
tal possibilidadeaalguns, suasalmasdeprontosetomariam menos per- 
feitas. U ma vezquea psique, destinada atal finalidade, so podera receber 
o material para a construcao por si mesma, ealem disto o ensinamento 
decomo efetua-la, compreende-sequeatemesmo no Alem, da nao po- 
dera receber urn acrescimo, caso deva permanecer em sua individualida- 
de. Pormaispervertidaqueseja, nao podeser atingida pela M inhaOni- 
potencia, mas recebera o necessario, dentro desua capacidade receptiva; 
jamais podera ser cumulada alem de suasforcas. 



246. Porque M otivo Deus Determina a PerfeicAo 
Independente duma Alma 

1. (0 Senhor): "Acontece, sergeralmenteumaalmapervertidamuito 
fraca, desorteaserincapazdesustentar sua forma humana, apresentando- 
se no Alem numa caricatura semi-material, e ate mesmo como animal 
complete N esse caso e-lhe transmitida sucessivamente forga maior, sem 
queo perceba; no entanto, apl ica-sea maior precaugao para nao perturbar- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

443 

Ihesua individualidade Alem disto, provocatal auxflio grandesdores, em 
se tratando de uma alma fraca e excessivamente suscetivel e i rritadica. 

2. Se Eu a prouvesse de pronto com demasiada forca do Ceu, el a 
seria levada a doresatrozes pela munificencia celeste, quea tomaria mais 
endurecida que urn diamante, impedi ndo a penetracao de qualquer au- 
xflio; anaoserquefosse completamentedissolvida, sofrendo aalmatrau- 
madificilmenteequilibravel, por uma reagao propria. Sua conscienciase 
perderia por milhoes de anos terraqueos, para depois comecar a se 
concatenar e reconhecer, fator muito mais diffcil em seu estado livree 
incorporeo, do queaqui ondedispoeparatanto do corpo como instru- 
mento utilissimo. 

3. Foste, caro amigo M athael, atordoado pelo extraordinario per- 
curso indispensavel a evolucao psfquica, porquanto desconheceso que 
sejanecessario, afim deliberar uma almaaponto deal cancaroteu atual 
estado. Quanta tempo calculas se tenha passado, para chegares como 
alma perfeita ao grau que hojeapresentas?Se fosse enumerar-teos anos, 
serias tornado depavorelongeestariasdecompreender seu total. Raphael 
o sabeeentendeem sua profundeza. 

4.Afirmo-tequenenhumaalmadentrev6semaisjovemquetodaa 
C riagao! Sentes mal-estar ao convencer-te serem vossas psiques mais ido- 
sasqueetemidades Acaso deveria Eu M esmo comegar a sentir urn des- 
contentamento por ser Eterno e por ter dado origem a bilhoesdeCria- 
goes preparatorias, por vossa causa e em epocas incalculaveis?! 

5. Caro amigo, criar urn Sol, urn planeta etudo quecomporta, e 
coisa facil e nao requer muito tempo; tao pouco a criacao de almas de 
irracionaisedeplantas ProduzirumaalmaemtudosemelhanteaMim, 
ecoisamuidificilatemesmoparaoCriadorOnipotente, pornaoMeser 
util a nipotencia, senao a maior paciencia, indulgencia esabedoria. 

6. C riando uma alma decompleta semelhanga a M im - isto e, uma 
segunda divindade - pouco posso fazer, enquanto a da compete tudo 
realizar, recebendosomenteosmeiosespirituaisemateriais. Seassim nao 
fosseeexistindo outra posabilidade, por certo Eu, o Espirito Eterno, nao 
M eteria submetido a Encarnagao, em virtudede M eu Amor, para guiar 



Jakob Lorber 

444 

as almas evoluidas ate certo ponto. N ao atravesda M inhaOnipotencia, 
mas unicamente pelo Amor, para dar-lhes urn novo Ensinamento e o 
M eu Espirito Divino, afim dequepossam - casooqueiram com rigor - 
unir-sea M im, no maiscurto tempo possivel. 

7. D igo mais Somente agora se inicia a colheita dos M eus Eternos 
Trabalhos Preparatories, e vos serei s os pri mei rosf i I hos perfeitos> fato que 
dependedevosenaodeMinhaVontade Creio, Mathael, queacharas 
uma desculpa a M eu favor, porquanto agora estas bem informado de 
tudo. Naoeisto?" 



247. A Possessao. A Demorada DivulgacAo 

DO EVANGELHO 

1. Diz Mathael: "Estou perfeitamente orientado, Senhor; todavia 
fui junto com meus colegas, urn verdadeiro diabo e mesmo assim, Tua 
VontadeOnipotentecurou-medemodorapidosemquetivesseperdido 
a consciencia erecordacao do passado. Como foi isto?" 

2. D igo Eu: "Vosso caso foi bem diverso; nao vossas almas earn os 
corposestavam pervertidos, porseteralojado nosintestinosumaquan- 
tidadedemausespiritos. Apossaram-sedo organismo a ponto depode- 
rem agir a bel prazer, enquanto que vossas almas, ainda fracas para uma 
reagao contra tal poder, se retrairam entregando o corpo a desgraca. 

3. Isto, porem, nao ocaaonou o menor dano as almas, poistaispos- 
sessoes so sao permitidas onde habita uma psique amadurecida, detal 
formaque, almasdesencarnadas, perversas, portanto imperfeitas, em nada 
poderao prejudicaraoseaproveitarem dum corpo, para possivel melhoria. 

4. Basta a menor expressaodeM inhaOnipotencia, paraexpulsardo 
fisico ate milhoes de tais elementos, do que te convenceras ainda hoje 
U mavezafastados, o corpo sentiraumafraquezasensrvel queperduraraate 
a almater seapossado do organismo total. Efetuado este processo, a psique 
completamentesadia domina o fisico; foi portanto deque recebeu auxilio 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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atravesM inhaO nipotencia, enaoaalma. Q uando, porem, dedestruir-se 
pela propria vontade, M inhaO nipotencia nao pode socorrer, senao pdo 
Amor, EnsinoePaciencia, porquecadaalmateradecomegaraconstruire 
secompletar com o material adquirido. Compreendes?Caso nao teseja 
claro o assunto, prosseguecom perguntas, poisagoraeaoportunidadedo 
completo esclarecimento, enecessitasdemuita luz, afim deiluminaresos 
outros em todos os sens red ntos trevosos da vida." 

5. D izM athad: "Sen nor, nico SabioePlenodo Amor, desdeEter- 
nidades! Acho-me bem esclarecido e penso nao haver trevas no amago 
vital deminh'alma. Q uanto aos outros, Tu o saberasmdhor. M eu sogro 
e minha esposa certamente ainda alimentarao certas duvidas; com Tua 
GracaeAuxiliopoderd supri-los" 

6. D igo Eu: "Faze-lo, poisdesateentao eram pagaos, dosmdhores, 
e poderia afirmar: Prefiro urn ddes, a mil descendentes de Israel, em 
Jerusalem enasdozecidadesdaTerraAbencoada! N adaquerem ouvir ou 
saber de u m D eus proxi mo. D ao preferencia a D eus afastado no I nf i n ito 
que, deacordo com sua ignorancia, poderia ser enganado com maior 
facilidade. Q uetremendo en gano dosjudeus! Q ue mais poderia sefazer 
senao reconduzir com toda paciencia e ate mesmo com o sacrificio da 
propriavida, caso fosse necessario, ascriaturasatravesdaDoutrinaeagoes 
evidentes, a Luz Primaria detodo Ser e Vida?! 

7. Eis a tarefa que impus a M im M esmo e apresentada a vos que 
terdsdepassar a outrem! N ao esperdsser isto possivd em pouco tempo. 
D igo- vos: Em mil epoucosanos,ametadedapovoagaodaTerranaotera 
conhecimento destas M inhas Palavras 

8. A questaoem si, nao sera por isto prejudicada; poisnoAlem sera 
pregadoeste Evangdho aos espiritosdetodos os Continentes Sede, por- 
tanto, chdosdezdoenquanto vivos, poisajusta Filiagao Divina parao 
M eu C eu de Amor mais recondito e puro, so podera ser alcangada aqui ! 
Parao primdroesegundo, poder-se-acuidar ainda no Alem. 



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248. M ilagresEfetuadosem Tempo Oportuno 

1. (0 Senhor): "Tu, M athad, estasplenamenteorientado, isto e, a 
medida queuma alma possa estar elucidada enquanto nao for completa- 
mente una com oespirito; faze com queteu conhecimentoaclaretodos 
os teus irmaos! Desperta tambem tua fe no poder de M eu N ome; so- 
mentecom Elepoderas, em caso denecessidade, operar milagres, afim 
dedespertarnascriaturasaprimdrafagulhadefeem M im. 

2. Q uem prega o M eu Verbo aos homens e no entanto nada pode 
realizar pdo poder do mesmo, eainda urn servo fraco Daqudequeo en- 
viou a levar aos povos da Terra a Boa N ova detoda Vida, vinda dosCeus 

3. N ao quero com isto dizer, ser preciso urn justo apostolo de M i- 
nha Doutrina viver produzindo feitos milagrosos, a fim de conseguir a 
acdtacao da mesma. Em absoluto; pois a Verdade tern de falar por si 
mesma ecaso nao seja compreendida, deveser explicada atequetodosa 
assimilem. Surgem, no entanto, ocasioes onde uma explicacao apenas, 
naoesuficienteapovosaindaembrutecidos; nestecaso, eindispensavd 
aclarar-sea explicacao por meio deprovas. 

4. N unca, porem, devem ser estonteantes o que provocaria medo e 
pavor, por isto, cairiam forcosamenteem condenacao. A almaassim nada 
conseguiriaparao livredesenvolvimento individual. 

5. Por conseguinte, deve uma prova assumir sempretal carater, de 
modo a constitu i r especial beneficio,comosefosseconsequenciadafede 
quern recebeu a prova; alem disto, nuncadeveseafastartanto da natura- 
lidade, a impossibi I itar explicacao natural dum suposto sabio do mundo. 
Para essas pessoas, a prova deve causar estupefacao, nunca, porem, 
convence-lasinteramente, poispossuem tantacapacidadedecompreen- 
sao, quereconhecerao uma verdade sem prova. 

6. N estaepocademagosefeticeros, podem serosmilagresdeefe- 
to surpreendente, porquanto as pessoas j a vi ram maisdecem, efetuados 
por magospersaseegipcios; aquilo queporventura por vosfosseapresen- 
tado, nao causariagrandeimpressao sobreosintdectuais 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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7. Outrossim, somosrodeados por essenios, produzindo magiasdi- 
antedo povo ignorante, para, com o tempo, conquista-lo. Destemodo, 
nosso feito milagroso de teor mais forte, surpreende as massas, se bem 
que nao as convence. Eisajusta medida, porquanto nao seria beneficio, 
sefizessemosainda maior alardepor meio de milagres 

8. Eu curandotodasasmolestiaseatemesmodespertandomortos, 
nao produz grande surpresa, em virtude dos essenios; os templarios se 
enchem de raiva, pois, de ha muito, desejam ver-se livres dessa praga. 
DesdequeestaO rdem ocultistatambem seexpandiu najudeia, ascuras 
milagrosasdosfariseusnaomaislhestrazem renda, mormentea vista das 
ressurreicoesespetaculares dos essenios, cujo segredo bem conhecemos, 
enquanto oTempio tudo ignora. 

9. Ate se pode considerar paradoxo Eu Proprio levar agua ao moi- 
nho dos essenios; ainda ouvireis dizer que sou adepto dessa rdem e 
trabalho para o seu progresso, enquanto de mesmo opina poder, em 
breve, dominar moralmenteo mundo inteiro. Assim sendo, e, por ora, 
nao contra nos, e nos serve sem o querer. Ameniza, em maior parte, 
nossas provas diante do povo que, deste modo, continua com margem 
considered paraseuspensamentosecriterios Docontrario, naopode- 
rf amos agi r tao I i beral mente. 

10. Por isto, provi tudo para esta epoca, deixando quesurgissem 
oportunidades, ondefacilmenteesem interferenciaalheia, pudessemos 
agir para a verdadeira salvagao da H umanidade, sem obriga-la em sua 
aceitacao. Ao observador superficial, nossos importantes milagres nao 
produzem alarde nesta epoca. Somente quern seaprofundou em nossa 
causa, naturalmente achara enorme diferenga, entre os M eus e os dos 
magos e essenios. Tal pessoa, todavia, nao sofrera dano psiquico por tal 
nogao, porquanto tinhadereconhecer primeiro, averdade, antes deser 
capaz deencontrar a real diferenga: eela portanto pura eao puro, tudo se 
torna puro. 



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249. A Atitude Milagrosana DivulgagAo da 

DOUTRINADO SENHOR 

1.(0 Senhor):"Poderiafacilmentedarprovas, em Jerusalem, a ponto 
deal gem arseushabitantesnumafeinabalavel aM im;mas..,quefeseria 
esta?A deum escravo levado pelo pavoremedo, portanto urn julgamen- 
to deonde, nem daqui avariosmil anos, poder-se-ia libertar. 

2. A fe cega e fanatica, baseada ou na verdade ou na mentira, nao 
tern real valor paraavidaedificilmentelivrar-se-aum povoassim subju- 
gado. Enquanto ele permanece no fanatismo, acha-se espi ritual mente 
em julgamento, na pior escravidao pslquica, e nao se Ihe pode auxiliar, 
nem aqui nem no Espago. Somente por urn ensino prolongado, por 
palavraseacoes, atravesdumaexplicagao incisivaecompreensivel sobre 
aquilo que prendia a alma do povo, conseguir-se-a convence-lo. 

3. melhor meio e: maldade, falsidade e mentira dos sacerdotes 
que surgiam como cogumelos na divulgacao religiosa, impondo-se ao 
povo como representantes das divindades; no comego eram meigos 
exortadores, doutrin adores, consoladoresesocorristas; maistarde, ten- 
do-seapossadoda3mpatiapopular,apresentavam-secomojuizes,algozes 
e soberanos dos proprios regentes. 

4. E ntao, geralmente, a plebecomega a descobrir suastraficancias; a 
antigacrenga fan aticafraquejaeasduvidassaocadavezmai ores; denada 
adianta querer remenda-la esao poucosa resistirem, na primeira oportu- 
nidade, em trocar a roupa velha por uma nova. Ate que urn povo seja 
levado a tal ponto, passarao no minimoalgunsmilenios. 

5. Por isto, sede cautelosos na divulgacao de M inha Doutrina; a 
ninguem deve ser imposta, nem pela espada, tao pouco por milagres 
ressaltantes ferimento pela arma ecuravel, a dum milagreexcepcio- 
nalmenteraro, quasenunca. 

6. nde a palavra for suficiente, abstende-vos de provas, que ate hoje 
foram os mdos aplicados pdos falsos profetas aumentando sempre a ce- 
gueiradospovosignorantes Devem serapenasusadasem casosdenecesa- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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dade; visitaresdiversos pagans cujossacerdotessabem produzir milagrese 
fazer profecias, que semprese real izavam em virtudedeumaapresentagao 
dubiaou pormeiospreviamentecombinadosTudo isto, por sugestao de 
Satanaz e seus anjos, man ifesta pela ma vontade dos homens 

7. Diantedetaisfalsosprofetaseaconsdhavel aproducaodum mi- 
lagre, ou explicar-seao povo bem intencionado, asfraudesdosacerdocio; 
deste modo, este comecara a suspeitar da acao dos sacerdotes e tereis 
causa ganha. 

8. Emseguidapodereisdarumaprovabenefica,comoseja:acurade 
variosenfermospelo passe, em M eu N ome; dequando em quando, saci- 
arfamintosesedentos; afastar urn temporal destruidor, pronunciando o 
M eu N ome contra as nuvens perigosas que, nestas ocasioes, sao geral- 
mente cheias de elementos perversos e maus Assim agindo, nao apri- 
sionareisasalmasdascriaturas, masasconduzireiscaminhoaberto, qual 
bom pastor guia seus cordeirosqueoseguiraodelivre vontade, passoa 
passo, porquanto so Ihes aguarda o Bem. Agora sabes, M athael e teus 
quatro colegas, como proceder futuramente, dentro de M inha Vontade, 
napropagagaodeM eu Verbo, porpalavraseatitudes, com ospovosque 
iras govern ar. 



250. DlFICULDADESNA PROPAGAgAO DA PURA DOUTRINA 

1. (0 Senhor): "Encontraras, mormenteno N ortedeteu reino, que 
futuramente sera o maior do mundo, pagaos, atrasadissimos, ondesera 
dificil implantar-seaLuzdaVerdade;todavia, nao Ihes imponhasviolen- 
cia atravesdeteu poder conferido. Q uando necessario, poderastrata-los 
com rigor; nunca, porem, com armasou provasextraordinarias A espa- 
da Ihestirara, apenasextemamente, a superstigao arraigada, enquanto a 
positivariamuito maisem seu intimo. Com uma prova berrante, apenas 
conseguiriasa troca dum fanatismo. s povosque vissem teus milagres, 
destacariam-seem breve como maioresinimigosdeseusvizinhosainda 



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descrentes; osperseguiriam com fogo earmas, eosdecrencaantigafari- 
am o mesmo aosoutros Q ual seria a vantagem disto? 

2. Sendo M inhaDoutrinaumaverdadeiramensagem dePaz, vinda 
dosCeus, naodevecausardiscordia, guerraecontendaentreos horn ens 
epovos da Terra. Istotudodeveserevitadodequalquer forma. SeEu o 
quisesseimpedir, bastavasubjugar-vosaoPoderdeM inhaVontadeOni- 
potente, onde serieis incapazes de pensar ou agir de modo contrario; 
mas, que seria de vosso livre arbitrio? Se Eu tal quisesse, nao precisaria 
tomar came neste mundo, pois M inha Eterna nipotencia vos poderia 
forcar a falar e agir, de acordo com a Sua Vontade, como aquela que 
induziu osprofetasnestesentido. Acasoterieisbeneficioscom isto?Ter- 
vos-ieis tornado semelhantes a estesnegros- criaturasde almas perfeitas 
daNatureza- dificilmente, porem, f i I hos perf eitos de D eus. 

3. A fim devoseducar, para todosos tempos, como divulgadores 
inteiramentelivresdeMeu Verbo, Eu vim aTerra onde erigi ovivei rode 
Meusfilhos. D eveisouvir a DoutrinapelaM inha Propria Boca, analisa- 
laetransmiti-laentreospovos; quern a receber em pureza, delivre von- 
tade, tambem aceitara, de modo livre, a esperanca a bem-aventurada 
filiacaodeDeus. 

4. Q uem nao a receber desta forma, maspor meiosviolentos, ficara 
excluidodesta esperanca ate que resolva- aqui ou noAlem - dedicar-se 
demodo proprio, a M im ea M eu Verbo Puro, aceitando-o como orien- 
tagao segura para sua vida. 

5. Infelizmenteprevejoquedaqui aalgunsanos,quandotivervolta- 
do donde vim, M eu Verbo em geral, tera urn aspecto entristecedor. M as 
tambem vislumbroconservar-seElepuro como o Sol em pequenasCo- 
munidades, ate o fim dos tempos! E is urn grande conforto parao Meu 
Coracao Paternal. N ao vos preocupeis, no entanto, com a evolucao em 
geral, poisdosmuitossuinosjamaisfareisfilosofos; paraestes, bastaum 
chiqueiro. SebemquechameVindeaM imtodosqueestaiscansadose 
sobrecarregados, pois quero saciar-vos!, M inha Chamada de Vida por 
poucos sera ouvida e aplicada! 



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251. A Espada Como M EIO de CoRREgAo Entre 
PovosDescrentes 

1. (0 Senhor): "Tempos virao onde os entendidos de M eu Verbo 
M e procurarao, dizendo: Senhor, tornou-se realmente dificil ser-se hu- 
mano; naosepodepropagaraVerdadesob riscodecastigo, senaooculta- 
mente. Asintengoesdosfalsosprofetassao mentirasevidentes, portanto 
sacrilegio! Pegadaarma, Senhor, e destroi Tojs inimigos antes que seja 
corrompido por complete o Teu C ampo da V ida! 

2. Eu, no entanto, deter-Me-ei por muito tempo, e responded a 
todosquea M im sedirigem: Esperai maisum pouco, atequeamedidase 
complete! Persisti ateofim, quesereisfdizesIA imposicaodomundonao 
danificaravossasalmaspuras, ecomo M eusfilhosprimeiros, quepassaram 
no caminho da carne, por variadas vicissitudes, miseria e sofrimento, 
repousaresmaisproximosdo M eu Coracao, no M eu Reino. N omear-vos- 
ei juizesdo mundo edaqudesquevosafligiram tao injustamente 

3. Em suma: seres identificados como verdadarosdiscipulospdo 
reciproco amor, assim como Eu vos amo a todos, e jamais propagueis 
M eu N ome e M eu Verbo com a espada! 

4. povoqueporventuraseachasseem MinhaLuz Plena e fosse 
ameacadoporrdigioesdeteimosos, ignorantes, inteiramentepagaos, nao 
querendo aceitar a fe em M im, mas perseguissem com odio os M eus 
cordeiros, entao teria chegado o momenta detomar da arma, a fim de, 
para sen pre, af ugentardes os lobos dos reban hos devotos. I sto sendo pre- 
ciso, deve a espada agir com todo rigor para que eles dela se lembrem 
como defensora do M eu N ome. nde surge urn julgamento em M eu 
N ome, deveter aspecto rigoroso. 

5. Contra pagaosinteiramente ignorantes, cujas almas ainda muito 
afastadasdeMinhaOrdem, edemodoalgum compreendendo o Meu 
Verbo, todavia fieis a sua crenca, a espada deve apenas funcionar como 
protegao dasfronteiras, ate que se ten ham submetido a M inhaO rdem; 
isto alcancado, deveaarma representar o sinal dafraternidadeedo amor. 



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6. Outra coisa sera quando pessoas, desde o inicio denominadas 
"Povo deDeus", ensinadaseprotegidas, reagirem constantemente con- 
tra M inha Doutrina, perseguindo-a com zelo maldoso eegoistico; nao 
havera, entao, outra meio, senaoaespadamaisinclemente. Ai delesquan- 
do da comecar a agir; nao ficara uma pedra sobre a outra, e as proprias 
criancas no ventre materno nao ficarao ilesas! Q uem tentar fugir, sera 
alcancado emorto pelasflechas, porquepretendiaserassassino M eu ede 
M eu Verbo, por egoismo e contra sua conviccao intimalTerao detravar 
lutapesada, dondejamaissairaovitoriosososquetiverem deM eenfren- 
tareaosM euslTendes, portanto, umaorientagaocomoequandodevereis 
usar a espada em Meu Nome!Tereiscompreendidotudo7' 

7. D iz M athael: "Senhor, meu amor unico, com tudo quenosescla- 
receste, tao magnan i mamente, nao tenho a menor duvi da dentro de m i m 
eTe agradeco de coracao e anted padamente, por todos os povos que 
conquistarei em virtudedo zelo peloTeu Verbo eTeu Reino!" 

8. AcrescentaC irenius: "Rendo-Teamesmagratidao, Senhor, eatre- 
vo-mefazerpapel deprofeta, sem prestigio, naquiloqueaduzisteaexpli- 
cagao do uso dearmas no povo de D eus: em J erusalem muitos ha mere- 
cedoresdeserem aniquiladospela espada!" 

9. Digo Eu: "Ainda nao; faltam ainda tres obras-primas da mais 
desumana maldade! Somenteaposterem-nas realizado, nao obstante to- 
dos os ensinamentos e advertencias, esta cidade e seus habitantes serao 
castigados com aenormecruz da espada! Aplicaremosao povo a pacien- 
ciadurantemaisdequarentaequatroanoseadverti-lo-emosdadestrui- 
gao, porseteanos, atravesdevariadosmensageiros, aparecimento deal- 
masdesencarnadasedemuitosimportantessinaisnoFirmamento! Ami- 
go, se ate mesmo isto for baldado, tua horrorosa predicao se realizara 
numa extensao vastissima ecom a espada mais impiedosa! Bern quisera 
evita-lo; masaquiloqueaindateradeacontecer, somenteo Pai ecientee 
nenhum outra ser em todo o I nfinito. Q uem por Ele receber a Revelacao 
em tempo oportuno, tambem sabe-lo-a!" 

10. DizC irenius: "M asTu, Senhor, devesestarintegrado, porquan- 
to esem Espirito, o Proprio Pai!" 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

453 

252. Pa i e Filho em Jesus 

1. DigoEu:"Falastebem. Em MimestaoPai em toda a plenitude; 
mas como homemextemo sou apenas Seu Filho, esei em Minna Alma 
somente o que Ele M e queira revelar. Sou a Chama de Seu Amor, e 
M inhaAlmaea Luzdo fogo do Amor Paterno; sabeis, porem, daforma 
milagrosapelaqual a Luzage, constantemente, em todososrecantos. 

2. Sol que irradia a Luz tern maravilhosa constituicao interna e 
intrinseca; esta, porem, so econhecida pelo proprio Sol. A luz exterior 
embora tudo vivifique, nada disto sabe e em parte alguma, projeta urn 
quadra peloqual sepudessevislumbrarsuaorganizacao maisrecondita. 

3. Pai, desdeEternidades, acha-Sedentro de M im; Sua N atureza 
Intrinseca somente Se revela em M inha Alma, quando Ele Proprio o 
quer. Sei de tudo que desdesempreSeocultava no Pai; todavia, o Filho 
ignoramuitacoisaqueoPai acolheem Seu fntimo. E casoodeseje saber, 
teradepedir-Lhe. 

4. Dentroem breveviraahoraem queEleSeuniracompletamente 
com Sua N atureza Intrinseca a M im, o Filho U nico deEternidade, assim 
como o Espirito do Pai em vossas almas, em breve, aelasSeamalgamara 
ainda em vida. Somente entao tudo vos sera revelado pelo Espirito do 
Pai, o queatehojenao eraposslvel. Assim sendo, sabeo Pai muitacoisa 
que Seu Filho ignora. Compreendestes?' 

5. Respondem variosdiscipulos "Eisum ensinamentocomplicado. 
PoisseTu eo Pai soisUnos, como podeElesabermaisqueTu?Naoeso 
Proprio Pai ajulgarpdosTeusultimosEnsinamentos?lstoentendaquem 
puder, - nosnao o compreendemos. Por isto, Senhor, pedimos-Teque 
nosesclarecasmais!" 

6. Digo Eu: "Meusfilhos, quanta tempo terei de suportar-vos ate 
queM ecompreendais?! Falo-voscomo H omem enao compreendeisvosso 
Semelhante?Como quereismaistardeassimilara Palavra PuradeDeus?! 
A fim devoscapacitar paratanto, analisarei o assunto maisdeperto. 

7. Na expressao "Pai", deveis imaginar o corpo de nosso Sol onde 



Jakob Lorber 

454 

existem todasascondicoesnecessarias, paraaconstanteprojecao extraor- 
dinaria de Luz. halo luminoso ao redor do Astro, corresponde a at- 
mosfera terrena que circunda o globo, numa altura de varios mil ho- 
mens,formando- vistodaLua- um aparente disco, gran dee fortemen- 
te luminoso. 

8. Como seformaaatmosferatdurica?Atravesdo processo interno 
daTerra. E o centra telurico, portanto, cheio dear, esomenteo excesso 
considered seacumula por igual, a seu redor. A fim dequeo centra do 
globo produza constantemente ar, precise e que nele exista fogo perma- 
nente, provindo dagrandeatividadedoselementosinternos 

9. Voltemos ao nosso quadra: o fogo interno corresponde ao que 
chamo de'Tai", eoselementosdissolvidospelo mesmo produzindo o ar 
- eaquiloquedenominamosde"alma". 

10. fogo nao poderia subsistir sem o ar, e o ar nao poderia ser 
produzido sem fogo. fogo e portanto igualmentear, eeste tambem e 
fogo; a chama e, do mesmo modo, apenasar, eseuselementosseacham 
na maior atividade; enquanto o ar e puro fogo, permanecendo os de- 
mentosdequeeformado, em estado decalma. E, portanto, fad I com- 
preender-seque, na realidade, fogo ear sao identicos Antes, porem, que 
oselementosdo ar sejam excitadosatecerto grau, o ar continua ar; entre 
o vapor excitado, a ponto de se tornar fogo, e o ar ainda calmo, existe 
grandediferenca. 

11. A luz esta no proprio fogo ee, espi ritualmente falando, o mais 
puro edevado saber e con hedmento; no ar, penetrado pda luz do fogo, 
existe tambem tal nogao, muito embora em grau menor. N o ar calmo, 
sendo excitado a se tornar fogo e luz, tambem semanifestam o maximo 
saber e con hedmento. 

12. Assemdha-se a Terra, com esta organizacao, a um homem: o 
fogo central eo espirito deamor da alma ativa; o ar e identico a alma que 
bem pode ser um demento de fogo, quando intdramente penetrada 
pdo amor do espi rito, isto e, de sua atividade, onde se torna complda- 
mente ligada a de Isto, a alma consegue pdo renasdmento do espirito. 

13. A mesma rdacao deparaisno Sol: em seu centra existe um fogo 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

455 

poderosissimo, cuja forca luminosa ultrapassa de modo indizfvd a po- 
tencia da esfera externa de sua luz. D esta luz, desenvolve-se constante- 
mente, a mais pura atmosfera solar que, em sua superficie, reproduz-se 
como fogo e luz, porem, num grau menor queo proprio fogo edesua 
irradiacao poderosa no centra do Astro. C ontudo e a atmosfera externa 
da luz solar em sua natureza, identica ao fogo central. N ecessita apenas 
desua maxima irritacao para assemelhar-seao fogo interna 

14. Bern, estefogo central do Sol eidentico ao Pai em M im; Eu sou a 
Luzeo Fogo constantementesurgidosdesteFoco Original, deondetudo 
quefoi criado, subsiste Destemodo sou, em M inha Atual Existencia, a 
Projecaodo Pai em M im etudoqueeDdeeM inha Posse, evice-versa. Eu 
e o Pai temos de ser plenamente U nos, apenas com a diferenca de existir 
sempreno Foco Central, conhecimento esaber maisprofundosquena luz 
externa, que D de apenas recebe maior excitagao a medida necessaria. 

15. Poderiaexcitar-M eao mesmo tempo; nestecaso, porem, estarids 
perdidos, como tambem todos os corpos cosmicos ao redor deste Sol; 
uma vez a esfera externa de luz se incendiando na forca do fogo e luz 
solares, seu poder irritariatodososdementosno Espaco, tornando-sede 
urn mar defogo destruidor, infinito epoderoso! interior da materia 
solar e de tal forma constituido a suportar fogo e aguas poderosas que 
constantemente se projetam sobrede, em virtudeda circulacao perma- 
nente, como nascriaturasacirculagao sanguinea; ocupam ofogo nadis- 
solugaoenovaformagaodoar, consequentemente da agua, impedindo 
seja o Sol destruido. M esmo algumas partes sedeantegrando, sao nova- 
mente repostas pda agua, assim seestabdecendo uma ordem constante 
Se anal isardeseste quadra deperto, saberdsquem eo "Pai" eo "Filho", a 
almaeseu espirito. Dizd-Meseistovoseclaro." 



Jakob Lorber 

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253. APARigOEsO corridas Durante o Batismo 
do Senhor 

1. D iz Simon Juda: "Senhor, quandoTedeixaste batizar nasaguas do 
Jordao, vimosumachama em forma depomba sobreTuaCabegaedizi a- 
seser aquilo o Espirito Santo. Tambem seouviu uma voz do Alto: Eiso 
Meu Filho Amado com Quern Mecomprazo; devdsouvi-LolQuefoi 
aquilo? Deondesurgiu aquelachamae quern pronunciou aspalavras?" 

2. D igo Eu: "So podiam ter surgido de M im. Pensas que atras das 
estrelas habita urn Pai no Espago Infinito, quetenha feito descer tanto a 
chamaquantoaspalavras?6 cegueirahumanalSeoPai Eterno habita em 
M im, Seu Filho, tambem Eterno, - como ainda podes perguntar? Presta 
atencao: verasa M esmaChamasobreM i n ha Cabecae tambem ouvi rasas 
M esmas Pal avras!"Todos veem aditachama em formadecruzou depom- 
ba, porquanto esta representa uma cruz, eouvem aquelas palavras 

3. Eu,entaodigo:"FoiestaaVozdoPaiem Mim,eachamasurgiu 
de Minha Infinita Irradiagao deVida, ou seja o Meu Espirito Santo. 
Com preen deisisto?"Todosrespondem em unissono: "Sim, Senhor, tudo 
eclaro!" 

4. Pronuncia-sea seguir M athael: "Senhor, Sabio desde Eternida- 
des, demonstrasteeexplicastecoisas insondaveis, contidas em Tua r- 
dem I nfinita. Tudo que se relaciona a permuta entre C riador e C riagao, 
suascondicoes imutaveismesao clarascomo a luz do Sol. Tua rganiza- 
cao etao sabia, quea maiselevada razao e intelecto, nada poderao desco- 
brir deincoerente. 

5. Somenteao reportar-meao maisdistanterecesso deepocaseeterni- 
dades, penso quetudo queexistecomo: arcanjos, C eus, mundosetc, deve- 
riamtertidoum inicio, docontrario, apossibilidadedesuaexistencia- ao 
menos para mim, - nao seria imaginavel. N uma rdagao positiva, urn ser 
ou coisa jamais tendo tido inicio, tambem nao podeexistir. Porventura 
algo poderiasurgirdo nada, que antes nao fosse porTi pensado?! 

6. Urn Sol central, por exemplo, tinha de ser imaginado porTi, 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

457 

dentro deTuaO rdem gradativa, para que pudesseagir em suaesfera. Sua 
idadeincalculavd, propriamente, nao vem ao caso. 

7. Poder-se-ia enteo aplicar esta sentenga aTua Propria Pessoa, etoda 
Eternidade Perfeita Sedissolveria em nada, sem pontodepartidalTodavia 
meu intdectoeraciocinio claros medizem oseguinte: mesmo reportando 
meus pensamentosa eternidadesatras> nao posso achar um fim nesta mar- 
cha. Perdurao Espago Infinite ecom ele, identicasepocasinfinitas 

8. N este Espago I nfinito, deveria estar presentea forga eterna queo 
condicionou, istoe, um depende do outro. Esta forga devepossuirum 
centra, assim como o proprio Espago que, expressando consciencia ple- 
na, contem em si uma I iberdade infinite; poiscomo poderiaexistir, caso 
disto nao tivesse nogao devadissima?! 

9.0 quevaleparao Espago, tern valia para a forga que ele contem: 
tambem ela devesentir sua existencia. Em suma: tratese de con di goes 
queunicamenteadmitem seu ser. Em sintese, tudo isto eTeu Ser rigi- 
nal ejamais podera ser desconsiderado. 

10. Tu M esmo Es, ameu ver, tao imprescindivdmenteEtemo, como 
todo o resto, em sua consistencia formal, so pode ser temporario. Agora 
surgeoutrapergunta: SetodaaCriagaovisivd einvisivd devetertidoum 
inicio, muitoemboraem epocasinimaginavds, - quefizeste, Senhor, antes 
disto?A julgar pdoTeu Sorriso, minha indagagao foi mal formulada; en- 
trdanto, estou certo de nao ser da sem base D a-nos pequena ducidagao, 
pois minha alma sedenta deseja conhedmento compldo!" 



254. A Grandiosidade da CmAgAo 

1. Digo Eu: "M eu caro amigo M athad, a diferenga intransponivd 
entre Deus e a criatura temporaria - mesmo da mais devada especie - 
persistira portodaa Eternidade; poisDeusem Seu Ser Primarioeem tudo 
Eterno el nfinito; enquanto o homem, nao obstante poderevoluir espiri- 
tualmente para todo osempre jamais atingira a medida Infinite de Deus 



Jakob Lorber 

458 

2. Podeohomem tornar-se identico a Elena Forma, noAmorena 
Sua Forga; nunca, porem, na extensao individual da Sabedoria Infinita 
de D eus D este modo, poderao conter as Etern idades, em seus i numeros 
penodos, muitacoisa no Espago Infinite queospropri os arcanjosjamais 
sonharam. Possuem,atemesmoeles, urnacapacidadedeassimilagaoenor- 
mementereduzida;somenteap6scadaarcanjoterigual aM im, trilhado 
o caminho da carne, sera capaz de maior compreensao, - nunca, no 
Espago Infinite! 

3. Vos, por exemplo, descobrireis eternamente milagres excepcio- 
naisecomegareisinterpreta-losdeacordo com a luzdo espirito em vossa 
alma, sem jamais alcancardes seu fim. Isto e facil compreender-se, ao 
imaginardes ser impossi'vel contar os numeros ate se chegar o termino. 
Eu, sendo em Espirito, desde Eternidades, o M esmo Deus, pensando, 
querendo e agindo atraves do mesmo Amor e Sabedoria, estes forgosa- 
mentesentir-se-ao maisperfeitosefelizes pela bra realizada atraves de 
cada periodo criado, estendendo-sepor Eternidades Vos, ja maisenten- 
didos, podeiscalcular que Eu, assim como o Pai queora Seexpressa por 
M im, ateo periodo atual, nao passei num invernal sono em algum ponto 
infinite no Espago Eterno! M esmo urn periodo naCriagao levando, des- 
deseu inicioatea total perfeigaoespiritual, incontaveisciclosterraqueos, 
- tudo isto nada e comparado ao M eu Ser Eterno, esua extensao inco- 
mensuravel no Espago Infinite, igualmentenadarepresenta! 

4. Tu, M athael, es conhecedor da astronomia egipcia esabes locali- 
zaroRegulosnograndeCao. Comosedestacaatuavista?Num ponti- 
nho luminoso, enquanto na realidadee urn corpo solar tao grande que 
urn raio cuja luz percorre, em quatro segundos, quarenta mil milhas, 
pelos calculos em numeros da Arabia, necessitaria urn trilhao de anos, 
para fazer o trajeto do Polo Norte ao Sul! Seu nome proprio e Urea, 
melhoraindaOuriza(oiniciodaCriagaodebilh6esdes6isdumenxame 
globular); eela a alma ou o ponto central duma galaxia que, entretanto, 
so perfazum nervodoGrandeH omem Cosmico. EsteH omem Imenso, 
tantasgalaxiastem, quanta aTerra possui graosdeareiaecapim, repre- 
sentando apenasum periodo Criador, desdeo inicio ate seu aperfeigoa- 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

459 

mento espiritual. 

5.Tal Urcaemuitomaisaindaumagalaxia, saodetamanhorespd- 
tavd; porem, incalculavdmentemaioreoditoHomem CosmicolMas 
quevem a ser elecomparado ao Espago lnfinito?Tanto, quanta nada! 
Poistodaequalquerlimitagao, muitoemboradetamanho inimaginavel 
para vos, e, em rdagao ao Espago, um nada porquanto nao existepossibi- 
lidadedecomparagao. Agora tepergunto, M athael, sepodesformaruma 
ideiadoassunto?' 

6. D iz de: "Sim, Senhor; mas vejo tambem queTeu Eterno Poder e 
Forga, o Espago Infinite easEtemidadessem fim, comegam atragar-me! 
Fogeao meu alcanceseTecompreendi na realidade; todavia, vislumbro 
queTeuspenodoscriadoresnao podem sercontados, porquanto sao inu- 
meros. Seai osfosseenumerarparatras, comegando pdo presente, nun- 
ca achegaria aqude que se pudesseclassificar de prime ro. 

7. Em suma: Jamais tivesteum inicio, taopoucoasTuasCriagoes, 
muitoemborao Espago pudesseconte-lasaosbilhoesjnaohaveriauma 
quefossea primdra eantesdda nada havia ado criado, porquanto seria 
precedida por outra Eternidade. Q ueteriasfdto deacordo com Tua In- 
dividualidade sempre identica? Espago Infinite nao so comporta as 
Criagoespassadas, mastera lugar para outras tantas, ateo Infinite, que 
em nada poderao aumentar o numero dasja havidas. 

8. numero basico sendo infinite, nao epossivd pensar-senum 
aumento. As vindouras poderao ser enumeradas; nada representam, po- 
rem, diante das passadas 

9. Bastadetaispensamentos, que em virtudedesuagrandiosidade, 
abafam minhaalmapequenina! PossuindoaVidaEterna, Teu Amore 
Graganestazonaabengoada, nem maiscogitoconhecerdepertooSol e 
a Lua! Vejo, agora, minha tolice em perguntar-Te algo inconveniente 
como homem limitado. Perdoa-me, Senhor!" 



Jakob Lorber 

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255. A Encarnacao do Senhor no Atual PerIodo 

DACRIAgAO 

1. Digo Eu: "M ai amigo, nao disseste propriamente uma tolice, 
mas uma indiscricao, demasiado atrevida, para esta existencia na Terra; 
pois enquanto a alma nao se tiver unido a centelha divina dentro deti, 
naopoderascompronderafundotaisassuntos. Quandoem breve tive- 
resalcancado o renascimento espiritual, eno Alem teencontrando como 
entidade espi ritual mente perfeita, muita coisa abarcaras a fundo; toda- 
via, esta compreensao so se estende ao atual periodo criador, em cuja 
ordem todos osprecedentes tern suaconsistencia, amedidadeseu aper- 
feicoamento. Existe, entretanto, entre este e os periodos precedentes - 
bem como entre esta Terra e todos os outros corpos cosmicos - uma 
enormediferenca. 

2. Durante os periodos infinitos que perfaziam oGrandeHomem 
Cosmico, naofui envolvido num planetaqualquerpelaForcadeM inha 
Vontade; correspondia-M e com as criaturas atraves de anjos expressa- 
mente cri ados para tal epoca. Somente o atual periodo tern afinalidade 
dever-M ediantedesi, em forma limitada, eser por M im ensinado num 
pequeno planeta- justamenteesteorbe- paraasCriagoespassadas, bem 
comoasvindourasem Meu Ser Divino Humanizado. 

3. Quiseducar para todos os tern poseEternidadesfuturas, filhos 
verdadeiros e reais, completamente identicos a M im, atraves de M eu 
Amor Paternal, afim dequeComigo regessem todo o Universe 

4. Para consegui-lo, aceitei - Eu, Deus Eterno e Infinite - a 
E ncarnacao para o C entro V ital de M eu Ser D i vi no, a f i m de apresentar- 
M eaosM eus filhos, como Pai visivel epalpavel; ensinar-vosde Propria 
Boca e Coragao, o verdadeiro e divino Amor, Sabedoria e Forca, pelos 
quaisdirigireisComigo, nao so todos os seres do atual ciclo, masospas- 
sadose futures 

5. Tern este, pois, o privilegio quelongeestaisdeabarcarsero unico 
por toda a Eternidadee I nfinito em que M erevesti da natureza humana. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

461 

Escolhi do Grande H omen Cosmico, esta galaxia, no territorio do Sol 
Central chamadoSiriusjentreosduzentosmilhoesdesoiscircunjacentes, 
este nosso; dos inumeros planetas, precisamenteeste, a fim de nele M e 
tornar H omem eeducar-vos para M eusVerdadeirosfilhos, em todo o 
Infinito eEternidades, tanto paraasquepassaram quanta as futuras. Se 
tu, M athael como urn dos mais habeis matematicos, disto te integrares, 
nem Eternidades, tao pouco o Espago Infinito, perturbar-te-ao. 

6. Para a alma por mais sabia, porem finita e limitada, tais nogoes 
perduram como algo queoprimepela incompreensao; isto porem, nao 
aconteceparaoseu espirito perfdtamentedesperto. E elelivreeemtudo 
semdhanteaMimjseu movimentoedetal especiequetodasascondi- 
goesconcernentesao Espago, nadalherepresentam eisto, amigos, euma 
faculdade i mportantissima parao homem espiritual. 

7. Imaginai avdocidadedoscorposcosmicos, conformevosesclare- 
cinoutraocaaao,evereisqueaceleridadedoss6iscentraiselevadaauma 
potencia incalculavd, nada significa diante da rapidez do espirito, por- 
quanto necessitam dum determinado tempo, deacordo com adistancia 
para percorrerem seustramites Ao espirito, adistancia nada diz: tanto o 
"aqui" quanta o mais inconcebivd "acola" para desao identicos. 

8. Alem disto, chamo-te a atengao para o seguinte: do Espirito se 
transmite, - mesmo se ainda nao completamente integrado na alma -, 
uma sensagao peculiar a mesma, como algo puramente espiritual, de 
sortequeimaginatodososacontecimentos, incluindoosmaisremotos, 
como sendo atuais, ou como seo espirito ostivesseassistido qual teste- 
munha ocular. A sensagao da epoca remota de ocorrenci as longmquas e, 
posteriormente, projetada ao cerebro, pda alma restrita. N ela, a recorda- 
gao toma o lugar desta sensagao espiritual, quetodavia nao atualiza o 
fato, maso projeta na epoca em quesucedeu. espirito, porem, sere- 
porta a mesma como se fosse presente, o mesmo fazendo com o futuro, 
dando ao acontedmento inicio ou termino. 

9. Os intdectuaisdenominam esta sensagao puramente espiritual 
daatualizagao defatosocorridosou futuros, de"fantasia". Isto nao seda, 
poisfantasiaeapenasaquiloqueaalmaencaddadeseuestoquedequa- 



Jakob Lorber 

462 

dros, como algo novo e, desta forma, cria alguma coisa nao existente no 
mundo da N atureza. D esta capacidade psi'quica, surgiram todos osape- 
trechos, construcoes, indumentarias, fabulasecontos, cujo fundo rara- 
mentecontem umaverdade plena esim, puramentira. 

10. A mencionadasensagao queatualizafatospassadosou futures* e 
uma particularidadeda vida do espirito e quern for capaz de pensamen- 
tos abstratos, compreendera ter o espirito nada a ver com o Espaco e 
Tempo, portanto domina ambos. 

11. Para ele somente existe Espaco, quando o quer, e nas mesmas 
condicoes, enquadra-setambem o Tempo. Nao o querendo, eleo su- 
planta pelo Eterno Presentedo Passado e Future 

12. Alem desta, poderieisobservaraindaoutracapacidadeespiritual 
dentrodevos, casofosseisbem atentosequeconsisteem poderdesima- 
ginar umacoisa imensa, como sejauma regiao solar, em sua total idade. A 
alma tern deobservarascoisas, atravesdeseussentidosdemodo lento e 
cansativo, a fim de poder chegar a uma compreensao geral. espirito, 
porem, abarca de relance urn Sol Central em seu todo, ate mesmo urn 
sem numero detaisastros com todososseusplanetas; quanta maispode- 
roso for o espirito pelaordemestabelecidadentrodesuaalma,tantomais 
lucidaeacentuadaesuapenetragaonasCriagoes, pormaiscomplicadas, 
doUniverso. 

13. Perguntais com razao, como isto e possivel, e Eu vos digo: da 
mesma forma perfeita como consegue uma alma perfeita dentro da or- 
dem da N atureza, penetrar no amago das almas alhei as, conformevos 
certificastescom osnubios. N ao pode, entretanto, estacapacidadeduma 
alma, apenasem sua manifestacao isolada, ser comparada a do espirito, 
muito em bora sua intensidade, porquanto e limitada, pelo Espago; eela 
somentecapazdepensaresentirsobcertoselementosbasicos,denature- 
za transcendental, e isto tanto mais potente, quanto mais proxima do 
espirito. N urn afastamento maior, nao o consegue mesmo em seu estado 
individual, nao obstante perfeito. Por mais forte que seja sua projegao 
vital, nao podera daqui vislumbrar algo quesuceda na Africa. 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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256. A Esfera Vital da Alma e a do Espirito 

1. (0 Senhor): "Senum estado deextase, o espirito projetasua luz 
original sobreaalma perfeita, aumentaem elevado grau suacapacidade 
de projecao a longadistancia, podendo ela, em taismomentos, alcancar 
estrd asdistanteseanalisa-las corn grandeprecisao. Ao retrair-seo espiri- 
to na alma, dentro da ordem estabelecida, a psique podera projetar-se 
pela propria irradiacao apenas onde, na melhor das hipoteses, algo en- 
contre de afinidade. Assemelha-se sua projecao externa a luz material: 
quanta mais afastada do foco, tanto mais fraca e apagada, ate que apre- 
sente apenas noite e trevas 

2. Tal nao sucedecom a projecao externa do espirito, poise identica 
ao eter que, espalhado pelo Espaco, o preenchecompletamentepor igual. 
Q uando o espirito renascido na alma entra em contato com o eter, seu 
sentir, pensar e perceber se unem ao Imenso Eter Criador, no Espaco 
I nfi nito eas percepcoes D estesao transmitidas, no mesmo momenta, ao 
espirito individual, enquantoaalmafor pen etradaporelequeseachaem 
uniao com a Projecao D ivina. 

3. A diferenca entrea irradiagao externa duma alma perfeita e a do 
espirito e, pois, imensaepodeisterumaleveideiadamaneirapelaqual o 
espirito consegue projetar-se a longa distancia e penetrar o Proprio I nfi- 
nito, atraves dos sentidos da alma, por ser ele em todos os pontes do 
Espaco Eterno o mesmo em sua potencia. 

4. Pela penetracao do Espirito Divino nas almas, nelassemanifes- 
tam partes isoladasdo M esmo eformam umaentidadeunacom Ele, tao 
logo a penetrem, em virtudedo renascimento espiritual. Com isto, em 
absolute, perdem sua individualidade, porque possuem como focosde 
vida a mesma forma humana, sentindo e percebendo pela alma - de 
certo modo o corpo do espirito - aquilo queelacontem como entidade 
intermediaria. Por este motivo pode a alma, penetrada integralmente 
pelo espirito, ver, sentir, ouvir, pensar equerer o mesmo que ele. 

5. Se por esta explicagao clara ainda nao tendes uma nocao sobrea 



Jakob Lorber 

464 

natureza do espirito e suas capacidades, Eu M esmo nao saberei de que 
forma elucidar-vos, antes devosso renascimento! Por isto, falai sincera- 
mente se com preendestes este assunto i m portanti ssi mo. " 



257. A Onisciencia Divina 

1. Dizem M athael eoutros: "Senhor, estamosplenamenteorienta- 
dos e nao sabemos que perguntas formular; talvez pudesses inquirir-nos 
por saberes melhor o quenosfalta." 

2. DigoEu:"Ora, quesituagao seria estaEu perguntar-voscomose 
fossepossi'vel coiner informacoesconvosco, sabendodetudoquesepassa 
no vosso fntimo! Vossos pensamentos mais ocultos que mal conheceis 
M e sao tao visi'veis como vedes o Sol, - e Eu vos deveria indagar algo?! 
N ao seria isto desperdicio detempo?!" 

3. Dizo nubio, ao lado: "Senhor, nao acho isto logico, poisaindaha 
pouco indagasteaTeusdiscipulossehaviam compreendido aquestao. Por 
queentao perguntaste, acaso nao sabiasserealmenteTecompreenderam?' 

4. Respondo: "Prezado amigo, nem sempreseperguntaoquesenao 
sabe, mas sim para levarosoutrosa meditagao. Assim formula o professor 
variasperguntascujasrespostasbem conhece juiznao indagadocrimi- 
noso quanta a infragao duma lei, senao paraobter do inquirido aconfissao 
propria do delito, castigando-o quando persistena negagao daquilo que 
sabe positivamente, pelo pronunciamento devariastestemunhas 

5. Assim sendo, Eu, como melhor professor e mais competentejuiz 
vosfago perguntas, nao para M einstruirdes, masobrigando-vosa refle- 
xao eanalise proprias Seria tolicede M inha parte, querer certificar-M e 
seMeus disci pulosassi mi laram urn Ensinamento, porquantosei como 
Deus, desdeEternidades, quemeamaneirapelaqual serei compreendi- 
do nesta epoca, eem vosso orbe. Compreendeste?!" 

6. Responde o negro: "Senhor, perdoa-meeu ter-Teimportunado 
com pergunta tao impropria. N ao mais o farei, caso me seja permitido 



Grande Evangel ho dejoao - Volume IV 

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permanecer com os nossos em Teu Santo C onvivio." 

7. Digo Eu: "0 tempo quequiseres, eteraso mesmo direito que 
qualquer outro a fazer perguntas! Por ora, expresso-M e sem restrigoes, 
nesta zona; posteriormente, vira uma epoca em que nao darei respostas 
Vejoaindaumafalhadentrodeti, pesquisaeindaga para seres elucidado!" 

8. D iz o negro: "Senhor, nao necessito de longa meditagao, pois de 
ha muito conhego minhas lacunas. A principal consisteem nao poder 
compreenderaOniscienciadeDeus. ComoTeepossivd saber detudo 
quesepassano Infinito?" 

9. Respondo: "Sedisto ai nda nao te i ntegraste, naocompreendestea 
fundo M inhas Revdagoes quanta a irradiagao do espirito. Sabes que o 
Espago Infinito epIenodeM qj Espirito, em si oPuro Amor, istoe, Vida, 
Luz, Sabedoria, Consciencia Plena, Percepgao N itida, Visao, Audigao, 
Pensar, QuerereAgir. 

10. DentrodeM im acha-seo Focodeste Espirito nicoeEterno, em 
uniao com o Eter Infinito, que em Mim seachanamaisintimardagao 
comtudoqueabrange. EsteMeu Eter deprojegao externa, tudopenetrae 
abarca no imensuravd Infinito, com a mesma percepgao unificada. 

ll.Tuaalmatambem oconsegueatecertadistancia, poisseria diffcil 
nao perceberes urn pensamento mau a teu redor. Da mesma forma isto 
conseguesem virtudeda projegao poativadetuaalma, em constanteuniao 
com a mesma, estendendo tua consciencia a longa distancia. A M inha 
EsferaE spiritual agedemodo identico, apenascom adiferengadesertua 
irradiagao psiquica limitada no Espago, pornaoseprojetaralen, em virtu- 
de da variabi lidade dos dementos heterogeneos que enf renta. 

12. A projecao do espirito nao sepodechocar com dementostais, por 
ser de no fundo tudo isto em conjunto; ds por que pode livremente ver, 
sentir, ouvirecompreendero quesepassano Espago. E nistosebasda,de 
modocompreensivd,aOniscienciaDivina. Estasbem informado?' 



Jakob Lorber 

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258. A LlNGUAGEM dosAnimais 

1. Dizo nubio: "E istomesmoecreiocompreendermuitacoisaque 
anteriormente nao sabia interpretar. H aja vista entendermos a lingua- 
gem dos animais, pois quern se der ao trabalho de modular os poucos 
sons dos irracionais pela percepcao internaeda inteligencia psiquica, - 
noquenaturalmenteeprecisoalgumtreino,- poderacomelesconversar 
e aprender coisas bastante importantes. Eu mesmo fiz tal tentativa, sem 
contudo ter alcancado o falar de todos, porquanto meus orgaos nao se 
prestam paratanto; todavia, entendo tudo quefalam entresi. 

2. Assim ouvi, decertafeita, doismangustosconversarem oseguin- 
te, a beira do N ilo: D izia o macho afemea: Receio por nossosfilhosque, 
longe daqui, estao a procura de ovos de crocodilo. Pois se nosso filho 
mais velho descansar a margem do rio, apos boa refeigao, podera ser 
vitimadum condor queo levariaasalturas, paraem seguidadeixarquese 
espatifasse numa rocha, facilitando ser assim devorado! Seformos ligei- 
ros, aindapoderemosimpedirtal desgragalA noiteaviagem seriaperigo- 
sa, pela aproximacao de leoes e panteras que saciam sua sede no N ilo. 
Vamos depressa, afim de evitarmos urn possivel perigo, no intuito de 
salvarmosnossofilholLevantou-seafemeaedisse: Naopercamos tem- 
po!, erapidos, quaisflechasseguiram sobrepauseped rasa beira do N ilo. 

3. Quinzediasmaistarde, voltei ao mesmo local porquesenti den- 
trodemimquelasedeveriaencontrarumafamiliainteirademangustos 
Aproximando-medesoslaio, deparei com seteanimaizinhosnum banco 
deareia, ondebrincavam alegremente. Desta vez, eu havia levado meu 
servo especialmenteentendido no linguajar deanimais 

4.Aochegarmosmaisdeperto, ouviafemeadizeraocompanheiro: 
CuidadolAtrasdaquelearbusto estao doishomens. Fujamos, poisnaose 
pode confiar neles! - macho farejou em nossa diregao e respondeu: 
Tern calma! Conhego estesdois; nao sao maus, portanto nao nosmago- 
arao; ate nos entendem e urn deles poderia falar conosco, caso quisesse. 
Aindasedivertirao conosco e nos darao pao eleite! 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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5. A femea com isto acalmou-seecomegou a pular dealegria, pois 
estavafeliz porter salvo seufilho. Esteeraum excdenteexemplareapa- 
rentava certa atitude, quese poderia classificar deorgulho. 

6. Meu empregadoopinou quepoderiamosnosaproximarsem re- 
ceio, poisnaofugiriam.Assimfizemoseopai manifestoucertotraquejo, 
porquanto indicou-nos um lugar mais comodo para observa-los; reco- 
mendou, porem, nao pisassemoso banco deareiaondese achava enter- 
radagrandequantidadedeovosde crocodilo, edeprocuravajustamen- 
te, adestrar sua prole na procura dos mesmos 

7. Obedecemos, e meu servo assegurou ao macho nao predsarem 
des temer algo de nossa parte, pois ate Ihes supririamos, durante sua 
permanenciaali, com Idteequdjo. Respondeu de: Seraotimo; em com- 
pensacao limpard o rio deste perigo. Espera mais dois dias, pois meus 
filhos devem saciar sua fome com tais ovos, para depois refestdarem-se 
com teu premio! 

8. Em seguida, meu servo perguntou como ali podia haver ovosde 
crocodilo, porquanto nuncaforavistotal reptil nessazona. E de respon- 
deu: Elessao muito inteligenteseentendidosdascoisasdaN atureza, pois 
sabem quenas partes inundadas, os ovos secriam mdhoresquenabaixa- 
da. Por isto, durante a noitenadam paraaqui emaisacimaaposaepoca 
das chuvas, onde enterram grande quantidade de ovos, na area quente. 
Ao terminarem a postura, justamente quando os homens nao podem se 
aproximar dasmargensem virtudeda lama, voltam igualmentea noite 
ao Sul, rico em manadas, que por des sao atacadas de rijo. Q uando nas- 
cem os f i I hotes, estes tarn bem se ati ram a agua e procuram j u ntar-se aos 
vdhos. Laencontram alimentoadequadoesedesenvolvem rapidamen- 
te. Como sabemos onde se acham os mdhores ovos nos os comemos, 
pois sao de sabor agradavd. As vezes, custamos a acha-los enfrentamos 
serios inimigos: o poderoso condor e a cascavd. Q uando estamos em 
grande supremacia, nada nos podem fazer. Agora prestai atencao a ma- 
ndrapdaqual descobrimosnossoalimento! 

9. N isto, desaltou depertodenosesibilou sonsinarticulados, cujo 
sentido nao compreendi de pronto; meu empregado, de ouvido mais 



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apurado, transmitiu-meter ele dado ordens para a procura deovos To- 
dos comegaram a fugar a areia e quando achavam alguns, soltavam um 
grito agudo, metiam o focinho na areia, punham a descoberto os ovos, 
que em seguida eram devorados. Apenas os menores; os grandes eram 
mordidos, eatiradosaaguacom aspatasdianteiras. E acagacontinuava. 



259. Exemplosda Inteligencia Animal 

1. (0 negro): "Assim osobservamosmetadedodiaenosdistraimos 
bastante, porquanto notavamoscertaordem, pianos delineadoseespeci- 
al adestramento, com que esses animaizinhos inteligentes executavam 
suatarefa. Calculei ficarem cansados; mas, qual o que!Q uanto maistem- 
po demorava a extincao dosovos, tanto maior animo manifestavam. 

2. D ecorridas tres horas, o macho nos disse: N esse banco de areia 
levariam, no minimo, quatro diasedo outro lado damargem, tambem 
haviamuitosovos Caso naofossem destruidos, dentro deum ano ter-se- 
iam reproduzido consideravelmente, eaposdezanos, ninguem poderia 
passar por ali sem deparar com esses repteis As criaturas deveriam por 
isso, ser muito gratasaos mangustos, pela constantedestruicao queem- 
preendiamaoscrocodilos. 

3. M eu servo entao perguntou como podia haver tal reproducao, 
considerando essezelo permanente. E o animalzinho respondeu, com 
seriedade: G rande Espirito da N atureza quer que jamais esses repteis 
sejam derrotadosporcompleto nesterio; poistambem tern suafinalida- 
deutil aTerraeaseushabitantes. Sonaosedevemexceder, no que nos 
cabea missao. Tudo foi previsto pelo Grande Espirito, visando que um 
serencontreseu aperfeigoamento em outro. Tal passagem esempredolo- 
rosa, em compensacao o grau seguinteemaisagradavel! 

4. 1 nquirido como havia chegado ao conhedmento do Espirito Su- 
premo, o mangusto respondeu: Acaso nao vemosdiariamenteo Sol D ele 
no C eu, a projetar umaquantidadedebonsespiritos?D eondedeveriam 



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vir senao do Espirito de Luz, provindo do Sol?! 

5. Prosseguiu o meu servo: Tambem venerais? Disse ele: Que 
pergunta estranha duma criatura humana! Por certo nao es maistolo que 
nos, animais?Ao fazermos consequentemente, aquilo que Sua Vontade 
implantou em nossanatureza, honramo-Lodamelhormaneirapossi'vel. 
Acaso podeneis honrar-vos reciprocamente, senao pela execucao do de- 
sejo do proximo?! Assim terminando, o mangusto voltou a sua tarefa e 
nos para casa, a fim detratarmos da vida. 

6. Alguns dias mais tarde, para la voltamos, com a finalidade de 
suprir os animaizinhos com leite e queijo, que apreciaram bastante e 
depoisdescansaram urn dia inteiro. 

7. A pergunta de meu empregado, se a came de crocodilo era ali- 
mento para as criaturas, o macho respondeu que somente certas partes 
da barriga podiam ser ingeridas, porquanto o restante, era indigesto. 
M elhor seria a came do hipopotamo, que geralmente permanece nas 
profundezasdo mar; dequando em quando, subiaatonaporocasiao das 
tempestades maritimas, para brincar com os barcos. 

8. Apos esta explicagao, nos deixaram e se acomodaram na outra 
margem, onde nao os acompanhamos por ja con hecermos as suas carac- 
tensticas. Relato o exemplo do mangusto, porquanto era algo completa- 
mentenovo para mim, epor jamais ter descoberto grau tao elevado de 
inteligenciaem outrosanimais. 

9. Entre as aves tambem se depara com especimens inteligentes, 
entre eles o ibis e a cegonha, o grou, o ganso selvagem e a andorinha. 
Entre os quadrupedessao o camelo, elefante, burro, cao, macaco, cabra, 
raposa, ursoeleao, os mais inteligentes etem linguagem inteligivel. Os 
outrosanimaiscaseirossaomenosinteligentesesualinguagemmaistola; 
dos invertebrados mantem a lagartixa o primeiro lugar; consideramo-la 
urn real profeta, que nos adverte muitos dias antes o que deve suceder, 
razao por queastratamos bem. 

10. E extraordinario o conhedmento dessesrepteiseeu nao conto 
umafabula, muitoemborasoecomotal. Casoos bran cos nao medeem 
credito, poderao mandar buscar urn asno qualquer, que meu empregado 



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adefalaraeverescomooanimal pora em execugao as suas ordens!" 



260. N ubio Palestra com o Burro de M arcus 

1. Pergunta-M eovelho M arcus: "Senhor, devo mandarbuscarum de 
meusburros?Recaoqueosneocriadospoderiamdarmotivosaobjec6es!" 

2. Digo Eu: "Isso mesmo; tua idea e boa eproporcionara ensina- 
mento importante!" 

3. Rapido, M arcus afasta-se para trazerum burrico, queentregasor- 
ridenteao nubio com asseguintes palavras: "Eis urn sabio do mundo; 
ageateugosto!" 

4. negro chama o seu servo que de pronto dirige uma serie de 
perguntasao asno, num linguajarcomum aele, eo animal revelamuita 
coisadaordem domesticadeM arcus, bem comodeseu antigodono, urn 
verdadeiro bruto, seu nome e datas impossiveis de serem do conheci- 
mento do negro, o que causa estupefacao a M arcus Finalmente, o negro 
pede ao burro para dar tres voltas ao redor de nossa mesa, e no f i m, fazer 
ouviroseu "Y-a". animal obedeceeseafastaem seguida. 

5. guia nubio pergunta ao nosso grupo se o ocorrido era simples 
fabula, eC irenius, pasmado, diz: "N ao amigo; todavia creio queo celebre 
poeta Aesopo falava aos animais! Senhor, eis outro dom dos negros que 
jamaissonhamos Seistocontinuarassim, poderemosaguardaroutrassur- 
presas. Li em vossasEscrituras, dum burro quefalara com o prof eta B i learn; 
mas, quevem a ser isto, perto da biografia do velho M arcus, queesteasno 
acaba de relatar?! Em absoluto, imporei objecoes; apenas desejava obter 
umaexplicagao do "como" sepoderafalarcom irracionais" 

6. Digo Eu: "Criaturasassim dotadas, em nadasaosuperioresavos; 
pois quanta maisproximas das almas animaisseachaapsiquehumana, 
tanto maior facilidadede intercambio linguistico. Integrada, porem, a 
came, taisfaculdadesespeciaissedesvanecem easleistrevosasda materia 
tomam o seu lugar; nestecaso, a alma e prejudicada em tudo que preju- 



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dicaocorpo. 



261. Crescimento da Irradiacao PsIquica 

DO HOMEM 

1. (0 Senhor): "N ao so os negrostem o privilegio deentender irra- 
cionais; sera igualmentedom dosbrancos, tao logo setenham completa- 
mentepurificado. Umavezaalmapura, portantosadiaeforte, comegaa 
estender o excesso desua projegao vital alem deseu fisico, isto tanto mais 
potente, quanta maior positividadecontem em si. 

2. Seria o mesmo sealguem depositasseum pedaco decarvao leve- 
menteem brasa, dentro dum recinto escuro. Sua iluminacao seria tao 
fraca, quemal severia ondeesta. Alguem soprando da superficiea cinza 
obscurecedora, comparada a materia psiquica, sua luzaumentariaapon- 
to desepoder vislumbrar sua localizagao. Aumentando-seo sopro, sua 
superficieemitiriatantaluz, demaneiraaidentificarosobjetoscontidos 
no recinto e, quando incandescenteporcompleto, facilitaria ate mesmo 
anocaodascores. 

3. mesmo acontececom a alma: o carvao incandescentecoberto 
decinzas, assemelha-sea alma enterrada na carne. N ecessita detodo seu 
fogo vital enfraquecido, para aformagao da materia trevosa quea circun- 
da; nestecaso, nao existeposabilidadedeformagao psiquica, poisuma 
alma mui materialista, nao podesentir urn dom superior. N ao sepode 
cogitar do dominio sobre o mundo da N atureza, nem ouvir a voz do 
proprio espirito, muito menosentender a linguagem deanimaiseplan- 
tas, coi sas tao corri quei ras aos patri areas, como para vos sao as da mate- 
ria. Pois o que poderia iluminar a esfera psiquica, se a luz da alma nao 
consegue emitir quantidade necessaria de eter vital, que Ihe facultasse 
nocaodesi propria?! 

4. lgnora,finalmente, sua propria existenciae base, equando infor- 
mada deseu estado espiritual, sente repugnancia; ao deparar com algo 



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semelhanteaumaalmadesencarnada, quasetem umavertigem edesani- 
ma frentea grandes milagres. Q uefazer com da? 

5. Seumaalmasetomaincandescente, em virtudedum relate veri- 
dico ou pdaconviccao propria que Ihedesperta a nocao deal go superior, 
comegaasentirsuaindividualidadeeabaseem quepisa. Setaischama- 
dasserepetem,sualuzaumentaeseu"eu"sedestacadamateriademodo 
mais puro projetando-a alem desua pessoa. 

6. Quanta maispoderosasesucessi vasforem asinfluenciasdoespi- 
rito, tanto mais lucida e potentesua irradiagao vital, de sorte que tudo 
queatingesuaauraeimediatamenteiluminadoporela, capazdeformar 
umcriterioacertado. 

7. Apos ter alcancada a iluminacao plena, comparavel a chama 
incandescentedo carvao, sua esfera luminosa tera uma projecao intensi- 
va, tomando-se dominadora detodo ser, porquanto se acha numa cor- 
respondencia inteligenteefortementeativa com os seres deseu convivio. 



262. A Projecao Luminosa de Moysese dosPatriarcas 

1. (0 Senhor): "A luminosa projecao dos velhos patriarcas era tao 
poderosa, ailuminarduranteanoite. A almadeMoyses- apos ter ele 
entrado em contato com Deus no M onte Sinai - projetava tanta luz 
devido ao seu grandeamor, queseu rosto iluminava maisfortementeque 
o Sol ao meio-dia, obrigando o profeta ocultar-secom triplicecoberta. 
Foi suaalmaamaisperfeitasobreaTerraeascriaturastinham delhe 
obedecer. Achava-se num intercambio inteligente com todos os seres, 
sabiadeM inhaVontade, quetransmitiaaosignorantes, designando-lhes 
o caminho pelo qual cada urn alcanca a perfeicao desua alma, tao logo o 
queira. Paratal fim, erigiu umaescoladeprofetasqueaindahojeexiste, 
todavia e semelhante a nova efalsa Area, porquanto a verdadeira de ha 
muitoficousemefeito. 

2. Se tivesse sido possivel M oyses unir a perfeicao de sua alma ao 



Grande Evangdho dejoao - Volume IV 

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renascimento do espirito, - que Ihe sera somentefacultado, quando Eu 
for elevado qual Elias, no entanto, sem carro de fogo, - ele, como o 
maior dos profetas dessa Terra, poderia determinar novos tramites a to- 
dososastroseaos imensossois; teriam desesubmeter a elecomo fizeram 
asondasdo MarVermdhoearochadegranitoqueproduziu umafonte 
cristalinano local poreledeterminado. Suaordem setransmitiu aosde- 
mentospresos a materia, que entenderam sua linguagem, submetendo- 
seasuavontade 

3. Queosantigossabiosgeralmentenaosofalavam com osirracio- 
nais, mas com todasasplantas, metaisepedras, o areo fogo eatemesmo 
com osespiritos da terra, provam comotestemunhasautenticas, a Escri- 
tura, mormenteo Livrodosjuizes, dosprofetas, oscinco LivrosdeM oyses 
e uma quantidade de outras anotacoes e algumas tradicoes populares, 
fortementedeturpadas. artificiodosessenios, emseusjardinsmilagro- 
sos ondefalavam: capim, arvores, rochas eaguas, sao apenas uma copia 
daquilo queexistiu na realidade 

4. Essesnegrosvosdemonstraram, demand rasdiversas, aforgaque 
impulsionaumaalmaincorrupta. Eu M esmovosexplique arazaodisto, 
e penso poderdes aceta-lo como Verdade, acrescentando que esta facul- 
dade ai nda existe e existi ra no future 

5. Alem disto, tendesem vossospastores, umaprovaconcludentede 
tal fato, porquantodirigem suasmanadaspronunciandocertosnomese 
son specu Hares, pdosquaistransmitem suasordensqueprontamentesao 
cumpridas Acaso burro eboi nao entendem o aceno deseu dono, em bo- 
ra urn tanto dificil?! Q uem ignora que o proprio leao reconhece o seu 
benfdtor jamaiso atacando, mesmo enfurecido?! Prova isto possuirem os 
irracionaiscompreensao, julgamento, easvezesum conhecimento agu- 
cado e nao raro, apontam ao homem certos perigos, atraves de gestos e 
reagoes, salvando-o desdeque Ihes prestem atengao. 

6. Deondedeveriam derivar-seosinterprdadoresde sacrifices pa- 
gaos que ainda hoje em dia prdendem desvendar certos auspicios do 
canto evoo dasavesedo movimento deoutrosanimais?Sao fracas som- 
bras de uma realidade remota. 



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263. MOTIVO DASExPLICAgOESDO Senhor 

1. (0 Senhor): "N ao vos dou a explicagao acima para reportar-vos 
aos antigos estados das criaturas, senao orientar-vos para ocasioes opor- 
tunas, onde devereis julgar tais fatos de fundo supersticioso, sabendo 
guiar-vos dentro da Verdade. Sefordessem tal orientagao, disseminar 
M eu Verbo entre povos identicos aos nubios, onde verieis suas acoes ex- 
cepcionais, ficarieis, dentro em breve, tolhidosdetal forma, a vosdeixar 
pregar por eles urn evangelho diferente, desviando-vos de M eu Cami- 
nho, ondedificilmentealcangarfeiso Renascimento do M eu Espirito. 

2. D este modo, bem orientados sobre o que se passa no mundo, ja 
nao maiscorrereis perigo devoscontami nardes, a nao ser quevosdeixasseis 
seduzir pelo egoismo alheio, queseriavossaperdicao. 

3. N ao necessitais aperfeicoar vossa alma a fim de reportar-vos as 
faculdades inerentes aos antigos, - poistal coisa nao faculta a alma vida 
verdadeira, felizeeterna, - esim, cadaum devospossui umabaseintei- 
ramente nova para purif icar sua psique, epela apl icacao de M eu Verbo, o 
renascimento do espirito. Q uem isto consegue, tera mais dons maravi- 
Ihososquetodosospatriarcasem conjuntoemunidosdesuaperfeicao 
psi'quica! Podera num relancepenetrartodo o U niverso ecompreender a 
linguagem deestrelasesois, demodo maisfacil, que os antigos videntes 
etaumaturgoseram capazesdevislumbrarejulgarseu proprio pais. 

4. Operavam milagressem entende-los Eram fortes, mas ignora- 
vam sua forca e somente podiam emprega-la de modo uti I, quando des- 
pertados pelo M eu Espirito. Foradisto, usavam-na onde nao era necessa- 
rio, semelhantes as criangas que, as vezes, despendem energia maior e 
sem utilidade, com excecao do exercicio fisico. 

5. utra coisa se passa com o poder do espirito, quando renascido 
naalma; poiscom isto, penetraem plenacomunhaocom M inhaO nipo- 
tencia InfinitaeEterna, M eu Amor e Sabedoria, Penetracao, Conheci- 
mento eVontade! D eplena possedetudo isto como M eu filho verdadei- 
ra, - acaso poderia sentir desejo deefetuar coisasfeitas pelos patriarcas, 



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como tambem por esses nubios, demodo parcial e imperfeito?! 

6. N ao a vossa vontade e sim ao tempo e seus habitos pervertidos, 
cabemaculpadenaopoderdesagirdestemodo. Poristo,vimEu, Pesso- 
almente, afim de recompensar-vos do pequeno paraiso perdido, com o 
Ceu Pleno do Espirito mais puro e poderoso, isto e, de M im, ejulgo 
poderdes estar satisfeitos com a troca. 

7. Naturalmente necessitais de muito esforco e atividade, para 
espi ritual izar vossa alma; em se tratando da aquisicao certa de dadiva 
maioremaisdevada,ser-vos-afacil suporta-los Pois,todasasfaculdades 
milagrosasdumaalmaperfeitaetodosostesourosdesteorbe, nao repre- 
sentam umagotadeorvalho, diantedo Grande Mar da Vida, quevos 
espera pelo fiel cumprimento de M inha Doutrina e Vontade, demodo 
maisseguroqueamortefisica, quenofundo, naovosincomodaratanto 
quanta o farieisao abandonar uma casa velha sujeita a ruir a cada i nstan- 
te, por uma nova, tao solida, quetempestadealguma poderiaabalar. 

8. Em verdadevosdigo:TodososrenascidospdoVerboeagao, nao 
sentirao a morte, tao pouco pressenti-la-ao com pavor, quais criaturas 
mundanasecertosanimais; deixarao delivrevontadeo seu corpo quan- 
doEuoschamaraMinhaCasa, paraoutrodestinolTereiscompreendido 
istotudo?!" 

9. Respondem todos: "Sim, Senhor, nosso amor maiselevado! 
TudoTedaremosem troca doTeu Amor edeTuaGraga tao infinite 
quenoscumulas!"